Expresso de Cantão, de Giuliano da Empoli



Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 288
Editor: Bertrand Editora

"1503: Giovanni da Empoli, um jovem mercador florentino, embarca nos navios que conduzem pela primeira vez o grande Afonso de Albuquerque ao continente indiano.
Trata-se do início de uma aventura que haveria de durar quinze anos, durante os quais Giovanni da Empoli participaria nos eventos mais importantes da sua época e conheceria os seus protagonistas: de Savonarola a Magalhães, de Maquiavel a Leão X.

2008: Giuliano da Empoli, descendente do mercador florentino, decide seguir o trilho do seu ousado antepassado.

Numa altura em que o baricentro do mundo começa a deslocar-se novamente para o Oriente, o autor oferece-nos um relato de viagens encantador que descreve duas fases cruciais da globalização através do olhar de dois testemunhos ligados por um fio invisível que percorre cinco séculos de História."

Para quem gosta de história, da possibilidade de sonhar, comparar realidades temporais numa mesma dinâmica territorial e conhecer novas perspectivas culturais, e para quem tem curiosidade e fome de conhecimento do mundo global, Expresso de Cantão é o livro indicado.
Ainda que o prólogo e os dois primeiros capítulos se tornem por vezes aborrecidos, a verdadeira narrativa da viagem dos dois Empoli é completamente viciante. Não é um livro para consumo imediato, apelando mais a reflexões sobre as diferentes realidades territoriais e culturais que se vão descobrindo, os movimentos de vanguarda, os pensamentos de novas personagens implicadas no funcionamento do seu país natal ou de coração, os pequenos rasgos de revolta de pessoas não acomodadas com aquilo que a história anteriormente lhes ditou. Para quem gosta ou para quem nunca conheceu nenhum país asiático, é um rasgo de clarividência, em muitas formas.
Historicamente, apesar de ter perfeita noção de que os livros de história do ensino obrigatório são muito simplistas, acho que nunca mais vou olhar para Afonso de Albuquerque da mesma forma.
Recomendo vivamente, embora seja preciso interesse e alguma concentração.

Crónicas da Sala de Espera


Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 160
Editor: Difel

"Pedro Beça Múrias, tem 47 anos e é jornalista. Em Dezembro de 2008 foi-lhe diagnosticado um cancro no recto. E logo se lhe colocaram no horizonte tratamentos de quimioterapia e radioterapia, antecipando uma operação para remover o tumor. Essa operação aconteceu a 27 de Abril de 2009. Motivado pelos colegas do programa Janela Aberta, emitido todas as tardes no Rádio Clube Português, passou a assinar umas crónicas diárias - "Crónicas da Sala de Espera" - nas quais contava o seu dia-a-dia como jornalista, e como doente de cancro, nos hospitais onde fez os tratamentos. Chegou mesmo a fazer alguns directos da sala de tratamentos de Quimioterapia, usando o braço que tinha livre para falar ao telefone.
Quando, na Gala do Rádio Clube, realizada em 2009, foi aplaudido de pé por dois mil ouvintes, durante vários minutos, sentiu que todo o seu esforço, pois disso se tratou, estava a valer a pena.
Estava a chegar às pessoas.
Enquanto isso, não parou de receber e-mails de ouvintes, ora a agradecer-lhe por existir uma voz mediática com quem se podiam identificar, alguém que estava a passar e a sentir o mesmo que eles, ora a incentivá-lo a continuar.
Mesmo depois da operação, fez mais alguns directos deitado na cama do hospital. E no dia em que teve alta, entrou em directo no programa Janela Aberta, tendo passado pelos estúdios antes até de ir para casa, após dois meses e meio de internamento.
Hoje, passado um ano desde o início da sua luta contra a doença, pode dizer-se que a levou de vencida, apesar de alguns sobressaltos ocorridos no pós-operatório.
Quanto ao futuro, se o Cancro voltar, "cá estarei de novo para lhe dar luta! "…



O livro "Crónicas da Sala de Espera" foi adquirido para oferta, embora confesse que o fiz contra vontade. As expectativas centravam-se em "Avó, é apenas mais um livro para chorar". Contudo, revelou-se uma verdadeira lição de vida.

Deixa-nos a pensar como o nosso tempo de vida é tão fugaz e incerto...que com ele voam todos os momentos bons e permanece tanto do que queríamos fazer. A verdade é que nunca iremos conseguir fazer tudo. Mas, nestes momentos, como o retratado no livro, o nosso cérebro invade-nos com a palavra "aproveita" e aí surgem tantas frases, pessoas, pensamentos, interrogações...um verdadeiro torbulhão de emoções. Este jornalista encara a sua doença com um sorriso, tudo culmina num sorriso nos lábios e num aperto no peito. Medo e Coragem. Força e Fraqueza. A vida é o Tudo e o Nada. Mas ele ensina a não desistir. Não vou contar como termina o livro, para deixar a curiosidade a pairar no ar, mas a verdade é que, seja qual for o seu fim, deixa-nos com um nó na garganta e com a certeza de que somos frágeis mas também somos capazes de alcançar emoções que mais nenhum Ser consegue. E o mundo grita-nos "Vive"!