Viram o meu diário?

Hoje vou falar de um tipo de livros diferentes do normal: os diários. Não só são um tipo de literatura muito própria como são também das leituras (e escritas) mais privadas que há.
Todos já tivemos um diário e já todos paramos de escrever nele. Uma das piadas mais comuns que já apanhei na net sobre isto diz que até a Elena da saga Diários do Vampiro acabou por se fartar de escrever no dela.
Por vezes questiono o que nos leva a escrever um diário? Vergonha das nossas emoções? Medo que os outros não nos compreendam? Vontade de sermos o/a protagonista principal da nossa vida? Creio que existe um sem número de motivos para escrevermos um diário, lembro-me que o meu (que o Papelão o guarde!) estava cheio de esperanças e sonhos.
Devo contar-vos que a minha imaginação para a minha vida pessoal era fantástica, entre imaginar que o Peter Pan me vinha buscar a desaparecer no mundo de Harry Potter, a única consistência do meu diário é uma ideia de evasão. Uma ideia tão comum como a esperança eterna que o sol nasça amanhã. Quem nunca quis fugir da sua vida? Não é por isso que a maior parte de nós lê? Os psicólogos concordam que ler ajuda as pessoas a criar um escape da sua vida pessoal que nem sempre está cheia das aventuras que elas gostariam que tivessem.
Mas, torno a perguntar, o que nos leva a escrever? Alguém se lembra de onde veio a ideia de escrever um diário? Eu lembro-me que em mim a curiosidade nasceu após ter lido O Diário de Anne Frank, se não me engano o meu diário chama-se Kittyy também. Na realidade todos os meus diários tiveram nomes que eram diminutivos do meu nome próprio. No meu caso creio que escrevia essencialmente para mim, para me lembrar que ainda estava viva e podia ter esperança, sei-o porque comecei a escrever o meu diário numa altura mais complicada mas que passou, assim como o meu hábito de os escrever.
Curiosamente nunca acabei um "diário" inteiro. O que, tendo em conta o que me levou a escrever neles, é bom pois significa que a minha vida tem altos e baixos mas que os baixos nunca duraram muito tempo.
E vocês caros leitores, alguma vez tiveram um diário? O que vos fez escrever nele?


Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre livros e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

2 leitores reagiram:

  1. Eu escrevi um diário com 12/13 anos e ainda à pouco tempo o encontrei e parti o côco a rir com algumas passagens que reli. Para não fugir à regra também lhe coloquei um nome, não por o considerar um amigo imaginário confidente, mas talvez por ser mais simples exprimir-me. Recentemente voltei a ter vontade de escrever um, simplesmente porque como a nossa memória não chega a todo o lado, é interessante ficarmos com "apanhado" dos momentos chave da nossa vida para mais tarde recordamos. Para mim um diário funciona mais ou menos como as fotografias, só que em vez de fotos temos palavras.

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  2. Nunca tive nenhum mas cheguei a pensar algumas vezes em escrever...

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