Opinião: Os Rinocerontes não comem panquecas, de Anna Kemp

Os Rinocerontes Não Comem Panquecas
de Anna Kemp com ilustrações de Sara Ogilvie
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 32
Editor: Livraria Civilização Editora
Resumo:
Estava a Margarida a tomar o pequeno-almoço muito sossegada quando, de repente, entra um rinoceronte roxo pela cozinha dentro - exactamente! Depois, dá uma dentada numa das panquecas da Margarida - exactamente! A Margarida tenta contar aos pais, mas eles estão demasiado ocupados para a ouvir. Estão sempre demasiado ocupados para a ouvir. Por isso, a Margarida começa a falar com o rinoceronte…

Rating: 4,5/5

Comentário:
Mais um fantástico livro da dupla Kemp e Ogilvie! Desta feita um rinoceronte roxo entra na casa de Margarida e fica a morar com ela. É verdade, um rinoceronte roxo e o pior que é os pais de Margarida estão demasiado ocupados para a ouvir ou até mesmo para se aperceberem do seu novo inclino.
Numa estranha caricatura de algumas das famílias dos nossos dias, o livro pretende chamar a atenção dos pais para a falta de comunicação e por outro lado criar uma empatia com as crianças mostrando-lhes que, tal como os pais delas, os pais de Margarida não a ouvem.
Numa sucessão de situações das quais acaba por nascer uma amizade, Margarida decide que visto que os pais não a ouvem talvez o seu novo amigo, o rinoceronte, tenha tempo para a ouvir. E a verdade é que tem, o rinoceronte tem todo o tempo do mundo parta ouvir a Margarida.
Num estilo metafórico e algo poético, Kemp e Ogilvie criam mais uma história de sucesso onde animais e crianças co-habitam juntos e criam uma forte amizade. Se Biff podia dançar ballet apoiado pela sua dona, Margarida pode ganhar um ouvinte no seu amigo rinoceronte. Assim se lançam as amarras para criar dentro do coração das crianças uma simpatia pelo reino animal, que se bem encaminhada, poderá levar a um respeito pelo mesmo.
Costumamos dizer de pequenino é que se troce o pepino, alegando que é em criança que construímos as bases que nos ajudarão a caminhar no futuro. Uma boa escolha de livro infantis com mensagens que possam perdurar mas sem o peso de uma "moral final" onde tudo é explicado, acaba por ser uma boa aposta. Mais do que simplesmente ler, os pais devem convidar os filhos a pensar no que leram.Creio que este livro com a sua história, e principalmente com o seu final ajuda a criar esta ideia.
Com uma linguagem acessível e desenhos amorosos, esta dupla premeia-nos novamente com um livro que vale a pena e que fará as delícias tanto dos mais novos como dos adultos. Um livro que saí com a minha recomendação.





Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre livros e gostas de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

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