Opinião: O Sorriso das Mulheres, de Nicolas Barreau

O Sorriso das Mulheres
de Nicolas Barreau
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 292
Editor: Quinta Essência

Resumo:
Para Aurélie Bredin, as coincidências não existem. Jovem, sensível e atraente, é a proprietária de um pequeno e romântico restaurante, Le Temps des Cerises, situado no coração de Paris, a dois passos do Boulevard Saint-Germain. Naquele pequeno restaurante forrado a madeira, com toalhas aos quadradinhos vermelhos e brancos, o seu pai conquistou o coração da sua mãe graças ao menu d’amour. E foi ali, rodeada pelo aroma do chocolate e da canela, que Aurélie cresceu e onde encontra consolo nos momentos difíceis da sua vida. Mas agora, magoada pelo abandono de Claude, nem sequer a calidez acolhedora da cozinha é capaz de consolá-la.
Uma tarde, mais triste que nunca, Aurélie refugia-se numa livraria. Um romance, O Sorriso das Mulheres, chama a sua atenção. Quando o folheia, descobre que a protagonista é inspirada nela e que Le Temps des Cerises é um dos cenários principais. Graças a esta prenda inesperada, volta a sentir-se animada. Decide entrar em contacto com o autor, Robert Miller, para lhe agradecer. Mas isso não é fácil. Qualquer tentativa de conhecer o escritor - um misterioso e esquivo inglês - morre na secretária de André Chabanais, o editor que publicou o romance. Porém, Aurélie não desiste e quando um dia surge efectivamente uma carta do autor na sua caixa de correio, acaba por daí resultar um encontro bem diferente daquele que tinha imaginado…

Rating: 2/5

Este é o primeiro livro que leio através do Clube BlogRing, do qual também já vos falei, e adorei a experiência. É bom fazer parte de uma rede de apaixonadas por livros e acompanhar o percurso que um livro faz ao longo de todo o país, devido à generosidade de alguém que não nos conhece e nos empresta um dos seus livros. Continuando para o livro em si:
O Sorriso das Mulheres era uma promessa tão grande de uma leitura doce e bem passada, mas acho que me saiu o tiro pela culatra. Para um livro que se centra tanto no ingrediente secreto; de um bom romance, da receita perfeita, de uma manhã passada com amigos, da manutenção de relações mais ou menos complicadas, esqueceu-se do seu próprio ingrediente. Apesar de compreender o desenrolar da história dos personagens, achei-a em parte insípida. E com falta de sentido de lógica nas transições entre algumas passagens. Confesso que neste caso é-me difícil explicar sem deixar escapar pequenos elementos da trama, mas vou tentar fazê-lo.
O restaurante Les Temps des Cerises anuncia-se em parte como elemento do enredo principal, e não o vivemos muito salvo em raras excepções. A própria vida de Aurélie enquanto proprietária acaba por passar ao lado da estória, salvo quando abordados os complicados horários dela ou as poucas vezes que contactamos com as pessoas que lá trabalham, e que a meu ver poderiam ter tido um destaque superior na narrativa.
Por outro lado, o envolvimento em torno da narração central, do romance e do efeito que provoca em Aurélie, poderia ter sido tão interessante e ficou aquém das minhas expectativas. Não é a história em si, achei amorosa a ideia, e fui completamente cativada pela sinopse deste livro, que tanto me fez querer lê-lo.
A transposição repentina e abrupta dos seus estados de alma e das decisões que toma, soaram-me por vezes tão aleatórias que não me consegui interligar com eles. No fundo no fundo, nem entendi os motivos dela dela nem de André Chabanais no que diz respeito ao elemento da vida romântica.
Por mais que não negue a existência de amores repentinos que nunca julgámos possíveis, ou melhor, de sentimentos encobertos que possam vir ao de cima nos momentos em que menos esperávamos, na maior parte dos casos, neste livro em particular, eles vêm praticamente do céu (e sem nenhum motivo aparente).
Mas nem tudo é mau. O Sorriso das Mulheres apresenta algumas personagens peculiares, que tornam tudo mais agradável e divertido. A sua amiga mandona mas que a apoia em todas as situações, o excêntrico director da editora, que admite conseguir ver um bom livro através da leitura de uma única página pelo início, meio e fim, os amigos de André Chabanais, que o colocam em situações caricatas, pelas quais ele se deixa seduzir, e que por sua vez ainda complicam mais a sua existência, uma mãe presente que o leva à loucura mas é apenas babada pelo filho que tem. São eles que compõem a dinâmica mais interessante da narrativa e nos agarram ao livro até ao fim.
De qualquer forma, acredito que poderia ser feita uma interessante adaptação do livro para cinema, e que eu iria certamente querer ver.

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

0 leitores reagiram:

Que pensam Encruzilhad@s?