Opinião: A Year in the Merde - Um Ano em França, de Stephen Clarke


Edição/reimpressão: 2005
Páginas: 256
Resumo:
Uma sátira sagaz e incisiva à cultura francesa, num livro cintilante, cheio de humor, que se tornou um sucesso literário internacional!
A Year in the Merde relata a hilariante desmistificação dos lugares-comuns com que nos iludimos ao idealizar Paris e a França em geral. Os leitores que têm lido este livro não resistem ao humor que ele irradia. Nem os próprios franceses resistem às «farpas» que o autor lhes lança ironicamente. A história que Stephen Clarke nos conta começa com um jovem britânico, Paul West, que aceita uma proposta de trabalho de um empresário francês, para lançar uma cadeia de salões de chá ingleses. Fascinado pelo lado romântico de trabalhar no país do «charme», apercebe-se rapidamente de como lhe é difícil sobreviver emocionalmente às idiossincrasias dos franceses. Mesmo assim, o nosso herói sucumbe ao pitoresco daqueles tiques tão irritantes! A favor disso jogam a maneira fácil como se pode manobrar por entre a falta de espaço habitacional parisiense, quando a filha do patrão é estudante universitária e sexualmente liberalíssima! Sem esquecer a suavidade da lingerie francesa e o gosto do amour francês que ele irá provando junto das sucessivas namoradas. E já que falamos de gosto, como não se deliciar com a cuisine francesa e outras artes sofisticadas? Quando Paul, literalmente, consegue assentar os pés na terra sem escorregar, descobre o que afinal se esconde por detrás da fachada que o emérito empresário montou, fachada essa da qual Paul acaba por fazer parte... Este é sobretudo um magnífico livro para os que descobrem nele uma outra maneira de olhar o mundo.

Rating: 3,5/5

Comentário:
Meu Deus, o que foi isto? Foi o único pensamento que me ocorreu quando acabei este livro!
Este ano quando estive no Reino Unido falei com uma colega de faculdade da minha irmã que estava a ler o segundo livro desta saga, entre risos e citações a Alannah explicou-me que este livro a estava a fazer rir como nunca tinha rido de outro povo. Os franceses são mesmo doidos, dizia-me sempre que me via e eu sabia que ela estava a fazer progressos na sua leitura.
Entretanto voltei para casa e esqueci-me completamente desta saga até que por acaso ao passar pela biblioteca o encontrei numa prateleira. Divertida pensei para mim mesma que talvez fosse engraçado tentar ler este livro, o que se revelou uma óptima ideia.
Toda a história de Paul tem um cariz sarcástico, desde a sua fácil contratação até à descoberta da sua equipa de  trabalho que quer tudo menos trabalhar. Os inconvenientes que Paul encontra tão diferentes dos que espera e toda a burocracia envolvida na busca de autorizações que ele precisa para obter algo tão simples como o seu visto de trabalho dão aso a gargalhas soltas e genuínas por parte dos leitores que já se viram a mãos com os mesmos trabalhos.
Creio que a minha primeira ligação ao Paul, se não contarmos a aventura que é viver num país estrangeiro, é mesmo o facto de., como ele, ter encontrado "paredes burocráticas" que me soaram irreais e situações que chegaram a marcar a história se não do mundo, pelo menos da minha calma e pacata vida.
Assim como um dia eu descobri os britânicos e os chineses, o Paul partiu em busca dos franceses e nem tudo foi croissants e lingerie mas também nem tudo foi uma merde como o diz o título do livro.
Não vou dizer que o livro é de "descascar a rir" porque não o achei, mas achei que tinha boas tiradas de humor e que efectivamente caracterizava bem os franceses (não todos obviamente) mas os franceses e os seus costumes em geral. Tive inclusivamente a opinião de algumas pessoas que já viveram em França e que  se confessaram solidárias com Paul (quando lhes contei as desventuras deste) pois lembravam-se de ter passado por situações semelhantes.
Infelizmente no meio do seu carris satírico o livro tem também assuntos recorrentes que são um pouco nojentos, como o facto do nosso caro Paul estar sempre a pisar cocó de cão (daí o nome do livro) e de fazer questão de o referir sempre que isso acontece. Chegamos a ter Paul a desesperar com cães que fazem as suas necessidades à porta do seu prédio e de as donas não tratarem de limpar nada.
Temos também uma família portuguesa no livro com a qual o Paul interage. Foi engraçado ver o Paul a tentar dar-se com os portugueses sendo que a personagem com quem mais fala e que até gosta dele, é a matriarca da família que é porteira no prédio onde Paul vive. Nas palavras de Paul a porteira adora-o porque ele é o único que não finge que ela é inexistente e a cumprimenta sempre que a vê. A porteira e a sua família também irão ajudar Paul em algumas situações e foi giro ver a interacção entre eles.
De resto o livro tem um travo que me pareceu um pouco machista com o Paul a dormir com várias raparigas, apesar de se tentar manter fiel (embora sem sucesso) mas não é algo que seja profundamente insuportável e no fundo respeita inclusivamente a personagem britânica que o Paul é.
Um livro satírico que leva umas sólidas 3,5 estrelas.




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