O Pacto de Gemma Malley

O Pacto
O crime de ter nascido 
de Gemma Malley
Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 288
Editor: Editorial Presença
Resumo:
Planeta Terra, ano 2140. A ciência oferece aos humanos a possibilidade de se tornarem imortais, mas, dada a escassez de recursos, a imortalidade só é garantida à custa da renúncia à descendência. O Pacto é o compromisso que sela tal decisão. Quebrá-lo é ir contra as leis da Natureza, e as consequências são aterradoras. Anna conhece-as demasiado bem. É uma Excedente, uma criança que não deveria ter nascido. Desde bebé que está em Grange Hall, a instituição que prepara todos os Excedentes para o terrível destino que os espera no mundo exterior. Mas um dia recebe a visita de Peter, um jovem Excedente que vem revolucionar para sempre a sua visão de si própria e do mundo…

Rating: 4/5

Resumo:
O Pacto de Gemma Malley parte de uma grande premissa que, na minha opinião, é o que o mantêm interessante do inicio ao fim. A história não é particularmente original tendo apenas uma ou outra reviravolta, mas a ideia de um mundo como este é cativante e puxa as pessoas. Creio que puxa exactamente porque deixa uma pergunta no ar: Se eu pudesse escolher entre a imortalidade e ter filhos, o que escolheria?
Talvez para maior parte das pessoas a dúvida não seja imediata. Talvez maior parte escolhesse a Imortalidade, mas esta não é fácil e vem com alguns inconvenientes. Como a ciência ainda não evoluiu ao ponto de restaurar os órgãos, a pele das pessoas estica e tem de ser rpesa por pinças para parecer que ainda está direita. Há senhas que ajudam no racionamento de luz e comida, porque ter um planeta cheio de pessoas que não morrem significa que os recursos naturais se irão eventualmente esgotar. Daí ter aparecido o pacto, o pacto no qual as pessoas abdicam de ter descendência para poderem viver para sempre.
Mas valerá a eternidade o suficiente para uma pessoa viver de senhas, toda a vida? Uma vida eterna mas sofrida, carregada de compridos e maquinetas para as pessoas parecerem eternamente jovens, quando não o são?
Anna foi formatada pelo poder instaurado, os seus pais assinaram o pacto mas tiveram-na na mesma. Ela aprendeu que esta atitude é considerada egoísta e que penalizada com a perda destes da custódia de Anna que foi parar a um "orfanato" de Excedentes. A vida no orfanato não podia ser pior, todas as crianças que lá se encontram não deveriam sequer ter nascido e são todas tratadas como peças extras de uma sociedade que já funciona bem com as peças que tem.
O livro acompanha a luta de Anna para aprender a ver-se de outra maneira e que só porque algo nos foi dito ser correcto, não significa que assim o seja. É aqui que Peter entra, ele vem por em causa tudo aquilo em que Anna acredita, virando para sempre o mundo desta de pernas para o ar.
A escrita de Gemma Malley é fluída e a história segue-se rapidamente. Apesar de me ter dado alguns nervos ao inicio por estar excessivamente formatada, acabei por aprender a gostar da Anna e segui a sua história com muito interesse. Sem dúvida um dos primeiros livros distópicos a chegar a Portugal e um dos meus favoritos por obrigar o leitor a pensar.
O Pacto é o primeiro livro de uma trilogia, chamada "The Declaration", é seguido pelo livro a A Resistência, editado também pela Editorial Presença e pelo livro O Legado, de momento ainda não disponível em português.

Livros fantásticos!

Uma rapariga a voar levada por livros. Uma biblioteca perdida. Um homem sem cor que descobre todo um novo mundo nas páginas dos livros...
Este pode ser um pequeno resumo sobre a pequena metragem que em 2011 foi levada aos Óscares.
Com o nome Os fantásticos livros voadores do Sr. Morris Lessmore esta é uma curta animação a não perder para todos aqueles que como nós amam ler e amam livros.

Por Treze Razões de Jay Asher

Por Treze Razões 
de Jay Asher
Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 308
Editor: Editorial Presença
Resumo:
Naquele dia quando Clay regressou da escola, encontrou à porta de casa uma estranha encomenda com o seu nome escrito, mas sem remetente. Ao abri-la descobre que, dentro de uma caixa de sapatos, alguém colocara sete cassetes áudio, com os lados numerados de um a treze. Graças a um velho leitor de cassetes Clay prepara-se para ouvi-las quando é sobressaltado pela voz de Hannah Baker de dezasseis anos, que se suicidara recentemente e por quem ele estivera apaixonado. Na gravação, Hannah explica os seus treze motivos para pôr fim à vida, que a cada um deles correspondia uma pessoa e que todas elas iriam descobrir na gravação o seu contributo pessoal para aquele trágico desfecho.

Rating: 3,5/5

Comentário:
Apanhei este livro por acaso no GR e achei que talvez fosse interessante ler e comentá-lo tendo em conta que os últimos dois livros que comentamos tinham como tema a morte. Assim sendo mantemos uma linha de tema que espero que quebremos por uns tempos, pegando em livros um pouco mais alegres.
"Por treze razões" tocam-nos de várias maneiras, fala-nos das nossas inseguranças, fala-nos de bullying, fala-nos de um desespero total e de como pequenas acções nos podem quebrar ao ponto de não deixarmos que ninguém nos conserte. É um livro que beneficiaria imensamente de vir com as "K-7" actualmente na versão cd ou mp3 para download no site, porque ouvir a voz de Hannah Baker e ler o livro seria uma experiência 'assombrante' que ficaria sem dúvida com o leitor muito tempo após o mesmo ter lido o livro.
Mesmo assim devo dizer que para o fim me chateei com a Hannah e concordo com o Clay quando ele diz que ela já só estava à procura de tornar o mundo dela ainda mais escuro, ter mais uma razão para se matar. Não digo que o que ela não tenha podido controlar seja culpa dela, óbvio que não foi, há coisas que ela fez sem saber que também não foram culpa dela, apenas se tornaram fardos imensamente pesados que ela podia ter aprendido a carregar, mas perto do fim a Hannah escolheu isolar-se e deixar-se a afogar, ela deixou de lutar.
Não sei se era essa a intenção de Jay Asher, se ele queria mostrar que a determinada altura quando as pessoas desistem delas mesmas não há nada que possamos fazer, mas foi o que conseguiu. A determinada altura o jogo podia ter virado na vida de Hannah e ela poderia ter ganho o seu quinhão de felicidade se arriscasse, no entanto, é difícil arriscar quando já se teve o coração partido uma e outra vez, por namorados, amigos e colegas de turma. Quando todo o mundo se vira contra nós e uma única pessoa nos estende a mão temos tendência a duvidar da sua sinceridade, é normal, é compreensível.
Creio que esta faceta do livro acaba por dar veracidade à personagem de Hannah, ouvimos-la e entendemos o seu sofrimento, ouvimos-la e perguntamos "se fosse eu, teria coragem de continuar?". Mesmo assim, isso afastou-me um pouco da Hannah, porque sou uma pessoa naturalmente esperançosa, que vê sol em dias de chuva, e apesar de não ser bonito 'dizer mal dos mortos', tomo o partido de Clay que muitas vezes ao longo do livro se chateia com Hannah e com as decisões que ela tomou. Mas a escolha de Hannah estava feita e ela acabou por se matar.
Os adultos parecem concordar com a frase que diz que todos os adolescentes se acham imortais, que há uma certa idade na qual é impossível morrer, uma idade na qual ninguém acredita nisso e depois as pessoas crescem, envelhecem e apercebem-se que não é bem assim. Ás vezes, nem é preciso crescer, basta um acidente na escola para os adolescentes se lembrarem de como a vida é frágil e de como eles não tem uma película de protecção. Livros como este tocam esta película e fazem pensar.
Tenho a dizer que gosto bastante desta colecção da Editorial Presença chamada Noites Claras e acho que o livro se enquadra perfeitamente na mesma, ao lado de "Se Eu Ficar" e "O Outro Lado". Tenho pena, no entanto, que o livro "Antes de Vos Deixar" de Lauren Oliver, em breve a ser comentado aqui no Encruzilhadas, não tenha sido incluído nesta colecção, creio que tem um tema semelhante e que se enquadra no estilo da colecção.
Apesar de não fazer parte do PNL, como "Se Eu Ficar", este livro não deixa de ser uma 'chamada de atenção' que nos obriga a repensar as nossas acções. Penso que seria interessante ser integrado no PNL pois trata directamente de um tema que poderia ser discutido com os alunos/filhos/sobrinhos/netos se estes estivessem dispostos a isso com um adulto que os poderia ajudar.
Se ainda não leram "Por Treze Razões" aconselho a que o façam, mas atenção, não é um livro para os fracos de espíritos, apesar de já ter lido histórias mais pesadas, creio que esta faz um pouco de ressonância em qualquer pessoa que frequenta ou frequentou o ensino secundário e se sentiu, minimamente, isolada e à beira do abismo.

Como aprendi a gostar de ler

O artigo de hoje foi retirado deste site e não tomamos qualquer crédito por ele. Simplesmente achámos-lo deveras interessante e relevante para todos os pais que querem pôr os filhos a ler.

Como aprendi a gostar de ler com 11 atitudes simples de meus pais
por Alessandro Martins
Uma professora de português, na pós-graduação em Literatura Brasileira que faço na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), disse que é comum que mães questionem os livros indicados aos filhos, considerando-os muito complicados.
Pensei que uma boa idéia seria perguntar delicadamente a essa mãe que outros livros ela teria indicado durante todo aquele tempo antes de ele chegar às aulas de Literatura.
Os pais têm papel fundamental na formação dos novos leitores. A responsabilidade não pode ser jogada apenas nas costas dos professores na hora de ensinar a gostar de ler.
Eis algumas coisas que meus pais fizeram para que eu me tornasse amigo dos livros. Se você for pai ou mãe, espero que isso ajude.
  1. Presenteavam-me com livros – Quase toda semana eu ganhava um livro novo. Nas datas festivas, além de um brinquedo, eu ganhava um livro.
  2. Levavam-me às livrarias – Nada mais divertido e que chame mais a atenção de uma criança que a colorida seção de livros infantis. Ainda que ela seja pequena e desorganizada, como costumam ser as de ultimamente, para a criança tudo é grande, vasto e divertido.
  3. Levavam-me à biblioteca - Nem todo mundo tem dinheiro para comprar livros toda semana. Mas uma biblioteca tem uma quantidade enorme de livros à disposição. De graça. Lembro como ontem o dia em que meu pai me acompanhou quando fiz a minha carteirinha. Emprestei uma edição do Príncipe Valente.
  4. Associavam esses passeios a coisas divertidas – Uma ida à livraria ou à biblioteca era acompanhada sempre de um sorvete, uma passada na pastelaria ou um passeio no zoológico. Não precisa ser nada muito complicado. A leitura deve estar ligada a atividades prazerosas já que também é uma.
  5. Não tinham preconceito quanto a gibis - As histórias em quadrinhos são ótimas maneiras de iniciar a criança à leitura. Embora sejam uma forma de arte diferenciada, habituam à palavra escrita.
  6. Liam histórias para mim – Minha avó também lia histórias para mim. Sempre que o fazia colocava seus óculos. Como eu ainda não sabia ler, um dia roubei os seus óculos imaginando que aquilo me ajudaria a entender aquelas letrinhas todas.
  7. Contavam histórias para mim – Quem gosta de ouvir histórias, gosta também de lê-las e de contá-las. Eles também me mantinham em contato com as pessoas mais velhas da família que, por natureza, são contadores de histórias. Quando criança, lembro de aos domingos, bem cedo, ir para cama de minha bisavó, onde ela me contava as suas aventuras da juventude.
  8. Davam livre acesso aos livros adultos – Eles nunca temeram que eu estragasse os livros da biblioteca, os livros “sem figura”. De fato, estraguei alguns, mas a minha transição dos chamados livros infantis para os adultos foi gradual e sem pressões, no meu ritmo. O primeiro que li foi Tubarão, aquele do filme.
  9. Meu pai me levava ao cinema – O cinema é uma das portas de entrada para a literatura. Foi ao ver Mogli, dos estúdios Disney, que me interessei em ler o Livro da Selva, de Rudyard Kipling.
  10. Eles liam – Meu pai, sobretudo, lia muito. Para uma criança, o cara mais legal do mundo é o pai. E, quando você é criança, tudo o que você quer é ser como o cara mais legal do mundo. E o mais importante:
  11. Eles NUNCA me obrigaram a ler – Tudo que é feito por obrigação é um saco. Coisas feitas contra a vontade causam trauma. E, depois de um trauma, mesmo que seja a mais prazerosa das atividades, mais tarde você vai associá-la com sentimentos ruins e se recusar a fazê-la. Para entender melhor, apenas neste item substitua a palavra leitura pela palavra sexo.

Se Eu Ficar de Gayle Forman

Se Eu Ficar 
de Gayle Forman
Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 216
Editor: Editorial Presença
Resumo:
Naquela manhã de Fevereiro, quando Mia, uma adolescente de dezassete anos, acorda, as suas preocupações giram à volta de decisões normais para uma rapariga da sua idade. É então que ela e a família resolvem ir dar um passeio de carro depois do pequeno-almoço e, numa questão de segundos, um grave acidente rouba-lhe todas as escolhas. Nas vinte e quatro horas que se seguem, Mia, em estado de coma, relembra a sua vida, pesa o que é verdadeiramente importante e, confrontada com o que faz com que valha mesmo a pena viver, tem de tomar a decisão mais difícil de todas.

Este livro faz parte do Plano Nacional de Leitura para 7º, 8º e 9º anos.

Rating: 3/5


Comentário:
Este livro tem um começo fantástico e era uma ideia verdadeiramente genial. A história de uma adolescente que tem tudo e subitamente devido a um acidente perde tudo. A sua luta por vinte e quatro horas enquanto pesa a sua vida e decide "se deve ficar ou não". A descrição até me dava arrepios e namorei-o durante muito tempo, até que finalmente na Feira do Livro de 2011, comprei-o!
Fui alegre e radiante até casa e assim que cheguei procurei um canto e sentei-me a ler. Foi a primeira vez em muito tempo em que não pensei "e se o livro não for do meu grado?". Como não podia ser, ora? A descrição dava-me arrepios! As páginas foram passando, passando e a determinada altura suspirei e pousei o livro. Acabei de o ler pois são raros os livros que não acabo mas infelizmente para mim não me conseguiu conectar com as personagens.
Gostei da família de Mia e continuo a dizer que a ideia em si era genial, sinto no entanto que ficou um pouco além do que verdadeiramente podia ter sido. Talvez tenha sido culpa da minha alta expectativa, não ponho essa hipótese de parte, visto que maior parte das pessoas, em particular adolescentes, consideram o livro uma óptima leitura. Por outro lado isso também acaba por não ser muito revelador da situação, pois existem outros livros que não gostei que foram grandemente acalmados pelo público.
Decidi dar a classificação de 3 estrelas a este livro, e não 2 estrelas como tenho no GoodReads, pois independentemente de tudo o livro primou pela "originalidade" em todos os sentidos. Pela ideia, pela família e pela própria vida de Mia, que tem contornos muito próprios.
No entanto tendo em conta o género, livros sobre "a vida depois da morta" já li livros que me cativaram mais e cuja história me prendeu do inicio ao fim. Talvez tente re-lê-lo daqui a algum tempo e talvez me surpreenda, de momento, apesar de não ter desgostado da escrita de Forman, não é um livro que me tenha deixado boa impressão.


  • O livro tem uma sequela chamada "Were She Went" que ainda não está disponível em português.

Dia Internacional do Livro e World Book Night

Esta semana começa com um dia fantástico que não só é o Dia Internacional do Livro como também se celebra-se a World Book Night, uma noite que tem como objectivo celebrar o prazer da leitura, algo que nós aqui no Encruzilhadas fazemos o ano todo, e que leva as pessoas a espalhar um milhão de livros por diversas instituições.
Para quem não sabe o dia 23 de Abril foi escolhido pela UNESCO por ser o dia de nascimento e morte de Shakespeare, assim como o dia da morte de Cervantes. Em Barcelona celebra-se também o dia de São Jorge, e era costume, os senhores darem rosas às senhoras que por sua vez retribuíam dando um livro da sua predilecção.
Assim sendo, a data pareceu ser simbólica o suficiente para ser não só para se festejar os livros como para os distribuir.
Todos os anos, vinte e cinco livros são escolhidos serem distribuídos nesta data tão especial, este ano alguns dos livros escolhidos são os seguintes: 

Estes livros chegarão a instituições e tentarão puxar as pessoas para o mundo fantástico da leitura. Esperemos que cumpram a sua missão. Esta semana começa também em Lisboa, a 82º Edição da Feira do Livro. É caso para dizer que esta semana é dedicada à leitura e aos livros!
Da parte do Encruzilhadas um desejo de boas leituras e uma boa semana!
 


O Outro Lado de Gabrielle Zevin

O Outro Lado 
Uma Vida ao Contrário 
de Gabrielle Zevin
Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 312
Editor: Editorial Presença
Resumo:
 Liz acorda no camarote de um navio, que partilha com Thandi, uma adolescente da sua idade que lhe é completamente desconhecida. Aliás, como tudo o que a rodeia, à excepção de Owen, o vocalista da sua banda de rock preferida. Ao fim de algum tempo Liz descobre que morreu e se encontra agora em O Outro Lado, um lugar de sublime beleza, muito semelhante à Terra e, no entanto, completamente diferente. Mas Liz tem demasiadas saudades da sua vida na Terra.

Rating: 4,5/5

Comentário:
Há livros que nos marcam e ficam connosco para sempre. Para mim, "O Outro Lado" de Gabrielle Zevin é um desses livros. Devo confessar que o li em inglês um ano ou dois depois do mesmo ter sido lançado e apaixonei-me por ele à medida que as páginas viravam e eu me encontravam cada vez mais ligada a Liz e compreendia cada vez como ela se sentia e como o outro lado funcionava.
Liz estava a andar de bicicleta quando é atropelada e ao ser lançada pelo ar nem tem tempo para se aperceber do grave erro que foi não ter usado o seu capacete. Liz no entanto não se lembra disto quando acorda dentro do Paquete Nilo, acha apenas estranho estar num barco e não sabe como ali chegou. Tudo é estranho menos Owen, o vocalista da sua banda favorita e Liz demora algum tempo a juntar as peças e ainda mais tempo a aceitar o que aconteceu.
O Outro Lado é um livro tocante sobre uma adolescente que partiu cedo demais e tem de "viver" com as consequências das suas escolhas. Porque tal como a Terra, o Outro Lado tem regras e polícia e Liz terá de arranjar uma "ocupação" para se entreter e mais terá de lidar com sentimentos que nunca antes tinha sentido.
Infelizmente este livro acaba por ser complicado de comentar sem revelar parte do enredo e apesar de não tomar uma vertente católica ou judaica, ou de qualquer outra religião, poderá não ser aconselhado a pessoas com convicções religiosas muito fortes.
Este Outro Lado acaba por nos dar uma perspectiva única do que poderá ser a vida após a morte e de como as pessoas que partiram antes de nós, poderão estar a passar o seu tempo. A obra é cativante e fomenta uma imagem única do que estará para além desta vida.
Com um tema sério mas que é tratado com a magia própria dos livros infanto-juvenis "O Outro Lado" é sem dúvida um livro para ler e pensar no que poderemos deixar por fazer se subitamente a nossa estadia neste belo planeta for encurtada.

Eternamente na mesinha de cabeceira

Todos nós temos livros que estão eternamente à nossa espera. Estes livros tem muitas proveniências, muitas origens. São aqueles livros que compramos porque estavam na moda ou porque até queríamos ler mas que entretanto ficaram para trás à medida que livros mais recentes ou com mais interesse nos chegaram às mãos.
Estes livros ocupam espaço nas nossas mesinhas de cabeceira, nas nossas estantes e na nossa consciência. E sempre que olhamos para eles, eles lembram-nos que ainda os temos que ler, que prometemos que os iríamos ler.
Mas há sempre um outro livro que lhes passa a frente, outro livro que é mais importante ler, que é mais interessante, que é mais urgente. E estes livros vão ficando cada vez mais esquecidos e cada vez mais empoeirados e nós prometemos mais uma vez que os vamos ler, mas vamos mesmo. Só não agora, definitivamente só depois daquele que estamos a ler agora, ou talvez depois daqueles que trouxemos da biblioteca e primeiro ainda há aqueles que os amigos nos emprestaram.
Estes livros esquecidos que ficam a ganhar pó são por vezes do mais diferente que há, clássicos misturados com literatura moderna e um livro de fantasia ou uma auto-biografia que alguém nos aconselhou, ou até deu, e que nunca mais pegamos.
Devo confessar que tenho alguns livros assim, uns não é que não queira ler, simplesmente acabei por perder o interesse, estão a meio marcados com marcadores como se fossem cicatrizes na pele. Outros nem sequer os abri. Uns são livros que comprei, outros são livros que me deram. Uns são de autores que gosto mas que não deviam estar no seu melhor momento quando escreveram aquele livro em particular, outros são de autores que não conheço.
São assim um peso constante na minha estante e na minha consciência sempre que acabo por ler outro livro antes de os ler a eles. Um livro mais recente, um livro que vai esperar menos tempo ou que até nem espera tempo algum.
A modo de confissão devo dizer que alguns dos que tenho na minha infinita lista de espera, e que estão eternamente na minha mesinha de cabeceira, são A Cruzada de Robin Young, Saber Estar de Vicky Fernandes e A Rapariga que Roubava Livros de Markus Zusa.
E agora a pergunta fica para os nossos leitores, que livros estão eternamente à espera na vossa mesinha de cabeceira?

Poesia de lombada!

Desde 1993, a artista Nina Katchadourian tem passeado por bibliotecas e trocado livros de lugar de modo a lhes dar um novo sentido. 
A ideia desta artista é juntar os títulos dos livros de modo a fazer destes poemas. Na fotografia do lado temos um perfeito exemplo do que ela faz. Juntos, os títulos dos livros lêem-se "Arte primitiva, Apenas imagine, Picasso, Criado por lobos". (Podem ver outros exemplos dela aqui.)
Esta ideia de Nina Katchadourian entrou no spotlight após várias pessoas a terem decidido imitar para celebrar o mês da poesia, em Abril deste ano.
Assim sendo, vários leitores decidiram juntas as lombadas  dos seus livros para fazer este género muito especial de poesia. O Encruzilhadas não resistiu e foi revistar as estantes procurando títulos originais e puxando ao máximo pela sua veia artística.
Os resultados da nossa busca vão estar em breve disponíveis na nossa página do facebook! Alguém quer partilhar a sua veia poética?

Hana por Lauren Oliver

Hana
de Lauren Oliver
Apenas disponível em ebook
Edição ebook: 2012
Páginas: 64
Editor: HarperCollins Publishers
Resumo:
No mundo de Delirium, o amor é uma doença. E como os jovens de 18 anos, Lena e Hana tem de ser curadas.
No início do seu último verão de liberdade, elas eram as melhores e mais chegadas amigas. Até que Hana tomou uma decisão que as separou... Em Delirium, ouvimos Lena. Agora chegou a vez de Hana contar a sua versão da história. E nada é o que parecia à primeira vista.
Hana é uma história poderosa, comovente e bela criada como short-story e apenas disponível para e-book. E a reviravolta final deixará todos com o coração nas mãos.

Rating: 4/5

Comentário:
Quando lemos o Delirum em Setembro de 2011, eu um pouco mais tarde que a Cláudia, ficamos completamente empolgadas para ler a sua sequela Pandemonium, que saiu este mês e mal podíamos esperar para começar a riscar os dias do calendário para sabermos mais da história de vida de Lena. Foi então que como por magia, a Cláudia descobriu que a Lauren Oliver ia lançar o Hana em Fevereiro e mais, que a MTV o ia oferecer para download no Dia dos Namorados, foi assim que ansiosamente esperamos o aparecimento do Hana e fizemos o seu download.
A nossa ideia era lermos o Hana juntas mas devido às nossas vidas pessoais, acabei por o ler primeiro e como a Cláudia já tinha comentado o Delirum, pareceu-nos bem que eu comentasse o Hana. E agora que a parte comprida desta história acabou vamos ao que interessa.
Não é fácil comentar o Hana sem estragar o Delirum, porque as histórias são uma e a mesma, apenas contada de pontos de vista diferentes. Tal como o resumo diz, Lena e Hana moram num mundo onde o amor é considerado uma doença e o mal maior da nossa sociedade. Foi o amor que gerou traições, que gerou conflitos e que fez com que a nossa sociedade quase se destruísse.
Felizmente o governo descobriu uma operação que ao ser realizada faz com que as pessoas deixem de amar. Esta operação é feita a todos os jovens quando eles chegam aos 18 anos. Em Delirum seguimos Lena e os seus pensamentos à medida que a data se aproxima. Em Hana seguimos Hana, a mais popular das duas amigas e a mais rebelde, há medida que esta faz as suas escolhas e vê a sua vida, como a conhece, a chegar a um fim.
Devo confessar que quando acabei de ler o e-book estava um pouco chateada com a Hana e com a maneira como ela estava a tratar a Lena, mas tal como a Cláudia me recordou, nós já conhecíamos bem a Lena e sabíamos os seus pensamentos mais íntimos. Sem acesso a esses pensamentos, as dúvidas que assaltam Hana e os seus medos são justificados. 
Foi bastante interessante rever esta história e vê-la por outros olhos, ver o que alguém que não sabe o que a Lena sente acha dela e de ver como as outras pessoas a vêem. Acrescentado história nova, sem no entanto se desviar da narrativa que conhecemos, Hana torna-se uma ferramenta vital para percebermos a verdadeira dimensão do mundo Delirum.
Sem dúvida um must-read para todos aqueles que já leram Delirum e adoraram!
  • De momento, Abril 2012, este e-book apenas está disponível em inglês. 
  •  De Lauren Oliver lemos também Delirum.

Feira do Livro 2012

A altura da Feira do Livro de Lisboa aproxima-se. Este ano a mesma terá lugar de 24 de Abril a 13 de Maio, sendo o local escolhido o de sempre, o Parque Eduardo VII com vista para o Marquês de Pombal e o Rio Tejo.
Com as coisas cada vez mais complicadas a nível monetário para os portugueses, a Feira do Livro acaba por ser uma boa oportunidade para se tentar desencantar livros a preços mais acessíveis que o normal.
Há no entanto que tomar atenção para que a cabeça não supere os limites da carteira. Algumas das melhores técnicas são as mesmas do que as de ir ao supermercado.
  • Nunca ir se não se estiver já a ler algo; 
    • Livros acabam por ser um pouco como comida, quanto mais fome, mais comida vamos levar que normalmente não nos interessaria tanto;
  • Ter uma lista com os livros que efectivamente se quer comprar;
    • O que vai acabar por ajudar a não ultrapassar o plafon escolhido;
  • Saber junto do stand se o livro vai ter alguma promoção especial num dia específico;
    •  Estes são os chamados "Livro do Dia" e podem ter descontos até 50%;
  • Ir com um amigo;
    •  Se tiverem gostos parecidos até podem acabar por trocar livros quando acabarem de os ler;
  • Ter a certeza que a Biblioteca Municipal mais perto não tem o livro que quer comprar para requisitar;
    • E que não o pode mandar vir de outra biblioteca vizinha;
  • Saber se o livro não foi já editado em Portugal por outra editora; 
    • P.e. A colecção argonauta que vende por 1,5€ o volume (em maior parte dos locais) tem livros que foram mais tarde editados por outras editoras portuguesas que os vendem por vezes 7 ou 8 vezes mais caros.
Estes são alguns dos muitos conselhos que em tempo de crise nos podem dar uma ajuda. Quanto a evitar vir a Lisboa, há uma fantástica solução. Descobrir quando a Feira do Livro vai até ao sítio onde mora! Para uma lista completa das Feiras do Livro em Portugal podem consultar este site onde também são dadas datas de feiras do livro internacionais.
Nós aqui no Encruzilhadas já temos as nossas listas e carteiras preparadas para não cairmos em tentação. Há uns que queremos muito e as estratégias estão definidas. Vai ser uma boa Feira do Livro! Boas compras e leituras ainda melhores!

Academia de Princesas por Shannon Hale

Academia de Princesas
por Shannon Hale
Edição/reimpressão: 2008
Páginas: 264
Editor: Gradiva Publicações
Resumo: 
Um poético romance de aventuras sobre a amizade, o amor e o valor da coragem.
No alto da encosta do rochoso Monte Eskel, a família de Miri ganha o seu sustento a extrair pedra da própria montanha. Mas a vida de Miri mudará com a chegada da notícia de que a futura princesa será escolhida na pequena aldeia onde ela vive. Todas as raparigas elegíveis têm de frequentar uma academia improvisada, por forma a prepararem-se para a vida no palácio. Uma vez na escola, Miri vê-se a braços com uma concorrência feroz entre as raparigas e com os seus próprios desejos contraditórios para ser a escolhida. Contudo, quando o perigo espreita a academia, é Miri, que tem o nome de uma florzinha das montanhas, quem tem de descobrir uma maneira de salvar as colegas - e o futuro da sua querida aldeia.

Rating: 3,5/5

Comentário:
Mais uma história maravilhosa de Shannon Hale! Após ter lido o "O Livro dos Mil Dias", resolvi ler "Academia de Princesas" por ter gostado bastante do género da autora e não fiquei desapontada. Gostaria no entanto de acrescentar alguns detalhes ao resumo da Gradiva.
A família de Miri é pobre, assim como a aldeia onde esta habita, o sonho de Miri é trabalhar na pedreira onde o pai e a irmã trabalham mas como é muito pequena, em termos de altura, o pai não lhe permite que o faça. A vida segura de Miri leva no entanto uma reviravolta quando na capital os videntes do Príncipe o informam que a próxima princesa, sua futura esposa, mora no Monte Eskel.
Chocados com a novidade os conselheiros tratam de instalar uma Academia para Princesas no Monte para que todas as raparigas, dentro das idades escolhidas, possam frequentar a academia e aprender a ler e escrever para tentarem impressionar o príncipe. Aquela que promete ser uma vida de glamor acaba por se revelar bastante perigosa e a pequena Miri tem de aprender que o valor das pessoas não está na sua altura e sim no tamanho dos seus corações!
É com grande gosto que li este livro e acompanhei a Miri, a vi crescer, aprender e a superar-se a ela mesma. Gostaria de referir que o livro fala levemente de bullying, sofrido tanto pela Miri como por algumas das suas colegas, quando face à possibilidade de saírem dali raparigas que Miri conhece desde sempre se revoltam contra as amigas.
Na eminência de poder ter uma melhor vida, o mundo calmo de Miri torna-se um mundo de cão e Hale fez um óptimo trabalho ao ilustrá-lo sem levar as coisas ao extremo podendo a história ainda ser apreciada na sua simplicidade infanto-juvenil. Gostei também do facto de possuir figuras autoritárias que não são necessariamente más, simplesmente tem uma missão que querem levar a bom termo e são bastante exigentes, creio que essa separação é feita lentamente ao longo do livro e acaba por ser um bom exemplo.
Contas feitas acaba por ser um bom livro para dar à mesma faixa etária sugerida para "O Livro dos Mil Dias", dos 8/9 aos 13/14 anos, além do mais faz parte do Plano Nacional de Leitura, sendo portanto uma leitura recomendada não só pelo Encruzilhadas mas também pelo Ministério da Educação e Ciência.

O melhor lugar para ler

O artigo de hoje é da autoria de Kate Beaton e foi apenas traduzido para português, não podendo nós tomar nenhum crédito por ele. Achamos no entanto que era muito giro e que vale a pena ler! Aqui fica.

"O meu lugar preferido para ler é, de facto, qualquer um em que me possa estender. Sofá, tapete, cama, onde quer que me possa sentir confortável. Isso porque sou uma irrequieta e ando sempre enrolada nos livros como se fossem a única coisa que tivesse de salvar no meio de uma tempestade. 

Gostava de vos dizer que costumo ler no meu café preferido, em frente a uma xícara de chá e a um bolinho delicioso, tudo banhado pela luz pura da manhã. Mas não posso, porque estou de barriga para baixo, apoiada nos cotovelos e indiferente à inevitável dormência que já aí vem. Ok, quando vier basta virar-me de costas e segurar o livro acima da cabeça ou, quem sabe, enrolar-me de lado, à volta do livro numa posição incorrecta qualquer, ou sentar-me com ele nos joelhos a balançar. 

Tropeçaste em alguma coisa? Oh, foi em mim! Estava enrolada numa manta, no chão. Não te rales com isso. Quando era adolescente, costumava divertir-me a sentar-me de cabeça para baixo e os pés por cima das costas do sofá. Mas tive de para com isso quando me tornei uma senhora porque não está, certamente, nos projectos de nenhum cavalheiro levar uma ‘pernas para cima’ ao altar. Não que ande à pesca de marido e menos agora que estou a meio do último George R.R. Martin, mas é preciso traçar uma linha de conduta geral em algum aspecto, não acham?

A Rainha Vermelha de Philippa Gregory

A Rainha Vermelha 
de Philippa Gregory
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 408
Editor: Livraria Civilização Editora

Resumo:
Herdeira da rosa vermelha de Lancaster, Margarida vê as suas ambições frustradas quando descobre que a mãe a quer enviar para um casamento sem amor no País de Gales. Casada com um homem que tem o dobro da sua idade, depressa enviúva, sendo mãe aos catorze anos. Margarida está determinada em fazer com que o seu filho suba ao trono da Inglaterra, sem olhar aos problemas que isso lhe possa trazer, a si, à Inglaterra e ao jovem rapaz. Ignorando herdeiros rivais e o poder desmedido da dinastia de York, dá ao filho o nome Henrique, como o rei, envia-o para o exílio, e propõe o seu casamento com a filha da sua inimiga, Isabel de York.
Acompanhando as alterações das correntes políticas, Margarida traça o seu próprio caminho com outro casamento sem amor, com alianças traiçoeiras e planos secretos. Viúva pela segunda vez, Margarida casa com o impiedoso e desleal Lorde Stanley. Acreditando que ele a vai apoiar, torna-se o cérebro de uma das maiores revoltas da época, sabendo sempre que o filho, já crescido, recrutou um exército e espera agora pela oportunidade de conquistar o prémio maior.

Rating: 3/5


Comentário:
Agora que saiu em português "A Senhora dos Rios", último livro da Trilogia dos Primos em Guerra, mas em termos temporais uma prequela da Rainha Branca, o Encruzilhadas juntou mãos para comentar as Rainhas. Assim sendo fiquei com a Rainha Vermelha a meu cargo e a Cláudia ficou com a Rainha Branca.
Devo confessar que não apreciei tanto a Rainha Vermelha como a apreciei a Rainha Branca. Isto poderá vir em grande parte do facto de a Rainha Branca ser um livro mais místico enquanto a Rainha Vermelha é um livro mais terra a terra. Há também que salientar que na Rainha Branca temos uma rainha contente e que relembra um pouco aquela personagem mítica dos contos de fadas, enquanto a Rainha Vermelha é mais severa e parece-se mais com a rainha malvada.
Por ter lido a Rainha Branca primeiro e ter simpatizado bastante com ela, devo confessar que inconscientemente devo ter tomado o seu partido. Quando li o que fizeram aos seus filhos, ou pelo menos o que se supõem, ainda mais fiquei do seu lado, por isso pude ler a Rainha Vermelha já tinha feito dela inimiga não declarada.
Tentei gostar da Rainha Vermelha, até porque tem o mesmo nome da minha mãe, e por causa da sua história de vida. Esta rainha teve uma vida sofrida, foi obrigada a casar nova e quase morreu durante o parto. Para além de todas estas complicações perdeu dois maridos e viu a sua possibilidade de herdar o trono de Inglaterra para o filho esbater-se como lua em quarto minguante.
Creio que foi a sua veia católica e de santa sofrida que me deixou pé atrás com ela, nada contra os católicos, mas a veia de santa que ela decidiu incorporar acabou por me deixar deveras irritada. Todas as suas penitências e abstinências fizeram-me deveras confusão e não ajudaram a que eu me conectasse com ela.
É de referir que apesar de tudo a escrita de Gregory não perdeu a sua força ou a sua musicalidade e pude ler o livro do início ao fim sem problemas demais. Tive este mesmo "problema" com "A Outra Rainha", no qual não gostava da Rainha Maria Stuart, mas gostava das outras personagens, principalmente da Bess, e pude seguir a história sem mais problemas devido à escrita da autora.
No geral creio que é importante ler a Rainha Vermelha, principalmente porque ajuda a ver o outro lado da mesma guerra e conseguimos ter uma noção mais abrangente do que passou durante a Guerra das Rosas. Agora que finalmente saiu "A Senhora dos Rios" poderemos saber mais sobre a mãe da Rainha Branca e o papel que esta desempenhou nesta guerra. Tenho a certeza que será um livro fascinante!

Ler ou não ler e-books, eis a questão!

Aqui no Encruzilhadas já nos rendemos um pouco à evidência de que os e-books parecem ter vindo para ficar. Apesar de sermos raparigas à moda antiga que gostam de pegar num bom livro, sentir-lhe o cheiro e virar-lhe as páginas a verdade é que os e-books são muitos mais fáceis de transportar e acabam por, em maior parte dos casos, ficar mais baratos do que comprar o livro físico.
Falando por mim, agora que as coisas estão a apertar, ler e-books acaba por ser uma maneira de me manter actualizada nas minhas leituras sem ter de gastar muito dinheiro. A única contra partida é que não tenho um e-reader, o que significa que passo muitas horas em frente ao portátil sentada na sala a ler. 
Isto acaba por ser um pouco aborrecido porque um portátil, obviamente, não é um e-redear, cansa mais a vista e é muito mais pesado, não dando aquele jeito que os e-readers parecem dar para uma pessoa se por em todas as posições, como quando está a ler um livro. No entanto a cavalo dado não se olha o dente e com a ajuda de um add-on para o firefox, ou a instalação de um programa no pc consigo ler os ficheiros ePub sem problemas, o meu irmão até foi simpático e mostrou-me um programa chamado f.lux que ajusta a luz do ecrã o que até ajuda a poupar-me os olhos.
Porém há outras situações pertinentes que me fizeram virar para os e-books. Estas situações prendem-se com escritores que só editam livros em e-book, ou que fazem volumes especiais em e-book. Alguns desses escritores são Cassandra Clare, autora da trilogia Os Caçadores de Sombras, e Lauren Oliver, autora da trilogia Delirium.
No caso de Clare, tratam-se mais de pequenas histórias soltas entre os volumes da trilogia, que ajudam a compreender melhor algumas das situações, do que necessariamente e-books. No caso de Oliver temos o e-book Hana, que conta a mesma história de Delirum mas no ponto de vista da melhor amiga da personagem principal. No caso de autores de renome estes e-books acabam por ser histórias extra para dar uma melhor compreensão da narrativa principal, no caso de autores desconhecidos os e-books acabam por ser a maneira mais barata de chegarem ao mercado e tentarem alcançar os leitores.
Mesmo as empresas de auto-publicação como a Bubok oferecem ao seus clientes a possibilidade de comprar o livro físico ou e-book. Será apenas uma questão de tempo até as livrarias começarem também a vender este formato, visto que as grandes "livrarias" on-line, como a Amazon já o disponibilizam. E que é mais rápido e eficaz que pagar e fazer logo o download do livro, não há a pressa de comprar os livros antes de terem saído para se os ter no dia do lançamento, basta pagar e assim que o download acabar já se tem o livro para começar a ler.
Há que referir no entanto que os e-book deram origem a uma pirataria enorme dos mesmos. Livros que antigamente eram fotocopiados e que devido a alterações na lei deixaram de o ser, passaram a estar a um download de distância dos ciberautas. Salva-se a carteira e salvam-se as árvores.
O Encruzilhadas irá comentar e-books e o primeiro a contemplado será o Hana de Lauren Oliver. No caso de existir cópia física do livro essa será sempre a descrita, caso apenas haja e-book serão os dados deste que constarão na entrada do post.
Queremos portanto saber, "Ler ou não ler e-books?" Qual é a vossa opinião sobre o tema?

O Livro dos Mil Dias por Shannon Hale

O Livro dos Mil Dias 
por Shannon Hale

Edição/reimpressão: 2008
Páginas: 260
Editor: Gradiva Publicações
Resumo:
Quando Lady Saren se recusa a aceitar casar com um homem que despreza, é encerrada numa torre durante sete anos com Dashti, a sua aia, e as duas preparam-se para uma longa e sombria pena.
Apesar de a comida começar a escassear e os dias passarem de um calor insuportável a um frio de gelo, Dashti faz todos os possíveis por as manter alimentadas e confortáveis. Então, com a chegada dos pretendentes de Saren à torre — um deles desejado, o outro muito pelo contrário —, as jovens vivem momentos de grande esperança e enorme perigo, e Dasthi terá de fazer escolhas importantes, descobrindo que a sua vida vale muito mais do que imaginava.
 
Rating: 4/5


Comentário: 
Aviso: São 260 páginas que se lêem com uma rapidez estonteante!
Quem frequenta o Encruzilhadas deve estar a começar a reparar nos nossos padrões de leitura. O meu e do Cláudia apesar de baterem por vezes são na sua essência por vezes bastante distintos. Eu tenho um amor muito grande a livros infantis e juvenis e o género de Shannon Hale que é um infantil-juvenil cai-me sempre que nem ginjas.
Comprei O Livro dos Mil Dias por me lembrar um pouco da Rapunzel e porque na altura estava a ler vários recontares de contos de fadas e acho sempre interessante ler autores diferentes dentro do mesmo género. Hale não me desiludiu. Num estilo novo e fascinante, tira-nos da tradiconal europa medieval e leva-nos para um país inexistente que se parece bastante com a Mongólia devido às roupas e costumes/crenças religiosas. (O livro vem acompanhado de "desenhos" da sua autora, Dashti que ajudam a visualizar melhor esta situação.)
Dashti é uma rapariga que sabe o seu valor e as suas capacidades porque foi educada para o saber, infelizmente nasceu pobre e foi abandonada cedo pelos irmãos que a deixaram com a sua mãe. Dashti que só quer sobreviver descobre cedo que a única maneira de o fazer é sendo criada de alguém, é cuidado de alguém que não seja ela mesma e por um golpe de sorte e inteligência consegue o cargo de criada pessoal de Lady Saren, infelizmente, mal sabe ela que Lady Saren está prestes a ser fechada numa torre por sete anos e que terá de ser fechada com ela.
Repleto de momentos de adversidade, esperança e amizade, este é um livro que nos ensina que somos mais do que aquilo que nascemos para ser. Somos aquilo que nos permitimos ser. Com Dashti fazemos uma viagem na qual ela descobre isso mesmo, que só porque aprendeu a dar a vida pelos outros e que os outros são mais importantes isso não o torna necessariamente verdade.
Contando de uma maneira simples, este livro é ideal para raparigas na casa dos 9-14 anos que gostem bastante de ler e de histórias que relembrem o "Era uma vez..."

Herdeiro de Harry Potter já tem nome

O último trabalho da escritora de Harry Potter já tem nome e sinopse! Os mesmos foram divulgados hoje pela editora responsável pelo livro, a Little, Brown Book Group.
O livro, o primeiro para adultos da escritora, chama-se "The Casual Vacancy" e estará disponível em capa dura, audio book (digital e cd) e ebook a 27 de Setembro deste ano.
O título que pode ser traduzido como "A Vaga Casual" tem como sinopse o seguinte texto:
The Casual Vacancy

When Barry Fairweather dies unexpectedly in his early forties, the little town of Pagford is left in shock.

Pagford is, seemingly, an English idyll, with a cobbled market square and an ancient abbey, but what lies behind the pretty façade is a town at war.

Rich at war with poor, teenagers at war with their parents, wives at war with their husbands, teachers at war with their pupils...Pagford is not what it first seems.

And the empty seat left by Barry on the parish council soon becomes the catalyst for the biggest war the town has yet seen. Who will triumph in an election fraught with passion, duplicity and unexpected revelations?
Uma tradução muito livre do texto acima poderá ser a seguinte:
A Vaga Casual
Quando Barry Fairweather morre inesperadamente aos seus quarenta e poucos anos, a pequena cidade de Pagford fica em choque.

Pagford é, à primeira vista, um local idílico inglês, com uma praça de mercado com chão de pedra e uma antiga abadia, mas o que está por trás desta bela fachada é uma cidade em guerra.

Ricos em guerra com pobres, adolescentes em guerra com os pais, esposas em guerra com os seus maridos, professores em guerra com os seus alunos. Pagford não é o que parece à primeira vista.

E o lugar deixado vago por Barry no conselho de paróquia torna-se o elemento catalisador para a maior guerra que a cidade alguma vez viu. Quem irá vencer nesta eleição manchada por paixão, duplicidade e revelações inesperadas?
"Repleto de humor negro, provocativo e uma surpresa constante", usando as palavras da Editora, o primeiro livro de J.K.Rowling para adultos promete superar as expectativas. Aqui no Encruzilhadas as opiniões dividem-se, e vocês que acham? Valerá a pena ler o "herdeiro de Harry Potter"? Ou há outras histórias para se lerem?

Bilhetinhos de Namorados por Virginie Hanna

Bilhetinhos de Namorados 
de Virginie Hanna
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 32
Editor: Editorial Presença

Resumo:
Bilhetinhos de Namorados é um livro com encantadoras ilustrações, concebido com ternura e sensibilidade para crianças na idade em que os primeiros anos de escola são palco de empolgantes descobertas.
Entre elas estão os afectos que podem despertar entre duas crianças de sexo diferente e as qualidades mais preciosas que cada um procura no outro. 

Rating:  3.5/5

Comentário:
Por vezes questiono-me se era a única que só tinha a Anita para ler em pequena? (Bom, verdade, verdade a Anita e mais alguns livros antiquíssimos herdados da minha mãe!) Talvez seja mesmo só de mim mas estes novos livros infantis são um encanto! As imagens são bonitas, as cores absorventes e os textos primam pela simplicidade e pelo facto de irem directos ao ponto. 
Nestes bilhetinhos seguimos a relação destas duas crianças à medida que elas dizem o que gostam uma na outra, quais são as acções que lhes tocam e as fazem felizes. Gostei desta ideia pois vivemos num mundo em que as pessoas se começam a aperceber que o que importa são as acções. Sejam elas pequenas ou grandes são as nossas acções que nos definem e isto é um dos pontos revelados no livro.
Este livro acaba por me lembrar um pouco do livro "Gosto de Ti", visto que temos na mesma a temática do amor e os desenhos são também uma ternura. Como todos os livros que falam de amor aos mais novos é impossível não ficar com uma sensação de quente no coração.
Cartões escondidos com beijinhos, levar uma flor, dar um abraço. Acções tão simples e tão cheias de amor e que acabam por reflectir a verdadeira natureza das pessoas e dos seus sentimentos. Um livro carinhoso que ajuda as crianças a não terem medo de se expressarem e que sem dúvida fará as delícias dos adultos que tenham de o ler.

Contrabalançar leituras!

Num mundo em que a vida anda cada vez mais rápido é difícil arranjar tempo para se ler tudo aquilo que se quer ler. E verdade seja dita, muitos de nós sabem, assim que descobrem o prazer pela leitura, que jamais teremos tempo para ler tudo aquilo que queremos ler. Se os clássicos não nos roubassem bastante tempo os livros novos que saem todos os meses fá-lo-iam. 
Temos de ser sinceros, a nossa lista de livros para ler nunca acaba de crescer e a nossa lista de livros lidos parece não conseguir acompanha-la. Assim sendo há pessoas que gostam de ler dois e três livros ao mesmo tempo. Acaba por ser uma técnica prática que permite que uma pessoa ande com a sua lista dos lidos sempre em crescimento e ajuda a desbastar a lista dos livros para ler.
Mas como o fazer? Como não baralhar tudo na cabeça? Esta pergunta é-me feita muitas vezes por amigos que me vêem a ler e perguntam: 

Amigo: "Olha, esse é o tal livro sobre a rapariga com a cicatriz de trovão?"
Eu: "Não, este é sobre a revolução das porcelanas em França..."
Amigo: "Ah, já acabaste o outro então!"
Eu: "Não, não estou aí a umas 100 páginas de acabar esse..."
Amigo: "E estás a ler outro?"
Eu: "Estou  a ler os dois ao mesmo tempo..."
Amigo: "Que horror! Deves baralhar-te toda..."

Soa familiar? Devo jurar que houve alturas em que pensei se era a única pessoa que lia tantos livros ao mesmo tempo. Gosto de ter um livro para ler na cama, um para ler nos transportes e um nas horas vagas. Faz parte de mim, sei que a Cláudia também lê vários ao mesmo tempo e deduzo que utilize as mesmas técnicas que eu, são técnicas simples e fáceis de seguir.
Aqui vão algumas delas para aqueles que querem começar a ler dois livros ao mesmo tempo e tem receio de se trocarem nos enredos e personagens.
  • Ler géneros distintos. Isto é, se estiverem a ler um livro de pura fantasia, não misturar com romances paranormais e sim com aquela biografia que já querem ler à muito ou aquele romance que vos deram no natal.
  • Ler autores que não sejam fáceis de confundir. Se quiserem ler dois livros parecidos o melhor é tentar ler de dois autores que não sejam fáceis de confundir. Como por exemplo Júlio Verne e Úsrula Le Guin, apesar de terem alguns livros com temas parecidos os seus géneros de escrita são impossíveis de confundir.
  • Ler livros de faixas etárias diferentes. Esta é parecida com a do género. Devo confessar que sou uma aficionada por livros considerados juvenis. A literatura YA (Young Adult) é um mundo fascinante onde história sérias podem acontecer mas eu ainda tenho uma grande hipótese de ter o meu final feliz. Se ler um livro estilo juvenil com um para adultos será também bastante complicado misturá-los. 
Ficam aqui três conselhos que me lembro de momento. Normalmente também ajuda se só se ler o livro em determinadas situações, se só ler o livro que leva para o metro no metro, será difícil de confundi-lo com aquele que está a ler antes de dormir. 
Ao principio é capaz de fazer alguma confusão mas o hábito vem rápido e é uma maneira de devorar livros ainda mais depressa! Mas agora digam-me, também lêem mais que um livro ao mesmo tempo? Se sim, quais são as técnicas que usam para não se confundirem?

Trilogia "Caçadores de Sombras"


Amor. Sangue. Traição. Vingança. A fasquia está mais alta do que nunca.

Harry Potter, Twilight, Os Jogos da Fome e agora Caçadores de Sombras, estes são os nomes das última sagas literárias a tomarem forma no grande ecrã!
E os portugueses vão já poder ver "Clary" nos cinemas pois a actriz Lily Collins que irá protagonizar a heroína da saga, entra em "Espelho meu, espelho meu" como Branca de Neve.
O Encruzilhadas tornou a juntar mãos após o nosso comentário sobre a trilogia 'Os Jogos da Fome e decidiu fazer um breve comentário sobre esta nova saga agora que o quarto volume, "A Cidade dos Anjos Caídos" entrou nas prateleiras das livrarias pelas mãos da Editorial Planeta!

Resumo:
A Cidade dos Ossos
Edição/reimpressão: 2009
Editor: Editorial Planeta

No Pandemonium, a discoteca da moda de Nova Iorque, Clary segue um rapaz muito giro de cabelo azul até que assiste à sua morte às mãos de três jovens cobertos de estranhas tatuagens. Desde essa noite, o seu destino une-se aos dos três Caçadores de Sombras e, sobretudo, ao de Jace, um rapaz com cara de anjo, mas com tendência a agir como um idiota…

ATENÇÃO SPOILERS NOS RESUMOS SEGUINTES
A Cidade das Cinzas 
Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 360
Editor: Editorial Planeta

Clary Fray só queria que a sua vida voltasse ao normal. Mas o que é normal quando és um Caçador de Sombras? A tua mãe está em estado de coma induzido por artes mágicas, e de repente começas a ver lobisomens, vampiros e fadas? A única hipótese que Clary tem de ajudar a mãe é pedir ajuda ao diabólico Valentine, que, além de louco, simboliza o Mal – para piorar o cenário também é seu pai.

A Cidade de Vidro
Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 408
Editor: Editorial Planeta

Para salvar a vida da mãe, Clary tem de ir à Cidade de Vidro, o lar ancestral dos Caçadores de Sombras - não a incomoda que a entrada nesta cidade sem autorização seja contra a Lei e que violá-la possa significar a morte. Piorando mais a situação, ela vem a saber que Jace não a quer lá e que Simon foi encarcerado na prisão pelos Caçadores de Sombras que suspeitam de um vampiro que tolera a luz do Sol. Ao tentar descobrir mais pormenores sobre o passado da sua família, Clary encontra um aliado no misterioso Sebastian...

Rating: 4/5

Comentários:
Cláudia:
Numa altura em que livros sobre vampiros, lobisomens, anjos e demónios é prática recorrente, torna-se efectivamente difícil encontrar algo original. Cassandra Clare foi capaz de o fazer com o mundo dos Caçadores de Sombras.
Não só se denota uma reinvenção de personagens que muitos julgam já conhecer, como toda a conjugação do mundo e universo fantástico se revela fascinante e nos leva a adorá-lo profundamente, independentemente das acções e dos próprios personagens; o que revela uma contextualização muito bem conseguida. Esse é sem dúvida um dos pontos fortes da narrativa.
A maior parte da acção decorre segundo a perspectiva de Clary, uma rapariga inocente mas cheia de força, opiniões demarcadas e de uma moralidade elevada, que odeia injustiças e não olha  meios para as corrigir.
A organização secreta que tem como missão proteger e garantir a paz no mundo e o equilíbrio entre "raças", os Caçadores de Sombras, é por si só um grupo bastante complexo e peculiar. É aliás, devido a toda uma mecânica de lutas pelo poder e contra a corrupção de um grupo inicialmente abençoado pelo Anjo Raziel, que lhes deu poderes e capacidades acima do normal, que se desencadeia a acção. Mas sendo uma saga juvenil, não poderia faltar o romance, a intensidade das primeiras paixões, as frustrações de amores reprimidos e acima de tudo, muita acção! De facto, os eventos levados a cabo pelas personagens entre os primeiros dois livros não se prolongam para mais de umas duas/ três semanas, e tendo em conta a intensidade das revelações e consequências das acções sofridas, por vezes perdemos essa noção.
Por outro lado, o conjunto de personagens apresentadas é bastante rico, e todos eles apresentam uma dualidade entre força/ fragilidade, coragem destemida/insegurança, amor/ódio; próprias a qualquer idade, mas sem esquecer as revoluções internas da adolescência, mesmo junto daqueles que cresceram quase adultos. São jovens dinâmicos, com um sentido de humor peculiar (que muito me fez rir) e que no geral poderiam bem ser amigos que nos falassem directamente já que a tradução foi muito bem conseguida e conseguiu captar um discurso juvenil sem ser pueril  ou despropositado.
Como ponto fraco, destaco apenas o facto de em "A Cidade de Cinzas" e "A Cidade de Vidro" nos depararmos com as personagens a assumirem comportamentos erráticos para a composição apresentada no primeiro volume da saga, e que para mim me pareceram algo injustificados. De qualquer forma, isso não colocou em causa o meu interesse pela mesma, estando neste momento a percorrer as aventuras de Clary, Simon, Jace, Isabelle, Alec e tantos outros em "A Cidade dos Anjos Caídos".

Ki:
Comecei a trilogia dos Caçadores de Sombras porque queria experimentar um género diferente. Livros com vampiros e lobisomens não são o meu estilo mas tinham-me dito tão bem desta nova que saga que dei por mim com o livro nas mãos e a pensar "porque não?" enquanto pedia ao dono dele que mo emprestasse.
Depois de ler alguns livros dispóticos e de pura fantasia, foi giro rever um estilo de fantasia/paranormal que se enquadre dentro do nosso mundo. Foi também bastante interessante por uma vez gostar de ler um livro com criaturas mais "negras" como vampiros e lobisomens, como disse, não são de todo o meu estilo mas gostei da maneira como a Cassandra Clare os tratou e os adaptou ao mundo moderno.
Apesar de existirem alguns momentos na série em que duvidamos da capacidade de Clare, devido a inconsistências nas personagens, a série é no geral excelente e bastante cativante. O facto de entrarmos logo na acção deixa-nos um bocado pé atrás pois não percebemos bem o que se está a passar mas lentamente e à medida que Clary conhece o novo mundo onde entra, e que entramos com ela, vamos percebendo os problemas reais da realidade dos Caçadores de Sombras e percebendo o que se passa na história em si.
Cativante da primeira há última página, Caçadores de Sombras é uma saga sem dúvida a não perder para todos os apaixonados por romance paranormal/fantástico!

Uma vida de cão por John Grogan

Uma vida de cão
John Grogan

Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 250
Editor: Quinta Essência

No site da Editora

Resumo:
Uma Vida de Cão é uma colecção inesquecível de mais de setenta e cinco histórias escritas por John Grogan, autor do bestseller internacional Marley & Eu. As histórias foram inicialmente publicadas no jornal Philadelphia Inquirer, onde Grogan assinava uma coluna, e agora reunidas neste livro.
Combinando humor, inteligência e afecto, estas histórias permitem-nos compreender o mundo simultaneamente complicado e maravilhoso que vivemos. Quer escreva sobre animais (cães, gatos ou elefantes!), faça comentários intensos e comoventes sobre a sua família e outras, conte histórias mordazes sobre as fraquezas e as farsas da vida ou sobre as suas interacções com pessoas memoráveis e, de certa forma, invulgares, John Grogan faz-nos pensar, rir e, até, chorar.

Rating: 3.5/5

Comentário:
Sou suspeita por estar a comentar este livro visto que gosto de livros assim, com histórias pequenas que podemos pegar e pousar a todo e qualquer instante. O quase chamado livro de ler nos intervalos, enquanto fazemos refeições, ou finalmente temos cinco minutos para nós, não porque seja mau mas porque dá um jeitaço desgraçado em certas situações, pois podemos ler e nunca se fica a meio de nada, basta acabar a crónica e fechar e da próxima vez que se abrir o livro continua-se a ler sem o problema de "ora bem, onde é que eu ia...".
As histórias são giras e uma pessoa tanto se apanha a rir como a sorrir de compreensão como com o coração nas mãos. A história de violoncelista de 11 anos que era surda tocou-me imenso, como aquela rapariga ultrapassou todas as dificuldades para tocar violino e a frase do fim do texto ficou lindíssima, a frase que dizia que agora não importava mais se ela iria ou não ser violoncelista profissional, ela tinha enfrentado os seus medos e superado-se a si mesma, um pequeno David que derrotara um gigante Golias.
Há também histórias com animais e uma fala de um gato chamado-se Félix que foi perdido no aeroporto por pelos funcionários da companhia área, há também histórias da vida de Grogan e interacções dele com os seus leitores quando eles refutam os seus escritos para o jornal.
John Grogan não é desconhecido dos leitores portugueses, o autor do livro Marley & Eu reuniu as suas histórias que publicava na sua coluna num livro interessante e cuidado. Dividido em três secções, Família, Animais e Vida este livro acaba por se revelar um pequeno tesouro pronto a ser lido por quem tem pouco tempo.
Recomendando para todos os leitores que querem ler algo antes de dormir mas não querem ler muitas páginas ou que tem problemas em seguir livros muito compridos pois acabam por pousá-los por muito tempo e quando pegam neles de novo já não se lembram de onde iam.

Trilogia "Os Jogos da Fome" por Suzanne Collins

Na semana em que nos Estados Unidos, por cada dólar gasto em livros, Suzanne Collins arrecadou quatro cêntimos (algo como três cêntimos por cada euro), o Encruzilhadas resolveu comentar a trilogia d'Os Jogos da Fome.
Tanto eu, Ki, como a Cláudia já lemos a trilogia completa. De momento a Cláudia está a acabar de coleccioná-la pois ainda não tem o terceiro volume, já eu já cá tenho a minha trilogia completa e com umas capas todas giraças. Assim sendo vamos fazer um comentário da trilogia no geral, fazendo pequenas chamadas de atenção para alguns pontos em certos livros.
Sigam-nos nesta aventura então Tributos, enquanto eu e a Cláudia descortinamos este mundo fantástico que é o dos Jogos da Fome.
Resumos (retirados do site da Presença):
Os Jogos da Fome
Num futuro pós-apocalíptico, surge das cinzas do que foi a América do Norte, Panem, uma nova nação governada por um regime totalitário que a partir da megalópole, Capitol, governa os doze Distritos com mão de ferro. Todos os Distritos estão obrigados a enviar anualmente dois adolescentes para participar nos Jogos da Fome - um espetáculo sangrento de combates mortais cujo lema é «matar ou morrer». No final, apenas um destes jovens escapará com vida… Katniss Everdeen é uma adolescente de dezasseis anos que se oferece para substituir a irmã mais nova nos Jogos, um ato de extrema coragem… Conseguirá Katniss conservar a sua vida e a sua humanidade?
ATENÇÃO DAQUI PARA A FRENTE OS RESTANTES RESUMOS TERÃO SPOILERS
Em Chamas
Pela primeira vez na história dos Jogos da Fome dois tributos conseguiram sair da arena com vida. Mas o que para Katniss e Peeta não passou de uma estratégia desesperada para não terem de escolher entre matar ou morrer, para os espectadores de todos os distritos foi um acto de desafio ao poder opressivo do Capitólio. Agora, Katniss e Peeta tornaram-se os rostos de uma rebelião que nunca esteve nos seus planos. E o Capitólio não olhará a meios para se vingar… 

A Revolta
Katniss Everdeen não devia estar viva. Mas, apesar dos planos do Capitólio, a rapariga em chamas sobreviveu e está agora junto de Gale, da mãe e da irmã no Distrito 13. Recuperando pouco a pouco dos ferimentos que sofreu na arena, Katniss procura adaptar-se à nova realidade: Peeta foi capturado pelo Capitólio, o Distrito 12 já não existe e a revolução está prestes a começar. Agora estão todos a contar com Katniss para continuar a desempenhar o seu papel, assumir a responsabilidade por inúmeras vidas e mudar para sempre o destino de Panem - independentemente de tudo aquilo que terá de sacrificar…

Classificação: 4/5 Estrelas
Comentários:
Ki :
Recebi o primeiro volume da trilogia d'Os Jogos da Fome pelos meus anos em 2010, a pessoa que mo ofereceu perguntou-me três vezes se eu tinha a certeza que queria o livro pois não era nada a minha cara. No entanto o livro estava a fazer furor no GR e estava na minha wishlist há já algum tempo e por isso decidi arriscar. Acabou por se revelar uma excelente decisão.
Gosto de livros que falem de irmãs mais velhas porque sou uma e como irmã mais velha sinto-me maltratada em praticamente tudo o que são histórias. Sou sempre retratada como má, ausente, descrente, egoísta e senhora de mim mesma. Isso irrita-me porque eu não sou assim, nem me identifico com estas irmãs mais velhas que sem dúvida acabam apenas por ser um espelho das irmãs más da Cinderela e de todas as outras irmãs más dos contos de fadas.
Foi aqui que a Katniss me cativou. Irmã mais velha, meia-rebelde, independente mas ligada à família e que se preocupa verdadeiramente com a sua irmã mais nova, Prim.  No mundo de Katniss todos os jovens entre os 12 e os 18 anos estão em perigo de vida, um perigo chamado de Jogos da Fome, um jogo cruel de luta até à morte onde os jovens são obrigados pelo Estado a entrar.
O único desejo de Katniss é que a irmã esteja segura e esse desejo é esmagado quando a irmã é sorteada para os jogos, num acto de estrema coragem ela oferece-se para ir no lugar da irmã. Ao longo da trilogia esta decisão de Katniss vai segui-la pois vai moldar toda a sua vida de formas que ela jamais imaginaria, nunca vemos Katniss arrependida da sua decisão pois como irmã mais velha, ela sente que fez o que o coração lhe ditava, proteger a sua irmã.
A trilogia é crua, dura e mostra o quão indiferentes as pessoas se podem tornar aos reality shows. O Capitólio, a parte directamente ligada ao Estado, vê estes jovens matarem-se e aplaude. Para eles tudo não passa verdadeiramente de um jogo enquanto dentro da Arena, os jovens lutam para manter a sua vida, a sua sanidade e a sua humanidade. Muitos deles são crianças que apenas querem voltar para casa e para a segurança de uma vida que apesar de não ser perfeita é a única que conhecem.
Não será efectivamente uma novidade que Katniss sobrevive a estes jogos, pois os livros são contados na primeira pessoa sendo ela a narradora. A maneira como testemunhamos a sua evolução, porém, é por vezes devastadora. Ver uma rapariga tão nova e que até era feliz, dentro do que podia, ser quebrada uma e outra vez e a reconstruir-se de todas as vezes mostra-nos uma força interior que nos deve inspirar a ir mais além, a nos superarmos a nós mesmos e não nos deixarmos cair na posição de vítima.
A minha única crítica vai para o fim da série que me pareceu romantizado demais e explicado de menos e para o último livro, onde Katniss anda um pouco perdida e se torna um pouco complicado perceber o que ela está verdadeiramente a pensar e o porquê que ela age da maneira que age. Parece-me assim um pouco desconjuntado da série e lembro-me que demorei muito mais tempo a ler A Revolta do que Os Jogos da Fome e o Em Chamas.
Os Jogos da Fome são uma série de acção com um pouco de romance e muito suspense. Uma leitura sem dúvida unisexo e que pode ser aconselhada a jovens, não muito impressionáveis, pois chama a atenção para alguns problemas da nossa sociedade como a indiferença e a precariedade. Uma leitura sem dúvida recomendada!

Cláudia: Eu vim a reboque da opinião da Catarina, já que ela me falava tanto dos livros que me vi a comprar o primeiro volume sem saber ao certo o que estava a trazer para casa e porquê. E ainda bem que o fiz. É difícil descortinar o que é que uma história que envolve revolta, revolução, luta pelos Direitos Humanos consegue fazer para chegar até junto de tantas pessoas que têm adorado esta trilogia. Contrariamente ao que muitos dizem por aí, não é só pelo romance e pseudo-triângulo criado pelo meio (embora não deixe de ser uma parte importante). Diz respeito ao sentido humano que existe em cada um de nós e à força de vontade e capacidade de nos superarmos perante as adversidades, diz respeito ao amor pelo próximo e ao sacrifício pelo bem comum, diz respeito à luta contra a tirania, o preconceito e o poder desmedido. Tudo isto através de uma juventude atenta e pró-activa.
A trilogia dos Jogos da Fome foi sem dúvida uma surpresa, condensada num número bastante ínfimo de páginas encontramos uma intensidade brutal que nos agarra do início ao fim e nos deixa o coração aos saltos.

E-books Potter facturam 1 milhão em 3 dias


Os e-books de Harry Potter vendidos no site Pottermore arrecadaram 1 milhão de libras, algo como 1,13 milhões de euros, em vendas nos três dias após a sua colocação para venda a 27 de Março deste ano, relevou o chefe executivo Charlie Redmayne.

 (Ler mais...)

União por Ally Condie

Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 296
Editor: Edições Gailivro

Consegues escolher entre a Perfeição e a Paixão?

Resumo:
 Cassia sempre confiou nas escolhas dos Funcionários. É um pequeno preço a pagar por uma vida longa, um emprego perfeito, um companheiro ideal. Quando o seu melhor amigo aparece no ecrã da União, Cassia tem a certeza absoluta de que ele é o certo… até ao momento em que vê um outro rosto aparecer no ecrã, por breves instantes, antes de este ficar negro. Agora Cassia vê-se confrontada com escolhas impossíveis: entre Xander e Ky, entre a única vida que conhece e um caminho que nunca ninguém ousou seguir - entre a perfeição e a paixão.

Rating: 3/5
Comentário:
O União fazia parte da lista de livros distópicos que queria ler quando descobri o género e descobri que gostava dele. Foi um daqueles livros que fez sensação no GR e eu fiquei imensamente curiosa sobre o que se estava a passar em torno dele e após ler uma review que dizia que o Delirium era uma junção dos livros Os Jogos da Fome e União, fiquei ainda mais curiosa.
O livro começa bem e vai logo ao ponto, temos uma cerimónia logo nas primeiras páginas e tudo se vai desenrolando dentro do planeado. O dilema de Cassia, o dilema do avô desta, a resposta da cerimónia e subitamente a imagem no chip que é a errada, o nome que não é o certo!
Se tivessem confiado toda a vossa vida a Funcionários, pessoas como nós que mexem em computadores e estes dissessem que tivesse havido um erro, que a pessoa que com quem deviam ficar, a pessoa perfeita para vocês eram a x e não a y, como primeiro havia sido dito, uma pessoa não pode deixar de se questionar... E se eles estão errados desta vez e não da primeira? 
É esta a pergunta que movimenta Cassia ao longo de todo o livro, é esta necessidade de descobrir onde está o erro e se há erro que a leva a agir. É esta a saga que seguimos...
Na minha singela opinião tenho a dizer que a determinada altura me chateei com a Cassia, me chateei com a maneira dela ser e de ver o mundo, me chateei com a maneira lenta com que a história foi conduzida. Porém, há uma parte de mim que compreende o porquê da história ter sido tratada dessa maneira. A Cassia nunca teve um pensamento dela, ao contrário de por exemplo Katniss d'Os Jogos da Fome ou Lena de Delirium, tal como elas vive numa sociedade controlada, mas parece-me que lhe falta vida interna. Lena que é fortemente controlada em Delirum ainda pensa por si, tem receios e tem sonhos, desejos. Katniss que quase morreu à fome tem dentro dela certezas pelas quais lutar.
Cassia parece um pouco sem sabor ao pé destas personagens, é a medida que as dúvidas lhe surgem no espírito e que os momentos com o rapaz pelo qual se apaixona se tornam escassos que vemos uma nova Cassia e a aparecíamos sobre uma nova luz e nos começamos verdadeiramente a interessar pela sua história.
Feitas as contas União não é dos meus livros distópicos favoritos mas acaba por não estar mal confeccionado. O final é aberto para o inicio do segundo volume e tenho a certeza que este será muito mais cativante que o primeiro pois vemos Cassia a agir, vamos vê-la finalmente em movimento e vamos desvendar os segredos de um passado que nem ela se lembra. Esperemos que esteja disponível em breve para lermos!



Da colecção 1001 Mundos das Edições Gailivro comentamos também o livro "Vidro Demónio", o segundo da trilogia "Hex Hall" e esperamos a edição do terceiro e final volume da saga em Portugal!