O preço da leitura

Quem lê com certeza já reparou que o preço dos livros não pára de aumentar. Foi uma subida discreta mas constante e agora, livros que comprávamos há uns anos por 7 ou 8 euros, custam agora algo entre os 11 e os 12 euros. Pode não ser uma subida vertiginosa mas quando levamos o cesto à caixa faz toda a diferença. Quem é que não se apanhou já a ver a conta subir e a levar uns parcos 2 a 3 livros enquanto pensa "Bom, em inglês/comprando usados/trocando levava uns 4 ou 5!".
Torna-se cada vez mais difícil para um bibliófilo conseguir livros a bons preços. Obviamente que há promoções, vales de desconto e também a Feira do Livro mas isso são situações pontuais que podemos ter ou não, a sorte de apanhar quando nos dirigimos a um estabelecimento para comprar um livro.
Não me quero alongar a falar dos benefícios das trocas e das bibliotecas até porque a Cláudia já falou disso num post aqui há uns tempos. Quero falar sim daquelas pessoas que gostam de comprar livros e livros novos! Até porque sendo sincera, apesar de comprar tanto livros usados como novos, nada me dá mais prazer do que abrir um livro novo, sentir aquele cheirinho que eles emanam e ver que as páginas estão todas direitinhas e que a capa ainda brilha. (Talvez seja um pouco snob mas gosto mesmo de ver os meus livros nessas condições. Claro que à falta de melhor, trabalho muito bem com livros usados, que para mim acabam por ser novos, e leio-os sem problema algum.)
Em fóruns já vi pessoas que aproveitam os packs de 2 livros nos hipermercados, que normalmente tem os livros 5€ a 10€ mais baratos, e os compram a meias, ficando cada pessoa com o livro que quer. Acaba por ser uma óptima maneira não só de conhecer outros bibliófilos como de fazer um bom negócio.
Para quem lê bem em inglês, há uma boa maneira de adquirir os seus livros novos a bom preço. O truque é comprar na internet! A Amazon já é a loja habitual de muitos estrangeiros e desde que começou a oferecer portes grátis para Portugal a compras acima dos 30€, Portugal juntou-se à lista de clientes da empresa.
Para quem não quer gastar 30€ para não pagar os portes de envio há um site um pouco menos conhecido que quero sugerir. O seu nome é Book Depository e é um site com sede no Reino Unido que vende livros novos a preços bastante razoáveis. Tem também a grande vantagem de ter portes de envio gratuitos independentemente do valor em compras realizado. É uma forma diferente e acessível de conseguir livros novos sem pagar muito pelos mesmos. Apenas tem o inconveniente do obstáculo linguístico, para quem não lê em inglês.
Quer sejam comprados on-line, dados nos anos, comprados a meias ou ganhos em concursos, a verdade é que o preço dos livros nos revela o quanto custa ler num país. Passamos de ter um povo que sabe ler e lê, para um povo que apenas sabe ler quando nos começam a pedir valor extremamente elevados por livros novos.
Assim sendo gostaria de perguntar aos leitores que truques tem para comprar livros mais baratos? E qual é o valor máximo que dão por um livro novo?



Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre coisas e gostas de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

Errar é Divino de Marie Phillips

Errar é Divino
de Marie Phillips

Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 284
Editor: Editorial Presença

Resumo:
Em pleno século XXI, os deuses do Olimpo estão vivos, mas como os seus poderes já não são como eram, o seu dia-a-dia é muito pouco lisonjeiro. Forçados a coabitar numa casa decrépita em Londres, vêem-se obrigados a dedicar-se a ocupações mundanas: Artémis passeia cães, Dionísio é DJ numa discoteca, Afrodite atende chamadas eróticas e Apolo é apresentador de televisão. E é por uma briga entre Afrodite e Apolo que nada vai voltar a ser como dantes. Para se vingar de Apolo, Afrodite pede a Eros que dispare uma das suas setas contra ele… Apolo acaba por se apaixonar por uma mera mortal e, quando os dois mundos chocam, as consequências são hilariantes.

Rating: 3/5

Comentário:
Não me quero alongar muito nesta crítica até porque acredito que não há muito a dizer. Li este livro numa tarde e foi uma experiência bastante divertida.
O livro é simples mas tem a sua originalidade e para que gosta de mitologia grega vai estar mesmo no ponto! A ideia de que os deuses gregos são reais, ainda estão vivos e tiveram de se adaptar aos novos tempos é giríssima e nem vos conto o quanto me ri por Eros se arrepender de não ter conhecido Jesus, só porque estava ocupado com outras coisas no Monte Olimpo na altura que este andou na terra.
O desenvolvimento da história está bem construído e o livro não promete mais do que dá, ao contrário de outros, em Errar é Divino, a promessa séria de acção, aventura e romance é cumprida.
A escrita de Marie Phillips é leve e simpática e podemos acompanhar a história como um filme na nossa cabeça, o que não só torna tudo muito mais fácil como ajuda a que nos entretenhamos durante o tempo que estamos a ler no livro. Na realidade a história é tão adaptável para o grande ecrã e o título é tão giro que nem sei como é que ainda ninguém tratou disso.
Um livro a ler de preferência talvez na praia para combater um pouco a neblina londrina presente e algumas referências ao frio submundo. Ao pegar em Errar é Divino temos nas mãos um romance com alguma acção e muitas referências mitológicas que acabam por dar um toque interessante à história.

E-books invadem Hollywood

Na semana em que 50 Shades of Grey atinge o marco de vendas no valor de 10 milhões, os e-books estão a tornar-se uma fonte de inspiração para Hollywood.
Desde sempre que os livros são uma fonte de inspiração para o centro cinematográfico. Alguns dos melhores filmes que já vimos na grande tela foram inspirados por livros. Agora chegou a vez dos menos conhecidos e-books saltaram para o grande ecrã.
Dispostos a pagar por livros digitais o mesmo que pagam pelos direitos de autor dos livros físicos, Hollywood mantém agora um olhar fixo nas vendas de livros digitais. No passado mês de Abril, a Universal pagou 3 milhões pelos direitos de 50 Shades of Grey, o livro digital que assolou o top de vendas, e espera-se que outros livros como Wool e On the Island venham a sofrer propostas parecidas embora de valor inferior.

Steve Fisher, agente literário que trata da transição de livros para filmes, fala de uma nunca antes vista abertura de mercado em relação a e-books. Hollywood, que sempre torceu o nariz aos mesmos, procura agora nos tops de vendas e-books originais para tornar em filmes.
"A Hollywood o que interessa são as marcas", afirma Fisher, "quer seja um jogo de tabuleiro, de vídeo ou um livro, no entanto, nota-se uma nova abertura face ao mercado digital."
A escolha de títulos envolve o volume de vendas dos livros digitais foram postos à venda directamente para iPads e Kindles, mas que renderam um bom lucro aos seus escritórios. Mesmo assim, nota-se um certo temor face a estes livros pois não passa pelas mãos das editoras e não têm portanto o "rasteio normal de qualidade" que a maior parte dos livros sofre antes de chegar às bancas.
A abertura de Hollywood a este tipo de livro acarreta no entanto novas possibilidades de filmes e uma expansão nunca antes imaginada para este tipo de livros.

Antes de Vos Deixar de Lauren Oliver

Antes de Vos Deixar
de Lauren Oliver
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 376
Editor: Editorial Presença

Resumo:
O que farias se tivesses apenas um dia para viver? Até onde irias para salvar a tua própria vida? Samantha tem tudo: um namorado e três inseparáveis melhores amigas. 6ªfeira, dia 12 de Fevereiro, devia ser por isso mais um dia bom na sua vida. Nada faria suspeitar que iria ser o último… Ao viajarem no Range Rover de Lindsay, no meio de cigarros, i-pods, conversas sobre rapazes e ausência de cintos de segurança, o grupo de amigas sofre um brutal acidente, onde Sam encontra morte imediata. Nesse instante, passa-lhe pelos olhos um episódio de crueldade infantil que ela escondera bem no fundo do seu subconsciente. Tarde demais para remediar a situação: Sam sentiu o choque, a dor excruciante, a escuridão a envolvê-la e o mergulho num nada profundo. É, pois, com grande espanto que, na manhã seguinte, Sam acorda na sua cama, perfeitamente viva. Então percebe que teve uma segunda oportunidade. Sete oportunidades, na realidade, e durante sete dias repetidos. 

Rating: 4/5

Comentário:
Este é o terceiro livro de Lauren Oliver que leio e que, sem dúvida, confirma a qualidade de escrita da autora. Além de uma narrativa cativante, Lauren cria personagens que são reais, que tem os seus defeitos, qualidades e que nunca nos deixam de surpreender.
Confesso que algo que me surpreendeu neste livro foi seguirmos uma rapariga popular. Normalmente acabamos sempre por seguir a "zé-ninguém" que sofre uma make-over ou que é super inteligente, ou então a rapariga mais odiada da escola ou a que acabou de se mudar para a mesma, pelo menos falo pelos livros e resumos que apanho. Só seguimos a rapariga popular se ela estiver prestes a morrer, e Lauren aqui não foge a essa regra.
No entanto, acabo por não me sentir aldrabada como de costume, pois Sam gosta efectivamente das suas amigas e está disposta a lutar por elas. Temos uma rapariga popular que apesar de não ser nenhuma santa, tem os seus valores e rege-se por eles. Não digo que seja algo 100% original mas acaba por ter o seu je ne sais quoi de originalidade.
A história é cativante e à medida que seguimos Sam ao longo dos sete dias, experiênciamos os mesmos de maneiras diferentes. Na realidade há medida que os dias passam a autora tomou a liberdade de os encurtar em certas partes para nos revelar outras dando uma nova dinâmica ao texto. Afinal por muito que Sam corra está presa no mesmo dia, 12 de Fevereiro até que algo aconteça.
Gostaria de continuar a discutir o livro mas creio que é bastante complicado sem entrar em detalhes que revelem o enredo. Para mim é dos mais bem escritos de Lauren Oliver apesar de também ter apreciado bastante o Hana.

Os livros que vão mas não voltam

Todos nos devemos lembrar de andar na escola e de nos faltar uma caneta, ou um afia e prontamente nos virarmos e pedirmos um ao colega de trás, que com um sorriso responde "Toma, mas tem um "V" na ponta, ok? Um v de vai e um v de volta!". É uma frase que demonstra um pouco a confiança posta em nós e que nos lembra que o que levamos é emprestado e que tem de ser devolvido.
Quando somos nós a emprestar a sensação é ainda maior, as coisas vão mas vamos querer que voltem, mesmo que já não as usemos há algum tempo. O mesmo se aplica aos livros.
Verdadeiros bibliófilos gostam de comentar os livros que estão a ler presentemente, especialmente se forem bons, o que acaba por nos deixar um problema. As pessoas tem tendência a pedir-nos os mesmos emprestados. Falando por mim, não sou uma pessoa particularmente egoísta e até nem me importo muito de emprestar os meus livros se conhecer a pessoa minimamente bem. Devo confessar, no entanto, que já passei por várias situações em que um livro foi e não voltou.
Para mim, essas são as situações mais aborrecidas e complicadas pois nunca tenho 100% certeza de como devo lidar com o problema em mãos. Não sei quanto a quem me lê mas eu já cheguei a ter, entre outras situações descabidas, pessoas que me perderam livros e negam que eu lhes tenha emprestado seja o que for. E assim do nada "puff" lá se foi um livro!
Ora como os nossos caros leitores sabem, os livros não são propriamente baratos (Algo que iremos falar num post próximo!) e ter alguém a perder-nos um livro e a nem sequer nos pedir desculpa, visto que a situação ideal para mim, seria comprar um novo para substituir o perdido, acaba por me deixar um pouco entre a espada e a parede. Não gosto de ser "má" mas creio que nesta situações não é malvadez nenhuma dizer que me recuso a emprestar livros a pessoas que me desapareceram ou ficaram eternamente com um.
Confesso que sou esquecida mas tenho uma amiga que tem um livro meu há um ano e sempre que me vê só me diz "HEI! Esqueci-me do teu livro em casa!! Para a próxima trago!", acaba por ser uma situação um pouco constrangedora. Não que eu precise desesperadamente do livro, afinal já o li, mas ela acaba por entrar numa conversa de vítima durante trinta minutos, em como é uma esquecida e de como para a próxima e sem dúvida me traz o livro.
A verdade é que ao longo dos anos fui perdendo livros. Perdi livros quando mudei de casa, perdi livros quando as minhas primas pequenas mos levaram e nunca trouxeram de volta, perdi livros para a amiga que os emprestou a uma outra amiga que por sua vez desapareceu, perdi livros quando a minha irmã se esqueceu deles perto da piscina onde foi, perdi livros quando tropecei e os deixei cair dentro de uma poça numa tarde de sol depois de uma manhã de chuva.
É algo que quem lê não pode controlar, a não ser que só leia em casa e se recuse a emprestar seja que livro for. Todos nós vamos acabar por perder livros, mas há uns que nos chateiam perder mais que outros. Eu sou sincera: quando um livro meu desapareceu por completo de circulação só não comprei outro porque uma amiga, que tinha lido o livro e mo devolvido, fez questão de mo oferecer outra vez nos anos. Se assim não fosse, sei que iria correr a comprar outro. E vocês, caros leitores, há algum livro perdido que ainda vos assombre?

Opinião: A Cidade dos Anjos Caídos, Cassandra Clare

A Cidade dos Anjos Caídos
de Cassandra Clare
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 312
Editor: Editorial Planeta
Resumo:
A Guerra Mortal acabou e Clary Fray está de regresso a casa, em Nova Iorque, entusiasmada com o que o futuro lhe reserva. Está em treino para se tornar uma Caçadora de Sombras e saber usar o seu poder único e a mãe casar-se com o amor da sua vida.
Os Habitantes-do-Mundo-à-Parte e os Caçadores de Sombras estão, finalmente, em paz. E, acima de tudo, Clary já pode chamar «namorado» a Jace.
Mas tudo tem um preço.
Anda alguém a assassinar os Caçadores de Sombras que pertenciam ao círculo de Valentine, provocando tensões entre os Habitantes-do-Mundo-à-Parte e os Caçadores de Sombras, o que pode levar a uma segunda guerra sangrenta. O melhor amigo de Clary, Simon, não pode ajudá-la. Descubra o porquê. 

Rating: 3/5


Comentário: Dando continuidade às críticas feitas à saga dos Caçadores de Sombras, de Cassandra Clare, chega a vez da Cidade dos Anjos Caídos, quarto volume da mesma.
Confesso que fiquei bastante satisfeita como o final pré-estabelecido no final da Cidade de Vidro e, como tal, algo apreensiva com o que me aguardava depois. A história estava completa, os enlaces que se tinham prolongado ao longo de livros inicialmente concebidos para serem uma trilogia estavam completos e, sendo assim, não sabia muito bem o que esperar do desenvolvimento a partir de então.
A sinopse deste volume por si só não é muito atractiva, pois pareceu-me mais do mesmo e um repisar de acontecimentos há muito finalizados e sem ponta por onde se pegar. Desta forma, não me senti surpreendida com o que Cassandra Clare nos decidiu contar ao longo destas 300 páginas.
Clary, pensando ver resolvidos todos os seus problemas, vê-se novamente a braços com contratempos na sua relação com Jace, que por sua vez e volta e meia retorna aos comportamentos algo bipolares que já o vêm a caracterizar. Se ao longo dos livros anteriores me fui compadecendo e torcendo pelos dois, confesso que ao fim de tanta insistência, a temática revela-se algo cansativa. Por outro lado, o treino para dotá-la de competências que todos os Caçadores de Sombras aprendem desde a mais tenra infância acaba por ser posto um pouco em segundo plano, o que considero uma pena já que um dos pontos mais fortes desta saga é exactamente a construção e composição do universo onde as personagens se movem.
Simon, por sua vez, vê-se a cargos com duas relações amorosas complicadas e alguns deslizes de personalidade que não lhe são nada característicos. O choque da transformação vampírica era necessário mas veio tarde e fora de contexto, parecendo algo despropositado. Quanto às suas "namoradas", Maya e Isabelle são sem dúvidas pessoas com personalidades diferentes e uma força de carácter incrível. Gostei de ver a amizade delas crescer e o balanço entre o conhecido girls power e momentos de maior fragilidade. Se a primeira aprende o que é a dádiva do perdão, a segunda mostra-nos que para lá de uma barreira de coragem e audácia existe uma feminidade fragilizada pelos acontecimentos recentes e uma necessidade enorme de amor.
A meu ver, a autora voltou a focar-se em demasia nas relações amorosas, e prevejo uma novela mexicana no futuro se ela não encontrar um ponto de contenção. Tirando isso, até achei piada à dinâmica entre o Magnus e o Alec até certo ponto, já que é das poucas vezes que os vemos efectivamente a discutir a relação. E um bocadinho de ciúmes não faz mal, desde que não ultrapasse os limites aceitáveis.
Outra coisa interessante é a introdução de novas personagens, umas já conhecidas da sua outra trilogia, como a vampira Camille (e algumas referências a Will), outras já referidas anteriormente mas que só agora têm uma cara: caso do ex-namorado de Maya.
O desenlace final era algo esperado e a meu ver um pouco aborrecido pela previsibilidade mas ainda assim vou continuar a ler a saga. Adoro o universo criado por Cassandra Clare e as suas personagens, mesmo quando ela não as estima em condições.

  • Não se esqueçam de ler o nosso comentário aos primeiros três livros desta saga! Podem fazê-lo clicando neste link!

"É o comer que faz a fome."

Aqui há uns tempos atrás, enquanto estava parada na Feira do Livro a ver os alfarrabistas mais concretamente, um amigo meu que caminhava comigo apontou para uma imagem do Eça de Queirós e comentou que "bom, bom devia ser viver naquele tempo". Curiosa perguntei "porquê?" A resposta não se fez tardar, sem internet e televisão um dos maiores hobbies que existia era ler e uma pessoa podia sempre contar com um livro de qualidade pois menos que isso não era editado.
Na altura não pensei muito nisso para além do "Aí meu Deus se um dia me tiram a internet!", devo-me confessar uma viciada neste meio tão prático e universal de comunicação, mas ontem ao passear os olhos por uma prateleira de livraria apercebi-me de algo.
Não só o número de livros editados é cada vez maior, como satisfaz cada vez mais áreas. Pondo isto por outras palavras, se agora me apetecer ler um livro com uma temática especifica no enredo, por exemplo como uma rapariga que passava por mim com um livreiro ao lado dela dizia, "um livro em que o/a protagonista engane a/o namorada/o", eu tenho acesso a isso mesmo.
Se me apetecer ler um livro que tenha gatos, tenho a certeza que qualquer livreiro me poderá aconselhar alguns títulos, se quiser um sobre vampiros, o número será certamente elevado também! A questão surgiu-me de masinho, o que aconteceu para que o número de livros e de temáticas tenha crescido tanto? Como é possível que o número de livros tenham aumentado tanto? E mais, como é possível que se tenham tornado tão específicos?
Sem eu saber, o próprio Eça tinha respondido a esta questão por mim. Numa busca rápida pela internet encontrei uma frase bastante curiosa dele que deu origem ao título deste post: "É o comer que faz a fome.". Se pensarmos bem é uma frase bastante inteligente e que se adequa sem dúvida à presente situação dos livros.
Num espaço de anos, a leitura ficou acessível a todos, aprendemos a ler e apercebemos-nos da grande vantagem que ler é. Correndo o risco de me tornar poética por uns parágrafos, ler realmente abre as portas da imaginação e dá-nos sítios onde ir quando temos de ficar no mesmo lugar. Sabemos que estamos a ler um bom livro quando todos acham que estamos sentados no cadeirão da sala mas nós estamos verdadeiramente numa Londres vitoriana a olhar intrigados para um cadáver juntamente com as forças policiais da época.
A fome que nasce do comer é o que dá origem a livros com temas tão específicos. Há medida que comemos, ou neste caso, lemos, descobrimos do que verdadeiramente gostamos e voltamos para buscar mais. É uma fome incessável que faz com que o mercado cresça para dar resposta a essa fome. Por exemplo, tenho uma amiga que só lê fantasia. Todos os livros de outros géneros que lhe deram estão numa estante com um ou dois capítulos lidos e pouco mais. O que ela gosta mesmo é de magia e romance e hoje em dia ela consegue ter uma secção inteira de livros dedicada a apenas isso. E se ela não gostar de dragões, não há problema, ah e se forem vampiros também não.
Obviamente que esta situação não é particularmente nova e não devo ser a primeira a pensar nisto, mas há algo que me deixa um pouco apreensiva. Se o leitor sabe exactamente o que quer comer isso é bom? Não digo num sentido prático, porque obviamente que é bom sabermos o que gostamos de ler, digo-o mais no sentido de "podermos acabar por comer sempre o mesmo". Falando por mim mesma, chego a ter alturas em que não posso ver nem mais um feitiço à frente, não particularmente porque enjoe de magia mas porque os livros começam a soar-me todos ao mesmo. Acabo por não apreciar verdadeiramente o livro que estou a ler pois estou sempre a compará-lo com o livro anterior.
Assim sendo gosto de dar uma pausa nos géneros, se li comédia salto para ficção cientifica, se li romance passo para fantasia. Esta técnica acaba por me ajudar a não saturar de nenhuma temática e ainda a ser surpreendida por algumas revelações inesperadas.
Como leitura assídua gosto de ter muito por onde escolher e gosto os meus géneros literários bem gerais. Porquê? Porque gosto de ser surpreendida, o meu comer chama apenas fome de mais comida e não de um prato em especial. Sim, por vezes quero ler um género especifico! Por vezes apetece-me mesmo ler um livro na primeira pessoa ou um livro sobre magia, ou um livro soft ou uma biografia mas uma vez não são vezes. Pessoalmente gosto de chegar a um restaurante e provar coisas novas! Afinal se pedirmos um bitoque em todos os restaurante onde vamos, perdemos a oportunidade de encontrar um prato delicioso.
E vocês, caros leitores, que pensam? São pessoas de pedir sempre bitoque ou gostam de variar?

Passatempo 100 Seguidores

O presente passatempo visa festejar o marco que é chegarmos aos 100 seguidores. Seguindo as tendências que demonstrámos no artigo "A Era das Trocas", decidimos limpar as prateleiras cá de casa e oferecer um mimo aos nossos seguidores. (Claro que, como bibliófilas que somos, eles estão impecáveis e simplesmente a pedir novo/a dono/a.). Temos três livros para oferecer a 3 sortudos seguidores: A Colina das Bruxas, Na Sua Pele e O Elefante e o Maruti. As respostas podem ser encontradas aqui, aqui e aqui, assim como no blog. Boa sorte a todos!

ATENÇÃO:
Regras do Passatempo:
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 8 de Junho.
2) Todos os dados solicitados devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só serão aceites uma participação por pessoa e morada, em todo o território português (Portugal continental e ilhas).
4) Os dados de morada e contacto dos par­ti­ci­pantes são usados apenas para facilitar o envio do(s) exemplar(es) ao vencedor e não serão utilizados para outra finalidade.
5) O/A  vencedor/a  será sorteado  de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail.
6) O Encruzilhadas Literárias não se responsabiliza pelo extravio ou danos causados pelos CTT nos exemplares enviados. Quando pedido, o exemplar ganho poderá ser enviado em correio registado, estando os encargos associados à responsabilidade do vencedor.

A Princesa Espertalhona de Babette Cole

A Princesa Espertalhona
de Babette Cole

Edição/reimpressão: 2004
Páginas: 36
Editor: Terramar


Resumo:
A Princesa Espertalhona não se quer casar. Ela gosta de ser "Senhorita" e quer viver no seu castelo com os seus animais de estimação e fazer o que bem lhe apetecer. Como ela é muito bonita e muito rica todos os príncipes querem que ela seja a sua Senhora. Logo a Princesa Espertalhona vai ter de ter umas ideias muito espertas para lidar com os pretendentes que não quer... 

Rating: 4/5

Comentário:
Quem me conhece sabe que tenho um fraco por livros infantis. É a mais pura das verdades. E este livro conseguiu entrar para a minha lista de favoritos! Fiquei boquiaberta por descobrir que é original de 1987! Quem diria? A temática é tão actual!
Este é um livro de uma princesa que não quer casar! Para quê? Vive muito bem na sua casa que é o palácio onde tem espaço para ter todos os seus animais, além do mais, faz aquilo que bem quer e lhe apetece. Porque haveria ela de querer abdicar disso?
Adorei a maneira como a autora desenvolveu a história e as ideias geniais que a princesa foi tendo! Este é um livro sem dúvida feminista (aí, não temam a palavra!!) pois a princesa sabe bem o quer e está disposta a lutar por isso.
Há quem tema que um livro destes possa colocar nos miúdos a ideia de celibatarismo (comentei com uma amiga este livro e ela ia tendo um ataque de pânico), pessoalmente acredito que todos sabemos o que é melhor para nós. E acho que mostrar às crianças que não há mal nenhum em se ficar sozinho se assim se quiser acaba por ser bastante positivo! Afinal se já há livros a explicar o que é a adopção, e com personagens que tem dois pais ou duas mães, porque não haveria de haver um sobre uma rapariga que quer ficar solteira?
Este é um livro que sem dúvida vou adquirir brevemente para a biblioteca dos meus futuros miúdos e para a minha pessoal também! 
Contando num tom divertido e com ilustrações igualmente giras este é um conto de fadas com um fim diferente mas que nem por isso deixa de ser perfeito.

Hate Read

Após o post da Cláudia no facebook sobre o que dar a alguém que lê muito apercebi-me que sou uma sortuda por ter amigas que efectivamente gostam de ler. Do meu circulo mais próximo, há pessoas que sei que posso telefonar para me ajudarem a esconder "o corpo" como se diz na Anatomia de Grey Tenho pessoas que se não amam ler, pelo menos não se importam nada de receber um livrinho de prenda.
Isto obviamente dá aso a situações muito interessantes como uma que já vos falei da minha amiga que espera que a saga saia toda antes de a ler. Hoje, enquanto navegava na net, encontrei um termo que me lembrou de outra conversa que já tive há algum tempo.
O termo é "Hate Read" que se pode traduzir livremente por "Ler com Ódio". Este termo pode ser explicado por um ódio ao livro, às personagens, à mensagem do mesmo e à impossibilidade de o pousar. O problema de uma Hate Read é que o livro é viciante. Não importa o quão mau ele é, nós continuamos a lê-lo.
Isto lembrou-me da febre de leitura que foi o Twilight e de que uma grande amiga amiga, que entrou nessa febre, teve exactamente este tipo de relação com o livro. Lembro-me dela me ligar quase diariamente, pois estava a passar um período mais complicado, e rematar sempre a conversa com o como estava a odiar piamente o livro. Era um sofrimento, dizia-me ela, pois ela odiava a Bella, não percebia nada do que raio eram aqueles vampiros, que o livro nem a deixava dormir bem mas que estupidamente não o conseguia pousar! Pior, já tinha quem lhe emprestasse o volume a seguir, tal era o vicio em continuar a ler a saga. (Posso-vos dizer que ela acabou por ler a saga completa!)
Lembro-me de ter rido bastante desta situação e ter pensado para mim que coisa mais estranha, até porque eu é raro ler algo que não goste até ao fim. Mesmo assim compreendo a situação, é bastante agradável ter algo para odiar que seja seguro. Um pouco como aquelas pessoas que odeiam o Facebook e odeiam ter a sua vida on-line mas que estão lá quase todos os dias e ilustram tudo com fotografias. É um vício maior que elas, por muito que elas odeiem a situação parece que ao mesmo tempo gostam. É um ódio seguro porque obviamente que o Facebook não lhes faz mal e nem as odeia de volta. É um ódio a modos que saudável. Por vezes precisamos de ter algo que odiamos para nos dar um equilíbrio saudável à nossa vida e a leitura de ódio acaba por preencher saudavelmente este requisito!
Aliás, a leitura de ódio até pode ser bastante prática para descobrirmos a personalidade das pessoas. Sabermos que livros as apanharam desprevenidas e que as fizeram lê-los até ao fim, se são pessoas com algum sentido de humor.
A pergunta fica no ar caros leitores, alguém aqui já leu um livro que odiou mas não conseguiu pousar por nada deste mundo?

O Portão de Ptolomeu de Jonathan Stroud

O Portão de Ptolomeu
A Trilogia Bartimaeus - Livro 3
de Jonathan Stroud

Edição/reimpressão: 2006
Páginas: 420
Editor: Editorial Presença

Resumo:
Já considerada um clássico de literatura fantástica, a trilogia Bartimaeus fica agora completa para agrado dos leitores que iniciaram a leitura dos primeiros volumes. Repleta de referências históricas e míticas, intercalado com notas de humor e sarcasmo, este derradeiro episódio leva-nos uma vez mais até Londres do século XXI. Agora Nathaniel, com dezassete anos foi promovido a Ministro da Informação e vai unir esforços para derrotar uma rede de conspiração que tem como objectivo um golpe de estado. Bartimaeus, um dos djinnis mais temíveis continua fiel ao jovem mago, e nesta história são finalmente revelados alguns segredos sobre o seu passado que irão deixar o leitor verdadeiramente fascinado.

Rating: 4/5

Comentário: 
Nathaniel tem dezassete anos, cinco anos passaram desde conhecemos o jovem mago pela primeira vez e podemos ver o quanto ele mudou. Agora numa posição de relativo poder, apesar de continuar sobe ameaça, Nathaniel está nas suas "sete quintas" mas perto de se tornar tão cruel como o mago que enfrentou no primeiro livro.
Uma coisa que gosto particularmente nos livros de Jonathan Stroud é o desenvolvimento que este dá às personagens. Não só vemos Nathaniel crescer como pessoa como vemos a maneira como a sua relação com Bartimaeus se desenvolve. De "Mestre e Lacaio", a uma amizade que apesar de não ser das mais comuns está lá. Por muito duro e frio que Nathaniel tente ser Bartiameus é o seu ponto fraco, além de ser o seu único seu amigo, é quem esteve com ele desde o inicio.
Pessoalmente considero esta uma das sagas mais menosprezadas de todos os tempos, não é um livro conhecido mas que sem dúvida o deveria ser! A história tem todos os elementos necessários para nos cativar do inicio ao fim e Bartimaeus oferece o elemento de comédia constante com um humor bastante refinado.
O Portão de Ptolomeu encerra a trilogia Bartimaeus mas acalmem-se os fãs porque o autor já lançou um quarto volume e não nega a possibilidade de quinto para a saga! Para os fãs mais curiosos fica a informação que quarto volume desta série saiu em 2010 em inglês e chama-se "O Anel do Rei Salomão" e conta as desventuras de Bartimaeus quando trabalhou para o Rei, algo que ele faz questão de nos lembrar repetidamente quando é obrigado a fazer tarefas que considera menores.
É sem dúvida uma história que merece ser lida como complemento à trilogia mas que pode ser lida perfeitamente sem conhecimento prévio da mesma.
Esta é uma saga que saí sem dúvida como selo de recomendação do Encruzilhadas!
 
  • Não se esqueçam de ler os comentários ao primeiro e segundo volume desta trilogia.

Na cama com livros

Já lá diz o ditado "quem lê, nunca se deita sozinho" mas há quem leve este conceito um pouco mais longe.
Não vale a pena esconder que todos temos as nossas mesinhas de cabeceira cheias de livros, é isso que nos torna bibliófilos.
Mas além destas mesinhas de cabeceira há também prateleiras e estantes inteiras de livros. Há alturas mesmo que até o chão nos guarda livros porque já não há espaço onde os pôr.
Houve quem fosse no entanto mais longe e tivesse decidido que a cama era um lugar tão bom como outro qualquer para guardar livros.
Creio que posso afirmar com alguma segurança que senão todos pelo menos alguns de nós tivemos pequenas prateleiras perto da cama. Quer fosse porque a cama era um beliche com armário, quer fosse porque era um modelo antigo com prateleiras em vez de mesinha de cabeceira, ter ali um espacinho com livros era uma alegria.
Era saber que se podia esticar a mão a qualquer instante e pegar num livro novo, entrar numa nova aventura. No entanto há medida que crescemos a nossa cama muda e muda e muda até que nos damos apenas com um ou dois volumes em cima da mesinha de cabeceira, ou se forem doidos como a Cláudia, com cinco ou seis. Isto acaba por não se revelar muito prático.
Assim sendo Brian Tolle acabou por criar uma estrutura em torno de uma cama no qual simulava paletes para que estas pudessem guardar livros. É um efeito muito giro em lego, como podemos ver na foto abaixo. Esta fantástica cama pertence a Richard Avedon, um bibliófilo que queria ter os seus livros bem perto enquanto dormia.


Uma cama que sem dúvida tira horas e horas de sono a qualquer pessoa que goste de ler. Outro bom exemplo de uma cama com livros é o iglo cama que foi desenhado no Japão. Esta cama tem a vantagem de se poder ter os livros mesmo à mão e todos bem perto de nós mas como se pode ver na imagem abaixo, é capaz de acabar por ser uma situação um pouco claustrofóbica. 
 

 Apesar da situação ser bastante prática para todos aqueles que amam ler e especialmente os que amam ler na cama, creio que não será muito prática principalmente na cama iglo. Com tanto livro virado para a cama é normal que haja uma maior concentração de pó no ar, o que é péssimo para as pessoas alérgicas. Além de que, se não foram bem cuidados, os livros podem chamar "bichos da prata" o que não deverá ser nada agradável.
A pergunta fica portanto no ar!
Chega-vos ter um livro ou dois em cima da mesinha de cabeceira? Ou preferiam ter uma estante inteira como nas fotos? Será que dormir com livros é sanitário tendo em conta o pó que acumulam? Digam-nos o que pensam!

How To Be A Woman de Caitlin Moran

How To Be A Woman
de Caitlin Moran
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 320
Editor: Ebury Press
Resumo:
1913 - Uma mulher que lutava pelo sufrágio feminino atira-se para debaixo do cavalo do Rei.
1969 - Feministas invadem a competição Miss Mundo.
Agora - Caitlin Moran re-escreve "The Female Eunuch" num banco de bar e exige saber porque é que as cuecas estão cada vez mais pequenas. 

Nunca houve uma melhor altura para se ser mulher: temos o poder de voto, a pílula e não somos queimadas como bruxas desde 1727. No entanto, algumas perguntas aborrecidas continuam por ser feitas... 
Porque é que é suposto fazermos depilações totais? Devemos pôr Botox? Será que os homens nos odeiam secretamente? O que devemos chamar à nossa vagina? Porque é o teu soutien te magoa? E porque é que todos te perguntam quando vais ter um bebé? 
Parte memória autobiográfica, parte artigo de opinião, Caitlin Moran responde a estas questões e muitas mais no seu livro "How To Be A Woman" - começando no seu horroroso décimo terceiro aniversário passando pela adolescência, local de trabalho, clubes de strip, amor, gordura, aborto, TopShop, maternidade e muito mais.

Rating: 4/5
 
Comentário:
Como sabem e escrevi há uns posts atrás resolvi experimentar ler algo diferente. Devo confessar que nunca antes tinha lido um livro escrito por uma feminista. Isto porque, infelizmente como Caitlin Moran diz, tinha uma noção errada do que era ser-se feminista e achava que este género de livro jamais me iria interessar.
Devido à minha curiosidade e vontade de sair de uma zona de conforto de leitura acabei por dar com Caitlin Moran e algumas das suas amigas feministas e devo dizer que estou muito contente com a minha descoberta.
Entrei no livro um pouco a medo porque não gosto de biografias mas Caitlin surpreendeu-me. Trata-se de um livro sem tabus e no qual ela mistura a experiência pessoal com as descobertas e pensamentos que uma vida inteira de feminismo ajudou a moldar.
Recomendo este livro para todas as mulheres assumidamente feministas e para aquelas que não tem medo de serem obrigadas a pensar sobre a sexualidade e tudo o que está em volta da mesma. Gostava de ter mais palavras para descrever quanto já ri e me questionei com este livro mas simplesmente não as consigo encontrar. Tenho mostrado vários excertos a amigas minhas e falado de alguns dos temas que Caitlin discute no livro e isto tem dado aso a situações bastante divertidas.
Traduzido à letra pelo título "Como ser uma mulher", este livro vai abordar o caminho que vai desde o fim da infância até a idade adulta e de como uma mulher se cria. Como aprendemos a ser mulheres.
  •  Infelizmente, de momento ainda não há previsão para este livro sair em português.

 Vídeo:
Encontrei este vídeo no youtube e embora não seja um book trailer, acaba por falar de algumas das questão que a autora trata no livro. Infelizmente não encontrei uma versão legendada mas creio que o inglês dela é compreensível.
 

Steampunk

Explorer by *Viccolatte on deviantART
Hoje falamos de um sub-género que tem cada vez mais fãs e sagas associadas. Falo do Steampunk, literalmente " vapor punk", um sub-género da ficção-cientifica que não é novo mas que nos revela um mundo muito parecido ao nosso, sendo ao mesmo tempo bastante diferente.
A ideia Steampunk advém da premissa de que algures durante a época vitoriana (1837-1901), devido à paz e prosperidade que se sentiu na Grã-Bretanha a humanidade teria começado a desenvolver mais e mais as máquinas a vapor e que de alguma maneira estas teriam tido preferência face à electricidade e petróleo mudando assim o rumo da evolução da terra.
Temos admitir que são perguntas interessantes: e se a tecnologia a vapor tivesse avançado extraordinariamente? Como seriam máquinas e capacidades tecnológicas incríveis sem o uso dos combustíveis líquidos ou da electricidade?
A terra é a mesma, os continentes mantém-se mas a paisagem muda. Em vez de aviões temos dirigíveis e as pessoas ainda se vestem como na época vitoriana, as senhoras com os seus vestidos e os senhores de casaco e cartola. Mesmo assim é uma época bastante mecanizada e podemos encontrar várias rodas dentadas pelo cenário e mesmo pelas roupas das pessoas.
O Steampunk é traduzido como sendo um saudosismo, um mundo que nasceu de um "e se as coisas tivessem ido por outro caminho?". É no entanto um sub-género literário que se começa a ver cada vez mais nas prateleiras das livrarias e parece que poderá mesmo chegar a tornar-se um género comum.
A grande diferença para a ficção cientifica é que o Steampunk normalmente tem acção no passado em vez de ser no futuro. Assim este sub-género brinca com os "e ses" do passado e do futuro criando um sem número de opções possíveis. Acaba por se tornar um sub-género muito prático que apesar de ser recente nas prateleiras é antigo de criação pois pode-se remeter o seu nascimento para obras de autores como Júlio Verne e Mary Shelley
Algumas obras steampunk conhecidas são as seguintes:
  • Howl's Moving Castle de Diane Wyne Jones que chegou a Portugal versão desenho animado com o nome "O Castelo Andante";
  • 20 Mil Léguas Submarinas de Júlio Verne;
  • O filme Hugo de Martin Scorsese, John Logan, baseado no livro de Brian Selznick; e
  • Caçadores de Sombras - As Origens, por Cassandra Clare.
Para lerem mais sobre o Steampunk podem consultar este artigo.


Steampunk... by ~Belsina on deviantART

O Príncipe dos Ladrões de Cornelia Funke

O Príncipe dos Ladrões
Cornelia Funke
Edição/reimpressão: 2003
Páginas: 344
Editor: Bertrand Editora
Resumo:
Imagine uma história de Dickens num cenário veneziano e terá uma ideia de como é o sucesso literário da alemã Cornelia Funke, cuja edição original foi publicada na Alemanha em 2000. Este conto cheio de suspense tem início no escritório de um detective em Veneza a quem é incumbida a tarefa de procurar dois rapazes, Prosper e Bo, de 12 e 5 anos respectivamente.

Rating: 3,5/5

Comentário: 
Era uma vez dois irmãos que viviam com a sua mãe, uma mãe sonhadora que que gostava de contar histórias sobre a magia de Veneza. Infelizmente, a mãe estava doente e acabou por morrer deixando os seus dois filhos com os tios. Os tios não tinham filhos e ficaram muito felizes por adoptar um dos irmãos. O mais novo tinha cabelos doirados e uma cara de anjo, o mais velho tinha cabelos negros e já pensava por si. Os tios não hesitaram, adoptaram o mais novo dos irmãos, Bo e mandaram Proper de volta para o orfanato. Esta é uma história de dois irmãos que não queriam estar separados e que acreditavam que Veneza tinha magia suficiente para os manter juntos e decidiram fugir para a encontrar!
Este é um livro infantil-juvenil que mantêm viva a tradição dos grandes contos de fadas! Há drama, há suspense, há aventura e ladrões mascarados a saltar pelos telhados! Tem todos os ingredientes para ser um clássico infantil dos preferidos. É a história de dois irmãos que não queriam ser separados pois só se tinham um ao outro em todo o mundo. E quem os pode culpar? Se eu não tivesse mais ninguém e alguém me tentasse separar da minha irmã faria o mesmo, fugira, voaria, eu mudar-me-ia para a lua!
Esta história vai tocar num dos laços mais sagrados que pode existir para as crianças e que é um laço que estas conhecem bem. Quem tem irmãos e cresceu entre beliscões e abraços sabe do que falo. Este livro fala às crianças porque fala-lhes de um amor que elas conseguem compreender, o amor que há entre irmãos.
Irmãos que reclamam e mandam vir e às vezes até nos beliscam mas que são fortes por nós e tomam conta de nós. Esta é uma história em que o irmão mais velho é bem tratado, vemo-lo a fazer sacrifícios pelo mais novo, vemo-lo a tomar as rédea, este irmão não ficou magoado com o irmão por os tios não o escolherem, pois sabe que a culpa não é dele.
A história lida bastante bem com o tema da família e principalmente com famílias de adopção. É sempre agradável ver uma imagem positiva das mesmas em livros infantis.
O livro é fácil de ler mas é também divertido de se ler em família e se a criança gostar há sempre o bónus de em seguida se poder ir alugar a versão cinematográfica para se ver em conjunto. Um livro que sem dúvida saí com o nosso selo de recomendação infantil/juvenil! 
Não se esqueçam de ver o trailer!


Trailer:

Tecnologia ou Magia?

"Any sufficiently advanced technology is indistinguishable from magic." —Arthur C. Clarke
Sempre que uso tecnologia nova sinto-me como se tivessem acabado de me por algo mágico na mão. Sejamos sinceros, há algo que um destes novos telemóveis, tablets e ipads não tenham? Uma pessoa começando a mexer neles até começa por mexer a medo, tal é o horror de pensar que um clique no sítio errado pode destruir aquele aparelho tão frágil.
Se não tivesse dito do que falava quase que podia trocar a palavra tablet ou telemóvel por pedra mágica ou gira-tempo. Uma pessoa que olhe os efeitos especiais que adornam os nossos filmes e nos permitem "ver magia" bem que se pode questionar se a magia, não é fazermos ver a magia de tão complexos que os mesmos são.
Alguém dúvida que foi "magia" quem nos trouxe os Na'vi de Avatar, ou as guerras espaciais em Star Wars? Para quem dúvida há sempre a série do Artemis Fowl na qual a tecnologia e a magia se misturam! 
Se assim o for, será possível pensarmos que a magia é apenas uma evolução extrema da tecnologia? Mas isso não fará dos nossos livros de fantasia na realidade livros de ficção?
Não sei quanto a vocês, mas isto até me dá dores de cabeça! O desaparecimento do meu querido género de fantasia para uma secção chamada "Ficção" ou "Ficção Fantástica".
Que vos parece? Serão a tecnologia e a magia assim tão diferentes? Ou poderá uma apenas ser a evolução de outra?

Os Despojados de Ursula Le Guin

Os Despojados I
Uma utopia ambígua
de Ursula K. Le Guin
Edição/reimpressão: 1983
Páginas: 156
Editor: Europa-América
Resumo:
No seu romance mais ambicioso e profético, Ursula K. Le Guin realizou um espantoso tour de force: a arrebatadora história de Shevek, um físico brilhante que tenta reunir sozinho dois planetas, separados um do outro por séculos de desconfiança.
Anarres, a pátria de Shevek, é uma lua árida, colonizada por uma civilização anarquista utópica; Urras, o planeta-mãe, é um mundo muito semelhante à Terra, com as suas nações beligerantes, grande pobreza e imensa riqueza. Shevek arrisca tudo numa corajosa visita a Urras - para aprender, para ensinar, para partilhar. Mas a sua dádiva transforma-se em ameaça... e no conflito profundo que daí resulta Shevek é forçado a reexaminar a sua filosofia de vida.

Os Despojados II
Uma utopia ambígua
de Ursula K. Le Guin
Edição/reimpressão: 1983
Páginas: 156
Editor: Europa-América
Resumo:
Eis que chegamos à segunda e última parte de os Despojados. Assistimos na primeira parte à ida de Shebek para Urras, um planeta muito semelhante à Terra, com as suas nações beligerantes, grande pobreza e imensa riqueza.
Nesta Segunda parte, Ursula K. Le Guin descreve-nos o conflito profundo de Shebek perante uma realidade completamente diferente do seu planeta pátria, Anarres, dominado por uma civilização anarquista utópica. Um romance profético e um espantoso tour de force da notável escrita de Ursula K. Le Guin, considerada pela critica internacional uma escritora inteligente e excelente.


Rating: 3,5/5


Comentário:
Resolvi comentar estes livros juntos pois a versão original em inglês conta com apenas um volume. 
Numa altura em que os universos distópicos estão na moda com livros como Os Jogos da Fome, Divergente, União e Delirium é bom falarmos também dos universos distópicos que além de serem mais antigos tem uma estrutura anormal ao típico romance distópico.
No típico mundo distópico as sociedades consideram-se perfeitas e um modo de vida para o bem estar comum foi criado. Em Panem as pessoas estão divididas em distritos, em Chicago em facções, em União e Delirium as pessoas estão separadas do mundo exterior por o mesmo ser sujo e imperfeito.
Em Os Despojados damos por nós em dois planetas com meios de vida opostos mas que afirmam ambos ser a "utopia". Em Anarres não há nada, quando Urras desistiu de colonizar esta sua "lua" deixou as pessoas para morrerem, numa utopia em que ninguém tem nada mas onde os bens e as pessoas circulam para o bem de todos. Em Urras o dinheiro é rei e senhor, sendo um planeta capitalista o poder está nas mãos daqueles que têm dinheiro. No meio destes dois Shebek tenta sobreviver e perceber a diferença entre ambos e como duas "utopias" podem ser tão diferentes uma da outra.
Ursula Le Guin é das minhas autoras favoritas, a sua escrita não é particularmente fácil e os seus livros não são muito conhecidos em Portugal. Creio que escreve melhor para adolescentes do que para adultos mas a verdade é que já ganhou inúmeros prémios com vários dos seus livros, logo trata-se apenas de uma questão de gosto pessoal.
No entanto, devo admitir que as suas ideias tendem a ser bastante originais e a maneira como ela lida com as situações e personagens não é das mais comuns. Esta história acaba por ser um bom exemplo daquilo que falo.
Recomendo Ursula Le Guin para todos os amantes de ficção cientifica e para quem esteja interessado em ler sobre realidades distópicas.

Será uma estante?

Prateleiras Barocas Graham & Greene. Mais info aqui.
Aqui há uns dias mostramos-vos na nossa página do facebook umas estantes muito engraçadas em forma de molduras barrocas.
Hoje decidimos expandir o tema de "estantes fora do comum", com este pequeno artigo intitulado "Será uma estante?".
Um segredo que não é segredo é que para qualquer entusiasta de livros não existem prateleiras que cheguem! As estantes enchem-se num instante, caixas também e todos os buracos nos armários são fantásticos para pôr livros. (Sim, os cestos da casa de banho também, apesar de quase ninguém o admitir!)
A não ser que haja espaço para se ter uma biblioteca em casa e se possa encher uma zona só com estantes do tecto ao chão carregadas de livros de cima abaixo, vamo-nos deparar com o problema de onde por os livros.
Normalmente o que as pessoas fazem é comprar mais uma estante. E apesar de já haver estantes diferentes do típico rectângulo de madeira a verdade é que maior parte das pessoas não foge do mesmo. Porquê? Porque é simples e eficaz e dá para por num canto onde não chateei ninguém. Mas um verdadeiro "livrólogo" gosta de ter a sua colecção em exposição, gosta de ouvir os amigos perguntar "Mas tu já leste isto tudo?" e responder com orgulho "Sim, sim! Oh espera, aquele ainda não, é o que vou ler a seguir!", sabendo que em seguida virá uma enchente de perguntas relacionadas com os livros que poderão ir desde a opinião sobre determinado livro a saber se aconselha este ou aquele livro.
Numa tentativa de embelezar as casas e expor os nossos amados livros alguns designers tem trabalho na criação perfeita de estantes que sejam práticas e ao mesmo tempo ajudem a embelezar os cantos à casa. Um bom exemplo são as prateleiras barrocas na imagem acima, levam um número razoável de livros e podem ser postas numa pequena parede com uma mesa e/ou cadeirapor baixo, não roubando portanto a parede por completo.
Após uma busca pela internet encontramos algumas estantes interessantes que queremos partilhar convosco. Não se esqueçam de nos deixar a vossa opinião no fim.


Estante Equilibrium do designer Alejandro Gomez Stubbs da Malagana Design.
Óptima para cantos e para casas com um design mais inovador! Esta estante prima pela originalidade apesar de poder não ser muito pratica para pessoas que gostem de ler livros com bastante páginas.



 Esta é sem dúvida a minha favorita! Perfeita para colocar todos os livros de fantasia que tenho! Há espaço que chegue para pôr os Harry Potter, Narnia e todos os demais livros mágicos!
Esta estante foi criada pelo designer Sebastian Errazuriz.
 

A prateleira dos sonhos criada pelo Dripta Design Studio.
Mais uma maneira inovadora de ter os livros em exposição da sala! Com uma boa escolha de cores de lombada e título creio que esta prateleira tem a possibilidade de se tornar um quadro na sala, fazendo um autêntico dois em um!





E para concluir o nosso artigo, uma estante elegante que ficará bem sem dúvida num escritório sem no entanto se tornar pesada.
Também me parece óptima para colocar em corredores pois leva um número grande livros sem ocupar um grande espaço.
Esta estante é desenhada por Saba Italia.

A Era das Trocas

 

Porque já há muito falamos de trocas e poupança, principalmente através de contactos com quem nos segue pelas redes sociais, decidimos oficializá-lo aqui no blog do Encruzilhadas Literárias.

Todos sabemos o quão caros pode ser adquirir um livro na actualidade. Geralmente aproveito as feiras dos livros e as promoções, mas fora disso evito gastar para não fugir do orçamento. Na verdade, confesso que os meus hábitos de leitura tiveram de se adaptar às circunstâncias, dado que é impossível acompanhar o ritmo de mudança no mundo editorial. É certo que as próprias livrarias e grupos editoriais já tomaram consciência da descida da procura e, como tal, promoções e constantes marcos de marketing têm vindo a ser realizadas (confirme quem segue online alguns sites como o da Editorial Presença ou da Wook).
Assim como eu, tantos outros leitores viram-se sujeitos a comprar menos, a gastar menos e não digo ler menos porque esse é o factor chave deste artigo.

Com as necessidades de poupar, certos movimentos ou tendências têm vindo a crescer, de forma a continuar a incrementar a leitura e a renovar as estantes lá de casa. Vamos então abordar o que acontece relativamente ao empréstimo e troca de livros, e que outras acções isso tem promovido.

 

Empréstimo - Os empréstimos de livros a amigos são um fenómeno constante. Quem é que não tem um amigo com gostos semelhantes a quem recorre de tempos a tempos para ver as novidades das prateleiras? Na verdade, o que tem crescido é o ânimo e vontade de partilha, assim como momentos e tertúlias sobre os livros que tanto gostamos. Para além disso, e se existe facilidade e confiança, começam a surgir compras a dois ou três, em que o mesmo livro pertence a uma pequena comunidade e anda de mão em mão, visitando estantes diferentes. E quando não se trata do mesmo livro, são packs que satisfazem todos os intervenientes. Esta modalidade dos packs é sem dúvida uma das mudanças mais sentidas, já que começam a ser recorrentes, em diversas livrarias (embora mais nas de grande dimensão, o que se justifica pela possibilidade de cobrir o gasto que nem sempre existe nas pequenas livrarias). Por outro lado, a dimensão que o mundo digital ganhou nas nossas vidas cria novas possibilidades. Falo-lhes por exemplo do Clube BlogRing que descobri através da aplicação do GoodReads. É um clube de empréstimo de livros criado por uma rapariga bibliófila como nós, e que funciona maioritariamente por correio. Uma pessoa tem a oportunidade de se inscrever para um determinado livro, fica em fila de espera, e o livro vai passando de mão em mão até regressar à dona original. A parte boa é sem dúvida a confiança que se estabelece entre as pessoas e a partilha que vai sendo feita, de opiniões, de novidades literárias, até de outros assuntos não directamente relacionados.  Alguns membros começam também a já disponibilizar alguns livros, o que permite criar uma maior dinâmica e agilizar as trocas.
Por outro lado, as bibliotecas municipais são cada vez mais um ponto de encontro entre a procura e a oferta para os leitores e a adesão pela grande maioria aos catálogos digitais facilita o acesso rápido à informação, requisições e renovações a partir de casa, pedidos de novos livros, entre outras modalidades. E os clubes de leitura mensais acabam por criar um novo espaço de interacção. Acho que cada vez mais o acto de ler deixou de ser uma acção solitária e individual. Tem uma série de momentos que só têm incrementado o contacto, a envolvência com pessoas de outros meios e nesse sentido é um factor de inclusão social e de incentivo à leitura.

Troca de Livros - O movimento do bookcrossing chegou a Portugal há alguns anos. Foi criado em 2001 por Ron Hornbacker e hoje chega a mais de 130 países. O objectivo é colocar livros a circular, criando um registo no site com um código e quem o encontrar, num banco de jardim, na paragem do autocarro, pode levá-lo e ficar com ele. O próximo passo é registá-lo no site para que se saiba por onde ele pára e perceber qual o percurso que ele já fez. Por esse motivo, e muitas vezes mais pela dinâmica de troca do que pelo livro em si, o projecto tem tido sucesso. Em Portugal existem 65 crossing zones, curiosamente em bibliotecas municipais muitas vezes (mas também em cafés e universidades) que facilitam o acesso aos livros, numa nova modalidade do conceito. 
Por outro lado, e porque nem sempre as pessoas gostam de ter livros riscados, surgem modalidades semelhantes mas que a troca por troca é feita directamente com os livros disponíveis na estante e não exigem qualquer tipo de controlo. Era o que se sucedia, por exemplo, com os Cafés Magnólia até os mesmos terem fechado. E no Complexo Desportivo do Jamor iniciou-se mais um ponto de troca portanto para as pessoas da área da Grande Lisboa é de aproveitar. O único problema destes últimos é que nem sempre são tão publicitados e portanto acaba por criar uma barreira à troca.
Outro exemplo foi um recentemente implementado na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, mas que por acaso não teve muito sucesso, em parte por responsabilidade dos alunos. A Livrearia é um conceito importado da Alemanha e, à semelhança do anterior, faculta livros através de estantes colocadas em pontos estratégicos. A novidade é que não precisam de fazer uma troca directa. Pode-se levar livros emprestados e devolvê-los depois, fazer trocas, ou simplesmente deixá-los para outros os verem. Foram colocados junto de vários departamentos de formação mas sendo para livros escolares foram todos levados e nenhum retornou à estante original. Neste momento foi adaptado para algo semelhante ao exemplo anterior, de troca por troca.
Para finalizar, são as redes sociais que ganham uma grande dinâmica. Existem grupos de troca, de venda em 2ª mão ou para ambas as finalidades no facebook por exemplo. As trocas são feitas por correio mas muitas vezes em mão também, sendo mais económicas e pessoais.  O Bookmooch estabelece trocas através de pontos. Quanto mais livros estiverem para troca, mais pontos se adquirem e maior possibilidade há de ter acesso àqueles a que tanto querem deitar a mão. O Winking Books é algo bastante semelhante e funciona também por sistema de pontos. 

Sem dúvida que muitas vezes as pessoas que utilizam uma plataforma ou sistema utilizam outra e acabam por criar lados e reconhecerem-se nos mais diversos destinos digitais. O que todas estas oportunidades trazem são hipóteses de poupar mas também de ter acesso fácil a novos livros. Lembro-me que ainda esta semana uma pessoa que conheço dizia já ter poupado quase 500 euros em 5 meses por utilizar estes processos. É qualquer coisa bastante significativa.

 echi (72)

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

O Olho de Golem de Jonathan Stroud

O Olho de Golem
A Triologia Bartimaeus - Livro 2
de Jonathan Stroud

Edição/reimpressão: 2005
Páginas: 462
Editor: Editorial Presença

Resumo:
Dois anos passaram desde os últimos acontecimentos. Nathaniel tem agora catorze anos e é adjunto do Ministro da Administração Interna. O seu dever é desmantelar a Resistência, uma organização de comuns que quer derrubar o poder dos magos. Mas quando um ataque-surpresa de um golem é atribuído erradamente a este grupo, Nathaniel vê-se obrigado a pedir ajuda a Bartimaeus, ainda que com relutância. Entretanto, um jovem membro da Resistência, Kitty Jones, planeia roubar o túmulo sagrado do grande mago Gladstone. É então que, numa noite, os destinos de Nathaniel, Bartimaeus e Kitty se encontram sob os desígnios de algo bem mais poderoso… Alternando a focalização da acção entre Nathaniel e Kitty e com alguns capítulos contados na primeira pessoa por Bartimaeus – que confere a sua nota de sarcasmo e de humor irreverente à sempre crescente tensão – este novo volume guia-nos até Praga, faz-nos perseguir um esqueleto pelas ruas de Londres, testemunhar actos ousado e penetrar no mundo sórdido do governo dos magos. 


Rating: 4/5


Comentário: 
Depois do primeiro livro da trilogia Bartimaeus é impossível não querer pegar no livro seguinte. Agora há mais uma personagem que se junta à história. Kitty Jones, uma cara nossa conhecida do primeiro livro mas que não teve muito importância, volta e entra para o elenco das personagens principais.
Tal como o resumo diz passaram dois anos desde o primeiro livro e Nathaniel cresceu. Tem catorze anos e é o mais novo adjunto de sempre do Ministro da Administração Interna, quem leu o primeiro livro sabe que este é o sonho de Nathaniel tornado realidade, finalmente parte do reconhecimento que ele sempre esperou. É extremamente fascinante ver o crescimento de Nathaniel como personagem, a maneira como ele se move e pronuncia e maneira como Bartimaeus o vê tornam este livro algo de fascinante. 
Este é também o livro em que uma personagem feminina toma um papel mais principal. Para mim, Kitty era o que faltava à dupla. Agora que Nathaniel está mais crescido a história precisava de uma personagem pragmática e idealista para contrabalançar com a sua ambição.
Kitty Jones vem preencher este papel. Neste livro abordamos a sua história e como ela chegou à Resistência e quais são os verdadeiros objectivos desta. Temos também pela primeira vez a visão do mundo pelo lado dos não mágicos e podemos sentir a sua opressão face aqueles que tem magia.
Esta dicotomia, apesar de levemente abordada no primeiro livro, toma uma dimensão maior agora que Nathaniel já tem catorze anos e já percebe coisas que não lhe faziam sentido quando era mais novo.
O crescendo do livro acaba por criar uma ponte para o terceiro volume da trilogia e revela-se como sendo um pedra importante no caminho.Uma saga sem dúvida a não perder!
  • Podem ler o nosso comentário ao primeiro volume da trilogia "O Amuleto de Samarcanda" aqui;

O Labirinto dos Livros

É com grande prazer que anunciamos e agradecemos ao Labirinto dos Livros por nos ter nomeado Cantinho do Mês.


A Sexta Mulher de Suzannah Dunn

A Sexta Mulher 
de Suzannah Dunn 
Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 274
Editor: Quinta Essência
Resumo:  
Amor, paixão e intriga na corte dos Tudor! 
Inteligente e generosa, Katherine Parr, a sexta e última mulher de Henrique VIII, sobreviveu a quatro difíceis anos de casamento. Mas quando o ambicioso e atraente Thomas Seymour conquista o seu coração, poucos meses após a morte do velho e cruel rei, a sua união apressada vai determinar o destino de Kate de uma forma que ninguém esperaria.
Catherine, duquesa de Suffolk, e a melhor amiga de Kate, é a testemunha privilegiada do amor tardio da rainha viúva. Mas, apesar dos seus receios em relação ao novo marido de Kate, a pouco e pouco torna-se óbvio que também ela esconde uma história negra. E se Thomas é capaz de trair a mulher pelo poder, a fria e calculista Cathy é capaz de trair a melhor amiga por amor.
Numa época em que a mínima indiscrição podia significar prisão e, até, a morte, a nova vida de Katherine Parr decorre longe de olhares indiscretos, entre os que mais a amam - mas até que ponto esse amor a poderá proteger da mais cruel das traições? 

Rating: 2/5



Comentário: Como uma amante de história, a possibilidade de conhecer mais sobre os Tudor foi o que inicialmente me seduziu para ler este livro. Tinha uma capa atractiva, parecia mimoso e quando chegou até mim foi inevitável lê-lo. 
Na verdade, muito se ouve falar de Henrique VIII, da primeira mulher Catarina, da Ana Bolena..., mas sobre as outras mulheres parece sempre haver um esquecimento e umas brumas de encobrimento nas quais se perde a importância do momento histórico, provavelmente devido ao facto de terem precedido mulheres com tanta garra e polémica em sua volta.
Por esse mesmo motivo fiquei algo desiludida com o seguimento do livro, dado que a temática é só levemente abordada ao longo de toda a história. Contado sempre na perspectiva de Catherine, amiga de Kate (a sexta mulher) existe um vazio inócuo associado à maioria da narrativa (já que existem muitas interrupções temporais durante as quais nada acontece e pouco se sabe de qualquer uma das personagens); o que por sua vez não me conseguiu prender. É sem dúvida uma obra de romance, mas salvo raras referências, poder-se-ia ter passado na actualidade ou em qualquer outro momento histórico. Nunca chegamos a perceber o que realmente sente Kate, qual foi a sua vida e o motivo pelo qual as coisas nem sempre lhe correram de feição.
Depois, a personagem principal não é fácil. A própria autora admitiu numa entrevista que pode ser consultada no final do livro que a sua personagem principal a irritava e como tal, faço-lhe uma vénia por isso porque é um trabalho bastante exigente por parte de um escritor, mas acho que em parte ela deixou transparecer esse sentimento para quem a lê. Ou a personagem tem uma personalidade mesmo insuportável e tornou difícil que me rendesse ao seu chamamento.
Provavelmente por causa disso, não me senti cativada ou envolvida no enredo e não me afeiçoei a nenhuma das personagens. Espera algo completamente diferente, atendendo à sinopse, e talvez por isso não tenha sido capaz de recebê-lo de melhor forma.

Ainda assim, a escrita é bastante fluída e o livro lê-se rapidamente numa tarde, para quem lhe quiser dar uma hipótese. Se tiverem uma opinião diferente, venham cá contá-la depois!