Livros Banidos 2012


Hoje entramos na semana dos Livros Banidos! Esta é uma causa que me toca bastante porque nunca fui impedida de ler fosse o que fosse e faz-me imensa confusão que algumas escolas, associações religiosas, pais e governos se achem no direito de o fazer. Obviamente que não falo das proibições devido a restrições da idade, afinal nenhum pai vai dar a uma filha de 12 anos o livro Visto do Céu para ler ou As Cinquenta Sombras de Grey.
Até porque a pior parte dos livros banidos (ou proibidos) numa determinada área nem sequer estão disponíveis para leitura! Imaginem-se a ter doze anos e a não poderem pegar num único livro de Harry Potter ou da trilogia Mundos Paralelos porque simplesmente não existem na biblioteca da vossa escola porque a Associação de Pais decretou que os mesmos são satânicos. Imaginem pedirem o livro aos vossos pais e eles se recusarem a comprar ou mesmo que não se recusem que pura e simplesmente não encontrarem o livro à venda para vos dar. 
Este ano a semana dos Livros Banidos faz 30 anos de existência! E há trinta anos que luta pela possibilidade  destas crianças de 12 anos lerem Harry Potter e para que os Adolescentes possam ler Os Jogos da Fome. A luta é mesmo pela possibilidade de o fazerem. Ninguém quer obrigar ninguém a ler, mas queremos que as pessoas tenham a possibilidade de o fazer.
Como sabemos a palavra escrita tem poder e há livros que efectivamente podem mudar vidas e a maneira que as pessoas tem de ver o mundo mas e principalmente, os livros fazem-nos sentir menos sós. Como nos podemos achar no direito de proibir alguém de ler?
Alguém bastante conhecido disse uma vez que fugiria de todo e qualquer país onde se queimassem livros, porque após isso, certamente que não faltaria muito para que se queimassem pessoas. Um bom exemplo disto foi a Inquisição que efectivamente queimou livros e pessoas por igual. E o medo que as pessoas tem aos livros não é dos livros em si, do papel e da tinta, é sim das ideias que se escondem nas palavras e que acabam por se esconder dentro das pessoas modificando-as e fazendo-as pensar "e se, e se...".
Assim sendo, esta semana convido-vos a ler um livro banido, ou se não puderem ler um completo que leiam um capítulo ou dois. Não estarão sozinhos! Em vários sites da internet estarão disponíveis excertos destes livros assim como vídeos com pessoas a lerem os mesmos em voz alta. Em algumas bibliotecas nos EUA também existirão leituras em voz alta de livros que são banidos e não existem naquela biblioteca.
Leiam para dentro ou leiam em voz alta mas leiam! Leiam por todos os livros que alguém quer calar! Leiam por todas as ideias que alguém quer matar! Leiam por aquela criança que jamais saberá o que é Harry Potter. Leiam!



Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre livros e gostas de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

Resultado do Passatempo: Esmeralda Cor de Rosa, de Carlos Reys

Após uma fantástica participação por parte de quem nos segue e lê frequentemente, chegámos aos dois vencedores, que receberão um exemplar autografado de Carlos Reys, da sua obra Esmeralda Cor de Rosa. Obrigada pelas vossas participações e respostas tão inspiradoras! Se não tiver sido desta, teremos novidades ainda esta semana, por isso estejam atentos! Dito isto, os vencedores são:

57 - Maria Violeta [...] Moreira, de Sangalhos

72 - Nuno Ricardo [...] Oliveira, de Massamá


Receberão em breve um email para confirmação dos dados submetidos no formulário. Um bom fim-de-semana para todos e boas leituras!

Novidade: Antes do Futuro de Jay Asher e Carolyn Mackler


Antes do Futuro
de Jay Asher e Carolyn Mackler
Páginas: 320
Editora: Editorial Presença
Data de Publicação: 2 Outubro 2012

E se em 1996 pudesses ver o teu futuro no Facebook... Mudarias o presente?

Estamos em 1996. Quando Josh instala um CD-ROM que dá acesso a cem horas de internet gratuitas no computador de Emma, sua vizinha e melhor amiga, são ambos transportados para uma estranha página chamada Facebook onde veem versões de si mesmos quinze anos mais velhas. As suas relações, amigos, filhos, carreiras, férias... todas essas informações estão na internet e alteram-se consoante as decisões que eles tomam no dia a dia. À medida que tomam consciência do que a vida lhes reserva no futuro, Josh e Emma são obrigados a confrontar-se com o que estão a fazer certo e errado no presente...

Jay Asher é autor de Por Treze Razões, já publicado pela Presença, um livro que esteve durante mais de um ano na lista de bestsellers do New York Times, se encontra traduzido em mais de 30 países e vendeu mais de um milhão de exemplares só nos Estados Unidos.

Carolyn Mackler é uma autora premiada de diversos romances, entre eles The Earth, My Butt and Other Big Round Things. Encontra-se publicada em mais de quinze países. Carolyn Mackler foi distinguida com o prémio Printz Honor.

Podem ler um excerto do livro aqui no site da editora. Para verem o livro no site da editora podem clicar na capa do mesmo ou aqui.

Comentário disponível em breve!  

Livros que inspiram casamentos: O Regresso

Depois do sucesso que foi a nossa edição em 3 partes do artigo Livros que inspiram casamentos, decidimos mostrar mais casamentos inspirados por livros.
Assim sendo sigam-nos por este festival de fotografias e quem sabe inspirem-se!

Editado em Portugal pela Civilização Editora, o livro O Circo dos Sonhos, de Erin Morgenstern, já inspira casamentos!
Acompanhados pelas acrobatas do circo, os noivos vestem-se a rigor respeitando a temática preta e branca do livro assim como as roupas de época. Para mim o melhor deste casamento foram sem dúvida os convites que vos mostramos abaixo, para verem mais cliquem aqui.

Escrito pela mesma autora de A Casa dos Primatas, Água para Elefantes, de Sara Gruen, foi recentemente adaptado para cinema e começou a inspirar casamentos.

Jane Eyre, de Charlotte Bronte, editado pela Editorial Presença, é, juntamente com os clássicos de Jane Austen, um dos temas favoritos dos amantes de livros.
Para além destes livros, os livros de Harry Potter e Os Jogos da Fome, também editados pela Editorial Presença, continuam no topo das escolhas dos noivos mais jovens.

Para terminar mostramos-vos duas imagens de casamentos inspirados em livros no geral:



Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre livros e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

Opinião: Marcelo no Mundo Real, de Francisco X. Stork

http://www.presenca.pt/livro/infantis-juvenis/juvenis/marcelo-no-mundo-real/
Marcelo no Mundo Real
de Francisco X. Stork
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 276
Editor: Editorial Presença
Resumo:
Marcelo Sandoval ouve música que mais ninguém consegue ouvir, fruto de uma perturbação semelhante à síndrome de Asperger. No entanto, o pai de Marcelo não se resigna com o facto de o filho não ser como os outros adolescentes e desafia-o a trabalhar durante o verão no seu escritório de advogados, para se juntar ao «mundo real».
Um livro que se assemelha a O Estranho Caso do Cão Morto, de Mark Haddon, na pureza e intensidade da voz narrativa e que celebra a música que existe dentro de cada um de nós. (Podem ler um excerto do mesmo aqui no site da editora e ver o livro no site da editora aqui.)

Rating: 4/5

Comentário:
Escrito de uma forma bastante poética e simples, Marcelo no Mundo Real nada mais é que a história de um adolescente que, dentro das suas capacidades, se vê forçado a trabalhar e a interagir com o mundo real após ter estado vários anos numa escola especial.
A força que o impele nesta direcção é o pai que está farto da escola especial de Marcelo e de todos os "paninhos quentes" que ele vê as pessoas porem em torno do filho. Decidido a acabar com os caprichos de Marcelo e a apresentá-lo ao mundo real, Arturo arranja um estágio de verão para o filho no seu escritório de advogados fazendo um acordo com Marcelo. Se ele conseguir fazer um trabalho de escritório normal e cumprir os objectivos que lhe são propostos poderá voltar para a escola especial onde anda, a Paterson, senão terá de ir para a Secundária de Red Oak e enfrentar de vez o mundo real.
Sabendo que não tem por onde fugir, pois o pai terá sempre a última palavra Marcelo embarca na aventura que é o mundo real e encontra-se com personagens que vacilam entre a maior sinceridade e o maior fingimento.
Tal como disse no início esta obra para mim tem uma língua muito poética. Apesar de não ter uma trama intrínseca a verdade é que para Marcelo até as coisas mais simples, como dar a entoação certa a uma frase para ela soar a pergunta são complicadas o que torna todo o seu percurso, por muito simples que seja, uma batalha hercúleana.
Gostei bastante deste livro por Marcelo ser um herói diferente do habitual e porque raramente apanho história em que os protagonistas tenham alguma deficiência. É sempre interessante ver o mundo de maneira diferente e tentar perceber como é estas pessoas navegam nele.
Este foi um livro também que me irritou e que quase ia voando pelo ar não pela má qualidade da escrita, mas pelas atitudes de certas personagens que a determinada altura de tentam aproveitar da inocência de Marcelo. É estranho para mim como leitora perceber perfeitamente o que a personagem x quer e ver que o principal não o percebe sem haver uma trama extremamente complexa atrás, ou estarmos a falar de crianças. Marcelo tem 18 anos, já um adolescente grandinho mas mesmo assim ainda é por vezes como uma criança e as pessoas tentarão aproveitar-se disso.
É maravilhoso, no entanto, a maneira como Marcelo vai crescendo ao longo do livro. Acompanhamos todo o processo e quando chegamos ao fim já nem nos lembramos de como Marcelo era antes. Um livro deslumbrante e que recomendo.

  • Este livro faz parte do Plano Nacional de Leitura para as Novas Oportunidades.


Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre livros e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

Destaque: O Mundo Misterioso de Guta de Filomena Gonçalves

O Mundo Misterioso de Guta
de Filomena Gonçalves
Páginas: 100
Editor: Casa das Letras
Resumo:
Guta e a família mudam-se para uma nova casa no Parque das Nações. Cansada de mudanças e arrumações, resolve ir passear e ler para o pé do rio, onde, das águas surge um ser mágico, uma tágide, que a desafia a resolver um misterioso enigma. A nossa heroína inicia um caminho recheado de descobertas fantásticas que a levam a conhecer novos amigos. 
Uma história divertida sobre um mundo imaginário e fabuloso dos mistérios do Tejo e dos segredos que nos falam de poetas e musas de seres mitológicos e sobre o valor da amizade, dos nossos afetos e das recordações.

Livros cor-de-rosa

Ontem dei por mim a falar com o meu pai sobre romances cor de rosa. A conversa começou quando a voz que saía do rádio dizia que 50 Sombras de Grey estava no top de livros mais vendidos e que já se esperava nova edição ao que o meu pai prontamente respondeu "E daqui a nada um filme também!". Revirei os olhos, custa-me imenso dizer mal de livros porque imagino os horrores que uma pessoa passa para os escrever mas efectivamente há livros que a humanidade dispensava conhecer. 
Além de todo o debate em torno do livro em questão e no qual não vou entrar pois este artigo não é sobre isso, o 50 Sombras não está de maneira alguma na minha lista de livros para ler. O meu pai reparando que eu me calava, o que é raro quando livros são o tema perguntou-me o que se passava e o que eu achava do livro, isto é, se eu soubesse qual era o livro em questão.
Em poucas palavras resumi o livro ao meu pai e ele lembrou-se da minha irmã mais nova lhe ter falado do livro e ter dito que era algo pornográfico. Curioso perguntou-me se leria o livro para o blog ao que eu respondi que "não estava nos meus planos". 
E depois veio a pergunta que desencadeou a conversa toda. Aliás, quem como eu gosta de falar sabe que a terrível pergunta "porquê" se esconde nos recantos menos esperados e ao mesmo tempo nos mais prováveis. "Porquê?"
Respondi ao meu pai que o livro não me fascinava, aliás, tinha acabado nesse mesmo dia de ler o Crónica de uma Serva e a última coisa que precisava de ler era livros eróticos. O meu pai perguntou-me em seguida porque é que o livro vendia, qual era a minha opinião. Sinceramente não percebo o fascínio, disse-lhe que achava que as pessoas tinham tendência a gostar de literatura fast-food, livros simples que não obriguem a pensar. Aliás, o romance rosa vende muito bem como é de conhecimento comum e pode ser muito barato, como por exemplo os livros da colecção Sabrina.
O meu pai comentou então que achava que o fascínio que estes livros rosas exerciam sobre as pessoas era o mesmo fascínio que as telenovelas exerciam. "As pessoas levam vidas aborrecidas", comentou ele, "é raro terem a vida que queriam ou sentirem-se satisfeitas, por isso fogem para os grandes romances, para o meio das intrigas, para as traições e voltas e reviravoltas mas fogem seguras que no fim o bem triunfa sempre". Pisquei os olhos curiosa e deixei o meu pai continuar a falar. "Assim um pouco como voyeurismo! Pensa bem, elas estão lá, participam de tudo e ao mesmo tempo não participam, tem a emoção sem o perigo da dor. Acaba por ser um engano porque as pessoas não vivem nada daquilo, apenas fogem para lá..."
Caros leitores, nunca pensei menos do meu pai, mas devo confessar que a conversa me apanhou a modos que desprevenida e no bom sentido. Após muito pensar no caso creio que o meu pai tem uma certa razão e as pessoas retiram alguma alegria dos romances cor de rosa, no entanto, se não tirássemos alegria da leitura não leríamos por gosto e sim por castigo.
Continuo a acreditar no entanto que os romances rosa vendem mais por serem fast-food, ou seja, uma história conhecida e que não requer muita concentração ou pensamento sobre a mesma. Algo que lemos só para nos entreter e nada mais. Mesmo assim gostava de ouvir as vossas opiniões: O que é para vocês um livro cor de rosa?



Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre livros e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

A saga de ler nos transportes públicos.

Quem nos segue já há algum tempo, sabe que as minhas maratonas de leitura decorrem habitualmente a bordo de algum transporte público, nas muitas e constantes deslocações que me vejo obrigada a fazer no dia a dia. O que ninguém sabe é que é em parte por causa dos transportes públicos que eu comecei a ler.
Na verdade, hoje em dia é um hábito mantido por falta de tempo em outras horas do meu dia. No entanto, com 7 anos de idade, o desejo tinha um motivo diferente. 

Os livros sempre chamaram por mim, tal como continuam a fazê-lo na actualidade. A minha mãe diz que eu antes de aprender, chorava no alto dos meus cinco anos por não conseguir sozinha descobrir as histórias maravilhosas por detrás da conjunção de consoantes e vogais, e que nem sempre tinham paciência para mas ler. Depois, já na escola primária, aprendi em dois meses o que muitos demoram a conseguir durante um ano inteiro, tal a minha ânsia.

O que é que isso tem a ver com transportes? Nada directamente, mas foi um comboio que me fez procurar por livros com menos desenhos e com ares de "mais crescida". Das poucas vezes que me vi obrigada em deslocar-me para o trabalho da minha mãe, ela levava sempre um livro com ela. Quando olhava em redor, uma outros viajantes faziam o mesmo e iam sempre compenetrados nas leituras. Para mim, ler naquela altura passava pela assertividade de me assumir como alguém mais adulto e bem comportado, e de querer ser igual a todas aquelas pessoas bem arranjadas e com portes que achava altivos e seguros. Por esse motivo, comecei a arrastar o primeiro livro de "Os Cinco" comigo, e apesar de ter demorado um ano para completá-lo, fiquei fascinada com as possibilidades de novos livros. Por esse motivo, nunca mais parei.

Ler nos transportes é algo que passei a fazer assiduamente, a partir do momento em que anos mais tarde retornei ao mundo autónomo dos transportes públicos. O que certamente já me trouxe uma série de situações caricatas e típicas de um amante de livros, e que julgo que todos se poderão facilmente identificar.

Em primeiro lugar, há que descortinar que circulo por vários modos de transporte, sendo que uns facilitam mais a leitura que outros. Não que isso me impeça. Não é a primeira vez que perco um autocarro porque estou tão embrenhada no livro sentada na paragem que nem dou por ele passar. É aliás, nos autocarros, que evito ler de todo, a não ser que o destino seja o terminal, ou já sei que o resultado não será muito proveitoso. Ou estou sempre com medo de perder a paragem de saída, ou arrisco-me a que isso mesmo aconteça. E tenha de pagar a multa posterior.
Nunca aconteceu porque os motoristas sempre se mostraram afáveis, mas se puder evitar uma crise, fá-lo-ei.


Depois, por outro lado, o metro é aquele modo de transporte onde raramente se espera ver pessoas a ler. Errado. Não é nada raro entrar numa carruagem e ter imensas pessoas a lerem espalhadas por todo o lado: sentadas, de pé, junto das portas, a segurarem-se, a não segurarem-se...Ou a sairem de uma carruagem e continuarem a subir as escadas para a saída sem largarem o livro. Eu própria já o fiz uma vez ou duas. E pode ser complicado mas quando estamos muito embrenhados não é a necessidade de sair num determinado sítio que nos faz parar. Por vezes, já fui pela linha que dá pelo caminho mais longo só para prolongar a minha leitura mais uns 10 minutos.

No fundo, ter uma vida demasiado ocupada exige-nos algumas soluções inteligentes, onde possamos aproveitar o nosso tempo de forma inteligente, e não deixar para trás os pequenos prazeres do dia a dia.

Mas voltando a situações caricatas, quantas vezes é que se cruzaram com alguém a ler algum livro que vocês querem muito ler (e querem perguntar a opinião da pessoa) ou que já leram (e lhe querem dar o vosso incentivo)? Eu passo por isso várias vezes e até há pouco tempo tinha receio de incomodar as pessoas. Claro que se elas vão muito concentradas, não vou importuná-las, mas aqui há uns tempos comecei a fazê-lo. Pelo menos se o livro me interessa muito e estou curiosa para saber se vale a pena adquiri-lo. E até hoje as pessoas com quem me cruzei e o fiz acharam piada e na maioria das vezes acabámos por falar durante mais uns 5 minutos sobre livros e outras questões. E passo a vida a divulgar os grupos de trocas onde estou, o que já trouxe muito mais pessoas para os grupos (e tornei algumas viciadas!).

Depois, uma nova tendência são os rapazes. Não falo de homens a ler porque isso sempre foi habitual. Mas adolescentes a ler, por vezes até romances tipicamente definidos como tendo como público-alvo as mulheres, começam a ser vistos espalhados um pouco por todo o lado. É bastante interessante e revigorante também. Parece que se perdeu uma certa vergonha e estereótipo sobre leituras, que agora se fazem cada vez mais fora de quatro paredes.

 

 Por outro lado, ainda acaba por ser mais giro quando vamos a ler o volume de uma saga e alguém à nossa frente/sentado ao lado a ler exactamente a mesma saga, às vezes um antes outras um depois. Ou um livro que acabou de sair e encontramos mais alguém a lê-lo, e o desejo perguntar "Em que parte é que vais??".

Eu já passei por todas estas situações e mais alguma, que vocês nem poderão imaginar. Partilhar o vício pelos livros é bom, seja lá onde for. E ainda mais quando estamos perante uma convenção não declarada de pessoas que também gostam de ler. Os transportes públicos provaram-nos isso. E provarão durante o resto da semana que aí começa.

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

Opinião: Maze Runner: Correr ou Morrer, de James Dashner

Resumo:
Quando desperta, não sabe onde se encontra. Sons metálicos, a trepidação, um frio intenso. Sabe que o seu nome é Thomas, mas é tudo. Quando a caixa onde está para bruscamente e uma luz surge do teto que se abre, Thomas percebe que está num elevador e chegou a uma superfície desconhecida. Caras e vozes de rapazes, jovens adolescentes como ele, rodeiam-no, falando entre si. Puxam-no para fora e dão-lhe as boas vindas à Clareira. Mas no fim do seu primeiro dia naquele lugar, acontece algo inesperado - a chegada da primeira e única rapariga, Teresa. E ela traz uma mensagem que mudará todas as regras do jogo. (Podem ler um excerto aqui no site da editora, para verem o livro no site da Editora podem clicar na capa ou aqui.)

Rating: 5/5

Comentário:
Sou uma aficionada da ficção-cientifica e por isso quando a moda das distopias pegou tive de me controlar para não berrar de alegria. É um género completamente fascinante para mim pois acho incrível aquilo que os escritores conseguem fazer com estes mundos distópicos. Depois de distopias como Os Jogos da Fome, União, Delirium e Divergente confesso que não sabia ao certo o que esperar de novo, no entanto as críticas à saga Maze Runner tinham sido bastante positivas, o que me deixou curiosa.
Quando finalmente peguei no livro para ler fui imediatamente transportada para o meio da acção. Tal como o resumo diz, Thomas acorda num elevador e não se recorda de nada - é nesse exacto ponto que começa a nossa narrativa.
As perguntas assaltam-nos portanto logo nos primeiros parágrafos: O que se passou para Thomas ir parar ao elevador? Quem é Thomas? Porque não se lembra de nada? Quando o elevador finalmente pára e abre as suas portas em vez de respostas encontramos mais perguntas: O que é a Clareira? Quem são estes rapazes? O que se está a passar?
Depois de distopias nas quais vamos conhecendo a realidade lentamente a partir de um herói que já a habita há muito, é interessante encontrar um herói que simplesmente está tão perdido quanto nós. Thomas está a ver tudo na Clareira pela primeira vez ao mesmo tempo que nos deparamos com ela, tudo o que o surpreende nos surpreende também e o que ele não percebe, para nós é tão ou mais confuso. O truque acaba por ser fazer-nos sentir tão irritados e perdidos quanto o Thomas e cativar-nos a tentar descobrir mais, visto que a informação vai sendo lentamente libertada.
Isto contribui para um crescendo fantástico de interesse por parte do leitor na história. O próprio tema do labirinto e de solucionar o labirinto invoca algo místico dentro de cada um de nós. Lembro-me de ser pequena e ir ao Monsanto e correr para o labirinto no meio do parque para "achar a saída". Porque os labirintos serem para isso mesmo, para uma pessoa "achar a saída", creio que acabam por ser uma metáfora para a própria busca humana de algo que não sabe o que é para além de uma saída.
E a saída é que os rapazes da clareira procuram, é a saída que Thomas procura e o próprio leitor dá por si também em busca da saída do labirinto. Que labirinto é esse? Só lendo é que o descobrirão!
Quanto à personagem de Thomas posso dizer que é um rapaz normal e esperto e que calça o 45. Facto a que achei imensa piada pois calça o mesmo número que o meu irmão, algo cada vez mais comum mas raramente referido.  Posso também dizer que gostei da instintividade de Thomas e da maneira como ele lidou com algumas das situações que lhe foram apresentadas.
O facto de estarmos a descobrir este novo mundo ao mesmo tempo que ele ajuda a criar uma certa cumplicidade com a personagem. Thomas acaba por se tornar nosso amigo enquanto descobrimos o mundo de Maze Runner.
Este é um livro que fala também de quebra cabeças, amizades e de como as pessoas se adaptam à realidade que as rodeia. Um autêntico contemporâneo da saga Os Jogos da Fome.
Com batalhas sangrentas e reviravoltas inesperadas Maze Runner: Correr ou Morrer acabou de entrar na minha lista de distopias favoritas e é uma saga que tenho o maior interesse em seguir.

  • Este livro faz parte de uma trilogia;
  • Esta trilogia já foi toda publicada em inglês sendo os títulos dos seguintes volumes The Scorch Trials e The Death Cure;
  • Este ano o autor publicou uma prequela chamada "The Kill Order" (e que me parece ser bastante spoiler da série);
  • O IMDB acusa que sairá um filme do livro algures em 2013 mas não dá muitos detalhes em relação ao mesmo.



Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre livros e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

Destaque: O Tempo dos Milagres, de Karen Thompson Walker

O Tempo dos Milagres
Karen Thompson Walker
Páginas: 256
PVP: 15,90 €
Lançamento: Setembro de 2012

SINOPSE:
Nunca é aquilo que receamos que acaba por acontecer. As verdadeiras catástrofes são sempre diferentes – inimagináveis, inesperadas, desconhecidas… E se o nosso dia de 24 horas se tornasse mais longo, primeiro em minutos, depois em horas, até o dia se tornar noite e a noite se tornar dia? Que efeito teria este abrandamento no mundo? Nas aves do céu, nas baleias do mar, nos astronautas do espaço e numa rapariga de onze anos, a braços com as mudanças emocionais da sua própria vida? Uma manhã, Julia e os pais acordam na sua casa nos subúrbios da Califórnia e descobrem, juntamente com o resto do mundo, que o movimento de rotação da Terra está a abrandar visivelmente. A enormidade deste facto está quase para além da compreensão. E, no entanto, ainda que o mundo esteja, na realidade, a aproximar-se do fim, como afirmam alguns, a vida do dia a dia tem de continuar. Julia, que enfrenta a solidão e o desespero de uma adolescência difícil, testemunha o impacto deste fenómeno no mundo, na comunidade, em si própria e na sua família.

Book Trailer (com legendas em português)

LeYa no Rossio

Conforme vos dissemos ontem no facebook, o Encruzilhadas andou pelo Festival Literário "LeYa no Rossio". Este Festival Literário é a primeira edição de um evento que se pretende que seja anual. E, este ano, está integrado no fim-de-semana de arranque do "Ano do Brasil em Portugal", e por isso, a LeYa decidiu juntar no Rossio diversos autores dos dois países.
"O evento, de entrada livre, inclui um programa de mesas redondas, tertúlias, concertos, actividades infantis e várias performances de poesia e teatro de rua, para além de uma Feira do livro de Portugal e do Brasil, tendo sempre a literatura e a arte dos dois países como pano de fundo." (retirado do site vamossair.com.)
O Encruzilhadas chegou ao festival por volta das 16:30 mesmo a tempo de apanhar as danças brasileiras dos índios e das baianas. Quando entramos, vindas dos Restauradores encontramos imediatamente as zonas de declamação e as bancas de venda de livros, que podem ver nas imagens abaixo:


Demos uma volta alongada pelo recinto, vendo os livros e as diversas tendas e ainda participamos no conto colaborativo entre Portugal e o Brasil. Como dissemos no início do artigo entramos no espaço a tempo de ver as baianas entrar em palco, o que deixou a Catarina (Ki) bastante contente porque ela adora baianas.


Andando pelas diversas bancas e foi com alegria que encontramos descontos até 40% em alguns livros da LeYa. Além do mais os lemas da LeYa estavam espalhados pelas bancas identificando cada área (romance, infantil-juvenial, etc).
No geral achamos que o evento foi muito bem planeado e um sucesso, pelo menos tendo em conta a quantidade de pessoas que andava pelo Rossio a ver os espectáculos e as bancas.




Além destas actividades diurnas, o LeYa no Rossio tinha também vários concertos, com músicos brasileiros e portugueses, no seu pólo do Terreno do Paço. Hoje, domingo, é o último dia da primeira edição deste festival mas não se preocupem que ainda há muito para ver. Podem consultar a programação completa aqui. 
O Encruzilhadas agradece o convite e a iniciativa da LeYa e espera que esta iniciativa tenha sido um sucesso que se repita por muitos anos.

Antigo cinema vira livraria!

Depois do nosso artigo sobre a igreja que virou livraria chega-nos agora outra história que apesar de igual tem um twist diferente. Em vez de ser uma igreja esta livraria era uma antiga sala de cinema.
Localizada em Buenos Aires, esta livraria foi projectada pelo arquitecto Fernando Manzone, que trabalha para a editora e livraria brasileira El Ateneo. Tentando manter as fachadas originais e até a própria disposição do cinema, esta livraria inclui um café na área do palco, cantos de leitura nos camarotes e balcões repletos de estantes.
Aberto como cinema em 1919 e reaberta como livraria em 2000, este espaço tornou-se numa das livrarias mais movimentadas do mundo com mais de um milhão de visitas por ano e com vendas que ascendem os 7.000.000 livros por ano.
Deixamos-vos com mais fotos do espaço para que possam apreciar melhor esta livraria.




Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre livros e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

Novidades: Edições Asa

Lançamento a 8 de Outubro


O Grande Amor da Minha Vida 
O Cavaleiro de Bronze
de Paullina Simons
Resumo:
Tatiana vive com a família em Leninegrado. A Rússia foi flagelada pela revolução, mas a cidade mais cosmopolita do país guarda ainda memórias do glamour do passado. Bela e vibrante, Tatiana não deixa que o dramatismo que a rodeia a impeça de sonhar com um futuro melhor. Mas este será o pior e o melhor dia da sua vida.
O dia assombroso em que conhece aquele que será o seu grande e único amor. Ameaçados pela implacável máquina de guerra nazi e pelo desumano regime soviético, Tatiana e Alexander são arremessados para o vórtice da História, naquele que será o ponto de viragem do século XX e que moldará o mundo moderno.
  • Volume 1 da trilogia Tatiana e Alexander.

Guiness World Records 2013
de Guiness World Records 
Resumo: 
Ao longo dos últimos 12 meses, os gestores de recordes do GWR processaram cerca de 50 000 pedidos. Desses, menos de 5000 conseguiram ultrapassar o rigoroso processo de ratificação – abrangendo desde o mais alto cão de sempre (com 1118 m) e o preço mais elevado pago por uma obra de arte num leilão (119,9 milhões de dólares); ao maior número de conquistas do Monte Everest (21).
Neste livro poderá encontrar detalhes completos sobre todos estes e muitos mais recordes nas ilustradas páginas do GWR 2013!

A teia de aranha
de Agatha Christie
Resumo:  
Clarissa, mulher de um diplomata, gosta de sonhar acordada. “Imagina que um dia eu encontrava um cadáver na biblioteca, qual seria a minha reacção?”, diz num devaneio. O que ela não podia prever é que vai ter oportunidade de descobrir precisamente isso quando tropeça num corpo… na sua própria sala!
Desesperada, convence os seus amigos a ajudá-la a livrar-se do morto, sabendo que, entre eles, está o assassino. E se um inspector da polícia chegasse de repente…?
Escrito originalmente por Agatha Christie em 1954 como uma peça de teatro, A Teia de Aranha (Sipder’s Web) foi adaptada para romance por Charles Osborne em 2000.

Lançamento a 15 de Outubro
A Noiva Despida
de Nikki Gemmell
Resumo:  
Uma mulher desaparece.  Ela era a esposa perfeita, a mãe exemplar, uma mulher irrepreensível.  O que dizer então do explosivo diário que deixa para trás?  Nas suas páginas, ela revela pormenores surpreendentes da sua jornada de descoberta e libertação sexual.
A Noiva Despida é uma aventura nos meandros do sexo e do amor. Uma partilha de confidências que apenas as melhores amigas ousam fazer. No final, é impossível evitar a pergunta: até que ponto conhecemos verdadeiramente outra pessoa?

 Lançamento a 29 de Outubro

Escravas
de Zana Muhsen e Miriam Ali
Resumo:
Filhas de pai iemenita e mãe britânica, Zana e Nadia nasceram em Inglaterra, onde viveram até ao dia em que o pai lhes propôs uma visita ao Iémen. As irmãs acreditaram estar perante umas férias de sonho: iam conhecer a família paterna e o país sobre o qual ouviam histórias desde meninas.
Zana e a mãe, Miriam, fizeram então uma promessa: trazer Nadia e os filhos de ambas para Inglaterra. Acreditavam que os homens da sua família e os governos dos dois países tomariam uma atitude. Estavam enganadas. Para ambas, começava mais um longo calvário. Perante a indiferença da comunidade internacional, Nadia continua cativa no Iémen. Zana e Miriam não desistem da sua luta. Escravas é um pedido de ajuda. Um grito de revolta. Um documento fundamental sobre uma das práticas mais aberrantes do mundo contemporâneo.

Opinião: Rubi, de Kerstin Gier

Rubi
O Amor Atravessa Todos os Tempos
de Kerstin Gier
Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 272
Editor: Contraponto
Resumo:
Pertencer a uma família cheia de segredos não é fácil, ou pelo menos é o que pensa Gwendolyn Sheperd, de 16 anos. Até que um dia se vê em Londres do final do século passado e se apercebe de que ela própria é o maior segredo da família.
Do que Gwendolyn não se apercebera é que apaixonar-se quando se está presa num tempo diferente não é nada boa ideia. Tudo se pode complicar...

Rating: 4/5

Comentário: 
Rubi já andava na minha mira há algum tempo mas infelizmente nunca surgira a ocasião de o comprar e quando o vi no catálogo da biblioteca não hesitei em trazê-lo comigo para casa. As quase trezentas páginas que compõem o livro passaram a voar e dei por mim a começar a lê-lo numa noite de sábado e a acabá-lo numa tarde de domingo mesmo a tempo para o chá das cinco.
Contado do ponto de vista de Gwendolyn, que tem uma precessão muito engraçada da realidade, Rubi revela-se um misto de ficção-cientifica e romance com alguma aventura à mistura. Tal como o resumo do livro diz, Gwendolyn vem de uma família cheia de segredos, sendo que ela própria é o maior deles todos, como rapidamente nos apercebemos no primeiro capítulo. Existe na família de Gwen um gene muito especial, um gene que faz com que certos membros da família consigam viajar no tempo.
E talvez a ideia seja tentadora, mas estar num prédio de três andares e saltar no tempo para uma altura em que este ainda não foi feito provocará uma queda de 20m o que já não parece tão agradável. Mas Gwen não está muito preocupada com isso, pois a sorte, ou azar, calhou à sua querida prima Charlotte, treinada desde criança para isto. Infelizmente, como Gwen está prestes a descobrir, as coisas nem sempre correm como planeado.
Algo que achei piada no livro foi a linguagem moderna das personagens e as suas referências a filmes e séries de televisão. Outra coisa que gostaria de elogiar é a tradução, depois de ter apanhado livros mal traduzidos, uma pessoa repara melhor quando uma tradução está bem feita. Na realidade eu tinha uma professora que costumava dizer que se a tradução estava bem feita, então nem daríamos por ela, e no caso de Rubi a tradução é exemplar.
Além de Gwen gostei também bastante da sua melhor amiga Leslie, uma rapariga que parece ser a fã número um de Gwen e da sua família e que sem dúvida parece uma leitora ávida que entrou para dentro de um livro fantástico e quer viver cada segundo do mesmo.
Numa nota afinal, gostaria de dizer que apesar de parte da trama do enredo me parecer óbvia, espero ainda ser surpreendida antes do fim. 
  • Este livro faz parte de uma trilogia;
  • O segundo volume, Safira, foi publicado este ano pela Contraponto.


Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre livros e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

Passatempo: Esmeralda Cor de Rosa, de Carlos Reys

 Esmeralda Cor de Rosa de Carlos Reys

E é com imenso gosto que anunciamos o nosso primeiro passatempo em parceria com um autor. Temos para sortear dois exemplares autografados de "Esmeralda Cor de Rosa", de Carlos Reys, gentilmente cedidos pelo autor! Podem-se habilitar a ter um em vossa posse ao responder correctamente a todas as perguntas que se encontram no questionário. As respostas poderão ser encontradas aqui e aqui
Boa sorte a todos! 

ATENÇÃO: 
Regras do Passatempo: 
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 29 de Setembro. 
2) Todos os dados solicitados devem ser devidamente preenchidos e completos. 
3) Só serão aceites uma participação por pessoa e morada, em todo o território português (Portugal continental e ilhas). 
4) O/A vencedor/a será sorteado de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail. 
5) O Encruzilhadas Literárias e/ou o autor não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT nos exemplares enviados.


Viram o meu diário?

Hoje vou falar de um tipo de livros diferentes do normal: os diários. Não só são um tipo de literatura muito própria como são também das leituras (e escritas) mais privadas que há.
Todos já tivemos um diário e já todos paramos de escrever nele. Uma das piadas mais comuns que já apanhei na net sobre isto diz que até a Elena da saga Diários do Vampiro acabou por se fartar de escrever no dela.
Por vezes questiono o que nos leva a escrever um diário? Vergonha das nossas emoções? Medo que os outros não nos compreendam? Vontade de sermos o/a protagonista principal da nossa vida? Creio que existe um sem número de motivos para escrevermos um diário, lembro-me que o meu (que o Papelão o guarde!) estava cheio de esperanças e sonhos.
Devo contar-vos que a minha imaginação para a minha vida pessoal era fantástica, entre imaginar que o Peter Pan me vinha buscar a desaparecer no mundo de Harry Potter, a única consistência do meu diário é uma ideia de evasão. Uma ideia tão comum como a esperança eterna que o sol nasça amanhã. Quem nunca quis fugir da sua vida? Não é por isso que a maior parte de nós lê? Os psicólogos concordam que ler ajuda as pessoas a criar um escape da sua vida pessoal que nem sempre está cheia das aventuras que elas gostariam que tivessem.
Mas, torno a perguntar, o que nos leva a escrever? Alguém se lembra de onde veio a ideia de escrever um diário? Eu lembro-me que em mim a curiosidade nasceu após ter lido O Diário de Anne Frank, se não me engano o meu diário chama-se Kittyy também. Na realidade todos os meus diários tiveram nomes que eram diminutivos do meu nome próprio. No meu caso creio que escrevia essencialmente para mim, para me lembrar que ainda estava viva e podia ter esperança, sei-o porque comecei a escrever o meu diário numa altura mais complicada mas que passou, assim como o meu hábito de os escrever.
Curiosamente nunca acabei um "diário" inteiro. O que, tendo em conta o que me levou a escrever neles, é bom pois significa que a minha vida tem altos e baixos mas que os baixos nunca duraram muito tempo.
E vocês caros leitores, alguma vez tiveram um diário? O que vos fez escrever nele?


Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre livros e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

Como ler um livro

Ora aqui está um mini curso intensivo que vai desmistificar "como se lê um livro". Acompanhem esta professora, enquanto ela nos prova que quem lê livros faz efectivamente muito mais ginástica do que aquela que imagina.
Estranhamente identifico-me perfeitamente com a Fase 4 do video. Acontece-me inúmeras vezes!
Partilhem connosco a fase com a qual se identificam mais.

Percy Jackson e a Maldição do Titã, de Rick Riordan

Percy Jackson e a Maldição do Titã
de Rick Riordan
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 336
Editor: Casa das Letras
Resumo:
Uma chamada urgente e aflita do amigo Grover é o sinal para Percy Jackson da iminência de mais uma batalha memorável. É também hora de convocar todos os seus poderosos aliados semideuses, de pegar na sua confiável espada de bronze e ter a ajuda de sua mãe. Os semideuses correm imediatamente em seu auxílio e descobrem que Grover fez um importante achado: dois poderosos meio-sangues, Bianca e Nico di Angelo, cujo parentesco é desconhecido. Mas não é só isso que os espera. O titã Cronos criou a sua mais traiçoeira estratégia, e os jovens heróis caíram como presas indefesas. Mas não são os únicos em perigo. Um antigo monstro que dizem ser tão poderoso que poderia destruir o Olimpo ressurgiu e Artemis, a única deusa que parece saber como combatê-lo, está desaparecida. Percy e os seus amigos juntam-se aos Caçadores de Artemis e têm apenas uma semana para encontrar a deusa desaparecida e desvendar o mistério sobre este terrível monstro. Pelo caminho eles enfrentarão o seu mais perigoso desafio: a petrificante profecia da maldição do titã.»

Rating: 3,5/5

Comentário:  
Este comentário tem informações sobre os livros anteriores!

E apesar de não ser na sua escola, Percy começa esta nova aventura novamente numa escola. Acho sempre uma tremenda piada a este facto, pois Percy está sempre a começar as suas aventuras nas férias de verão, lembro-me sempre da Cláudia e da sua frase "posso parar quando estiver morta!". Parece-me que o Rick Riordan partilha da mesma opinião, pois ainda está para vir o verão em que Percy fica na praia a apanhar banho de sol.
Voltando à história, desta feita Percy parte em busca de dois meio-sangues com a ajuda de Annabeth e Tália. Informados por Grover, que está a cumprir a sua missão de sátiro na procura de descendência dos deuses, da aparição misteriosa de Bianca e Nico di Angelo, dois irmãos e poderosos meio-sangue a equipa de Percy não perde tempo e segue para o terreno.
Ainda atordoado pela transformação de Tália de pinheiro para humana, Percy está a aprender a lidar com o facto de provavelmente já não ser o melhor amigo de Annabeth e com o desespero face à inocência da amiga que continua a acreditar na bondade de Luke.
No meio desta confusão toda, Percy junta-se às Caçadoras de Artemis numa busca pela deusa desaparecida e pelo seu novo lugar no trio "Tália-Annabeth-Luke", os três amigos que sobreviveram juntos durante um ano antes de chegarem ao Acampamento. Apesar de Luke se considerar fora da equação as duas amigas continuam unidas como sempre e Percy sente-se um pouco perdido.
No meio da aventura claro as coisas acabam sempre por se revelar mais complicadas do que são, além do mais as parecenças de personalidade de Percy e Tália provocam choques constantes pela liderança do grupo. E se tudo isto não bastasse à maldição do titã e a terrível profecia do oráculo que os parece perseguir a cada passo.
Creio que este livro se revelou o ponto de viragem de saga. Foi neste livro que Percy descobriu que as coisas nem sempre acabam bem e que nem sempre a vitória vem sem um preço. Ás vezes o preço é leve, outras pesado mas está lá. Creio que Percy cresceu como personagem e que as suas "missões" fora do acampamento o estão a ajudar a formar-se como homem e semi-deus.
Repleto de elementos de lendas gregas, como o é aliás toda a série, este livro revela-se um bom livro "do meio" cheio de mistérios, aventura e terror.

  •  A saga de Percy Jackson  é composta por cinco volumes;
  • Já comentamos o primeiro volume aqui e o segundo volume aqui;
  • De momento os quatro primeiros volumes já estão editados pela  Casa das Letras;


Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre livros e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

CrossOvers

Já alguma vez leram um livro e não gostaram dos casais? Pior, já leram um livro e souberam que aquela personagem ficava bem com outra mas infelizmente essa outra está noutro livro? Pois bem, foi de ideias malucas como estas que nasceram os CrossOvers: Histórias escritas pelos fãs, fanfiction, na qual dois mundos diferentes se cruzam.
A onda mais recente e que está a invadir a net há já algum tempo é por as personagens de Harry Potter no mundo d'Os Jogos da Fome, mudando assim o nome da saga para Os Jogos Potter. Existem na realidade jogos RPG inteiros na internet onde os jogadores podem, a partir de textos pré-feitos e várias opções, ser Harry, Ron ou Hermione neste mundo novo. Ou então podem jogar o contrário, Os Jogos Hogwarts, no qual jogam como Katniss em Hogwarts.
Há também bastante fanart em que personagens de universos diferentes se encontram e se tornam amigas, ou quem sabe algo mais.
Na realidade ao cruzar mundos e personagens abrimos portas a situações nunca antes vistas. E se Harry nunca tivesse ido para Hogwarts e estivesse no lugar de Sonea, a protagonista do livro A Guilda dos Mágicos? E se Percy Jackson tivesse ido para Hogwarts? O que aconteceria às personagens de Delirium se um dia acordassem dentro do livro União ou do livro Divergente? São estas e muitas outras questão que a ideia de CrossOver explora. 
Digam-me caros leitores existem por aí alguns mundos que gostassem de misturar? E se sim, quais são esses mundos?

A Queda dos Gigantes, de Ken Follet

A Queda dos Gigantes
Trilogia O Século - Livro 1
de Ken Follett

Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 928
Editor: Editorial Presença

Resumo: Em A Queda dos Gigantes, o primeiro volume da trilogia "O Século", as vidas de 5 famílias - americana, alemã, russa, inglesa e escocesa - cruzam-se durante o período tumultuoso da Primeira Grande Guerra, da Revolução Russa e do Movimento Sufragista.
Neste primeiro volume, que começa em 1911 e termina em 1925, travamos conhecimento com as cinco famílias que nas suas sucessivas gerações virão a ser as grandes protagonistas desta trilogia. Os membros destas famílias não esgotam porém a vasta galeria de personagens, incluindo mesmo figuras reais como Winston Churchill, Lenine e Trotsky, o general Joffreou ou Artur Zimmermann, e irão entretecer uma complexidade de relações entre paixões contrariadas, rivalidades e intrigas, jogos de poder, traições, no agitado quadro da Primeira Grande Guerra, da Revolução Russa e do movimento sufragista feminino.
Um extraordinário fresco, excepcional no rigor da investigação e brilhante na reconstrução dos tempos e das mentalidades da época.

Rating: 5/5

Comentário: A Queda dos Gigantes, de Ken Follet, é a minha estreia com o autor. Já muito conhecido pelas suas obras, entre elas os volumes de "Os Pilares da Terra", surge-nos agora com o primeiro volume de uma trilogia que promete arrebatar os amantes de história e de romances históricos. É dos melhores livros que li em 2012, e que exige portanto da minha parte uma opinião mais  mais pormenorizada.

Abrangendo dez anos de História e histórias de vida, senti-me praticamente a viajar para outra época, até porque na altura seguia uma série que se passava exactamente na mesma altura - Downton Abbey. O cruzamento de realidades para o mesmo tempo histórico tornou a leitura bem mais interessante, o que já era praticamente impossível porque o livro me arrebatou completamente. É um livro com uma componente muito forte do ponto de vista histórico, especialmente pela abordagem escolhida, sendo complementada de uma forma totalmente natural com um lado mais social. Para além dessa dualidade de pontos de vista, que é criada entre as elites e pessoas do povo, a crescente análise da História sob os vários pontos de vista nacionais deixou-me plenamente satisfeita com a capacidade de intervenção de Ken Follet, que conseguiu mesmo criar uma narrativa de gigantes.

Começando então por essa análise de extractos sociais, as variantes nacionais permitem uma abordagem bastante exploratória das diferentes realidades da população, desde as elites que vivem em mansões com grandes casas, às comodidades de classe média americana que muito diferem da europeia, aos operários russos muitas vezes maltrapilhos, que já se arrastavam antes da I Guerra para obter um nível básico de subsistência. É criado um retracto social muito colorido e bastante real à luz dos conhecimentos históricos existentes.

Por outro lado, como a sinopse apresenta, são abordadas as vivências de 5 famílias, acompanhando as suas tropelias com a vida desde o período antes da guerra, durante e após, desde 1915 até 1924. Torna-se interessante não só experimentar uma visão criada país a país, mas principalmente absorver os impactos das conjunturas globais sobre as suas famílias, que reproduzem a história de tantas outras. Uma característica muito marcada é a componente política, devido ao facto de diversas personagens deterem a alguma altura um papel próximo junto ao núcleo de intervenções, especialmente no caso os ingleses e alemães, dado que as suas personagens surgem junto às altas instâncias políticas. Mais tarde, e atendendo à revolução Bolchevique, a realidade russa ganha também um novo destaque. O que significa por outro lado que ao longo de todo o livro surgem uma série de debates e cenários de guerra em resultado dessa experimentação táctica e estratégica por parte de algumas personagens, fazendo-nos de alguma forma sentir o enredo, embora já conhecendo o seu resultado, pelo menos o factual. Este é um dos pontos fortes do livro e que muito me fez gostar da obra, mas que pode aborrecer alguns leitores que prefiram uma abordagem mais leve.

É de não esquecer que é uma obra ficcional, e portanto não podem faltar momentos de drama, romance e angústia pura, como por exemplo o romance de Maud e Walter, que vêem uma declaração pública de hostilidades entre as suas duas pátrias criar um entrave a um romance que teria todo o sucesso em fluir. Mas falando mais destas famílias, aqui ficam algumas considerações:

Inglesa - A família Fitzherbert é o retracto da aristocracia britânica, com uma rede de contactos e conhecimentos que chega ao próprio Rei, engloba desde uma princesa russa a dois irmãos com temperamentos tão diferentes, e que a determinada altura colocará em xeque se valerão mais os laços familiares ou as convicções morais e políticas. Lady Maud é uma melhor de força que não se cala perante preceitos sociais e se irá enveredar pelas raízes dos movimentos sufragistas em Londres, para despeito do irmão e do conservadorismo que se afinca à sua essência. Apesar de tudo, Fitz tem uma alma nobre (se ignorarmos alguns percalços, capazes de o tornar detestável em algumas ocasiões) e preocupa-se genuinamente com os seus, e deixando-se arrebatar por problemas de consciência em vários momentos. Apesar de não se caracterizar pelas típicas formatações das famílias aristocráticas, os Fitzherbert não são verdadeiramente felizes, sendo que cada um dos irmãos, à sua forma, encontra prazer em pequenos momentos vistos como pecado à luz da sociedade actual, embora por motivos bastante diferenciados.

Galesas - A família Williams mais uma vez aposta nas acções de dois irmãos, estes diferentes dos anteriores, já que sempre se apoiaram ao longo de tudo. Lidando com uma situação que não esperava, Ethel faz frente ao pai e decide ser dona do seu destino, ignorando as formatações sociais que inicialmente a colocariam em desgraça, e enfrentando o acaso com uma postura batalhadora e bastante orgulhosa, característica que de alguma forma vai buscar ao seu maior opositor, o pai. William Williams ou Bill Duas Vezes (Billy) é outra personagem que não lida bem com as afrontas sociais e morais, principalmente as hipócritas e cínicas. Desafiando o carácter dominador do pai, decide escrever o seu próprio destino, não se preocupando se de alguma forma quebrará preceitos de classes anteriormente estabelecidos.

A aldeia de mineiros da qual a família Williams é natural, e que por sua vez é propriedade da família Fitzherbert é um dos cenários principais da acção, principalmente nos momentos iniciais passados no período pré-bélico. É sem dúvida uma demonstração das condições de vida e dos esforços daqueles que tão pouco recebiam e da classe do operariado no início do século XX. O retracto social é sem dúvida bastante interessante.

Alemã - Walter Von Ulrich é um diplomata em Londres e amigo muito chegado da família Fitzherbert...até as circunstância da vida os colocarem em campos opostos e ter de abandonar rapidamente o país que aprendeu a reconhecer como sua casa. De relação difícil com o pai, conselheiro próximo do Kaiser, é uma mente moderada e com capacidade de escolhas acertadas, sentindo-se frustrado e revoltado muitas vezes com o conservadorismo alemão que é incutido pela geração que de Otto,  que não compreende que o mundo em mudança exige uma estratégia mais cuidada. Ainda assim, um grande patriota com um sentido de dever elevado e que atende a resolver os problemas do seu país até ao fim. A sua consciência ética é várias vezes posta em causa pelas circunstâncias não planeadas da vida, as quais ele consegue contornar com elegância na grande maioria das vezes.

Russa - Grigori e Lev Péchkov são duas das personagens das quais me senti menos apegada ao inicio, mas que de uma forma ou de outra compõem o cenário deste grande enredo. Obrigado mais uma vez a tomar conta do irmão, Grigori vê um sonho há muito esperado adiado, o que acaba por se revelar como uma surpresa, já que através da Guerra descobre novos caminhos para construir uma vida válida para si e para a sua família, acreditando que o seu papel para a mudança da mentalidade da sociedade russa pode ser crucial, ao juntar-se ao grupo de intervenção liderado por Lenine. Acompanhamos a implementação da revolução bolchevique e das próprias contra-facções dentro do movimento. Katerina é impulsiva, mimada e infantil à primeira vez, sendo na sua grande maioria uma fachada de defesa para as com as adversidades que a vida já lhe trouxe e guardou. É bonita, mas também uma grande lutadora, que aprenderá ao longo do tempo a ser mais humilde e a repensar as suas prioridades. De qualquer forma, é e será sempre fiel a si mesma, não deixando que mais ninguém a pise e ignore o seu potencial.

Americana - Numa primeira fase, a perspectiva americana é introduzida por Gus Dewar, que trabalhará posteriormente no gabinete do Presidente Wilson, e tendo também assim uma visão privilegiada sobre a tomada de decisões políticas referentes ao conflito bélico que se trava na Europa. Com vários amigos espalhados por diferentes territórios, espera conseguir finalmente a paz, valorizando assim o seu presidente e a segurança daqueles que estima. Calejado por amores mal resolvidos, descobre o seu potencial no mundo da diplomacia e pretende desta forma validar a sua existência...até que alguém lhe comprove que vale a pena investir noutros aspectos da sua vida também.

Das várias críticas que li a este livro, positivas e menos boas, tenho que concordar que por vezes Ken Follet deixa-se levar por umas gaffes históricas que poderiam ser de maior senão tivessemos tão envolvidos no resto do enredo. Com o destaque a tantos momentos importantes, e devido à pormenorização que o autor dá a cada momento, é estranho, por exemplo, que tenha deixado de fora a execução do Czar e da sua família, voltando à Rússia já muito depois disso para contar um outro episódio que poderia ter sido dispensado. Por outro lado, há uma constante tentativa do autor de criar ligações, por vezes algo forçadas, entre todas as personagens principais do livro (o que acreditem, acontece diversas vezes).
Ainda assim, esses momentos são suplantados pela dimensão da obra (tanto em carácter literário como em tamanho) e pela riqueza e multiplicidade e dimensionalidade das suas personagens. Gosto especialmente do facto de que fique claro que não existem situações resolvidas em preto no branco, e que todas as pessoas têm uma alma algo negra, o que as coloca em xeque com os seus valores e faz repensar a melhor pessoa do mundo nas suas escolhas. São verdadeiramente retractos de pessoas que sobressaem nesta obra, tornando-a mais pura e interessante. Outro ponto a favor é sem sombra de dúvida a dimensão feminina nesta obra. A presença de várias personagens mulheres com um carácter vincado, assertivo e lutador deixa-me bastante satisfeita e de sorriso na cara, especialmente atendendo a época em questão.

Por fim, e talvez o ponto por onde deveria ter começado, adoro o nome da obra e a capa maravilha, com o contraste do céu cinzento com as papoilas, enunciando a tempestade, algo sangrenta, mas também a beleza da simplicidade humana contra o alcance de algo maior que a sua existência. Adoro, tem o selo do Encruzilhadas Literárias, e esperarei ansiosamente pelo próximo, a ser editado pela Editorial Presença ainda este mês de Setembro (dia 18)- "O Inverno do Mundo".







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 O INVERNO DO MUNDO, de Ken Follet - LANÇAMENTO A 18 DE SETEMBRO DE 2012 - Editorial Presença


Depois do extraordinário êxito de repercussão internacional alcançado pelo primeiro livro desta trilogia, A Queda dos Gigantes, retomamos a história no ponto onde a deixámos. A segunda geração das cinco famílias cujas vidas acompanhámos no primeiro volume assume pouco a pouco o protagonismo, a par de figuras históricas e no contexto das situações reais, desde a ascensão do Terceiro Reich, através da Guerra Civil de Espanha, durante a luta feroz entre os Aliados e as potências do Eixo, o Holocausto, o começo da era atómica inaugurada em Hiroxima e Nagasáqui, até ao início da Guerra Fria. Como no volume anterior, a totalidade do quadro é-nos oferecido como um vasto fresco que evolui a um ritmo de complexidade sempre crescente.



Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.