Convidada a sair

Gostaria de começar o artigo de hoje dizendo que até ao momento [ainda] só fui convidada a sair de um sítio: a estação do Rossio. Porquê? Porque a Cláudia se atrasou e eu estava a pé há já bastante tempo, com um saco pesado em mãos e já não aguentava mais. Tinha de me sentar! 
Imagino que se questionem do porquê de eu ter sido convidada a sair só porque não me aguentava em pé, ora bem, tudo se deu ao facto de, cansada e sem poder aguentar mais um segundo em pé, me ter sentado nos degraus da estação, os ao lado das escadas rolantes. E pelos vistos, caso não saibam fica a informação, é proibido uma pessoa sentar-se nesses degraus, e por isso, o segurança da estação convidou-me a sair. (Podia ter-me dito que existiam bancos no primeiro piso, mas parece-me que a informação não era pertinente.)
Conto-vos esta história porque recentemente me deparei com pessoas que já foram convidadas a sair  de livrarias por estarem a ler no interior das mesmas. Devo confessar que ler em livrarias é dos maiores prazeres que tenho, especialmente quando estou à espera de alguém ou quando tenho o meu dinheiro contado e sei que apenas posso levar um livro de determinado valor comigo.
Em Portugal, a Fnac e a Bertrand tem inclusivamente, assim como a Wook parece-me, sofás para que os seus clientes se possam sentar no interior a ler confortavelmente livros que poderão ou não adquirir. Em Inglaterra a Waterstones tem no seu interior o Costa Coffe (do género Starbucks) e normalmente tem também uma área infantil onde as crianças podem brincar enquanto os pais bebem o seu café e leem os livros que poderão ou não comprar. Imaginam por isso o meu espanto ao saber que pessoas foram expulsas de livrarias por estarem a execer uma actividade que é encorajada pelas grandes cadeias.
Não pertendo defender ninguém nesta questão até porque percebo perfeitamente ambos os lados da mesma. Afinal uma livraria não é uma biblioteca e se eu for comprar um fogão ninguém me deixa usá-lo na loja para fazer uma lasanha a ver se o forno funciona. Por outro lado, se eu efectivamente vou adquirir o livro devia ter direito a ler umas páginas, afinal se for comprar o fogão também vou abrir a porta do mesmo olhar lá para dentro e ver os botões e os bicos. Em ambos os casos até me facilitam a troca se eu mudar de ideias.
Qual é a diferença entre ler um livro na livraria não gostar pousar e escolher outro, ou levar o livro para casa não gostar, tornar à livraria e pedir para trocar porque afinal já se tem um igual? Em qualquer um dos casos os meus direitos de troca estão asegurados.
Será que é tudo uma questão de sorte face ao funcionário que apanhamos de serviço? Será política das empresas? Ou será que há pessoas que simplesmente abusam do seu direito de ler nas livrarias? Que pensam disto Encruzilhados? Ah e já agora, alguma vez foram convidados a sair de algum sítio?


Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre livros e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e diz que é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

Opinião: A Year in the Merde - Um Ano em França, de Stephen Clarke


Edição/reimpressão: 2005
Páginas: 256
Resumo:
Uma sátira sagaz e incisiva à cultura francesa, num livro cintilante, cheio de humor, que se tornou um sucesso literário internacional!
A Year in the Merde relata a hilariante desmistificação dos lugares-comuns com que nos iludimos ao idealizar Paris e a França em geral. Os leitores que têm lido este livro não resistem ao humor que ele irradia. Nem os próprios franceses resistem às «farpas» que o autor lhes lança ironicamente. A história que Stephen Clarke nos conta começa com um jovem britânico, Paul West, que aceita uma proposta de trabalho de um empresário francês, para lançar uma cadeia de salões de chá ingleses. Fascinado pelo lado romântico de trabalhar no país do «charme», apercebe-se rapidamente de como lhe é difícil sobreviver emocionalmente às idiossincrasias dos franceses. Mesmo assim, o nosso herói sucumbe ao pitoresco daqueles tiques tão irritantes! A favor disso jogam a maneira fácil como se pode manobrar por entre a falta de espaço habitacional parisiense, quando a filha do patrão é estudante universitária e sexualmente liberalíssima! Sem esquecer a suavidade da lingerie francesa e o gosto do amour francês que ele irá provando junto das sucessivas namoradas. E já que falamos de gosto, como não se deliciar com a cuisine francesa e outras artes sofisticadas? Quando Paul, literalmente, consegue assentar os pés na terra sem escorregar, descobre o que afinal se esconde por detrás da fachada que o emérito empresário montou, fachada essa da qual Paul acaba por fazer parte... Este é sobretudo um magnífico livro para os que descobrem nele uma outra maneira de olhar o mundo.

Rating: 3,5/5

Comentário:
Meu Deus, o que foi isto? Foi o único pensamento que me ocorreu quando acabei este livro!
Este ano quando estive no Reino Unido falei com uma colega de faculdade da minha irmã que estava a ler o segundo livro desta saga, entre risos e citações a Alannah explicou-me que este livro a estava a fazer rir como nunca tinha rido de outro povo. Os franceses são mesmo doidos, dizia-me sempre que me via e eu sabia que ela estava a fazer progressos na sua leitura.
Entretanto voltei para casa e esqueci-me completamente desta saga até que por acaso ao passar pela biblioteca o encontrei numa prateleira. Divertida pensei para mim mesma que talvez fosse engraçado tentar ler este livro, o que se revelou uma óptima ideia.
Toda a história de Paul tem um cariz sarcástico, desde a sua fácil contratação até à descoberta da sua equipa de  trabalho que quer tudo menos trabalhar. Os inconvenientes que Paul encontra tão diferentes dos que espera e toda a burocracia envolvida na busca de autorizações que ele precisa para obter algo tão simples como o seu visto de trabalho dão aso a gargalhas soltas e genuínas por parte dos leitores que já se viram a mãos com os mesmos trabalhos.
Creio que a minha primeira ligação ao Paul, se não contarmos a aventura que é viver num país estrangeiro, é mesmo o facto de., como ele, ter encontrado "paredes burocráticas" que me soaram irreais e situações que chegaram a marcar a história se não do mundo, pelo menos da minha calma e pacata vida.
Assim como um dia eu descobri os britânicos e os chineses, o Paul partiu em busca dos franceses e nem tudo foi croissants e lingerie mas também nem tudo foi uma merde como o diz o título do livro.
Não vou dizer que o livro é de "descascar a rir" porque não o achei, mas achei que tinha boas tiradas de humor e que efectivamente caracterizava bem os franceses (não todos obviamente) mas os franceses e os seus costumes em geral. Tive inclusivamente a opinião de algumas pessoas que já viveram em França e que  se confessaram solidárias com Paul (quando lhes contei as desventuras deste) pois lembravam-se de ter passado por situações semelhantes.
Infelizmente no meio do seu carris satírico o livro tem também assuntos recorrentes que são um pouco nojentos, como o facto do nosso caro Paul estar sempre a pisar cocó de cão (daí o nome do livro) e de fazer questão de o referir sempre que isso acontece. Chegamos a ter Paul a desesperar com cães que fazem as suas necessidades à porta do seu prédio e de as donas não tratarem de limpar nada.
Temos também uma família portuguesa no livro com a qual o Paul interage. Foi engraçado ver o Paul a tentar dar-se com os portugueses sendo que a personagem com quem mais fala e que até gosta dele, é a matriarca da família que é porteira no prédio onde Paul vive. Nas palavras de Paul a porteira adora-o porque ele é o único que não finge que ela é inexistente e a cumprimenta sempre que a vê. A porteira e a sua família também irão ajudar Paul em algumas situações e foi giro ver a interacção entre eles.
De resto o livro tem um travo que me pareceu um pouco machista com o Paul a dormir com várias raparigas, apesar de se tentar manter fiel (embora sem sucesso) mas não é algo que seja profundamente insuportável e no fundo respeita inclusivamente a personagem britânica que o Paul é.
Um livro satírico que leva umas sólidas 3,5 estrelas.




Vencedores do Passatempo de Natal!


Boa noite caros Encruzilhados! 
Após uma fantástica participação por parte de quem nos segue e lê frequentemente, chegámos aos vencedores do nosso passatempo natalício!
Sem mais demoras deixamos-vos com os onze felizardos que ganharam um mimo extra do Pai Natal este ano:

  • Entrega Total - Joana [...] Lopes Frazão; 
  • Catarina, a Grande -  Ana Andreia [...] Damião;
  • Desistir Não é Opção - Raquel [...] Martins;
  • Um Dia Naquele Inverno - Clarinda [...] Henriques;
  • A Luz entre os Oceanos - Manuela Leitão;
  • Abelha Zena, a Rainha Serena - Marlene Pimenta;
  • Governo Sombra - Nuno [...] Santos;
  • O Diplomata - Dália [...] Antunes;
  • O Primeiro Amor - Daniela Pereira;
  • Princesa Poppy - Surpresa de Natal - Patrícia Dias.

Parabéns a todos os vencedores! Dentro em breve receberão um e-mail a solicitar as vossas moradas para as enviarmos para as editoras.
Quanto à segunda parte do nosso passatempo, e como sabem, tínhamos uma prenda extra para a melhor frase que completasse o nosso desafio "O Natal é...".
Podemos dizer que recebemos respostas inspiradoras, divertidas e tivemos uma grande dificuldade em escolher uma única resposta. Mesmo assim, a reposta vencedora foi a da :
  • Joana [...] Freitas Nunes

Parabéns! Ainda no espírito de partilha do natal gostaríamos de vos revelar o que é o natal para a nossa vencedora. Estas foram as palavras que ela escolheu para ilustrar esta quadra:
[O Natal é...] uma época de amor, alegria e família. O Natal é chocolates, bacalhau e aletria. O Natal é o pinheirinho, as prendas e o sapatinho. O Natal é quente e frio, debaixo do azevinho.
Quanto à prenda vamos fazer surpresa até ao fim. E só quando a vencedora a receber vos vamos revelar o que foi que a mesma ganhou!
Tornamos a agradecer todo o vosso entusiasmo e esperamos ter alegrado um pouco o vosso natal. Desejamos-vos um próspero 2013 cheio de leituras!

Passatempo de Natal - Pack 6 - Publicações Europa-América & Truska

Para o último pack em sorteio no Passatempo de Natal, contámos com a colaboração da Publicações Europa-América e da página Trüska. A Cláudia conheceu o trabalho da Trüska no verão passado e rendeu-se aos trabalhos espectaculares, com uma originalidade totalmente portuguesa que eles inspiram. Surge agora este passatempo para que também a conheçam, porque vale a pena. O marcador para oferta é lindíssimo e existem outras variedades na página que vão mesmo querer espreitar.
O livro em sorteio é Perdida de Mo Hayder e esta colaboração com a Publicações Europa-América resulta de uma nova parceria do Encruzilhadas Literárias, pelo que irão passar a ver informação sobre a editora por aqui. Fiquem atentos. Para já, respondam às perguntas em baixo e sigam todas as regras! As respostas podem ser encontradas aqui. Façam figas e boa sorte!



Já conhecem as regras, mas nunca é demais lembrar:

1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 25 de Dezembro de 2013.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Para concorrer, deverão fazer gosto (que deverá ser público) nas páginas de Facebook de todos os parceiros deste Pack: 
4) Só serão aceites uma participação por pessoa e morada, em todo o território português (Portugal Continental e Ilhas).
5) O/A vencedor/a será sorteado de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail.
6) O Encruzilhadas Literárias e os parceiros não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT nas encomendas enviadas.



Passatempo de Natal - Pack 5 - Design em Branco

Este Pack N.º 5 é diferente dos outros e por causa disso, chamamos já a atenção que este é apenas para quem lê e gosta de ler em inglês. Como sabem, a Catarina está desde o início deste ano a viver em terras de Sua Majestade e descobriu algo fantástico nas bem-ditas lojas de caridade britânicas: 5 livros em segunda mão por 1 libra. Onde é que encontramos algo do género por cá? ;)
Os livros que escolhemos foram Eat, Pray, Love de Elizabeth Gilbert, Public Confessions of a Middle Age Woman, de Suw Townsend e Wrapped up in You de Carole Matthews.

A juntar a estes três livros, surge uma parceria com a página Design em Branco, que é gerida por pessoas extremamente talentosas (comprovámos pessoalmente) e que fazem trabalhos espectaculares. Sendo assim, estará em sorteio um postal ilustrado, seja numa das modalidades apresentadas ou na outra. Na imagem estão exemplos do que poderão escolher se ganharem. O vencedor só terá posteriormente de enviar uma fotografia para a página, dizer qual das versões escolheu, e esperar por receber o seu postal personalizado em casa! Façam figas e boa sorte!










Já conhecem as regras, mas nunca é demais lembrar:

1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 25 de Dezembro de 2013.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Para concorrer, deverão fazer gosto (que deverá ser público) nas páginas de Facebook de todos os parceiros deste Pack: 
4) Só serão aceites uma participação por pessoa e morada, em todo o território português (Portugal Continental e Ilhas).
5) O/A vencedor/a será sorteado de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail.
6) O Encruzilhadas Literárias e os parceiros não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados
    pelos CTT nas encomendas enviadas.



Passatempo de Natal - Pack 4 - Chiado Editora & Pedras do Bosque

Para este quarto Pack do Passatempo de Natal, contámos com o apoio da Chiado Editora e da já conhecida página de artesanato Pedras do Bosque. Em passatempos anteriores já colaborámos com a página e é sempre um prazer oferecer-vos um destes marcadores tão fofinhos (e dizemos isto em primeira mão, já que nós duas temos alguns). Se procuram porta-moedas em tecido, porta-chuchas, os porta-chaves mais amorosos que existem, não podem deixar de ir cuscar as novidades. Respondam às perguntas em baixo e sigam todas as regras! O livro em sorteio é Em Busca da Rosa, de L.A.M. e as respostas podem ser encontradas aqui. Façam figas e boa sorte!



Já conhecem as regras, mas nunca é demais lembrar:

1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 25 de Dezembro de 2013.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Para concorrer, deverão fazer gosto (que deverá ser público) nas páginas de Facebook de todos os parceiros deste Pack: 
4) Só serão aceites uma participação por pessoa e morada, em todo o território português (Portugal Continental e Ilhas).
5) O/A vencedor/a será sorteado de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail.
6) O Encruzilhadas Literárias e os parceiros não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT nas encomendas enviadas.



Passatempo de Natal - Pack 3 - Quinta Essência & Artidar

Para o segundo Pack do Passatempo de Natal, contámos com a colaboração da Quinta Essência e da querida página Artidar. Já devem ter visto o post de divulgação do seu trabalho, tanto no Blog como no Facebook, mas vale a pena passar pela página da Artidar e rever as últimas novidades (e quem sabe, terminar as compras para o Natal). O vosso prémio, para além do livro O Barco Encantado, de Luanne Rice, será um marcador de livro vindo num conjunto semelhante ao que vêem na imagem. Respondam às perguntas em baixo e sigam todas as regras! As respostas podem ser encontradas aqui. Façam figas e boa sorte!



Já conhecem as regras, mas nunca é demais lembrar:

1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 25 de Dezembro de 2013.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Para concorrer, deverão fazer gosto (que deverá ser público) nas páginas de Facebook de todos os parceiros deste Pack: 
4) Só serão aceites uma participação por pessoa e morada, em todo o território português (Portugal Continental e Ilhas).
5) O/A vencedor/a será sorteado de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail.
6) O Encruzilhadas Literárias e os parceiros não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT nas encomendas enviadas.



Passatempo de Natal - Pack 2 - Top Seller & Arte em Cartão

Para este segundo Pack do Passatempo de Natal, tivemos o apoio TopSeller e da Soraia da página Arte em Cartão. Não se esqueçam de passar por lá e aproveitar para comprar aquela carteira em tecido que sempre quiseram, agendas para 2014, estojos, malas, entre muito mais. O item em oferta é uma pequena bolsa que tanto pode servir de estojo como para bolsa de óculos (quem é leitor assíduo, sabe do que falamos). Respondam às perguntas em baixo e sigam todas as regras! O livro em sorteio pela TopSeller é o Liberta-me de J. Kenner e as respostas podem ser encontradas aqui. Façam figas e boa sorte!



Já conhecem as regras, mas nunca é demais lembrar:

1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 25 de Dezembro de 2013.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Para concorrer, deverão fazer gosto (que deverá ser público) nas páginas de Facebook de todos os parceiros deste Pack: 
4) Só serão aceites uma participação por pessoa e morada, em todo o território português (Portugal Continental e Ilhas).
5) O/A vencedor/a será sorteado de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail.
6) O Encruzilhadas Literárias e os parceiros não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT nas encomendas enviadas.



Passatempo de Natal - Pack 1 - Editorial Presença & L. C. Lavado

Aqui está o primeiro de vários packs que temos para oferta este Natal! Para este pack contámos com a colaboração da Editorial Presença e da autora Liliana C. Lavado (cujo livro "Inverno de Sombras", editado pela chancela Marcador, também pode ser comprado através do site da editora). A Editorial Presença está a presentear-vos com dois livros: Oksa Pollock - A Inesperada de Anne Plichota e Cendrine Wolf e com a chega aos cinemas do filme Em Chamas, baseado no livro homónimo de Suzanne Collins, não podíamos deixar passar esta possibilidade de completarem a vossa colecção! Já a Liliana foi uma querida, como sempre, e disponibilizou-vos um saco de pano mais uma caneta com a sua marca pessoal. Devem responder às perguntas em baixo e seguir todas as regras! As respostas podem ser encontradas aqui e aqui. Façam figas e boa sorte!


«Aproveitamos para dizer que podem consultar as restantes novidades da Editorial Presença aqui»


Já conhecem as regras, mas nunca é demais lembrar:

1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 25 de Dezembro de 2013.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Para concorrer, deverão fazer gosto (que deverá ser público) nas páginas de Facebook de todos os parceiros deste Pack: 
4) Só serão aceites uma participação por pessoa e morada, em todo o território português (Portugal Continental e Ilhas).
5) O/A vencedor/a será sorteado de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail.
6) O Encruzilhadas Literárias e os parceiros não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT nas encomendas enviadas.



Livros no sapatinho!

Apesar da minha idade, há algo que não dispenso de fazer todos os anos. Escrever ao Pai Natal. Esta tradição que me acompanha desde criança é perpetuada pela minha mãe que é adepta ferrenha do Natal, e quando digo ferrenha o que eu quero dizer é que a minha mãe começa a ouvir música de natal em Setembro e para de a ouvir em Março quando os seus anos se aproximam e as pessoas já a começam a olhar de lado.
Assim sendo, todos os anos até ao inicio de Novembro tenho de apresentar a minha carta ao Senhor Barbudo (ou neste caso à sua esposa) e podem imaginar o que normalmente lhe peço. Alguém quer tentar adivinhar? Talvez a encruzilhada sentada com o portátil no sofá? Ou o encruzilhado no pc da secretária?
Alguém disse livros? Ding!Ding!Ding! Acabaram de acertar! Creio que falo por todos os livrólicos quando digo que todos gostamos de receber livros no sapatinho. É sempre uma alegria ver os embrulhos rectangulares e imaginar quais os títulos que escolheram para nós, que aventuras nos aguardam, que novos autores vamos descobrir. Infelizmente este embrulhos rectangulares podem esconder alguns desapontamentos, ainda me lembro do dia em que desembrulhei feliz da vida um livro para verificar que era um guia de boas maneiras. Até hoje não sei se a minha mãe me acha profundamente mal educada ou apenas deseja que eu tivesse um pouco mais de classe na minha vida.
São situações chatas, pelo menos para mim, porque literatura "científica" não é de todo do meu agrado. Se eu leio um livro é efectivamente para "fugir" e para conhecer "novos mundos", mundos que jamais conheceria de outra forma. Mas como no dia da Mãe fizemos um artigo sobre os livros a não dar no dia da mãe, desta vez decidimos fazer algo diferente e elaborar uma pequena lista não com os melhores livros a dar no Natal mas com os melhores livros sobre/passados (no) Natal.
E para começar a nossa lista temos o clássico de Charles Dickens, Um Conto de Natal. Apesar de ter sido escrito em 1843, a história do Sr. Scrooge continua bastante actual e este é um dos livros mais adaptados de sempre.
Também com algumas adaptações (lembro-me perfeitamente de ver o Mickey e a Minie a representarem esta história) temos o livro The Gift of the Magi de O. Henry. Escrito em 1905, este livro conta a história de Della que apenas tem $1,87 para comprar uma prenda de natal para o seu amado marido. Decidida que o marido merece mais, Della decide vender a única coisa que tem de preciosa para ganhar mais dinheiro, o seu cabelo, sem saber que noutra parte da cidade, o seu marido também está prestes a abdicar de algo para lhe comprar uma prenda de natal.
Esta é uma história que visa mostrar o quão irrelevantes os presentes de natal são e que esta altura é uma altura de paz e amor, não consumismo. Um livro muito bonito e com uma mensagem poderosa.
A história de How the Grinch Stole Christmas do Dr. Seuss é também dos livros mais aclamados sobre o Natal. Creio que praticamente todos vimos a adaptação cinematográfica onde Jim Carrey faz do verde e peludo Grinch, um personagem que odeia toda a gente e odeia especialmente o Natal. Este é também um conto com bastante ênfase em o Natal sermos nós a fazê-lo e não as luzes e presentes.
Outro livro de natal infantil que apreciei foi Um Natal Real da Disney. Este livro conta com 4 história, cada uma com uma das princesas da capa como personagem principal e retrata experiências giras. Ariel vai experimentar o Natal pela primeira vez em terra, Tiana vai viver o seu primeiro natal como esposa e não sabe bem o que a espera, Aurora sente saudades dos seus natais na floresta com as suas tias e decide fazer um natal o mais parecido com esse no seu palácio, e Cinderella e os seus amigos andam a espalhar magia natalícia pelo ar. Quatro histórias engraçadas que abordam o tema do natal e que sem dúvida farão as delícias dos mais novos.
Outros títulos alusivos a esta quadra e que estão na nossa lista são O Expresso Polar (The Polar Express), também em versão animada com Tom Hanks, no qual um rapaz que deixou de acreditar no Pai Natal é levado numa aventura maravilhosa através de um comboio que viaja directamente até ao Pólo Norte.
Noite de Reis de Trisha Ashley foi o livro de tema natalício que a Cláudia já leu e comentou este ano. Agora está em minha posse mas ainda não lhe peguei, a capa promete mistério, romance e milagres de natal. Como a Cláudia lhe deu 4 estrelas de certeza que não ficarei desapontada.
E para fechar a nossa pequena lista sugiro The Hogfather de Terry Prachett. Uma história cheia de magia e ironia, onde subitamente e devido ao desaparecimento do Hogfather (o Pai Natal), a Morte anda a descer a chaminé, a dizer HOHOHO e a entregar prendas. Susan, uma não muito pacata governante, acha que tudo isto é inadmissível e resolve descobrir o que se passou com o Pai Natal. Antes que se aperceba está numa luta desenfreada contra o tempo e descobre que se não encontrar o Hogfather o sol não tornará a nascer no Discworld. (Uma mini-série foi feita deste livro, tens dois episódios e conta com Michelle Dockery, a Mary de Downton Abbey, no papel de Susan.)
Estas são as nossas sugestões sobre o Natal. Algum encruzilhado tem sugestões para nós? Tanto eu como a Cláudia amamos o Natal, ela talvez mais que eu, e gostamos sempre de ouvir as vossas sugestões.


Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre livros e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e diz que é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

Opinião: Maldito Karma, de David Safier

Maldito Karma
de David Safier
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 280
Editor: Editorial Planeta
Resumo:
A apresentadora de televisão Kim Lange encontra-se no melhor momento da sua carreira, quando sofre um acidente e morre, esmagada pelo urinol de uma estação espacial russa. No Além, Kim dá-se conta de que, ao longo da sua vida, se limitou a acumular mau Karma: enganou o marido, descurou a sua filha e amargurou a vida de todos os que a rodeavam. Descobre então o seu castigo: está num formigueiro, tem duas antenas e seis patas… é uma formiga! 
Kim não tem a mais pequena vontade de continuar a arrastar migalhas de bolos depois de ter passado a vida a evitar os hidratos de carbono. Além disso, não pode permitir que o marido vá afogar as mágoas da sua perda com outra. Só lhe resta, por isso, uma saída: acumular bom Karma, para ascender na escala da reencarnação e voltar a ser humana. Mas o caminho para deixar de ser insecto e se converter num bípede é duro e está pejado de contratempos.

Rating: 4/5

Comentário:
Maldito Karma era um livro que já tinha na minha lista do "para ler" à algum tempo. Por várias vezes eu e a Cláudia andamos atrás dele e por várias vezes ele nos fugiu até que finalmente consegui que ele viesse parar às minhas mãos através de uma troca (na qual a Cláudia me ajudou!).
Apesar de ter vários livros da biblioteca para ler, andava a sentir-me um pouco tristonha por isso decidi usar este livro como receita para me animar, visto que todas as críticas o pintavam como um livro divertido. E efectivamente, as críticas não se enganaram! Composto por uma mensagem bonita e momentos de bom humor Maldito Karma é um livro leve e divertido com um grande coração.
O resumo faz um apanhado muito bom da história e eu tenho de congratular o autor por se lembrar de matar Kim com o urinol de uma estação espacial russa. Quem se lembraria de tal coisa? Rio-me sempre que penso nisso e apesar de ser divertido, não é de todo impossível o que acaba por ser um pouco aterrorizador também.
Todo o processo de transformação de Kim é igualmente divertido e aterrorizador. Há uma frase de um filósofo conhecido que diz que "Quem te um motivo para viver, sobrevive a tudo." e esta é um pouco a situação de Kim. Apesar de já não estar viva, Kim tem um motivo para tentar subir depressa na escala do karma, a não ser que, claro, queria ser uma formiga para o resto da eternidade.
Este motivo "o voltar a ser humana" é o catalizador que a vai fazer crescer e aprender não só com os seus erros, mas também com a convivência que tem com outros animais e outras pessoas que reencarnaram com animais. E enquanto tudo isto se passa, a família de Kim, tenta refazer a vida sem ela, o que deixa Kim bastante furiosa, visto que se considera uma pessoa inesquecível e insubstituível.
Todas as conversas entre Buda e Kim são também muito enbgraçadas e não deixam de ter o seu quê de profundidade e acabam por deixar uma pessoa a pensar se não será mesmo isso que a vida além túmulo nos reserva. Afinal os budistas parecem acreditar que sim e, tal como tantas outras crenças, ainda ninguém voltou dos mortos para nos contar como é exactamente o outro lado, logo tanto quanto sabemos ou estamos todos errados ou alguém poderá estar certo.
Gostaria de destacar que achei que Kim era uma personagem bastante palpável e que parece "real", ou seja, mesmo no início do livro, quando ainda é "diva", Kim tem as suas inseguranças e as suas dúvidas sobre se está a agir bem ou não. Apesar de quebrar um pouco com o cliché da diva, estas dúvidas tornam Kim humana e ajudam-nos a perceber melhor o tipo de personagem (e mulher) que ela é.
Na realidade todas as personagens do livro conta com um role de defeitos e qualidades que as tornam muito humanas e reais. Isto contribui para uma leitura mais fluída do livro e para que acabemos por nos indentificar com algumas das personagens.
A minha única queixa vai para o fim do livro, gostava que se tivesse desenlaçado de outro modo mas isto sou eu, que sou bastante picuinhas com livros e histórias sobre a vida além túmulo e o desapego.
Contas feitas este é um livro que recomendo, pela história, pelas piadas e pela mensagem.

Book Trailer:

Prémio Literário Blogosfera

Bom dia Encruzilhados e Encruzilhadas!
 
Temos novidades! O Encruzilhadas Literárias juntou-se a uma iniciativa levada a cabo pelo Blog Livros e Marcadores, que dará os primeiros passos já em 2013 - Prémio Literário da Blogosfera.
 
Como se sabe, existem vários blogues, existem várias opiniões, muitas vezes até partilhadas por fóruns e grupos no facebook. No entantom, não existia uma participação conjunta mais assumida pelos vários intervenientes da Blogosfera.
 
Desta forma, procurou-se juntar o maior número de interessados em aderir a este projecto, e desta forma premiar, dentro da área da ficcção, o melhor livro do ano (nesta primeira iniciativa, referente aos editados em 2012). Estão a votos vários géneros literários, sendo que poderão contar com premiados nonas categorias do Romance, Romance Erótico, Romance Histórico, Fantástico e Policiais.
 
A primeira edição deste prémio conta com 27 blogues nacionais participantes, que desenvolvem projectos onde promovem e divulgam a sua paixão pela literatura ficcional. Pretende-se desta forma criar uma opinião mais homogénea junto dos leitores, o que ao fim ao cabo, se traduz numa sugestão de leitura mais fundamentada.

Podem aguardar por novidades em breve, ainda assim, acompanhem a evolução do processo através do Blogue do Projecto, assim como da Página do Facebook.


Rubrica: Ler devia ser proibido

"A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido. 
Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Dom Quixote e Madame Bovary.
O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.
Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram.
Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.
Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?
Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.
Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens.
Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.
Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.
Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.
O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlim-pim-pim, a máquina do tempo.
Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?
É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metros, ou no silêncio da alcova. Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.
Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.
Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.
Além disso, a leitura promove a comunicação de dores e alegrias, tantos outros sentimentos. A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.
Ler pode tornar o homem perigosamente humano."
~ Autor desconhecido

Opinião: Rubrica: Memórias de uma Gueixa, de Arthur Golden

Edição/reimpressão: 1999
Páginas: 488
Editor: Editorial Presença
Resumo:
Quioto, anos 30. Sayuri tem olhos cor de espelho e é uma das mais famosas gueixas do Japão. Acompanha cidadãos japoneses abastados, enverga deslumbrantes quimonos de seda mas tem de pagar pela sua própria liberdade até conhecer um danna que a sustente e pague todas as suas despesas. Na sua vida, tal como na de todas as gueixas, não há lugar para o amor, mas Sayuri apaixona-se... Um romance ímpar e contagiante que demorou dez anos a escrever. 
Rating: 4/5
Comentário:
 Os agradecimentos estragaram tudo. Sim, acho que é uma bela forma de começar esta crítica!  
As Memórias de uma Gueixa começaram por ser uma pequena curiosidade desde que me foi falado. Primeiro, porque não sabia o que era uma Gueixa (e só o soube quando comecei a ler) e segundo porque continha uma mulher, lindíssima, na capa! 
Quando abri o livro e li a Nota Introdutória fiquei logo com a certeza de que este livro seria, sem dúvida, adquirido para a minha biblioteca pessoal! Pessoalmente, gosto imenso de livros que retratem a sociedade e a maneira de viver de alguém que, por norma, nunca tenha sido muito valorizado. As Gueixas, sempre foram vistas pelo aspecto e não pelo interior. Os homens nunca chegavam a conhecer verdadeiramente a mulher que se escondia por detrás de tanta maquilhagem (salvo as excepções, ou seja, mulheres que acabavam por deixar a vida de Gueixa para se juntarem com alguém). 
Como tal, era ignorado a quantidade de sofrimento, de suor, de lágrimas, de lutas e de conflitos pessoais que uma Gueixa continha desde que tinha iniciado a sua vida como criada e posteriormente o seu treino de Gueixa para se tornar uma mulher de renome. 
Neste livro, podemos ver como a vida de Sayuri não foi, de longe, uma vida fácil de se viver. Sayuri perde a família enquanto ainda é uma criança e acaba por ser vendida para se tornar Gueixa. Vê todos os seus sonhos a desmoronar e todas as suas esperanças a caírem por um precipício rochoso. 
Este livro dá-nos esperança e força para lutarmos contra tudo e todos, contra o mundo e os céus, sem que haja qualquer tipo de limites, porque não podemos viver uma vida que nos foi escrita e entregue por outrem, mas sim por nós próprios! 
Gostei imenso e aconselho a todos!


Alexandre.
Sobre o nosso convidado:

Alexandre Borges, composto por todas as letras e todos os sonhos do mundo. Gosta de atingir limites e de os ultrapassar. Atravessa mundos com os livros nas mãos e um sorriso na cara. Sites pessoais, já teve muitos, mas estes são os correntes.

Cabaz de Natal - Passatempo


Boa noite Encruzilhados e Encruzilhadas!
Como sabem, o Natal está a chegar e desta forma quisemos mimá-los com uma série de surpresas. Por aqui, não é só o Pai Natal que dá prendas, e algumas editoras, assim como autores, decidiram aliar-se a nós.

Agradecemos desde já o apoio prestado pela Quinta Essência, Lua de Papel, Chiado Editora, Casa das Letras, Porto Editora, Editorial Presença, Civilização Editora, Pastelaria Studios Editora (com o apoio do autor Vasco Ricardo), Booksmile e da autora Maria Eugénia Ponte (com um livro editado pela Lugar da Palavra).

Terão até dia 24 de Dezembro para concorrer ao nosso passatempo, respondendo às perguntas sobre os livros. Como são muitos formulários, decidimos ser facilitadoras e colocar a sinopse directamente no mesmo post de cada livro em sorteio.  ATENÇÃO: Cada livro tem o seu próprio sorteio.

Temos ainda uma pergunta bónus, que contrariamente à selecção dos livros (que serão como sempre seleccionados pelo random.org) será escolhida consoante a resposta que mais gostarmos. Esta pergunta bónus terá atribuidos uns miminhos que não serão revelados para já, mas prometemos que vão gostar. Como vão reparar, a mesma pergunta existe igualmente para todos os passatempos. O que significa que poderão responder a ela mais do que uma vez, sem prejuízo de serem excluídos - apenas para esta pergunta.

Para já, não esperem mais e saltem para os livros em sorteio:



Opinião: O Clã da Loba [A Guerra das Bruxas - Livro 1], de Maite Carranza

Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 328
Resumo:
 Desde que há memória, dois clãs de bruxas, as Omar e as Odish, vivem em permanente conflito, incapazes de conciliar as suas diferenças ancestrais. Apenas uma velha profecia deixa entrever alguma esperança de no futuro a eleita conseguir unir ambas as tribos. E agora todos os sinais confirmam que a chegada dessa eleita está próxima. Quando Anaíd, uma jovem de catorze anos, acorda uma manhã e verifica que a mãe desapareceu, pensa que lhe poderá ter acontecido todo o tipo de coisas, menos que a sua mãe é uma bruxa Omar e considerada por todas aquela de que a profecia fala…
(Podem ler um excerto aqui e consultar o livro no site da editora aqui)

Rating: 3,5/5

Comentário: 
Aqui há uns tempo falei de livros que não nos sabem a nada e de livros que prometem e não cumprem. Volto a falar disso, porque quando peguei neste livro, ele tinha uma frase do estilo "O novo Harry Potter" impressa na capa. Obviamente que a Editorial Presença não manda no Financial Times, nem decide o que os críticos devem ou não dizer mas, aviso que quem for no entanto atrás de um mundo mágico do estilo Potteriano vai ficar desapontado. Não vale a pena perderem o vosso tempo com este livro. No entanto, se procurarem um mundo com magia e com uma visão mais wiccana da mesma, façam o favor de lhe pegar, este é um bom livro para isso.
Com uma visão mais tradicional da magia, dos covens e da idade de transição de "menina para mulher". O Clã da Loba é certamente uma alternativa mais fiel à ideia de bruxas tradicionais (pelo menos à ideia que eu tenho) e que surpreende pela história da origem das bruxas e pelo amor ao feminino.
Esta é uma história de magia, profecia e misticismo onde os homens não tem lugar. A magia é das mulheres, sempre lhes pertenceu e continuará a pertencer. Creio que, e devido à história da origem da magia do inicio, aparecerão alguns feiticeiros mas por enquanto nem vê-los.
Apesar de Anaíd ser um pouco chata como personagem ao início temos de nos lembrar que ela apenas tem catorze anos e que a sua mãe desapareceu do nada. Creio que há medida que cresço que vou tendo um pouco menos de paciência para personagens mais novas e tenho de me re-lembrar que já fui adolescente e que eu também já tive medos e incertas (E a quem minto? Ainda tenho!) e que estas são coisas normais da idade e portanto normais em personagens com esta idade. O caso de Anaíd foi mais complicado porque, maior parte do tempo, ela parece ser mais velha do que aquilo que é e por isso quando uma "birra" surge é sempre um pouco inesperada.
De resto, as personagens que acompanham Anaíd são variadas e temos umas mais divertidas e outras mais misteriosas que contribuem à sua maneira para a criação deste mundo mágico, onde vários clãs de bruxas habitam e esperam a realização de uma profecia que irá decidir se serão as Omar ou as Odish a sobreviverem no nosso mundo.
Quanto a termos da trama em si não foi sempre original mas foi bem desenvolvida com uma ou outra reviravolta curiosa mas, infelizmente, a grande reviravolta não foi de todo inesperada o que também me chateou a meio da leitura, pois a determinada altura já me questionava quando é que finalmente todas as personagens se aperceberiam do mesmo que eu.
No entanto como este é um género que leio muito pode ter sido completamente óbvio para mim mas não tanto para outros leitores. Mesmo assim achei que a história tinha a sua graça e fiquei com um mínimo de curiosidade para acabar a trilogia. Este é um livro que na minha opinião leva umas sólidas 3,5 estrelas.

Opinião: Esmeralda Cor de Rosa, de Carlos Reys

Esmeralda Cor de Rosa
de Carlos Reys 

Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 186
Editora: Papiro Editora

Resumo: Quem tem ideais na vida terá, certamente, um ou mais mentores que como faróis, lhe indicarão rumos certos de rota e escolhos a evitar. Raramente o mentor será um modelo de conduta tão abrangente que se ajuste a todas as facetas da vida. Assim podemos ter mentores no campo da vida familiar, da vocação profissional, da vida artística, da vida amorosa e até na vida religiosa.

O autor, Carlos Reys, adaptou um mentor ficcional, Guilherme Esteves, que o terá inspirado para a vida e que ele escolheu como personagem condutor de uma saga de pessoas que preenchem o tempo que vai do após a Primeira Guerra Mundial até aos nossos dias e cujas existências vão colorir uma cidade portuguesa, banhada por um rio que é fonte de sustento e de evasão de um Portugal oprimido até à libertação do 25 de Abril de 1974.Não sendo um livro histórico o retrato das personagens que o habitam é pelas suas características uma referência da sociedade média de Portugal do século XX.

Rating: 3/5 


Comentário:  Em primeiro lugar, queremos agradecer ao autor Carlos Reys que teve a amabilidade de nos ofertar um exemplar de "Esmeralda Cor de Rosa".
Há muito que não lia um livro de um escritor lusófono e sabe bem regressar a casa. Digo isto porque, embora hoje em dia nos deparemos com traduções fantásticas, a língua mãe é diferente, e independentemente da capacidade e estilo literário de cada autor, existe uma sensibilidade muito própria na Língua Portuguesa que é reconhecida e sentida com um enorme carinho.
Carlos Reys apresenta-nos um livro com uma capa especial. Tem um retracto de sua autoria, e essa mulher grávida é não só uma das primeiras personagens que conhecemos, mas também a definição de um início de uma obra. Li várias críticas que não concordavam plenamente com o título escolhido. A meu ver, poderia ter sido este como qualquer outro, pois todas as personagens são apelativas por igual. Mas é inegável que Esmeralda tem o nome mais exótico de todas, e que merecia destaque, já que ela também sempre sobressaía entre a comunidade onde se movia.
Confesso que não gosto da sinopse. Explica o que é a obra mas torna-se demasiado abstracta, o que pode de alguma forma afugentar alguns leitores de um livro que se lê tão bem e com gosto. Mas ainda assim deixa bem claro aquilo que ele realmente é: uma saga de pessoas que preenchem o tempo e as várias páginas, de momentos que poderiam ter sido reais, de crónicas de uma sociedade portuguesa em mutação mas ainda ligada às tradições e ao que elas representam. E é realmente isso que este pequeno livro representa. Uma crónica social, ainda que ficcionada, que demonstra a história de um país através das pessoas que o compõem, não aprofundando vivências, não contando todos os pormenores de cada uma das pessoas envolvidas no enredo, mas criando uma manta de enlaces. Achei interessante a reviravolta final, quase que calculada desde a primeira página, mas que nem por isso deixou de ter piada. Há personagens que nascem com destinos traçados, e as deste livro sem dúvida que viram o seu delineado antes mesmo de ganharem forma.

Novo arquivo online - Goodreads

 


Bom dia a todos,

Aqui no Encruzilhadas estamos sempre a inovar, e hoje trazemo-vos outra novidade.
Na verdade, e á medida que vamos lendo cada vez mais livros, o nosso arquivo do blog torna-se de difícil consulta, a não ser que se procure algo muito objectivo.

Ora bem, como nós somos praticamente dependentes da aplicação do GoodReads, decidimos criar uma página para o nosso blogue. Desta forma, podem ir às Estantes e procurar mais objectivamente livros por editoras, por pontuação, pelas rubricas dos convidados, pelos livros por cada uma, etc etc.

Aqui fica o endereço, e quem tiver conta no GoodReads, estão à vontade para nos adicionar:

http://www.goodreads.com/user/show/15128312-encruzilhadas-liter-rias

 

Abram as vossas estantes, chegou um novo género literário!

Tal como dizia aqui há uns tempos neste artigo, os géneros literários multiplicam-se à medida que os leitores vão exigindo mais e mais de um determinado tipo de livro. Agora é a equipa do GoodReads que vem confirmar esta minha teoria, dizendo que o género Young Adult poderá ter os dias contados como líder de vendas, agora que um novo género, o New Adult se afirma no mercado.
Apesar de alguns sites afirmarem que o género New Adult já existia, simplesmente ainda não tinha uma designação, a verdade é que a crescente venda destes livros pode ser associada ao facto de os filhos demorarem mais a sair de casa dos pais tendo em conta o panorama económico.
Mas o que é afinal o New Adult? Apesar de ninguém ainda ter 100% de certezas, o género parece envolver personagens entre os 18 e os 23 anos, que podem ou não andar na Universidade, tem imenso sexo e raramente vêem os seus pais. Para mim, a grande diferença entre o Young Adult e o New Adult parece-me a abordagem da temática sexual que, na sua maioria, é praticamente inexistente no Young Adult onde um beijo apaixonado parece ser por vezes o culminar de uma relação (ou o que virá a ser uma relação)
As personagens do estilo New Adult são também mais velhas, tendo em conta que no Young Adult as personagens principais variam entre os 12 e os 18 anos. Assim sendo podemos mesmo dizer que o New Adult veio encher uma quota de mercado que se via cada vez mais sem protagonistas.
Estas personagens acabam também por fazer sentido aos jovens que ainda não saíram de casa dos pais (por estarem a estudar ou outros motivos) e que, apesar de serem adultos e se considerarem adultos, também se sentem ao mesmo tempo parados na sua evolução, pois ainda estão presos ao seu cordão umbilical.
Mas e será que este género vai agradar ao público Young Adult? Já algum dos nossos seguidores leu um livro New Adult? Sabemos que várias editoras norte-americanas fizeram vários apelos a pedir livros New Adult pois consideram que estes serão a próxima grande sensação. A questão é: será que há mercado para New Adult em Portugal visto que mal comercializamos Young Adult (pelo menos como YA)? Deixem-nos a vossa opinião Encruzilhados!



Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre livros e gostas de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e diz que é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

Resultado do Passatempo: "O Tempo dos Milagres"


Bom dia caros Encruzilhados!

E depois de mais um fantástico passatempo com a chancela da Civilização Editora está na altura de revelar o resultado.
Agradecemos a vossa participação que como sempre supera as nossas expectativas, infelizmente só pode haver um vencedor, mas como a Cláudia já anunciou teremos novidades em breve, por isso se ainda não foi desta estejam atentos!
Dito isto, o vencedor é:
 
[58] - Mónica (...) da Silva - Juncal;

Parabéns! Receberá em breve um email para confirmação dos dados submetidos no formulário. Boa terça-feira para todos e boas leituras!

Opinião: Estrada Vermelha, Estrada de Sangue, de Moira Young

Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 336
Resumo:
Estrada Vermelha, Estrada de Sangue é um thriller futurista, uma aventura épica que se passa num período pós-apocalíptico e extremamente violento. Saba, a protagonista, é uma jovem que viveu sempre em Silverlake, numa zona remota, inóspita e quase deserta, até ao dia em que uma tempestade de areia traz consigo um bando de terríveis criminosos que lhe matam o pai e levam consigo Lugh, o irmão gémeo que ela adora. Sozinha com Emmi, a irmã mais nova, Saba vai investir toda a sua coragem e o seu espírito combativo na busca do irmão, numa demanda perigosíssima e empolgante, através de intermináveis extensões desérticas e violentas intempéries, que culminará numa apoteose de pura adrenalina.
(Podem ler um excerto no site da Editora clicando aqui. Para verem o livro no site da editora cliquem no título ou aqui)
 
Rating: 3,5/5

Comentário: 
Assim que comecei a ler Estrada Vermelha, Estrada de Sangue arrependi-me da minha decisão. O texto tinha uma pontuação esquisita e parecia repleto de erros gramaticais e de tradução. Ao fim de dez página senti-me desesperar e pousei o livro sem saber o que fazer ao certo. Era impossível um livro ter saído com tanto erro da editora, por isso, decidi fazer uma pequena pesquisa sobre o livro. Afinal estávamos a falar de um livro que vencera um prémio, ainda para mais, o Costa Children's Book Award.
Depois de uma pequena pesquisa descobri que a Stacey, a review britânica da qual já vos falei, tinha lido o livro e lhe tinha dado 4 estrelas. Como os nossos gostos são parecidos, questionei-me sobre o que se estaria a passar. Quando li a review dela todo o problema da gramática desapareceu, apesar de talvez ser perceptível para maior parte dos leitores, eu não me apercebi que a personagem principal falava com sotaque e que o livro é uma transcrição fiel de tudo aquilo que ela pensa e diz. Quase como se um processador de texto se tivesse ligado por magia ao cérebro da heroína e registasse tudo o que esta pensa.
Quando tornei a pegar no livro, já com isto em mente, descobri que me conseguia adaptar facilmente ao texto e as coisas ao início que me pareciam abomináveis tornaram-se divertidas. Por exemplo, alguém me sabe dizer o que é um "safado auto-convencido"? Apenas mais um regionalismo da personagem creio, como toda uma vasta gama de palavreado que ela usa ao longo da história e que contribuem para uma autenticidade do ambiente.
Apesar de ser classificado como uma leitura distópica, a verdade é que Estrada Vermelha, Estrada de Sangue não segue a imagem da típica distopia controlada pelo governo, e sim algo mais vago, uma simples sociedade futurista onde o caos, mais que um poder regente, impera. Tal como o resumo diz, Saba vive uma vida "feliz" no deserto com a sua família até que um dia tudo muda.
Esta é uma história sobre a amizade e o amor entre irmãos e até onde estamos dispostos a ir para os salvar. Este amor platónico que temos aos nossos irmãos, e que partilhamos com Saba, dá-nos força para fazermos coisas que antes acharíamos impossíveis. Apesar de não ter um irmão gémeo, tenho irmãos mais novos, o que tornou a minha relação com Saba difícil, principalmente devido à maneira como ela trata Emi, a sua irmã mais nova.
Se no início tinha um pouco de receio de encontrar uma relação do estilo Katniss-Prim fiquei destroçada ao ver a maneira horrorosa como a nossa heroína tratava a irmã mais nova. Infelizmente, para mim, em termos de contextualização da história a relação tem os seus motivos de ser e eu tive que aprender a ver Saba da maneira que ela era. Afinal nenhuma personagem é perfeita, tal como as pessoas, e todas tem os seus defeitos e qualidades que as torna únicas.
Apesar de ser um livro cru e frio, não creio que seja muito mais violento que Os Jogos da Fome, poderia mesmo dizer que estão ao mesmo nível. Com uma ou outra situação mais sangrenta mas que continuam a não enojar o leitor. É um livro com muita acção sem dúvida e que, também ao contrário do habitual, não tem capítulos (o que ajuda a formar a ideia de uma acção continua), possui pequenos espaçamentos entre as cenas e está dividido em sete partes, uma para cada zona que Saba visita. Começamos em Silverlake, casa de Saba, e vamos por esse mundo fora.
Na minha opinião este livro é um bom companheiro das horas vagas e um fantástico romance de estreia de Moira Young, que este ano já lançou o segundo volume desta saga (Dust Lands) que espero que seja continuada pela Editorial Presença. Um livro que leva um sólido 3,5 na minha escala.

  • Para verem mais livros distópicos que comentamos cliquem aqui.



Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre livros e gostas de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e diz que é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

Insólito Literário II

Depois do nosso primeiro Insólito Literário tenho hoje de partilhar convosco um segundo. (Começo a achar que as professoras de Língua Portuguesa são as que mais tem para contar.)
Contou-me esta professora que no inicio do semestre pediu aos seus alunos que comprasse os livros obrigatórios, mas um em especial tinha de ser lido até Novembro, altura em que o começariam a estudar.
Como de costume para mais de metade dos alunos a mensagem entrou por um ouvido e saiu por outro. Houve no entanto uma reacção interessante e que merece ser divulgada.
Uma aluna que pediu à mãe para lhe comprar o livro teve de dizer à professora que a mãe se recusara a comprá-lo. Quando questionada do porquê da mãe se recusar a aluna respondeu o seguinte:
- Ontem quando cheguei a casa a minha mãe disse-me "Fui ver quanto custava o livro que pediste. E sabes que mais? Custa 22€! Quantas vezes estás a pensar lê-lo?" e eu respondi "Uma." ao que a minha mãe respondeu "Não vou gastar 22€ para leres o livro apenas uma vez!", por isso professora a minha mãe não me compra o livro...
E daqui que cada um de nós tire as suas conclusões. Embora verdade seja dita que maior parte dos livros que lemos, lemos apenas uma vez...

Opinião: Rubrica: Cidades de Papel, de John Green

Cidades de Papel
de John Green
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 320
Editor: Editorial Presença
Resumo:
Quentin Jacobsen e Margo Roth Spiegelman são vizinhos e amigos de infância, mas há vários anos que não convivem de perto. Agora que se reencontraram, as velhas cumplicidades são reavivadas, e Margot consegue convencer Quentin a segui-la num engenhoso esquema de vingança. Mas Margot, sempre misteriosa, desaparece inesperadamente, deixando a Quentin uma série de elaboradas pistas que ele terá de descodificar se quiser alguma vez voltar a vê-la. Mas quanto mais perto Quentin está de a encontrar, mais se apercebe de que desconhece quem é verdadeiramente a enigmática Margot. Um romance entusiasmante, sobre a liberdade, o amor e o fim da adolescência.

Rating: 4/5

Comentário:
(Review da versão inglesa pois a 1/12/2012 ainda não existia em português)
Paper Towns foi o terceiro livro que li de John Green. Depois de ter lido A Culpa é das Estrelas e À Procura de Alaska, não podia deixar de ler todo o reportório deste autor fantástico.
Quando vi que a história rodava de novo à volta de um rapaz que se apaixona pela rapariga, percebi que Green não foge muitos ao tema nos seus livros. No entanto pelo título fiquei bastante curiosa para saber o que eram ao certo estas “paper towns”.
A personagem mais forte e a minha preferida deste livro é sem dúvida a rapariga, a enigmática Margo Roth Spiegelmen (apesar de a sua personalidade ser parecida em alguns aspectos com Alaska para quem já leu À Procura de Alaska), com o seu carácter aventuroso, despreocupado e carismático, que tem sempre algo em mente que não conseguimos bem compreender. Ela é o amor de Quentin Jacobsen, um rapaz simples e pouco popular, que Margo ignora desde os seus momentos de infância.
A parte que me fez gostar mais deste livro é o início, quando Margo entra pela janela do quarto do surpreendido Quentin, e o leva numa aventura genial pela noite dentro, feita de partidas hilariantes, com o objectivo de vingança aos seus “melhores” amigos.
A nossa curiosidade começa a crescer quando no dia seguinte Margo desaparece sem aparente rasto, deixando Quentin desesperado por encontrá-la.
O resto do livro vai centra-se numa “road trip”, em busca de Margo, com base numa série de pistas que Quentin acredita terem-lhe sido deixadas pela sua amada. Sempre na companhia dos seus dois melhores amigos, Ben e Radar, a viagem toma um caminho divertido, sempre com piadas cómicas por parte de Ben, outra das minhas personagens favoritas. À medida que se aproximam de Margo o conceito de “paper towns” vai tomando o seu sentido e faz-nos até refletir sobre a nossa vida real.
No entanto, na minha opinião esta viagem começa muito bem, mas acaba por se tornar um pouco aborrecida, quando parece que poucos avanços se passam e a busca de Margo não passa apena das lamúrias de Q, sobre o facto de achar que nunca mais vai encontrá-la.
No geral gostei do livro, especialmente por toda a criatividade que Green mete no conceito de “paper towns”, mas confesso que, sendo um livro deste autor, estava à espera de mais, especialmente o final, que sem revelar o que acontece, soube-me a pouco.


Soffs
Sobre a nossa convidada:

Sofs, sonhadora compulsiva, gosta de viajar por mundos novos através dos livros. Aspirante jornalista. Tem o estranho gosto pelo cheiro das páginas de um livro. Não sai de casa sem as suas leituras na mala.