Cirandar por livrarias e bibliotecas - O dilema das estantes e dos géneros literários

Não sei quanto a vocês mas vou cometer o sacrilégio (pelo menos para alguns) de dizer o seguinte: ir a livrarias às vezes enerva-me! E em igual medida também a bibliotecas.

 

Passo-me a explicar: Quando era mais nova percorria qualquer um destes espaços de forma aleatória, à procura de um livro escondindo que nem sabia que procurava. Esperava por uma capa que me chamasse a atenção, uma sinopse que conseguisse aguçar a curiosidade. Mas à medida que o tempo foi passando começei a interessar-me por géneros, a criar interesses por um ou outro livro que ficava para adquirir no futuro, a querer saber que novidades editoriais enchiam as prateleiras de determinado género literário.

E isto é tudo muito bonito mas eu não me entendo cada vez que procuro um livro porquem adivinhem, de livraria para livraria, ele está alojado num diferente segmento literário! Já perdi a conta a todas as vezes que queria um livro que tanto aparece em fantasia como em ficção científica. Livros como a trilogia de "Os Jogos da Fome" aparecem na área dos livros juvenis, mas outros do mesmo género aparecem no segmento de literatura fantástica para adultos; um que é romance numa livraria é thriller para outra, e isto continua até mais não! Já nas bibliotecas nem me dou ao luxo de procurar. Aqui há tempos achei o primeiro volume de uma trilogia na seçção juvenil e o segundo nos livros de ficção para a adultos....que ficava duas salas ao lado. De forma que ou vagueio sem destino, ou trago a cota do livro e peço ajuda ao funcionário mais próximo (e aqui nem tanto por não saber interpretá-los mas porque nem todos os livros estão disponíveis mas prateleiras, mas também ficam no acervo). Ou adopto o modo comodista de já ter as reservas antecipadamente confirmadas pela Internet e de levantar na recepção. E por muito pragmático que seja, eu até gosto de passear pelos corredores das bibliotecas e deixar-me ceder por decisões impulsivas que resultam na requisição de 4 ou 5 livros.





Não é que esta seja uma situação nova, mas acho que me tornei mais consciente sobre estas questões quando me comecei a frustrar com a procura de livros de Geografia (e desculpem-me, mas quando eu entro numa Fnac e vejo duas estantes de livros de auto-ajuda e uma secção com 3 livros - TRÊS . numa prateleira de ciências sociais a dizer Geografia fico passada com a falta de sensibilidade. Até hoje ainda não me convenci se é pela minha área de formação ser multidisciplinar ao ponto de se espalhar por várias temáticas, se também as livrarias acham que "não serve para nada" e não existe interesse em diferenciá-la.) Depois disso, acho que me tornei muito mais comichosa, mas não vou pedir desculpa por isso. O único sítio onde não me importo de procurar sem fazer caso desses assuntos é a Feira do Livro, porque tecnicamente os livros nem são separados dessa forma nos vários stands.


Claro que nem todos os estabelecimentos são confusos nessa estruturação (que não digo que deva ser perfeita ou a certa, mas que permita uma leitura imediata e uma pesquisa facilitada), ainda recentemente entrei na Bertrand do Cascaisshopping e adorei a arrumação do espaço. Aliás, em quase todas as Bertrands a que fui existe essa organização pragmática que nos facilita as pesquisas por estantes e a procura daquele exemplar tão pretendido. 


Haverão mais por aí certamente, mas não as conheço a todas. E a vocês, qual foi a livraria mais confusa a que foram, e porquê?


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.



2 leitores reagiram:

  1. O que mais me enerva é ver livros de literatura de autores consagrados à mistura com autores conhecidos da TV sem a mínima qualidade. Pior: pedir livros de literatura e ver os empregados a apontarem para um monte de livros das loja onde todos se encontram amontoados. Quando fiz o mestrado saía, invariavelmente, de cabelos em pé das ditas lojas ( não lhes posso chamar livrarias.
    Por outro lado, quando procuro livros de jardinagem e de trabalhos manuais constato que em português são muitíssimo mais caros do que em inglês.
    Bom fim de semana e boas leituras.

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  2. nunca reparei mt nessas coisas. Uma boa parte dos livros que se vendem hoje em dia são dificeis de classificar.
    Uma vez na Fnac online reparei que o Orlando da Virginia Woolf estava na parte das biografias. É certo que por cá tem o titulo de Orlando-uma biografia ( possivelmente porque ao contrário da literatura inglesa não existe mt tradição de dar o nome do personagem ao livro) mas aquilo é ficção, embora seja um pouco inspirado numa amiga de Woolf, mas não chega a ser uma biografia. PAra mim isto só demonstra a profunda ignorância de quem organiza a página da Fnac.

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