Opinião: Um Lugar Dentro de Nós, de Gonçalo Cadilhe

Um Lugar Dentro de Nós
de Gonçalo Cadlhe
Edição/reimpressão: 2012

Páginas:176
Editor: Clube do Autor
Resumo: Gonçalo Cadilhe é o autor deste livro e desta nota biográfica. Sou eu, portanto. Viajar pelo mundo e escrever sobre ele é a minha profissão. Sou um trabalhador dedicado e assíduo e em vinte anos nunca faltei um dia ao emprego. Tenho mais de 40 anos e amo Portugal — de preferência de longe e explicado a estrangeiros. Acredito no comboio, na bicicleta, no barco, na conversa, no copo de vinho e em outros meios de transporte que levam longe mas não têm pressa de chegar.
Nasci e cresci na Figueira da Foz, onde ainda vivo com a minha mulher e o meu filho. Dito desta maneira, parece que nunca saí da minha cidade. Não é verdade, mas mesmo que fosse bastavam algumas das reflexões que deixo neste livro para que me sentisse plenamente feliz com as viagens que nunca fiz.

Rating: 4/5 

Comentário: 
Existem várias formas de viajar, de sonhar acordado, de transpor barreiras inimagináveis através unicamente da vontade de fazer mais, da fome de mundo e de variedade. Existem diferentes formas de alcançar o sonho adormecido e de procurar a realização pessoal. E existem os mesmos lugares, que nos despertam de forma diferente, que nos levam a querer saber mais com curiosidade por questões diversas, que nos fazem ir em diante. Mas no fundo, por mais mundos e gentes que alcancemos, aquele que realmente descobrimos é só nosso e intransmissível. Em parte, este é também o mote que vem na capa deste livro: "Não importa onde a viagem te leva mas sim o que ela faz de ti".

Este não é um livro para se ler de seguida. Cada capítulo, cada fotografia valem só por si, e exigem portanto um período de reflexão - que vai muito além do acto de viajar, passando pela própria existência e pela vida em geral.  Que ao fim ao cabo, é a nossa primeira e última grande viagem. Percorre vários lugares, várias pessoas, vários elementos temporais também. Tem ainda umas imagens espectaculares no fim, que apelam definitivamente a voarmos para fora do quotidiano e a pensar no que é que gostaríamos de fazer diferente, que desafios temos de impor a nós próprios e o que procurar na eminência de um obstáculo.

No entanto, e dada essa natureza, a utilização de um discurso na segunda pessoa do singular torna-se algo invasiva, não criando a pretensão de proximidade e familiaridades que se pretendia.

De todos os livros de Gonçalho Cadilhe, este é sem dúvida o mais diferente, que coloca em análise os preâmbulos de um certo pensamento filosófico, sem realmente o ser. Merece ser lido, sem sombra de dúvida.

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

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