Opinião: A Confissão da Parteira, de Diane Chamberlain

    
A Confissão da Parteira

de Diane Chamberlain
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 392
Editor: Editorial Presença

Resumo: Quando Noelle, uma mulher dedicada, vibrante e querida por todos, decide pôr termo à vida, a pequena cidade de Wilmington, na Carolina do Norte, fica em estado de choque. A única pista para o sucedido é uma estranha carta que Tara e Emerson, duas das suas melhores amigas, encontram um dia em sua casa. À medida que um segredo de contornos dramáticos começa a ser desvendado, tudo o que sabem sobre Noelle terá de ser reavaliado à luz de uma nova perspetiva - de traição e engano, mas também de amor, compaixão e esperança.

Uma mentira salvará uma família. A verdade destruirá outra. Qual das duas escolheria?

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Rating: 3.75/5 

Comentário:
Este livro deixou-me bem curiosa pela sinopse. Não adianta muito, para não dizer que não adianta nada, contrariamente ao que é habitual. Aliás, já muitos nos deparámos com livros em que a história toda é praticamente revelada numa sinopse mal redigida. Nesta novidade trazida pela Editorial Presença acontece-nos exactamente o oposto. Existe uma ideia, aloja-se uma semente suspeita sobre a temática, mas nada nos garante que é esse o núcleo do enredo (e já me explicarei em diante para os mais confusos).
Antes sequer de abrir a primeira página e debruçar-me sobre ela, apaixonei-me exactamente pela capa. É tão ternurenta que derrete qualquer pessoa e só apetece embalar (tornando-se uma tentação para quem está apenas a ponderar trazê-lo para casa)!
O enredo é uma surpresa; e Diane Chamberlain consegue mesmo trocar-nos as voltas. Na verdade, julguei a determinada altura ter descoberto o mistério, mas logo nas primeiras páginas é-nos denunciado que nada é exactamente o que parece. Um pouco como a própria vida, já que nos faz pensar até que ponto nos conhecemos realmente uns aos outros, até que ponto os que nos são próximos são tão transparentes como julgamos, e até que ponto aceitamos que a verdade por vezes é mais crua que a imagem fantaziada que temos de nós próprios e dos outros. A autora coloca-nos a pensar nestas questões à medida que as suas personagens se deparam com uma série de acontecimentos inesperados, autênticas reviravoltas e momentos dramáticos que nos levam a questionar a determinada altura o que mais lhes falta acontecer.
Este é para mim um dos pontos mais fragilizados da obra. Acho que foi criado um puzzle bastante interessante que entrecruza as várias realidades contadas,e nos desafia a tentar descobrir o grande segredo escondido. No entanto, a sucessão bastante rápida dos vários pontos de vista e dos seus dramas pessoais por vezes nem nos permite assimilar a fundo (e nem às personagens, pelo seguimento do enredo) a dimensão real do conjunto. Muitas vezes (e há que não esquecer o curto espaço de tempo que contempla a narrativa) logo a seguir ao levantar de uma ponta do véu, segue-se um momento ainda mais dramático. O que em última instância fez-me criar algum distanciamento das personagens (e acho que este é o principal elemento diferencial entre a autora e a Jodi Picoult - para quem se pergunta porque refiro esta autora, resulta da sugestão promocional que o livro é apropriado para fãs da Jodi, o que até comprovo. Embora com a Jodi a ligação emocional às personagens seja mais sentida). Por esse motivo, dei por mim a pensar em algumas alturas que ficaríamos a conhecer a fundo a forma como cada uma destas mulheres estava a reagir aos obstáculos que surgiam, mas que nunca chegaríamos a conhecer nenhuma delas.
Ainda assim, Diane Chamberlain foi bastante inteligente na construção da narrativa, e na composição fluída do discurso. Na verdade, ainda vai mais longe no que diz respeito aos pontos de vista das personagens. Não é a primeira vez que nos deparamos com um livro assim, mas uma leitura mais atenta repara nas diferenciações de discurso de personagem para personagem, nas interjeições linguísticas de Grace por exemplo, que enquanto adolescente tem a maturidade apropriada para a idade e que se ouve do lado de cá. O livro é realmente das personagens, e não da autora. E são essas mesmas personagens o ponto forte desta narrativa, onde o feminino predomina, onde os seus sonhos e vigências ditam o desenrolar da história, seja qual for a sua idade. Cada uma com força sobrenatural dentro de si, Tara, Emerson e Grace (filha de Tara) irão narrar-nos as várias camadas de uma história baralhada em segredos e traições. Para finalizar, gostaría de ter tido também presente a voz de Jenny (filha de Emerson), que à semelhança da amiga tem um papel importante para o desenrolar da acção.
Foi uma boa estreia com a autora. Aconselho para quem gosta de romances contemporâneos, com um ligeiro toque de mistério.


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

4 leitores reagiram:

  1. Estou super curiosa com este livro e agora ainda fiquei mais!
    Bom fim-de-semana e boas leituras!
    Teresa Carvalho

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  2. Esta review esta' excelente!
    Dir-se-ia q a Claudia captou a "alma" do livro!...

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  3. Ola Claudia.
    Como somos ambas apreciadoras de romances com personagens complexas e interessantes, gostava de te transmitir um novo titulo tb lancado pela Presenca q talvez te agrade: "no canto mais escuro" de Elisabeth Haynes
    E' tb um page turner viciante q mostra como por vezes a fronteira entre o amor e odio pode ser fina e flexivel e,... Nao digo mais nada! Hehe

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