Opinião: Incarceron, de Catherine Fisher

 
Incarceron
de Catherine Fisher
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 336
Editora: Porto Editora

Resumo: Imagine uma prisão tão vasta que abrange masmorras, galerias, bosques de metal, mares e cidades em ruínas.
Imagine um prisioneiro sem memórias mas que nega pertencer àquele lugar, mesmo sabendo que a prisão se encontra selada há séculos e que apenas um homem conseguiu escapar.
Imagine uma rapariga condenada a um casamento de conveniência e a viver numa sociedade futurista, vigiada por um sistema sofisticado de inteligência artificial mas concebida à semelhança de um cenário do século XVII.
INCARCERON é a prisão viva que observa tudo o que se passa dentro dos seus muros. Finn é o prisioneiro e Claudia a filha do guardião da prisão, que vive num mundo exterior onde pouco se conhece sobre INCARCERON.
Ao encontrarem uma chave de cristal que lhes permitirá comunicar, os dois engendram um plano de fuga numa corrida contra o tempo. Mas INCARCERON vigia-os e a evasão exigirá mais coragem e tornar-se-á mais difícil do que pensam.

Rating: 3/5

Comentário: Incarceron foi um daqueles livros que quis ler, mesmo sem saber ao certo do que é que tratava. Sabia que se enquadrava em young-adult e a capa e título eram sugestivos. De forma que só quando o tive em mãos é que fui realmente ler a sinopse. Fiquei surpreendida pelo facto de uma das protagonistas ter o meu nome (eu sei , egocêntrico, mas nunca tinha acontecido e tem a sua piada). 
Incarceron leva-nos para um mundo novo, estranho, e de carácter inovador. São-nos apresentados dois universos, no interior e no exterior da prisão, que por sua vez também é muito peculiar.
No Exterior, vive-se um mundo estranho, onde os elementos pontuais de tecnologia muito mais modernos que os que conhecemos são obscuros e subterfúgios para escapar ao Protoclo, que impôs à sociedade viver segundo regras de um tempo passado. A conjugação dos dois elementos temporais cria uma dimensão interessante, que nos faz querer saber mais sobre o início do processo. No Exterior vive Claudia, que tem uma relação algo complicada com o pai, o governador da tão famosa Prisão. Destinada a casar com o herdeiro do trono, a rapariga vive vários períodos de consternação, mas será certamente a ida para a corte e as intrigas reais que irão provocar mudanças na sua forma de estar.

No seu Interior, um projecto que foi vendido como perfeito está corrompido, danificado pelo tempo e  por gerações de prisioneiros que vivem em condições miseraveis e que muitas vezes não têm o que comer. Mas se pensam tratar-se de uma prisão comum, habitual a tantas outras, estão muito enganados. O espaço estranho, mítico, que todos reconhecem existir mesmo não sabendo como e onde é um universo, cheio de mundos, materiais, formas de estar, regras que nem todos conhecem. Finn e o pequeno grupo que o acompanham passarão por várias descobertas ao longo deste percurso. 
A Prisão, por sua vez, sendo supostamente um orgão estático, um edificio fortificado, é muito mais do que isso. Com a sua existência ganhou vida, vigia os cada um dos prisioneiros, conheces-lhes os medos e pesadelos e joga com esse factor para os ver vergar, serem nada mais do que vermes abandonados à sua mercê.
Incarceron é desafiante e original dentro do género, ainda assim gostava de ter visto explorados alguns aspectos. Para começar, não sou muito fã do seguimento final que a autora atribuiu ao enredo e à ligação entre os dois espaços relatados. A dinâmica das personagens ficou algo a perder, segundo me parece, e podia ter sido trabalhada de diferente forma. Já o restante enredo deixou muitos buracos na história, pontos que nos fazem questionar e para os quais não temos resposta. Ainda assim, e sendo o primeiro livro de uma trilogia, encarei o tom do seu discurso como um texto introdutório às aventuras que se adivinharão. E estarei cá para lê-las! 




Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

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