Opinião: Anna e o Beijo Francês, de Stephanie Perkins

 
Anna e o Beijo Francês
de Stephanie Perkins
 
Edição/reimpressão: 2013
Páginas:288
Editora: Quinta Essência




Resumo:

Anna Oliphant tem grandes planos para o seu último ano em Atlanta: sair com a melhor amiga, Bridgette, e namoriscar com um colega no cinema onde trabalha. Por conseguinte, não fica muito contente quando o pai a envia para um colégio interno em Paris. As coisas começam a melhorar quando ela conhece Étienne St. Clair, um rapaz deslumbrante - que tem namorada. Ele e Anna tornam-se grandes amigos e as coisas ficam infinitamente mais complicadas. Irá Anna conseguir um beijo francês? Ou algumas coisas não estão destinadas a acontecer?

Opinião da Cláudia:
Ranting - 4,5/ 5

Há livros que demoram a despertarem-nos a atenção, e Anna e o Beijo Francês foi um deles (talvez por causa do nome). Já o conhecia, mas nunca me tinha interessado, até ter saído a edição portuguesa da Quinta Essência e ter ido ler melhor a sinopse. É caso para dizer que o terminei em menos de 24 horas.
Na segunda passada, os precalços dos serviços públicos portugueses obrigaram-me a uma espera inesperada de duas horas por Lisboa até à finalização de um serviço. Valeu-me este miminho estar dentro da mala, já que só metade do mesmo foi lido sôfregamente.
Acho que existia um receio inicial de que o discurso fosse demasiado juvenil. Não quer dizer que não leia livros dessa natureza, mas talvez exactamente por já ter lido tantos, pretendia algo diferente. E foi o que este livro se revelou.
Antes de entrar na narrativa em si, há que descrever os cenários exteriores. Estive em Paris há mais de 10 anos, pelo que Stephanie Perkins levou-me a revisitar vários lugares pelos quais me encantei e que gostava de voltar a ver. Desde os passeios largos cheios de vida artística junto ao Sena, à Catedral de Notre Dame, ao Ponto Zero de Paris, onde tantas vezes Anna e Étienne pedirão os seus desejos (e também eu pedi os meus).
Sem querer assoberbar-nos de pormenores e história, a autora faz-nos sentir em Paris, provando a gastronomia local, assimilando as texturas visuais, marcando com as sonoridades da língua francesa, num quadro conjunto que nos leva a viajar sem sair do lugar.

                                 in http://viverparis.blogspot.pt/2009/01/ponto-zero-de-paris.html

Quanto à temática principal, esta história começa quando Anna se vê literalmente arrastada pelos pais para ir viver em Paris, num colégio interno. Não sei porque é que as personagens nas histórias se mostram sempre tão contra estes estabelecimentos, porque ao longos dos anos vim a apaixonar-me por eles e acho que ainda hoje fico com pena de não ter estudado num (estranho, eu sei). No entanto, o colégio não é nada do que ela esperava. Para além de uma menor dimensão, de uma fácil ligação entre professores e alunos, de um serviço que por pouco não se assemelha a um hotel (pelo menos segundo a sua visão, habituada aos padrões das escolas públicas americanas), este revela-se um mundo de descobertas, onde não só as suas capacidades estarão sempre a ser desafiadas (e é quando saímos da zona de conforto que acabamos por crescer e evoluir) como Anna terá a oportunidade de aprender que é muito mais do que julgava. 
Naturalmente com medos e receios adequados a uma mudança drástica, Anna ver-se-á facilmente acolhida por um grupo de amigos que a farão sentir em casa em qualquer lugar, e ver que no fundo, o coração tem espaço para as novas e as velhas amizades. É uma menina doce a precisar de crescer e alargar os seus horizontes, e irá encontrar meios para fazê-lo nesta nova realidade. 
Claramente, uma experiência tão rica nunca nos deixa igual ao ponto de partida, pelo que não será apenas Anna a adaptar-se, como também os que a rodeiam ou com quem ela tem relações mais próximas. E são esses novos extractos de relações passadas e presentes que mais contribuem para o sucesso desta história.
Para ser sincera, e sem revelar demasiado, histórias de amor são o que não faltam no mercado. O ponto de viragem neste livro é que nos faz também a nós regressar à primeira vez que nos apaixonámos: a explorar os sintomas, a rever acontecimentos, a sorrir com lembranças que hoje são doces mas que anteriormente nos colocaram o coração às tiras. A sensação de antecipação de um momento esperado, da necessidade de validar um amor como correspondido, da possibilidade de vencer a barreira dos constrangimentos, do desejo reprimido e acima de tudo, da paixão a florescer, são os factores fortes que a autora nos traz. 
Este livro é como reabrir um baú de memórias, e relembrar a doçura que antecede o primeiro amor, o primeiro beijo, e mais do que isso, a concretização de um sonho há muito guardado dentro de nós.
É um miminho que derreterá corações, e que aconselho a qualquer pessoa que goste de romance (mesmo as que não se pelam por exageros - já que eu também não gosto).

Opinião da Ki: 
Rating - 4/5
Escrito na primeira pessoa, seguimos Anna, uma jovem americana que vai estudar para Paris.
Como também estudei no estrangeiro, consegui identificar-me rapidamente com os sentimentos de saudade e ao mesmo tempo de curiosidade que invadem uma pessoa quando tomamos consciência que vamos ter de viver numa cidade diferente.
A história andou a bom passo e acho que a Anna é uma personagem bem construída e uma das principais causas disso é a sua obsessão por limpezas e o facto de ambientes sujos a fazerem sentir mal. É algo que não é comum as personagens terem mas que é bastante real, eu tenho uma conhecida assim que consegue ser ainda pior que a Anna visto que arruma na casa dela e fora da casa dela. De qualquer modo, os medos de Anna e as suas peculiaridades tornam-na humana e criam uma personagem com a qual é fácil criar empatia.
O mesmo se pode dizer dos novos colegas de Anna. St. Clair é um rapaz divertido mas prestável, Merth é a artista e a simpática vizinha, o casal de namorados, Ramish e Josh, discutem por vezes mas acabam sempre por fazer as pazes. Apesar de Anna estar num colégio e se sentir um pouco dessa atmosfera, não deixa de estar no secundário e há emoções a fervilhar por todo o lado quer nos corredores da escola, quer nas ruas de Paris.
Ultimamente tenho apanhado muitas críticas sobre personagens odiáveis e compreendo perfeitamente que se um personagem não está bem construído ou mesmo estando se não conseguimos criar empatia com ele é extremamente difícil conseguir apreciar a história. No caso de Anna no entanto, creio que qualidades e defeitos foram generosamente balançados e é possível apreciar a trama da história,
A trama em si poderá não ser nada de novo, mas já alguém dizia há uns tempos que já não existem histórias originais, apenas bons contadores de histórias e Stephanie Perkins revela-se como sendo uma fantástica contadora de histórias.
Além de Anna e o Beijo Francês, é também autora do livro Lola and the boy next door, traduzido à letra por Lola e o rapaz da porta ao lado, um livro que se passa no mesmo universo de Anna apesar de não ser focado nas mesmas personagens e já tem agendado um terceiro livro, também do universo de Anna, chamado Isla and the happily ever after, traduzido por Isla e o Felizes para sempre.
Anna e o Beijo Francês é o livro que andou de boca em boca e tem tirado críticas de cinco estrelas da boca de maior parte dos jovens, chegando a ter no GoodReads uma classificação de 4,28 estrelas com quase 25mil votos, o que sem dúvida quer dizer algo.

BookTrailer:

4 leitores reagiram:

  1. Vou lê-lo no Verãaaaao! ^.^ mal posso esperar! :P

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  2. É muito giro Mafi! Vais gostar! Anda a enlouquecer as raparigas por todo o lado :D

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  3. Já o li ^.^

    Bem até a meio estava ali a engonhar, não estava a gostar muito e já estava a ver a minha vida a andar para trás...! :p

    Mas depois a leitura agarrou-me de um momento para o outro e devorei-o até ao fim! Amei amei amei a história da Anna e do St. Clair ^^

    Agora quero ler o outro da autora ;)

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