Livros Banidos: Edição 2013

Como já é hábito no Encruzilhadas Literárias, durante a semana dos Livros Banidos, gostamos de vos falar de alguns dos títulos banidos e das razões que os levaram a ser banidos. 
Este ano encontrei uma lista dos Livros Mais Banidos na América e tenho a dizer Encruzilhados que alguns destes títulos são capazes de vos surpreender.
Títulos como Harry Potter e O Diário de Anne Frank não são novidades nesta lista mas tenho a confessar-vos que ver O Capuchinho Vermelho na lista me apanhou de surpresa assim como o motivo que o levou a ser banido.
Convém esclarecer que não falamos de todas as versões desta história mas sim da versão de Trina Schart Hyman e o motivo que levou a sua versão a ser banida é a garrafa de vinho que na imagem se pode ver a sair do texto da Capuchinho. Sempre me pareceu que a história do Capuchinho Vermelho podia ser amplamente discutida devido a todos os seus significados e ao terror que inspira em certas crianças e quando vi a história na lista pensei que algum dos pais a tivesse achado demasiado assustadora. Mas neste caso em particular a associação de escolas de Culver City viu a o livro a única coisa que viu foi a mensagem que o "álcool é gostoso", visto não só ser mostrado no cesto como, no interior da história, a Avózinha beber a garrafa e ficar corada.
Outro livro que aparece na lista e me fez levantar o sobrolho foi "Onde Está o Wally?". Imaginam o porquê deste livro ter sido banido de Nova York e do Texas, Encruzilhados? Tendo em conta que o livro não tem história, fiquei curiosa sobre qual seria a alegação contra o mesmo. Parece, Encruzilhados, que numa das páginas do livro, perto dos cantos, uma senhora de biquini está a experienciar um problema com o mesmo e um dos seus seios está à vista.
Por outro lado, Hansel e Gretel foi banido em 1992 devido à petição de duas bruxas que declararam que o mesmo dava uma má imagem às bruxas em geral. Tarzan foi bandio por "cohabitar nas árvores com Jane" antes de os mesmos casarem. Mesmo após o autor ter esclarecido que o pai de Jane tinha celebrado uma cerimónia de casamento entre os dois, o livro continuou banido pois não existiam provas que o pai de Jane tivesse as qualificações necessárias para realizar a cerimónia.
A Teia de Carlota foi banida por ter animais falantes, algo que só podia ser obra do demónio e A Noite de Reis de Shakespeare foi banida por não ter piada alguma e "dar ideias aos jovens sobre estilos de vida alternativos".
Estas são algumas das razões pelas quais o Encruzilhadas Literárias está com os banidos. Não pretendemos dizer que todos os livros banidos são geniais, apenas defendemos que todas as pessoas os devem poder ler se assim o desejarem. Porque um livro banido é um livro que é retirado das bibliotecas e é um livro que irá lentamente desaparecer das mãos dos leitores.


Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre coisas e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

2 leitores reagiram:

  1. Ás vezes acontece o contrário com alguns livros: quanto mais se proíbe, mais as pessoas leem. Já proibiram Jodi Picoult, os pilares da Terra, o visto do céu, o huckleberry finn...Mas creio que tais proibições se referem a bibliotecas escolares e não no geral...De resto, é obviamente um crime e uma hipocrisia.

    cumps

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  2. Olá Sara,

    Sim, na maior parte das vezes as proibições só afectam as bibliotecas escolares mas temos de pensar que há crianças que apenas tem acesso às bibliotecas escolares. Seja porque os pais não tem o hábito da leitura, por as mesmas serem longe de casa ou apenas por comodidade há crianças que só podem requisitar livros nas escolas. Assim sendo, banir um livro mesmo que seja só nas bibliotecas escolares é realmente um crime e uma hipocrisia. A minha mãe sempre me disse que "se eu não gostasse do livro, havia quem gostasse senão o mesmo não teria sido impresso". A questão aqui é saber que há coisas que são ridiculamente levadas ao extremo, era a mesma coisa que a Igreja Católica proibir cópias d'Os Maias, de Eça de Queiroz, nas escolas devido ao conteúdo diabólico do mesmo...

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