Opinião: Dias de Paixão, de Sarah Pekkanen




Dias de Paixão
 de Sara Pekkanen

Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 352
Editor: TopSeller



Resumo: Até onde nos pode levar a paixão? Quatro mulheres juntam-se com os seus maridos para uma semana paradisíaca na Jamaica, em pleno ar das Caraíbas. O motivo da reunião é o aniversário de Dwight, um amigo dos tempos da faculdade, que de rapazinho tímido e inseguro se transformou num empresário rico e bem-sucedido. Todas elas anseiam fugir temporariamente às suas vidas. Tina sente o peso e o cansaço de ser mãe de quatro crianças pequenas. Allie está abalada pela notícia de que uma doença genética degenerativa é comum na sua família. Savannah carrega o segredo da infidelidade do marido. Finalmente, Pauline, a mulher que não olha a despesas para organizar ao seu marido rico aquela festa inesquecível, esconde segredos de Dwight, e espera, com esta semana, reparar as falhas no casamento de ambos. O que começa por ser uma semana idílica, com lânguidas horas passadas numa praia privada, jantares gourmet, aventuras radicais e noites de paixão, transforma-se em algo mais profundo com a chegada de uma poderosa tempestade que acaba por atingir a ilha. Redemoinhos tumultuosos atingem este grupo, forçando cada uma das mulheres a reavaliar tudo o que sabe sobre os seus amigos, e sobre si própria, sobre o amor e sobre a paixão.

 Rating: 3/5 

Opinião: Não estava com expectativas nenhumas quando comecei a ler este livro, até porque fui agradavelmente surpreendida pela sua chegada. Comecei portanto a lê-lo na desportiva, sem saber ao certo o que aí vinha. A sinopse lembrou-me muito um filme que deu aqui há uns anos no cinema, "Terapia para Casais". Não sei se viram, mas a verdade é que se confirma o seguimento numa sintonia semelhante. Com a única diferença de que o livro não está voltado para a comédia, mas para o retrato de relações e das suas suas multiplicações.
Os quatro casais partem para a Jamaica, cada um com os seus problemas e preocupações, na esperança de passarem uma semana de sonho e descanso, aproveitando a companhia de amigos de longa data, e dos quais guardam boas recordações do tempo de faculdade (já que a vida, por vários motivos, acabou naturalmente por os direccionar para situações diversas). No entanto, as coisas não são logicamente simples, como o inicialmente previsto, até porque a dinâmica de grupo não é tão facilmente assumida como o esperado. Este foi um dos factores fortes do livro, porque valorizou a definição de personalidades bastante diversificadas, e as suas interações criaram um dinamismo interessante, assim como um teste para várias relações de amizade e/ou companheirismo.
Sinceramente, fiquei com inveja do programa de férias espectacular e da vantagem de ter uma praia paradisíaca privada, numa estância com amigos, e todo o tipo de entretenimento disponível à mão de semear. Ainda assim, podia ter havido uma maior descrição do espaço. Os poucos pormenores da caracterização exterior tanto nos indicavam que a acção se passava na Jamaica como em Bora Bora.
As várias nuances de cada relação, que nos vão sendo dadas a conhecer à medida que avançamos na estória, criaram uma série de valorizações secundárias, que permitiram fugir a uma temática mais generalista.
No entanto, gostaria de as ter visto mais exploradas, já que as tramas poderiam ter sido melhor compostas enquanto elementos complementares da trama principal. A verdade é que não me devia ter surpreendido que a narrativa tivesse um ponto de vista feminino, até porque a própria sinopse o dá a entender. No entanto, acho que faltou por vez a valorização do ponto de vista das personagens masculinas, que se tornaram basicamente acessórios ao longo do livro (e o que me desiludiu um pouco, atendendo que a grande maioria das preocupações de cada uma das mulheres dizia respeito ao respectivo cônjuge), e em algumas situações elas eram mesmo precisas para equilibrar a narrativa. Por exemplo, Dwight era uma das personagens que gostaria de ter visto mais explorada, até porque atendendo que Pauline, a sua mulher, pouco se foca nele ao longo do livro, ele acaba por passar quase despercebido.
Todas estas mulheres são diferentes e têm preocupações bastante diversificadas, que aprendem a partilhar umas com as outras, pelo menos na grande maioria das situações. As que mais se aproximam da realidade acabam por ser Tina e Savannah, que espelham preocupações de várias mulheres espalhadas pelo mundo fora, e que se reproduzem em várias obras de ficção.
Acho que o livro teve uma boa condução, até às últimas páginas, onde o final foi algo apressado e sem nexo, para não dizer um pouco oco. A sensação que ficou foi que as personagens tinham tirado férias de si  mesmas e regressado (e não é que foram mesmo?), mas deixaram uma série de situações em aberto e as respostas por dar são sempre algo que me frustra um bocado. A autora não me parece ter por hábito pegar em livros e escrever sequelas, mas acho que gostaria de ler uma continuação deste, para rematar as pontas soltas e explorar a estória de outras personagens.
Ainda assim, e se forem bons a dar largas à imaginação, é um livro com um discurso muito fluído, que vos pode entreter por um bom par de horas e fazer voar a imaginação para um paraíso jamaicano.




Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

3 leitores reagiram:

  1. Oh bolas xD Eu nem me dei ao trabalho de ler a sinopse, e pelo que dizes não é nada do que esperava. O que não é necessariamente mau, considerando que esperava algo mais para o sensual/erótico e com a onda Grey...
    Mas prontos, parece-me uma boa leitura para uma tarde. Algo leve para me desanuviar a cabeça e me entreter com a componente psicológica dos casais ^^

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  2. Se fosse para a onda do Grey, eu não lia :P Não é mesmo o meu género. Fico à espera para saber o que achaste :)

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  3. Também não gosto, mas como estava em pack com o que queria ... xD

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