Opinião: A Ilha, de Victoria Hislop


A lha
 de Victoria Hislop

Edição/reimpressão: 2007
Páginas: 408
Editora: Civilização Editora

Resumo:
Num momento em que tem que tomar uma decisão que pode mudar a sua vida, Alexis Fieldings está determinada a descobrir o passado da sua mãe. Mas Sofia nunca falou sobre ele, apenas contou que cresceu numa pequena aldeia em Creta antes de se mudar para Londres. Quando Alexis decide visitar Creta, a sua mãe dá-lhe uma carta para entregar a uma velha amiga e promete que através dela, Alexis vai ficar a saber mais. Quando chega a Spinalonga, Alexis fica surpreendida ao descobrir que aquela ilha foi uma antiga colónia de leprosos. E então encontra Fotini e finalmente ouve a história que Sofia escondeu toda a vida: a história da sua bisavó Eleni, das suas filhas e de uma família assolada pela tragédia, pela guerra e pela paixão. Alexis descobre o quão intimamente ligada está àquela ilha e como o segredo os une com tanta firmeza.

 Rating: 4/5 

Opinião: Nem sempre é fácil para um filho ou uma filha repensar a imagem dos seus pais à luz de uma pessoa dita normal. De esquecerem-se que antes de serem seus pais, as pessoas defronte de si já existiam, e que também elas têm memórias resguardadas, colhidas pelo manto da privacidade que em novos reclamamos para nós, mas que nem sempre concedemos a quem nos cria e educa.
Alexis Fieldings compreendeu essa existência, já que o manto que protegia Sofia, a sua mãe, havia-lhe sido vedado e apresentado como totalmente intransponível, obrigando a medidas extraordinárias para ultrapassá-lo.
E se poderiam levantar-se alguns questionamentos sobre a legitimidade de exposição de uma vida que não era sua para expor, a personagem demonstrou procurar fazê-lo pelas razões certas; libertando a mãe de uma caparaça que a afastava do mundo e até dos próprios filhos. É por esse motivo que ao ver-se na Grécia, não perdeu a oportunidade de procurar quem pudesse dar-lhe as respostas pretendidas, e tentar ajudá-la a compreender o porquê da mãe querer renegar o seu passado.
Sendo uma estória que aborda acontecimentos temporais, a dualidade do passado vs. presente é explorada, ainda que de forma irregular. O livro termina sem que desvende muito da vida de Alexis, da qual resgatamos apenas lapsos e factos inseridos esporadicamente. No entanto, eles não são de todo necessários, já que a riqueza da estória se remete para a vida da sua bisavó, assim como da geração seguinte, que irá desencadear através da coadunação constante de duas irmãs uma trama que nos trará para a situação vivida do presente. O que é caso para dizer que as raízes e tradições familiares, por mais que nos afastemos delas e não as tornemos completamente nossas, nunca nos abandonam, nem nos permitem esquecer de onde vimos. 
Apreciei especialmente a forma como foi abordada a questão da doença da lepra, e da relação das personagens que conviveram directamente com a situação. O preconceito e os juízos de valor, o medo de contágio e a generosidade de médicos temerários foram constantes e tornaram esta primeira leitura de Victoria Hislop bastante rica, multidimensional, e bastante sensorial. Mais do que isso, uma reprodução bastante humana, sem tender para o exploratório.
O contexto histórico, ainda que abordado levemente, traz várias componentes culturais, permitindo que nos consigamos localizar na Grécia da II Guerra Mundial, e sentir as percepções do povo grego daquela pequena aldeia, assim como resgatar os vários indícios de cultura e costumes para compor a grande manta de retalhos que é este livro.

Uma leitura que vale a pena!


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

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