Opinião: O Voo das Águias, de Ken Follet



O Voo das Águias
 de Ken Follet

Edição/reimpressão: 2013
Páginas:488
Editor: Editorial Presença 


Resumo: O Voo das Águias é um thriller soberbo, baseado numa história verídica que se passou no contexto da revolução iraniana liderada por Khomeini para derrubar o regime ditatorial do Xá Reza Pahlevi. Em Dezembro de 1978, dois executivos da sucursal iraniana da EDS são detidos numa prisão de alta-segurança de Teerão. Quando Ross Perot, o fundador e presidente da empresa em Dallas, sabe do que se passa, decide salvar as vidas dos seus dois colaboradores a qualquer custo. Uma missão heróica, extremamente delicada e perigosa, e o desenlace, imprevisível. Uma história extraordinária onde a aventura, o suspense e o desespero são absolutamente reais.

 Rating: 3,8/5 

Opinião: Quem nos segue há algum tempo, sabe que eu gosto do Ken Follet. O autor foi uma descoberta nos últimos anos, para mim, e até hoje tem sabido surpreender-me. É acima de tudo um contador de histórias nato, que sabe encaixar enredos complicados em tramas mais simples, mas nem por isso lineares.
O Voo das Águias é uma reedição agora apresentada em Portugal pela Editorial Presença, que retrata uma situação real, contada agora pelas mãos de um autor que chega a muitos leitores.

Se lerem as páginas iniciais, saberão que Ken Follet foi contactado por Ross Perot para recontar um momento vivido no final dos anos 70 por membros da sua empresa, e que partindo do particular para o geral, nos traz uma representação realista do complicado quadro político que se viveu no Irão, com a revolução de Khomeini e as crises petrolíferas da década em questão. O autor fez ainda questão de indicar que apesar de ter efectuado algum trabalho em alguns discursos, os mesmos foram bastante fiéis à realidade, pelo menos na óptica dos seus intervenientes, que foram tendo a possibilidade de acompanhar o processo de construção do livro e de rectificar algumas questões menos claras ou correctas.


Sendo um livro diferente dos que habitualmente nos traz, o discurso adoptado pelo autor ronda várias vezes as nuances de documentário, sendo bastante original neste sentido, e fazendo-nos acompanhar os diferentes procedimentos a par e passo.


Confesso que gostei bastante deste livro. Tive aulas de história no secundário, as quais adorava, pelo que a construção da narrativa me interessou bastante. De facto, apesar do enredo principal se centrar na EDS, vamos recebendo elementos do espaço exterior em quantidade quanto baste para que possamos gerir a narrativa à luz da diplomacia internacional, das caracterizações sociais e dos movimentos políticos de libertação. Fiquei bastante satisfeita, atendo que não era um livro de história, não era um livro sobre as revoluções iranianas e nem sequer uma análise de tramas políticos.

Como pontos menos bons, vou referir se calhar o início. O número de personagens que interage neste livro é bastante extenso, e muitas têm nomes parecidos. Durante as primeiras 100 páginas tive de recorrer com frequência à página inicial, onde se listam as várias personagens, dado que é impossível conseguir encaixá-las a todas na narrativa de repente (especialmente as que têm nomes ou apelidos algo similares). O segundo ponto passa pela introdução dessas mesmas personagens na narrativa. Dou por exemplo o caso da equipa dos Doze (terão de ler para saber quem são), que nos apresenta um elemento de cada vez, com descrições da vida pessoal. Outro exemplo passa pelas ponderações do mesmo grupo quando lhes fazem uma proposta. Preferia ter uma pequena biografia de todos num capítulo documental no fim do que uma descrição extensa que se tornou por vezes maçuda e despropositada, ao cortar a linha narrativa.

De resto, Ken Follet é um autor inteligente, que sabe aproveitar os seus trunfos em seu favor, e fazer-nos ficar pegados às páginas. Quem gostar de acção, mas assim de tudo de jogos políticos e diplomáticos vai gostar deste livro. E se faltar algo mais para que o considerem fidedigno à verdade, passem a vê-lo como uma narrativa ficcional. Para mim, resultou de ambas as formas.


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

1 leitores reagiram:

  1. Olá
    Alguém me pode explicar o significado do titulo do livro? Ea mensagem do livro?

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