Opinião: Os Adivinhos, de Libba Bray

Os Adivinhos
de Libba Bray
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 580
Editor: Edições Asa
Resumo:
Evie O'Neill foi exilada da sua monótona e pacata cidade natal e enviada para as agitadas ruas de Nova Iorque - e fica radiante! Nova Iorque é a cidade dos bares clandestinos, das compras e dos cinemas! Pouco depois, Evie começa a andar com as glamorosas «Ziegfield Girls» e com atraentes carteiristas. O único problema é que Evie tem de viver com o seu tio Will, curador do Museu Americano de Folclore, Superstição e Ocultismo - também conhecido como «O Museu dos Arrepios», homem com uma pouco saudável obsessão pelo oculto.

Evie receia que ele descubra o seu segredo mais sombrio: um poder sobrenatural que até ao momento só lhe causou problemas. Porém, quando a polícia encontra uma rapariga morta que tem um estranho símbolo gravado na testa e Will é chamado ao local, Evie percebe que o seu dom pode ajudar a apanhar o assassino em série.

Quando Evie mergulha de cabeça numa dança com um assassino, outras histórias se desenrolam na cidade que nunca dorme. Um jovem chamado Memphis é apanhado entre dois mundos. Uma corista chamada Theta anda a fugir do seu passado. Um estudante chamado Jericho esconde um segredo chocante. E sem que ninguém saiba, algo sombrio e maligno despertou. 
Rating: 3,75/5

Comentário: 

Confesso que até ao fim deste livro não soube o que escrever sobre o mesmo. O livro Os Adivinhos é uma obra complexa que tem tanto de young adult como de policial, tanto de terror como de realidade e creio que foi isso que me atraiu no livro e me fez continuar a lê-lo apesar de não ser do género que mais leio.
As notas subtis de algo sobrenatural e as vidas pacatas e comuns das personagens misturam-se num emaranhado de histórias e de diferentes pontos de vista que nos acompanha pelas mais de quinhentas páginas do livro.
Pessoalmente e sem saber, acabei por escolher o meu livro para o Halloween deste ano, quando o seleccionei há dias como próxima leitura. Afinal, poderá haver algo mais aterrorizador do que ler sobre um fantasma assassino quando todo o país se prepara para o Halloween (há que não esquecer onde me encontro agora) e andamos todos a ver fantasmas pelos cantos? E então nesta casa onde estou agora que é velhita e range por todos os lados, e onde as portas abrem com o vento, nem vos consigo explicar quantos saltos já dei.
O que torna um livro assustador? Um toque de ocultismo? Personagens que parecem reais? A presença de fantasmas? Um ambiente realista?  
Os Adivinhos tem isto tudo e mais o que possam imaginar. Evie, a nossa personagem principal, é enviada para viver com o seu tio solteirão depois de uma “partida” numa festa da sociedade. Contrariamente ao que os seus pais pensam, Evie abraça a oportunidade de braços abertos e fica feliz por finalmente sair da pequena cidade onde vive e aproveitar a cidade de Nova Iorque em plenos anos 20 (onde tudo é cor, luz e possibilidades).
Claro que num livro destes nem tudo poderia ser magia e felicidade, e é aqui que os assassinatos e ocultismo entram com toda a sua força, criando um ambiente de mistério e terror. Este livro é o primeiro mais assustador que leio desde a Crónica de uma Serva, de Margaret Atwood; e apesar de não ter deixado uma marca tão grande como o livro de Atwood, sem dúvida que me assustou o suficiente.
A escrita de Libba Bray é diferente do que esperava num livro young adult integrado na Colecção 1001 Mundos. Apresenta-se com uma forma de escrita que soa a gente crescida, quase como um romance para adultos, e creio que essa é a maneira de Bray dizer que só porque se está a escrever um livro para pessoas mais novas, isso não quer dizer que a audiência seja parva. Assim sendo, Bray brinda-nos com um pouco de tudo, desde referências sexuais, clubes subterrâneos, máfia, gargantas degoladas e classes superiores que se acham sempre acima de tudo e todos.
 Este é um livro que nos brinda com o mundo; e é por isso que, na minha opinião acaba por nos meter medo. O mundo descrito por Libba Bray é criado de ambientes que nos são familiares, onde revemos as nossas cidades, as nossas ruas e os nossos vizinhos. As personagens que o povoam são humanas e lutadoras, e é fácil para o leitor relacionar-se com elas. Gostei bastante de Theta e do seu irmão Henry, os jovens que trabalham no mundo do espétaculo e que só se têm um ao outro para se manterem a salvo (a sua história e a sua dinâmica são bem interessantes).
Resumindo: é um livro diferente do normal, nomeado a prémio, e que está a captar a atenção de leitores um pouco por todo o mundo.

0 leitores reagiram:

Que pensam Encruzilhad@s?