Opinião: Horas Distantes, de Kate Morton



Horas Distantes
de Kate Morton

Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 528
Editora: Porto Editora
 




Resumo: 
Tudo começa quando uma carta, perdida há mais de meio século, chega finalmente ao seu destino...
Evacuada de Londres, no início da II Guerra Mundial, a jovem Meredith Burchill é acolhida pela família Blythe no majestoso Castelo de Milderhurst. Aí, descobre o prazer dos livros e da fantasia, mas também os seus perigos.
Cinquenta anos depois, Edie procura decifrar os enigmas que envolvem a juventude da sua mãe e a sua relação com as excêntricas irmãs Blythe, que permaneceram no castelo desde então. Há muito isoladas do mundo, elas sofrem as consequências de terríveis acontecimentos que modificaram os seus destinos para sempre.
No interior do decadente castelo, Edie começa a deslindar o passado de Meredith. Mas há outros segredos escondidos nas paredes do edifício. A verdade do que realmente aconteceu nas horas distantes do Castelo de Milderhurst irá por fim ser revelada...

 Rating: 2,5/5 

Opinião: Este livro começa com uma premissa interessante que desperta a curiosidade dos potenciais leitores e tinha tudo para dar certo. Um mistério que começa numa carta, que condensa os acontecimentos de uma noite longínqua perdida no tempo e uma mulher um bocado perdida e com uma curiosidade aguçada, que não quererá deixar de conhecer a verdade.
Edie é uma personagem simpática. Trabalha numa editora, idolatra livros tanto como nós, procura as soluções para mistérios e tem o desejo profundo de conhecer a sua mãe e a sua história, ainda que esta se feche a sete-chaves. Estes elementos criam simpatia com a personagem e até nos fazem querer acompanhar o seu percurso. Gostava de ter mais elementos sobre ela e a sua vida pessoal, já que se a relação com o mundo exterior é bastante clara, a forma como ela lida com as suas teimas pessoais passa um bocado despercebido. A sua relação com a mãe começa de forma bastante restrita, atribulada, fechada e vai caminhando para um estado de redenção e entendimento que é enternecedor.
Por outro lado, a dualidade entre Presente e Passado está bem construída, facilita a entrada entre uma época e outra e fornece-nos em parte tudo o que precisamos para acompanhar a história. As irmãs Blythe são bastante peculiares, cada uma com uma linha de acção muito interessante, que nos faz pensar como é que terminam todas no ponto onde as encontramos ao iniciar a narrativa.
No entanto, não consegui ligar-me à construção do enredo, que se traduziu em um autêntico anti-climax. Na verdade, senti que andava para a frente e para trás ao longo de quinhentas páginas para chegar a um ponto crucial que, quando acontece, não causa quase impacto nenhum. Senti que o livro acabava algo repentinamente, com uma resolução rápida para terminar com uma construção sem fim. E que na realidade, não acontece realmente que justifique o tamanho do livro. Por esse mesmo motivo, esta é uma opinião muito curta e com poucas descrições. O livro não me marcou, não consegui sentir-me minimamente tocada por ele e se lhe atribui as 2,5 estrelas, é porque apesar de tudo gostei da composição e da estrutura do enredo, que só gostava de ter visto explorada de outra forma.


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

1 leitores reagiram:

  1. Oh...que pena que não tenhas gostado :( eu adorei e esse é um dos meus favoritos da autora.
    A Mafi também não gostou :/

    ResponderEliminar