Opinião: Um Amor na Cornualha, de Liz Fenwick




 Um Amor na Cornualha
de Liz Fenwick

Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 368
Editora: Quinta Essência  


Resumo: 
Fugir no dia do próprio casamento nunca parece bem.

Quando a pressão do futuro casamento se torna demasiada, Jude foge da igreja, deixando um bom homem no altar, a sua mãe furiosa e os convidados com mexericos suficiente para durar um ano.
Culpada e envergonhada, Jude foge para Pengarrock, uma mansão em ruínas na Cornualha, no cimo de uma falésia, onde aceita um emprego a catalogar a extensa biblioteca da família Trevillion. A casa é um refúgio bem-vindo para Jude, cheia de história e segredos, mas quando seu novo proprietário chega, torna-se claro que Pengarrock não é amada por todos.
Quando Jude sucumbe ao feitiço da casa, descobre um enigma familiar decorrente de uma terrível tragédia que teve lugar séculos antes: ao que parece, há algures um tesouro perdido. E quando Pengarrock é posta à venda, parece que o tempo está a esgotar-se para a casa e para Jude…

Rating: 3,25/5 

Opinião: Um Amor na Cornualha é o segundo romance que leio de Liz Fenwick e confesso que apesar de ter achado o primeiro melhor estruturado (e portanto, com um rating maior), este é o meu preferido dos dois.
Decorrendo num mesmo cenário, a capa deste é ainda mais bonita e transporta-nos para o universo do enredo com uma enorme facilidade, levando-nos a construir o contexto envolvente.
Para quem lê a sinopse, o desenrolar da estória é um tanto previsível e sem muitos sobressaltos mas, e à semelhança de tantos outros livros (assim como de filmes), nem tudo o que é previsível é mau. Um Amor na Cornualha torna-se numa leitura fácil, aconchegante e confortável, cheia de clichés saborosos e bem recebidos, e consideravelmente envolvente. Com uma escrita leve e agradável, é um bom romance para as férias e uma óptima leitura de praia.
Jude é uma mulher perdida nos preâmbulos de um casamento desfeito e sem magia, rodeada pela pressão social resultante dos seus actos, que lhe trazem consequências inesperadas e com as quais ela não sabe lidar. Mais do que isso, a vergonha e a ausência de rumo, assim como a dificuldade de explicar as razões que a levaram a fugir da promessa de um futuro perfeito, obrigam-na a mudar de realidade e a refugiar-se na Cornualha, sob orientação de Petroc, o simpático proprietário de Pengarrock.
A sua integração na casa e no novo quotidiano é quase imediata, assim como a paixão assolapada que a envolve pelo lugar que a acolheu, e que acabará por ter um papel preponderante na delineação da sua nova vida....
Gostei de Jude: é uma personagem simpática, não muito complicada (contrariamente ao que ela se julga) e de fácil entendimento. Para além disso, a autora foi capaz de a dotar de uma capacidade de análise clara sobre as relações com o espaço e com os habitantes locais da região que a acolheu, pelo que facilmente conseguimos visualizar este pedaço de terra que muito se assemelha a um paraíso. A decisão extrema que a leva para longe de um noivo aprovado por todos traz certamente consequências para si e para a sua família, que nunca nos passam despercebidas. Ainda assim, gostava que este ponto tivesse sido melhor trabalhado. No que toca a John, a autora que me desculpe mas a abordagem que fez foi tão ridícula que em determinada autora apeteceu-me gritar de frustração. Foi completamente não plausível e sinceramente, a determinada altura já não sabia se teria pena dele ou se simplesmente queria que este desaparecesse. Para além de que senti faltar um real ponto final para este trecho da narrativa. A relação com a família e com os amigos deixados para trás, com tanto potencial, foi também apressada e um bocado incoerente, atendendo a todas as conjugações que a autora poderia ter feito. Mas adiante.
Gostava também de ter visto mais desenvolvida a descrição da aldeia local, assim como uma maior relação com os seus habitantes, que passou um bocado desnecessariamente ao lado da construção do enredo apesar da tentativa de recuperação já para o final. Passamos muito tempo com Jude, o que não é complicado porque tal como já referi ela é bastante gostável, mas por vezes o remoer da sua mente podia tornar-se tendencialmente cansativo.
É o tema principal do tesouro perdido, sobre o qual não posso falar muito, que mais me agarrou na segunda parte do livro. Numa mistura interessante entre pedaços de história e especulações do presente, as ligações e pistas vão sendo conectadas peça a peça, num puzzle só resolvido mesmo nas últimas páginas, e que nos dá tempo para magicar a sua composição e desfecho. Com alguns percalços resultantes de uma estrutura narrativa por vezes confusa da autora neste ponto (julgo eu que propositada), o verdadeiro tesouro perdido (que para mim, mais do que o real, são os pedaços de memória e história familiar dos Trevillion) vai chegando até nós calmamente, camada por camada, construindo uma imagem aprazível de acompanhar.
Quanto ao destino de Pengarrock e à relação do novo proprietário com esta propriedade...terão de ler o livro para a descobrir.


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

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