Manipulação de Reviews no GR

Uma notícia chocante correu hoje de manhã o meu dash de notícias. Ao que parece, devido a um erro ou pura burrice (perdoem o meu francês), uma escritora e a sua editora foram apanhadas no GR a manipular as reviews de um livro. A história não é recente mas, pelo que entendi, ainda é desconhecida do público. (Podem ver uma das notícias originais aqui)

A escritora, Kiera Cass, autora da saga The Selection foi apanhada, juntamente com a sua editora, a "manipular" as reviews do GoodReads ao colocarem gosto em todas as boas reviews e ao convidarem os amigos a fazer o mesmo para tentarem que estas aparecessem no top e as más reviews desaparecem-se da página inicial.

No entanto, parece que Cass não foi a única autora que o fez, outros autores parecem interessados em tentar controlar a opinião pública em relação aos seus livros e alguns entraram mesmo em contacto com os reviewers para os tentar convencer a mudar a sua opinião.

Outros compraram o serviço de utilizadores para gostarem e escreverem opiniões sobre os seus livros. E os que foram mais longe, na minha opinião, chegaram mesmo a comprar o seu caminho para a tabela de "best seller do New York Times" ao simplesmente comprarem cópias dos seus livros e reviews dando a entender que o livro estava a ter boas vendas.

Ao se aperceberem disto vários utilizadores do GoodReads começaram a atacaram autores através das suas reviews. Isto levou a que o GoodReads interviesse, dizendo que as críticas deveriam ser feitas aos livros e não à vida dos autores dos mesmos. Actualmente na sua política de privacidade o GR pode e apaga qualquer crítica que em vez de ter o livro como base tenha o autor. (Leiam mais sobre isto aqui.)

Por aqui já abordamos um tema semelhante no qual nos questionamos até que ponto poderá existir uma separação entre o livro e o seu autor. Ou seja, é possível apreciar um livro por si só ou as acções do autor podem manchá-lo? A questão fica no ar, Encruzilhados.

Os artigos consultados para escrever este artigo podem ser vistos aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.




Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre coisas e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

A Biblioteca Central de Manchester

Quem acompanha a nossa saga de vida sabe que há já algum tempo que ando animada com a inauguração da Biblioteca Central de Manchester. 

A Biblioteca, que já estava fechada quando vim pela primeira vez a Manchester há 2 anos, abriu recentemente as suas portas mas eu aguardei pacientemente antes de a ir visitar pois os livros ainda não estavam disponíveis. Ontem quando a Biblioteca estava tão operacional quanto vai estar nos próximos tempos (ainda existem algumas obras a decorrer) fui finalmente visitá-la.

Situada na Praça de São Pedro no centro de Manchester a Biblioteca Central esteve fechada para renovações e abre agora com a campanha publicitária "Reborn", que nem uma Fénix das cinzas. Num edifício redondo de quatro pisos e cave, a nova biblioteca conta com um Media Lounge, Biblioteca Infantil, Biblioteca Musical Henry Watson, uma colecção de livros raros, um mini-museu onde podemos explorar os arquivos da biblioteca e a vida em Manchester e vários serviços da Câmara Municipal (visto que a biblioteca liga ao Edifício da Câmara através de umas pontes!).

Gostava de ter feito uma extensiva reportagem fotográfica, no entanto, era proibido fotografar na maioria dos locais. Mesmo assim, fiz o meu melhor para vos dar uma ideia da minha experiência. À foi-me oferecido um mapa da biblioteca (visto que a mesma conta com 3 andares + cave) e apesar da mesma ser circular não se enganem Encruzilhados, uma pessoa consegue perder-se no seu interior.


Entrando pela porta principal somos brindados com um hall de entrada com escadas e elevadores que conectam os vários pisos da biblioteca. Temos também um café, uma zona media para portáteis e um mini-museu, que mais pode ser considerado um arquivo interactivo onde podemos explorar a vida na cidade.
Na foto acima podem ver um pouco do museu e onde aparecem as palavras "send us a..." vários avisos iam passando em várias cores.
Devo confessar que fiquei fascinada a olhar para aquelas tiras enquanto algures na minha mente a música The future has arrived tocava. Talvez seja uma coisa mínima mas lembrou-me tanto os filmes de ficção científica que não pude deixar de ficar curiosa.

Depois do mini-museu segui para a Biblioteca Infantil que, segundo o mapa, era inspirada no conto "O Jardim Secreto". Depois de ter descido as escadas de mármore e virado há direita dei por mim a entrar numa zona de cores suaves com flores pintadas em tiras nas paredes. Com puffs coloridos, mesa de actividades e computadores a biblioteca infantil estava cheia de crianças de várias idades que liam e brincavam. Brincavam porque a biblioteca tinha projecções interactivas, no chão, um círculo imitava um lago onde podíamos ver árvores e borboletas reflectidas. Sempre que as crianças pisavam esta imagem, esta criava ondas como se a uma pedra tivesse sido atirada para o lado. O reflexo perdia-se e remexia-se até as crianças saírem do "lago" e a água começar a estabilizar de novo e o reflexo voltar. Na parede uma enorme janela cheia de borboletas e flores deixava as crianças tentarem apanhar as mesmas. As borboletas fugiam e os risos enchiam o ar.

Depois disso acabei por passear um pouco por entre as estantes e ver que livros estavam disponíveis. Encontrei uma secção de livros apenas em português visto que a comunidade de portugueses em Manchester está a crescer a olhos vistos. E depois quando me preparava para sair acabei por me perder e dar com o corredor que dava acesso aos serviços da Câmara Municipal e que podem ver abaixo.
Toda a experiência foi divertida e única e espero retornar à Biblioteca Central em breve, no entanto se não o poder fazer, posso sempre aceder ao site da biblioteca e requisitar audio-books e ebooks on-line com o meu cartão de leitora.
Podem ver mais informações sobre a Biblioteca Central acedendo ao site da mesma aqui.


Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre coisas e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

Divulgação: Timmy Fiasco, de Stephan Pastis

Stephan Pastis é um dos mais conhecidos cartoonistas dos EUA, autor da aclamada BD Pérolas e Porcos, publicada em mais de 600 jornais, entre os quais o New York Times. Em Portugal, é publicada pela Bizâncio.

Ainda que se tenha licenciado em Direito, a sua paixão desde pequeno era desenhar. Durante a infância fechava-se no quarto a criar histórias em BD e os seus desenhos faziam sucesso no jornal da escola.
Já a exercer advocacia, Stephan Pastis decidiu finamente mostrar os seus desenhos a diversas editoras e, depois de algumas rejeições, Pérolas e Porcos fez saltar o autor para a ribalta, com milhares de publicações online, em jornais e em muitos livros bestsellers. Em 2013 decidiu arriscar no mundo da literatura infantil, e assim nasceu Timmy Fiasco, bestseller do New York Times, e considerado um dos melhores livros de 2013 pela Amazon.com.
Depois de Timmy ter metido água nas livrarias nacionais em 2013 com Timmy Fiasco: Sempre a Meter Água, já chegou às prateleiras o segundo volume da coleção: Timmy Fiasco 2: Olha Só o que Fizeste!


O meu nome é Fiasco. Timmy Fiasco. Sou o fundador, presidente e administrador da agência de detetives com o meu nome: Fiasco,  Lda. A Fiasco, Lda. é a melhor agência de detetives da cidade e, provavelmente, da região. Talvez até de todo o país.
Estou perante o maior desafio da minha carreira: ganhar o concurso de detetives da minha escola! Quando o vencer vou deitar as mãos a quinhentos dólares e começar a expansão mundial da minha agência, com a abertura da primeira sucursal no Peru. Para vencer, só tenho que enfrentar o CUECÃO e todos os outros detetives amadores que me querem derrubar.


Mas nenhum consegue ser tão genial como eu, Timmy Fiasco. Vão ver como vou vencer o concurso e, pelo meio, ainda vou ter tempo para resolver um desaparecimento misterioso.

Novidade: O Marciano, de Andy Weir

 
O Marciano, uma fantástica obra de Andy Weir, já à venda em todo o país, levou o realizador Ridley Scott novamente para o Espaço! Depois de Alien e Prometheus, o curioso enredo de O Marciano (Editora Topseller) convenceu Ridley Scott. O argumento foi adaptado por Drew Goddard, e Matt Damon assumirá o papel principal num filme projectado pela 20th Century Fox.



SINOPSE



Uma Missão a Marte. Um acidente aparatoso. A luta de um homem pela sobrevivência.



Há exactamente seis dias, o astronauta Mark Watney tornou-se uma das primeiras pessoas a caminhar em Marte. Agora, ele tem a certeza de que vai ser a primeira pessoa a morrer ali. Depois de uma tempestade de areia ter obrigado a sua tripulação a evacuar o planeta, e de esta o ter deixado para trás por julgá-lo morto, Mark encontra-se preso em Marte, completamente sozinho, sem perspectivas de conseguir comunicar com a Terra para dizer que está vivo.



E mesmo que o conseguisse fazer, os seus mantimentos esgotar-se-iam muito antes de uma equipa de salvamento o encontrar. De qualquer modo, Mark não terá tempo para morrer de fome. A maquinaria danificada, o meio ambiente implacável e o simples «erro humano» irão, muito provavelmente, matá-lo primeiro.



Apoiando-se nas suas enormes capacidades técnicas, no domínio da engenharia e na determinada recusa em desistir — e num surpreendente sentido de humor a que vai buscar a força para sobreviver —, ele embarca numa missão obstinada para se manter vivo. Será que a sua mestria vai ser suficiente para superar todas as adversidades impossíveis que se erguem contra si?



Fundamentado com referências científicas actualizadas e impulsionado por uma trama engenhosa e brilhante que agarra o leitor desde a primeira à última página, O Marciano é um romance verdadeiramente notável, que se lê como uma história de sobrevivência da vida real.



A Topseller disponibiliza os primeiros capítulos para leitura imediata, aqui.

Novidade: Hoije sinto-me... , de Madalena Moniz

LANÇAMENTO

Feira do Livro
de Lisboa 2014

SÁB | 31 MAI | 16h30
Pav. A18



entrada livre
+info
As edições Orfeu Negro convidam-no para o lançamento do livro HOJE SINTO-ME..., de Madalena Moniz.

Na tarde soalheira de sábado, 31 de Maio, a autora Madalena Moniz e o actor Miguel Fragata esperam-nos, às 16h30, na Feira do Livro de Lisboa. Ponto de encontro: pavilhão Orfeu Negro (A18).

Depois vamos para o jardim, aventurar-nos neste abecedário ilustrado e descobrir sentimentos. No fim, levamos para casa um autógrafo da autora.

Audazes, Curiosos, Baralhados e Jupiterianos, todos são bem-vindos!

Novidade: Estou nua, e agora?, de Francisco Salgueiro

ESTOU NUA, E AGORA?
de Francisco Salgueiro
328 Páginas
ISBN 9789897411595

Quantas vezes acordamos com vontade de mudar de vida? Deixar para trás os mesmos lugares, as mesmas pessoas, a relação que não vai a lado nenhum?
 
Alex, uma nova-iorquina, vive uma vida perfeita: acabou o curso e tem um emprego garantido. Está prestes a cumprir os sonhos que desenharam para ela. Mas um desgosto de amor leva-a a viajar pelo mundo. Precisa de se conhecer melhor e ultrapassar os seus medos.
Da Tailândia ao Brasil, da Austrália a Marrocos, faz Couchsurfing dormindo em colchões, beliches, camas limpas, camas sujas, parques públicos – até em casa de Francisco Salgueiro dormiu , em Lisboa.
Nudismo, algum sexo, ilhas paradisíacas, jantares românticos, protestos de rua, festivais no deserto, um encontro com Nelson Mandela, mulheres que disparam bolas de ping pong das suas zonas íntimas – tudo isto faz parte desta história real passada nos sete continentes, ao longo de um ano, que representa tudo aquilo que gostaríamos de fazer.
Há pessoas que cometem erros por se acomodarem e outras que cometem erros por tentarem. A Alex preferiu errar tentando. E vocês?
Um convite aos adolescentes e jovens adultos a tomarem as rédeas da sua vida e a partirem à descoberta do mundo!
 Sobre o autor
Francisco Salgueiro. Sócio da primeira empresa portuguesa de assessoria mediática e digital de celebridades, Naughty Boys. Fotógrafo premiado internacionalmente. Autor de doze livros publicados pela LeYa/Oficina do Livro, incluindo os bestsellers Homens Há Muitos e O Fim da Inocência.

Jeff Kinney na Feira do Livro de Lisboa

 Jeff Kinney, autor nomeado pela revista Time como uma das pessoas mais influentes em todo o mundo, vai estar, no dia 15 de Junho, pela primeira vez em Portugal.  Cabeça de cartaz da Feira do Livro de Lisboa 2014, será com chave de ouro que o Parque Eduardo VII encerrará mais uma edição da festa do livro.


Criador da colecção O Diário de um Banana, editado em Portugal pela Booksmile, chancela do Grupo 20I20 Editora, Jeff Kinney foi, em 2013, considerado o sexto autor mais bem-sucedido em todo o mundo ao somar 24 milhões de dólares, segundo dados da revista Forbes, à frente de autores bem conhecido dos leitores portugueses como Nora Roberts, Dan Brown, Stephen King, John Grisham ou David Baldacci. 


A série O Diário de um Banana, mantém-se ininterruptamente na lista de bestsellers do New York Times desde 2007, já foi traduzido para mais de 44 países, em 42 línguas, totalizando o invejável número de 115 milhões de livros editados.


Em Portugal, a coleção soma 540 mil exemplares, sendo a colecção infanto-juvenil, segundo dados GFK, mais vendida e apetecida pelos jovens leitores. A página do Facebook do Greg (www.facebook.com/diariobanana) conta com mais de 130 mil fãs. Descubra mais sobre os 11 títulos até agora publicados em Portugal - 8 da colecção principal, mais 3 extras, aqui.


O sucesso alcançado fez com que, naturalmente, as ideias de Jeff Kinney saltassem das páginas dos livros. Produzidos pela Twentieth Century Fox, os diários de Greg chegaram ao Grande Ecrã, com três filmes realizados que renderam 250 milhões de dólares. 

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Jeff Kinney vai estar no dia 15 de Junho vai estar na Feira do Livro de Lisboa, na Praça Verde, entre as 16 e as 19 horas. O autor vai, claro, falar um pouco com os fãs da colecção, respondendo a perguntas dos mais novos e pais, seguindo-se uma sessão de autógrafos.

Opinião: Um Dia Esta Dor Vai Ser Útil, de Peter Cameron

Um Dia Esta Dor Vai Ser Útil     

 Um Dia Esta Dor Vai Ser Útil

de Peter Cameron 

Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 240
Editora: Marcador 




Resumo: 
Um Dia Esta Dor Vai Ser Útil é a história de um rapaz sofisticado e vulnerável com um grande apreço pelo mundo, mas sem a menor ideia de como viver nele. James tem 18 anos, é filho de pais divorciados. Eloquente, sensível e cínico, rejeita as presunções que orientam o mundo adulto que o rodeia – incluindo a expectativa de que irá para a universidade no outono seguinte.

Por ele, mudar-se-ia para uma casa antiga numa cidade pequena do Midwest. Um Dia Esta Dor Vai Ser Útil passa- se durante uns dias abrasadores de verão. Ao mesmo tempo que faz confidências à sua compreensiva avó, James boicota uma psicóloga astuta, lamenta a sua irmã pretensiosa e cria uma identidade falsa online para poder avançar com o fraquinho que sente por alguém próximo.

Rating: 4/5 

Opinião: "Um Dia Esta Dor Vai Ser Útil" é um livro docemente irónico, com o toque certo de cinismo inerente a uma adolescência solitária e introvertida. Peter Cameron merece um maior reconhecimento em Portugal e estou mesmo contente por ter sabido da existência desde pequeno livro editado pela Marcador, que pode não ser grande em tamanho mas é no resto para mim.
A adolescência nem sempre é fácil, muito menos para os que não se encaixam no padrão e que muitas vezes procuram conforto através de subterfúgios e de indirectas (por vezes imensamente discretas ao ponto de passarem despercebidas à maioria), e James relembra-nos a todos que em algum momento das nossas vidas já passámos por ocasiões semelhantes. A diferença é que para si esse é o sentimento permanente e o qual se encarrega de distribuir e reformular junto dos parentes mais próximos. Tal como indica a sinopse, este rapaz é vulnerável e sente-te desencaixado do mundo que o rodeia, mas anseia por ele no meio da neblina de tédio que o cobre, o leva a questionar as coisas com uma relativa indiferença e a agir sem querer pensar muito nas consequências ou na origem de cada gesto, sob a pena de sofrer ataques de pânico. No fundo, nega-se a si próprio e não sabe lidar com a sua voz interior, colocada cada vez mais fundo para que não se escape, não se mostre ao mundo em momento algum.
É com este cenário implementado que vamos vendo o decorrer da personagem, e a sua relação com todos os familiares (desde a mãe algo neurótica, à irmã meio snobe e empertigada, ou ao pai que deseja tudo de bom para o filho mas não sabe lidar com ele fora dos seus padrões de funcionamento) e com as poucas pessoas com que se cruza fora deste núcleo, não mais sãs que ele. Vale-lhe a avó, que o ampara nas situações caricatas e lhe traz parte do colo que ele se recusa reconhecer como necessário e desejado.
Todo este cenário ainda se torna mais completo com a chegada de uma psicóloga que nem quereria para mim, presa aos estigmas profissionais que a impedem de facto de ajudar James, mas de quem suspeito que ele até venha a sentir falta...
Quanto à condução final, gostaria de ter as últimas páginas do livro mais trabalhadas, principalmente no que resulta da exposição frontal de James consigo próprio; dado que o lapso temporal impediu visionarmos as transformações que o tempo implicava, em jeito de conclusão.
Por outro lado, o discurso de toda a narrativa, na primeira pessoa e com um toque de subtileza que mistura  introversão e exploração curiosa dos momentos entediantes de terceiros, foi uma constante sensação de dejá-vu para mim. De facto, e ainda que muito melhor resolvido que James, conheço alguém muito parecido na forma de se expressar, de ver o mundo e de testar as pessoas em seu redor (muitas vezes sem consciência) até ao ponto de ebulição que as faça explodir, perdendo a paciência ou criando juízos de valor incorrectos. Desta forma, esta personagem encarnou alguém da minha vida pessoal a determinada altura, e foi inevitável ouvir as palavras de James com uma voz diferente, como se tivesse sentados a meu lado um e outro numa troca de opiniões e galhardetes constante, e que me fez expulsar algumas gargalhadas ao tentar imaginar a pessoa real em algumas das situações vividas pela fictícia (mesmo - ou melhor, principalmente - as sem piada nenhuma).
"Um Dia Esta Dor Vai Ser Útil" não é um livro de auto-ajuda ou de psicologia, mas que pode ainda assim apelar à reflexão de pequenos momentos das nossas vidas, que passam despercebidos ao olho comum mas não ao de Peter Cameron e das suas personagens e que nos levam no doce embalo da adolescência incompreendida por um jovem que tem medo (puro!) de se conhecer a si próprio. Vale a pena e recomendo a leitura.

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

Novidade: Os Aromas do Amor, de Dorothy Koomson

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Os aromas do amor de Dorothy Koomson
Tradução: Irene Ramalho
Págs.: 472
Capa: mole com badanas
O nono romance de Dorothy Koomson editado em Portugal tem como título Os aromas do amor e é publicado a 20 de Maio. A autora vem à Feira do Livro de Lisboa, nos dias 14 e 15 de Junho, para sessões de autógrafos.
Desde que, em 2006, deu a conhecer no nosso país A filha da minha melhor amiga – um enorme sucesso, já na 16.ª edição –, a Porto Editora tem vindo a publicar com regularidade a obra de Dorothy Koomson. O sucesso em Portugal é apenas parte do crescente prestígio internacional desta autora, que assinalou, em 2013, dez anos de carreira literária.

SINOPSE
Procuro a combinação perfeita de aromas; o sabor que eras tu. Se o encontrar, sei que voltarás para mim. Há 18 meses atrás, Joel, o marido de Saffron, foi assassinado, e o culpado nunca foi descoberto. Agora, fazendo os possíveis para lidar com a perda, Saffron decide terminar Os aromas do amor, o livro de receitas que Joel tinha começado a escrever antes da sua trágica morte. Quando, finalmente, tudo parece ter voltado à normalidade, a filha de 14 anos de Saffron faz uma revelação chocante que abala a relação entre ambas. E, ao mesmo tempo, o assassino de Joel começa a enviar cartas afirmando a sua inocência. Será um grande amor capaz de sobreviver à maior das perdas?

Novidade: Boa Viagem Bebé!, de Beatrice Alemagna


A viagem vai ser grande. Não me posso esquecer de nada… 

Todos os dias à mesma hora, o bebé prepara-se para fazer uma viagem. Junta o biberão, o peluche, a chucha e, claro, o seu livro preferido. O papá muda-lhe a fralda e veste-lhe um superfato de viagem. A mamã pega-o ao colo e liga o motor colorido. Despede-se do gatinho e quando chega a hora do Ó-Ó parte: boa viagem, bebé!
Uma história ternurenta que demonstra com humor como o ritual diário de ir para a cama se pode transformar numa aventura aconchegante.

1.º livro da Colecção Orfeu Mini para os ainda mais pequeninos… 

BOA VIAGEM BEBÉ!
Beatrice Alemagna

Tradução Maria Afonso
2014 | 32 pp. | 16 x 20,5 cm
EAN 9789898327369
Preço 10,90 €

JÁ NAS LIVRARIAS
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Beatrice Alemagna p
ublicou já vários livros para crianças, traduzidos para mais de 15 idiomas. O seu trabalho foi exposto pelo mundo inteiro, designadamente em Roma, Munique, Paris, Tóquio e Lisboa.

Vencedor do passatempo: Tornado, de Sandra Brown

Boa noite Encruzilhados!

Nesta noite um pouco ventosa (para estes lados pelo menos), decidimos colocar o Tornado cá fora! Assim sendo, fomos consultar o random.org que nos indicou a feliz contemplada que irá receber um exemplar de "Tornado", de Sandra Brown, editado em Portugal pela Quinta Essência.

Sem mais demoras, parabéns....

Rita Carmo, de Seia!


Novidades Marcador

O Homem que Perseguia o Tempo
de Diane Setterfield
Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 408
Editor: Marcador
Resumo:
Esta é a História de William Bellman, que começa no momento em que, ainda rapaz, brinca com os amigos no meio rural inglês.
William impressiona os companheiros ao matar uma gralha-calva com uma fisga. Os anos vão passando e William continua a impressionar. É um jovem de sucesso, tem jeito para os negócios, chega ao cargo mais elevado de uma fiação local, casa-se e tem quatro filhos inteligentes, e espera que a vida lhe continue a correr de feição.
É então que surge uma doença na sua localidade. William perde a mulher e três dos filhos. Em desespero, faz um pacto com um estranho vestido de negro. A sua filha mais velha é poupada, mas William muda-se para Londres, abre uma loja e dedica-se inteiramente ao trabalho, incapaz de reviver.
 
 
Óscar Wilde para Inquietos
de Allan Percy
Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 144
Editor: Marcador
Resumo:
Oscar Wilde para inquietos é uma aula de filosofia extraída da vida e da obra do consagrado autor de O Retrato de Dorian Gray. Nas frases ditas por Wilde ou nas expressas pelas suas célebres personagens, encontramos uma ironia única e uma sabedoria imortal que refletem o brilhantismo de um homem que aproveitou ao máximo os prazeres da vida, sem deixar de a observar criticamente. "As riquezas vulgares podem roubar-se, mas nunca as riquezas de verdade. Na sua alma há coisas infinitamente preciosas que jamais alguém lhe poderá arrebatar." - Oscar Wilde
 

Opinião: A Guerra do Salavisa, de J. F. Matias

                                                 

 A Guerra do Salavisa

de J. F. Matias

Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 268
Editora: Marcador 




Resumo: 
Na alvorada do século XX, Joaquim Salavisa é um adolescente valente, boémio, engenhoso e pinga-amor, sem qualquer inclinação para os estudos, e que se desdobra em brincadeiras e partidas por toda a Lisboa. Aos dezanove anos, um incidente rocambolesco, idêntico a tantos outros em que era useiro e vezeiro, corre mal e leva-o à prisão. Filho de boas famílias, o seu pai, para o safar do cárcere, alista-o no Corpo Expedicionário Português com destino à Flandres. Pensando livrá-lo depois através dos bons ofícios de um primo responsável pela mobilização. A mãe, porém, trata de que aconteça precisamente o contrário, na esperança de que a Grande Guerra faça o filho ganhar juízo e o torne um homem.

No epicentro de uma guerra, mas remetido para uma frente estabilizada, calma demais para o seu feitio, trava contacto com um francês e um alemão enquanto se dedica a caçar tordos numa terra de ninguém. À conta da fanfarrice de um deles, desencadeiam uma fuzilaria tremenda entre trincheiras que quase os mata. Refugiados num bosque, tornam-se amigos e entreajudam-se no regresso à segurança das respectivas linhas.

Muitos anos depois, o neto tem a sorte de poder aplicar na boémia e nos prazeres da vida a mesma dose de rebeldia e extroversão do avô. Entre memórias e heranças que o avô deixara para trás, percorre um caminho intricado que o fará erguer uma verdadeira ponte entre gerações.

Rating: 3/5 

Opinião: "A Guerra do Salavisa" leva-nos para um Portugal de época a sofrer transformações reestruturantes da sociedade portuguesa, contextualizando o crescimento espontâneo e estouvado de um menino, no início do livro já rapaz (mas ainda com a cabeça na lua típica dos que não se preocupam porque não têm essa obrigação). O fim da Monarquia, a instauração da I República são os cenários de fundo com os quais convivemos muito brevemente, apenas para contextualizar o desenvolvimento de carácter de Joaquim Salavisa, amado pelo pai que certamente revê no filhos os sonhos cumpridos/ por cumprir de uma juventude desgarrada, e preocupação de uma mãe, que quer educar um fruto da sua linha hereditária para ser um homem, consciente, sensato e pelo menos, com algum nível de decência.
A ida para a Grande Guerra quase passa despercebida, naquela frente de batalha que de batalha não tem nada, e que leva, tal como a sinopse indica, ao levantar de um acontecimento que criará laços de amizade entre Quim, Jean-Paul e Fritz. Esta parte do livro para mim foi a mais deliciosa. A relação entre os três, ainda que bastante breve, mostrou o quanto as barreiras e as composições das ideologias políticas escondem por vezes jovens resgatados para momentos com os quais não se identificam, e que no fundo, não fossem barreiras criadas por terceiros, os seus sonhos e interesses seriam os mesmos. Basta para isso ver a complexa família de Jean-Paul, que tanto atravessa um lado da barreira como se encontra da outra, e que em parte retractou a história de muitos outros na I Guerra Mundial.
Essas passagens são muito rápidas, trazendo Quim para outra nova realidade, onde cruzará caminho com diversas personagens, ocupando lugares distintos na Guerra a decorrer, e que finalmente trarão alguma luz e sensatez a este rapaz que se preocupa consigo e não com os problemas do mundo.
Quando a sinopse descreve a ponte de gerações, esperava que ela de facto tivesse ocorrido, e sinto que poderia ter sido melhor trabalhado. Senti que a passagem de avô para neto não só foi brusca como criou uma narrativa totalmente independente e confesso que me senti um pouco enganada, especialmente porque estava a gostar do desenvolvimento do enredo inicial.
A estória do neto é completamente diferente da levantada ao seu avô. Também boémia e cheia de ajudas, para permitir a existência de bons vivants que só se preocupam com o umbigo e as boas ofertas gastronómicas e culturais de uma vida com regalias, não senti evolução nesta personagem. Paradoxalmente, esta segunda parte apresenta por vezes breves rasgos mais filosóficos que puxam a um lado mais maduro da narrativa, ainda que nem sempre bem conseguidos. Até certa medida gostei de Marcel (seu amigo) e do criaram em sua volta, mas o enfoque acabou por se tornar um pouco forçado e cansativo em algumas partes. É já a última parte, que passa quase que ligeira e despercebida que me fez gostar mais do livro novamente, com a mistura dos vários mundos e a miscelânea de acontecidos resultantes da composição da vida de várias personagens numa única tela, onde o passado e o futuro se misturaram ao ponto de surgirem como uma única época.
O estilo literário do autor salvou este livro quando à criação de empatia com o leitor. Da minha parte, uma personagem corriqueira armada em Dandy que tem tudo o que cai do céu em cinco segundos não seria uma composição de que fosse gostar. Tantas cunhas e boa vida, facilidades que nem repara e sobre as quais não reflecte ou agradece soam-se aos chico-espertos que tudo querem e conseguem. No entanto, o estilo leve de J. F. Matias, solucionado numa mistura de brincadeira e tom irónico a um rectacto-tipo de uma sociedade portuguesa em estilo saudosista (e que infelizmente, em muitos casos correspondeu à realidade), acabam por criar uma ligação com o leitor que ainda que não se reveja nela conhece o seu país, o que inevitavelmente nos aproxima da estória que estamos a ler e, em parte, nos leva a desculpar os Salavisas, toda a sua linhagem, pelos defeitos de carácter que julgamos corrigidos neste narrador que reconta tempos idos.
E falando em Salavisa e para terminar esta opinião, este título surge então como uma analogia um pouco mais vasta aos acontecimentos bélicos decorridos entre 1914 e 1918, passando antes a ser resultado do conflito da emancipação e da entrada na idade adulta, da compreensão do mundo por estes avô e neto, e da consciência da importância de estar vivo e de fazê-lo com dignidade.


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

Novidade: Lobos Cinzentos, de Robert Muchamore


Lobos Cinzentos
de Robert Muchamore
Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 416
Editor: Porto Editora
Resumo: 
Primavera de 1941.

Os submarinos alemães patrulham o Atlântico Norte, afundando os navios carregados com a comida, o combustível e as armas de que a Grã-Bretanha necessita para sobreviver.

E, enquanto a Marinha Real perde a guerra no mar, seis jovens agentes terão de se infiltrar na Europa ocupada e sabotar uma base de submarinos na costa ocidental francesa.

Se os submarinos não forem travados, o povo britânico morrerá de fome.

Para efeitos oficiais, estas crianças não existem...

Novidade: Quando Aqui Estavas, de Daisy Whitney

Quando Aqui Estavas
de Daisy Whitney; Tradução: Inês Castro
Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 248
Editor: Edições Asa
Resumo: 
A mãe de Danny perdeu a batalha de cinco anos contra o cancro, três semanas antes de ele acabar o secundário - o dia porque ela mais esperara.
Agora Danny fica sozinho, apenas com as suas memórias, o seu cão, e a ex-namorada que lhe destroçou o coração. Não sabe o que fazer com a casa, o que dizer no da formatura, e muito menos como viver ou ser feliz.
Então uma carta de uma amiga da mãe em Tóquio fá-lo largar tudo e viajar até ao outro lado do mundo para descobrir os segredos da mãe - e perceber por que motivo os seus últimos meses foram tão cheios de alegria. Porém, não é capaz de encontrar as respostas ou de fugir às complexidades da sua relação com Holland apenas por atravessar o oceano. Porém, entre as flores de cerejeira, os templos e as multidões da cidade de néon, e com a ajuda de uma jovem japonesa amiga da mãe, começa a ver que talvez não tenha sido a magia antiga ou os tratamentos místicos que faziam a mãe regressar ao Japão. Talvez o segredo de como viver resida na forma como ela morreu. E como amou.

Opinião: A Lei do Deserto, de Wilbur Smith


A Lei do Deserto
de Wilbur Smith

Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 575
Editora: Editorial Presença 

Resumo: 
Hazel Bannock é proprietária de uma das maiores companhias petrolíferas do mundo, a Bannock Oil. Durante uma viagem através do oceano Índico, o seu iate é sequestrado por piratas somalis. Nele viajava a filha de Hazel, de 19 anos, Cayla, e o resgate que os piratas pedem para a libertarem é exorbitante. Hazel recorre ao major Hector Cross, cuja empresa foi contratada pela Bannock Oil para proteger as suas instalações e pessoal. Juntos, Hazel e Hector estão dispostos a tudo para salvar Cayla, mesmo que isso signifique fazer justiça pelas próprias mãos…
  
Rating: 4/5 

Opinião: Sendo uma adepta de séries policiais e de thrillers e filmes de acção, não sei porque é que não leio livros deste género mais vezes. Ou melhor, sei: não posso fechar os olhos nas partes mais assustadoras/ nojentas/ violentas e fugir da estória. Wilbur Smith fez-me ver que se calhar tenho de voltar com mais frequência a este universo, e descobrir os segredos dos thrillers literários.
"A Lei do Deserto" surpreendeu-me e dei por mim a gostar bastante deste livro, e muito mais do que inicialmente esperava. Wilbur não perde tempo, salta logo para a acção que interessa, põe-nos as cartas na mesa, deixa-nos tocar-lhes e volta a baralhar-nos. É um livro cheio de acção, intenções, momentos de tensão e reviravoltas. E não é mesmo conversa fiada: a meio do livro questionei-me sobre o que é que o autor iria criar para mais 200 páginas porque o enredo parecia conduzir a um final próximo e ele trouxe-me a resposta meia dúzia de páginas depois, com todos os elementos que a comportavam: altercação de personagens, segredos desvendados, uma surpresa rápida, indolor, mas com variadas consequências para o seguimento da narrativa. É neste registo que Wilbur Smith brilha mais, criando um livro forte e agradável para um vasto público. 
As personagens principais (Hazel, a irritante Cayla e Hector Cross) são exactamente o que esperava delas: fortes, com o devido destaque, por vezes incomodativo mas continuando a agarrar-nos ao contante virar de páginas. As personagens secundárias foram cruciais, desde a família de Hazel aos elementos da equipa de Hector Cross e dos terroristas, que por vezes são quem menos pensávamos....
Irritou-me em alguns momentos a construção de determinadas personagens. Cayla, por exemplo, passa por evento tão dramático que eu esperava (adrenalina à parte) que isso se reflectisse na sua personalidade e essa ausência soo-me estranha e um pouco oca. As relações humanas não me parecem por isso o ponto forte do autor, pelo menos no que toca a sentimentos e interiorizações (que surgiram tantas vezes destoados da restante composição). No entanto, esse factor suplanta-se quando logo em seguida nos surge uma linguagem directa e pragmática e por vezes crua (em exagero) que nos obriga a pensar mais além e a saltar para o meio de cenas (quase como culpados), e a sermos um participante activo de toda a narrativa. 

Por outro lado, este autor é bem sentido no livro que criou. É inegável tratar-se de um autor masculino, com um posicionamento e uma perspectiva sobre as acções muito pessoal. Por vezes torci-lhe bem o nariz, até porque algumas descrições me pareceram algo duras e deixaram-me desconfortável  mas conseguimos fazer as pazes umas páginas depois (deixo de ante-aviso os interessados que há cenas de intenções de/ou de estupro) .
Acho que é uma grande aposta para leitores que gostam de acção sem descrições mórbidas em exagero, que procuram algo leve mas cheio de ritmo e que pretende partir para o mundo da ficção sobre um tema que, apesar de tudo, até é bastante real e actual como a pirataria marítima.



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Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

Bibliotecas! - Parte I

Está na hora de vos falar de bibliotecas!

Pelo Encruzilhadas temos falado destes grandes equipamentos culturais desde sempre, não só porque apoiamos o trabalho lá desenvolvido mas porque fazem parte do nosso quotidiano. A Catarina acabou de descobrir as vantagens de percorrer esses corredores literários mais vezes desde que se mudou para o Reino Unido, não porque não as valorizasse antes, mas porque a oferta perto da sua casa anterior não era muito vasta. E basta pensar que vários daqueles livros que estamos ansiosos por ler ou foram recentemente cá editados já circulam pelos leitores das bibliotecas de uma certa região de Inglaterra há algum tempo. Da minha parte, as bibliotecas sempre foram um centro de visita habitual, especialmente porque só comprava livros no meu aniversário e no Natal, o que me obrigava a procurar novas soluções.

Por esse motivo, por aqui sempre as temos defendido, e têm sido as companheiras de muitas horas. Foi nelas que descobri livros fantásticos como "A Rapariga Que Roubava Livros" ou "A Queda dos Gigantes", ou que encontrei aquele livro que precisava mesmo para estudar, onde fiz vários trabalhos de grupo e conheci colegas para além da imagem de sala de aula, onde me frustrei por nunca haver uma secção destinada à Geografia (e me obrigar a percorrer todas as estantes das Ciências Sociais e de Arquitetura/Urbanismo quando elas existiam), mas encontrar outras destinadas ao Cinema, à História e à Sociologia, onde me aventurei só pelo prazer de lá entrar e descobri novas publicações mensais de interesse.

E podia ficar por aqui a divagar sobre o que aprendi e vivi em bibliotecas até ao sol raiar, mas prefiro levar esta crónica noutro sentido. A primeira biblioteca que frequentei dentro de um x raio de km na minha área de residência foi a Biblioteca Municipal de Oeiras, e como tal esse tem sido desde então o meu ponto de referência (faz este mês 18 anos que bem merecem ser celebrados!), mas desde então aventurei-me pelas de Cascais e, mais tarde e já na faculdade, nas de Lisboa. Como tal, tenho o cartão de leitora dos três municípios e porque me tenho deparado com várias diferenças e coisas que gosto mais numas do que noutras, decidi fazer um conjunto de artigos de comparação e recomendação para quem nos segue na área da Grande Lisboa e pretende aventurar-se pelo mundo bibliotecário. E vamos começar nada mais nada menos do que pelo espaço.

ESPAÇOS

Bibliotecas Municipais de Cascais: Biblioteca Municipal Casa da Horta da Quinta de Santa Clara [*], Biblioteca Municipal São Domingos de Rana [*], Biblioteca Municipal Infantil e Juvenil [*] (mais informações aqui).

Bibliotecas Municipais de Oeiras:  Biblioteca Municipal de Oeiras [*], Biblioteca Municipal de Algés, Biblioteca Municipal de Carnaxide (mais informações aqui)

Bibliotecas Municipais de Lisboa: Biblioteca de Belém [*], Biblioteca da Penha de França, Biblioteca Por Timor, Biblioteca Camões, Biblioteca David Mourão-Ferreira, Biblioteca Maria Keil, Biblioteca Olivais (serviço Bedeteca), Biblioteca de São Lázaro, Biblioteca dos Coruchéus, Biblioteca Palácio Galveias [*], Biblioteca Orlando Ribeiro [*], Biblioteca-Museu República e Resistência (espaço Cidade Universitária), Biblioteca-Museu República e Resistência (espaço Grandella), Biblioteca-Quiosque Jardim da Estrela,
Bibliotecas Itinerantese (Mais informações aqui)

[*] - Espaços já visitados.

Como vêm pelos asteriscos, não visitei todos estes espaços, pelo que vou remeter o artigo apenas para a minha experiência pessoal e fico à espera das vossas opiniões relativamente aos restantes.

Oeiras Conversa-Biblioteca de OeirasA Biblioteca Municipal de Oeiras é a central do concelho e a primeira que eu conheci. Desde trabalhos de grupo no secundário a pesquisas da universidade, passei lá muito do meu tempo e é das minhas preferidas. Tem um espaço bastante amplo, luz espectacular (tanto natural como artificial), boas cadeiras para trabalhar e estantes que nunca mais acabam. Conta ainda com uma sala gigante para a secção infantojuvenil, uma recepção com sofás e cadeiras bastante simpática e uma sala de informática e audiovisuais. Se tiver de ficar por lá mais do que umas horas, é a minha preferida. Ponto desfavorável: apesar de próxima à linha ferroviária, localiza-se entre as estações de Santo Amaro e de Paço de Arcos. Não é que fique longe para percorrer a pé o caminho até lá, mas não é nada simpático de se fazer à noite (e até um bocado inseguro), e há que não esquecer que no Inverno escurece depressa...Outra alternativa que utilizava em tempos idos era apanhar o autocarro gratuito para o Oeiras Parque e descer o caminho todo até lá abaixo. Subir a colina no final do dia carregada de livros é que era pêra doce. Entretanto o transporte passou a ser pago, deixei de ter passe que me ligasse aos restantes modos de transporte no perímetro da biblioteca e por isso hoje vou lá menos vezes, com muita pena minha. Para os que se deslocam de automóvel, com prédios nas redondezas e lugares de estacionamento reservados às Águas de Oeiras, estacionar pode ser um pesadelo. (Fonte da imagem: Câmara Municipal de Oeiras).

As Bibliotecas de Cascais são as que melhor conheço porque mais facilmente as visito. Mas nem por isso passo mais tempo nelas. A Biblioteca Infantojuvenil é uma pequena casa engraçada no centro do Parque Marechal Carmona, e um dos verdadeiros espaços a visitar e a relaxar. Estando dedicada às faixas etárias mais novas mas podendo ser utilizada por todos, apresenta brinquedos e mobiliário adequado às idades dos seus principais utilizadores. Já para não falar que tem um parque de merendas mesmo ao lado e bancos à entrada que nos permitem ler ao mesmo tempo que ouvimos os galos, as rolas e os pavões como ruído de fundo. Ponto desfavorável: a ligação ao exterior passa despercebida para quem não a conhece. Precisa de ter a porta aberta mais vezes, e alguma coisa chamativa (na imagem abaixo vê-se uma construção de uma árvore do lado direito mas que não costuma lá estar) e uma tabuleta que lhe atribua maior visibilidade. Já a de São Domingos de Rana é relativamente recente. Faz 10 anos em 2015 e está enquadrada numa realidade de bairro, numa localidade que à partida teria menor afluência ao equipamento (desenganem-se que é bastante visitada), e que muita falta lá fazia. Dispõe de cafetaria, tem uma sala destinada ao infantojuvenil (mais pequena que a de Oeiras), uma sala como galeria de arte e um vasto espaço a ser utilizado. É um edifício que dá prazer em lá entrar e conta com um óptimo parque de estacionamento (para uma lotação média). Ponto desfavorável: A disposição interna não é das melhores. Há poucas mesas para trabalhar e não estão agrupadas da melhor maneira.

Deixei para último lugar a Biblioteca Casa da Horta (como eu lhe chamo para encurtar o nome que nunca mais acaba) porque das três é a que visito com mais frequência. É um edifício antigo recentemente alvo de renovação, com elevador e boas instalações sanitárias (são as maiores diferenças que sinto no espaço para o que era anteriormente). As salas são de pequena dimensão devido à estrutura do edifício, pelo que não me apela a passar lá muito tempo, até porque sentimos sempre estorvar os que estão, os que vão, os que passam nos corredores logo ao lado. No entanto, é um edifício amoroso, bem no centro de Cascais, com uma sala dedicada à informática e outra (um pouco mal aproveitada) para os livros infantojuvenis.
O espaço de eleição é o jardim, amoroso, com várias mesas de apoio que muitos utilizam para almoçar mas também para trabalhar. Basta ver a época de exames a chegar e a quantidade de jovens que o utilizam (é preciso é ter cuidado com as pinhas, gigantes por sinal, que já não é a primeira vez que alguma cai ao ponto de quase deitar um buraco na cabeça de alguém). Ponto desfavorável: Tendo espaços tão fechados, precisava de mais formas de renovação do ar, ou de ter mais janelas abertas. Há dias, especialmente os de chuva e com muita afluência, em que cheira demasiado a gente (Fonte das imagens: Câmara Municipal de Cascais).



Quanto às de Bibliotecas de Lisboa, apesar de já ter visitado mais, aquela que frequentei com maior assiduidade e que, portanto, me deixou com maior capacidade para analisá-la é a Biblioteca Central do Palácio das Galveias. Ainda assim, não posso deixar de dizer que a Biblioteca Municipal de Belém está localizada num sítio espectacular, mesmo próximo aos jardins e perto das tentações do Starbucks e dos Pastéis de Belém. O edifício é pequeno mas bastante agradável. Estive lá durante o dia e parece-me um local bastante calmo e bom para se estudar.
Já a Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, que para quem não sabe foi um grande geógrafo, não poderia faltar nas minhas visitas. Acho o local onde se encontra simpático e a biblioteca é bastante grande. Tem uma secção só para os trabalhos de Orlando Ribeiro e um óptimo espaço para trabalhar, para ler mais descontraidamente e uma vista para os jardins de fazer inveja.
No entanto, a menina dos meus olhos é a Biblioteca Central das Galveias. Primeiro, porque ficava tão próxima da minha faculdade que podia lá ir todos os dias se quisesse (e tivesse tempo, que foi o que mais me faltou para ler nessa altura). Localizada quase defronte o Campo Pequeno, o edifício é lindo e antigo (foi uma das antigas residências dos Távora, pertencendo a meados do séc. XVII, e que mais tarde pertenceu aos condes de Galveias - fonte) e dá gosto lá entrar só por esse motivo. Por outro, porque tem estantes que nunca mais acabam, uma sala só dedicada a livros de áreas científicas de forma detalhada (vi lá categorias que não encontrei em mais nenhuma) e condições relativamente agradáveis para trabalhar. Tem uma sala considerável dedicada ao universo infantojuvenil, outra dedicada à história, e uma subrecepção com dicionários, as obras de saramago e outros grandes autores de língua portuguesa e umas estantes antigas espectaculares. Entrem, vejam os azulejos que a decoram e aproveitem o jardim onde costumam passear dois pavões. Ponto desfavorável: As instalações sanitárias deixam muito a desejar, pelo que ir passar lá o dia inteiro pode ser um problema. Chegar lá ao fim da tarde é esperar um milagre para nos sentarmos a trabalhar. (Fonte das imagens: Câmara Municipal de Lisboa).










 

 No próximo artigo vou falar-vos dos horários e da qualidade do atendimento. Fiquem atentos!

(Nota: Todas as imagens são apresentadas por ordem de relato)

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.