Opinião: O Espião Português, de Nuno Nepomuceno

 
 O Espião Português

de Nuno Nepomuceno
 
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 376
Editor: Book.it /ASA (ou TopBooks)
  



Resumo:
André Marques-Smith é um bom rapaz. Dedicado à família e aos amigos, é o mais jovem funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros português a assumir a tão desejada direcção do Gabinete de Informação e Imprensa. Uma dedicação profissional que esconde um coração partido. Freelancer é o nome de código de um espião da Cadmo, uma organização semigovernamental internacional. A par do MI6 e da CIA, a Cadmo age nos bastidores da política mundial, moldando o mundo tal como o conhecemos. Freelancer é metódico e implacável, um dos seus operacionais mais cotados. André e Freelancer são uma e a mesma pessoa. De Lisboa a Estocolmo, Londres, Roma ou Viena, as suas muitas faces desdobram-se, as missões sucedem-se. Uma delas reserva-lhe uma surpresa. Nas suas mãos, está uma descoberta que pode mudar o mundo e pôr em causa toda a sua vida. Mas, para o melhor e para o pior, ele não está sozinho…

Rating: 3,8/5
Comentário: Já há muito que adiava a leitura de "O Espião Português", de Nuno Nepomuceno. Tinha curiosidade em lê-lo, até porque o ganhei há uns anos num passatempo e tive a oportunidade de conhecer o autor na Feira do Livro de Lisboa na mesma altura. Com a saída do "A Espia do Oriente" para o mercado no passado mês, tive o empurrãozinho que faltava para pegar nele.
"O Espião Português" surpreendeu-me pela positiva, não só pela frescura e equilíbrio da narrativa, mas por estar a ler um livro ditamente comercial e bem escrito, sem qualquer tentativa de almejo de um lirismo português em exagero. É um livro que existe para ser lido com gosto, curiosidade e envolvimento mas também com o intuito de descontrair o/a leitor/a e tornar um momento o mais aprazível possível. 
Tratando-se de um livro de espionagem, não poderia faltar um ritmo acelerado, surpresas constantes, acções repentinas e também uma dose de romance (e neste campo o autor garantiu que iria primar pela diferença).
André não é uma personificação do típico herói que geralmente surge neste género literário. De facto, é totalmente o oposto, sem o ser na totalidade. Parece confuso, mas não é. 
A análise da obra não é feita sob a leitura da fachada do espião, mas do seu humano complexo, emotivo, danificado por acontecimentos transformadores do passado mas também do seu lado corajoso e em parte destemido. Com André habituamo-nos a não ver uma figura robotizada e pronta a entrar em acção em qualquer circunstância, mas um jogo constante de valores, interesses, responsabilidades e sensibilidades que tomam forma com bastante genuinidade. Ainda assim, julgo que por vezes o autor possa ter pecado um pouco pelo excesso neste contexto, uma vez que embora acompanhando as suas missões e os desafios inerentes ao cargo, que surgem constantemente ao longo da narrativa, nem sempre consegui encarar esta personagem principal como o que em última esta representava: um espião, um português com vida dupla paralalelamente à laia de um organismo governamental e de uma instituição internacional oculta.
Por esse motivo, o balanço com os aspectos mais pessoais e característicos da personagem transpiraram para as restantes páginas,  especialmente na sua relação com familiares e amigos, o que atribuiu à acção alguma densidade e um conteúdo bastante surpreendente; especialmente relativamente a um grande segredo fechado a sete chaves até quase ao fim. Gostei da leveza de Sara, apreciei respectivamente o jeito protector do pai e a proactividade doce da mãe de André, assim como as aventuras dos amigos casmurros e daqueles que proventura não se revelaram o inicialmente esperado.
Tenho algumas questões com uma certa leveza na abordagem do mundo da espionagem, que terei certamente possibilidade de abordar diretamente com o autor para não vos dar nenhum spoiler, não pela ausência de detalhes e minuciosidade, mas pela forma como foram apresentadas ao longo do livro.
Gostei especialmente que a acção intricada tivesse deixado algumas questões por serem resolvidas no ar, espicaçando a curiosidade do leitor para o próximo lançamento, volume no qual estou desejosa de colocar as mãos e iniciar a leitura. 
"O Espião Português" soube colocar o/a leitor/a a ansiar por mais, e é mais um autor português no qual vale a pena apostar!


 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

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