Opiniao: Peregrino, de Terry Hayes



Peregrino
de Tery Hayes

Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 656
Editor: TOPSELLER






Resumo:  Uma corrida vertiginosa contra o tempo e um inimigo implacável.

Uma jovem mulher brutalmente assassinada num hotel barato de Manhattan.
Um pai decapitado em praça pública sob o sol escaldante da Arábia Saudita.
Os olhos de um homem roubados do seu corpo ainda vivo.
Restos humanos ardendo em fogo lento na montanha de uma cordilheira no Afeganistão.
Uma conspiração para levar a cabo um crime terrível contra a Humanidade.
E um único homem para descobrir o ponto preciso onde estas histórias se cruzam: Peregrino.

  
Rating: 2,5/5
Comentário: Nem sei bem como falar deste livro ou o que escrever sobre ele. Há muito tempo que não me sentia tão abanada após uma leitura, sem saber como colocar em palavras os motivos pelo qual ele me encheu as medidas ou não correspondeu às expectativas. Com Peregrino, a leitura trouxe-me ambas percepções, ficando ainda com menos (e mais) para escrever esta opinião. 
Gosto do facto da sinopse não indicar muito e deixar o leitor ansioso pela descoberta. Peregrino prima pelo mistério e pela procura constante por novas respostas e soluções, impondo uma atenção constante ao leitor para não se perder numa trama que acontece cheia de dualidades e questões para desvendar. As frases curtas, dispersas e simples, contam muito mais do enredo do que pareceria à primeira instância. Pode relê-las neste momento, mas vai continuar sem perceber nada, acredite. 
Acho que o enredo começou com o tempo certo, com uma acção chamativa, imediata, bombástica e intensa que nos desperta logo para o que vai acontecer. Se nos dizem que ao quinto capítulo já vamos estar apanhados, eu considero que já o estava ao terceiro. Um crime perfeito e uma personagem mistério, que nos fala mas que não revela nada de si, foram tudo o que precisava para aceitar que iria mergulhar numa corrida vertiginosa. 
No entanto, acabei por ficar um pouco desapontada, porque o autor redirecionou-se para uma estrutura narrativa completamente diferente, especialmente assente na contagem de estórias. Basicamente, somos iniciados numa trama em media-res sendo que acabamos por mergulhar no passado desta personagem, com o relato de excessivos detalhes que apoiam a construção deste homem mistério, mas que não acrescentam nada à acção inicial. Deu por mim muitas vezes a pensar "mas quando é que retornamos ao presente?", até porque considerando que a composição da trama onde o elemento principal é um homem representativo do mundo de espionagem tem por base também o desvendar do mistério, este era desenredado lentamente, com perícia mas muita morosidade, acabando por me aborrecer em determinadas alturas. Não porque não fosse bastante interessante, uma vez que Terry Hayes tem o dom de provocar a dependência no leitor, mas porque não se adequava ao tipo de livro que esperava encontrar. 
Dessa forma, apesar de ir acompanhando com interesse o desenrolar das tramas paralelas e passadas senti que o elemento-chave e surpresa se fosse perdendo. 
A introdução do Sarraceno é brilhante, embora a ideia de que todo o seu percurso é do total conhecimento do Peregrino, quando em quase nenhuma parte da narrativa se refletem essas descobertas, fosse um bocadinho demais. 
Um anti-herói mas brilhante, sofrido mas conquistador de vitórias e de ideias, consegue pela primazia de apresentação até bater o nosso herói principal ao nível do brilhantismo e pelo intelecto. No entanto, e mais uma vez, toda a descrição do seu percurso que ocupa este livro torna-se excessiva em alguns momentos. 
Por esse motivo, é a partir da terceira e quarta parte do livro que o senti voltar à remessa inicial e ao prometido. A acção foi mais rápida, interligada, criando momentos expetantes e impulsionadores da acção em cada página. Nesse sentido, gabo a capacidade de Tery Hayes de reinvenção e de capacidade de recuperar a promessa perdida. Ainda sobre o enredo, no entanto, descobri algumas interligações forçadas e até sem sentido, mesmo que justificadas, que deram por mim perdida e a questionar-me em que direcção quereria o autor levar o livro, antes de o tornar em algo sem sentido. A verdade é que ele conseguiu dar a volta, de forma a deixar pontas soltas para o que muito suspeito ser uma continuação para um futuro livro, mas que neste primeiro exemplar não fez sentido nenhum senão encher páginas e fazer o leitor perder tempo. A ligação entre Nova Iorque e a Turquia, as personagens escorregadias que aparecem só para embelezar um livro que eventualmente beneficiaria mais da sua ausência deixaram-me algo confusa. 
Valeu-me este Peregrino, complexo e premeditado, ausente, ansioso, afectivo e apaixonado para desencadear um interesse inusitado pelo livro. Paradoxalmente e em total contraposição ao que referi anteriormente, as descrições de infância e dos familiares humanizaram esta narrativa, dando-me elementos pelos quais ansiar (ainda que na prática as duas narrativas constituam obras diferentes e que fariam todo o sentido em serapado).
No fundo, o livro até está magistralmente montado, mas falta a emoção secular e avassaladora que um livro deste género promete (e que não me deu de todo). Julgo que no fim o que ganha em toda a obra é o efeito surpresa constante. Pegando novamente no que escrevi no início, de facto toda a sinopse reflete este livro, mas de uma maneira que não é de todo esperada pelo leitor. E a única maneira de justificar esta afirmação é se pegarem no vosso exemplar e percorrerem estas quase 700 páginas.
De qualquer forma, o livro tem tido óptimas opiniões no mundo da blogosfera. Nesse sentido, recomendo-vos que leiam por vocês mesmo e que depois me venham contar o que acharam e (ou não) refutar esta minha opinião.


Cláudia
Sobre a autora:
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projecto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

Resultado Passatempo: Virus Mortal, de James Dashner (Editorial Presença)

Boa noite Encruzilhad@s,

Já temos os resultados do nosso passatempo em parceria com a Editorial Presença no qual sorteamos um exemplar de Vírus Mortal de James Dashner.

Depois de termos eliminado todas as respostas erradas e com a ajuda do Mr Random podemos dizer que a nossa vencedora desta vez foi a Daniela Gonçalves de Castelo Branco.

Parabéns! Os teus dados já seguiram para a editora e em breve receberás o livro em tua casa.

Opinião: Doce Tortura, de Rebecca James


 Doce Tortura
de Rebecca James

Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 384
Editor: Suma de Letras






Resumo:  
Quando Tim Ellison encontra um quarto barato para alugar num dos melhores locais de Sydney, parece um golpe de sorte: estará perto do restaurante onde trabalha e ainda mais perto do seu lugar preferido para praticar surf. Mas há uma condição para que possa arrendar o quarto:
Tim terá de fazer todos os recados à misteriosa dona do quarto, uma mulher muito reservada e pouco amistosa, que nunca abandona a casa.

Tim esforça-se cada vez mais por conhecer melhor a figura inquietante de Anna. A princípio muito reservada, ela começa a revelar-se aos poucos: a sua história, a sua tristeza, os seus medos paralisantes.
É então que começam a acontecer coisas estranhas na casa: golpes a meio da noite, figuras inexplicáveis nas sombras, mensagens sinistras nas paredes. Tim assusta-se porque, ao mesmo tempo que o seu desconforto em relação àquela casa vai aumentando, crescem também os seus sentimentos pela bela e misteriosa dona da casa.

Que tipo de pessoa será Anna London: alguém que merece compaixão, alguém para amar ou alguém para temer?
  
Rating: 3,5/5
Comentário: Bem, esta sinopse certamente promete! Quando recebi este livro de surpresa para leitura e opinião da Penguin Random House Portugal, fiquei naturalmente contente com o gesto mas torci o nariz quando li do que se tratava. A verdade é que gosto de thrillers, mas este aparentemente puxava ao sobrenatural, o que não é de todo a minha praia.
De qualquer forma, parti de mente aberta para a estória, uma vez que nunca se sabe se não nos deixamos envolver por personagens ou pelo estilo dos autores. 
Rebecca James tem, afinal, uma escrita muito fluída e envolvente, misturando doçura com um toque de acutilância que nos prende às páginas e faz querer continuar a leitura. A envolvência do leitor nasce página a página, contemplando personagens apresentadas sob mistério enevoado, com suspeitas e peças a saltar de forma cíclica, criando um novelo fixador de atenção e curiosidade.
Seguindo essa linha, é credível que o enredo tenha sido uma surpresa, não só por tender numa direção que não esperava, mas porque, tal como as suas muitas personagens, muitos dos acontecimentos pareciam desajustados de uma forma bastante confortável, mas paradoxalmente fazendo todo o sentido. Os momentos de dor, de angústia e de paranóia, as imersões num mundo inabalado (ou muito abalado, conforme as perspetivas), as invasões de espaços íntimos, memórias e lembranças mas também as redescobertas dos pequenos prazeres que constituem a vida humana são abordados por Rebecca James com perícia, embrenhando-nos num mundo que de facto não conhecemos, mas que estranhamente vai fazendo sentido. 
Não deixo de considerar pequenos momentos do enredo algo forçados e até despropositados, ficando no fim a certeza de que algo não encaixa na totalidade (da mesma forma que as personagens não encaixam na mansão), mas que ainda assim acaba por ser o fim que esperamos. No fundo, a autora consegue incutir a estranheza das suas personagens e do enredo ao leitor, ficando certo de que não existirá uma abordagem certa a este livro. 
E por falar em abordagem, colocar Tom e a sua voz descontraída mas que nunca deixa de indagar e o seu lado bonacheirão e desacompassado (com uma sensibilidade e acutilância) como voz principal, foi uma aposta ganha neste livro. A sua vida relaxada (ainda que com questionamentos) foi a confrontação ideal para Anna e a sua frágil redoma de receios, permitindo que estes desajustes se imiscuíssem numa fachada estanque, mas num desejo único de mudar. 
Penso ter sido interessante também ver o livro contado a duas vozes, especialmente quando uma delas é totalmente opaca para o leitor quando tida numa das perspetivas, embora se pudessem ter evitado algumas repetições de construções de uma para outra. 
O final foi também um pouco apressado, pelo menos na construção final. Era esperado, mas gostava de o ver mais desenvolvido, uma vez que o climax que nos chega não é causa imediata para os resultados elaborados nas últimas páginas. Faltou-me mais da Anna e do Tim nelas, para além das transformações óbvias na vida de ambos. Faltava alguma profundidade, alguma explicação para certas construções que foram sendo colocadas ao longo do livro como chamarizes e também um sentido de conclusão (mesmo que tendo um final aberto) que me pudesse soar mais favorável.
Ainda assim, foi um livro de uma frescura incrível, pelo menos atendendo às minhas leituras este ano, o que acabou por me surpreender pela positiva. 
Uns tempos passados da leitura, já não sei precisar se as 3,5 estrelas são atribuídas ao livro pela qualidade, se pelo prazer de leitura, mas sendo uma ou outra, tenho a dizer que esta Tortura foi sem dúvida, muito Doce (mas não é melosa, não se preocupem!).

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projecto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

Projeto Adamastor Procura " Os Melhores Romances Escritos em Língua Portuguesa"!

 
O Projecto Adamastor, encontra-se de momento a dinamizar uma votação intitulada «Os Melhores Romances Escritos em Língua Portuguesa». A intenção dos coordenadores do projeto é elaborar uma lista dos melhores romances de autores lusófonos, tendo como base os maiores peritos: os leitores.
 
Para participarem nesta recolha, basta que preencham o formulário cujo link é disponibilizado em baixo e deixarem boas sugestões literárias em língua portuguesa!

"Nos dias que correm a proliferação das listas é um facto incontornável, e a literatura não escapa a essa tendência. Apesar do seu carácter muitas vezes redutor, as listas são um óptimo pretexto para uma discussão acerca de livros, assim como uma forma de divulgar boa literatura, algo que não poderia estar mais de acordo com os objectivos do Projecto Adamastor.
Assim sendo, resolvemos elaborar uma lista dos melhores romances em língua portuguesa, com base numa votação que decorrerá ao longo dos próximos meses, e em que qualquer leitor poderá contribuir com a sua opinião.
 [...]
Para participar basta preencher o formulário abaixo apresentado, indicando dez romances de autores lusófonos, por ordem de preferência, ordem essa que funcionará como principal ponderador no apuramento dos resultados finais; de notar que as escolhas podem ser editadas até ao final da votação.
A votação decorrerá até ao final do presente ano e os respectivos resultados serão anunciados em Janeiro de 2016."

 
Link para votarem aqui.
 

Passatempo: Virus Mortal, de James Dashner (Editorial Presença)



Boa noite Encruzilhad@s!


Há muito tempo que não vos trazíamos um passatempo e por isso hoje estamos muito contentes com esta surpresa. A Editorial Presença mais uma vez alia-se ao Encruzilhadas Literárias e traz-vos uma óptima novidade deste outono!

Virus Mortal é a prequela da trilogia Maze Runner (com o segundo filme agora nos cinemas não têm desculpa para não ler!!) e um dos livros muito esperados pelos fãs do autor. Com 4,1 estrelas na Amazon, viu os seus direitos vendidos para cerca de 43 países.

Habilitem-se a este livro espectacular e preenchar o formulário que se segue (sem esquecer o cumprimento das "regras")!


Resumo: Antes de a CRUEL existir, de a Clareira ser construída e de Thomas ter entrado no Labirinto, os fulgores do Sol atingiram a Terra, arrasando o planeta e dizimando grande parte da humanidade. Mark e Trina estão entre os sobreviventes que agora lutam por uma existência em condições precárias nas pequenas comunidades que se formaram nas montanhas. Mas se eles achavam que a situação em que se encontravam não podia piorar, estavam enganados. Um inimigo surge, infetando a população com um vírus altamente contagioso e mortal…

James Dashner nasceu no estado norte-americano da Georgia, em 1972. Concluiu a licenciatura na Brigham Young University e em 2003 publicou o seu primeiro livro, A Door in the Woods. É também autor, entre outros títulos, da série The 13th Reality e da aclamada série Maze Runner que é bestseller do New York Times e que se encontra publicada em mais de 40 países. Os dois primeiros volumes da série foram adaptados ao grande ecrã. Vírus Mortal é a prequela que os fãs da série aguardavam.

«Estas e outras novidades no site da Editorial Presença aqui» 

Regras do passatempo
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 18 de outubro de 2015.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só serão aceites uma participação por pessoa e morada, em todo o território português (Portugal Continental e Ilhas).
4) O/A vencedor/a será sorteado de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail.
5) O Encruzilhadas Literárias e/ou a Editora não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT nas encomendas enviadas.

Opinião: Confissões de Catarina de Médicis, de G.W. Gortner


Confissões de Catarina de Médicis
de G.W. Gortner

Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 400
Editor: Topseller





Resumo:  
Pela voz da própria Catarina de Médicis, C. W. Gortner relata-nos a extraordinária viagem de uma das mais amaldiçoadas, incompreendidas, mas também mais poderosas e controversas mulheres da História. Para uns ela foi uma rainha impiedosa que conduziu França através de uma era de violência sangrenta. Para outros foi uma salvadora apaixonada da monarquia francesa.
Última descendente legítima da ilustre linhagem dos Médicis, foi prometida ainda adolescente a Henrique, filho de Francisco I de França, e enviada de Itália para um reino desconhecido, onde foi ofuscada e humilhada pela poderosa amante do marido, Diana de Poitiers. Perseverante, Catarina lutou por criar o seu papel no reino que lhe pertencia por direito, com uma força e determinação inatas que a transformavam numa mulher notável. Além de uma forte personalidade, Catarina possuía ainda, segundo testemunhos, visões premonitórias, as quais, aliadas à orientação do clarividente Nostradamus, a ajudaram a traçar as linhas do seu destino e da sua família. Mas no seu 40.º aniversário, Catarina enviúva e é deixada sozinha, com seis filhos jovens, como regente de um reino dilacerado pela discórdia religiosa entre católicos e huguenotes e as ambições desmedidas de uma família traiçoeira de nobres, os Guise.
Confiando apenas na sua tenacidade, Catarina toma o poder para garantir o trono dos filhos. Mas para salvar França, ela terá de sacrificar os seus ideais, a sua reputação e os segredos mais profundos de um coração agrilhoado.
«Os fãs de Philippa Gregory vão devorar este livro.» - Booklist

Primeiras páginas aqui.
  
Rating: 4/5
Comentário: Catarina de Médicis é uma personalidade histórica que sempre me despertou curiosidade. Primeiro, pelo nome e impacto tão conhecido que a sua herança familiar causou um pouco por toda a Europa. Depois, pela diversas personificações em séries e filmes, que certamente lhe atribuiram uma humanização negada nos preâmbulos da História, mas ainda assim nem sempre muito verídica ou com verosimilhança suficiente para ser encarado como um quadro real e um desfecho digno para esta rainha francesa de origem italiana. 
Foi portanto com curiosidade que peguei no livro "Confissões de Catarina de Médicis", ainda que também com alguma relutância (por já me ter sentido defraudada com livros do género no passado...). 
Confesso que não fiquei nada desiludida! G. W. Gortner tem um estilo criterioso de introdução de elementos históricos e factuais, entrelaçando-os com suspiros ficcionais mas de extrema qualidade, não descurando um universo e outro numa ligeireza que revela práctica e enlevo. De facto, achei que fosse estranhar e até desgostar a apresentação do enredo através da primeira pessoa, num género de livro de memórias. No entanto, a voz de Catarina de Médicis é forte e o elemento principal, centrando em si o romance de tal forma que o leitor se abstém desse pormenor. Sem excesso de emoções, sem encenações recambolescas e com um enorme equilíbrio entre personagens e cenários, este é um livro incrivelmente bem escrito. 
A descrição de Catarina de Médicis foi ainda conseguida ao nível de abordagem, uma vez que visualizamos as suas várias facetas ao longo dos anos, desde a menina insegura à mulher destemida e batalhadora, mas também complexa e cheia de nuances como se espera a qualquer ser humano. Nesse sentido, subentende-se em diversos momentos o porquê de toda a fama que esta personalidade recolheu, assim como o motivo pelo qual ela foi adquirindo várias facetas junto da sociedade e o mundo que a recebeu à época, Porque no fundo, Catarina de Médicis é tudo o que dizem dela, mas também o que não dizem, é-o no todo e parcialmente, e a sua rede intercalada de contactos, tramas, aventuras, perdas e desesperos, filhos amados e traidores, amantes, inimigos e confidentes é enorme, repleta de momentos de descoberta, que cobrem uma recontagem esplêndida da estória e da história de uma mulher grande da História europeia.
Acho que passei a admirá-la e ao seu percurso, e pretendo ler outra informação de não-ficção sobre esta personalidade. 
G.W.Gortner sem dúvida surpreendeu-me com o seu rigor histórico e literário, e é um autor a acompanhar futuramente!





Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projecto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

Informação: Concurso Literário Lugares e Palavras de Natal

E à semelhança de anos anteriores, divulgamos este projeto coordenado por Mª Eugénia Ponte e João Carlos Brito!

Para quem gosta de escrever e adora o Natal assim como de celebrá-lo, surge aqui uma oportunidade de serem parte integrante da colectânea "Lugares e Palavras de Natal". Podem participar com contos ou poemas, desde que tenham como pano de fundo a quadra natalícia.Os trabalhos deverão ser entregues até 15 de outubro e o regulamento poderá ser consultado aqui:https://www.facebook.com/events/955218297881829/