Opinião: Nós os Dois, de Andy Jones



Nós os Dois
de Andy Jones
 
Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 368
Editor: Suma de Letras Portugal
  


Resumo: 
Fisher e Ivy vivem uma relação idílica durante dezanove dias, durante a qual são inseparáveis. Os dois sentem intimamente que estão destinados a ficar ligados para sempre. E o facto de saberem tão pouco um sobre o outro é apenas um pormenor. Nos doze meses seguintes, período em que as suas vidas mudam radicalmente, Fisher e Ivy vão perceber que apaixonar-se é uma coisa, mas manter uma relação é outra completamente diferente.
Nós os Dois é um romance muito honesto e transparente sobre a vida, o amor e a importância de não se tomar nada nem ninguém por garantido.

Rating: 2,5/5

Comentário: A premissa de "Nós os Dois" é sem dúvida pertinente e interessante. Muitas vezes dei por mim a pensar no depois, das séries, dos filmes, das estórias pelas quais nos fazemos acompanhar de forma ininterrupta até que nos deparamos com o fatídico fim. Os obstáculos, os momentos atribulados de superação, a pesquisa e procura de alternativas para a tão almejada felicidade são os elementos essenciais de qualquer enredo que envolva um casal como protagonista. Por isso mesmo, a ideia de poder desvendar o véu e ver para além do cenário idílico de conquista foi um chamativo para mim. Contudo, a relação de dezanove dias anunciada já na sinopse acaba de alguma forma por diferir da construção mental das minhas divagações.
O relacionamento de Fisher e Ivy é uma lua de mel finalizada à qual não temos bem acesso nem ganhamos a percepção do afecto, intimidade ou do extâse de um amor recém-descoberto. A ausência de pequenos indícios não só descritos mas também percepcionados por parte do leitor são preponderantes para que exista uma certa dificuldade em que o leitor se reveja ou aproxime destas personagens de uma forma imediata. A ideia de que este casal se percepciona a ficar junto de forma duradoura é lançada mas não realmente presenciado por quem os acompanha e cria alguma estranheza.
Ainda assim, a reviravolta que cria as expectativas de desenvolvimento do enredo principal é alimentada de uma forma cuidada, sensível e bem articulada que perpetua uma situação em que vários casais já se terão encontrado, abrindo caminho para uma série de hipóteses ramificadas em consonância com o nível de compromisso e objectivos do mesmo. As abordagens de Fisher e a sua perspectiva dos acontecimentos (sobre a qual o livro é contado) demonstram uma série de tendências que nos levam a pensar no desfecho que poderá estar a construir-se, ainda que sem muita certeza. Esta personagem ganha ainda maior relevo porque, mesmo deparando-se com um cenário pouco expectável, demonstra mais sentido, angústia, determinação e vontade do que outros em casos semelhantes. Acompanhar de perto este homem, em detrimento de Ivy conferiu um toque de frecura, embora tornasse esta personagem muito inalcansável. Posso até afirmar que só a meio do livro senti algum apego a ambos, embora não o suficiente para realmente me preocupar com o destino de cada um.
A um outro nível, este livro tem uma abordagem realista, natural e pouco encantada aos desafios do quotidiano e da construção de uma vida a dois, com espaço para o desencanto e a descoberta do conforto e da cumplicidade existente entre um casal, sem esquecer as frustrações, as dúvidas, as obsolescências de uma comunicação ineficaz que podem destruir uma relação.
É também rico e diverso, demonstrando várias relações, vários tipos de amor, de compromisso, de cumplicidade e desafios, mantendo a abordagem crua mas sincera, com um ligeiro toque de delicadeza quando é necessário. Estes ajudaram a compor um quadro mais completo do dito mundo real, sem cair nos clichés habituais. São acima de tudo abordagens sensíveis ao romance na vida adulta, sem floreados mas sem um cinismo ou crítica que poderiam ser esperados.
Ainda assim, a ausência de elementos de conectividade com os leitores, o ruído constante de histórias paralelas que criaram distanciamento entre as personagens principais (ainda que propositado) tornaram os momentos felizes um pouco ocos e sem um grande impacto, pelo que ainda que curiosa com o desfecho (o qual não fui capaz de adivinhar) não senti grande ligação com o enredo, causando-me um certo aborrecimento e cansaço pelo esforço de os acompanhar.

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

1 leitores reagiram:

  1. Olá Cláudia,
    Pena que o livro não correspondeu.
    Esperemos que a próxima seja melhor.
    Beijinhos e boas leituras

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