Opinião: O Projecto Rosie, de Graeme Simsion



O Projecto Rosie, de Graeme Simsion

Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 272
Editor: Editorial Presença






Resumo: Don Tillman decide que está na hora de casar. Só falta escolher a mulher perfeita.
Don é um professor de Genética brilhante mas, por ser pouco sociável, considera que a forma mais simples de encontrar uma companheira consiste em elaborar um questionário. Cria o algoritmo perfeito que permite excluir as candidatas inapropriadas e, assim, evitar incidentes como os que viveu no passado.
Rosie Jarman, apesar de bonita e inteligente, tem todas as características que Don desaprova e é desqualificada de imediato. No entanto, Rosie procura Don por outros motivos e este aceita ajudá-la.
Divertido e comovente, O Projeto Rosie demonstra que o amor desafia toda a racionalidade.
O Projeto Rosie é um bestseller do New York Times, que vai ser adaptado para o cinema. Uma história de amor como não há igual!

Rating: 4/5

Comentário:  Estava há muito tempo tentada com este livro (anteriormente editado pela Divina Comédia Editores, e presentemente pela Editorial Presença) e como está na altura de começar a acabar com livros por ler cá por casa, achei que era o momento ideal. O enredo é exactamente o que esperava e diverti-me imenso numa leitura animadora e casual, mas repleta de momentos singulares que a tornaram mais minuciosa do que parecia inicialmente.
Don é a personagem que assume o papel de narrador, o que torna tudo mais desafiante. De um momento para o outro, passamos a ver o mundo através de um olhar masculino, objectivo e incapacitada de ler sentimentos. É factual, objectivo mas também curioso, constante e acutilante. A parte mais interessante do exercício do leitor passa mesmo por ver além do que nos é inicialmente fornecido, de saber além das ilações desta personagem particular e construir o cenário mais vasto que lhe escapa ao olhar. Adorei fazer esta transposição constante, tanto aquando da sua análise enquanto individuo como derivada das confusões e mal entendidos do contacto com terceiros.
É esta objectividade que o leva na demanda de procurar uma mulher, num processo tão escrutino e opressivo para o sexo feminino (embora naturalmente lhe passe despercebido) que naturalmente lhe trará diversas peripécias. São depois as suas interpretações do processo, assim como dos conselhos dos amigos que os encaminham numa avalanche de hilariantes situações, muitas delas sucedâneas e com consequências imprevisíveis.
Já Rosie é exactamente o oposto: mais rebelde e disruptiva ao seu olhar (de Don, leia-se) do que realmente é, com um coração doce mas assertiva e destemida, acaba por furar uma certa carapaça à incompreensão social que sempre o assistiu. É portanto um prazer ver o florescer desta relação, muito longe de qualquer objectivo romântico, e a compreensão de que o amor nunca é o esperado e nem nos apaixonamos por quem queremos, mas por quem apela ao melhor de nós.
E é a junção destas duas personagens com uma série de outras, que acabam por se assumir como impulsos constantes para bem da narrativa principal, que tornam toda a construção mais fluída, mas inconstante, a pulular de pequenas novas ideias e com uma enorme capacidade de criar um enredo mais denso e apropriado a uma leitura que não se quer somente unidimensional. 
É uma narrativa com vários momentos caricatos, desafios constantes conduzidos pela mente acutilante desta personagem maravilhosa e uma leitura que se torna doce, sem ser melosa, romântica sem clichés, divertida sem exagero e com um toque muito especial de originalidade.


                                         

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

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