Totally Should've | BOOK TAG

Olá Encruzilhad@s!

Para celebrar os seis anos do blog decidimos fazer um desafio! Este desafio foi lançado pela Emma no youtube e pode ser visto clicando aqui. O objectivo do Totally Should've é falar de 11 desejos que temos em relação aos livros que lemos.
Para nos ajudar fomos buscar o perdido Consultor Literário que ultimamente anda com o livro Guia para um Final Feliz debaixo do braço.
Aqui ficam então os nossos 11 desejos em relação a livros.

1. Totally should've gotten a sequel 

Catarina

Para mim um livro que podia ter um final diferente, ter uma continuação que não tem (o que é cada vez mais raro!) é o The Darkest Part of the Forest de Holly Black. Tive a sensação que a autora fez um final meio apressado para concluir a história que na minha opinião tinha potencial para mais, não só para explorarmos o mundo como as personagens. Por isso, Holly se me lês, por favor repensa esta decisão!



 Alex
It's kind of a funny story de Ned Vizzini
Depois de tudo o que aconteceu e da relação que começou gostava de saber mais.









Cláudia
Não me vindo nenhum à cabeça momentaneamente, dei-me ao trabalho de procurar inspiração pelos livros já lidos e não há nada que gostasse que tivesse uma continuação. Mal ou bem, ficando mais ou menos feliz com os desfechos, acabo sempre por achar que as estórias acabaram no timing certo.

2. Totally should've had a spin off series 
Catarina
Bartimaeus de Jonathan Stroud
Embora tecnicamente haja um "spin off", este poderá não ser considerado tal e sim uma prequela? Seja como for, acho que Bartimaeus devia fazer um regresso noutro tempo e espaço.




 


Alex
Harry Potter de JKRowling ou Eragon de Christopher Paolini
Both is good!







Cláudia
Se calhar, a série Leviatã, de Scott Westerfield. Foi a única de que realmente gostei do autor, e gostava de ter visto este universo explorado, ou com personagens diferentes num outro contexto, ou anos mais tarde.







3. An author who totally should write more books 
Catarina
Escolho Maria Dahvana Headley devido à sua nova saga young adult Magonia que foi o primeiro livro que li da autora. Adorei Magonia e acho que Headley escreve adolescentes bem, gostei da maneira como lidou com os seus sentimentos e foi dos poucos livros com double point of view que não me incomodou.







Alex
J.K.Rowling. Hands down.

Cláudia 
Há muitos, mas por norma os que quero que escrevam mais livros, estão de facto a fazê-lo (ou têm essa expectativa). Mas provavelmente, quero mais livros da Natasha Solomons, da J.K. Rowling (always!), da Isabel Stilwell, do Ken Follet, do Nuno Nepomuceno, da Carla M. Soares, da Stephanie Perkins, eventualmente da Joanne Harris (andamos um bocado desencontradas nos últimos anos).






4. A character who totally should've ended up with someone else 
Song of the Lioness de Tamora Pierce
Apesar de ainda não ter acabado de ler esta saga já me disseram com quem a personagem principal acaba. E isto irritou-me porque 1) faz sentido que assim o seja, 2) não era o casal que eu queria, 3) não sou fã de casais com diferenças de idade muito grandes, fico sempre arrepiada, principalmente quando eles se conhecem e ficam amigos quando um deles é uma criança e o outro já é adolescente e falamos de 10/15 anos de diferença. Não, definitivamente não. Veremos se a escrita me convence.



Alex
Katniss. Acredito que devia ter ficado solteira.










 
Cláudia
Eilin em "Brooklyn". Sinceramente o livro não me convenceu, e quem o ler não sei se perceberá tanto a minha veemência. De qualquer forma não me consigo desligar da adaptação cinematográfica, pelo que vai para aqui a minha escolha. 






5. Totally should've ended differently 
Catarina
The Death Cure de James Dashner
Não tenho palavras para descrever quanto este final me irritou! Aliás tenho, chama-se "Nunca mais vou ler nada deste autor porque não confio nele."
Diz quem leu o quarto livro/ prequela que tudo acaba por fazer mais sentido mas a única coisa que tenho a dizer é "nope!".





Alex
O Diário de Anne Frank de Anne Frank
Eu gostava que tivesse acabado de forma diferente.






 

Cláudia
Na adolescência, fartei-me de ler os livros da coleção profissão: Adolescente da Maria Teresa Maia Gonzalez. Aqueles finais abertos sempre me puseram maluca. Ainda hoje me pergunto para onde terá ido a Rita naquele fatídico táxi ou o que é a mãe do Rodrigo lhe fez depois daquele grito histérico. 







6. Totally should've had a movie franchise 
Catarina
A minha escolha vai para a trilogia Heist Society de Ally Carter. A série de televisão Leverage - Jogo de Audazes era fantástica e os livros de Ally Carter são também fantástico. Estes livros definitivamente mereciam uma trilogia de filmes!







Alex
Stonehenge por Bernard Cornowell 









Cláudia
Aqui não dá dúvidas, são muitos e todos merecem: Ervamoira (Suzanne Chantal), Uma Casa de Família (Natasha Solomons), O Cavalheiro Inglês (Carla M. Soares), Cinco Quartos de Laranja (Joanne Harris), Longbourn: Amor e Coragem (Jo Baker), O Silo (Hugh Howey), Pergunte a Sara Gross (João Pinto Coelho).






 7. Totally should've had a TV show 
Catarina
Heroes of Olympus de Rick Riordan
Como discuti na nossa página de facebook recentemente gostava que a saga Heroes of Olympus tivesse uma série de televisão animada. Acho que seria cativante e uma maneira fantástica de fazer justiça aos livros de Riordan visto que os dois filmes foram uma desgraça.






Alex
Percy Jackson de Rick Riordan, Eragon de Christopher Paolini e The Darkest Age de A.J. Lake








Cláudia
Atendendo que a que eu mais queria vai sair este ano (trilogia O Século, de Ken Follet), digo Trilogia Langani (Barbara e Stephanie Keating) e Um Fortuna Perigosa (Ken Follet).






8. Totally should've had only one point of view 
Catarina
Heroes of Olympus de Rick Riordan
Não necessariamente só um ponto de vista mas com oito personagens principais uma pessoa salta por muitas cabeças e houve personagens que me irritaram mais que outras,






Alex
Nenhum.


Cláudia
A Rapariga no Comboio. Primeiro que eu percebesse que era duas vozes, nada estava a fazer sentido. Quando finalmente percebi, tive de retornar ao início e tentar distinguir dois pontos de vista semelhantes na expressividade, mas com conteúdo diferente.







9. Totally should have a cover change 
Catarina
The Ocean at the End of the Lane de Neil Gaiman
A capa do Reino Unido é horrorosa. Simplesmente horrorosa.









Alex
A saga The Giver. As capas podiam ser melhores.








Cláudia
Há por aí muita literatura erótica e fantasia urbana a precisar de renovação de visual. Como nem uma nem outra são a minha praia (a primeira por exclusão total, a segunda porque só lhe pego de vez em quando, não me vou preocupar com ela). Persuasão, de Jane Austen, editado pela Editorial Presença, já merecia uma melhor capa. Ah, e o "A Cada Dia", de David Levithan (a original é tão bonita!)





 10. Totally should've kept the original covers 
Catarina
Ella Enchanted de Gail Carson Levine
Qualquer livro que tenha sido re-editado para ter a capa do filme. Mas escolho o Ella Encantada de Gail Carson Levine. Com todo o respeito à Anne Hathway, mas não.







Alex
The Perks of Being a Wallflower.









Cláudia
A Mecânica do Coração ficava melhor nas capas amarelinhas. A mesma coisa para os livros de José Saramago (não sou muito fã das capas manuscritas).








11. Totally should've stopped at book one
Catarina
Caçadores de Sombras de Casandra Clare
Não no livro um mas no terceiro a saga dos Caçadores de Sombras de Casandra Clare. Como se não bastasse ter "assassinado" as personagens nos volumes seguintes, diz quem leu porque sinceramente me recusei, por vezes parece-me que a autora já escreve fanfiction dela própria à medida que vai criando spin off dentro do mesmo mundo,




Alex
Nenhum. Até agora gostei de todas as sagas que li.

Cláudia
Por muito que até tenha gostado dos restantes, acho que a trilogia de Lauren Oliver iniciada em Delirium, teria sido muito mais feliz como livro único. As transições de um volume para outro foram sempre um pouco estranhas, parecendo ser livros individualizados, com as mesmas personagens. E por último, porque os li na minha adolescência e a cada novo livro lido, mais convicta ficava, a série Crepúsculo, de Stephanie Meyer. 

6 anos a "encruzilhar" palavras! | Passatempo


É verdade, hoje o Encruzilhadas Literárias está de parabéns. Após um ano de altos e baixos e muitos percalços, vidas pessoais complicadas que obrigaram a uma certa negligência do nosso espaço, estamos de volta para festejar e assinalar o aniversário deste cantinho que já sofreu uma série de transformações ao longo dos anos. Mudámos de layout, aumentámos o número de parcerias e seguidores, descobrimos bloggers novos e espaços dignos de continuar a visitar, ofertámos livros para o país inteiro, tivemos parcerias com artesãos nacionais e ao fim ao cabo, espalhámos um pouco da magia que os livros têm por esta internet fora.

Da nossa parte, resta-nos agradecer o carinho de quem por cá passa com regularidade, o apoio constante e a simpatia das editoras e de alguns autores e autoras nacionais, e os escritores e escritoras, porque sem eles e elas não teríamos livros para comentar!

Em jeito de celebração, vamos voltar a oferecer um livro até ao montante de 10 euros através do Bookdepository. Basta que preencham o formulário em baixo e participem até dia 28 de Janeiro. Boa sorte!

 Regras do passatempo
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 28 de janeiro de 2016.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor/a) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só serão aceites uma participação por pessoa e morada,
 4) O/A vencedor/a será sorteado/a de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por email.
5) O Encruzilhadas Literárias e/ou a Editora não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT nas encomendas enviadas.

Opinião: O Clube dos Ténis Vermelhos, de Ana Punset




O Clube dos Ténis Vermelhos
de Ana Punset
 
Edição/reimpressão: 2015 Páginas: 360 / Editor: Nuvem de Tinta
  
Resumo: 
Um livro sobre a amizade entre raparigas. Lúcia, Rita, Bia e Marta são amigas inseparáveis desde sempre e para sempre. Um dia Marta traz uma má notícias: ela e a família vão mudar de casa para Berlim! As quatro amigas decidem criar O CLUBE DOS TÉNIS VERMELHOS, para ficarem juntas para sempre e provarem que a verdadeira amizade é mais forte que a distância.


O Clube dos Ténis Vermelhos- Amigas para Sempre
de Ana Punset

Edição/reimpressão: 2015 / Páginas: 280 / Editor: Nuvem de Tinta
  
Resumo: 
As quatro amigas já só pensam nas férias de Verão e no momento em que voltarão a estar todas juntas. Por isso, quando Rita lhes diz que não poderá ir com elas acampar nesse Verão as amigas ficam devastadas! Inconformadas, decidem que não será isso que impedirá o grande reencontro d’O CLUBE DOS TÉNIS VERMELHOS.

Comentário: Para vos ser franca, optei por não escrever uma opinião no sentido lato para estes livros. Não me parece justo até porque a análise já não é não objetiva. Atendendo a que não lido com jovens e adolescentes diariamente, o nível de satisfação com estes pequenos livros poderá apenas ser avaliado na perspetiva de quem gosta de ler e quem no passado, se se tivesse cruzado com eles, poderia ou não gostar destas leituras. "O Clube dos Ténis Vermelhos" é uma coleção simpática que relata as vivências e amizades de um grupo de 4 amigas, que descobrem nos pequenos desafios da adolescência e dos preâmbulos da vida adulta dos pais obstáculos a superar, especialmente se vierem de um esforço coletivo. É um apanhado levezinho mas enternecedor da inocência de acreditar que o mundo muda num segundo, desde que a união faça a força, sempre com espaço para dúvidas e anseios, romance, compras e dramas familiares, desavenças e pequenos conflitos, assim como espaço para novas amizades. No fundo, é promovido e divulgado junto do género feminino até aos 13 anos sensivelmente, embora dê para qualquer género, desde que se tenha em conta que a temática é sem dúvida abordada de uma perspetiva muito feminina. Num mundo muito digital, a presença desses elementos é uma novidade para os livros deste género temático. Há fotos tiradas no momento para enviar por email, há conversas de grupo em chat, há sms a torto e a direito, e sinceramente essa é a grande diferença dos muitos livros que possa ter lido enquanto adolescente que mais se aproximassem do conteúdo deste clube.

Vamos em breve ter um passatempo com um exemplar de cada um destes livros, por isso fiquem atentos/as!

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

Opinião: Fala-me de um Dia Perfeito, de Jennifer Niver



Fala-me de um Dia Perfeito
de Jennifer Niver
 
Edição/reimpressão: 2015 
Páginas: 360
Editor: Nuvem de Tinta
  




Resumo: 
Violet Markey vive para o futuro e conta os dias que faltam para acabar a escola e poder fugir da cidade onde mora e da dor que a consome pela morte da irmã. Theodore Finch é o rapaz estranho da escola, obcecado com a própria morte, em sofrimento com uma depressão profunda. Uma lição de vida comovente sobre uma rapariga que aprende a viver graças a um rapaz que quer morrer. Uma história de amor redentora
Rating: 5/5

Comentário:  Há livros que nos deixam sem palavras. Sem saber o que escrever ou como escrevê-las. Sem saber como é que se transpõem emoções, arrebatamentos e todo o desencaixe que só um livro sabe colocar numa singular opinião. "Fala-me de Um Dia Perfeito" teve esse dom em mim e confesso que ainda não me sei totalmente refeita para efetivamente o descrever como ele merece. Foi uma leitura que me deixou sem chão, e não há muito mais a acrescentar para além disso.
Com o nome original de "All the Bright Places",este volume foi um dos grandes vencedores dos prémios anuais do Goodreads em 2015, pelo que as expectativas sobre ele têm vindo a aumentar nos últimos tempos. Inicialmente achei que a capa portuguesa pudesse ser diferente para aligeirar o conteúdo, mas a verdade é que após percorrer todas estas páginas, considero-a bastante reveladora da estória.
Para mim, a leitura foi conduzida  pela sinopse que me deixou bastante curiosa. Que caminhos de desespero, angústia e perdição encaminham duas pessoas com percursos diferentes para o mesmo local, à mesma hora, e com a mesma intenção? Esta é a premissa, que embora não tão explícita no resumo da edição portuguesa, é apresentada na versão internacional. É esta versão, este olhar humano mas sem subterfúgios que ganhamos logo desde a primeira página e que nos persegue (sim, persegue e sem dó) até à última frase.
Violet é uma rapariga perdida, destroçada, a quem a perda de uma irmã roubou o sonho, a esperança e o mundo como o conhecia (muitas vezes visto através dos seus olhos), e que procura desaparecer, deixar de sentir e de se sentir só, contando os dias em que possa desaparecer do contexto que lhe causa suplício, sem querer admitir para si que qualquer lado em que esteja não a irá salvar, senão quando aceitar a dor que sente e aprender a viver com ela, libertando-se dessa forma.
Theodore é A personagem deste livro. Completo e complexo, cheio de nuances, cores, numa mescla constante de luz e sombra, é a dor e a redenção, a angústia e a procura incessante pelo dia melhor, é a luta demonizada consigo próprio e com o mundo em geral, e o motor, que coloca o universo deste livro a funcionar.
O momento em que estas duas personagens se encontram é transformador certamente, e o poder de as unir e da (não) transformação da realidade de cada um mostra como por vezes uma pessoa pode transformar a nossa vida, e que um minuto é o suficiente para que isso aconteça. A dicotomia entre as duas realidades, entre as suas ligações familiares e as amizades de cada um, onde a transposição de uma realidade acolhedora e reconfortante se altera com um sopro para um, enquanto é uma recusa para outra (porque de alguma forma lhe diminui a dor interior que esta se obriga a sentir) está montada com uma mestria que nos abana, agarra a cada página e dificilmente nos deixaria indiferentes. É impossível que o faça a alguém, sinceramente.
Ao longo de todas as páginas somos confrontadas/os com uma versão muito real do que é conviver com uma pessoa que sofra de uma doença mental (e que fique claro que obviamente, não considero que todos os comportamentos sejam semelhantes de individuo para individuo), que é enunciada na sinopse como depressão mas que em diante, e desculpem-me este pequeno spoiler que nada altera a vossa leitura mas que pode ajudar leitores que ou não tenham convivido de perto com pessoas que sofram desta doença ou que possam passar por ela, se revela como doença bipolar. Os adormecimentos e as fugas constantes desse estado de inércia que simultaneamente é um refúgio, o desenraizamento, as atitudes arrojadas e diferenciadas que nada são mais do que uma reinvenção de uma personalidade considerada estragada e um  grito (interior) para que o cérebro, o corpo, o organismo o processe como algo real, palpável e não iminente de ruir, o paradoxo de querer ajuda e simultaneamente recusá-la (porque ela não chega, porque ela não é adequada, porque ela não traz a sensação de realidade e vivência necessária e que por isso não poderá representar a fórmula final) são só alguns exemplos da abordagem exímia, avassaladora, sincera acima de tudo, e única - sem floreados e arabescos, que é concretizada ao longo do livro sobre esta doença. Com tanto pormenor, achei desde o início que esta recriação não poderia ter sido de alguém que não conhecesse de perto a doença (nem uma investigação traria uma visão tão apurada da mesma), pelo que não foi surpresa quando as notas de agradecimento da autora o denunciaram precisamente.
Mas não é um livro inteiramente clínico, até porque embora retrate esta realidade sem a mistificar, também não a impõe em cada frase, pelo que há espaço para o sonho, para a esperança, para o amor e para a descoberta, para o conforto e para a amizade, para a redenção e para segundas oportunidades, para a paixão e para o futuro. E para pensar e repensar o que é o futuro e o que é que ele pode fazer por nós e nós por ele, numa elaboração até poética com simplicidade e redescoberta.
O desfecho, que não irei naturalmente revelar, não foi uma surpresa para mim. Julgo que desde as primeiras páginas que vi a sua construção, e que embora compreendendo a condução a esse momento o fui processando como vendo um acontecimento em câmara lenta. Recusando a finalização, optando por aguardar por uma reviravolta, mas sabendo que a condição mais integra só poderia ser aquela. Talvez aí, nas páginas subsequentes, possa ter existido algum floreado. Mas a finalidade não é tanto de distrair ou obrigar o leitor e a leitora a sentir, porque estes já o faziam desde a primeira página, mas conduzir a uma alternância um pouco menos dura, ainda que pouco fantasista.
Violet e Theodore viveram em mim e comigo durante algum tempo após terminar neste livro. Não os esqueço, mas também fujo deles, porque embora envolventes e com uma história digna de contar, as marcas deixadas foram muitas.

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

Opinião: Eu, Earl e a tal Miúda, de Jesse Andrews




Eu, o Earl e a tal Miúda
de Jesse Andrews
 
Edição/reimpressão: 2015 
Páginas: 304
Editor: Topseller
  



Resumo: 

O mais divertido livro sobre a morte que os jovens alguma vez vão ler.
Esta é a história criativa e comovente de Greg, um finalista do secundário cujo único objetivo é manter-se completamente anónimo e evitar quaisquer relações profundas.
Para ele, essa é a melhor estratégia de sobrevivência no verdadeiro campo de minas social que é a vida de um adolescente. Juntamente com Earl, Greg faz curtas-metragens parodiando filmes clássicos, o que os torna mais colegas de trabalho do que propriamente amigos.
Tudo corria bem até ao dia em que a mãe de Greg insiste com ele para passar algum tempo com Rachel, uma miúda da sua turma que acabou de ser diagnosticada com cancro. Lentamente, Greg descobre que um pouco de amizade não faz mal a ninguém.
Tão tocante quanto divertido, o livro de estreia de Jesse Andrews inspirou o filme aplaudido pela crítica e duplamente premiado no prestigiado Festival de Cinema de Sundance 2015. Uma história capaz de partir o coração sem roubar uma só gargalhada.

Rating: 2/5

Comentário: Eu, Earl e a Tal Miúda é aquele livro de que todos já ouvimos falar, que despertou mais ou menos interesse, e que a adaptação cinematográfica e um trailer bem conseguido acaba por despertar um enorme interesse sobre si.
Este foi pelo menos o meu percurso com este livro, que me despertou muitas expectativas, embora me tenha acabado por deixar algo desiliudida.
Quando dizem que este não é um livro sobre cancro, não o é mesmo, pelo que se esperam uma abordagem à lá "A Culpa é das Estrelas", talvez não seja uma boa aposta. Foi mesmo pela procura desse cunho original e da abordagem não focada mas que não ignora a doença que me fui aproximando deste livro. Ao fim ao cabo, é também o que a sinopse nos vende. Esta é certamente garantida pelas páginas da obra, embora com até alguma negligência. Rachel tem cancro, mas podia ter hepatite, esperar um transplante de coração ou até mudar-se para o Alasca. O que fica patente em todos os momentos é que esta se encontra a passar por uma fase fragilizada e que o seu desaparecimento do universo ao qual temos acesso acontecerá a qualquer instante. No entanto, ela quase que nunca está efetivamente presente, vivendo de referências de personagens secundárias que a transportam para o assunto principal e que ajudam a construir um puzzle, ainda que tangente, que abarque este lado da narrativa.
Greg e Earl são personagens peculiares também, muito adolescentes mas também caricaturas exageradas (embora não menos reais por isso), mas que infelizmente se esforçam tanto por fugir aos clichês e para serem modernos, que tendem a recair nas abordagens habituais do que é uma visão da adolescência por vezes um pouco rude, numa tentativa vã de se aproximar à realidade de uma forma bonacheirona e/ou diferente.
Ter o Greg como personagem principal trouxe um lado genuíno, onde sobressai o egocentrismo, a auto-depreciação constante e a desilusão com a vida como características típicas da adolescência, mas também uma série de mecanismos de defesa que reforçaram a necessidade constante de indiferença e de proteção com o mundo em geral e com o que pode causar mágoa. As suas diligências e a própria relação tanto com Earl como com Rachel são sinónimos deste comportamento.
No entanto, e na igual medida em que por vezes compreensão e paciência não chegam para lidar com jovens mais intensos, estar na mente deste personagem acabou por se tornar cansativo, aborrecido e irritante em igual medida, não existindo hipótese de fuga para o leitor. Os comentários depreciativos constantes sobre si e sobre o mundo deixam de ter piada após terem sido emitidos pelas quarta ou quinta vez, reforçando só a necessidade de despertar a atenção a este miúdo de que há mundo para lá dele mesmo e que a vida não acaba na escola ou em todas as situações que este considera embaraçosas ou potencialmente esmagadoras do equilíbrio de sobrevivência por si criado. E atendendo que todos os jovens passam por isto, acho que o ponto de discórdia passa pelo facto deste rapaz ter estado constantemente com um discurso demasiado irascível neste aspecto (a título de exemplo, enunciava a torto e a direito querer dar um murro na sua cara - que ele achava totalmente merecedor - por dá cá aquela palha). No meio disto tudo, não deixa de ser uma personagem algo plana e sem todas as nuances que poderiam ter tornado este livro muito bom. Do livro todo, destaco Earl, que poderia ter sido a personagem se melhor limado, com menos placidez no que respeita aos seus diálogos e postura, atendendo a todas as intervenções certeiras que fez.
Por outro lado, julgo que é válido referir que por vezes o simbolismo tem maior impacto e pode ser transformador. Esperava corroborar esta afirmação já perto do fim do livro, atendendo a uma iniciativa conjunta do Earl e do Greg, mas até essa ficou propositadamente distorcida (e embora percebendo a intenção do autor, tanto neste momento como ao longo de todo o livro, não consegui retirar prazer dessa sensação frustrada).
Por fim, julgo ser importante referir que o cunho da originalidade também se demonstrou pela forma de condução da narrativa, com várias nuances onde se incluía a escrita em versão de guião, e o livro em si, como se percebe pelas últimas páginas (embora essa descoberta só tenha tornado a leitura anterior um processo um pouco mais desgastante, irrealista e frustrante).
Embora conseguindo perceber o sucesso que está por detrás do livro, pela junção de vários componentes que até acabam por resultar no conjunto, Eu, Earl e a Tal Miúda acabou por não se revelar como o meu tipo de livros.

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.