Rentrée Grupo BertrandCírculo



Rentrée marcada pela divulgação de mais de 80 livros

Revela ainda a presença de Dan Brown e António Damásio em Lisboa para apresentações dos novos livros
Lisboa, 5 de setembro de 2017 – O Grupo BertrandCírculo, composto pela Bertrand, Quetzal Editores, Temas e Debates, Círculo de Leitores, Contraponto, Pergaminho, ArtePlural, GestãoPlus e 11x17, apresenta os livros com publicação prevista até ao final do ano. O Grupo inclui ainda na agenda a vinda de autores a Portugal: Dan Brown, António Damásio, Pedro Siqueira e Ivan Jablonka estarão em Lisboa para a promoção dos seus livros.














Na ficção, em setembro a Bertrand Editora publica «Nada», de Janne Teller, publicado em mais de 30 países e inicialmente proibido na Dinamarca, país no qual hoje é de leitura obrigatória. Por muitos considerado um clássico contemporâneo, comparado ao «Deus das Moscas», não só foi vencedor de inúmeros prémios internacionais, como inspirou várias adaptações ao teatro e ópera. «Nenhuma Verdade se Escreve no Singular» é o romance de estreia de Cláudia Cruz Santos. Acompanhando uma relação tocante entre uma juíza e a criança que esta acolhe, este livro confere uma perspetiva multifacetada sobre o passar do tempo e o confronto com as expectativas frustradas. Fruto da larga experiência da autora na área da justiça, o livro expõe um retrato vívido dos tribunais, com personagens complexas, cenários incertos, e uma figura central aparentemente decidida e emancipada mas simultaneamente hesitante e carente. No mês seguinte, será publicado um dos livros mais esperados do ano: «Origem», de Dan Brown, chegará às livrarias em português a 4 de outubro, e está já em pré-venda. O novo romance espantosamente inventivo do autor de thrillers mais popular do mundo acompanha Robert Langdon numa viagem emocionante e viciante pela arte moderna e símbolos enigmáticos em busca da verdade, em várias cidades espanholas. O autor apresentará o seu livro em Lisboa, na tarde de 15 de outubro, no Centro Cultural de Belém. 

Neste mês, chegará às livrarias o novo volume das Crónicas dos Clifton, de Jeffrey Archer, «Chegada a Hora». Em novembro, a Bertrand Editora lança «Despertar», que servirá de base para uma tertúlia a 9 de novembro, na FNAC Colombo, sobre o universo de Stephen King. Também os mais novos poderão encontrar várias novidades nas livrarias portuguesas: A coleção Toca, Criança – para bebés regressa com mais dois volumes, «As Cores» e «As Formas», como um meio divertido e estimulante para ajudar pais e bebés nos primeiros passos da aprendizagem. Também em setembro será publicado o livro mais aclamado do autor norte-americano Jack London. «O Apelo Selvagem» é uma referência da literatura juvenil, inserindo-se esta nova edição numa coleção de clássicos imperdíveis. Com um protagonista improvável, um possante e destemido cão, revela-se uma grande história de aventuras que nos dá a conhecer uma época dura na história da América do Norte. Jodi Picoult terá um novo romance. A autora nº1 do New York Times lança, com a sua filha, Samantha van Leer. «Saído de um Conto de Fadas», a sequela de «Entre as Linhas», é uma história juvenil que encantará leitores de todas as idades.

Relativamente a livros de não-ficção, a Bertrand Editora inicia a rentrée com Joseph E. Stiglitz, Prémio Nobel de Economia. «A Economia Mais Forte do Mundo», um livro inspirado pela crise de 2007/2008 e que propõe um plano para revitalizar a economia americana e promover a prosperidade global. Ainda em setembro chegará às livrarias «Laëtitia – Ou o Fim dos Homens», de Ivan Jablonka, um livro que encerra diversos registos e géneros - literatura, atualidade, investigação, história, sociologia e política – e que conta a história de Laëtitia, uma rapariga raptada, violada e assassinada em 2011 em França. Vencedor e finalista de vários prémios internacionais, este livro será promovido em Lisboa pelo autor nos dias 21 e 22 de novembro. «Portugal Visto pela CIA», da autoria de Luís Naves e com recolha de documentos por Eric Frattini, faz uma análise aos acontecimentos mais marcantes da História de Portugal no século XX, com linhas de interpretação que permitem entender as teias das relações internacionais que se forjaram entre Portugal e os Estados Unidos da América. O livro será lançado em Lisboa, na FNAC Chiado, a 14 de setembro, às 18:30. 


 Em outubro, a Bertrand Editora lança «Creta 1941», de Antony Beevor, livro que se foca na batalha por Creta e na resistência grega que depois se formou durante a Segunda Guerra Mundial, numa narração detalhada, envolvente e cuidada deste episódio singular do conflito. «Sombras – A Desordem Financeira na Era da Globalização» é o mais recente livro de Francisco Louçã, em coautoria com Michael Ash, professor de Economia e Política Pública norte-americano. Os autores analisam o estado atual da economia global e embrenham-se nos meandros da banca-sombra para explicar os desafios que enfrentaremos no futuro. Já em novembro, Mário Augusto levará novamente os leitores numa viagem ao passado com os novos apontamentos da «Sebenta do Tempo», no livro «Caderno Diário da Memória». Neste mês, Sílvia Oliveira lança «De Que Cor é o Medo - A biografia de Paulo Teixeira Pinto», um livro sobre a vida pessoal e profissional do ex-Presidente do BCP. Será também publicado «Da Lusitânia a Portugal: Dois mil anos de história», livro em que o Professor Diogo Freitas do Amaral nos oferece uma perspetiva sobre as dez fases da constituição da nação portuguesa naquela que é uma história acessível e rigorosamente documentada de Portugal, de Viriato aos dias de hoje; e «Lápides Partidas», de Aquilino Ribeiro, romance de inspiração autobiográfica passado durante os tempos conturbados que antecederam o regicídio e a instauração da República, continua a saga de Libório Barradas iniciada n’«A Via Sinuosa».

A Pergaminho receberá em Portugal Pedro Siqueira, autor de «Você Pode Falar com Deus», que chegará às livrarias portuguesas a 8 de setembro. Entre 18 e 21 deste mês, o escritor, advogado e professor de direito estará em Lisboa para falar do seu novo livro, no qual conta como o seu dom é agora a sua missão: ser um instrumento de ligação entre as pessoas e o mundo espiritual e ajudá-las a desenvolver a sua fé através das mensagens de santos, anjos e de Nossa Senhora. Ainda em setembro chegará «Longevidade com Felicidade», de Américo Baptista, um livro que ajudará os leitores a manter um corpo são e uma mente feliz, analisando alguns dos principais fatores que possibilitam prolongar a vida com qualidade e felicidade. Em outubro, estará disponível o livro «Ser Feliz no Alasca», de Rafael Santandreu. Após o sucesso dos livros anteriores, o psicoterapeuta e formador espanhol apresenta na sua nova obra um método cientificamente comprovado, que permitirá o leitor tornar-se numa pessoa emocionalmente mais saudável, forte e calma. Na mesma semana, os leitores de Augusto Cury, um dos autores de língua portuguesa mais lidos de todos os tempos, poderão encontrar nas livrarias mais um título seu: «Autocontrolo» apresenta um manual que explica como vencer a Síndrome de Pensamento Acelerado, revelando os segredos para gerir o stresse e para desenvolver o autocontrolo essencial para uma vida emocional saudável e plena. No início de novembro, «De Mãos Dadas com os Anjos», de Lorna Byrne, será um livro para a mesa-de-cabeceira dos seus leitores. Num relato íntimo dos seus primeiros encontros com anjos, a autora oferece descrições detalhadas de figuras celestes e de como elas interagem com Deus, também revelando pela primeira vez como as almas dos seres amados por vezes regressam para transmitir amor e orientação.
A Arteplural destaca o lançamento, em outubro, do terceiro livro de Rita Nascimento: «Uma Pastelaria em Casa» permite que os leitores transformem a sua cozinha numa pastelaria - um verdadeiro doce lar. Entre massas e cremes, a Chef de pastelaria e criadora de La Dolce Rita partilha as receitas dos clássicos mais deliciosos da nossa pastelaria, aplicando novamente o seu método de replicar uma receita para fazer vários bolos deliciosos em casa.

                                                     


Em setembro, a Temas e Debates lança «7 Lições para Ser Feliz», de Luc Ferry. Contrariando as receitas formatadas e as respostas simplistas, o autor propõe uma abordagem original, simultaneamente acessível e profunda, ao significado da felicidade nos nossos dias, tanto à escala do indivíduo, como da sociedade. Na segunda quinzena do mês, será publicado «A Internacionalização da Economia Portuguesa», de Nuno Crespo e Maria João Tomás, cujo lançamento acontecerá no XIII Iberian International Business Conference 2017 – ISCTE, a 19 de outubro. O livro, que reúne especialistas em várias áreas, de diversas escolas de negócios e universidades, bem como quadros superiores de empresas, questiona de que modos as empresas portuguesas poderão superar os desafios da concorrência e da capacidade para serem competitivas internacionalmente (na realidade, o livros mostra casos de sucesso de empresas portuguesas, na sua internacionalização, mesmo em tempos e crise. É quase um manual de “como aconteceu” e “como sobreviveram”). Na mesma semana, «A Invenção da Ciência», de David Wootton, conta a nova história da revolução científica. Neste livro, o professor catedrático e Anniversary Professor de História da Universidade de York conta a história da extraordinária revolução intelectual e cultural que gerou a ciência moderna e é um desafio poderoso à ortodoxia que domina essa história. Em outubro, ficará disponível «Tempo de Raiva», de Pankaj Mishra, um livro que recebeu os maiores elogios do The Guardian e do The Literary Review. O autor acredita que há uma ligação entre os atentados bombistas e atiradores do século XIX e os acontecimentos violentos dos dias de hoje, e neste polémico e subversivo livro o ensaísta e romancista indiano defende que se assiste a uma pandemia global de raiva. Ainda neste mês, estará disponível o livro «Moda e Feminismos em Portugal – O Género Como Espartilho», no qual a autora, Cristina L. Duarte, analisa a forma como a moda se tornou um fenómeno social total, um laboratório sociológico onde se ensaiam géneros, através do ritual (feminino/masculino) da apresentação de si. «O Caso da PIDE/DGS - Foram julgados os principais agentes da ditadura portuguesa?» é o mais recente livro de Irene Flunser Pimentel, a ser publicado também em outubro. Nesta obra, a autora continua o seu trabalho ímpar sobre o período da ditadura portuguesa, fazendo uma análise aos últimos dias da PIDE/DGS, e ao processo de justiça política relativa aos elementos deste braço da ditadura, na transição para a Democracia. O lançamento do livro acontecerá a 28 de outubro no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz, em Lisboa, no âmbito do Congresso Memória e Justiça Transicional. Para fechar o mês na Temas e Debates, Valentim Alexandre lança o livro, «Contra o Vento - Portugal, o Império e a Maré Anticolonial (1945-1960)», o qual parte da vaga de descolonização e colapso dos vários impérios para analisar o caso nacional, estabelecendo um paralelismo entre a evolução do colonialismo português e o dos outros países europeus. O mês de novembro contará com o novo livro de António Damásio, «A Estranha Ordem das Coisas». Com lançamento previsto para 31 de outubro, às 10:30, na Escola Secundária António Damásio, esta obra notável do mais brilhante neurocientista e investigador português faz uma análise à vida, ao sentimento e às culturas humanas. O que levou os seres humanos a criar culturas, esse conjunto impressionante de práticas e instrumentos, onde se incluem a arte, os sistemas morais e a justiça, a governação, a economia política, a tecnologia e a ciência? A resposta habitual a esta pergunta remete para a nossa inteligência excecional, assistida por uma faculdade humana ímpar: a linguagem. Em «A Estranha Ordem das Coisas», António Damásio proporciona uma resposta diferente. Segundo o neurocientista, os sentimentos – de dor, sofrimento ou prazer antecipado – foram as forças motrizes primordiais do empreendimento cultural e os mecanismos que impulsionaram o intelecto humano na direção da cultura. Na mesma semana, será publicado o «Livro Português das Fábulas», de José Viale Moutinho. Reunindo 182 fábulas e 38 autores, esta é uma edição exemplar, com ilustrações de época e com breves biografias dos autores registados. Neste volume encontramos um manuscrito do séc. XV, descoberto por Leite de Vasconcelos, assim como escritos de Fernão Lopes, Almeida Garrett, Bocage, Camilo Castelo Branco, Marquesa de Alorna, João de Deus, Trindade Coelho e Fernando Pessoa. Para encerrar o ano, António Luís Marinho e Mário Carneiro lançam «À Lei da Bala - Terrorismo e Violência Política em Portugal no Século XX». Neste livro, os autores traçam a excecional história da violência no século XX, em Portugal, contando ainda com uma conversa com Carlos Antunes, antigo operacional das Brigadas Revolucionárias, entre 1971 e 1974, e líder das FP-25, durante os anos 80.

 O Círculo de Leitores contará com o lançamento exclusivo das Obras Pioneiras da Cultura Portuguesa, Biblioteca fundamental da língua e da cultura portuguesa, cuja divulgação se iniciou a 1 de setembro.
«Os Corpos», de Rodrigo Magalhães, é o primeiro livro a ser publicado pela Quetzal na rentrée. Partindo de uma história manifestamente inspirada no caso Tamam Shud, Rodrigo Magalhães desdobra-a, multiplicando-a por tantas quantas as perspetivas dos protagonistas, das testemunhas, das figuras secundárias, dos figurantes. O resultado é um objeto literário misterioso, inquietante, de uma imensa originalidade, e em que ressoam ecos de Buzatti ou Bolaño. «O Pequeno Caminho das Grandes Perguntas», de José Tolentino Mendonça, será publicado em setembro e tem já lançamentos previstos para Funchal, Lisboa e Porto. Na senda daquilo a que já habituou o leitor em obras anteriores, tanto de reflexão teológica e filosófica como de poesia, José Tolentino Mendonça abre as páginas de um livro singular e corajoso: o das perguntas sobre a nossa vida. No final de setembro, será publicado o muito esperado «O Caminho Imperfeito», de José Luís Peixoto. Entre Banguecoque e Las Vegas, o autor regressa à não-ficção com um livro surpreendente, repleto de camadas, de relações imprevistas, transitando do relato mais íntimo às descrições mais remotas e exuberantes. «O Caminho Imperfeito» é, em si próprio, a longa viagem a uma Tailândia para lá dos lugares-comuns do turismo, explorando aspetos menos conhecidos da sua cultura, sociedade, história, religiosidade, entre muitos outros. Em outubro, chegará pela Quetzal um impressionante relato pessoal, em vinte e três cartas, que nos faz pensar em Dickens transposto para o século XX. «O Livro de Emma Reyes – Memória por Correspondência», de Emma Reyes, relata as memórias da duríssima infância – de abandono e exploração – da pintora colombiana Emma Reyes. É também uma história de superação de inimagináveis circunstâncias por parte de uma mulher conduzida pela sua vontade férrea de liberdade. Neste mês, será publicado o terceiro volume da Bíblia, na tradução de Frederico Lourenço. «Bíblia Volume III – Antigo Testamento: Os Livros Proféticos», é a continuação do trabalho ímpar do helenista e académico, Prémio Pessoa 2016. Além de se tratar de uma nova e mais rigorosa tradução, sem juízos ou inferências de cariz religioso – em algumas passagens, sublinham-se mesmo as diferenças em relação às edições correntes –, Frederico Lourenço eleva o texto bíblico a uma condição literária, incluindo notas que esclarecem e contextualizam o texto original, enriquecendo a nossa leitura. Na segunda quinzena de outubro destaca-se «Silêncio na Era do Ruído», de Erling Kagge, no qual, em 33 tentativas de resposta, o autor oscila entre o meditativo e o prático, num livro pessoal e cheio de donaire. Retirando inspiração de personalidades famosas, como Séneca, Kierkegaard e Rihanna, o explorador, que passou cinquenta dias a andar na Antártida com apenas um rádio avariado por companhia, desconstrói a nossa constante necessidade de ocupação. Chegará às livrarias a «Detetives Selvagens», uma narrativa trepidante de Roberto Bolaño. Esta nova tradução da obra-prima que o autor chileno publicou em vida revela-nos fielmente a essência da sua escrita. Vasco Graça Moura traduz «Sonetos de Petrarca», a uma referência fundamental na literatura ocidental. Neste livro, traduzido por Vasco Graça Moura, podemos ver o que é fundador e o que de mais original existe na poesia deste autor -- referência e modelo para escritores como Dante, Camões, Sá de Miranda, Bocage e Baudelaire. Na rentrée, a Quetzal prossegue as belíssimas reedições dos romances de José Eduardo Agualusa, podendo os leitores contar com mais quatro títulos da bibliografia do autor, cada vez mais relevante, principalmente após a recente eleição em Angola.



Opinião: Corações de Pedra, de Simon Scarrow



Corações de Pedra
de 
 
Edição/reimpressão: 2017
Páginas: 417
Editor: Edições Saída de Emergência
  





Sinopse: 
1938: Três jovens vivem um verão perfeito na ilha grega de Lefkas, isolados dos problemas políticos que fervilham na Europa. Peter, de visita da Alemanha enquanto o pai lidera uma expedição arqueológica, desenvolveu uma forte amizade com Andreas e Eleni.
À medida que o mundo resvala para a tragédia e Peter é forçado a partir, os amigos juram encontrar-se de novo. 1943: Andreas e Eleni juntaram-se às forças da resistência contra a invasão alemã. Peter regressa - agora um oficial inimigo e espião perigoso. Uma amizade formada em paz irá transformar-se numa batalha desesperada entre inimigos dispostos a sacrificar tudo pelos países que amam…
 

Rating: 2/5
Comentário: Ninguém gosta de escrever opiniões sobre livros que não gostou tanto. Eu não sou diferente e por isso demorei alguns dias a trazer a opinião a "Corações de Pedra", de Simon Scarrow. Não que o livro seja mau, mas ia com expectativas completamente diferentes, especialmente insinuadas pela sinopse, e que foram completamente defraudadas.
No que respeita à trama, efectivamente temos um enquadramento e contexto histórico centrado na II Guerra Mundial, num país ocupado pelos países do Eixo. Gosto sempre destas análises de realidade ficcionadas à luz da História, e que demonstrem outros lados deste conflito bélico a nível mundial. A perspectiva da ocupação da Grécia foi bastante interessante, especialmente quando enquadrada com o contexto político local da altura, dando uma luz a um momento histórico para além da visão mais generalista.
Gostei também da abordagem do processo inicial de resistência por parte do exército grego, assim como das descrições a bordo de um submarino de guerra, que criaram momentos de acção bélicos cativantes para a atenção do leitor. Acho que existe todo um imaginário associado a lugares menos alcançáveis, nos quais se encaixaria um submarino. Acaba por ser uma visita guiada, ilustrada por momentos de actuação ao minuto.
O problema é que este plano narrativo estende-se para além do agradável e acabamos com uma série de momentos quotidianos de vida militar, seja ela resultante do pleno exercício do exército ou das forças de resistência no exterior. Tanta análise das forças militares poderia ser interessante, não fosse o facto de não ser essa a temática do livro, pelo menos em teoria.
É precisamente esse o meu problema com este livro. Há uma série de planos de acção que são referidos e inseridos na construção do livro mas que depois se perdem no panorama geral. Começamos com saltos temporais que não beneficiam em nada o enredo principal, e que poderia ter brilhado muito mais com a retirada desse plano mais moderno, que foi uma alavanca para a narração da história da História, mas que poderia ter sido conduzida tem a utilizar.
Seguidamente, a inserção de um suposto mistério que surge como insinuação nas primeiras páginas e só retorna muito posteriormente, só causa também, na minha opinião, ruído para a mente do leitor. Até porque ele não é senão um pretexto para facilitar a resolução de uma parte da trama mesmo nas últimas páginas.
Por outro lado, dou a mão à palmatória com a abordagem dos processos de resistência das populações locais, embora esta se baseasse somente numa forma de fundamentar o concretizar de alguns momentos para a narrativa principal, em vez de efectivamente valorizar as personagens apresentadas como pano de fundo.
Por fim, fiquei desiludida com a ligeireza com que foi tratada a dita amizade das três personagens, especialmente atendendo ao conflito de se nutrir sentimentos de amizade e confiança por alguém que num período temporal diferente se encontraria do outro lado da barricada. Esperava momentos de constrição e dúvida, de tentativa de racionalização de parte a parte para facilitar a compreensão do que ao seu olhar seria incompreensível. Isto deve-se ao ter achado desde o início que as relações interpessoais fossem bastante trabalhadas e este fosse um livro sobre pessoas e as suas histórias, e acabei por receber um livro de momentos de acção encadeados e com saltos geográficos algo constantes.
No fundo, a sensação premente que tive ao longo da narrativa - e que não faço ideia se será verídica ou não - foi que o autor tinha um final definido em mente e queria lá chegar, não sabendo algumas vezes como conduzir o processo e perdendo-se a meio. Mas também talvez se deva a ter tido as minhas expectativas defraudadas e ao não me ter conseguido adaptar à narrativa.
Ainda assim, se quiserem um livro com conteúdo militar (mas não exageradamente), forças de resistência, forças invasoras, histórias de passados distantes, pessoas interligadas por laços de afecto e antepassados, então dêem-lhe uma hipótese e contem-me depois qual a vossa reacção ao mesmo. Acredito que ainda poderão eventualmente sair-se surpreendidos, desde que não leiam a sinopse de todo para não vos estragar a experiência de leitura, como a mim.


 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.