Passatempo a Duplicar: Chiado Editora

Ultimamente, os passatempos que temos tido com livros da Chiado Editora são provenientes dos autores que nos contactam directamente. Desta vez, tivemos uma surpresa na nossa caixa de email por parte da editora e decidimos presentear-vos a vocês! Temos para oferecer um pack com "Lufada de AR Fresco", de André Amorim e Ricardo Correia, e "Per Sempre", de Diogo Canudo. Participem até ao final do mês e torçam para ser o feliz contemplado ou a feliz contemplada!




Regras do Passatempo:
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 31 de janeiro de 2017.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor/a) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só serão aceites uma participação por pessoa.
4) O/A vencedor/a será sorteado/a de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por email.
5) O Encruzilhadas Literárias e/ou a editora não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT nas encomendas enviadas.

 
         

Resultado do Passatempo: As Trevas de Baltar, de Henrique Anders


E finalmente trazemo-vos os resultados do último passatempo! Não foi fácil deslindar quem seria o vencedor ou a vencedora, já que nos deixaram penduradas mais de uma vez ;)

Depois de muita persistência lá descobrimos uma felizarda que está entusiasmada por receber um exemplar de "A Trevas de Baltar", de Henrique Anders. O autor irá enviar um exemplar autografado e com dedicatória para Matosinhos. Parabéns Emília Silva!


Opinião. Rebel Belle, de Rachel Hawkins

Rebel Belle
de Rachel Hawkins
Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 352
Editor: Putnam Juvenile
Resumo:
Harper Price, peerless Southern belle, was born ready for a Homecoming tiara. But after a strange run-in at the dance imbues her with incredible abilities, Harper's destiny takes a turn for the seriously weird. She becomes a Paladin, one of an ancient line of guardians with agility, super strength and lethal fighting instincts.

Just when life can't get any more disastrously crazy, Harper finds out who she's charged to protect: David Stark, school reporter, subject of a mysterious prophecy and possibly Harper's least favorite person. But things get complicated when Harper starts falling for him--and discovers that David's own fate could very well be to destroy Earth.

 
Rating: 3/5

Comentário:
Quem leu Hex Hall e gostou da escrita de Rachel Hawkins gostará de saber que a autora lançou outro livro no qual volta com uma personagem que lutará com Sophie pelo coração dos leitores.
Harper Price, uma típica Southern Belle nem imagina o que o destino lhe reserva quando no baile de finalistas se apercebe que se esqueceu do lip gloss e tem que ir à casa de banho aplicar o da sua melhor amiga. Numa reviravolta inesperada Harper vê-se a herdar poderes fantásticos com os quais terá de proteger David Stark, o rapaz que lhe faz a vida num inferno. O que só em si é receita para o desastre.
Tal como em Hex Hall a escrita de Rachel Hawkins é leve, divertida e cheia de detalhes contemporâneos que nos aproximam das personagens do livro. Sendo esta a segunda saga da escritora devo confessar que temi que Rebel Belle se revelasse uma cópia de Hex Hall, no qual as personagens apenas mudassem de nomes e aparências. E apesar de temer no início que Harper fosse muito parecida com Sophie, ou ao contrário muito apagada em comparação, a verdade é que a escritora soube alcançar um meio termo. Ou seja, Harper consegue ter a sua personalidade bem distinta de Sophie, na qual apesar de ser irónica é mais prática do que Sophie e mais cuidadosa também.
Feitas as contas achei Rebel Belle um livro digno de Rachel Hawkins. Divertido, com acção, paranormal e contemporâneo. No entanto não me cativou o suficiente para querer ler o resto da saga.



Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre coisas e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

"Á Luz do que Sabemos", de Zia Haider Rahman




À Luz do Que Sabemos
de  Zia Haider Rahman
 
Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 744
Editor: Quetzal
  





Sinopse: 
Numa manhã de setembro, um investidor da banca, a rondar os quarenta anos, com a carreira em colapso e o casamento em queda-livre, recebe uma visita-surpresa na sua moradia de Londres. Após a dificuldade inicial em identificar uma figura pobremente vestida e de mochila às costas, acaba por reconhecer nela o amigo dos tempos da faculdade, um tipo brilhante que desaparecera anos atrás em circunstâncias misteriosas. Ao longo dos dias que se seguirão, Zafar contará a sua história.

À Luz do Que Sabemos é a epopeia de um homem e da sua desintegração psicológica - e uma peça extraordinária de uma nova literatura pós-colonial. Temas como a não-pertença, o deslocamento, a emigração e a migração voluntária e económica - e também a política, a história, a religião e a matemática. Uma história repleta de histórias e de personagens em movimento, com ecos de W.G. Sebald e de Teju Cole.

Uma ligação amorosa entre Zafar - o bem-sucedido filho de emigrantes do Bangladesh - e Emily, filha da elite aristocrática - atravessa toda a narrativa, que se desenrola entre Londres, Nova Iorque, Bangladesh e o Afeganistão. À Luz do Que Sabemos é um romance enciclopédico, mas é também um livro sobre tudo aquilo que não sabemos ou que não conseguimos saber.

Rating: 3/5
Comentário: A julgar pelas opiniões que tenho lido sobre este livro, este insere-se na categoria dos extremos: ou se ama, ou se odeia. Curiosamente, julgo ter obtido uma reacção mais equilibrada e posso evidenciar muitas secções de interesse, em detrimento de outras que julgo terem-se estendido para além do necessário (e criando alguns momentos de leitura mais lentos e algo aborrecidos).
Voltemos ao início. "À Luz do Que Sabemos" reflecte uma gestão básica da condição humana: agir em conformidade com as nossas dúvidas, angustias e necessidades mediante o que sabemos nesse exacto momento. É um livro que aborda longamente as reflexões mundanas e intelectuais, assim como filosóficas do que é estar vivo e em que circunstâncias.
A outro nível, conduz paralelamente uma história contada em momentos avulsos sobre a existência de Zafar, demarcando várias ocasiões da sua vida como uma retrospectiva constante, algo periclitante, e com incidência em variâncias que tanto elucidam o leitor com novos momentos que compõem a narrativa, como servem somente como elementos do mosaico global.
A composição discursiva é estranha e pode dificultar a leitura a um olhar mais distraído, exige concentração e foco, dado que a estrutura está montada como num discurso real: com interrupções, desvio para contar outras histórias, retorno ao ponto de origem como se nada se tratasse, divagações em profundidade sobre determinadas temáticas, interrupções de parte a parte.
Fez-me alguma confusão a identidade desconhecida, o nunca pronunciarmos ou tornar claro quem é o narrador, que acaba por se tornar o leitor, embora nunca o sendo porque acrescenta momentos episódios  à sua nova posição.
Não é fácil gostar de nenhuma das personagens, e talvez este seja um dos maiores entraves para muitos leitores. Pertencem a uma elite, algo snob e pouco dada à compaixão e com crises existenciais que não se adequam, em primeira instância, ao mundo real. Mas não deixam de transmitir uma humanidade que as torna difíceis de decifrar mas com um interesse contínuo e latente.
A relação contínua entre os vários intervenientes do enredo começará por evidenciar uma série de contrariedades e fossos só levemente enunciados, e que mediante a exploração de quem são estas personagens ao longo da narrativa, elas vão perdendo o seu ADN translúcido e tornando-se bastante mais palpáveis, menos perfeitas e com enormes falhas. E à luz do que vamos sabendo, a nossa percepção de cada uma, o nosso posicionamento sobre os valores, a identidade e a veracidade de cada uma, vai-se constantemente alterando.


 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.