Mostrar mensagens com a etiqueta 2014. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 2014. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Opinião: O Olhar do Açor, de Sandra Carvalho


O Olhar do Açor
de Sandra Carvalho

Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 392
Editora: Editorial Presença 

Resumo: 
A descoberta dos Açores, e todo o mistério e aventura que a envolveu, foi o mote para esta obra em dois volumes de Sandra Carvalho. O Olhar do Açor é uma narrativa que entretece com mestria verdade histórica e ficção, a realidade da sociedade portuguesa do século XV e a fantasia das personagens e dos cenários imaginados pela autora. Neste primeiro volume, que se centra nas histórias de vida dos fidalgos, ganham principal relevância as figuras de Constance, uma nobre inglesa enviada para Portugal para se casar com Gonçalves Vaz, senhor da valiosa herdade de Águas Santas; Nuno Garcia, um corsário implacável; Leonor, fruto ilegítimo da paixão de Constance e de Diogo, o jovem corajoso, protegido de Nuno Garcia e que Constance conhece durante a viagem, Guida, a escrava negra que cresceu com Leonor, e Tomás Rebelo, o fidalgo malévolo que deseja assenhorear-se de Águas Santas.


Intriga, ganância, amor, paixão, e uma aura de misticismo, num romance extraordinário.

Rating: 4/5 

Opinião: "Olhar do Açor" foi a minha estreia com a Sandra Carvalho e fui agradavelmente surpreendida com o registo, atendendo ao público-alvo indicado. Apesar da quantidade de livros publicados pela autora através da Editorial Presença, este foi o primeiro que realmente me despertou a atenção. Com uma capa maravilhosa (desde o barco até ao símbolo do pendente na contracapa), e a apelar à época dos Descobrimentos e da expansão marítima, com a influência de corsários e piratas, drama e contexto histórico adequado, fiquei muito curiosa até lhe deitar as mãos.

Numa primeira instância esperava um livro mais adulto. Apesar dos seus restantes livros serem do género YA, a minha percepção foi de que ela teria sigo arrojada e escrito um livro diferente aos seus habituais. "O Olhar do Açor" consegue sê-lo, de facto, mas não se desvia da legião de fãs conquistados ao longo dos últimos anos pela Saga das Pedras Mágicas. Nessa medida, tive de ajustar a minha percepção do livro nesse contexto e nessa lógica de análise transformou-se aos meus olhos e adotei-o completamente. Nesse sentido, Sandra Carvalho está de parabéns ao ter escrito um livro arrojado e cativante, especialmente atendendo ao contexto e ao seu enquadramento histórico. Sem medo de errar ou remexer com uma altura da História de Portugal tantas vezes já retractada em livros, a componente ficcional e mística não se sobrepôs à realidade, optando por explorar um leque de campos omissos, sem no entanto esquecer o restante enfoque, mesmo que à distância.

Sendo uma fã dos romances históricos, tanto dos resultantes das máquinas do tempo de Isabel Alçada e de Ana Maria Magalhães, ou da moeda mágica de Alice Vieira, até às versões mais pormenorizadas e enriquecidas de, por exemplo, Isabel Stilwell, gostei desta lufada de ar fresco que nos presenteou com uma nova abordagem. Para além disso, o inicio desta leitura procedeu-se ao "A Vida Louca dos Reis e Rainhas de Portugal" de Orlando Leite, Raquel Oliveira e Sónia Trigueirão (editado pela Marcador), pelo que todos os pormenores históricos ainda estavam vívidos, e este livro ainda se tornou mais interessante.

Não gostei muito do capítulo inicial, talvez pelo facto da introdução ser conduzida pela Constance, uma personagem cuja fragilidade, ainda que adequada, me fez alguma comichão. Assim sendo, é quando realmente se começiou a desenrolar a acção que o livro se tornou realmente interessante para mim.

Acompanhando Leonor e Guida ao longo de aventuras sofridas, fantasmagóricas por vezes, e capazes de vergar vontades, fui-me envolvendo num discurso corrente cheio de acontecimentos inesperados, mortes (algumas dolorosas), paixões (in)correspondidas e uma aura de mistério e esoterismo que não abandonou nenhuma das suas personagens desde a primeira página. Apesar do enredo ter como grandes protagonistas estas duas adolescentes, com toda a liberdade poética que lhes é atribuída, as restantes personagens não passam despercebidas, causam impacto, demonstram que existem e que são importantes para o desenrolar da trama, ainda que a sua estrutura seja um tanto ou quanto linear. Desde o responsável da estalagem, aos trabalhadores de Águas Santas, todos deixam marcas em cada página, da mesma forma que imputem registos na vida destas duas amigas tão diferentes e inseparáveis desde infância.

Pela apresentação da sinopse e da capa, espera uma presença marítima mais vincada neste livro, e que só surgirá muito em diante, e que espero que seja devidamente explorada no próximo livro (que corresponderá ao livro final da duologia). De resto, diverti-me imenso ao conjugar os vários elementos que a autora nos forneceu, com pequenas pistas para os mistérios para os quais nem as personagens têm resposta e serão as peças-chave para o desenlace desta aventura marítima, entre perigos perniciosos e constrições de forças e fé na coragem e no amor pelo próximo, mesmo que esta se assemelhe perigoso.

Para finalizar, adorei a construção linguística que a Sandra incutiu ao livro, com vocábulo corrente no que concerne aos discursos diretos, mas conjugando com adequações mais cuidadas no restante tratamento, através da utilização de recursos linguísticos muitos diversicados e de vocabulário mais erudito, sem no entanto escapar à compreensão do leitor comum. Ficarei à espera do próximo!

 «Estas e outras novidades no site da Editorial Presença aqui»
«Adquira o seu exemplar aqui



Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Review: The Most Magnificent Thing, by Ashley Spires

The Most Magnificent Thing
by Ashley Spires
Format: Hardback / paperback / ebook
Nr of Pages: 38
Expected publication: April 1st 2014 by Kids Can Press
Synopsis:
A little girl and her canine assistant set out to make the most magnificent thing. But after much hard work, the end result is not what the girl had in mind. Frustrated, she quits. Her assistant suggests a long walk, and as they walk, it slowly becomes clear what the girl needs to do to succeed. A charming story that will give kids the most magnificent thing: perspective!
Rating: 4/5

Review:
This little girl's journey with her faithful assistant is one of the most relatable children's books I have ever read. The whole preparation process and the creation and even the point when she gets frustrated are so real and tangible that you are automatically transported to your own childhood and can remember a time or two when you completely lost your temper because you couldn't create something.
As a writer I know what is like to have something magnificent in your mind and not being able write it on paper. So when this little girl who has the most magnificent thing ever in her mind isn't able to create it I could relate to her frustration. It is so easy to lose perspective when you see something clearly but aren't able to give it form.
Thankfully her canine assistant has the perfect cure for frustration: a long walk. As the girl calms herself down and starts enjoying herself she realizes that maybe she wasn't that far of from succeeding and tries once again to create that most magnificent thing. This is a fantastic advice and so useful because it's a great way to deal with frustration. Maybe we can't always go for a walk but we can do something different or we can leave the problem alone for a day or two while we relax and than we can go back to it.
I particularly enjoyed the part in the story where the girls neighbours are admiring her "fail attempts" and think they are splendid while the girl just sees them as failure. When we focus on what we have on our mind and don't enjoy the ride until we get there everything can became a failure and I think it was good to show that sometimes even if we think that our art isn't at the level we wanted it to be other people will think that it is good.
A very cute book that I recommend!

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Opinião: Lola and The Boy Next Door, de Stephanie Perkins

    
 Lola and the Boy Next Door
 de Stephanie Perkins 

Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 338
Editora: SPEAK 

Resumo: Lola Nolan is a budding costume designer, and for her, the more outrageous, sparkly, and fun the outfit, the better. And everything is pretty perfect in her life (right down to her hot rocker boyfriend) until the Bell twins, Calliope and Cricket, return to the negihborhood. When Cricket, a gifted inventor, steps out from his twin sister's shadow and back into Lola's life, she must finally reconcile a lifetime of feelings for the boy next door.

Rating: 4/5 

Opinião: Como vocês já sabem, ultimamente não tenho tido tempo para nada devido a compromissos profissionais. Hoje obriguei-me a tirar "folga" à noite, e decidi dar resposta a uma das múltiplas tarefas que tenho em atraso: trazer-vos a opinião de um livro que eu adorei no início deste ano, e que infelizmente já sabemos que não será editado em Portugal. Trata-se do "Lola and The Boy Next Door", claro está.

Esta foi uma das prendas de "mim para mim" às quais me rendo de tempos a tempos e depois do aconchego emocional que "Anna e o Beijo Francês" me provocou, não tinha como não ler esta continuação que não é uma sequela e nem tenta sê-lo. Partindo de dois protagonistas diferentes, Stephanie Perkins ilustra-nos um mundo no qual também circulam Anna e Étienne, embora eles não sejam o enfoque principal. Esta não é a sua história, é a de Lola e Cricket.

 Dos dois livros, este é o meu preferido da autora e muito se deve a estas novas personagens e à entrada rápida no enredo. Lola tem uma estrutura familiar provocadora de momentos desconcertantes, divertidos e enternecedores que nos fazem desde logo gostar dela e do meio que a envolve (contrariamente a Anna, cuja caricatura dos pais vista pelos seus olhos de adolescente não nos deixou muito espaço para simpatias para com eles). Lola é extrovertida, excêntrica, original e com ideias muito fixas. Mas também é doce, sonhadora, imaginativa e insensata quando menos lhe convém. A sua relação com a melhor amiga e o namorado são logo apresentadas quando iniciamos o livro e estas interações permitem-nos descobrir mais rapidamente que tipo de pessoa ela é, assim como definir expectativas para o que vem e seguida.

E claro que o que surge nessa altura é a vinda dos irmãos Bell. E Cricket vai esmifrar-vos o coração desde a sua primeira aparição, conseguindo que fiquemos a torcer pelo rapaz bonzinho desde início: descontraído, tímido, portador de mundos próprios e de segredos só dignos dos olhos de alguns, vamos poder viajar pelas interações de um amor perdido e muito pouco esquecido que irá atormentar estas duas personagens, devido a uma série de fatores.

À medida que as cenas vão avançando e vamos desvendando parte dos segredos e mal entendidos tão próprios da adolescência mas também das relações humanas, este livro que já de si é doce desde a primeira frase vai ganhando outros contornos, mais práticos, que nos fazem pensar, mas nem por isso deixa de nos embalar pelo seu conteúdo.

No que respeita à relação entre Lola e o vizinho, gostei especialmente do desenvolvimento sustentado que vemos desenvolver-se através da sua relação mas também pelas perspetivas de terceiros que validam e tornam melhor uma estória simples, mas cheia de lições e paralelismos com  a vida real.

Gostei especialmente do esquema em como se montou a estrutura das personagens secundárias: a irmã de Cricket que é mais do que parece, a forma como Anna e Étienne surgem e nos deixa com vontade de saber mais deles, mas não querendo simultaneamente abandonar Lola, a relação dos pais desta com a filha, o namorado rockeiro que se calhar não é tão mau como as primeiras impressões poderiam dizer...

De facto, fiquei muito satisfeita com este pormenor que me fez querer acompanhar o percurso da personagem no livro e tenho a dizer que só fiquei desiludida com o final que a autora lhe atribuiu, e que já foi pouco arrojada e a desculpa do costume para findar processos semelhantes. Ainda assim, o final enternecedor desculpou-a de todas essas infâmias e deixou-me ansiosa para o próximo. "Isla", chega depressa! ;)

P.S. - A autora criou uma banda sonora para acompanhar o enredo, e todas as músicas são tão indicadas que cada vez que as oiço me lembro do livro. Podem ouvi-la aqui:http://8tracks.com/naturallysteph/lola-and-the-boy-next-door



Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Opinião: Aromas do Amor, de Dorothy Koomson


     

 Aromas do Amor
de Dorothy Koomson 

Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 472
Editora: Porto Editora 

(As primeiras páginas podem ser lidas no site da Editora)


Resumo:  Procuro a combinação perfeita de aromas; o sabor que eras tu. Se o encontrar, sei que voltarás para mim.

Passaram-se 18 meses desde a morte de Joel, o marido de Saffron, e o culpado nunca foi descoberto.

Agora, fazendo os possíveis para lidar com a perda, Saffron decide terminar Os Aromas do Amor, o livro de receitas que Joel tinha começado a escrever antes da sua trágica morte.

Quando, finalmente, tudo parece ter voltado à normalidade, a filha de 14 anos de Saffron faz uma revelação chocante que abala a relação entre ambas. E, ao mesmo tempo, cartas misteriosas lançam uma nova luz sobre a morte de Joel.

Será um grande amor capaz de sobreviver à maior das perdas?

Rating: 4/5 

Opinião: Descobri a Dorothy Koomson aos 16 anos, quando saiu o primeiro livro da sua autoria em Portugal (A Filha da Minha Melhor Amiga) e gostei instantaneamente do estilo da autora: leve, bem recortado, cativante, capaz de nos colocar nas situações mais incómodas presenciadas pelas personagens, mas também (e especialmente nessas) nas extremamente felizes. Com um carisma extraordinário, as suas personagens não nos deixam indiferentes. E o melhor de tudo é que não são perfeitas: sofrem, riem, sentem, vivem amarguras e medos (pavores até), paixões e arrebatamentos que nos percorrem enquanto lemos as suas histórias e nos levam do mundo real para o seu universo. Mesmo não que não soubesse que um livro era da sua autoria, o estilo de Dorothy é tão patente que duvido que não chegasse a essa descoberta depressa. Acima de tudo, a autora oferece-nos sempre rebuçados agridoce sob a forma de livros mimosos, com histórias que nem sempre correm bem (pelo menos na sua totalidade), mas com um significado muito humano. E esse é o seu factor - chave preponderante: as personagens de Dorothy não têm medo de ser verdadeiramente humanas e de nos arrastar por corredores de memórias que tanto são nossas ou de conhecidos como de personagens dos seus livros. E mais do que isso, as emoções vêem dotadas de um realismo patente, sem hipérboles desnecessárias a forçar o drama (e uma potencial lágrima do leitor), e que ainda assim têm a capacidade de nos comover e criar emoções empáticas.
De todos os seus livros que li até hoje, sempre considerei o primeiro o melhor e o mais rico deles todos. Pelo menos até ler o "Aromas do Amor", que julgo ocupar uma posição muito semelhante. Apesar de ter tido algumas dúvidas em determinadas partes da obra, este volume conseguiu superar-se a si mesmo e provar-me porque é que a autora é tão bem sucedida no que faz. Mas já lá vamos.
Com este novo romance da Dorothy, senti-me a revisitar uma casa de uma tia há muito negligenciada, mas que nunca esquecemos. As suas personagens não são particularmente originais, ou pelo menos não tão diferentes que não as encaixássemos num dos seus livros, mas ainda assim souberam galgar território ao longo da narrativa e torná-la o seu espaço pessoal.
Senti-me meio que aos solavancos no início do livro, e só entrei realmente no enredo quando a Parte I finalizou, mas a partir daí deixei-me render pelas personagens. Saffron continua a sentir-se uma viúva precoce apesar de se ter passado mais de um ano desde o assassinato do marido. É por isso uma personagem instável, que vive a tentar combater o luto para respirar enquanto simultaneamente puxa para si as réstias memórias de um casamento feliz que preenchia todos os compartimentos do seu ser. Por esse motivo, algumas atitudes erráticas tiveram o condão de me espicaçar a irritação com a personagem e considerá-la injusta nas suas configurações. Naturalmente, o seu estado catatónico sempre foi capaz de a justificar e perdoar, pelo que ao longo do livro fui aprendendo a fazer o mesmo sempre que ela pisava o risco. Phoebe e Zane são apresentados pela óptica caleidoscópica de uma mãe-galinha que só pretende proteger os filhos de um mundo perverso que lhes levou o pai cedo demais. Gostava de os ter visto mais presentes no activo, e não apenas em pensamentos ou recordações de situações recentemente vividas pela mãe, mas ainda assim foram ganhando destaque ao longo do livro. Já Fynn é o típico bem-disposto, generoso, coração de manteiga, com sentido de humor apurado que Dorothy gosta de incutir nas personagens masculinas por quem nutre um fraquinho (e ela que não o negue, que os seus livros são o comprovativo disso mesmo ;) ). Já a Tia Betty merece todo o destaque por ser aquele elemento excêntrico mas benemérito que sempre gostaríamos de ter na família. Fiquei bastante satisfeita com as suas inclusões na história, já que são esses elementos que servem de contra-balanço às conjugações que apelam à veia dramática da autora.
Nesse campo, tenho a dizer que o enredo teve a sua exploração devida, com conduções a uma série de explicações mais ou menos lógicas, e que nos fez entender todo o percurso de cada elemento da trama. Não posso contar quase nada sobre a acção principal da estória sem que vos desvende desnecessariamente algum factor que prefeririam ter acesso durante uma boa leitura. Vou apenas dizer que o mosaico criado com todas as articulações temporais e as conjugações interpessoais trouxe um livro que vale a pena ler.
Apesar de tudo, gostava de ter visto mais explorada (e de outra forma) a redação do livro de receitas de Joel (agora também da mulher), e evitar alguns acrescentos desnecessários, que criaram em certos momentos um excesso de complexidade que não trouxe nenhum conteúdo por aí além, enquanto outros elementos dignos de análise acabaram por passar por segundo plano.
Ainda assim, e para concluir, só posso dizer que o final foi bem conseguido justificando toda a narrativa, mas dando simultaneamente uma indicação de fecho do ciclo e também de continuidade numa nova realidade. Fiquei com pena que o desfecho de Fynn fosse o apresentado, apesar de perceber o motivo desse seguimento (mas no entanto não podia deixar de torcer por ele até ao fim, e fiquei um pouco desiludida por não ter a cena que esperava). De qualquer forma, vão sentir-se satisfeitos e concordar que o tempo passado com a família Mack-el-Roy (ou Mack -le- Roy como diria o Agente Clive) foi bem merecido.

Portanto já sabem: adquiram o livro e venham autografá-lo na Feira do Livro de Lisboa nos próximos dias 14 e 15 de Junho pelas 15H. A Dorothy é conhecida por dar grandes abraços aos leitores e suspeito que são capazes de precisar de algum após terminarem "Aromas do Amor".

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

Passatempo: O Olhar do Açor, de Sandra Carvalho

Olá Encruzilh@dos!

Hoje temos mais um fantástico passatempo em parceria com a Editorial Presença. Temos para sortear um exemplar do primeiro volume da dulogia O Olhar do Açor de Sandra Carvalho.

"O Olhar do Açor é uma narrativa que entretece com mestria verdade histórica e ficção, a realidade da sociedade portuguesa do século XV e a fantasia das personagens e dos cenários imaginados pela autora."

Descubram as respostas aqui. Boa sorte.

 Regras do passatempo
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 15 de Junho de 2014.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só serão aceites uma participação por pessoa e morada, em todo o território português (Portugal Continental e Ilhas).
4) O/A vencedor/a será sorteado de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail.
5) O Encruzilhadas Literárias e a editora não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT nas encomendas enviadas.

  «Estas e outras novidades no site da Editorial Presença aqui»
 

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Opinião: Um Dia Esta Dor Vai Ser Útil, de Peter Cameron

Um Dia Esta Dor Vai Ser Útil     

 Um Dia Esta Dor Vai Ser Útil
de Peter Cameron 

Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 240
Editora: Marcador 




Resumo: 
Um Dia Esta Dor Vai Ser Útil é a história de um rapaz sofisticado e vulnerável com um grande apreço pelo mundo, mas sem a menor ideia de como viver nele. James tem 18 anos, é filho de pais divorciados. Eloquente, sensível e cínico, rejeita as presunções que orientam o mundo adulto que o rodeia – incluindo a expectativa de que irá para a universidade no outono seguinte.

Por ele, mudar-se-ia para uma casa antiga numa cidade pequena do Midwest. Um Dia Esta Dor Vai Ser Útil passa- se durante uns dias abrasadores de verão. Ao mesmo tempo que faz confidências à sua compreensiva avó, James boicota uma psicóloga astuta, lamenta a sua irmã pretensiosa e cria uma identidade falsa online para poder avançar com o fraquinho que sente por alguém próximo.

Rating: 4/5 

Opinião: "Um Dia Esta Dor Vai Ser Útil" é um livro docemente irónico, com o toque certo de cinismo inerente a uma adolescência solitária e introvertida. Peter Cameron merece um maior reconhecimento em Portugal e estou mesmo contente por ter sabido da existência desde pequeno livro editado pela Marcador, que pode não ser grande em tamanho mas é no resto para mim.
A adolescência nem sempre é fácil, muito menos para os que não se encaixam no padrão e que muitas vezes procuram conforto através de subterfúgios e de indirectas (por vezes imensamente discretas ao ponto de passarem despercebidas à maioria), e James relembra-nos a todos que em algum momento das nossas vidas já passámos por ocasiões semelhantes. A diferença é que para si esse é o sentimento permanente e o qual se encarrega de distribuir e reformular junto dos parentes mais próximos. Tal como indica a sinopse, este rapaz é vulnerável e sente-te desencaixado do mundo que o rodeia, mas anseia por ele no meio da neblina de tédio que o cobre, o leva a questionar as coisas com uma relativa indiferença e a agir sem querer pensar muito nas consequências ou na origem de cada gesto, sob a pena de sofrer ataques de pânico. No fundo, nega-se a si próprio e não sabe lidar com a sua voz interior, colocada cada vez mais fundo para que não se escape, não se mostre ao mundo em momento algum.
É com este cenário implementado que vamos vendo o decorrer da personagem, e a sua relação com todos os familiares (desde a mãe algo neurótica, à irmã meio snobe e empertigada, ou ao pai que deseja tudo de bom para o filho mas não sabe lidar com ele fora dos seus padrões de funcionamento) e com as poucas pessoas com que se cruza fora deste núcleo, não mais sãs que ele. Vale-lhe a avó, que o ampara nas situações caricatas e lhe traz parte do colo que ele se recusa reconhecer como necessário e desejado.
Todo este cenário ainda se torna mais completo com a chegada de uma psicóloga que nem quereria para mim, presa aos estigmas profissionais que a impedem de facto de ajudar James, mas de quem suspeito que ele até venha a sentir falta...
Quanto à condução final, gostaria de ter as últimas páginas do livro mais trabalhadas, principalmente no que resulta da exposição frontal de James consigo próprio; dado que o lapso temporal impediu visionarmos as transformações que o tempo implicava, em jeito de conclusão.
Por outro lado, o discurso de toda a narrativa, na primeira pessoa e com um toque de subtileza que mistura  introversão e exploração curiosa dos momentos entediantes de terceiros, foi uma constante sensação de dejá-vu para mim. De facto, e ainda que muito melhor resolvido que James, conheço alguém muito parecido na forma de se expressar, de ver o mundo e de testar as pessoas em seu redor (muitas vezes sem consciência) até ao ponto de ebulição que as faça explodir, perdendo a paciência ou criando juízos de valor incorrectos. Desta forma, esta personagem encarnou alguém da minha vida pessoal a determinada altura, e foi inevitável ouvir as palavras de James com uma voz diferente, como se tivesse sentados a meu lado um e outro numa troca de opiniões e galhardetes constante, e que me fez expulsar algumas gargalhadas ao tentar imaginar a pessoa real em algumas das situações vividas pela fictícia (mesmo - ou melhor, principalmente - as sem piada nenhuma).
"Um Dia Esta Dor Vai Ser Útil" não é um livro de auto-ajuda ou de psicologia, mas que pode ainda assim apelar à reflexão de pequenos momentos das nossas vidas, que passam despercebidos ao olho comum mas não ao de Peter Cameron e das suas personagens e que nos levam no doce embalo da adolescência incompreendida por um jovem que tem medo (puro!) de se conhecer a si próprio. Vale a pena e recomendo a leitura.

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

domingo, 11 de maio de 2014

Vencedor do passatempo: Tornado, de Sandra Brown

Boa noite Encruzilhados!

Nesta noite um pouco ventosa (para estes lados pelo menos), decidimos colocar o Tornado cá fora! Assim sendo, fomos consultar o random.org que nos indicou a feliz contemplada que irá receber um exemplar de "Tornado", de Sandra Brown, editado em Portugal pela Quinta Essência.

Sem mais demoras, parabéns....

Rita Carmo, de Seia!


Opinião: A Guerra do Salavisa, de J. F. Matias

                                                 

 A Guerra do Salavisa
de J. F. Matias

Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 268
Editora: Marcador 




Resumo: 
Na alvorada do século XX, Joaquim Salavisa é um adolescente valente, boémio, engenhoso e pinga-amor, sem qualquer inclinação para os estudos, e que se desdobra em brincadeiras e partidas por toda a Lisboa. Aos dezanove anos, um incidente rocambolesco, idêntico a tantos outros em que era useiro e vezeiro, corre mal e leva-o à prisão. Filho de boas famílias, o seu pai, para o safar do cárcere, alista-o no Corpo Expedicionário Português com destino à Flandres. Pensando livrá-lo depois através dos bons ofícios de um primo responsável pela mobilização. A mãe, porém, trata de que aconteça precisamente o contrário, na esperança de que a Grande Guerra faça o filho ganhar juízo e o torne um homem.

No epicentro de uma guerra, mas remetido para uma frente estabilizada, calma demais para o seu feitio, trava contacto com um francês e um alemão enquanto se dedica a caçar tordos numa terra de ninguém. À conta da fanfarrice de um deles, desencadeiam uma fuzilaria tremenda entre trincheiras que quase os mata. Refugiados num bosque, tornam-se amigos e entreajudam-se no regresso à segurança das respectivas linhas.

Muitos anos depois, o neto tem a sorte de poder aplicar na boémia e nos prazeres da vida a mesma dose de rebeldia e extroversão do avô. Entre memórias e heranças que o avô deixara para trás, percorre um caminho intricado que o fará erguer uma verdadeira ponte entre gerações.

Rating: 3/5 

Opinião: "A Guerra do Salavisa" leva-nos para um Portugal de época a sofrer transformações reestruturantes da sociedade portuguesa, contextualizando o crescimento espontâneo e estouvado de um menino, no início do livro já rapaz (mas ainda com a cabeça na lua típica dos que não se preocupam porque não têm essa obrigação). O fim da Monarquia, a instauração da I República são os cenários de fundo com os quais convivemos muito brevemente, apenas para contextualizar o desenvolvimento de carácter de Joaquim Salavisa, amado pelo pai que certamente revê no filhos os sonhos cumpridos/ por cumprir de uma juventude desgarrada, e preocupação de uma mãe, que quer educar um fruto da sua linha hereditária para ser um homem, consciente, sensato e pelo menos, com algum nível de decência.
A ida para a Grande Guerra quase passa despercebida, naquela frente de batalha que de batalha não tem nada, e que leva, tal como a sinopse indica, ao levantar de um acontecimento que criará laços de amizade entre Quim, Jean-Paul e Fritz. Esta parte do livro para mim foi a mais deliciosa. A relação entre os três, ainda que bastante breve, mostrou o quanto as barreiras e as composições das ideologias políticas escondem por vezes jovens resgatados para momentos com os quais não se identificam, e que no fundo, não fossem barreiras criadas por terceiros, os seus sonhos e interesses seriam os mesmos. Basta para isso ver a complexa família de Jean-Paul, que tanto atravessa um lado da barreira como se encontra da outra, e que em parte retractou a história de muitos outros na I Guerra Mundial.
Essas passagens são muito rápidas, trazendo Quim para outra nova realidade, onde cruzará caminho com diversas personagens, ocupando lugares distintos na Guerra a decorrer, e que finalmente trarão alguma luz e sensatez a este rapaz que se preocupa consigo e não com os problemas do mundo.
Quando a sinopse descreve a ponte de gerações, esperava que ela de facto tivesse ocorrido, e sinto que poderia ter sido melhor trabalhado. Senti que a passagem de avô para neto não só foi brusca como criou uma narrativa totalmente independente e confesso que me senti um pouco enganada, especialmente porque estava a gostar do desenvolvimento do enredo inicial.
A estória do neto é completamente diferente da levantada ao seu avô. Também boémia e cheia de ajudas, para permitir a existência de bons vivants que só se preocupam com o umbigo e as boas ofertas gastronómicas e culturais de uma vida com regalias, não senti evolução nesta personagem. Paradoxalmente, esta segunda parte apresenta por vezes breves rasgos mais filosóficos que puxam a um lado mais maduro da narrativa, ainda que nem sempre bem conseguidos. Até certa medida gostei de Marcel (seu amigo) e do criaram em sua volta, mas o enfoque acabou por se tornar um pouco forçado e cansativo em algumas partes. É já a última parte, que passa quase que ligeira e despercebida que me fez gostar mais do livro novamente, com a mistura dos vários mundos e a miscelânea de acontecidos resultantes da composição da vida de várias personagens numa única tela, onde o passado e o futuro se misturaram ao ponto de surgirem como uma única época.
O estilo literário do autor salvou este livro quando à criação de empatia com o leitor. Da minha parte, uma personagem corriqueira armada em Dandy que tem tudo o que cai do céu em cinco segundos não seria uma composição de que fosse gostar. Tantas cunhas e boa vida, facilidades que nem repara e sobre as quais não reflecte ou agradece soam-se aos chico-espertos que tudo querem e conseguem. No entanto, o estilo leve de J. F. Matias, solucionado numa mistura de brincadeira e tom irónico a um rectacto-tipo de uma sociedade portuguesa em estilo saudosista (e que infelizmente, em muitos casos correspondeu à realidade), acabam por criar uma ligação com o leitor que ainda que não se reveja nela conhece o seu país, o que inevitavelmente nos aproxima da estória que estamos a ler e, em parte, nos leva a desculpar os Salavisas, toda a sua linhagem, pelos defeitos de carácter que julgamos corrigidos neste narrador que reconta tempos idos.
E falando em Salavisa e para terminar esta opinião, este título surge então como uma analogia um pouco mais vasta aos acontecimentos bélicos decorridos entre 1914 e 1918, passando antes a ser resultado do conflito da emancipação e da entrada na idade adulta, da compreensão do mundo por estes avô e neto, e da consciência da importância de estar vivo e de fazê-lo com dignidade.


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Opinião: A Lei do Deserto, de Wilbur Smith


A Lei do Deserto
de Wilbur Smith

Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 575
Editora: Editorial Presença 

Resumo: 
Hazel Bannock é proprietária de uma das maiores companhias petrolíferas do mundo, a Bannock Oil. Durante uma viagem através do oceano Índico, o seu iate é sequestrado por piratas somalis. Nele viajava a filha de Hazel, de 19 anos, Cayla, e o resgate que os piratas pedem para a libertarem é exorbitante. Hazel recorre ao major Hector Cross, cuja empresa foi contratada pela Bannock Oil para proteger as suas instalações e pessoal. Juntos, Hazel e Hector estão dispostos a tudo para salvar Cayla, mesmo que isso signifique fazer justiça pelas próprias mãos…
  
Rating: 4/5 

Opinião: Sendo uma adepta de séries policiais e de thrillers e filmes de acção, não sei porque é que não leio livros deste género mais vezes. Ou melhor, sei: não posso fechar os olhos nas partes mais assustadoras/ nojentas/ violentas e fugir da estória. Wilbur Smith fez-me ver que se calhar tenho de voltar com mais frequência a este universo, e descobrir os segredos dos thrillers literários.
"A Lei do Deserto" surpreendeu-me e dei por mim a gostar bastante deste livro, e muito mais do que inicialmente esperava. Wilbur não perde tempo, salta logo para a acção que interessa, põe-nos as cartas na mesa, deixa-nos tocar-lhes e volta a baralhar-nos. É um livro cheio de acção, intenções, momentos de tensão e reviravoltas. E não é mesmo conversa fiada: a meio do livro questionei-me sobre o que é que o autor iria criar para mais 200 páginas porque o enredo parecia conduzir a um final próximo e ele trouxe-me a resposta meia dúzia de páginas depois, com todos os elementos que a comportavam: altercação de personagens, segredos desvendados, uma surpresa rápida, indolor, mas com variadas consequências para o seguimento da narrativa. É neste registo que Wilbur Smith brilha mais, criando um livro forte e agradável para um vasto público. 
As personagens principais (Hazel, a irritante Cayla e Hector Cross) são exactamente o que esperava delas: fortes, com o devido destaque, por vezes incomodativo mas continuando a agarrar-nos ao contante virar de páginas. As personagens secundárias foram cruciais, desde a família de Hazel aos elementos da equipa de Hector Cross e dos terroristas, que por vezes são quem menos pensávamos....
Irritou-me em alguns momentos a construção de determinadas personagens. Cayla, por exemplo, passa por evento tão dramático que eu esperava (adrenalina à parte) que isso se reflectisse na sua personalidade e essa ausência soo-me estranha e um pouco oca. As relações humanas não me parecem por isso o ponto forte do autor, pelo menos no que toca a sentimentos e interiorizações (que surgiram tantas vezes destoados da restante composição). No entanto, esse factor suplanta-se quando logo em seguida nos surge uma linguagem directa e pragmática e por vezes crua (em exagero) que nos obriga a pensar mais além e a saltar para o meio de cenas (quase como culpados), e a sermos um participante activo de toda a narrativa. 

Por outro lado, este autor é bem sentido no livro que criou. É inegável tratar-se de um autor masculino, com um posicionamento e uma perspectiva sobre as acções muito pessoal. Por vezes torci-lhe bem o nariz, até porque algumas descrições me pareceram algo duras e deixaram-me desconfortável  mas conseguimos fazer as pazes umas páginas depois (deixo de ante-aviso os interessados que há cenas de intenções de/ou de estupro) .
Acho que é uma grande aposta para leitores que gostam de acção sem descrições mórbidas em exagero, que procuram algo leve mas cheio de ritmo e que pretende partir para o mundo da ficção sobre um tema que, apesar de tudo, até é bastante real e actual como a pirataria marítima.



«Estas e outras novidades no site da Editorial Presença aqui»
«Aquira o seu exemplar aqui


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

domingo, 27 de abril de 2014

Opinião: Longbourn - Amor e Coragem, de Jo Baker

 

Longbourn - Amor e Coragem 
de Jo Baker

Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 392
Editora: Editorial Presença 

Resumo:
Para todos os que admiram a obra de Jane Austen, esta é uma oportunidade única de revisitar o seu universo, mais concretamente o de Orgulho e Preconceito, mas numa perspetiva completamente nova. Jo Baker conseguiu a proeza de pegar num clássico e reimaginá-lo, com brilhantismo, a partir do ponto de vista dos criados. Enquanto no andar de cima tudo gira em torno das perspetivas de casamento das meninas Bennet, no andar de baixo os criados vivem os seus próprios dramas pessoais, as suas paixões e angústias. À semelhança da obra que a inspirou, também Longbourn é uma história de amor apaixonante e uma comédia social inteligente, que nos dá a conhecer o quotidiano daqueles que serviam nas mansões rurais inglesas do século XIX. Uma obra admirável, que capta na perfeição a atmosfera da Inglaterra de Jane Austen.
  
Rating: 4,5/5 

Opinião: Antes de mais, tenho de dizer o quão contente fiquei com esta nova aquisição. Adoro Jane Austen, e embora não seja uma purista e tenha estudado o seu percurso literário e as características do seu trabalho, é uma das minhas autoras preferidas, cujo universo visito de tempos a tempos (com muita regularidade, diga-se de passagem), e já vi séries, filmes e li livros inspirados nas obras dela. No entanto, desconfio um bocado quando surgem livros que são meros aproveitamentos do que a Austen escreveu em tempos, porque considero que existe uma apropriação indevida de personagens e que acabam por estragar o original, que acabou onde devia acabar (e ficar sempre aquém do esperado). O que significa que para ler um livro que não resulte de uma mera inspiração na obra mas da sua adaptação, teria sempre de ser algo extraordinário e Jo Baker acertou na mouche.
Quando li a sinopse, que não diz grande coisa diga-se de passagem, fiquei logo curiosa e tornou-se um livro que eu à partida já queria gostar, o que lhe colocou uma série de expectativas elevadas, que ele conseguiu igualar (e não desapontar-me).
Vou começar por falar desta capa, que eu adoro. É uma das minhas preferidas dos últimos meses, para além de representar o conteúdo do livro na perfeição. Dá destaque ao paralelismo entre o universo que conhecemos (mas que não será quase visível) e aquele do qual nunca ouvimos falar, mas que nos encara lá do canto, à espera de nos surpreender. Este é um dos pontos principais para mim, porque em momento algum nos defrauda. As personagens já nossas conhecidas em Orgulho e Preconceito estão lá, nunca abandonam a narrativa, mas não são o elemento principal, e portanto a sua realidade não é propriamente vivida neste livro. De vez em quando surgem algumas referências ao enredo de Jane Austen mas que servem apenas para nos situarmos na narrativa original, e para facilitar o entendimento e o posicionamento das nossas personagens quanto ao seu contexto. Gostei bastante dos pequenos excertos que antecederam cada capítulo, e que geralmente conduziam ao estado de espírito das personagens nas páginas seguintes, ou numa outra lógica, para mais uma contextualização alargada.
Para quem lá leu Orgulho e Preconceito (e acreditem, não precisam de o fazer para ler este livro que vale por si só, e continuam a perceber toda a narrativa, que funciona de forma independente da original), talvez sintam falta de algumas personagens, ou da visão que Jane Austen lhes atribuiu. Por vezes foi surpreendente ver algumas discrepâncias de carácter, especialmente um Mr. Bennet não tão irónico ou uma Lizzie não tão desconcertante como habitualmente, embora tenha captado a intenção de Jo Baker ao reforçar a perspectiva dos criados, e como tal, é a sua visão dos acontecimentos que está presente.
Também para quem já leu a obra, sabem que a família Bennet não era muito abonada, pelo que os poucos criados que viviam na casa, um casal e duas raparigas (com uma ligeira diferença de idades), mais tarde acompanhados por um novo membro, são os elementos que vivenciam ao rubro todas as alterações decorridas na propriedade de Longbourn. Desde despejar penicos (ou acuadoiros) numa casa com várias mulheres e diversos momentos de menstruações, a lavar baínhas com 20 centímetros de lama nos vestidos de Lizzie, a recorrer a sais especiais para despertar Mrs. Bennet dos seus momentos de fanico ou aquecer água bem cedo para puderem aquecer a casa dos seus patrões, todas as tarefas são apresentadas assim como a forma que cada elemento da equipa se posicionava perante as diversas situações.

Da parte dos Bennet, perdemos por momentos a realidade algo idílica que o livro nos promove, para sermos deparados por momentos desconcertantes, tais como uma empregada a elogiar o quão bonitas estavam as raparigas para um baile, e a referir a pilosidade das axilas de uma delas enquanto a veste, por exemplo. Embora não sendo comuns, despertam-nos para o que deveria ser a realidade de um romance, sob a perspectiva de um criado, que não vê somente as relações interpessoais mas as questões pragmáticas do quotidiano de uma ocupação profissional.
Relativamente às personagens em si, são todas deliciosas, à sua forma. Cada criado apresenta uma personalidade demarcada, com segredos que muitas vezes se entrecruzam com a realidade da família que os acolheu. Funcionando também como uma pequena família, as suas relações, tanto entre si como com elementos exteriores a propriedade e criados de outras casas tornam este livro bastante rico. E só a sua vida dava (e deu) um romance bastante bonito. Desde uma Polly sonhadora, ingénua e que é ainda bastante criança para trabalhar a sério, a uma Sarah que deseja mais do que a vida que tem, e pretende ir mais longe um dia, a um casal já acomodado, cujo futuro passa por servir os patrões até morrer (Mr. ans Mrs. Hill) e James Smith (eu sei, é irónico e fiquei com receio do que é que sairia daqui quando li o nome, mas não se preocupem), cheio de segredos e mistérios, e que só pretende trabalhar com calma...e longe das milícias. Este grupo de pessoas consegue preencher cada página e levar-nos a sonhar com eles, presenciando a realidade não tão bonita de um dos mais fantásticos romances de Austen, mas sem perder o elevo que nos faz apropriar-nos das personagens e torcer por elas. Contar mais é revelar spoilers, por isso deixo-vos apenas com um recado: não vão arrepender-se de ler este livro!
Jo Baker escreve lindamente, consegue articular o seu discurso com o de Jane Austen, embora escrito em pleno séc. XXI (e com a percepção de que a autora por detrás também pertence a essa época temporal), respeitando a obra original, adornando-lhe elementos que a complementam e, ainda que por vezes tenha fugido dela e tomado algumas liberdades criativas, no contexto são justificadas, e condizem com o que a autora nos promete. Encheu-me o coração, e fiquei curiosa para ler os restantes livros de Jo Baker.



«Estas e outras novidades no site da Editorial Presença aqui»
«Aquira o seu exemplar aqui


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Opinião: Perto de Ti, Longe de Nada

 

Perto de Ti, Longe de Nada
de Sílvia Soares

Edição/reimpressão: 2014
Editora: Edição de Autor 

Resumo:

Recentemente divorciada, Julia procura afastar-se do passado e reencontrar a alegria num recomeço. Partindo numa viagem sem destino, conta as suas aventuras e desventuras no blogue da revista para a qual trabalha. Os seus seguidores, novas amizades e também Erika, a sua instável amiga e divertida chefe, acompanham-na.
O pintor invulgar e cativante é Jean-Pierre que vive pelo mundo, sem amarras. Talentoso e confiante, julgava já não procurar nada… até conhecê-la. Tudo o que ele queria era pintar o seu retrato…
Fabrizio, Enzo, Marillia, Gerardo, Adelline, Maria Rita e Matteo são algumas das personagens que farão parte desta viagem, entrando ainda em cena os recém-casados Sara e Valter, a personificação de que os opostos se atraem.
E tudo começa em Milão… Pelo caminho, Julia encontra muito mais do que esperava. Mas será que encontra o que realmente procurava?
Uma história sobre o amor, nas suas diferentes formas, sobre a busca interior da felicidade.
  
Rating: 3/5 

Opinião:  "Perto de Ti, Longe de Nada" é o 3º romance de Sílvia Soares, uma jovem autora que gosta de imputar as suas experiências pessoais e sonhos (porque não dizê-lo) nas obras que escreve.

Este livro foi gentilmente cedido pela autora Sílvia Soares, a quem agradecemos o gesto e a aposta no Encruzilhadas Literárias. Queremos continuar a divulgar novos autores portugueses e apoiar o seu sucesso! Para além disso, as mensagens a nós reservadas foram recebidas com muito carinho. Para saberem mais sobre a autora, podem clicar aqui.

Ainda não vi nenhuma opinião escrita sobre este livro o que me leva a pensar (sem egocentrismos) que talvez seja a primeira a vir a público para a blogosfera, o que me deixa um tanto ou quanto sensível à responsabilidade. Mas vamos lá.

Começo por dizer que adoro a fotografia da capa, e sabendo tratar-se da autoria da autora (e da sua importância no enredo), não posso deixar de ficar contente por poder ver a casa de hera, sem ter de forçar a imaginação para criar este edifício tão bonito.
Li este livro com uma relativa rapidez e interesse, não só porque o enredo me cativou, mas também devido à sua fácil leitura. No entanto, tive algumas reservas sobre a obra até ao fim, o que dificultou a definição da minha opinião sobre ele. Por outro lado, quando cheguei ao final e li as últimas linhas, todas as questões que poderia apresentar ao livro como pontos menos positivos acabaram por ser justificados, e com essa nova perspectiva, entendo o porquê de algumas escolhas da autora. No entanto, não poderei ser suficientemente clara sem revelar alguns spoilers, o que não pretendo fazer, pelo que a presente opinião poderá ser um pouco injusta, ainda não sei se para os leitores se para a Sílvia.
Este é sem dúvida um livro pessoal, não tanto devido às vivências das personagens que o compõem mas porque mesmo sem conhecer a autora, consegui vê-la em todas as páginas desta obra. Vemos as várias cidades, especialmente Milão pelos seus olhos, provamos pratos que chegaram até si e visualizamos edifícios e locais através, não de indicações de guias turísticos mas da sua vivência e percepção dos lugares.
A Sílvia diz várias vezes inspirar-se nas suas viagens, e esse factor ressalva-se em toda a obra, o que é sem dúvida uma vantagem para quem quer contextualizar-se. Por outro lado, acho que poderia ter sido melhor explorado nesta parte, porque embora tenha captado as experiências sensoriais das personagens, num sentido prático não conheci Milão, ou não vi Milão na grande maioria das vezes. Os hotéis, os cafés, as localidades retractadas poderiam ser em qualquer parte de Itália (salvo raras excepções referenciadas de monumentos, edifícios ou locais). A esse nível, destaco também o facto de por vezes achar que existiram pormenores colocados em grande relevo desnecessariamente, em detrimento desta outra perspectiva. Confesso que me custou um pouco habituar com essa lógica de saber sempre o que a personagem comia, vestia, os passos que dava no quarto enquanto se arrumava, etc, num excesso de descrições quotidianas um pouco desinteressantes.
Numa outra lógica, as cartas da Julia para os leitores não me pareceram muito...realistas? É suposto serem crónicas de viagem e dei por mim a ler desabafos a rondar a escrita de diário pessoal e intimista, que numa práctica comum não aconteceria segundo o modelo que carreira profissional em causa. Este foi um dos pontos que me fez mais confusão, mas mais uma vez, quando li as páginas finais do livro percebi a razão pela qual elas estavam escritas dessa forma.
Senti falta de mais trocas de emails com Erika, atendendo ao que nos é apresentado pela sinopse, e que eu gostaria que não fossem a repetição de pontos já descritos anteriormente mas uma adição complementar à narrativa.
Do ponto de vista de redação e construção linguística, a autora escreve bem, sabe bem ler a sua obra e terminei este livro muito rapidamente. Denotam-se os vastos anos de leituras e de escrita que decerto antecederam a aposta da Sílvia no outro lado do mundo literário. E na grande generalidade, dá prazer em ler. O texto flui, o estilo é muito contemporâneo e bastante articulado. Destaco apenas a necessidade de se trabalhar melhor os diálogos, um pouco forçados e repetitivos, que por vezes me fizeram torcer ligeiramente o nariz. Apóstrofes em excesso e alguns pleonasmos que não acrescentaram muito ao livro. Deste modo, e apesar da revisão cuidada da autora, que é bastante visível, aconselhava nesta fase de melhoria a procurar um grupo de leitores-beta, que com um outro olhar poderiam fazer brilhar ainda mais a obra da autora e corrigir estas pequenas bengalas de construção.
Quanto ao enredo, é uma estória doce, daquelas que nos embalam e que soube bem ler no comboio, onde podia fechar os olhos e imaginar-me também num movimento mais prolongado, a partir para longe. A ideia de viajar e de conhecer pessoas interessantes pelo caminho não é mais do que uma possível realidade que muitos vivenciam, e foi apresentada com uma naturalidade extrema, resultando numa mistura de nacionalidades e personalidades. Gostei de ver as suas relações e a perpetuação da amizade imediata e rápida, tão típica nesta modalidade de encontros e desencontros, que por vezes se desfaz mas que compõe a melhor lembrança para tempos inesquecíveis.
Julia é uma mulher que facilmente se relaciona com todos, cujas relações interpessoais estão novamente a ser trabalhadas e aperfeiçoadas, beneficiando da aproximação de pessoas afáveis e com uma bagagem de vida para explorar em conjunto. É divertida quando se vira para o mundo exterior e sente-se a evolução da personagem ao longo das páginas, à medida que vai saindo de um casulo de mágoa para as primeiras tentativas da redenção pessoal. A sua relação com Jean-Pierre é simultâneamente previsível contraditória, seguindo desfechos que podem parecer cliché, mas que no minuto final se revelam algo diferente. Gostava de ter sabido o desfecho da história de Maria Rita e Matteo (até porque adorei os pais desta rapariga), assim como mais alguma informação destas personagens com as quais a personagem principal se cruza, ultrapassando a lógica de adição à trama para realmente fazerem parte dela. De qualquer forma, ninguém me tira da cabeça que com ou sem namorada, o Fabrizio tinha era uma paixoneta pela Julia!
Para finalizar, fiquei surpreendida com o último capítulo e com a carta final, que me deixaram com a sensação de ter juntado novamente as peças, mas também de algum sentimento agridoce que, e agora pensando em retrospectiva, era inevitável.
Estarei atenta às futuras obras desta autora cheia de potencial, a quem desejo o maior dos sucessos!

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Passatempo: Perto de Ti, Longe de Nada

Bom dia!

Para vos alegrar a semana, trazemo-vos mais uma surpresa! É sempre bom quando os novos autores nacionais nos contactam e tentam, naturalmente, fazer a sua obra chegar a mais leitores.

Neste caso foi a Sílvia Soares, que aos 29 anos acaba de lançar o seu terceiro livro, "Perto de Ti, Longe do Nada". A autora, para além de colocar um exemplar do livro à disposição do Blog de  forma bastante simpática (poderão ler a opinião da Cláudia ainda esta semana) decidiu presentear-vos com um exemplar. Só têm de cumprir com as regras do costume e habilitarem-se a ganhar este livro!

Entretanto, passem também pelo site da autora para conhecerem os seus trabalhos anteriores. Boa sorte a todos!

Perto de Ti, Longe de Nada
de Sílvia Soares

Resumo: 
Recentemente divorciada, Julia procura afastar-se do passado e reencontrar a alegria num recomeço. Partindo numa viagem sem destino, conta as suas aventuras e desventuras no blogue da revista para a qual trabalha. Os seus seguidores, novas amizades e também Erika, a sua instável amiga e divertida chefe, acompanham-na.
O pintor invulgar e cativante é Jean-Pierre que vive pelo mundo, sem amarras. Talentoso e confiante, julgava já não procurar nada… até conhecê-la. Tudo o que ele queria era pintar o seu retrato…
Fabrizio, Enzo, Marillia, Gerardo, Adelline, Maria Rita e Matteo são algumas das personagens que farão parte desta viagem, entrando ainda em cena os recém-casados Sara e Valter, a personificação de que os opostos se atraem.
E tudo começa em Milão… Pelo caminho, Julia encontra muito mais do que esperava. Mas será que encontra o que realmente procurava?
Uma história sobre o amor, nas suas diferentes formas, sobre a busca interior da felicidade.




 Regras do passatempo
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 17 de Abril de 2014.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só serão aceites uma participação por pessoa e morada, em todo o território português (Portugal Continental e Ilhas).
4) O/A vencedor/a será sorteado de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail.
5) O Encruzilhadas Literárias e a autora não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT nas encomendas enviadas.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Passatempo "A Lei do Deserto" de Wilbur Smith (Editorial Presença)



 Bom dia Encruzilhados,

A Editorial Preseça publica hoje mais um thriller que promete emoções fortes! Wilbur Smith é já bastante conhecido no ramo editorial e pretende causar sucesso em Portugal com este romance. Em jeito de celebração, temos em passatempo, em colaboração com a editora, um exemplar de "A Lei do Deserto". Para se habilitarem, basta lerem as regras, cumprirem-nas e responderem às perguntas em baixo. Boa sorte!
As respostas podem ser encontradas aqui e aqui.


 Regras do passatempo
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 11 de Abril de 2014.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só serão aceites uma participação por pessoa e morada, em todo o território português (Portugal Continental e Ilhas).
4) O/A vencedor/a será sorteado de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail.
5) O Encruzilhadas Literárias e a editora não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT nas encomendas enviadas.

  «Estas e outras novidades no site da Editorial Presença aqui»

ooo

sábado, 22 de março de 2014

Vencedora do Passatempo: Half Bad, de Sally Green (Editorial Presença)

Boa tarde Encruzilhados,

Após a selecção de um novo vencedor para o nosso último passatempo em colaboração com a Editorial Presença, finalmente poderemos apresentar-vos a feliz contemplada!

Assim sendo, sai um exemplar de "Half Bad" de Sally Green para a caixa de correio de Joana Felício, do Entroncamento.

Muitos parabéns!! Se ainda não foi desta, em breve teremos um novo passatempo online!

sexta-feira, 14 de março de 2014

Opinião: O Ano Em Que Me Apaixonei por Todas, de Use Lahoz





O Ano em que me Apaixonei por Todas
 de Use Lahoz

Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 304 (as primeiras 30 podem ser consultadas aqui)
Editora: Top Seller 

Resumo:
Uma homenagem à vida, ao amor e à amizade.
Sylvain, um jovem parisiense que está a caminho dos trinta, sofre de um caso grave de síndrome de Peter Pan: recusa-se a entrar na idade adulta. Embora possua inúmeras virtudes - é perspicaz, simpático, inteligente e versado em várias línguas - tem também muitos defeitos: é incapaz de seguir em frente quando se trata de amor.
A ideia de crescer assusta-o de morte, o que o leva a aceitar um trabalho mal remunerado em Madrid, para estar mais perto de Heike, a antiga namorada que ele não consegue esquecer. Sylvain traz consigo um plano para reconquistar Heike, mas, entre tantas outras pessoas incríveis com quem se cruza, alguém muito especial irá levá-lo a fazer uma escolha.
E quando descobre acidentalmente um manuscrito que contém toda a saga da família do seu vizinho Metodio Fournier, revela-se diante dos seus olhos uma história maravilhosa e excitante, cheia de estranhas coincidências, que muda para sempre a sua visão do amor e do mundo. No final desse ano inesquecível em Madrid, Sylvain regressará a casa, onde abraçará o seu destino.
Uma história sobre as atribulações e os desafios das relações.
Uma ode à beleza da vida, ao amor e à amizade.

 Rating: 3,5/5 

Opinião: Não sei se têm muito contacto com a cultura espanhola contemporânea (através de filmes, séries, programas de TV ou até mesmo da literatura) mas à semelhança daquelas nuances que notamos em produções britânicas ou francesas e que são facilmente identificáveis, este livro tem uma essência espanhola muito plena que é sentida desde a primeira página.
Começo esta opinião com esta reflexão porque acho que alguns leitores podem estranhar as primeiras páginas, quando não habituados ao estilo de narrativa, mas principalmente à presença do autor no livro, que talvez erradamente (porque esta é a minha estreia com ele, pelo que não tenho elemento comparativo) me parece ser muito presente. Por esse mesmo motivo, as primeiras páginas não me prenderam imediatamente. De facto, numa primeira análise, o meu objectivo era lê-lo e terminá-lo rapidamente porque Sylvain não tinha sido capaz de cativar a minha atenção. Até que se fez o clique, e terminei o livro numa única noite (e a perda de horas de sono não veio certamente por obrigação).
É verdade que a apresentação da narrativa por Sylvain transforma-a em algo morno, desconectado da realidade, com alusões que pouco dizem ao leitor, mas muito provavelmente por causa do seu sindroma de Peter Pan, como enunciado na sinopse. Os primeiros acontecimentos são algo desconexos, e vamo-nos apercebendo deles com as mudanças de cenário, com as alterações de personagens, sempre intercalados com pensamentos e reflexões de maior teor sobre as lembranças de momentos mais felizes e da fugidia Heike. Acompanham-me até aqui? Então continuem porque é a partir deste momento que o livro realmente passa a valer a pena (e merece ser lido só por isso!).
O encontro do manuscrito de Metodio traz a dinâmica em falta, o enlevo que nos embala e faz querer saber mais sobre aquelas personagens, e foi o que realmente me entusiasmou. Este encontro inusitado e não autorizado com a intimidade de alguém dotou de particulariedades a narrativa, especialmente ao abranger tantas personagens, ainda que fosse uma versão isolada de uma única personagem, devastando as suas memórias e carregando-as para o presente. Aliás, confesso que quando li as últimas frases desses excertos intercalados com a restante narrativa dei por mim a folhear rapidamente o livro à procura de mais. E se eu fiquei absorta por esta passagem dos anos por detrás do balcão de uma pastelaria por onde passaram várias gerações, também Sylvain se enternece e passa a reflectir de outra forma sobre si próprio, tornando até a sua vivência pessoal mais dinâmica, mais nítida aos nossos olhos e concreta também. A infância surge contada com clareza, a relação com a sua mãe é exposta e finalmente começamos a conhecer todas as personagens que o rodeiam, inclusive Heike (e não a versão saudosista que a personagem guarda para si). Para além disso, a relação com os vizinhos desperta outros segmentos do enredo que a tornaram tão mais interessante que a partir desse momento não fui capaz de largar o livro até o terminar. As personagens tornaram-se reais, as relações entre si desenvolveram-se em cadeia e acima de tudo, continuou a sentir-se a essência madrilena (com a descrição de lugares, de ofertas culturais, de tendências modernistas) que vincaram a diferença deste livro relativamente a tantos outros. Desta forma, percebe-se porque é que o livro já foi alvo de premiações: a estória é de facto banal, mas a sua composição narrativa é original e fora do comum.
O final é enternecedor e preenche-nos: ficou o gosto de querer mais, ainda que com a sensação que chegou no momento certo. E se não era muito fã do nome deste livro, aquele parágrafo final com um efeito de quebra-barreiras e de preconceitos calou-me. Foi sem dúvida interessante, surpreendeu-me e hei-de voltar a ele um dia certamente.

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quarta-feira, 12 de março de 2014

domingo, 9 de março de 2014

Vencedora: Passatempo Dia Internacional da Mulher

Boa tarde!

Ainda na comemoração do Dia Internacional da Mulher, aqui saem os resultados de mais um passatempo! Para os senhores distraídos, nós tínhamos dito que este passatempo era exclusivamente para as leitoras (apenas e somente no feminino)! Não se sintam discriminados porque, tal como prometemos, para o mês que vem surgirá um exclusivamente para vocês.

Sem mais demora, a vencedora deste passatempo foi a Norma Pita, de Chaves. Parabéns! 



Aos restantes, está ainda a decorrer o passatempo da Editorial Presença até dia 16, por isso apressem-se a concorrer para ganhar o exemplar de "Half Bad - Entre o Bem e o Mal" de Sally Green. É só carregar na faixa do lado direito.

sábado, 8 de março de 2014

Passatempo Especial Dia Internacional da Mulher

Caras Encruzilhadas,

Não quisemos deixar passar o dia de hoje em branco, e por isso aqui deixamo um miminho surpresa, relâmpago e que só estará disponível até à meia noite de hoje!

Fomos rebuscar as nossas estantes à procura de um livro para sorteio, e deparámo-nos com os dois primeiros volumes da trilogia "O Diário de Bridget Jones". Quem é que não conhece os filmes da rapariga com roupa interior à avó ou sopa azul para o jantar? De facto, esta é uma personagem feminina hilariante, e como tal, achámos que merecia destaque no dia de hoje. 


 Afinal, no meio de tanto desastre foi preserverante e encontrou o que procurava! O passatempo de hoje está reservado exclusivamente ao sexo feminino mas os senhores que não desesperem. Vamos ter no futuro um passatempo dedicado a si! Aqui primamos pela igualdade de género e não queremos discussões ;)

Vamos lá então às regras:
 Regras do Passatempo
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 8 de Março de 2014.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só serão aceites uma participação por pessoa e morada, em todo o território português (Portugal Continental e Ilhas).
4) O/A vencedor/a será sorteado de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail.
5) O Encruzilhadas Literárias não se responsabiliza pelo extravio ou danos causados pelos CTT nas encomendas enviadas.
6) Apenas mulheres poderão participar! :)


 

sexta-feira, 7 de março de 2014

Opinião: O Jogo de Ripper, de Isabel Allende





O Jogo de Ripper
 de Isabel Allende

Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 400

Resumo:
Indiana e Amanda Jackson sempre se apoiaram uma à outra. No entanto, mãe e filha não poderiam ser mais diferentes. Indiana, uma bela terapeuta holística, valoriza a bondade e a liberdade de espírito. Há muito divorciada do pai de Amanda, resiste a comprometer-se em definitivo com qualquer um dos homens que a deseja: Alan, membro de uma família da elite de São Francisco, e Ryan, um enigmático ex-navy seal marcado pelos horrores da guerra.
Enquanto a mãe vê sempre o melhor nas pessoas, Amanda sente-se fascinada pelo lado obscuro da natureza humana. Brilhante e introvertida, a jovem é uma investigadora nata, viciada em livros policiais e em Ripper, um jogo de mistério online em que ela participa com outros adolescentes espalhados pelo mundo e com o avô, com quem mantém uma relação de estreita cumplicidade.
Quando uma série de crimes ocorre em São Francisco, os membros de Ripper encontram terreno para saírem das investigações virtuais, descobrindo, bem antes da polícia, a existência de uma ligação entre os crimes. No momento em que Indiana desaparece, o caso torna-se pessoal, e Amanda tentará deslindar o mistério antes que seja demasiado tarde.

 Rating: 3,8/5 

Opinião: Antes de comentar este livro, tenho de deixar o meu agradecimento à Porto Editora e dizer-vos o quanto tinha saudades de ler e sentir as texturas estruturais da escrita de Isabel Allende. Aqui há uns anos li no "A Soma dos Dias" que a autora tem uma superstição, e se não começar a escrever num dia específico, nesse ano não nascerá um livro. Calculo que a inspiração lhe tenha faltado em alguns 8 de Janeiro, e como tal fico feliz por finalmente ver mais uma obra desta autora chegar à luz do dia. Já agora,e ao verificar a nota dos agradecimentos, fiquei também a saber que a ideia deste livro resultou de uma ideia frustrada de escrever um policial a quatro mãos com o marido, o que justifica a originalidade do enredo e o seu registo tão pouco habitual, mas nem por isso menos surpreendente.

O meu contacto com o estilo riquíssimo de Allende remonta aos meus 14 anos, quando peguei pela primeira vez em "O Reino do Dragão de Ouro". Adorei aquela história juvenil e tão bem escrita e as aventuras de Alex, pelo que não foi difícil ficar a conhecer as restantes obras da autora, passando pela acção de Diego em  "Zorro" ou pela magia de Paula na "A Casa dos Espíritos". Em todos estes, assim como nos restantes, sentiu-se sempre a peculiaridade das personagens, a sua presença de um lado místico, o papel demarcado de cada um e as suas posições filosóficas com as transformações da vida.

Em "O Jogo de Ripper", nenhuma destas constantes fica a faltar, e se assim o fosse iria estranhar. De facto, e sendo tão céptica, gosto bastante desta presença do misticismo que Allende sempre impute aos seus livros, na lógica de valorização dos seres humanos, das suas relações com terceiros e do alcance da sua paz interior. Mas este não é sem dúvida um livro espiritualista ou com pouca acção, pelo que deixemos este lado de parte para prosseguirmos ao que interessa.

Desde as primeiras páginas que sabemos que este será um livro diferente. O constrangedor cenário que nos dá as boas-vindas a esta narrativa diz-nos que vamos avançar às apalpadelas num mundo desconhecido, mas que temos prazer em desvendar. Cada personagem é apresentada a par e passo, assim como as suas relações e vivências, o que permite que fiquemos a conhecer todos os dados disponíveis antes de nos tornar-nos em mais uma peça do jogo. Acredito que esse registo se tenha estendido um pouco para além do ideal ao início, mas mais tarde acabei por dar razão à escolha da autora, tendo servido para unir todas as pontas soltas deste mistério.

Mais uma vez a autora pega em personagens adolescentes (embora sem dúvida Amanda seja mimada e com comportamentos muito pouco adaptados à sua idade), ainda que esse não seja o seu enfoque principal, pelo que não senti um verdadeiro retracto da juventude nestas páginas. Ainda assim, Amanda e os seus colegas de Ripper deambulam entre uma vertente mais adulta e mais infantil, cheia de regras e secretismo, mas também lógica e sensatez, que nos faz querer seguir as suas aventuras.

No que refere aos adultos, Indiana é sem dúvida a personagem mais "Allendesca" e por isso tão acarinhada por todos, tanto personagens como leitores. É uma criança numa pele de mulher, vivendo de certa forma num mundo muito próprio, e daí a sua representação resultar sempre das explicações e vozes de terceiros. Poucas vezes surge como personagem principal, mas nunca abandona a trama por um minuto. Todos os amigos, clientes, admiradores e amantes que a seguem são personagens secundárias que se encaixam no seu universo, e desenvolvem uma componente multicor causada por este ser flutuante e cheio de boas intenções, que paira um pouco pela vida de todas elas.

Ainda assim, de quem gostei mais (também talvez por ser dos mais presentes e reais) foi de Blake, avô de Amanda, com o qual ainda gargalhei umas vezes. É uma personagem fácil de criar afeição, pragmática e que nos apresenta muitas das explicações que precisamos para continuar a narrativa.

Quanto aos grandes crimes e ao mistério que é revelado na sinopse, acho que é necessário que se mentalizem que este livro não é realmente um policial, ou um thriller, e como tal, mesmo com o toque de mistério e cenas algo macabras, a escrita da autora tornam-nas parte de uma história maior onde quem se destaca são as personagens. Ainda assim, criou um ou outro momento de maior tensão, especialmente perto do fim. Devo dizer que a determinada altura (e ainda a meio do livro) acabei por achar o desvendar algo previsível, depois fui baralhada por uma reviravolta, mas no fim acabou por se confirmar o que suspeitei. No entanto, não me senti em algum momento defraudada, dado que a conjugação dos factores que levaram a essa descoberta, tornaram o livro bastante empolgante.

Outro ponto a ressalvar é que de facto, e talvez porque já li vários livros dela, inclusive aqueles de índole mais biográfica, eu senti sempre a presença de Isabel Allende nesta narrativa, tal e qual uma personagem ausente de corpo, mas presente de espírito, que nos guiou por ideias filosóficas, pensamentos críticos, opiniões divagantes muito suas sobre determinados aspectos da condição humana  e uma linguagem muito humana e universal. Gosto que assim seja, já que um livro dela nunca seria igual de outra forma.

Por fim, e um dos motivos pelo qual não consigo dar o 4, existem alguns factores irrealistas, que na conjugação do enredo acabaram por passar despercebidos, mas que num livro que se tenta aproximar da vida real, acaba por criar uma dicotomia estranha. Só para dar um exemplo, que polícia partilha pormenores das suas investigações com a filha?

De resto, para todos os fãs da autora e para os que ainda se vão tornar, este é um livro a não perder.

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.