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sexta-feira, 7 de junho de 2013

Opinião: A Fada do Lar, de Sophie Kinsella


A  Fada do Lar
de Sophie Kinsella
Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 392
Editor: Livros d´Hoje

 Resumo: "Chamo-me Samantha. Tenho vinte e nove anos. Nunca na vida usei o forno para fazer pão. Não sei coser um botão. Sei é reestruturar contratos de financiamento de empresas e salvar os trinta milhões de libras do meu cliente."

Samantha é uma advogada bem-sucedida em Londres. Trabalha o dia todo, não tem vida doméstica, e só se preocupa em encontrar um companheiro. Habitualmente tem êxito sobre pressão e adrenalina. Até que um dia...
comete um erro. E o erro é tão grave que acaba por destruir a sua carreira. Fica tão desnorteada que ao sair do escritório, apanha o primeiro comboio que vê e, quando se apercebe, não sabe onde está. Ao pedir indicações numa grande e bonita casa, é confundida com alguém que tinha sido entrevistada para o cargo de governanta e, sem mais nem menos, é-lhe oferecido o emprego. Não faziam ideia que estavam a contratar uma advogada licenciada em Cambridge com um QI de 158, muito menos que Samantha não faz sequer ideia como funciona o forno.
E o desastre acontece. O caos instala-se quando Samantha luta com a máquina de lavar... com a tábua de passar a ferro... e tenta cozinhar cordon-bleu para o jantar...

Rating: 4/5 

Comentário: Aviso já que esta é das opiniões mais injustas que já escrevi este ano, atendendo a todos os seus antecessores. O que só quer dizer uma coisa: a opinião positiva e sugestão deste livro está somente baseada nas sensações por ele causadas, em detrimento da sua qualidade literária. Porque é que digo isto?
Bem, porque a escrita de Shophie Kinsella é simples, descomplicada, directa e nenhuma obra-prima. Mas é uma escrita leve, bem disposta (com toques de humor nos pontos certos) e excelente para curar teimas e semanas mais amargas. É um doce servido de bandeja, a pedir para ser apreciado.

Descobri este livro através de várias meninas que o estavam a ler, e o classificaram no GoodReads. A sinopse pareceu-me interessante, e passou a enquadrar a minha lista mental de livros-a-ler-em-alturas-stressantes-para-descomprimir. Procurei-o em algumas bibliotecas, e quando não o encontrei, comprei-o na versão original pelo Awesome Books em segunda mão (dei pulinhos quando o consegui encontrar!)

Samantha é uma mulher super eficaz no seu mundo de advocacia, mas perante as minúcias do mundo real é um zero à esquerda (se contracta uma mulher-a-dias e nem sabe indicar como se liga o fogão da própria casa...), que se vê confrontada a enfrentar o desconhecido quando todas as portas que lhe eram conhecidas começam a fechar-se (e ela foge antes que o processo a destrua). O resto, tal como a sinopse diz, será uma aventura que se julgava primeiramente impossível, mas nada que uma pessoa cheia de vontade e inovação não consiga superar.
O que gosto neste romance é a condução natural, breve e com carácter de entretenhimento, que nos faz passar bons momentos, descontrair e deixar de lado uma semana stressante. Os traços de romance soam genuínos, sem grandes volteados ou cenas românticas, trazendo uma sensação de conforto e familiaridade que nos envolve até à uma página. Confesso que me fez sorrir em diversos momentos e rir noutros, sair do comboio e sentar-me nos bancos da estação só para ler mais um capítulo e terminá-lo madrugada dentro.
Acho que o irei juntar aos meus guilty pleasures (e apesar do mês de Maio ter terminado já, acho que se enquadra perfeitamente. 

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Opinião: São Todos os meus Preferidos, de Sam McBratney

São Todos os meus Preferidos
de Sam McBratney com ilustrações de Anita Jeram
Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 36
Editor: Editorial Caminho
Resumo:
Era uma vez uma Mamã Ursa e um Papá Urso que diziam aos seus três bebés ursos que eram os ursinhos mais lindos do mundo inteiro. Mas um dia os três bebés ursos puseram-se a pensar de qual é que a mãe e o pai gostavam mais. Não podiam ser todos o preferido... ou podiam?
Dos autores do grande êxito Adivinha Quanto Eu Gosto de Ti, uma nova história muitíssimo especial!

Rating: 4/5

Comentário: 
Desde pequena que leio, creio que a culpa disto deve ser embutida à minha mãe que sempre fez questão que eu tivesse bons livros para ler. Quer fosse A inveja da Xuxu ou um livro da Anita a minha mãe soube fazer a minha biblioteca de maneira a cativar-me e a "obrigar-me" a voltar para ler mais e mais.
A minha paixão por livros cresceu e quem nos segue sabe que gosto de comentar livros infantis que acho que poderão ser importantes para o desenvolvimento das crianças que os lêem (ou a quem os livros são lidos). Quando reparei que este livro estava na lista dos 20 Livros Infantis imprescindíveis a ter na biblioteca do seu filho da Imaginarium fiquei bastante surpresa porque não sabia que existia em português (eu li e tenho a versão inglesa) e decidi que mais pessoas deveriam saber da sua existência.
Sam McBratney é conhecido pelo seu livro Adivinha Quanto Eu Gosto de Ti mas eu creio que São Todos os meus Preferidos é sem dúvida o melhor dos dois livros. Talvez por o primeiro ter uma mensagem que é mais comum de encontrar que é a do amor infinito que o pai/mãe tem pelo seu rebento mas este livro acaba por ir mais fundo.
Nele temos três irmãos, todos ursinhos e maravilhosamente desenhados por Anita Jeram, que ouvem os seus pais dizer que eles são os mais lindos do mundo. E até aí tudo muito bem mas, de certeza, que havia um deles que os pais gostavam mais. 
A Ursinha acha que os seus pais devem gostar mais dos irmãos por serem meninos, os Ursinhos por seu lado acham que os pais devem gostar mais da Ursinha por ser a única menina.O mais velho acha que os pais devem gostar do mais pequeno e o mais pequeno que os pais devem gostar do mais velho. A história acaba por ser bem contada por jogar com todas as inseguranças infantis, afinal, parece que todos os irmãos tem um trunfo uns sobre os outros. Mas quem terá o trunfo maior?
Claro que nenhum porque os pais gostam deles por igual e apesar desta ser uma mensagem já conhecida e repetida imensas vezes, às vezes lê-la, ou ouvir os nossos pais a lê-la numa história, pode ser o suficiente para lhe dar dimensão e transportar a sua mensagem para a realidade. Quantas vezes nos disseram a mesma coisa vezes sem conta e só quando, finalmente, ouvimos a pessoa certa a dizê-la percebemos o que nos queriam dizer ou acreditamos no que nos queriam dizer?
Para além da história ser querida e transmitir uma mensagem importante, o livro também está maravilhosamente ilustrado por Anita Jeram, o que sem dúvida contribui para uma melhor experiência de leitura.
E para terminar deixo-vos aqui a primeira página deste fantástico livro que sem dúvida deve estar presente nas estantes de todos os rebentos.

sábado, 13 de abril de 2013

Opinião: The Mark Of Athena [Heroes Of Olympus 3], de Rick Riordan

The Mark Of Athena [Heroes Of Olympus 3]
de Rick Riordan
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 592
Editor: PENGUIN BOOKS LTD
Resumo: Atenção spoilers dos volumes anteriores
Annabeth is terrified. Just when she's about to be reunited with Percy—after six months of being apart, thanks to Hera—it looks like Camp Jupiter is preparing for war. As Annabeth and her friends Jason, Piper, and Leo fly in on the Argo II, she can’t blame the Roman demigods for thinking the ship is a Greek weapon. With its steaming bronze dragon masthead, Leo's fantastical creation doesn't appear friendly. Annabeth hopes that the sight of their praetor Jason on deck will reassure the Romans that the visitors from Camp Half-Blood are coming in peace.
And that's only one of her worries. In her pocket Annabeth carries a gift from her mother that came with an unnerving demand: Follow the Mark of Athena. Avenge me. Annabeth already feels weighed down by the prophecy that will send seven demigods on a quest to find—and close—the Doors of Death. What more does Athena want from her?
Annabeth's biggest fear, though, is that Percy might have changed. What if he's now attached to Roman ways? Does he still need his old friends? As the daughter of the goddess of war and wisdom, Annabeth knows she was born to be a leader, but never again does she want to be without Seaweed Brain by her side.
 
 Rating: 4/5
 
Comentário: 
(Apercebi-me agora que este resumo do livro fá-lo parecer extremamente romântico e Percabethiano o que não é caso, mas bem, seguindo com a crítica!)
Queria escrever uma crítica toda pomposa deste último livro (dos já lançados) mas não consigo. O meu coração caiu-me do peito para as mãos.
Quem nos segue, sabe que comentei todos os livros de Percy Jackson já disponíveis em português e não estava à espera de comentar a saga que faz de sequela à primeira mas decidi fazê-lo. Porquê? Porque é fantástico ver a evolução das personagens nesta saga!
Na saga Percy Jackson conhecemos Percy com doze anos e testemunhamos as suas primeiras aventuras, a primeira missão, a primeira paixoneta, o primeiro beijo mas agora, aos dezasseis anos, e já na saga Heróis do Olimpo, o ciclo está prestes a fechar-se. Os medos e inseguranças do nosso herói continuam lá, agora aliados a uma certa raiva contra os deuses do Olimpo, Percy chega mesmo a comentar que agora que tem a idade que tem percebe a revolta de Luke contra os deuses, também Percy está farto de ser um peão num jogo de xadrez que não só não percebe como também não quer jogar.
Esta raiva é alimentada por monstros que não morrem por muito que os matem, Titãs que teimam em destruir o mundo, e deuses que se escondem e que deixam os seus filhos, os mestiços, a tentar resolver a situação. Quem poderia não sentir raiva? Afinal, tudo o que Percy quer é uma tarde descansada num esplanada a tomar uma coca-cola com a sua namorada, não é como se estivesse a pedir o mundo. (Tenho a sensação que se ele e o Harry se encontrassem teriam muito que falar e ainda acabariam amigos!)
Uma das coisas que mais achei engraças neste livro, aliás um pouco em toda a saga, foi ver a maneira como a fantasia espelha a realidade, tantas coisas que se poderia pedir, imortalidade, longevidade, feitiços, magia e as pessoas acabam sempre por escolher o que é simples, o que amam de verdade: a companhia de alguém, um abraço, um beijo.
É verdade que esta saga continua a ser para adolescente mas, se os primeiros cinco volumes são destinados a adolescentes mais novos (12-15 anos), esta segunda saga é destina já a um público mais YA e são numerosos os blogs na net que me dão apoio.
Com personagens mais interessantes e coloridos, uma linha de acção muito mais rápida e o carisma/ironia de Percy, a saga dos "Heróis do Olimpo" está, sem dúvida, mais bem construída que a primeira. provavelmente também devido às suas idades as personagens parecem-me mais expansivas, a verdade é que já não estamos a falar de crianças de doze anos e sim adolescentes de dezasseis, e com isso o mundo de Percy abre-se revelando novas possibilidades.
Uma saga triunfante e que, na minha opinião, se pode colocar na estante ao lado dos livros de Harry Potter! Agora é esperar pelo próximo volume "The House of Hades" que sai este ano em Outubro.
 
  • A Saga Heróis do Olímpio será composta por cinco volumes;
  • Os três primeiros já sairam e são The Lost Hero, The Son of Poseidon e The Mark of Athena;
  • O próximo volume chamasse The House of Hades e será lançado este ano (2013) em Outubro.

terça-feira, 19 de março de 2013

Opinião: Um Lugar Dentro de Nós, de Gonçalo Cadilhe

Um Lugar Dentro de Nós
de Gonçalo Cadlhe
Edição/reimpressão: 2012
Páginas:176
Editor: Clube do Autor
Resumo: Gonçalo Cadilhe é o autor deste livro e desta nota biográfica. Sou eu, portanto. Viajar pelo mundo e escrever sobre ele é a minha profissão. Sou um trabalhador dedicado e assíduo e em vinte anos nunca faltei um dia ao emprego. Tenho mais de 40 anos e amo Portugal — de preferência de longe e explicado a estrangeiros. Acredito no comboio, na bicicleta, no barco, na conversa, no copo de vinho e em outros meios de transporte que levam longe mas não têm pressa de chegar.
Nasci e cresci na Figueira da Foz, onde ainda vivo com a minha mulher e o meu filho. Dito desta maneira, parece que nunca saí da minha cidade. Não é verdade, mas mesmo que fosse bastavam algumas das reflexões que deixo neste livro para que me sentisse plenamente feliz com as viagens que nunca fiz.

Rating: 4/5 

Comentário: 
Existem várias formas de viajar, de sonhar acordado, de transpor barreiras inimagináveis através unicamente da vontade de fazer mais, da fome de mundo e de variedade. Existem diferentes formas de alcançar o sonho adormecido e de procurar a realização pessoal. E existem os mesmos lugares, que nos despertam de forma diferente, que nos levam a querer saber mais com curiosidade por questões diversas, que nos fazem ir em diante. Mas no fundo, por mais mundos e gentes que alcancemos, aquele que realmente descobrimos é só nosso e intransmissível. Em parte, este é também o mote que vem na capa deste livro: "Não importa onde a viagem te leva mas sim o que ela faz de ti".

Este não é um livro para se ler de seguida. Cada capítulo, cada fotografia valem só por si, e exigem portanto um período de reflexão - que vai muito além do acto de viajar, passando pela própria existência e pela vida em geral.  Que ao fim ao cabo, é a nossa primeira e última grande viagem. Percorre vários lugares, várias pessoas, vários elementos temporais também. Tem ainda umas imagens espectaculares no fim, que apelam definitivamente a voarmos para fora do quotidiano e a pensar no que é que gostaríamos de fazer diferente, que desafios temos de impor a nós próprios e o que procurar na eminência de um obstáculo.

No entanto, e dada essa natureza, a utilização de um discurso na segunda pessoa do singular torna-se algo invasiva, não criando a pretensão de proximidade e familiaridades que se pretendia.

De todos os livros de Gonçalho Cadilhe, este é sem dúvida o mais diferente, que coloca em análise os preâmbulos de um certo pensamento filosófico, sem realmente o ser. Merece ser lido, sem sombra de dúvida.

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Opinião: Predestinado, de Philippa Gregory - Ordem das Trevas (Volume 1)


 Predestinado-A Ordem das Trevas 1

 Predestinado
de Philippa Gregory
Edição/reimpressão: 2012 
Páginas:312
Sinopse: Estamos em 1453 e todos os sinais apontam para que o fim do mundo esteja iminente. Acusado de heresia e expulso do seu mosteiro, Luca Vero, um atraente jovem de 17 anos, é recrutado por um misterioso estranho para registar o fim dos tempos por toda a Europa.
Obedecendo a ordens seladas, Luca é enviado a cartografar os medos da Cristandade e a viajar até à fronteira do bem e do mal. Isolde, de 17 anos, abadessa, está presa num convento para impedir que reclame a sua enorme herança. Quando as freiras ao seu cuidado enlouquecem com estranhas visões, sonambulismo e exibindo estigmas, Luca é enviado para investigar e todas as provas incriminam Isolde.
No pátio do convento constrói-se uma pira para a queimar por bruxaria. Forçados a enfrentar os maiores medos do mundo medieval – magia negra, lobisomens, loucura – Luca e Isolde embarcam numa busca pela verdade, pelo seu próprio destino e até pelo amor, enquanto percorrem os caminhos desconhecidos até à personagem histórica real que defende as fronteiras da Cristandade e detém os segredos da Ordem das Trevas.

Rating: 4/5

Opinião: Para muitos autores, torna-se difícil reinventarem-se e saírem do seu registo habitual. Seja porque procuram um novo género ou um público-alvo diferente. Philippa Gregory consegue trazer originalidade através deste volume da nova saga "Ordem das Trevas", direccionada para jovens adultos.
 Não deixando a sua marca, referente ao romance histórico, e à qual a autora já nos habituou com grande mestria, Philippa traz-nos um aspecto mais ficcional em pleno século XV. A primeira demonstração da preocupação com o público-alvo prende-se com a linguagem, que achei mais directa e desprovida de mecanismos linguísticos, como em obras anteriores. Foi um acto inteligente, que permite a alguém que já a conheça sentir a familiaridade da sua escrita, mas inovadora ao ponto e cativar novos leitores.
Garantindo a estruturação e contextualização de uma época sem se tornar muito complexa ou notoriamente densa, cria a estrutura perfeita para que possamos encaixar as personagens no enredo e desta forma cativa-nos desde o início. De facto, foram as personagens que me agarraram logo nas primeiras páginas. Todas têm um perfil demarcado, ainda que ao longo da história não sejam fornecidos muitos pormenores sobre a maior parte delas, o que espero que venha a ser colmatado nos próximos volumes. De qualquer forma, Luca e os seus dois auxiliares (o escrivão Peter e o ajudante Freize), e Isolde e a sua amiga Ishraq criam um puzzle de situações que se irão conectar no decorrer da estória, tornando as suas interacções o enfoque do enredo.
Luca é um rapaz jovem que mantém um espírito sagaz e perspicaz, o que lhe valeu o novo cargo de inquiridor que agora assume, ainda a medo e com receio de errar. Contrariamente a outras personagens deste estilo, não é arrogante ou corrompido por um sistema que sente o pecado em tudo o que é desconhecido, demonstrando ser o jovem que efectivamente é. Isolde, por sua vez, é uma rapariga educada para se tornar em algo que com a morte o pai parece fora do seu alcance. Tenho algumas dúvidas referentes a esta personagem, supostamente incutida com valores de independência e confiança desde nova, mas que não chegam até nós. Senti-a sempre muito fraca e as suas demonstrações de valentia algo forçadas. No entanto, trata-se de um dilema que a própria personagem se encontra a viver, pois o contacto com o mundo real não é o que ela julgava e como tal terá de aprender a reinventar-se nestes próximos volumes.
A personagem de quem mais gostei foi Freize: leal, divertido e com um toque de humor certeiro, acaba muitas vezes por ser inconveniente, mas também a real consciência de Luca, abrindo-lhe os olhos e ajudando-o a discernir sobre as situações âmbiguas com que se irão deparar. Estou à espera que esta personagem ganhe ainda maior destaque no futuro, embora ache que é pouco provável que isso aconteça logo de início, já que Luca e Isolde, após os impasses iniciais, precisam de crescer e desenvolver-se. 
No geral, tive algum receio ao início que a temática da religião e o pretenso oculto fossem criar um dinamismo muito pesado a uma estória direccionada a um público-alvo supostamente mais jovem. No entanto, a autora soube inverter a tendência e deu-nos 300 páginas cheias de acção, companheirismo e aventura. Esperarei pelo próximo livro com expectativa!

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.


sábado, 16 de fevereiro de 2013

Opinião: Liesl And Po, de Lauren Oliver

Liesl And Po
de Lauren Oliver, ilustrado por Kei Acedera
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 320
Editor: Hodder e Stoughton General Division
Resumo:
Liesl lives in a tiny attic bedroom, locked away by her cruel stepmother. Her only friends are the shadows and the mice—until one night a ghost appears from the darkness. It is Po, who comes from the Other Side. Both Liesl and Po are lonely, but together they are less alone. 
That same night, an alchemist’s apprentice, Will, bungles an important delivery. He accidentally switches a box containing the most powerful magic in the world with one containing something decidedly less remarkable. 
 Will’s mistake has tremendous consequences for Liesl and Po, and it draws the three of them together on an extraordinary journey.
Podem ler uns capítulos aqui no site da editora.

Rating: 4/5

Comentário:
Na mesma linha infantil de The Girl Who Circumnavigated Fairyland in a Ship of Her Own Making, comento este mês outra história infantil, que embora mais leve contêm também uma temática séria. Saída das mãos da escritora Lauren Oliver que já nos presenteou com livros como Delirium e Antes de Vos Deixar, chega-nos agora o seu primeiro livro infantil que aborda novamente o tema da perda.
Em Delirium perdeu-se o amor, em Antes de Vos Deixar , a protagonista perdeu-se a ela mesma, em Liesl and Po, Liesl perdeu o pai e é esta perda que vai despoletar a aventura da sua vida, da vida de Will e da morte de Po. Juntos pelo acaso do destino, estes três amigos com visões tão diferentes da vida, embarcam juntos com uma missão simples que enfrentará vários obstáculos (e mais não digo que é spoiler).
Este livro volta a comprovar a qualidade de Lauren Oliver como escritora, os fãs da série Delirium sabem que a autora nos habituou a um certo tipo de escrita e esta mantém-se em Liesl and Po que é, no fundo, uma despedida da autora ao seu falecido melhor amigo.
Através da viagem de Liesl, que a autora admite ser a sua também, algumas questões são levantadas, nem todas recebem resposta, mas muitas sim.
Esta é uma história fantástica onde o sonho e a realidade andam de mãos dadas, um mundo onde o sol desapareceu e a terra está lentamente a morrer ao ponto de praticamente já nem existirem cores e tudo ser cinzento. E cinzenta é a cor de Po que foi, a seguir a Will, a minha personagem favorita. De Will não vou falar muito porque a verdade é que me compadeço de todos os aprendizes esforçados, talvez por eu já ter sido uma também (e ainda o ser) e por isso compreender tão bem os seus medos e hesitações. Will tem bom coração, só gostava de poder comer e dormir, principalmente dormir, um pouco mais mas o Alquimista não o deixa e como se isso não bastasse passa a vida a insultá-lo.
Já Po, o fantasma, está livre de tudo o isso, não tem fome, não tem sono, nem sequer tem sexo visto não se lembrar se era rapaz ou rapariga antes de morrer. É Po e os seus pensamentos sobre o Outro Lado e os humanos que tornam este livro curioso. Po tem pensamentos muito profundos sobre a união universal, o que é verdadeiramente importante e a essência das coisas. Apesar de não partilhar com Liesl ou Will estes pensamentos, nós na qualidade de leitores somos privilegiados e temos acesso aos mesmos. Estes são pensamentos que brincarão na mente das crianças e criarão uma nova visão do mundo, o que para mim é o essencial da literatura infantil. Acredito que este género de literatura deve maravilhar e questionar os limites do mundo que as crianças conhecem, pois uma mente acostumada a perguntas é sem dúvida uma mente que procurará respostas. Sei que qualquer livro que estimule um leitor, seja criança ou não, a pensar é um bom livro.

As ilustrações de Kei Acedera são lindíssimas, olhem para o Will na primeira imagem, alguém dúvida que ele é um aprendiz com um casaco demasiado grande para ele e noites mal dormidas? Adoro o pormenor do cabelo dele todo em pé, dá-lhe um ar alerta como se estivesse à espera que o Alquimista o chamasse a qualquer momento.
Como se trata de um livro infantil mas a caminhar para o juvenil, as ilustrações são mais ou menos frequentes e por vezes estão isoladas em páginas, por vezes ao lado do texto e por vezes a rodear a página. São ilustrações surpresa que aparecem quando menos esperamos e que dão outra vida ao texto. Acredito que o livro não teria o mesmo impacto sem as belíssimas ilustrações de Kei Acedera.

Com uma classificação de 4 em 5 estrelas, este livro saí daqui como um dos melhores livros infanto-juvenis que li este ano.

  • Lauren Oliver é autora também de outro livro infantil chamado The Spindlers que tem sido tão bem recebido como Liesl and Po;
  • Para verem todos os nossos comentários aos livros de Lauren Oliver cliquem aqui.

Book trailer:

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Opinião: Colecção Leviatã, de Scott Westerfeld

Leviatã
Leviatã
de Scott Westerfeld
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 336
Editor: Vogais
Resumo:
É o início da I Guerra Mundial, mas num mundo alternativo de que nunca ouviste falar. Os Germânicos lutam com máquinas de ferro a vapor carregadas de armas. Os Britânicos lutam com bestas darwinistas resultantes do cruzamento de vários animais. Alek é um príncipe germânico em fuga. A única máquina de guerra que possui é um Marchador, com uma tripulação que lhe é leal. Deryn é do povo, uma britânica disfarçada de rapaz que se alista para lutar pela sua causa - enquanto tem de proteger o seu segredo a todo o custo. No decorrer da guerra, os caminhos de Alek e Deryn acabam por se cruzar a bordo do Leviatã, uma baleia-dirigível e o animal mais imponente das forças britânicas. São inimigos com tudo a perder, mas na verdade estão destinados a viver juntos uma aventura que vai mudar a vida de ambos para sempre



Leviatã 2: BestaLeviatã 2: Besta
de Scott Westerfeld
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 352
Editor: Vogais
Resumo:
Behemoth é a besta mais feroz da Marinha britânica. Os Darwinistas precisam dele mais do que nunca, agora que estão em guerra declarada com os Clankers.
Alek e Deryn estão juntos a bordo do Leviatã, e esperam conseguir levar a guerra a um impasse. Mas, quando a sua missão de paz falha, percebem que estão sós em território inimigo e que estão a ser perseguidos

 Leviatã 3: GoliasLeviatã 3: Golias
de Scott Westerfeld

Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 352
Editor: Vogais
Resumo:
O Leviatã é forçado a desviar-se do seu percurso para resgatar Nicola Tesla, o inventor do Golias, uma máquina capaz de destruir cidades, e que ele usa como trunfo para impor a paz. Quando é descoberto um plano secreto alemão para sabotar a máquina, este ameaça disparála. Este é o espetacular final da trilogia! Batalhas aéreas emocionantes numa viagem à volta do mundo echeada de perigos e... beijos ousados!

Rating: 4/5 (de toda a colecção)



Em Leviatã, Scott Westerfeld conseguiu redimir-se e conquistar-se finalmente. Desde que conheci as obras dele, temos tido uma relação algo complicada. Para mim, tem sido um autor que tem prometido uma enorme inovação, através da apresentação de mundos bastante apelativos que nos fazem querer conhecer mais sobre os mesmos, mas que no fim se revelam uma desilusão. Sempre senti faltava algo nas suas obras, talvez um certo condimento, uma estrutura que justificasse em igual medida a construção de um enredo rico e repleto.
Leviatã , sem sombra de dúvida, cortou com essa tendência. Em primeiro lugar, poderão consultar o trailer em cima, dado que está bastante bem concretizado e com uma animação que ou muito me engano ou é baseada no trabalho do ilustrador Keith Thompson, e que por sinal fez um óptimo trabalho ao longo do livro. Essa é uma das novidades: esta trilogia é acompanhada por uma série de ilustrações que retractam todos os momentos explosivos da narrativa, e que são tão realistas quanto bem executados, sendo um óptimo complemento para a narrativa. Por outro lado, eesta trilogia insere-se no género do streampunk, do qual já aqui falámos anteriormente. E se leram o nosso artigo certamente percebem ao ver este trailer o quanto a trama se insere no conceito, aproximando-se até às definições originais que o caracterizarem.

Mas continuemos. Afinal, qual é a temática destes três fantásticos livros? Bem, aconselho-os para quem gosta de História, mas não é um impedimento para quem não a aprecia assim tanto. O mundo de Deryn e Alek é uma realidade alternativa ao nosso e decorre na altura da I Guerra Mundial. Oriundos de países tradicionalmente propostos à inimizade (embora esta só seja declarada muito posteriormente ao iniciar da trama): um adepto da filosofia clanker (ligada à sabedoria das máquinas, do vapor, da mecânica rude) e outro defensor dos darwinistas (resultantes de jogos genéticos com animais e forma a desenvolver criaturas adaptáveis às necessidades humanas, numa aparição enquanto mecanismos vivos, mas que no fundo nem são uma coisa nem outra). É destas duas filosofias que vive o mundo, sendo que algumas nações aprenderam a tirar vantagem e ambas. É o caso dos Estados Unidos da América, por exemplo.

A piada de gostar de História resulta então do facto a apresentação de momentos históricos poder desviar-se para uma realidade alternativa por algo tão simples como um momento disparatado destas duas cabeças aluadas e de bom coração.

Os dois jovens irão ver-se envolvidos numa série de peripécias e precalços que os levarão em aventuras inimagináveis e os farão repensar sobre a sua pequena posição enquanto peões de um dilema mundial, na tomada de decisões acertadas que coloquem todos a salvo.

Deryn é uma rapariga que quer ser mais que um fantoche de saias. Adora voar e sente essa âmbição como parte da herança que o seu pai deixou. Mal sorte a sua que a entrada de mulheres para a força aérea é interdita e pode resultar em qualquer coisa muito má como a morte. Pelo menos é o que ela acha. Mas a rapariga tem uma mente sagaz e uma perspicácia que vence muitos, o que a ajudará sempre nas empreitadas em que se meter. É corajosa, forte e sensível, como todas as mulheres a sério são.

Já Alek é uma personagen que vem crescendo ao longo dos três livros. Começa por ser um rapaz um pouco inconsequente e algo irresponsável, muito concentrado no seu umbigo e que precisa de crescer. As situações porque passa, a responsabilidade que recai sobre as consequências das suas acções tornam-no mais ponderado. Ainda assim, e no meio os seus objectivos utópicos, procura o melhor para si e para os seus, querendo acima de tudo a paz.

É uma trilogia repleta de aventura, acção, descobertas e até algumas nuances de romance. Permite enveredarmos num universo que conhecemos mas que simultâneamente é totalmente diferente do nosso, com realidades que tanto nos aproximam como nos afastam. Deryn, Alek e todos os que os acompanham tornam esta narrativa divertida, fluída, espontânea e completa.


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Opinião: Pandemonium, de Lauren Oliver

Pandemonium [Delirium 2]
de Lauren Oliver
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 336 
Editor: Hodder & Stoughton General Division
Resumo:
I'm pushing aside the memory of my nightmare, pushing aside thoughts of Alex, pushing aside thoughts of Hana and my old school, push, push, push, like Raven taught me to do.
The old life is dead. But the old Lena is dead too. I buried her. I left her beyond a fence, behind a wall of smoke and flame.

Rating: 4/5

Comentário: 
(Atenção este comentário conterá spoilers do primeiro volume!)

Depois da Cláudia ter comentado o primeiro volume desta saga, Delirium, é agora a minha vez de comentar a sua continuação, com Pandemonium. Da primeira vez que comecei a ler esta sequela tive de parar porque o livro não me fazia sentido. Tinha acabado de ler o Delirium há pouco tempo e a mudança brusca na narrativa deu-me um "nó no cérebro" e não me deixava entrar no rumo da história.
Tive por isso de esperar alguns meses antes de poder voltar a pegá-lo a sério e dar continuação a esta saga. Sou da mesma opinião da Cláudia, que diz que Oliver é genial a construir personagens e as suas relações. Há algo de verdade, de real, na Lena e em todos os que a rodeiam; existem alturas na história em que quase os podemos tocar.
No primeiro livro, à medida que seguimos Lena ao longo da sua aventura, é fácil relacionarmos-nos com ela e percebermos as suas dúvidas e incertezas. Sim, porque Lena é uma personagem que acredita cegamente no regime onde foi educada, um regime que dita que o amor é uma doença mortal e que todos se devem submeter a uma operação que retira a capacidade de amar. Lena acredita nisto e conta os dias para a sua operação, que a salvará desta doença, como maior parte dos adolescentes contam os dias que faltam para um concerto ou lançamento de um livro.
E assim, ao longo do primeiro livro vemos a Lena soltar-se das suas amarras e a aprender a "voar" como ela diz.
No segundo livro, no entanto, encontramos duas Lenas: a Lena do "Now" e a Lena do "Then"; e elas tem objectivos diferentes, maneiras de ver a vida diferentes e medos diferentes. Ao dividir o seu segundo livro em duas linhas de tempo, Lauren puxou o tapete aos seus fãs e deixou-nos perdidos durante quase dois capítulos até percebermos ao certo o que se estava a passar.
Deixem-me tentar explicar-vos o que se passa quando começamos a ler este livro: o primeiro capítulo é "Now" e creio que todos esperávamos uma continuação quase imediata ao fim explosivo de Delirium, mas aquilo que encontramos é Lena sentada calmamente numa sala de aulas. O leitor começa a erguer curioso uma sobrancelha, e quando o capítulo acaba nem sabemos bem o que se vai passar. Entramos então num capítulo "Then" (os únicos dois nomes que todos os capítulos terão para percebermos os saltos no tempo) e subitamente voltamos ao exacto momento em que Delirium terminou.
Quer isto dizer que a linha "Now" passa-se alguns meses após o fim de Delirium enquanto a linha "Then" se passa imediatamente a seguir. Para quem acabou de ler o primeiro livro apenas com uma linha de tempo compreende-se a dificuldade em entrar neste segundo livro. Mas após o choque inicial e percebendo a maneira como o livro se processa torna-se fácil entrar na história e tornar a acompanhar Lena nas suas aventuras.
Depois do fim suspenso de Delirium reencontramos, como dizia há pouco, duas Lenas. A Lena do "Then" que é a Lena que deixamos, ainda bastante insegura e sem saber se tomou a decisão certa, sem saber ao certo o seu lugar no mundo e acabada de chegar ao munso dos Wilds; e a Lena do "Now": uma Lena que já passou frio, fome, doença e já ponderou a sua vida de ângulos que nunca achou possíveis, uma Lena que sabe o que é perda mas que aprendeu a erguer a cabeça.
Pandemonium fala-nos das decisões que tomamos e das experiências que nos moldaram e nos levam a tomar essas decisões. É um livro intenso sobre aquilo que acreditamos ser a verdade e sobre as incertezas dos jovens que querem fazer o que está certo mas que nem sempre sabem como. Lena é a imagem de uma rapariga normal que perdeu um amor e está a tentar recuperar, é a imagem de uma jovem perdida dentro das suas inseguranças mas que se levanta todos os dias, é a imagem de uma jovem que volta a aprender a viver num mundo que a quer ver morrer.
Este é um livro sobre amor, esperança, luta e sobrevivência. É a história de um grupo de pessoas que se farta do que é confortável e vai em busca do que acha ser verdade, custe isso o que custar. Dizer mais é entrar em detalhes da história, o que me recuso a fazer para não estragar a surpresa.
Apesar de ter uma abordagem diferente de Delirium não acredito que Pandemonium lhe fique atrás e só não leva cinco estrelas por cair infelizmente num grande cliché do qual eu e a Cláudia já estamos um pouquinho fartas, e que é cada vez mais comum nos livros adolescentes (mas que não revelaremos para não estragar a leitura).
Uma leitura que recomendo, mas não imediatamente a seguir ao Delirium.
Creio que talvez seja mais produtivo para os leitores lerem entre os volumes um e dois, as short-stories Hana e Annabel ( não a Raven, pois contêm spoilers do segundo volume!).

  • Para verem tudo o que já comentamos de Lauren Oliver cliquem aqui.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Opinião: [The Giver Nº1] O Dador de Memórias, Lois Lowry

O Dador de Memórias [The Giver Nº1]
de Lois Lowry
Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 240
Editor: Everest Editora
Resumo: 
A sociedade em que vive Jonas é a perfeita descrição do mundo perfeito. Tudo está sob controlo: não há cores, não há música, não há guerras nem possibilidades de eleição. Cada pessoa ajusta-se às Normas da sua Comunidade. Quando Jonas atinge os 12 anos e deve ser-lhe atribuída uma profissão, é eleito para uma função muito especial e única na sua comunidade. Na sua formação descobrirá as verdades subjacentes à frágil perfeição do seu mundo. 
Considerado um dos 100 melhores livros da história da literatura juvenil, aborda temas tão importantes como a liberdade, o controlo da informação, o medo, os sentimentos, a amizade...
 
Rating: 4/5
 
Comentário: 
Como disse a determinado ponto da minha leitura no GR, o que me fascina nos mundos distópicos é ver até que ponto as pessoas estão dispostas a ir para negarem as suas emoções. Como estamos dispostos a sacrificar o que nos torna humanos para sermos todos iguais e sermos livres da "dor" e do "mal".
Este é um livro que me é bastante difícil comentar devido às emoções que me provoca. Estas emoções de raiva, dor e alegria que me consomem, que me consumiram, ao ler a história de Jonas devem-se principalmente a uma certa empatia que criei com ele. Porque a criei? Nem sei explicar ao certo, só sei que Jonas me cativou com a sua história e com a sua maneira inocente de ver e compreender o mundo sem no entanto perder a capacidade de o "julgar".
O Dador de Memórias é um livro directo que trata a questão do que nos faz sentir seguros sem rodeios. A sociedade de Jonas foi aperfeiçoada ao ponto em que tudo é escolhido para nós, até os nossos filhos, que na realidade não são nossos, são de mulheres que foram escolhidas para conceber crianças que são posteriormente distribuídas pelas famílias. Uma sociedade que restringe as crianças a apenas terem "um objecto de conforto" (peluche) e que as obriga a livrarem-se dele aos 10 anos de idade.
Esta sociedade que esquematiza a vida para que as pessoas não encontrem nada fora do normal, para que não haja surpresas é completamente aterradora mas ao mesmo tempo completamente possível. Quantas pessoas não conhecem que se queixam de tudo e mais alguma coisa? E se prometessem a essas pessoas uma vida calma e serena onde elas não teriam necessidades porque a sociedade trata de tudo?
A sociedade trata que todos tenham casas, comida e empregos. A sociedade trata da nossa saúde, trata das nossas emoções (retirando-as) e trata até das nossas memórias embelezando tudo ao ponto de a vida ser quase plastificada.
Apesar de ser um livro infantil achei que estava nas mãos com um livro bastante cru e duro. Creio que a autora faz passar perfeitamente o seu ponto ao longo de toda a história. Quem somos nós sem lembranças? Quem somos nós sem emoções? Será que uma sociedade completamente organizada é a solução para sermos mais felizes? Será que há algo que possamos fazer para o mudar?
Jonas, o nosso herói é apenas um rapaz de doze anos, um Doze como é chamado, e é escolhido para uma função fora do normal devido às suas capacidades fora do normal . Tirando isso é uma criança como as outras que foi educada da mesma maneira e que sempre viu a vida como os seus amigos viram. É por isso que principio Jonas sente receio da sua nova missão, do nosso trabalho que tem em mãos mas estes receios são rapidamente superados quando ele se apercebe do que está errado na sua sociedade. As conversas que vai tendo com o Dador de Memórias abrem feriadas profundas numa sociedade que se esforça por esquecer o que não é bonito e Jonas começa a sofrer por se saber incompreendido pelas pessoas que ama.
Um livro fascinante que recomendo a todos os que gostam de distopias e de pensar sobre elas pois este é também um livro que nos fala muito de memórias e cores e de como elas moldam todo o nosso mundo. Achei-o bonito, poético e directo ao ponto, uma das melhores distopias que já li com um final que nos deixa a pensar.

  • Este livro faz parte de um quarteto;
  • O segundo volume "Em Busca do Azul" e o terceiro volume "O Mensageiro" já foram publicados em português pela Everest Editora;
  • O quarto volume "Son" ainda não se encontra disponível em português. (12/12/12)

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Opinião: A Luz entre Oceanos, de L. M. Stedman




A Luz entre Oceanos
de L. M. Stedman
 
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 368
Editor: Editorial Presença

 Rating: 4/5








Resumo:
 1926. Tom Sherbourne é um homem que, regressado dos horrores da Primeira Guerra Mundial, aceita ocupar o posto de faroleiro numa remota ilha ao largo da costa oeste australiana. Os únicos habitantes de Janus Rock, Tom e a sua esposa Isabel vivem uma vida pacata, isolados do resto do mundo. Numa manhã de Abril dá à costa um barco que transporta um homem morto e um bebé que chora - mudando para sempre o destino do jovem casal. Só anos mais tarde vão descobrir as terríveis consequências da decisão que tomaram naquele dia - à medida que a verdadeira história daquela criança se revela… Esta é uma história sobre o bem e o mal, e de como por vezes se confundem.
 
"A Luz Entre Oceanos, uma edição de origem australiana tem provocado uma enorme expectativa nos editores de todo o mundo. O livro foi o grande protagonista da Feira do Livro de Frankfurt de 2011 e uma das obras mais disputadas para publicação.
Premiado com dois galardões australianos, em Fevereiro de 2012, A Luz Entre Oceanos foi capa da revista literária inglesa Bookseller e tem recolhido críticas muito positivas, tanto por parte de leitores, como dos especialistas
 
Distinções:

- Melhor Romance Histórico de 2012 pelo site Goodreads.
- Melhor Livro do Mês na Amazon.com.
- Melhor Livro do Mês na Apple IBookstore.
- Melhor Livro do Mês nas livrarias Indie dos EUA.
- National Blue Ribbon pelo Book of the Month Club.
  
 
Comentário: Raramente publico as distinções atribuídas aos livros que muitas vezes surgem na contracapa dos mesmos. No entanto, e porque realmente gostei de "A Luz entre Oceanos", e porque ele  tem causado impacto junto de quem o lê, achei que merecia a atenção e destaque. Em primeiro lugar, aconselho-vos a passar no site da Editora, porque têm uma apresentação em Prezi sobre o livro que é um mimo. Para quem estiver interessado, aqui fica também a informação de que podem ler um excerto através da página da Editorial Presença.
Agora que já terminei com a publicidade bem merecida ao mesmo, passemos para o enredo. E nada melhor que este livro para abrir a minha primeira opinião de 2013.

A Luz entre Oceanos é uma viva memória. Não só por ser um romance histórico mas porque foram livros como este que me fizeram apaixonar pela leitura mais "adulta" quando tinha os meus 12 anos. Passado na Austrália (continente tão longínquo...) entre o período de 1926 e 1930, vamos encontrar-nos numa pequena aldeia junto da costa, que viu partir muitos rostos corajosos ou amedrontados para a I Guerra Mundial e os recebeu posteriormente como sombras do que haviam sido, fantasmas danificados pelo tempo.

É segundo este estigma de desgraça que precisa de ser recalcada e da necessidade de continuar a vida em diante, que nos é apresentada a sociedade australiana. A esperança não é algo que passa pelo quotidiano destas pessoas, dado que acreditar no impossível torna-se mais doloroso que enfrentar os pesadelos que há muito se escondem dos recantos das suas mentes.

Parece-vos muito negro? Não é. Porque no meio do céu cinzento ainda existem focus de luz (não só dos faróis), pessoas que os fazem sonhar e acreditar que existe vida para além das que foram perdidas (ou tiradas), pessoas como Isabel, que conseguiu ressuscitar Tom para a vida.

Não quero entrar em pormenores do enredo, como sempre, mas posso dizer-vos que mexe connosco. Ninguém é indiferente a uma criança, nem ao impacto que ela causa na vida de alguém, ninguém é indiferente à sua doçura e à necessidade animal que os pais sentem de as proteger. Ninguém é indiferente ao amor desmedido que nunca parece demais, mas que pode colocar com conflito as nossas crenças, desejos e comportamentos morais. Que pode levar a cometer loucuras, desde que isso garanta a sua segurança.

L. M. Stedman traz-nos a verdadeira luz da essência humana. Não nos nega os momentos felizes nem o poder agoniante da dor, e coloca-nos dos dois lados da barreira, sem saber ao certo o que sentir, o que esperar, e no fundo, criando um elemento de dualidade muito bem jogado que nos faz realmente não saber muito bem como assimilar tudo o que estamos a presenciar.

Das críticas negativas que li, aquilo que sobressai são os carácteres das personagens menos queridas, que revoltaram alguns leitores. Da minha parte, acho que isso torna a leitura mais rica, e nem sempre a qualidade de um livro se avalia pelo nosso poder de afinidade às personagens que compõem a história. Embora compreenda até certo ponto, dado que eu própria nunca deixei de torcer o nariz a Isabel, e sempre a achei um tanto ou quanto egocênctrica e egoísta (o que por vezes tornou realmente dificil padecer-me dela embora racionalmente a compreendesse). Tom, por seu lado, é um bom sujeito que vive assombrado com o que teve de fazer na Guerra, principalmente devido aos dilemas morais, emocionais e de salvaguardação da alma (sua e dos seus). Se se diz que só as mulheres sofrem, assim se compreende que por detrás de uma fachada bem cerrada, por vezes existe uma pessoa realmente transtornada. É no entanto um excelente carácter e como tal, passamos metade do tempo angustiados com a problemática que lhe surgirá.

Quando á componente social e local, é bom ler um livro não só centrado em dois focos, esquecendo-se da envoltente. As descrições q.b. valorizando o enriquecimento do livro só o tornaram mais vívido. A localidade, que só ganha maior destaque numa fase adiantada do livro acaba por não ser toda revelada, não faltando nada no entanto, já que a fotografia estabelecida nos fornece as bases para sonhar  o restante de forma segura.

Janus é uma ilha deserta, senão contarmos com a família do faroleiro, que desperta a necessidade de contacto com o que é natural e biológico, com a força da natureza e a aproximação de todos os elementos.

O Farol é sem dúvida um dos grandes focos da obra. Não sendo a sua abordagem maçuda, dá-nos vários elementos sobre a existência do mesmo e sobre o seu funcionamento à luz de 1920. É um retracto histórico de uma realidade em desuso, com a utilização cada vez mais constante de sistemas automatizados, e que dada a minha relação aproximada (por motivos de vida privada) a este elemento, me satisfez bastante e curiosa por ver aplicada à ficção.

Em suma, gostei, recomendo, e acho que não se vão arrepender de todo. Com tamanhas distinções, até seria mau se não lhes seguissemos as pisadas. A Luz entre Oceanos tem o selo de recomendação do Encruzilhadas Literárias.






 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.



 

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Opinião: O Deserto de Gelo [A Guerra das Bruxas - Livro 2], de Maite Carranza

O Deserto de Gelo [A Guerra das Bruxas - Livro 2] 
de Maite Carranza 
Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 332 
Editor: Editorial Presença
Resumo:
Neste segundo volume da trilogia A Guerra da Bruxas, a antiga profecia cumpriu-se finalmente e Anaíd, a eleita dos cabelos de fogo, possui agora o ceptro do poder. As bruxas Omar esperam que ela acabe com as sanguinárias Odish, o clã que desde sempre as combateu. Mas Anaíd, tem apenas quinze anos e terá de partir com a mãe, numa fuga desesperada para norte, que será também a sua viagem de iniciação, que lhe revelará todos os mistérios e lendas que rodeiam as suas origens e o seu próprio nascimento. E a verdade não poderia ser mais aterradora... (Vejam o livro no site da Editora clicando aqui e leiam um excerto clicando aqui)

Rating: 4/5

Comentário:

No segundo volume desta saga ficamos a conhecer a história da mãe de Anaíd, Selene. Depois do seu desaparecimento no primeiro livro e todas as dúvidas das suas amigas face à sua situação, percebemos agora que comportamentos de Selene no passado validaram as dúvidas das outras bruxas Omar no presente.
Curiosa com a sua origem, a própria Anaíd aproveita a viagem que está a empreender com a mãe para devorar todas as aventuras da adolescência da mesma. É aqui que se nos é revelado todo um novo mundo, a rebeldia de Selene vai testar os limites do mundo das Omar e provocar as Odish. Vai alterar o destino dos que a rodeiam e vai marcar a sua vida para sempre.
Este livro revelou-se uma viagem, tal como Selene empreende uma viagem ao longo do livro, empreendemos com ela uma viagem que nos vai levar ao deserto de gelo e na fuga de Selene pela Europa acabamos por nos perder também nas paisagens, locais e povos que ela conhece.
Em termos de história pareceu-me mais interessante que o primeiro volume, pois não andamos perdidos, se com Anaíd começamos uma história a meio, da qual vamos descobrindo partes, com Selene somos remetidos para o início, para a adolescência da mãe da nossa heroína e conhecemos a sua história.
A história tem um ritmo quase constante (com uma ou outra quebra que não são muito significativas) e não se prende com muitos detalhes pois tenta passar a ideia de que está a ser transmitida oralmente. Ouvimos a história de Selene como se fossemos Anaíd e estivéssemos sentados ao seu lado enquanto ela conduz e nos releva os segredos que ficaram suspensos no primeiro livro.
Gostei bastante desta continuação da Guerra das Bruxas e espero impaciente pelo terceiro volume, onde a guerra finalmente será decidida e descobriremos de que lado lutará Anaíd. Neste volume descobrimos também quem é a verdadeira antagonista de Anaíd, o que apenas ajuda a aguçar a nossa curiosidade.
Por piada gostaria de dizer que mais uma vez alguém teima em comprar a história de Anaíd com a de Harry Potter, mas em versão feminina. Gostaria apenas de dizer uma coisa a essas pessoas "Leiam o livro outra vez", aliás "Leiam os livros outra vez!". Mesmo pensando profundamente no caso, não consigo perceber a comparação. Pois, tal como disse no comentário ao primeiro livro, as bruxas da Guerra das Bruxas usam atames e tem varas que usam para fortalecer a sua magia, consigo realizar magia sem as mesmas. Não voam em vassouras, não vão à escola e apesar de se dividirem em clãs que tem animais como totems isso não é relevante o suficiente para a comparação com as casas de Hogwarts.
Por isso, torno a dizer que se vão ler esta saga em busca de uma escola mágica não a vão achar. Acharão magia sim, mas vê-la-ão com outros olhos. Uma saga que sem dúvida vale a pena descobrir.
  • Já leram a nossa opinião ao primeiro volume desta saga: O Clã da Loba?
  • De momento o terceiro volume desta saga ainda não está disponível. (02/01/13)

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Opinião: Maldito Karma, de David Safier

Maldito Karma
de David Safier
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 280
Editor: Editorial Planeta
Resumo:
A apresentadora de televisão Kim Lange encontra-se no melhor momento da sua carreira, quando sofre um acidente e morre, esmagada pelo urinol de uma estação espacial russa. No Além, Kim dá-se conta de que, ao longo da sua vida, se limitou a acumular mau Karma: enganou o marido, descurou a sua filha e amargurou a vida de todos os que a rodeavam. Descobre então o seu castigo: está num formigueiro, tem duas antenas e seis patas… é uma formiga! 
Kim não tem a mais pequena vontade de continuar a arrastar migalhas de bolos depois de ter passado a vida a evitar os hidratos de carbono. Além disso, não pode permitir que o marido vá afogar as mágoas da sua perda com outra. Só lhe resta, por isso, uma saída: acumular bom Karma, para ascender na escala da reencarnação e voltar a ser humana. Mas o caminho para deixar de ser insecto e se converter num bípede é duro e está pejado de contratempos.

Rating: 4/5

Comentário:
Maldito Karma era um livro que já tinha na minha lista do "para ler" à algum tempo. Por várias vezes eu e a Cláudia andamos atrás dele e por várias vezes ele nos fugiu até que finalmente consegui que ele viesse parar às minhas mãos através de uma troca (na qual a Cláudia me ajudou!).
Apesar de ter vários livros da biblioteca para ler, andava a sentir-me um pouco tristonha por isso decidi usar este livro como receita para me animar, visto que todas as críticas o pintavam como um livro divertido. E efectivamente, as críticas não se enganaram! Composto por uma mensagem bonita e momentos de bom humor Maldito Karma é um livro leve e divertido com um grande coração.
O resumo faz um apanhado muito bom da história e eu tenho de congratular o autor por se lembrar de matar Kim com o urinol de uma estação espacial russa. Quem se lembraria de tal coisa? Rio-me sempre que penso nisso e apesar de ser divertido, não é de todo impossível o que acaba por ser um pouco aterrorizador também.
Todo o processo de transformação de Kim é igualmente divertido e aterrorizador. Há uma frase de um filósofo conhecido que diz que "Quem te um motivo para viver, sobrevive a tudo." e esta é um pouco a situação de Kim. Apesar de já não estar viva, Kim tem um motivo para tentar subir depressa na escala do karma, a não ser que, claro, queria ser uma formiga para o resto da eternidade.
Este motivo "o voltar a ser humana" é o catalizador que a vai fazer crescer e aprender não só com os seus erros, mas também com a convivência que tem com outros animais e outras pessoas que reencarnaram com animais. E enquanto tudo isto se passa, a família de Kim, tenta refazer a vida sem ela, o que deixa Kim bastante furiosa, visto que se considera uma pessoa inesquecível e insubstituível.
Todas as conversas entre Buda e Kim são também muito enbgraçadas e não deixam de ter o seu quê de profundidade e acabam por deixar uma pessoa a pensar se não será mesmo isso que a vida além túmulo nos reserva. Afinal os budistas parecem acreditar que sim e, tal como tantas outras crenças, ainda ninguém voltou dos mortos para nos contar como é exactamente o outro lado, logo tanto quanto sabemos ou estamos todos errados ou alguém poderá estar certo.
Gostaria de destacar que achei que Kim era uma personagem bastante palpável e que parece "real", ou seja, mesmo no início do livro, quando ainda é "diva", Kim tem as suas inseguranças e as suas dúvidas sobre se está a agir bem ou não. Apesar de quebrar um pouco com o cliché da diva, estas dúvidas tornam Kim humana e ajudam-nos a perceber melhor o tipo de personagem (e mulher) que ela é.
Na realidade todas as personagens do livro conta com um role de defeitos e qualidades que as tornam muito humanas e reais. Isto contribui para uma leitura mais fluída do livro e para que acabemos por nos indentificar com algumas das personagens.
A minha única queixa vai para o fim do livro, gostava que se tivesse desenlaçado de outro modo mas isto sou eu, que sou bastante picuinhas com livros e histórias sobre a vida além túmulo e o desapego.
Contas feitas este é um livro que recomendo, pela história, pelas piadas e pela mensagem.

Book Trailer:

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Opinião: Rubrica: Memórias de uma Gueixa, de Arthur Golden

Edição/reimpressão: 1999
Páginas: 488
Editor: Editorial Presença
Resumo:
Quioto, anos 30. Sayuri tem olhos cor de espelho e é uma das mais famosas gueixas do Japão. Acompanha cidadãos japoneses abastados, enverga deslumbrantes quimonos de seda mas tem de pagar pela sua própria liberdade até conhecer um danna que a sustente e pague todas as suas despesas. Na sua vida, tal como na de todas as gueixas, não há lugar para o amor, mas Sayuri apaixona-se... Um romance ímpar e contagiante que demorou dez anos a escrever. 
Rating: 4/5
Comentário:
 Os agradecimentos estragaram tudo. Sim, acho que é uma bela forma de começar esta crítica!  
As Memórias de uma Gueixa começaram por ser uma pequena curiosidade desde que me foi falado. Primeiro, porque não sabia o que era uma Gueixa (e só o soube quando comecei a ler) e segundo porque continha uma mulher, lindíssima, na capa! 
Quando abri o livro e li a Nota Introdutória fiquei logo com a certeza de que este livro seria, sem dúvida, adquirido para a minha biblioteca pessoal! Pessoalmente, gosto imenso de livros que retratem a sociedade e a maneira de viver de alguém que, por norma, nunca tenha sido muito valorizado. As Gueixas, sempre foram vistas pelo aspecto e não pelo interior. Os homens nunca chegavam a conhecer verdadeiramente a mulher que se escondia por detrás de tanta maquilhagem (salvo as excepções, ou seja, mulheres que acabavam por deixar a vida de Gueixa para se juntarem com alguém). 
Como tal, era ignorado a quantidade de sofrimento, de suor, de lágrimas, de lutas e de conflitos pessoais que uma Gueixa continha desde que tinha iniciado a sua vida como criada e posteriormente o seu treino de Gueixa para se tornar uma mulher de renome. 
Neste livro, podemos ver como a vida de Sayuri não foi, de longe, uma vida fácil de se viver. Sayuri perde a família enquanto ainda é uma criança e acaba por ser vendida para se tornar Gueixa. Vê todos os seus sonhos a desmoronar e todas as suas esperanças a caírem por um precipício rochoso. 
Este livro dá-nos esperança e força para lutarmos contra tudo e todos, contra o mundo e os céus, sem que haja qualquer tipo de limites, porque não podemos viver uma vida que nos foi escrita e entregue por outrem, mas sim por nós próprios! 
Gostei imenso e aconselho a todos!


Alexandre.
Sobre o nosso convidado:

Alexandre Borges, composto por todas as letras e todos os sonhos do mundo. Gosta de atingir limites e de os ultrapassar. Atravessa mundos com os livros nas mãos e um sorriso na cara. Sites pessoais, já teve muitos, mas estes são os correntes.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Opinião: Rubrica: Cidades de Papel, de John Green

Cidades de Papel
de John Green
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 320
Editor: Editorial Presença
Resumo:
Quentin Jacobsen e Margo Roth Spiegelman são vizinhos e amigos de infância, mas há vários anos que não convivem de perto. Agora que se reencontraram, as velhas cumplicidades são reavivadas, e Margot consegue convencer Quentin a segui-la num engenhoso esquema de vingança. Mas Margot, sempre misteriosa, desaparece inesperadamente, deixando a Quentin uma série de elaboradas pistas que ele terá de descodificar se quiser alguma vez voltar a vê-la. Mas quanto mais perto Quentin está de a encontrar, mais se apercebe de que desconhece quem é verdadeiramente a enigmática Margot. Um romance entusiasmante, sobre a liberdade, o amor e o fim da adolescência.

Rating: 4/5

Comentário:
(Review da versão inglesa pois a 1/12/2012 ainda não existia em português)
Paper Towns foi o terceiro livro que li de John Green. Depois de ter lido A Culpa é das Estrelas e À Procura de Alaska, não podia deixar de ler todo o reportório deste autor fantástico.
Quando vi que a história rodava de novo à volta de um rapaz que se apaixona pela rapariga, percebi que Green não foge muitos ao tema nos seus livros. No entanto pelo título fiquei bastante curiosa para saber o que eram ao certo estas “paper towns”.
A personagem mais forte e a minha preferida deste livro é sem dúvida a rapariga, a enigmática Margo Roth Spiegelmen (apesar de a sua personalidade ser parecida em alguns aspectos com Alaska para quem já leu À Procura de Alaska), com o seu carácter aventuroso, despreocupado e carismático, que tem sempre algo em mente que não conseguimos bem compreender. Ela é o amor de Quentin Jacobsen, um rapaz simples e pouco popular, que Margo ignora desde os seus momentos de infância.
A parte que me fez gostar mais deste livro é o início, quando Margo entra pela janela do quarto do surpreendido Quentin, e o leva numa aventura genial pela noite dentro, feita de partidas hilariantes, com o objectivo de vingança aos seus “melhores” amigos.
A nossa curiosidade começa a crescer quando no dia seguinte Margo desaparece sem aparente rasto, deixando Quentin desesperado por encontrá-la.
O resto do livro vai centra-se numa “road trip”, em busca de Margo, com base numa série de pistas que Quentin acredita terem-lhe sido deixadas pela sua amada. Sempre na companhia dos seus dois melhores amigos, Ben e Radar, a viagem toma um caminho divertido, sempre com piadas cómicas por parte de Ben, outra das minhas personagens favoritas. À medida que se aproximam de Margo o conceito de “paper towns” vai tomando o seu sentido e faz-nos até refletir sobre a nossa vida real.
No entanto, na minha opinião esta viagem começa muito bem, mas acaba por se tornar um pouco aborrecida, quando parece que poucos avanços se passam e a busca de Margo não passa apena das lamúrias de Q, sobre o facto de achar que nunca mais vai encontrá-la.
No geral gostei do livro, especialmente por toda a criatividade que Green mete no conceito de “paper towns”, mas confesso que, sendo um livro deste autor, estava à espera de mais, especialmente o final, que sem revelar o que acontece, soube-me a pouco.


Soffs
Sobre a nossa convidada:

Sofs, sonhadora compulsiva, gosta de viajar por mundos novos através dos livros. Aspirante jornalista. Tem o estranho gosto pelo cheiro das páginas de um livro. Não sai de casa sem as suas leituras na mala.

domingo, 18 de novembro de 2012

Opinião: Noite de Reis, de Trisha Ashley



 

Noite de Reis
de Trisha Ashley

Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 472
Editor: Quinta Essência

Resumo:
O Natal sempre foi uma época triste para a jovem viúva Holly Brown, por isso, quando lhe pedem para cuidar de uma casa remota nas charnecas do Lancashire, a oportunidade de se esconder é irresistível - a desculpa perfeita para esquecer as festividades.
Escultor, Jude Martland, decidiu que este ano não haverá Natal depois de o irmão ter fugido com a sua noiva, e faz questão de evitar a casa da família. No entanto, terá de voltar na Noite de Reis, quando a aldeia de Little Mumming celebra as suas festividades e toda a família é obrigada a comparecer.
Enquanto isso, Holly começa a descobrir que, se quer evitar a Natal, veio para o local errado. Quando Jude regressa inesperadamente na véspera de Natal não fica nada contente ao constatar que Holly parece estar a organizar a festa de família que ele esperava evitar.
De repente, uma tempestade de neve surge do nada e toda a aldeia fica isolada. Sem fuga possível, Holly e Jude encontram muito mais do que esperavam - parece que a quadra natalícia vai ser bastante interessante!
(Se estão curiosos e procuram ler um pequeno excerto, cliquem no link.)

Rating: 4/5

Comentário:
O Natal chegou mais cedo e eu não poderia estar mais feliz! Quem me conhece, sabe que sou uma apaixonada por esta altura do ano e abraço o espírito natalício, doa a quem doer (ou isto não entra bem na quadra?). Noite de Reis, de Trisha Ashley inaugurou a abertura oficial da época para mim! E para quem diz que é demasiado cedo, então não queiram saber o que é que estou a ouvir no exacto momento em que escrevo esta opinião. Ou queiram. É uma boa banda sonora enquanto lêem este livro: "Christmas", de Michael Bublé, editado em 2011. Deixo-vos um resumo em baixo para abrir o apetite para o que vem em seguida:



E porque é falo em apetite? Primeiro, porque estou com fome, e depois, porque é impossível não o ficar através deste livro. Holly, como é apresentado no resumo, é cozinheira, e por isso mesmo não sabe não falar sobre comida página sim-página sim (todas apetitosas e de nos pôr a salivar). Todos sabemos o quanto o Natal é propício a alguns deslizes gastronómicos e a autora faz questão de nos deixar o tempo todo a pensar no que estamos a perder por antecipação.
E se a comida e as tentações gulosas fazem parte da caracterização do período de Festas, as famílias excêntricas, os tempos passados a jogar ou a cantar, as crises existenciais, os pânicos de convidados de última hora e a expectativa de um Natal diferente (do qual sentimos muita falta mas ao mesmo tempo já não suportamos mais) são sem dúvida parte integrante deste puzzle enorme e cobrem todos os momentos deliciosos de a Noite de Reis. E aqui até temos direito a neve...

A capa é linda. E se na imagem não parece tão interessante, corram para procurar a vossa numa livraria: tem brilhos a imitar neve e não há nada mais invernoso e simultaneamente aconchegante! Tudo chama pelo Natal, e quem o nega, explique-me porquê porque nem assim fico convencida!
Holly não é uma personagem muito aprazível ao início. Se vive dentro de um bloco de gelo, como a sua grande amiga lhe diz, também o passa para o leitor. É dotada de simpatia e agradável mas não cria empatia e deixa em evidência uma barreira algo intransponível. Mais do que isso, é algo insípida e apenas bidimensional quando se espera alguma profundidade (especialmente atendendo a que acaba de lhe morrer a avó que a criou). Ainda assim, quem sou eu para críticar como cada qual lida com a dor?
Acima de tudo, o livro começa por ser linear e com abordagens pouco exploratórias, o que me fez ficar algo reticente já que tinha algumas expectativas. Acho que de alguma forma, o mesmo se deu com outras perspectivas do enredo: a reprodução de conversas telefónicas com a amiga, por exemplo, ao principio eram algo forçadas. De qualquer forma, pude confirmar em diante não estar enganada quanto ao inicialmente expectado.

Claro que não seria uma estória de quadra se não se desse uma mudança repentina para o melhor, e uma redescoberta de si mesma. Little Mumming irá surtir um efeito especialmente avassalador sobre Holly e sobre as suas crenças, e torná-la adepta de receber o que a vida lhe traz. Isto deve-se à vila mas também a todas as pessoas fantásticas e acolhedoras que vivem por lá. Desde os habitantes locais que vê esporadicamente nas excursões à vila, aos que rodeiam e privam com Holly mais constantemente, especialmente os tios e a sobrinha de Jude que habitam na casa do guarda da propriedade. Mas há que não esquecer toda uma série de personagens, como a proprietária do Pub, a antiga ama de família que insistentemente a confunde como um membro da família, o antigo vigário, uma família de agricultores locais e uma série de convidados inesperados....

Holly é sem dúvida uma boa samaritana, mas também muito confusa. A determinada altura apetecia-me abaná-la, dado que se oferecia para fazer as coisas com boa vontade, mas posteriormente barafustava por estar atulhada com trabalhos que não lhe interessavam assumir. E sendo uma questão de boa vontade, ser comandada por terceiros parecia-me já uma certa falta de personalidade. Felizmente, quando já me preparava para desesperar, esta rapariga complicada respondeu-me e passou a agir de acordo com a postura que eu esperava desde início. Era algo esperado, mas não deixa de ser incrivelmente divertido ver o quanto uma pessoa anti-natal acaba por ser o ponto de união entre uma família um tanto ou quanto dispersa, e proporcionar-lhes o melhor Natal de sempre.

Quando ao casal mágico, a relação de desprezo/ódio foi algo despropositada e forçada numa primeira fase, que felizmente a autora decidiu superar. Cada um deles ganhou um dinamismo ao longo da narrativa e a sua aproximação não surgiu forçada. Jude, apesar da sua resmunguice, é sem dúvida um coração mole e bem intencionado, que até sabe perdoar rapidamente, mesmo que ninguém espere que ele o faça (eu não esperava). Adora a família e faria tudo por ela, até participar nas festividades locais, que são tão secretas que terão de ler o livro para as descobrir!

As dinâmicas da família foram sem dúvida os meus pontos preferidos. Gosto de pessoas e de como a complexidade ou simplicidade das suas vidas compõem um puzzle colorido. E todos eles fazem falta, desde os animais de estimação, à noiva mimada de alguém, ao bondoso e óptimo contador de estórias Noel, à resmunguice de Henry, à amabilidade e pragmatismo da tia de Jude, à veia casamenteira de Jess, ao desejo guloso de todos pelos petiscos de Holly que cozinha sem parar...

Este livro é sem dúvida uma história de famílias, para famílias, temperada com a dose certa de humor e ternura. É impossível não sorrir, rir nos momentos certos e sentimos-nos aconchegados o tempo todo. Nada mais adequado para a época, não acham? Provavelmente irei relê-lo para o ano nesta altura. Quem sabe e não se torna numa tradição?

Noite de Reis é sem dúvida um miminho de fim de noite, para ler ao som de uma boa banda sonora, e ficar a sonhar acordada, com uma perspectiva de estação invernosa quente, feliz e completa.

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Opinião: [Maximum Ride N.º 1] O Resgate de Angel, de James Patterson

O Resgate de Angel (Maximum Ride N.º 1)
de James Patterson
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 384
Editor: TopSeller
Resumo:
ALERTA! Um grupo de seis jovens com poderes extraordinários está em FUGA. O seu líder é Maximum Ride, ou Max. Retirados dos seus pais à nascença, os seis estavam presos num laboratório secreto, onde foram alterados geneticamente para se tornarem 98% humanos e 2% pássaros. Agora eles conseguem voar e escaparam da sua prisão. Mas desconhecem as razões para tudo o que lhes foi feito, e não sabem quanto tempo de vida lhes resta. No seu encalce estão os Erasers, seres diabólicos criados no mesmo laboratório, que apanham Angel, a miúda mais nova e especial do grupo de Max.
Conseguirá Max resgatar Angel e descobrir a verdade sobre si e os seus amigos? PREPARA-TE: Este livro é o início da mais fantástica e emocionante aventura da tua vida.
[Primeiro de uma colecção com oito volumes.]

Rating: 4/5

Comentário:
Desta vez quero começar pela capa. Porquê? Porque é linda, é brilhante e porque esta é uma daquelas capas que comemos com os olhos. Sei que não devemos julgar um livro pela capa, mas por vezes existem capas que nos fazem querer ler as histórias que estão lá dentro. Para mim esta foi sem dúvida uma delas. Tem um brilho que pela imagem não se nota mas que chama a atenção, tem a águia e tem a Max pronta a levantar voo. Uma capa sem dúvida bem conseguida.
Apesar do começo ser um pouco confuso e Max ser um pouco convencida demais para o meu gosto, a verdade é que à medida que a história se desenlaça começamos a perceber o que faz deste bando uma família. Creio que outro dos motivos pelos quais choquei com Max é o facto de sermos ambas irmãs mais velhas e termos a mania que somos espertas. Talvez sejamos demasiado parecidas em certos pontos e por isso chocamos.
Foi muito refrescante para mim ler sobre uma irmã mais velha. Apesar de Max não ser, biologicamente, irmã de ninguém no bando. Todos se tratam como família e ela faz muitas vezes da mamã que o bando não tem, principalmente com a personagem mais nova, Angel. Por isso foi interessante segui-la e descobrir como funciona a sua relação com as demais crianças.
Os capítulos curtos fazem com que este livro se leia rapidamente e seja óptimo para crianças e jovens que sejam mais "difíceis de convencer a ler". Para quem está habituado a ler no entanto, pode ser um pouco frustrante no inicio, mas se nos mentalizarmos que o livro é uma espécie de diário de Max, e que a nossa heroína tem catorze anos também percebemos que temos de nos adaptar à sua escrita e rapidamente entramos no ritmo de leitura.
Apesar das várias coincidências que vão ajudando o bando ao longo do livro e que me irritaram profundamente, perto do fim há dúvidas que são criadas que nos deixam a pensar. Quão longo é o alcance da Escola? Será que foram mesmo coincidências? Terá o bando conseguido mesmo escapar às garras da escola? Qual é a sua missão?
É um daqueles livros que infelizmente assim que começa a ficar bom acaba e que nos deixa a querer mais e mais. Para minha sorte, ou azar, a colecção conta com oito volumes sendo este o primeiro deles. Assim sendo espero ainda ler muito sobre as aventuras de Max e o seu bando.
Antes de terminar gostaria também de dizer que esta foi a minha primeira experiência como leitora de James Patterson um dos actuais escritores bestsellers a nível mundial e que não fiquei de todo desapontada. Espero  que ao continuar a ler as aventuras de Max me torne uma fã intencionável deste autor.

Book Trailer: