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domingo, 11 de agosto de 2013

Opinião: A Noite de Todas as Almas, de Deborah E. Harkness

A Noite de Todas as Almas
de Deborah E. Harkness
Edição/reimpressão: 2011
Páginas:704
Editor: Casa das Letras
Resumo: 
Num final de tarde de Setembro, quando a famosa historiadora de Yale, Diana Bishop, abre casualmente um misterioso manuscrito medieval alquímico há muito desaparecido, o submundo mágico de Oxford desperta. Vampiros, bruxas e demónios farão tudo para possuir o manuscrito que se crê conter poderes desconhecidos e pistas misteriosas sobre o passado e o futuro dos humanos e do mundo fantástico. Diana vê a sua pacata vida de investigadora invadida por um passado que sempre tentou esquecer: ela é a última descendente da família Bishop, uma longa e distinta linhagem de bruxas de Salem, marcada pela morte misteriosa dos pais quando era criança. E do meio do turbilhão de criaturas mágicas despertadas pela redescoberta do manuscrito surge Matthew Clairmont, um vampiro geneticista de 1500 anos de idade, apaixonado por Darwin. Juntos vão tentar desvendar os segredos do manuscrito e impedir que caia em mãos erradas. Mas a paixão que cresce entre ambos ameaça o frágil pacto de paz que existe há séculos entre humanos e criaturas fantásticas... e o mundo de Diana nunca mais voltará a ser o mesmo...
Uma história arrebatadora que mistura História, magia, aventura e romance. Para os leitores de Dan Brown, J.K. Rowling, Stephenie Meyer e Elizabeth Kostova.

Rating: 3/5 
Opinião:
 Este livro é daqueles que me desenvolve uma relação de amor ódio que não tem explicação. Mas já devia saber. A contracapa apresenta-o como sugestão por parte da Publishers Weekly, a todos os que gostaram de "A Historiadora" e "A Sombra do Vento". Ora eu desisti de um e nunca tive interesse pelo segundo, de modo que esta enunciação deveria ter sido o suficiente para me colocar de pé atrás. Mas gosto de dar oportunidades, e nunca ligo nenhuma às citações de contracapa, quando provenientes de revistas e não de críticos/ autores a título pessoal. Se calhar é um bocado snobe, mas fiquemos-nos por aqui, porque esse não é o foco deste texto. E aviso já que a crítica que se segue pode não ser tão isenta de spoilers como habitualmente. Quase de certeza que não o será.

Em primeiro lugar, tenho que dizer que gosto da forma como a Deborah escreve. Esse é o grande impulsionador que me fez ler as 700 páginas numa semana. No entanto, este livro deveria ter tido outro trabalho de preparação, porque muitas vezes vi palha que não interessava e os clichés são sucessivos e aparentemente inevitáveis.

Acho que começa bem, capta o leitor, gera interesse e passa-se no mundo moderno, actual, real, com as respectivas repressões do sobrenatural. Pareceu-me interessante e manteve-se curiosa. Mas depois passamos cerca de 200 páginas onde exactamente NADA acontece, a não ser a contar e recontar os dias enfadonhos que Diana passa a executar na biblioteca e as pesquisas que efectua. Percebo a necessidade de contextualização, mas tinha mesmo que decorrer de forma tão prolongada onde os acontecimentos foram semelhantes, onde os ciclos eram iguais, sem qualquer tipo de evolução? Confesso que por vezes fui saltando páginas, porque já não queria saber as qualidades sensoriais de mais nenhum vinho, porque, enfim, não pretendo seguir carreira como enóloga.

Temos por fim uma nova alteração que pode despertar o interesse. Fê-lo comigo quando estava prestes a desistir do livro. Mas depois é aqui que entram os clichés todos que me fizeram revirar os olhos umas quantas vezes. Ainda assim, consegui aguentá-los, dado que o livro é de 2011 a tipologia das situações apresentadas representa em pouco o que estava na moda há dois anos para o género literário em causa. Acho que podia ter sido melhor aproveita a sucessão de informação sem fim e os momentos de acção para criar uma maior interligação entre ambos. Mas a grande maioria das coisas apresentadas geraram interesse e quis saber mais sobre elas, pelo que acho que essa foi a fase do livro em que avancei mais rápido.

O fim não foi de todo inesperado, mas o que mais me divertiu. O elemento da mudança de cenário para outro mais divertido ajudou a quebrar a monotonia da leitura e a abrir portas para o próximo volume, através do aumento do suspense.

Finalizando a minha opinião com uma análise breve das personagens, acho que está composto um óptimo quadro. As tias de Diana são hilariantes e um dos pontos fortes desta narrativa. Gostei do génio do Hamish e da perspicácia de Miriam e Marcus, sem negar a aura de mulheres guerreiras de Marthe e Ysebeau. Com personagens tão interessantes, bem que algumas páginas podiam ter sido dedicadas a desvendá-las de forma mais eficaz, do que a saber em pormenor o que dizia o livro X que a Diana utilizaria na sua apresentação da conferência de Novembro....

Quanto ao casal principal, é sempre a mesma história, e pergunto-me quantas mais vezes teremos de ter o mauzão protector, cheio de segredos não partilhados, perturbado mas profundamente enamorado, que será o "macho-alfa"/comandante (e sim, isto está mesmo escrito no livro) ao qual todos devem de obedecer de olhos fechados e sem questionar. O mesmo para Diana, que sendo tão independente e forte, acaba por fazer tudo o que ele quer, obrigando os que estão em sua volta a submeter-se ao mesmo jugo.

Depois disto, é caso para me perguntarem afinal porque é que dei 3 na opinião? Bem, no fundo porque apesar de tudo, eu até gostei de o ler. E pretendo ler o próximo, de uma forma nada masoquista. Aguardo que a narrativa melhore, que a acção se desenvolva de forma mais fluída, e que não tenhamos sempre de andar a apanhar os pedaços de informação que a autora nos dá, para compor o puzzle que ela não soube transcrever completamente para o papel.


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

domingo, 19 de maio de 2013

Opinião: Incarceron, de Catherine Fisher

 
Incarceron
de Catherine Fisher
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 336
Editora: Porto Editora

Resumo: Imagine uma prisão tão vasta que abrange masmorras, galerias, bosques de metal, mares e cidades em ruínas.
Imagine um prisioneiro sem memórias mas que nega pertencer àquele lugar, mesmo sabendo que a prisão se encontra selada há séculos e que apenas um homem conseguiu escapar.
Imagine uma rapariga condenada a um casamento de conveniência e a viver numa sociedade futurista, vigiada por um sistema sofisticado de inteligência artificial mas concebida à semelhança de um cenário do século XVII.
INCARCERON é a prisão viva que observa tudo o que se passa dentro dos seus muros. Finn é o prisioneiro e Claudia a filha do guardião da prisão, que vive num mundo exterior onde pouco se conhece sobre INCARCERON.
Ao encontrarem uma chave de cristal que lhes permitirá comunicar, os dois engendram um plano de fuga numa corrida contra o tempo. Mas INCARCERON vigia-os e a evasão exigirá mais coragem e tornar-se-á mais difícil do que pensam.

Rating: 3/5

Comentário: Incarceron foi um daqueles livros que quis ler, mesmo sem saber ao certo do que é que tratava. Sabia que se enquadrava em young-adult e a capa e título eram sugestivos. De forma que só quando o tive em mãos é que fui realmente ler a sinopse. Fiquei surpreendida pelo facto de uma das protagonistas ter o meu nome (eu sei , egocêntrico, mas nunca tinha acontecido e tem a sua piada). 
Incarceron leva-nos para um mundo novo, estranho, e de carácter inovador. São-nos apresentados dois universos, no interior e no exterior da prisão, que por sua vez também é muito peculiar.
No Exterior, vive-se um mundo estranho, onde os elementos pontuais de tecnologia muito mais modernos que os que conhecemos são obscuros e subterfúgios para escapar ao Protoclo, que impôs à sociedade viver segundo regras de um tempo passado. A conjugação dos dois elementos temporais cria uma dimensão interessante, que nos faz querer saber mais sobre o início do processo. No Exterior vive Claudia, que tem uma relação algo complicada com o pai, o governador da tão famosa Prisão. Destinada a casar com o herdeiro do trono, a rapariga vive vários períodos de consternação, mas será certamente a ida para a corte e as intrigas reais que irão provocar mudanças na sua forma de estar.

No seu Interior, um projecto que foi vendido como perfeito está corrompido, danificado pelo tempo e  por gerações de prisioneiros que vivem em condições miseraveis e que muitas vezes não têm o que comer. Mas se pensam tratar-se de uma prisão comum, habitual a tantas outras, estão muito enganados. O espaço estranho, mítico, que todos reconhecem existir mesmo não sabendo como e onde é um universo, cheio de mundos, materiais, formas de estar, regras que nem todos conhecem. Finn e o pequeno grupo que o acompanham passarão por várias descobertas ao longo deste percurso. 
A Prisão, por sua vez, sendo supostamente um orgão estático, um edificio fortificado, é muito mais do que isso. Com a sua existência ganhou vida, vigia os cada um dos prisioneiros, conheces-lhes os medos e pesadelos e joga com esse factor para os ver vergar, serem nada mais do que vermes abandonados à sua mercê.
Incarceron é desafiante e original dentro do género, ainda assim gostava de ter visto explorados alguns aspectos. Para começar, não sou muito fã do seguimento final que a autora atribuiu ao enredo e à ligação entre os dois espaços relatados. A dinâmica das personagens ficou algo a perder, segundo me parece, e podia ter sido trabalhada de diferente forma. Já o restante enredo deixou muitos buracos na história, pontos que nos fazem questionar e para os quais não temos resposta. Ainda assim, e sendo o primeiro livro de uma trilogia, encarei o tom do seu discurso como um texto introdutório às aventuras que se adivinharão. E estarei cá para lê-las! 




Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

sábado, 3 de novembro de 2012

Opinião: O Sorriso das Mulheres, de Nicolas Barreau

O Sorriso das Mulheres
de Nicolas Barreau
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 292
Editor: Quinta Essência

Resumo:
Para Aurélie Bredin, as coincidências não existem. Jovem, sensível e atraente, é a proprietária de um pequeno e romântico restaurante, Le Temps des Cerises, situado no coração de Paris, a dois passos do Boulevard Saint-Germain. Naquele pequeno restaurante forrado a madeira, com toalhas aos quadradinhos vermelhos e brancos, o seu pai conquistou o coração da sua mãe graças ao menu d’amour. E foi ali, rodeada pelo aroma do chocolate e da canela, que Aurélie cresceu e onde encontra consolo nos momentos difíceis da sua vida. Mas agora, magoada pelo abandono de Claude, nem sequer a calidez acolhedora da cozinha é capaz de consolá-la.
Uma tarde, mais triste que nunca, Aurélie refugia-se numa livraria. Um romance, O Sorriso das Mulheres, chama a sua atenção. Quando o folheia, descobre que a protagonista é inspirada nela e que Le Temps des Cerises é um dos cenários principais. Graças a esta prenda inesperada, volta a sentir-se animada. Decide entrar em contacto com o autor, Robert Miller, para lhe agradecer. Mas isso não é fácil. Qualquer tentativa de conhecer o escritor - um misterioso e esquivo inglês - morre na secretária de André Chabanais, o editor que publicou o romance. Porém, Aurélie não desiste e quando um dia surge efectivamente uma carta do autor na sua caixa de correio, acaba por daí resultar um encontro bem diferente daquele que tinha imaginado…

Rating: 2/5

Este é o primeiro livro que leio através do Clube BlogRing, do qual também já vos falei, e adorei a experiência. É bom fazer parte de uma rede de apaixonadas por livros e acompanhar o percurso que um livro faz ao longo de todo o país, devido à generosidade de alguém que não nos conhece e nos empresta um dos seus livros. Continuando para o livro em si:
O Sorriso das Mulheres era uma promessa tão grande de uma leitura doce e bem passada, mas acho que me saiu o tiro pela culatra. Para um livro que se centra tanto no ingrediente secreto; de um bom romance, da receita perfeita, de uma manhã passada com amigos, da manutenção de relações mais ou menos complicadas, esqueceu-se do seu próprio ingrediente. Apesar de compreender o desenrolar da história dos personagens, achei-a em parte insípida. E com falta de sentido de lógica nas transições entre algumas passagens. Confesso que neste caso é-me difícil explicar sem deixar escapar pequenos elementos da trama, mas vou tentar fazê-lo.
O restaurante Les Temps des Cerises anuncia-se em parte como elemento do enredo principal, e não o vivemos muito salvo em raras excepções. A própria vida de Aurélie enquanto proprietária acaba por passar ao lado da estória, salvo quando abordados os complicados horários dela ou as poucas vezes que contactamos com as pessoas que lá trabalham, e que a meu ver poderiam ter tido um destaque superior na narrativa.
Por outro lado, o envolvimento em torno da narração central, do romance e do efeito que provoca em Aurélie, poderia ter sido tão interessante e ficou aquém das minhas expectativas. Não é a história em si, achei amorosa a ideia, e fui completamente cativada pela sinopse deste livro, que tanto me fez querer lê-lo.
A transposição repentina e abrupta dos seus estados de alma e das decisões que toma, soaram-me por vezes tão aleatórias que não me consegui interligar com eles. No fundo no fundo, nem entendi os motivos dela dela nem de André Chabanais no que diz respeito ao elemento da vida romântica.
Por mais que não negue a existência de amores repentinos que nunca julgámos possíveis, ou melhor, de sentimentos encobertos que possam vir ao de cima nos momentos em que menos esperávamos, na maior parte dos casos, neste livro em particular, eles vêm praticamente do céu (e sem nenhum motivo aparente).
Mas nem tudo é mau. O Sorriso das Mulheres apresenta algumas personagens peculiares, que tornam tudo mais agradável e divertido. A sua amiga mandona mas que a apoia em todas as situações, o excêntrico director da editora, que admite conseguir ver um bom livro através da leitura de uma única página pelo início, meio e fim, os amigos de André Chabanais, que o colocam em situações caricatas, pelas quais ele se deixa seduzir, e que por sua vez ainda complicam mais a sua existência, uma mãe presente que o leva à loucura mas é apenas babada pelo filho que tem. São eles que compõem a dinâmica mais interessante da narrativa e nos agarram ao livro até ao fim.
De qualquer forma, acredito que poderia ser feita uma interessante adaptação do livro para cinema, e que eu iria certamente querer ver.

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.