Mostrar mensagens com a etiqueta Clube do Autor. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Clube do Autor. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Opinião: A Ilha dos Segredos, Nadia Marks



A Ilha dos Segredos
Nadia Marks
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas 304
Editor: Clube do Autor (Noites Brancas)
  




Sinopse: 
Muitas vezes, a vida corre ao contrário do planeado. Anna sabe-o melhor do que ninguém. Por isso, a viagem até à ilha onde estão as suas raízes promete dar-lhe a força de que tanto precisa. Na Grécia, Anna irá enfrentar a história desconhecida da sua família e descobrir mistérios enterrados há mais de cinquenta anos.
Nessa ilha paradisíaca do mar Egeu e à sombra dos limoeiros da casa de família, Anna irá confrontar-se com segredos dolorosos, histórias antigas e sensações adormecidas.
A Ilha dos Segredos é um romance sobre como o passado, o afeto pelos outros e a liberdade podem curar as feridas mais profundas.
«O grego antigo tem quatro palavras distintas para amor: agápe, eros, philía e storgé. Poderá afinal existir uma?»

Rating: 2.5/5
Comentário: Este ano estive com um apetite imenso por livros de verão, e a capa da "Ilha dos Segredos" chamou por mim desde que a vi. Acabei por ler as primeiras páginas e achei que poderia ser uma leitura muito interessante.
Ia iniciar a minha leitura no momento em que se deu a tragédia dos incêndios florestais na Grécia, e senti-me inibida de aproveitar estas paisagens por prazer, sabendo a dor e a dificuldade que estavam a viver os gregos ao momento.
Nesse sentido, optei por esperar mais umas semanas até pegar nele. Infelizmente, as minhas esperanças saíram algo defraudadas, porque contrariamente ao esperado, este livro não se enquadra nada nos clichés (que geralmente pedem-se para ser evitados, mas que curiosamente os procurava desta vez).
Ao iniciar-se num de tom de reconto do passado, esperamos por uma redenção das personagens ao descobrirem novos caminhos e desafios para além dos que a vida já premeditou. Esperamos também que esse tom seja circunscrito à contextualização do inicio da história e permita espaço para as personagens crescerem. Infelizmente, Nadia Marks não o concretizou da melhor forma. Uma narrativa cheia de potencial ficou balizada por uma escrita que me pareceu quase infantil e mais facilmente encontrada no reconto das histórias e das lendas do que num romance que pretende intuir profundidade e criar empatia com o leitor. As histórias das personagens foram sobejamente tratadas com leviandade, até as que exigiam uma maior preocupação e análise por parte do leitor. Não consegui, por isso, entregar-me à narrativa em nenhum momento nem torcer ou sentir as dores de nenhuma delas.
Não obstante, dou pontos à autora ao tentar incutir uma lógica narrativa diferenciada, por querer trazer conteúdo e não validar o enredo somente como uma história de amor. E julgo que teria sido muito bem conseguida se esta a tivesse trabalho de melhor forma. Não o tendo feito, e por tratar e levar a história toda pela rama, senti que mais valeria manter-se no registo tradicional dos romances femininos e levar à conclusão de uma história envolvente e emocionante. Infelizmente, "A Ilha dos Segredos" não me encheu as medidas.



Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Opinião: Chama-me pelo Meu Nome, André Aciman



Chama-se Pelo Teu Nome
André Aciman
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas 284
Editor: Clube do Autor
  





Sinopse: 
Na idílica Riviera italiana nasce um romance intenso entre um rapaz de dezassete anos e o convidado dos pais, um estudante universitário que irá passar com eles umas semanas no verão.

A mansão sobre as falésias é povoada por um conjunto de personagens excêntricas, com um gosto especial pela boa vida. Mas nenhum dos jovens está preparado para as consequências da atração, que, durantes essas apaixonadas semanas de calor, mar e vinho, faz crescer entre eles o fascínio e o desejo, sentimentos que não conseguem suprimir, apesar de todas as proibições e dos perigos.

Divididos entre o receio das consequências e o fascínio que não conseguem esconder, avançam e recuam movidos pela curiosidade, o desejo, a obsessão e o medo, até se deixarem levar por uma paixão arrebatadora e descobrirem uma intimidade rara que temem nunca mais encontrar. 

Chama-me Pelo Teu Nome não é só uma história intemporal, é também uma análise franca, bela e dura sobre a paixão – como agimos, pensamos e sentimos. Uma elegia ao amor e um livro inesquecível.

Rating: 3/5
Comentário: Independentemente de gostarem ou não deste livro, é daqueles que de entranha na pele e todos o comentam. Confesso que já o terminei há algum tempo mas precisei de o processar para escrever uma opinião articulada. Como disse, as reacções tendem a ser antagónicas, mas quando o terminei senti que não estava para o oito, nem para o oitenta (e como tal, compreendia o porquê do livro ser acarinhado mas concordava também com os argumentos de quem não ficou fascinado pelo mais recente livro de André Aciman publicado em Portugal). Por isso mesmo senti necessidade de procurar um e outro lado da fasquia para discuti-lo.
"Chama-me pelo Meu Nome" recolhe-nos para os verões em Itália na década de 80, e é em parte uma personificação do idílico de verão que todos tivemos um dia (se é que ainda não o mantemos): os ares mediterrânicos, a praia e a gastronomia, o prazer de comer enquanto se sente o sol na pele, o enrolado do idioma italiano saboreado numa terra pequena, onde a familiaridade permite o aconchego do regresso mas é também um policiamento de condutas (contrariadas pelos nichos das falésias na praia e recantos junto a arvoredos e pomares). Sente-se o calor, o "dandismo",  o calcorrear despreocupado que só o verão pode pedir.
A isto acrescente-se o facto da família de Elio, o protagonista de 17 anos, pertencer ao mundo académico das Humanidades. Esta camada traz-nos todas as nuances da arte, da exploração dos idiomas, do conhecimento de escritores, filósofos, pintores e escultores, da música e da História, tudo inter conectado em conversas debaixo de lua pelo serão fora. Conseguem recriar a imagem?
É neste contexto que Elio nos apresenta quem é, como interage com o seu ambiente e quais são as angústias, tão adolescentes mas também adultas, que convulsionam o seu bem-estar.
Antes de enveredar pela análise do enredo principal, queria abordar o estilo do autor. É extremamente sensorial e cheio de nuances, apelando a todos os sentidos que temos através do canal da imaginação. Em algumas passagens achei-a quase que poética, lírica, e dedilhada com minúcia e delicadeza.
Dei por mim várias vezes enlevada, a seguir o raciocínio do autor quase que desligada da realidade. O problema é quando esse embalar era quebrado por algum calão pontual ou pelos pensamentos do Elio, que repentinamente se tornavam retorcidos para mim e até a meu entender desnecessários para o construir da narrativa.
Como a sinopse já subentende, vamos falar de amor, ou é essa a intenção de Aciman. Pegando no pressuposto que duas pessoas diferentes e de idades diferentes podem encontrar-se no momento certo e desenvolver um momento apoteótico e de enorme respeito e amor entre si, o autor traz-nos o desenrolar da relação de Elio e de Oliver, um académico convidado pelos pais do rapaz para passar uma temporada na sua casa e progredir o seu projecto de doutoramento.
Apesar de todo este nível de abertura, não é possível esquecer que o enquadramento temporal é a década de 80 em Itália, e numa Itália rural apesar de todos os pressupostos mais boémios e culturais que possam estar associados  à sua casa, mas que não seguem os padrões da comunidade local. O que perfaz que ao mesmo tempo que o discurso  impute uma incitação à liberdade, à descoberta da paixão e da sensualidade, também existe um elemento castrador, até imposto pelo próprio Elio.
Em muitas passagens, pela forma quase venérea como é escrito, deu-se-me muitas vezes a sensação de estar a ler uma fantasia reprimida, autobiográfica, uma paixão não realizada do autor. A não ser verdade, a intensidade da narrativa só revela ainda mais mestria.
Mas se tudo é positivo, qual o motivo porque disse entender as opiniões menos boas? Porque me apaixonei por tudo no livro, menos pelo que lhe dá forma - o romance, que para mim tem tudo menos romance.
Não sei se o desalento tenha a ver com estar na cabeça de um rapaz de 17 anos, ou se porque sempre fui uma pessoa mais de amores maduros e duradouros do que de paixões avassaladores e vorazes. Provavelmente teria preferido muito mais ouvir a voz do Oliver e conhecer os seus dilemas interiores porque as nuances que nos são transmitidas da sua personalidade despertam o interesse. Já Elio revela-se somente obcecado, de uma forma de ronda ali uma enorme instabilidade que não me convence como um comportamento normal ou padronizado de um adolescente da sua idade.
Senti falta da construção da relação, dos momentos passados a dois a estabelecer a intimidade, já que esses são referidos como factos mas não explorados ao momento, deixando em evidência a entrega à paixão e à vida sexual, mas de uma forma pujante que inibe o restante universo. O que não seria um problema tratando-se de um caso de verão, mas a história é sempre vendida pelo autor e pelas suas personagens como um amor, que com os seus contornos se prolongou para a vida, à sua maneira.
É precisamente por causa disso e de uma certa imiscuição no texto de um tom de incumprimento, frustração e saudosismo de um momento perdido ou que nunca aconteceu, que revejo uma vontade do autor em encontrar algo perdido, um voto de retratação com o passado. Talvez por isso não tenha dado tanto espaço na narrativa para os momentos do quotidiano e da sua vivência em férias, uma vez que os factos vividos já encaixam no seu puzzle interior, evidenciando as peças soltas que lhe faltavam para terminar a sua narrativa interior. Quer tenha sido um projecto de auto conhecimento e introspecção ou não, a história por si não me convenceu.
De qualquer forma, todos me dizem que o livro é um bom complemento ao filme (embora geralmente devesse ser o contrário) pelo que aguardo vê-lo em breve e ver se já me rendo mais à história de Elio e Oliver.







Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Opinião: Os Falsários, de Bradford Morrow



Os Falsários
de  Braford Morrow
 
Edição/reimpressão: 2017
Páginas: 264
Editor: Clube do Autor
  





Sinopse: 
Na tradição dos policiais de Agatha Christie e Arthur Conan Doyle, um romance misterioso e profundo sobre o fascínio do colecionismo e o lado sombrio do comércio de livros raros.

O que acontece quando mentimos tão bem que perdemos a noção do que é real? Numa prosa magnificamente cuidada, Bradford Morrow traça uma linha débil entre o devaneio e a intuição, a memória e a ficção autoilusória, entre o amor verdadeiro e o falso.

Uma comunidade bibliófila é abalada com a notícia de que Adam, um colecionador de livros raros, foi atacado e as suas mãos decepadas. Sem suspeitos, a polícia não consegue avançar no caso, e a irmã procura desesperadamente uma pista.

Ao longo das páginas repletas de mistério e simbologias, escritores famosos e citações brilhantes, Will, cunhado e colega de profissão de Adam Diehl, tenta obter uma resposta e, ao mesmo tempo, escapar às ameaças do misterioso «Henry James». Consciente do simbolismo do caso, ele sabe que um homem sem mãos se vê privado do instrumento mais precioso quando se trata de imitar a caligrafia de William Faulkner, James Joyce, Conan Doyle e outros que tais. Na verdade, Will, ele próprio genial falsário, talvez saiba demais.

Rating: 3/5
Comentário: Vamos começar pelo elementar: não acho que "Os Falsários" seja um livro para todos. Mas quem gostar do género, vai deixar-se embrenhar pelo enredo, não tanto pela acção mas mais pela teia que é montada.
Nunca li Agatha Christie, por isso não tenho elemento de comparação, mas o que posso dizer é que embora esta história se inicie com um crime, rapidamente se transforma num livro de memórias do narrador, que utiliza o crime como ponto de partida para enunciar a sua história, assim como definir os caminhos que o ligam a esse acontecimento (neste caso, pelo facto de conhecer a vítima).
Ainda assim, há sempre a nuance de mistério porque o crime, por si bastante estranho, vai sendo alvo de debate e exploração fugidia ao longo de todo o romance. É certo que a determinada altura há uma quase certeza da origem e razão do seu desfecho, mas ainda assim aguarda-nos sempre um elemento que induz a insegurança de se estar a ser precipitadamente rápido a julgar a evidenciar juízos de valor.
Outra coisa de renome é o amor aos livros, que é evidenciado de diversas formas e por diferentes personagens, o que só transmite que este é também um objecto de apreço para o autor.
O mundo das falsificações das obras de arte é sempre interessante para quem gosta de livros e que, ainda que não sendo bibliófilo no sentido mais lato, tem interesse em perceber o objecto e colecção e qual a sua validade e interesse no seio do mercado dos livros raros.
Existe na mesma o misto de mistério e de uma certa latência lânguida que o arrasta, o coloca num sfumato que nunca o tira de cena mas também não o traz para o plano principal da acção, e cujo desenvolvimento é paralelo, contínuo, e explorado quanto baste até que a terminologia da cadência narrativa traga novamente o crime para a ribalta.
Sendo um livro de quase memória e com um cunho tão pessoal, "Os Falsários" contam uma história passada, completa, sem grandes sobressaltos ou composições rápidas como as dos thrillers actuais. Mas traz a capacidade de desvendar um mistério ao decompô-lo por partes, de forma a analisar o todo, e de descobrir a lógica por detrás da engrenagem. É assim um livro muito mais intelectual ou de análise crítica, mas óptimo para quem se julga à altura de um bom mistério.


 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Opinião: A Ilha das Quatro Estações, de Marta Coelho



A Ilha das Quatro Estações
de  Marta Coelho
 
Edição/reimpressão: 2017
Páginas: 424
Editor: Clube do Autor
  




Sinopse: 
Aqui não são permitidos telemóveis, computadores nem tablets. Só te resta viver. Onde todos os sonhos são possíveis.
Este é o livro com que todos os jovens se conseguem identificar, uma história atual e relevante sobre os receios, as paixões, as fragilidades e a força de quatro jovens à procura de um novo rumo.
Cat sentia-se sem rumo e não queria ver ninguém.
Tiago só desejava poder voltar a viver como antes.
Misha isolara-se do mundo à sua volta.
Rute precisava de vencer uma batalha muito dolorosa.
Os seus caminhos cruzam-se na ilha e, juntos, preparam-se para enfrentar os seus demónios pessoais. Mas há quem tenha outros planos para eles… Será que a tua vida pode mudar quando tudo parece correr mal?


Rating: 2,75/5
Comentário: "A Ilha das Quatro Estações" foi lido durante o verão, em plena época de praia e calor, como a capa do livro aludia. Esta sinopse prometia, especialmente porque criava uma aura de mistério, um livro de acção, descoberta, e muitos segredos para ser desvendados.
O que me seduziu foi o contexto e ambiente do livro. A ilha isolada, como "centro de recolha" de adolescentes com vidas ou passados problemáticos, a proibição de contacto com o mundo exterior, o desafio de serem colocados à prova perante os seus temores individuais... Passada a leitura, esta ilha continua a parecer-me interessante, mas muito pouco explorada. O facto de turistas circularem pelo mesmo espaço dos jovens e de não se aprofundar o funcionamento do programa e a assimilação da presença de dois públicos separados (para além de uma explicação relativamente às tarefas diárias dos participantes) soou-me a pouco.
As personagens são engraçadas, e apreciei o facto de serem abordados temas tão diferentes como a perda, a violência doméstica, a depressão e o stress pós-traumático. Ainda assim, acho que qualquer uma destas valências merecia um maior destaque em detrimento do romance, que acabou por ocupar um espaço excessivo no enredo, pelo menos ao nível da sua representação.
Algumas das relações com as personagens secundárias pareceram-me um pouco inverosímeis, e apesar das interacções daí resultantes contribuírem para o desfecho (que de alguma forma, já esperava mas fiquei satisfeita por ver acontecer) senti-as um pouco montadas sem grande estrutura.
Este grupo de adolescente ganha por não funcionar segundo uma tipologia padrão, com espaço para definirem características individuais e crescerem à medida que as páginas vão avançando, e espera-se que o próximo livro lhes fala jus e ajude a delimitar ainda mais a sua individualidade.
Por fim, não deixa de ser um livro leve e que se lê rapidamente, com potencial de entretenimento. Infelizmente não me senti rendida a 100%, porque procurava algo diferente (isso ou cada vez mais não me encaixo neste discurso adolescente). Ainda assim, julgo que Marta Coelho venha a gastar espaço no género Young-Adult em Portugal e vejo-a a encaixar-se num registo que siga a minha linha da Maria Teresa Maia Gonzalez, embora com uma abordagem mais leve.



 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Opinião: Imaculada, de Paula Lobato Faria



Imaculada
de Paula Lobato Faria
 
Edição/reimpressão: 2017
Páginas: 312
Editor: Clube do Autor
  



Sinopse: 
Esta é uma história inspirada em acontecimentos reais em que a dualidade de ser e de parecer, da lealdade e da traição, do amor e da obrigação nos leva a caminhos imprevisíveis.

Portugal, 1956
Tempo da ditadura de Salazar, da censura e da PIDE. Numa família da alta burguesia, no interior do país, o lema "Deus, Pátria e Família" é sagrado. Mas a vida estremece quando na casa dos Correia bate à porta o amor e o desejo de liberdade.

«Apenas um por cento é baseado em memórias e todo o resto na imaginação, mas muitos leitores vão aqui identificar pessoas que conheceram durante a vida, pois os personagens desta trama são gente comum, de carne e osso», avança a autora nas primeiras páginas do romance.
Booktrailer:  https://www.facebook.com/clubedoautor/videos/1359235020779654/

Rating: 3,5/5
Comentário: Parece algo improvável para uma geração que nasceu depois do período do Estado Novo, por muito que este lhe seja descrito, a constatação da ignorância feminina, crescida e educada para existir somente numa bolha de moralidade e bons costumes. No entanto, a vivência pessoal com uma mãe educada pelos avós, cuja correspondência de costumes não se afastam muito dos rectratados aqui neste livro, fez com que a aproximação da ficção à realidade fosse bastante persuasiva.
Cristiana é sem dúvida uma jovem mulher, rodeada das expectativas da família, da sociedade, e de uma vivência já determinada antes dela poder expressar intenções e/ou sentimentos. É também o confronto entre os seus desejos mais íntimos e as possibilidades que lhe são negadas, o retracto de época em meio rural e portanto ainda mais fechado que os locais cosmopolitas, que torna este livro uma leitura de análise e interesse sobre um período da nossa História tão recente, e que ainda assim já há quem o faça por esquecer.
Esse foi sem dúvida o aspecto que mais me atraiu neste livro. A apresentação dos valores sociais e pessoais mediante variados momentos e situações, nas nuances e testemunhos entrelaçados que, ainda que não preponderantes, não deixam de estar presentes para um olhar mais atento. São um ponto forte, uma crítica velada, mas acima de tudo uma análise clara de um momento da nossa vivência enquanto portugueses.
É inevitável não ver a cultura de elevação ao elemento masculino, onde mães, noivas e mulheres em geral consideram os homens que as rodeiam como seres de plenitude, fechando os olhos a falhas e a pecados. Elas, que muitas vezes são as primeiras a apontarem defeitos a si e a outras, num julgamento constante pela elevação moral.
O estilhaçar da moldura perfeita foi conseguido de uma forma delicada mas acutilante, batendo nas articulações certas e revelando ponto a ponto as fragilidades de uma construção societal corrompida por um sistema político, por uma energia de controlo entre pares, e uma presença acérrima dos valores católicos.
Quanto ao romance em si, a Cristiana não é de facto  uma personagem fácil de encarar, mesmo que entendendo a proveniencia da sua ingenuidade. Mas é sentida a sua compreensão do mundo e o abrir de amplitudes que lhe chega com o avançar da trama.
 Quanto ao galã, surge como o sedutor acalorado, com uma preserverança e constituição indutora de novos pensamentos, mais modernos, democráticos, vanguardistas e justos; ao fim ao cabo, a chave de Cristinana para um mundo novo. A exploração do romance ter-me-ia sido mais interessante se o casal não tivesse tido um encantamento quase que platónico e instantãneo (ou não fosse eu pouco crédula nestes ditames do amor) e todo o seu diálogo demasiado romantizado e irrealista para mim. Julgo que tivessem eles travado conhecimento mais prolongado, ou pudessemos ter assistido a mais momentos de convivência que este romance poderia ter sido mais estruturado.
Por fim, não sei se esta era ou não a intenção da autora, mas o fim deixa indícios de que poderá existir uma continuação, e a ser verdade, estou bastante curiosa para saber o desfecho destas personagens, numa sociedade pós-25 de Abril, e com novos desafios e exigências.
Apesar dessa situação, gostei bastante do enredo, vi-me envolvida até à última página e terminei-o em dois dias. Fica a sugestão para uma leitura de verão.

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Vencedores: Os descendentes de Merlin - A Lenda do Conde Drácula, de Rita Vilela (Clube do Autor)

Já sorteamos os vencedores do nosso passatempo "Os descendentes de Merlin - A Lenda do Conde Drácula", de Rita Vilela (Clube do Autor)

1) Filomena Maria [...] de Sousa de Vila Nova de Gaia 

2) Ana [...] Domingos de Agualva 

3)Diana [...] de Brito de Vila Nova de Anha 

Parabéns às vencedoras! A editora já foi notificada e os vossos livros seguirão em breve pelo correio!

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Opinião: Os descendentes de Merlin - A Lenda do Conde Drácula", de Rita Vilela


Os descendentes de Merlin - A Lenda do Conde Drácula
de Rita Vilela


Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 432
Editor: Clube do Autor




Resumo:
Depois de muitas aventuras e descobertas protagonizadas pelo grupo que já conhecem dos livros Os Guardiães dos Manuscritos Mágicos, A Dama do Lago e Heróis do Mar, eis mais um desafio que transportará Lina e os seus três fiéis amigos para outras eras. Mas será que têm coragem para iniciar mais esta viagem?
Muitas são as surpresas que estão reservadas àqueles que invadem as terras do Conde Drácula em busca de respostas mas só os verdadeiros guerreiros serão capazes de seguir em frente.



Rating: 2,75/5

Comentário: Aventuras e adolescentes representam a fórmula mágica dos livros da minha infância, ou não me tivesse iniciado no mundo da leitura através d' Os Cinco. Uma Aventura, Clube das Chaves, Os Super Quatro, o Bando dos Quatro, Detective Maravilha, Viagens do Tempo.. li-os todos e todos engrandeceram muitas horas entre aulas e nas férias. E é por esse motivo que me entusiasmei por ver mais um livro de Rita Vilela publicado. O facto de haver continuadamente novas histórias a surgirem no mercado para os mais novos só pode ser benéfico, especialmente porque estas acompanham um toque de modernidade que as insere no seu tempo actual.
"A Lenda do Conde Drácula" é o quarto volume da colecção "Os descendentes de Merlin", que em cada volume acaba por abordar quase que uma aventura temática. Optei por lê-lo por altura do Halloween, exactamente quando este me chegou a casa, por não ter nada mais indicado para celebrar a ocasião.
Há uma série de pequenos elementos que me agradaram neste volume. Uma viagem atribulada que desmistifica uma Europa de há 20 anos para a presente, um grupo de miúdos com personalidade própria e diferenciada e curiosidades sobre diversas temáticas são os pontos fortes em que se baseia este exemplar. No entanto, julgo que a autora terá de acertar no discurso incutido à narrativa. Sendo juvenil, mas já com personagens na universidade a aproximarem-se da idade para o fazer, muitas vezes ouvi nas suas vozes jovens de 14 anos e essa discrepância fez-me alguma confusão na leitura do panorama geral. Há outros pequenos pormenores respeitante à narrativa que acompanha todos os livros e se mantém constante que por vezes se torna peculiar. Julgo que os jovens hoje em dia são cada vez mais difíceis de convencer, mesmo quando se trata do mundo fantástico e as respostas para as suas perguntas poderão ficar um pouco mais claras ao longo dos próximos volumes e à medida que se for desvendando o mistério. E julgo que os adultos terão de ter uma voz mais adequada futuramente, uma vez que surgem pouco credibilizados.
A narrativa do Drácula, ainda que confesso que não foi a que esperava, foi a que me divertiu ao longo de toda a narrativa, e o livro poderia ter sido somente dedicada a ela. Com um toque de mistério e aventura, despertou a curiosidade para o desenrolar da acção até ao fim e manteve-me atenta aos próximos procedimentos das personagens.
Julgo que estão plantadas as sementes que poderão reforçar uma narrativa de sucesso nos próximos volumes, e aguardo por ver estas personagens amadurecerem à medida que são confrontadas com os próximos desafios e o com o que eles possam ou não comprometer na protecção nos descendentes de Merlin!
                                          

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Passatempo: Os descendentes de Merlin - A Lenda do Conde Drácula, de Rita Vilela (Clube do Autor)

 
Sinopse
Depois de muitas aventuras e descobertas protagonizadas pelo grupo que já conhecem dos livros Os Guardiães dos Manuscritos Mágicos, A Dama do Lago e Heróis do Mar, eis mais um desafio que transportará Lina e os seus três fiéis amigos para outras eras. Mas será que têm coragem para iniciar mais esta viagem?
Muitas são as surpresas que estão reservadas àqueles que invadem as terras do Conde Drácula em busca de respostas mas só os verdadeiros guerreiros serão capazes de seguir em frente.



Com a parceria do Clube do Autor, vamos voltar a animar as leituras dos mais novos! "Os Descendentes de Merlin - A Lenda do Conde Drácula" é o 4º volume de uma saga bastante agitada de Rita Vilela, que aborda as aventuras de um grupo de amigos ao longo dos mais variados cenários. Do universo dos Templários, agora passamos para as terras do Conde Drácula e vamos ter a oportunidade de vos ofertar não um, não dois, mas três exemplares  deste livro. Para que os mais novos possam relaxar entre testes e actividades curriculares, não deixem de concorrer! Boa sorte!


 Regras do passatempo
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 31 de outubro de 2016.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor/a) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só serão aceites uma participação por pessoa.
 4) O/A vencedor/a será sorteado/a de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por email.
5) O Encruzilhadas Literárias e/ou a editora não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT nas encomendas enviadas.




segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Opinião: Ondas de Calor, de Richard Castle



Ondas de Calor

de Richard Castle
 
Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 280




Resumo:  
No meio de uma vaga de calor, Nikki tem um desafio pela frente: desenredar o nó que lhe permitirá desvendar os segredos dos mais poderosos e decidir o que fazer perante a faísca escaldante que surgiu entre ela e Rook, o jornalista presunçoso e bem-parecido com a mania de que é polícia, que a acompanha nesta investigação.
  
Rating: 3/5
Comentário:   
A opinião que se segue pode conter alguns spoilers (embora não o sejam de facto para os fãs da série)
Em primeiro lugar, agradecemos ao Clube do Autor o envio deste exemplar para leitura e opinião isenta!
Castle é uma das poucas séries que ainda vou tentando acompanhar na actualidade. Sendo uma série criminal, como habitualmente gosto, mas especialmente pautada por humor, o escritor-detective nas-horas-vagas conseguiu conquistar-me com a sua boa disposição e confesso que até é por causa das suas teorias mirabolantes e da relação com a família e com os colegas de trabalho que continuo a acompanhá-la com regularidade. 
Essa essência é passada sem tirar nem pôr para Ondas de Calor, o primeiro livro da colecção Nikki Read, o que lhe confere toda a essência Castle que seria possível captar.
Para facilitar esta opinião, vamos pressupor que Castle é um autor de carne e osso e tal e qual a personagem que nos entra em casa pelo ecran através do AXN e que este livro foi genuinamente escrito por ele. 
Nesse sentido, diria que a Detetive Kate o deveria processar, porque mais que musa inspiradora, as aventuras de Nikke Read são totalmente autobiográficas, com uma pontinha de ficção e de concretização das fantasias do autor. Se retirarmos uma filha e trocarmos a profissão de jornalista pela de escritos, Rook (Castle) é igual a ele próprio. Fanfarrão e com gosto pela ribalta, com um sentido de justiça e respeito pelo próximo, bon vivant e conhecedor dos prazeres da vida, mas também vontade de partir para a acção e deter conhecimento (vasto) sobre tudo o que se passa à sua volta (ou não fosse poder todo o seu conhecimento e contactos imprescindíveis). 
A relação com Nikki (pelo menos no que respeita às primeiras temporadas) e com os Roach (e as suas piadas são mordazes mas geniais) é exactamente igual à da série, o que se poderia tornar aborrecido, não fosse o  facto de para mim esse ser o ponto forte da série, e logo do enredo. Apesar de tudo, os diálogos não são replicáveis e correspondem unicamente ao livro e ao caso que está a ser analisado, pelo que a esse nível, facilita um certo desprendimento do original para que nos foquemos exclusivamente no livro diante de nós. 
Outros elementos também se repetem: o assassinato da mãe de Nikki, a mãe excêntrica e actriz de Rook, a médica-legista amiga de Nikki, entre outros pequenos pormenores, que criam a ponte entre ecrã e página.
No que respeita à acção principal, o crime que despoleta a acção ao longo do restante livro é maioritariamente um jogo de pistas e dispensa de suspeitos, ao estilo do cluedo. Com alguma acção, mas não o suficiente para para nos deixar sem fôlego, centra-se no intelecto do/a leitor/a e foca-se em fornecer elementos que possam formar o puzzle cujo resultado desvendará o mistério. Neste sentido, apesar de uma panóplia de potenciais suspeitos e das interligações existentes entre eles que criaram um enredo interessante, cheguei facilmente ao/à culpado/a (não quero revelar a verdadeira identidade de quem for e estragar a vossa leitura). Poderia ter sido melhor construído nesse sentido e criar um motivo mais plausível. No entanto, como muitas vezes até na série adivinho e não não é completamente possível disassociar os dois universos, não fiquei muito aborrecida. 
Por fim, a química entre Nikki e Rook é na minha óptica a frustração de Castle a funcionar, obrigando-o a criar mecanismos fantasistas mas que poderiam ser reais, onde a cumplicidade, a atracção e o magnetismo estão presentes em todas as páginas. Algumas cenas são até escusadas, mas imaginando quem as escreve e as alegorias utilizadas, torna-se até cómico. Ao fim ao cabo, é um homem apaixonado com o dom para a palavra mas que não as sabe colocar em seu favor para o que realmente lhe importa!
Ondas de Calor é por todos estes motivos um livro de entretenhimento para os fãs de Castle e da série, que pode ser lido por quem não a segue, embora não tenha certamente a piada completa dessa forma. É um livro indicado para o verão, uma leitura leve e bem-disposta e que se verá junto a várias toalhas de praia.  
 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Novidade Clube do Autor: Ondas de Calor, de Richard Castle



Ondas de Calor

 O primeiro romance de Richard Castle a passar da televisão a livro


Se está a pensar que o nome Richard Castle o recorda vagamente da popular série do AXN, Castle, tem toda a razão! O autor de Ondas de Calor é mesmo o escritor de livros policiais de sucesso que colabora com a polícia de Nova Iorque, em conjunto com a detetive Kate Beckett, na série televisiva. Este é o primeiro romance do autor a passar do pequeno ecrã para livro.


A história não podia ser mais escaldante. Ou não fosse ela protagonizada pela sensual e decidida Nikki Heat, personagem inspirada em Kate. No meio de uma vaga de calor, a detetive tem um duplo desafio pela frente: desenredar o nó que lhe permitirá desvendar os segredos dos mais poderosos e decidir o que fazer perante a faísca escaldante que surgiu entre ela e Rook, o jornalista presunçoso e bem-parecido com a mania de que é polícia, que a acompanha nesta investigação. Será que esta dupla inusitada vai ser eficaz?

Richard Castle é autor de vários bestsellers, incluindo a série Derrick Storm, tendo já sido distinguido com o prémio Tom Straw Award for Mistery Literature.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Novidades: Clube do Autor

A editora Clube do Autor prepara-se para publicar dois novos livros destinados ao público juvenil. 

A partir do final deste mês chega às livrarias o segundo volume da coleção Os descendentes de Merlin, de Rita Vilela, autora que se prepara para apresentar A dama do lago na Feira do Livro de Toronto, no Canadá. Depois de Os guardiães dos manuscritos mágicos, no novo livro os leitores acompanham a história de Guinevere, uma mulher de coragem e de palavra que se casou com Artur e se tornou rainha de Camelot, cumprindo assim o juramento que o grande mago Merlin a forçara a fazer. O Palácio Nacional de Mafra, o Convento de Tomar, a Biblioteca da Ajuda, Paris e a sua emblemática Torre Eiffel são alguns dos cenários da nova aventura de Rita Vilela, uma das escritoras portuguesas mais profícuas na área infanto-juvenil e autora de vários livros recomendados pelo Plano Nacional de Leitura. 

Já em Setembro fica disponível mais uma aventura da famosa família Macedo criada por Odette de Saint-Maurice. As meninas do andar de cima, sétimo livro da coleção recuperada pelo Clube do Autor, centra-se nas peripécias da família que vive no andar por cima do da família Macedo. No andar de cima vive o casal Abegorim e as quatro filhas: Lili, a mais velha, de 24 anos, a altiva; Mirita, a inquieta; Rita, a rebelde, e Rosarinho, a meiga. A agitação e as peripécias das meninas do 4º andar traduzem a atmosfera de raparigas com problemas e personalidades distintos mas cujas experiências e descobertas se mantêm surpreendentemente actuais.


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Novidade: Ofélia, de Julieta Arroquy

Ofélia
de Julieta Arroquy
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 96
Editor: Clube do Autor

O universo feminino com humor e perspicácia

A nova heroína do mundo das histórias de banda desenhada
finalmente em português

A Ofélia é uma mulher confiante, insegura, doce, sarcástica, apaixonada, descrente, sonhadora, pessimista, doce, corrosiva. No fundo, um poço de contradições.
No fundo, como todas nós.
 
Ana Garcia Martins, autora do blogue A Pipoca Mais Doce
 
Ofélia é um livro que navega pelo tão analisado e explorado universo das mulheres, sem evitar o campo minado de clichês como se fossem uma praga, mas reflectindo sobre esses lugares comuns com desenvoltura e tranquilidade.

Ofélia é para reler quando estamos tristes ou desanimadas, para partilhar com uma amiga, para deixar em cima da mesa da sala para delícia das visitas. É um livro cheio de ideias, de vivacidade, de verdades que todas pensamos, mas que nem sempre sabemos como dizê-las. É, antes de mais nada, um livro feliz. Um livro bonito e cheio de esperança. Necessário. Carinhoso. Amável para os olhos. Um livro que leva para o papel um hábito esquecido tanto nos blogues como nas prateleiras das livrarias: ler com um sorriso. Carolina Aguirre, guionista e escritora argentina

sábado, 11 de janeiro de 2014

Novidade: Paixão Proibida em Summerset Abbey, de T. J. Brown

 Os fãs da série televisiva Downton Abbey têm no novo livro de T. J. Brown mais uma oportunidade de reviver os usos e costumes da época vitoriana e os jogos de poder da aristocracia britânica. A autora inspirou-se na mesma época retratada na famosa série de televisão para contar as histórias de Rowena, Victoria e Prudence, três jovens à procura do seu lugar numa sociedade em mudança. O mundo prepara-se para uma provável guerra e os modelos sociais estão em convulsão.

Neste livro encontramos as três protagonistas em diferentes fases das suas vidas, cada qual com um segredo, cada uma sofrendo por razões distintas à medida que vão perdendo a inocência e decidem lutar pelo seu próprio destino. Além da forte componente histórica, tão elogiada no primeiro romance da autora, destaque também neste livro para a história das três jovens e o reafirmar da sua força e amizade.
  
Volume 1: As Mulheres de Summerset Abbey
Novidade: Paixão Proibida em Summerset Abbey

terça-feira, 19 de março de 2013

Opinião: Um Lugar Dentro de Nós, de Gonçalo Cadilhe

Um Lugar Dentro de Nós
de Gonçalo Cadlhe
Edição/reimpressão: 2012
Páginas:176
Editor: Clube do Autor
Resumo: Gonçalo Cadilhe é o autor deste livro e desta nota biográfica. Sou eu, portanto. Viajar pelo mundo e escrever sobre ele é a minha profissão. Sou um trabalhador dedicado e assíduo e em vinte anos nunca faltei um dia ao emprego. Tenho mais de 40 anos e amo Portugal — de preferência de longe e explicado a estrangeiros. Acredito no comboio, na bicicleta, no barco, na conversa, no copo de vinho e em outros meios de transporte que levam longe mas não têm pressa de chegar.
Nasci e cresci na Figueira da Foz, onde ainda vivo com a minha mulher e o meu filho. Dito desta maneira, parece que nunca saí da minha cidade. Não é verdade, mas mesmo que fosse bastavam algumas das reflexões que deixo neste livro para que me sentisse plenamente feliz com as viagens que nunca fiz.

Rating: 4/5 

Comentário: 
Existem várias formas de viajar, de sonhar acordado, de transpor barreiras inimagináveis através unicamente da vontade de fazer mais, da fome de mundo e de variedade. Existem diferentes formas de alcançar o sonho adormecido e de procurar a realização pessoal. E existem os mesmos lugares, que nos despertam de forma diferente, que nos levam a querer saber mais com curiosidade por questões diversas, que nos fazem ir em diante. Mas no fundo, por mais mundos e gentes que alcancemos, aquele que realmente descobrimos é só nosso e intransmissível. Em parte, este é também o mote que vem na capa deste livro: "Não importa onde a viagem te leva mas sim o que ela faz de ti".

Este não é um livro para se ler de seguida. Cada capítulo, cada fotografia valem só por si, e exigem portanto um período de reflexão - que vai muito além do acto de viajar, passando pela própria existência e pela vida em geral.  Que ao fim ao cabo, é a nossa primeira e última grande viagem. Percorre vários lugares, várias pessoas, vários elementos temporais também. Tem ainda umas imagens espectaculares no fim, que apelam definitivamente a voarmos para fora do quotidiano e a pensar no que é que gostaríamos de fazer diferente, que desafios temos de impor a nós próprios e o que procurar na eminência de um obstáculo.

No entanto, e dada essa natureza, a utilização de um discurso na segunda pessoa do singular torna-se algo invasiva, não criando a pretensão de proximidade e familiaridades que se pretendia.

De todos os livros de Gonçalho Cadilhe, este é sem dúvida o mais diferente, que coloca em análise os preâmbulos de um certo pensamento filosófico, sem realmente o ser. Merece ser lido, sem sombra de dúvida.

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.