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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Ler quando não nos apetece ler

Já todos tivemos alturas na nossa vida em que não nos apetece ler mas ao mesmo tempo apetece. Esta situação peculiar pode dever-se a vários factores, em mim, a causa mais comum é leitura em excesso. Isto é, quando leio muitos livros de seguida e não faço mais nada no meu tempo livre. Para a Cláudia, o comum é quando ela começa a sentir que está a ler por obrigação e não por gosto.
Quando isto acontece o que normalmente faço é parar de ler por uns tempos e concentrar-me noutros dos meus hobbies. Seja navegar na internet, ver filmes, séries ou simplesmente passear. No entanto, aqui há uns dias atrás encontrei uma lista de coisas a fazer quando nos encontramos nesta situação pelo utilizador bookprince.
Assim sendo, decidi partilhar esta lista convosco. Podem ler o artigo original aqui e ler a nossa versão traduzida/adaptada abaixo.


1. Relaxa
Não faz mal que não te apeteça ler! Fazer a mesma coisa, vezes sem conta torna-se aborrecido por isso não te sintas mal se não quiseres ler. Todos temos alturas em que não nos conseguimos embrenhar nos livros, ou em que simplesmente não nos apetece ler nada.

2. Lê um bestseller
Há um motivo pelo qual os bestsellers se chamam bestsellers. Há algo nesses livros que faz com que muitas pessoas os queiram ler, por isso não há nada como pegar num e tentar. Podes sempre dar uma vista de olhos à New York Times bestsellers list para dscobrir os últimos bestsellers.

3. Lê fan-fiction
Se não queres ler um livro inteiro, ou se te apetece ler mais daquele livro fantástico que acabaste de ler, não há nada como ler fanfiction. 
Ki: Existem milhares de sites onde se pode encontrar fanfiction e um dos mais usados/controversos é o fanfiction.net .

4. Re-lê um dos teus livros favoritos
Esta é uma boa ideia se queres retornar à leitura mas não pareces conseguir concentrar-te nas páginas. Como já conheces o enredo e as personagens é mais fácil deixar que as palavras fluam.  

5. Saí da tua zona de conforto!
E que tal ler um livro de um género diferente? Se normalmente só lês distópia YA e que tal tentar um livro de fantasia? Se adoras ler romance contemporâneo e que tal ler um livro de terror? Se tudo isto falhar e que tal ir a uma loja de caridade/feira de livros usados e trazer um livro completamente desconhecido e mergulhar de cabeça? 
 
6. Ouvir um áudio-livro
Os livros áudio podem ser comprados em várias lojas on-line, através do iTunes e do audible da Amazone. Existem também algumas bibliotecas nos quais os podem requisitar. Agora quer estejas a lavar a loiça, limpar a casa, à espera do autocarro ou a tentar adormecer só tens que ouvir. E se tiveres a sorte de apanhar um bom narrador verás como a história ganha vida.  
Ki: Pessoalmente adoro as adaptações da BBC, que no fundo são mais rádio novelas que leituras de livro, mas a vantagem é que trazem os sons todos e temos várias personagens em vez de apenas um narrador. Podem ler mais sobre audio-livros aqui.

7. Lê um livro pequeno
E que tal encontrar um livro mais pequeno que os que costumas ler ou um livro YA ou juvenil com uma acção rápida? Estes livros são normalmente mais fáceis de ler por isso lêem-se mais depressa fazendo com que rapidamente acabe a fase de não apetecer ler.  

8. Arranjar um companheiro de leitura
Telefona a um amigo e pergunta-lhe se não quer ler um livro ao mesmo tempo que tu (ou quem sabe até o mesmo livro). Se não tiveres amigos que leiam, existem vários grupos de leitura conjunta no GoodReads aos quais te podes juntar. Provavelmente vais querer acabar de ler o livro antes do teu amigo e isso vai-te impulsionar para leres mais depressa, isto não só vai gerar uma competição saudável como depois te vai dar alguém com quem comentares o livro (caso leiam o mesmo).
Ki: Podem clicar aqui para ver um dos grupos de leitura do GoodReads que conheço.

9. Criar um objectivo diário
Queres ler 50 páginas por dia? Ou talvez 20 minutos antes de aulas começarem ou ires para o trabalho? Talvez meia hora antes de dormir? Quer decidas ter um objectivo em páginas ou em tempo esta é uma maneira fantástica de te motivares e teres uma rotina de leitura.

10. Fazer uma pausa
Se estás mesmo cansado de ler e nada te ajuda de momento, faz uma pausa da leitura. Não precisas de ler 24 horas por dia, sete dias por semana, é cansativo, e além do mais já é fantástico que leias visto que muitas pessoas não o fazem. Faz algo diferente com o teu tempo livre, vê séries na televisão, escreve críticas a livros, vai passear num parque, aprende a cozinhar um bolo diferente. 
Não te sintas mal por não queres fazer algo que não te apetecem nunca te deverias sentir obrigado a ler, afinal a leituras só te beneficia a ti mesmo, mais ninguém.

domingo, 5 de maio de 2013

Rubrica: Darkness Take My Hand, de Dennis Lehane

Darkness, Take My Hand [Kenzie and Gennaro, #2 ]
de Dennis Lehane
Edição: 2006
Paginas: 512
Editora: Batman Books
Resumo:
A mais recente cliente dos detectives Patrick Kenzie e Angela Gennaro é uma proeminente psiquiatra de Boston receando uma aparente ameaça de membros vingativos da máfia irlandesa. Os detetives particulares sabem algo sobre a retribuição a sangue frio, tendo sido nascidos e criados nas ruas de Dorchester, ambos assistiram à escuridão que vive nos corações dos mais infelizes.
Mas algo extremamente perverso, para o qual mesmo eles não estão preparados, está prestes a atacar, assim como segredos há muito adormecidos estão prestes a entrar em erupção, desencadeando uma série de assassinatos violentos que irá manchar tudo - incluindo a verdade.

Rating: 5/5
 
Comentário:
Este livro é já o segundo que leio deste autor e quero começar desde já por salientar o quão brilhante é a escrita de Dennis Lehane.
Não são todos os autores que conseguem tão facilmente fazer com que o leitor consiga transpor as suas palavras para um filme mental, sendo que, a leitura de Darkness, Take My Hand não é excepção à regra, conseguindo excepcionalmente assemelhar-se verdadeiramente a ver um filme numa grande tela, capaz de levar o leitor a ficar preso à história rapidamente.
Os protagonistas, investigadores particulares Patrick Kenzie e Angela Gennaro, estão de volta com mais um caso em mãos, em que desafiam as suas próprias vidas e onde mais uma vez estão perante os actos horroríficos daquilo que o ser humano é capaz.
Como já referido, além da escrita fácil e expressiva, Lehane sabe perfeitamente como agarrar o leitor e levá-lo por uma onda de emoções, onde tudo ao início parece calmo, para depois se tornar num turbilhão de sensações e descobertas à medida que é atingido o clímax da história. Assim, algo que começa por parecer bastante inofensivo, acaba por se revelar um dos casos mais perigosos em que Kenzie e Gennaro alguma vez estiveram envolvidos. À medida que a investigação se desenrola, uma simples “ameaça” acaba por se revelar muito mais que isso, resultando em mortes extremamente violentas e actos de tortura desumanos, onde o principal sujeito é alguém que está preso há mais de vinte anos.
Cheio de suspense, mistério e acontecimentos extasiantes, o caso vai se tornando cada vez mais pessoal, remetendo para assuntos inacabados do passado, à medida que é traçado um jogo psicológico e perverso entre o gato e o rato, onde quem está a apanhar quem, toma um outro novo sentido.
O melhor deste livro é sem dúvida o quão empolgante a sua leitura se torna, esperando ser surpreendido a qualquer momento, e obviamente todo o percurso que leva a um final algo intenso. Patrick e Angela são também personagens que facilmente cativam o leitor, demonstrando uma química intensa entre ambos e proporcionando por vezes certos momentos cómicos que aliviam a pressão.
Sem querer revelar mais pormenores e detalhes mais fundos (caso contrário estragaria a mística deste tipo de livros), espero que as minhas palavras incitem o leitor a decifrar por ele próprio o que este livro tem para contar.
Acrescento apenas que para amantes de thriller psicológico Lehane é, sem dúvida, um dos peritos actuais na matéria e, Darkness, Take My Hand, o melhor livro seu que li até agora. Prometendo emoções ao rubro, é garantida uma incessante vontade de o devorar de uma só vez.


Soffs
Sobre a nossa convidada:

Sofs, sonhadora compulsiva, gosta de viajar por mundos novos através dos livros. Aspirante jornalista. Tem o estranho gosto pelo cheiro das páginas de um livro. Não sai de casa sem as suas leituras na mala.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Rubrica: A Vida Imortal de Henrietta Lacks, de Rebecca Skloot

A Vida Imortal de Henrietta Lacks
de Rebecca Skloot
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 416
Editor: Casa das Letras
Resumo:
O seu nome era Henrietta Lacks, mas os cientistas conhecem-na como HeLa. Era uma pobre assalariada numa plantação de tabaco, trabalhando a mesma terra do que os seus antepassados escravos. Mas as suas células - retiradas sem o seu conhecimento - tornaram-se numa das ferramentas mais importantes na Medicina: as primeiras células humanas «imortais» da ciência. Ainda estão vivas hoje, embora Henrietta tenha morrido há mais de sessenta anos. As células HeLa foram vitais para o desenvolvimento da vacina contra a poliomielite; contribuíram para os avanços médicos em relação ao cancro, aos vírus e aos efeitos da bomba atómica; ajudaram nas descobertas médicas importantes, como a fertilização in vitro, clonagem e mapeamento de genes; e, consequentemente, foram compradas e vendidas através de contratos multimilionários. No entanto, Henrietta Lacks permanece praticamente desconhecida.

Rating: 3,5/5

Comentário: 
HeLa. Uma pessoa comum, sem estudos na área da ciência, pouco saberá o que esta palavra significa mas esta talvez seja uma das maiores descobertas cientificas dos últimos anos.
A verdade é que ninguém pensa nas pessoas por detrás das descobertas cientificas, nos seus sentimentos e nos seus motivos. Afinal todos sabemos o que é a gravidade e como actua, mas porque estava Newton sentado debaixo de uma árvore? A teoria de Evolução é realmente fantástica mas porque embarcou Darwin numa expedição de 1 ano (se é que sabem que ele embarcou)?
Lembro-me de estar numa palestra sobre células cancerignas, a falar sobre a sua replicação e aplicações no dia de hoje quando a professora perguntou "se alguém sabia quem era Henrietta Larcks?".
Talvez seja embaraçoso confessar que numa turma de 400 alunos apenas um levantou a mão. Sem palavras,  sem dúvida devido ao choque, a professora desafiou-nos a ler o livro. Eu li. Percebi o porquê. E agora desafio a todas as pessoas a fazer o mesmo. Porque não é preciso ser cientista para ler sobre alguém que tanto fez pelo mundo. Este livro leva-nos a conhecer Henrietta Larcks e é só.
Rebecca Skloot muniu-se de perguntas e de uma vontade enorme de descobrir quem era Henrietta e conseguiu, ao longo das páginas deste livro, contar-nos a sua história como se a tivesse realmente conhecido, como se estivesse estado com ela. Para mim foi como ler um romance, uma história mágica e assustadora (um pouco como no cinema quando aparecem aquelas fatídicas letras que dizem "baseado numa história verídica") onde descobri quem foi Henrietta e o seu contributo para o mundo.
Sim, este livro leva-nos a conhecer Henrietta Larcks e é só. E no entanto, é ao mesmo tempo muito mais.



Gaby
Sobre a autora:

Companheira de aventuras de Hércules e conselheira da Taylor Swift, a Gaby divide o seu tempo entre ver filmes e ouvir música. De vez em quando lá pega num livro para ler, não porque não gosta mas porque finalmente achou algo que lhe interesse. É uma verdadeira groumet literária. Caso queiram saber mais sobre ela podem ver o seu tumblr aqui.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Rúbrica: Namora uma rapariga que lê!

Texto retirado do blogue "Jardim Assombrado". Os créditos originais foram deixados intactos no fim do artigo.

  "Namora uma rapariga que lê. Namora uma rapariga que gaste o dinheiro dela em livros, em vez de roupas. Ela tem problemas de arrumação porque tem demasiados livros. Namora uma rapariga que tenha uma lista de livros que quer ler, que tenha um cartão da biblioteca desde dos doze anos.
Encontra uma rapariga que lê. Vais saber que é ela, porque anda sempre com um livro por ler dentro da mala. É aquela que percorre amorosamente as estantes da livraria, aquela que dá um grito imperceptível ao encontrar o livro que queria. Vês aquela miúda com ar estranho, cheirando as páginas de um livro velho, numa loja de livros em segunda mão? É a leitora. Nunca resistem a cheirar as páginas, especialmente quando ficam amarelas.
Ela é a rapariga que lê enquanto espera no café ao fundo da rua. Se espreitares a chávena, vês que a espuma do leite ainda paira por cima, porque ela já está absorta. Perdida num mundo feito pelo autor. Senta-te. Ela pode ver-te de relance, porque a maior parte das raparigas que lêem não gostam de ser interrompidas. Pergunta-lhe se está a gostar do livro.
Oferece-lhe outra chávena de café com leite.
Diz-lhe o que realmente pensas do Murakami. Descobre se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entende que, se ela disser ter percebido o Ulisses de James Joyce, é só para soar inteligente. Pergunta-lhe se gosta da Alice ou se gostaria de ser a Alice.
É fácil namorar com uma rapariga que lê. Oferece-lhe livros no dia de anos, no Natal e em datas de aniversários. Oferece-lhe palavras como presente, em poemas, em canções. Oferece-lhe Neruda, Pound, Sexton, Cummings. Deixa-a saber que tu percebes que as palavras são amor. Percebe que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade – mas, caramba, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco com o seu livro favorito. Se ela conseguir, a culpa não será tua.
Ela tem de arriscar, de alguma maneira.
Mente-lhe. Se ela compreender a sintaxe, vai perceber a tua necessidade de mentir. Atrás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. Nunca será o fim do mundo.
Desilude-a. Porque uma rapariga que lê compreende que falhar conduz sempre ao clímax. Porque essas raparigas sabem que todas as coisas chegam ao fim. Que podes sempre escrever uma sequela. Que podes começar outra vez e outra vez e continuar a ser o herói. Que na vida é suposto existir um vilão ou dois.
Porquê assustares-te com tudo o que não és? As raparigas que lêem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Excepto na saga Crepúsculo.
Se encontrares uma rapariga que leia, mantém-na perto de ti. Quando a vires acordada às duas da manhã, a chorar e a apertar um livro contra o peito, faz-lhe uma chávena de chá e abraça-a. Podes perdê-la por um par de horas, mas ela volta para ti. Falará como se as personagens do livro fossem reais, porque são mesmo, durante algum tempo.
Vais declarar-te num balão de ar quente. Ou durante um concerto de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Pelo Skype.
Vais sorrir tanto que te perguntarás por que é que o teu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Juntos, vão escrever a história das vossas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos ainda mais estranhos. Ela vai apresentar os vossos filhos ao Gato do Chapéu e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos da vossa velhice e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto tu sacodes a neve das tuas botas.
Namora uma rapariga que lê, porque tu mereces. Mereces uma rapariga que te pode dar a vida mais colorida que consegues imaginar. Se só lhe podes oferecer monotonia, horas requentadas e propostas mal cozinhadas, estás melhor sozinho. Mas se queres o mundo e os mundos que estão para além do mundo, então, namora uma rapariga que lê.
Ou, melhor ainda, namora uma rapariga que escreve."

(Texto de Rosemary Urquico, encontrado no blogue de Cynthia Grow. Tradução “informal” de Carla Maia de Almeida para celebrar o Dia Mundial do Livro, 23 de Abril.)

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Rubrica: Ler devia ser proibido

"A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido. 
Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Dom Quixote e Madame Bovary.
O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.
Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram.
Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.
Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?
Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.
Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens.
Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.
Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.
Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.
O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlim-pim-pim, a máquina do tempo.
Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?
É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metros, ou no silêncio da alcova. Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.
Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.
Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.
Além disso, a leitura promove a comunicação de dores e alegrias, tantos outros sentimentos. A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.
Ler pode tornar o homem perigosamente humano."
~ Autor desconhecido

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Opinião: Rubrica: Memórias de uma Gueixa, de Arthur Golden

Edição/reimpressão: 1999
Páginas: 488
Editor: Editorial Presença
Resumo:
Quioto, anos 30. Sayuri tem olhos cor de espelho e é uma das mais famosas gueixas do Japão. Acompanha cidadãos japoneses abastados, enverga deslumbrantes quimonos de seda mas tem de pagar pela sua própria liberdade até conhecer um danna que a sustente e pague todas as suas despesas. Na sua vida, tal como na de todas as gueixas, não há lugar para o amor, mas Sayuri apaixona-se... Um romance ímpar e contagiante que demorou dez anos a escrever. 
Rating: 4/5
Comentário:
 Os agradecimentos estragaram tudo. Sim, acho que é uma bela forma de começar esta crítica!  
As Memórias de uma Gueixa começaram por ser uma pequena curiosidade desde que me foi falado. Primeiro, porque não sabia o que era uma Gueixa (e só o soube quando comecei a ler) e segundo porque continha uma mulher, lindíssima, na capa! 
Quando abri o livro e li a Nota Introdutória fiquei logo com a certeza de que este livro seria, sem dúvida, adquirido para a minha biblioteca pessoal! Pessoalmente, gosto imenso de livros que retratem a sociedade e a maneira de viver de alguém que, por norma, nunca tenha sido muito valorizado. As Gueixas, sempre foram vistas pelo aspecto e não pelo interior. Os homens nunca chegavam a conhecer verdadeiramente a mulher que se escondia por detrás de tanta maquilhagem (salvo as excepções, ou seja, mulheres que acabavam por deixar a vida de Gueixa para se juntarem com alguém). 
Como tal, era ignorado a quantidade de sofrimento, de suor, de lágrimas, de lutas e de conflitos pessoais que uma Gueixa continha desde que tinha iniciado a sua vida como criada e posteriormente o seu treino de Gueixa para se tornar uma mulher de renome. 
Neste livro, podemos ver como a vida de Sayuri não foi, de longe, uma vida fácil de se viver. Sayuri perde a família enquanto ainda é uma criança e acaba por ser vendida para se tornar Gueixa. Vê todos os seus sonhos a desmoronar e todas as suas esperanças a caírem por um precipício rochoso. 
Este livro dá-nos esperança e força para lutarmos contra tudo e todos, contra o mundo e os céus, sem que haja qualquer tipo de limites, porque não podemos viver uma vida que nos foi escrita e entregue por outrem, mas sim por nós próprios! 
Gostei imenso e aconselho a todos!


Alexandre.
Sobre o nosso convidado:

Alexandre Borges, composto por todas as letras e todos os sonhos do mundo. Gosta de atingir limites e de os ultrapassar. Atravessa mundos com os livros nas mãos e um sorriso na cara. Sites pessoais, já teve muitos, mas estes são os correntes.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Opinião: Rubrica: Cidades de Papel, de John Green

Cidades de Papel
de John Green
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 320
Editor: Editorial Presença
Resumo:
Quentin Jacobsen e Margo Roth Spiegelman são vizinhos e amigos de infância, mas há vários anos que não convivem de perto. Agora que se reencontraram, as velhas cumplicidades são reavivadas, e Margot consegue convencer Quentin a segui-la num engenhoso esquema de vingança. Mas Margot, sempre misteriosa, desaparece inesperadamente, deixando a Quentin uma série de elaboradas pistas que ele terá de descodificar se quiser alguma vez voltar a vê-la. Mas quanto mais perto Quentin está de a encontrar, mais se apercebe de que desconhece quem é verdadeiramente a enigmática Margot. Um romance entusiasmante, sobre a liberdade, o amor e o fim da adolescência.

Rating: 4/5

Comentário:
(Review da versão inglesa pois a 1/12/2012 ainda não existia em português)
Paper Towns foi o terceiro livro que li de John Green. Depois de ter lido A Culpa é das Estrelas e À Procura de Alaska, não podia deixar de ler todo o reportório deste autor fantástico.
Quando vi que a história rodava de novo à volta de um rapaz que se apaixona pela rapariga, percebi que Green não foge muitos ao tema nos seus livros. No entanto pelo título fiquei bastante curiosa para saber o que eram ao certo estas “paper towns”.
A personagem mais forte e a minha preferida deste livro é sem dúvida a rapariga, a enigmática Margo Roth Spiegelmen (apesar de a sua personalidade ser parecida em alguns aspectos com Alaska para quem já leu À Procura de Alaska), com o seu carácter aventuroso, despreocupado e carismático, que tem sempre algo em mente que não conseguimos bem compreender. Ela é o amor de Quentin Jacobsen, um rapaz simples e pouco popular, que Margo ignora desde os seus momentos de infância.
A parte que me fez gostar mais deste livro é o início, quando Margo entra pela janela do quarto do surpreendido Quentin, e o leva numa aventura genial pela noite dentro, feita de partidas hilariantes, com o objectivo de vingança aos seus “melhores” amigos.
A nossa curiosidade começa a crescer quando no dia seguinte Margo desaparece sem aparente rasto, deixando Quentin desesperado por encontrá-la.
O resto do livro vai centra-se numa “road trip”, em busca de Margo, com base numa série de pistas que Quentin acredita terem-lhe sido deixadas pela sua amada. Sempre na companhia dos seus dois melhores amigos, Ben e Radar, a viagem toma um caminho divertido, sempre com piadas cómicas por parte de Ben, outra das minhas personagens favoritas. À medida que se aproximam de Margo o conceito de “paper towns” vai tomando o seu sentido e faz-nos até refletir sobre a nossa vida real.
No entanto, na minha opinião esta viagem começa muito bem, mas acaba por se tornar um pouco aborrecida, quando parece que poucos avanços se passam e a busca de Margo não passa apena das lamúrias de Q, sobre o facto de achar que nunca mais vai encontrá-la.
No geral gostei do livro, especialmente por toda a criatividade que Green mete no conceito de “paper towns”, mas confesso que, sendo um livro deste autor, estava à espera de mais, especialmente o final, que sem revelar o que acontece, soube-me a pouco.


Soffs
Sobre a nossa convidada:

Sofs, sonhadora compulsiva, gosta de viajar por mundos novos através dos livros. Aspirante jornalista. Tem o estranho gosto pelo cheiro das páginas de um livro. Não sai de casa sem as suas leituras na mala.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Rubrica: A Culpa é das Estrelas, de John Green

A Culpa é das Estrelas 
de John Green 
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 256
Editor: Edições Asa
Resumo:
Apesar do milagre da medicina que fez diminuir o tumor que a atacara há alguns anos, Hazel nunca tinha conhecido outra situação que não a de doente terminal, sendo o capítulo final da sua vida parte integrante do seu diagnóstico. Mas com a chegada repentina ao Grupo de Apoio dos Miúdos com Cancro de uma atraente reviravolta de seu nome Augustus Waters, a história de Hazel vê-se agora prestes a ser completamente rescrita.
PERSPICAZ, ARROJADO, IRREVERENTE E CRU, A Culpa é das Estrelasé a obra mais ambiciosa e comovente que o premiado autor John Green nos apresentou até hoje, explorando de maneira brilhante a aventura divertida, empolgante e trágica que é estar-se vivo e apaixonado.

Rating: 5/5

Comentário:
Amei. E tudo tenho dito, nessa pequena grande palavra. 

A Culpa é das Estrelas é um livro, sem dúvida, para se adquirir e colocar na nossa biblioteca privada!
Quando ouvi falar sobre o que era a história, fiquei reticente, admito. Um romance entre dois adolescentes com cancro, bem, não posso dizer que me crie qualquer tipo de formigueiro. Mas quando comecei a ler.. wow! Está muito bem escrito e a história é sempre a fluir e não há tempos mortos. Cada letra é importante para a compreensão e para a continuidade da próxima letra. 

Hazel Grace e Augustus Waters são personagens cativantes e interessantes do ponto de vista da sua personalidade. Apesar de ambos sofrerem de cancro, ambos têm uma maneira diferente de ligar com tal.
Isaac foi, sem dúvida, a minha personagem favorita! Melhor amigo de Augustus e com cancro nos olhos, Isaac é uma fonte de forças e inspiração para mim!
Confesso que fiquei curioso para ler o famoso livro “An Imperial Affliction” escrito pela intrigante personagem Peter Van Houten. Infelizmente, o livro não existe. Mas, lágrimas não serão derramadas!
O fim do livro é um pouco previsível, mas acaba por não desiludir de maneira alguma. O facto de já ter convivido com pessoas que sofreram de cancro e que acabaram por falecer, fez-me dar ainda mais valor ao livro. Dá-nos uma boa perspectiva de como é estar na pele de alguém que sofre desta horrível doença.

Estou ansioso para ler mais livros do Autor, e aconselho vivamente a lerem! 



Alexandre.
Sobre o nosso convidado:

Alexandre Borges, composto por todas as letras e todos os sonhos do mundo. Gosta de atingir limites e de os ultrapassar. Atravessa mundos com os livros nas mãos e um sorriso na cara. Sites pessoais, já teve muitos, mas estes são os correntes.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Rubrica: Irmã, de Rosamund Lupton

Irmã
de Rosamund Lupton
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 370
Editor: Livraria Civilização Editora
Resumo:
Desapareceste. Vou à tua procura...
Quando Beatrice recebe um telefonema frenético a meio do almoço de domingo e lhe dizem que a sua irmã mais nova, Tess, desapareceu, apanha o primeiro avião de regresso a Londres. Mas quando conhece as circunstâncias que rodeiam o desaparecimento da irmã, apercebe-se, com surpresa, do pouco que sabe sobre a vida de Tess - e de que não está preparada para a terrível verdade que terá de enfrentar. A Polícia, o noivo de Beatrice e até a própria mãe aceitam ter perdido Tess, mas Beatrice recusa-se a desistir e embarca numa perigosa viagem para descobrir a verdade, a qualquer custo.
Rating: 4/5
Comentário:
 Irmã é um daqueles livros que não conseguimos parar de ler.
Para quem tem irmãos, como eu, é um livro que nos toca especialmente, visto que a autora consegue captar as emoções e passar para as letras o sentimento de desespero que qualquer pessoa sentira com o desaparecimento de um irmão.
Este livro não só é um policial como é também um livro sobre esperança. Beatrice, a irmã mais velha, é uma personagem captivante e com imensa força o que torna a leitura do livro muito fácil.
Apesar do seu sofrimento com o desaparcimento da irmã Beatrice não desiste e vai à procura desta. Certa de que a conseguirá encontrar. Uma daquelas personagens femininas fortes e raras que dá gosto de encontrar.
E ao longo do livro além de conhecermos Beatrice conseguimos, apartir dela, conhecer Tess, a irmã desaparecida. É através dos olhos de Beatrice,  a partir dos seus olhos de irmã que acabamos por descorbir tudo o que ela descobre durante a sua investigação e vivemos este livro tão singular com um final surpreendente.
Resumindo este é um livro que não vai deixar de surpreender ninguém, do inicio ao fim.


Gaby
Sobre a autora:

Companheira de aventuras de Hércules e conselheira da Taylor Swift, a Gaby divide o seu tempo entre ver filmes e ouvir música. De vez em quando lá pega num livro para ler, não porque não gosta mas porque finalmente achou algo que lhe interesse. É uma verdadeira groumet literária. Caso queiram saber mais sobre ela podem ver o seu tumblr aqui.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Rubrica: As Serviçais de Kathryn Stockett

As Serviçais
de Kathryn Stockett

Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 464
Editor: Saída de Emergência
Resumo:
Um romance que vai fazer de si uma pessoa diferente.
Skeeter tem vinte e dois anos e acabou de regressar da universidade a Jackson, Mississippi. Mas estamos em 1962, e a sua mãe só irá descansar quando a filha tiver uma aliança no dedo.
Aibileen é uma criada negra, uma mulher sábia que viu crescer dezassete crianças. Quando o seu próprio filho morre num acidente, algo se quebra dentro dela. Minny, a melhor amiga de Aibileen, é provavelmente a mulher com a língua mais afiada do Mississippi. Cozinha divinamente, mas tem sérias dificuldades em manter o emprego… até ao momento em que encontra uma senhora nova na cidade.
Estas três personagens extraordinárias irão cruzar-se e iniciar um projecto que mudará a sua cidade e as vidas de todas as mulheres, criadas e senhoras, que habitam Jackson. São as suas vozes que nos contam esta história inesquecível cheia de humor, esperança e tristeza.

Rating: 4/5

Comentário:
A história das serviçais ocorre durante o ano de 1962, no estado do Mississippi, numa altura em que se lutava pelos direitos civis na América e em que havia muito preconceito contra a raça negra.
Ao longo do livro acompanhamos o percurso de três mulheres que fizeram a diferença na sociedade. Skeeter acaba de sair da faculdade e o seu maior sonho é escrever, mas o único trabalho que consegue é num jornal a escrever uma coluna de assuntos domésticos. Isto leva-a a conhecer Aibellen, travando amizade com esta, pois Aibe faz-lhe lembrar a criada negra que a ciroi. Aibe é carinhosa e gentil mas solitárias pela morte do filho. A ideia de escrever algo polémico nasce desta amizade espontânea, e o assunto em questão era argumentar algo que incomodasse, mas este tema depressa evolui para uma ideia controversa: publicar um livro com relatos sobre as relações entre as criadas negras e as patroas, naquela altura, ou seja nos aos 60.
Mesmo apreensiva pelo que poderia acontecer se alguém descobrisse este relato, Aibeleen aceita esta proposta de Skeeter e ainda convence Minny a participar. Minny, também uma criada, e talvez com a pior patroa possível, é uma mulher sem papas na língua e concorda com a ideia do livro. É a partir destas três mulheres e com a ajuda de Martin Luther King, que naquela altura lutava pelos direitos dos negros, que o preconceito quanto às criadas negras iria ser batalhado e vencido.
Uma história muito bem escrita, onde se destacam as personagens, adorei a Skeeter, a Minny e claro a Celia, que me proporcionou várias gargalhadas, e adorei odiar a Hilly, que mulher mesquinha!! É um livro que aborda a questão do preconceito de uma forma humana, mostrando que são todos iguais.

Mafi
Sobre a nossa convidada:

Mafi, devoradora de livros, romântica incurável e futura historiadora de arte. Adora romances que aquecem o coração. Receia que um dia morra soterrada na pilha de livros por ler mas está sempre aberta a novas sugestões. Adoradora incurável de livros, é impulsionadora do grupo Maratonas Literárias no Goodreads.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Rubrica: Hush, Hush por Becca Fitzpatrick

hush, hush
de Becca Fitzpatrick

Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 320
Editor: Porto Editora
 
Resumo:
UM JURAMENTO SAGRADO
UM ANJO CAÍDO
UM AMOR PROIBIDO

Apaixonar-se não fazia parte dos planos de Nora Grey. Nunca se sentira atraída por nenhum dos rapazes da sua escola, apesar da insistência de Vee, a sua melhor amiga.
Então, aparece Patch. Com um sorriso fácil e uns olhos que mais parecem trespassar-lhe a alma, Patch seduz Nora, deixando-a completamente indefesa.
Mas, após uma série de encontros assustadores com Patch, que parece estar sempre onde ela está, Nora não consegue decidir se há de cair-lhe nos braços ou fugir sem deixar rasto.
Em busca de respostas para o momento mais confuso da sua vida, Nora dá consigo no centro de uma antiga batalha entre imortais. E quando é chegada a altura de escolher um rumo, a opção errada poderá custar-lhe a vida.

Rating: 3/5

Comentário: 
Este livro é um livro que me dá duas críticas possíveis a fazer: a positiva e a negativa.
Para começar, gostei do livro porque está muito bem escrito e a história, em si, é muito engraçada e cativante. A escrita é muito simples e não dá para nos perdermos. Como a Ki (Catarina) disse na crítica ao livro Errar é Divino de Marie Phillips: “A escrita de Marie Phillips é leve e simpática e podemos acompanhar a história como um filme na nossa cabeça”.
Em contrapartida, a maior parte dos acontecimentos são totalmente previsíveis, o que tira um pouco a piada ao livro, visto o suspense e aquela cousa que nos faz ficar agarrados a cada página para descobrir o que vai acontecer a seguir não existir. Não sei se é do facto de já ter lido muitos livros dentro do mesmo tema ou se é mesmo culpa da escritora. 
Aparte disso, acho que as duas personagens principais são um cliché enorme. Ela é a jovem vulnerável que não tem consciência da sua beleza e que tem boas notas. Virgem e sem um histórico de relações vai-se logo apaixonar pelo que aparenta ser o “mau da fita” da história. Este jovem acaba de ser transferido para a turma dela, nada cliché, portanto. Nada se sabe sobre o seu passado, veste-se sempre de preto, tem um ar perigoso e só se mete em locais não propícios para adolescentes, como ele. 
Ele, por amores por ela cai, por causa da sua inocência e da sua vulnerabilidade. Ela, por amores por ele cai, evidentemente, porque gosta de sentir o perigo que ele atrai e visto ele transmitir-lhe uma sensação de segurança, simultaneamente. Como podem ver, clichés. 
Acho, portanto, que a escritora podia ter arriscado mais ao criar as características destas personagens, de modo a colocar o leitor perante duas personagens que sejam únicas desta história, e não comuns a várias outras. Relativamente às outras personagens, digamos que fiquei fã da melhor amiga da personagem principal, espero que gostem tanto dela como eu. Acho que retrata bem o que é ser “melhor amiga”. 
Em suma, na minha opinião, se uma história é previsível, então não é “boa”. Mas, como gostei do enredo em si, como me cativei pelas personagens e como a escrita do livro é de tão fácil leitura, acho que o livro merece 3 estrelas em 5. E, se tiver acesso à continuação desta saga, irei ler.

Alexandre.
Sobre o nosso convidado:

Alexandre Borges, composto por todas as letras e todos os sonhos do mundo. Gosta de atingir limites e de os ultrapassar. Atravessa mundos com os livros nas mãos e um sorriso na cara. Sites pessoais, já teve muitos, mas estes são os correntes.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Abertura da rubrica "Convidado"

Após uma pequena troca de ideias, a Cláudia teve a ideia genial de abrirmos a rubrica "Convidado" no nosso pequeno blog!
A ideia é simples, pedimos aos nossos leitores, quer tenham blog ou não, que caso queiram ver os seus artigos expostos aqui no Encruzilhadas nos enviem um e-mail para aqui, com o artigo e os links para contacto.
Depois de uma pequena análise, se gostarmos do texto, o mesmo será publicado com menção ao blog/endereço de e-mail do escritor e serão marcados com a tag "convidada".

Resumindo:
O que é?
Um espaço onde iremos publicar textos ou opiniões dos nossos fantásticos seguidores.

Quem pode participar?
Todas as pessoas que sigam o blog e que tenham opiniões sobre algo haver com livros. Em casos especiais, se a pessoa não tiver um blog mas tiver um website, ScopIt ou Tumblr sobre livros a sua participação também será considerada válida.

Como se pode participar?
Para participar é simples, basta enviar o texto que querem que publiquemos para o nosso e-mail encruzilhadas.literarias[@]gmail.com com o título "Rubrica Convidado" no assunto. De momento a Cláudia é que está responsável pelo e-mail, por isso podem escrever o e-mail dirigindo-se a ela.

O que acontece em seguida?
Um e-mail será enviado a dizer que o vosso post foi seleccionado e a avisar da data em que o mesmo vai ficar on-line. Vão-vos ser pedidos também, uma mini-biografia, link para imagem de autor e nickname.

Como vai estar o meu texto diferenciado dos outros?
Ao contrário dos nossos textos que tem logo o título a rubrica convidado terá Rubrica escrito no assunto.
P.ex.: Rubrica: A vantagem de ter livros na mala
No local onde aparecer "escrito por", aparecerá escrito por Encruzilhadas, o post terá também a etiqueta Convidado/a e o vosso nickname (caso se tornem contribuidores frequentes).
No fim do post aparecerá um pequeno rectângulo com a foto do autor da rubrica, uma pequena bio e link para o blog e para o e-mail do mesmo. (Pedimo-vos que nos enviem o texto da vossa mini-bio, link para a imagem, e-mail e nome de autor)
P.ex: 

Quantos convidados vão existir por semana?
De momento estamos a pensar apenas ter um/a convidado/a da semana. E poderemos ter ou não todas as semanas, conforme também a nossa agenda.


Posso mandar mais que um texto?
Caso gostemos do vosso artigo e tenham mais que queiram publicar connosco, podem passar a ser Convidados Frequentes. Agradecemos no entanto que não mandem dois e três textos de cada vez, mandem um e se este for aprovado, mandem um e-mail a dizer que gostariam de ser Convidados Frequentes e analisaremos a vossa situação.

Pode ser um texto que já esteja no meu blog?
Pode sim, desde que garantam a vossa autoria. De qualquer forma, apelamos à criatividade e à originalidade. Caso seja pedido, poderá ser feita referência ao mesmo na nota biográfica.

Se não estiver já publicado no blog posso pôr o mesmo texto no meu blog?
O texto é vosso e não temos nenhum poder sobre ele. Podem por o texto no vosso blog mas seria interessante se pusessem um "como visto em" e "linkassem" para nós, visto o texto ter aparecido aqui primeiro.

Posso mandar uma imagem a ilustrar o texto?
Sim.

Há medida que perguntas forem surgindo, iremos aumentar este post para lhes responder! Por favor voltem a ler este post sempre que tiverem dúvidas, se a pergunta não tiver resposta mandem-nos um mail e nós teremos todo o gosto em responder!

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Como aprendi a gostar de ler

O artigo de hoje foi retirado deste site e não tomamos qualquer crédito por ele. Simplesmente achámos-lo deveras interessante e relevante para todos os pais que querem pôr os filhos a ler.

Como aprendi a gostar de ler com 11 atitudes simples de meus pais
por Alessandro Martins
Uma professora de português, na pós-graduação em Literatura Brasileira que faço na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), disse que é comum que mães questionem os livros indicados aos filhos, considerando-os muito complicados.
Pensei que uma boa idéia seria perguntar delicadamente a essa mãe que outros livros ela teria indicado durante todo aquele tempo antes de ele chegar às aulas de Literatura.
Os pais têm papel fundamental na formação dos novos leitores. A responsabilidade não pode ser jogada apenas nas costas dos professores na hora de ensinar a gostar de ler.
Eis algumas coisas que meus pais fizeram para que eu me tornasse amigo dos livros. Se você for pai ou mãe, espero que isso ajude.
  1. Presenteavam-me com livros – Quase toda semana eu ganhava um livro novo. Nas datas festivas, além de um brinquedo, eu ganhava um livro.
  2. Levavam-me às livrarias – Nada mais divertido e que chame mais a atenção de uma criança que a colorida seção de livros infantis. Ainda que ela seja pequena e desorganizada, como costumam ser as de ultimamente, para a criança tudo é grande, vasto e divertido.
  3. Levavam-me à biblioteca - Nem todo mundo tem dinheiro para comprar livros toda semana. Mas uma biblioteca tem uma quantidade enorme de livros à disposição. De graça. Lembro como ontem o dia em que meu pai me acompanhou quando fiz a minha carteirinha. Emprestei uma edição do Príncipe Valente.
  4. Associavam esses passeios a coisas divertidas – Uma ida à livraria ou à biblioteca era acompanhada sempre de um sorvete, uma passada na pastelaria ou um passeio no zoológico. Não precisa ser nada muito complicado. A leitura deve estar ligada a atividades prazerosas já que também é uma.
  5. Não tinham preconceito quanto a gibis - As histórias em quadrinhos são ótimas maneiras de iniciar a criança à leitura. Embora sejam uma forma de arte diferenciada, habituam à palavra escrita.
  6. Liam histórias para mim – Minha avó também lia histórias para mim. Sempre que o fazia colocava seus óculos. Como eu ainda não sabia ler, um dia roubei os seus óculos imaginando que aquilo me ajudaria a entender aquelas letrinhas todas.
  7. Contavam histórias para mim – Quem gosta de ouvir histórias, gosta também de lê-las e de contá-las. Eles também me mantinham em contato com as pessoas mais velhas da família que, por natureza, são contadores de histórias. Quando criança, lembro de aos domingos, bem cedo, ir para cama de minha bisavó, onde ela me contava as suas aventuras da juventude.
  8. Davam livre acesso aos livros adultos – Eles nunca temeram que eu estragasse os livros da biblioteca, os livros “sem figura”. De fato, estraguei alguns, mas a minha transição dos chamados livros infantis para os adultos foi gradual e sem pressões, no meu ritmo. O primeiro que li foi Tubarão, aquele do filme.
  9. Meu pai me levava ao cinema – O cinema é uma das portas de entrada para a literatura. Foi ao ver Mogli, dos estúdios Disney, que me interessei em ler o Livro da Selva, de Rudyard Kipling.
  10. Eles liam – Meu pai, sobretudo, lia muito. Para uma criança, o cara mais legal do mundo é o pai. E, quando você é criança, tudo o que você quer é ser como o cara mais legal do mundo. E o mais importante:
  11. Eles NUNCA me obrigaram a ler – Tudo que é feito por obrigação é um saco. Coisas feitas contra a vontade causam trauma. E, depois de um trauma, mesmo que seja a mais prazerosa das atividades, mais tarde você vai associá-la com sentimentos ruins e se recusar a fazê-la. Para entender melhor, apenas neste item substitua a palavra leitura pela palavra sexo.

terça-feira, 17 de abril de 2012

O melhor lugar para ler

O artigo de hoje é da autoria de Kate Beaton e foi apenas traduzido para português, não podendo nós tomar nenhum crédito por ele. Achamos no entanto que era muito giro e que vale a pena ler! Aqui fica.

"O meu lugar preferido para ler é, de facto, qualquer um em que me possa estender. Sofá, tapete, cama, onde quer que me possa sentir confortável. Isso porque sou uma irrequieta e ando sempre enrolada nos livros como se fossem a única coisa que tivesse de salvar no meio de uma tempestade. 

Gostava de vos dizer que costumo ler no meu café preferido, em frente a uma xícara de chá e a um bolinho delicioso, tudo banhado pela luz pura da manhã. Mas não posso, porque estou de barriga para baixo, apoiada nos cotovelos e indiferente à inevitável dormência que já aí vem. Ok, quando vier basta virar-me de costas e segurar o livro acima da cabeça ou, quem sabe, enrolar-me de lado, à volta do livro numa posição incorrecta qualquer, ou sentar-me com ele nos joelhos a balançar. 

Tropeçaste em alguma coisa? Oh, foi em mim! Estava enrolada numa manta, no chão. Não te rales com isso. Quando era adolescente, costumava divertir-me a sentar-me de cabeça para baixo e os pés por cima das costas do sofá. Mas tive de para com isso quando me tornei uma senhora porque não está, certamente, nos projectos de nenhum cavalheiro levar uma ‘pernas para cima’ ao altar. Não que ande à pesca de marido e menos agora que estou a meio do último George R.R. Martin, mas é preciso traçar uma linha de conduta geral em algum aspecto, não acham?

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Crónicas da Sala de Espera


Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 160
Editor: Difel

"Pedro Beça Múrias, tem 47 anos e é jornalista. Em Dezembro de 2008 foi-lhe diagnosticado um cancro no recto. E logo se lhe colocaram no horizonte tratamentos de quimioterapia e radioterapia, antecipando uma operação para remover o tumor. Essa operação aconteceu a 27 de Abril de 2009. Motivado pelos colegas do programa Janela Aberta, emitido todas as tardes no Rádio Clube Português, passou a assinar umas crónicas diárias - "Crónicas da Sala de Espera" - nas quais contava o seu dia-a-dia como jornalista, e como doente de cancro, nos hospitais onde fez os tratamentos. Chegou mesmo a fazer alguns directos da sala de tratamentos de Quimioterapia, usando o braço que tinha livre para falar ao telefone.
Quando, na Gala do Rádio Clube, realizada em 2009, foi aplaudido de pé por dois mil ouvintes, durante vários minutos, sentiu que todo o seu esforço, pois disso se tratou, estava a valer a pena.
Estava a chegar às pessoas.
Enquanto isso, não parou de receber e-mails de ouvintes, ora a agradecer-lhe por existir uma voz mediática com quem se podiam identificar, alguém que estava a passar e a sentir o mesmo que eles, ora a incentivá-lo a continuar.
Mesmo depois da operação, fez mais alguns directos deitado na cama do hospital. E no dia em que teve alta, entrou em directo no programa Janela Aberta, tendo passado pelos estúdios antes até de ir para casa, após dois meses e meio de internamento.
Hoje, passado um ano desde o início da sua luta contra a doença, pode dizer-se que a levou de vencida, apesar de alguns sobressaltos ocorridos no pós-operatório.
Quanto ao futuro, se o Cancro voltar, "cá estarei de novo para lhe dar luta! "…



O livro "Crónicas da Sala de Espera" foi adquirido para oferta, embora confesse que o fiz contra vontade. As expectativas centravam-se em "Avó, é apenas mais um livro para chorar". Contudo, revelou-se uma verdadeira lição de vida.

Deixa-nos a pensar como o nosso tempo de vida é tão fugaz e incerto...que com ele voam todos os momentos bons e permanece tanto do que queríamos fazer. A verdade é que nunca iremos conseguir fazer tudo. Mas, nestes momentos, como o retratado no livro, o nosso cérebro invade-nos com a palavra "aproveita" e aí surgem tantas frases, pessoas, pensamentos, interrogações...um verdadeiro torbulhão de emoções. Este jornalista encara a sua doença com um sorriso, tudo culmina num sorriso nos lábios e num aperto no peito. Medo e Coragem. Força e Fraqueza. A vida é o Tudo e o Nada. Mas ele ensina a não desistir. Não vou contar como termina o livro, para deixar a curiosidade a pairar no ar, mas a verdade é que, seja qual for o seu fim, deixa-nos com um nó na garganta e com a certeza de que somos frágeis mas também somos capazes de alcançar emoções que mais nenhum Ser consegue. E o mundo grita-nos "Vive"!