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segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Opinião: O Silêncio da Chuva de Verão, de Dinah Jefferies



O Silêncio da Chuva de Verão
Dinah Jefferies
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas 352
Editor: Topseller
  




 
Sinopse: 
Rajputana, Índia, 1930. Desde a morte do marido que a jovem inglesa Eliza vive para a fotografia. Determinada a estabelecer o seu nome, ela aceita um convite do governo britânico para retratar a vida da família real indiana no Estado de Juraipore, de forma a enaltecer a influência da Coroa Britânica.
No palácio real, Eliza conhece Jayant, irmão mais novo do marajá, que a leva a conhecer uma terra marcada por contrastes: de um lado, paisagens de beleza incomparável e uma cultura rica e vibrante, e do outro, a mais devastadora das misérias.
Durante a viagem, Eliza desperta Jayant para a pobreza do povo indiano, ao mesmo tempo que ele lhe mostra a face negra do domínio britânico na Índia. Até que, numa revelação quase kármica, os dois descobrem que estão profundamente ligados e apaixonam-se.
Mas com a família real e os britânicos a oporem-se à sua relação, conseguirão Eliza e Jayant libertar-se das obrigações e cumprir o seu destino?
Uma história sobre um amor genuíno que enfrentará o peso dos costumes e da tradição no coração da Índia colonial.
Primeiras páginas aqui.

Rating: 3.5/5
Comentário: Sempre tive uma paixão enorme pela História e pelo Mundo em geral e dou por mim muitas vezes a ler ficção e relatos que abordem as vivências dos países colonizados e das contradições e contrastes entre ocupantes e ocupados. As sensibilidades culturais, as nuances narrativas e as ópticas de abordagem aos mesmos problemas, assim como a capacidade de envolvimento de pessoas de diferentes realidades mas com os mesmos valores e emoções é sempre uma descoberta e uma aprendizagem imensa. É especialmente por gostar de História que também tenho ciente que muitas vezes só surge uma compreensão de momentos e factos quando todas as versões são analisadas, porque as versões que perduram no tempo são sempre as dos vencedores ou dos mais hábeis a comunicar.
Estes foram alguns dos factores que me fizeram escolher "O Silêncio da Chuva de Verão". Já conhecia a autora desde "A Mulher do Plantador de Chá", e embora tenha sentido falta de um maior relato da vivência local do país onde passava a narrativa (naquele caso, o Ceilão) quis dar uma nova oportunidade à autora.
De facto, neste livro a Índia é também uma personagem por si, e ganha o destaque devido, onde não lhe falham as crenças e as idiossincrasias de um país que quer crescer mas também se vê subjugado a uma potência imperial que se julga e actua como superior. É um relato com cheiros, cor, magia e sons, misticismo e debates político-sociais, com apresentações dos dois lados da mesma moeda e das diferenças que uma coexistência forçada podem trazer.
Quanto ao enredo principal, não há como negar que se trata de um romance feito para deliciar e entreter os leitores, com toques certeiros entre mistério e paixão, descrições e momentos intensos, e que trazem uma história completa que balança obrigações familiares com vontades pessoais, necessidade de auto crescimento com obstáculos estruturais, tentativas de superação e compreensão do papel do Ser Humano no ecossistema global que gere as ligações entre Homem, Natureza, País e Crença.
Dinah traz-nos personagens interessantes, com profundidade q.b., que se completam através do meio em que vivem e no qual interagem, que as incorporam de maior significado.
Ainda assim, há espaço para o seu desenvolvimento de forma a que não representem só modelos societais, mas que se governem por personalidades individualizadas. Faltou espaço de crescimento de algumas, especialmente num ambiente rico como o do palácio, o qual não foi explorado devidamente. Mesmo a Índia, que se assume quase como um ser de vontade e força maior, é descrita e enunciada frequentemente, embora só seja explorada de forma ligeira com pequenas explorações pontuais por parte das personagens.
Um dos momentos mais idílicos que consta neste romance é precisamente o período da Monção, para o qual é despertado constantemente o interesse do leitor e das personagens e quando chega em pleno, ocupa espaço de narrativa que lhe é adequado. Faltava uma maior força das descrições para que a sua punjança fosse mais certeira, mas permitiu uma conjugação enternecedora e de desfecho.
Dinah Jefferies gosta de viajar pela Ásia e de abordar vários países que lhe falem ao coração. Sinto que a autor nos quer colocar a suspirar por aquele canto do Globo e que mesmo com algumas falácias pelo meio, vai conseguindo cativar o leitor para as paisagens, a vivência e os olhares que, não sendo seus, passam a brilhar também no seu imaginário.



Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Inês, de Maria João Fialho Gouveia



Inês
de Maria João Fialho Gouveia
 
Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 416
Editor: Topseller
  




Sinopse: 
Esta é a história de Inês de Castro, a bela aia galega que arrebatou o coração do príncipe D. Pedro, futuro rei de Portugal. Bisneta ilegítima do rei D. Sancho IV de Castela, chegara a Portugal no séquito de Dona Constança, futura mulher do príncipe, que viu o coração do noivo incendiado pela sua própria dama de companhia. Perdidamente apaixonado, o casal viveu um amor proibido, até que, após a morte de Dona Constança, passou a partilhar o mesmo tecto.
Dando largas à paixão que por tanto tempo haviam escondido, Pedro e Inês viveram dias idílicos, de paço em paço, até se instalarem em Coimbra, já casados e com três filhos.
Esta ligação desagradou ao rei D. Afonso IV, pai de D. Pedro. As intrigas políticas com que os conselheiros reais o sobressaltavam, alegando que os irmãos de Inês alimentavam pretensões à coroa portuguesa, contribuíram para que o rei não descansasse enquanto não libertasse, da forma mais trágica e terrível, o filho da influência da bela galega.
O amor de Pedro e Inês foi maior do que a vida, sendo  outrora, como hoje, o símbolo da paixão em Portugal. Primeiras páginas aqui.
Rating: 3/5
Comentário: A história de Pedro e Inês, que se confunde entre História e Mito, sonho e tragédia factual, há muito que fascina toda uma nação. Se o que é destacado quase que por obrigação é o grande amor (algo doentio, diriam alguns), a dor egoísta e a desfaçatez da vingança imputada por D. Pedro, já enquanto rei, aos que não aceitaram D. Inês, em vida, a verdade é que esta história de amor foi também (e essencialmente) política.
Engane-se quem achar que estamos a lidar com um rei desagradado per si, e julguem alguém toda uma cadeia de interesses e especulações que saía muito do âmbito do país e das fronteiras tão arduamente defendidas por D. Dinis, avô de D. Pedro I. A verdade, é que o real conhecimento deste acontecimento infame exige conhecer as trocas e guerrilhas políticas ocorridas na Península Ibérica até duas gerações antecedentes, de forma a compreender a intrincada e frágil dança efectuada entre os reinos de Portugal, Castela e Aragão.
No entanto, resumir esta história ao jogo político é retirar poder e personificação a um amor, forte como os poucos que ficam registados na História. É principalmente inibir a análise da fuga à regra, do amor que não foi só político, pelo menos aos olhos de D. Pedro I. E embora toda a gente fale de Inês (do poder sedutor, da família ambiciosa, da intromissão na vida do príncipe herdeiro), ninguém fala realmente sobre ela. Esta foi a proposta de Maria João Fialho Gouveia quando nos trouxe mais uma abordagem romanceada a um período histórico visitado pela mão de uma das mulheres com maior destaque nos anais da História de Portugal (independentemente de ter ou não feito algo para isso).
Este livro começa precisamente pela apresentação de uma árvore genealógica, sem a qual também a narrativa pudesse ser mais confusa. E a narrativa pretende também acompanhar um processo evolutivo ao colocar Inês inicialmente desde jovem sob o olhar do leitor. A ideia é precisamente humanizar esta personagem e torná-la mais real e palpável para quem pretende conhecê-la.
Apesar de já não estar habituada aos diálogos exemplificados em registo dito histórico, e por esse motivo me ter custado a entrar na leitura, retirei prazer da narrativa  e foi uma oportunidade de mergulhar num outro tempo e retirar pormenores (que ainda desconhecia) para o meu leque de aprendizagens. Julgo que ninguém fará indiferente a esta jovem, que de um percurso tranquilo e límpido, foi arrastada para um furacão de desavenças, inveja, tragédia e superação.
 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Opinião: A Coroa de Inverno, de Elizabeth Chadwick



A Coroa de InvernoElizabeth Chadwick    
 
Edição/reimpressão: 2016
Páginas 464
Editor: Topseller
  






Sinopse: 
Uma das mulheres mais poderosas da História. No ano de 1154, em Inglaterra, Leonor volta a assumir o papel de rainha, ao lado do seu novo e jovem marido Henrique II. Detentor de uma ganância imensa e sede de poder, o rei passa grande parte do tempo em viagem, a afastar rebeliões e a impor a sua vontade pelos territórios que ambiciona conquistar. A Leonor cabe a tarefa de conciliadora de Estado e de tutora da sua crescente prole de herdeiros. Mas Henrique nega-lhe a sua autoridade legítima ao afastá-la das decisões políticas e, simultaneamente, ao expor a sua amante, assim fomentando intrigas cortesãs. Os anos de reinado e matrimónio são tecidos de sentimentos cada vez mais ousados e ambíguos, ora de discórdia ora de tréguas, numa era sombria dominada pelos homens. Mas Leonor, mulher de força inabalável, ultrapassa os mais diversos e dolorosos ardis e não desiste de reclamar para si a excelência e o reconhecimento que merece.

Primeiras páginas aqui.

Rating: 4/5
Comentário: Sempre fui uma apaixonada por história, e cada vez mais me tem despertado a curiosidade pela História da Europa para além daquela que abordámos nas aulas durante o ensino regular. Leonor de Aquitânia foi uma das mais distintas rainhas da Europa e passa despercebida para a maioria dos portugueses. Com uma trilogia que conta com "A Coroa de Inverno" como segundo volume, Elizabeth Chadwick pretende dar-nos a descobrir a vida desta personalidade europeia, e desvendar o poder feminino em pleno séc. XII.
Não é todos os dias que se reinam dois países, mas Leonor de Aquitânia conseguiu-o, primeiro de França (abrangendo o primeiro livro da trilogia) e depois de Inglaterra, como mulher de Henrique II. É também conhecida como a mulher-chave que originou a dinastia Plantageneta, da qual tanto falamos quando abordamos a Guerra das Rosas.
Ao longo de quase 500 páginas, a autora faz valer a fibra de Leonor, mas também as fragilidades e inseguranças de qualquer ser humano na sua posição. Inteligente, acutilante e capaz de se antecipar aos acontecimentos, Leonor é retratada como uma mulher que não se verga, nem a um marido fraco pela carne e, talvez, com ambição desmedida. Talvez como já vem sendo hábito para muitas, e dividida entre a lealdade conjugal e a protecção da sua prole, esta rainha poderá ser vista pelos leitores muitas vezes em situações confrontais que colocariam o melhor mestre de xadrez numa situação complicada.
Não querendo revelar mais do enredo do que já fiz, gostava de confirmar que o discurso é fluído, com uma escrita que agarra os leitores e e cria, nos momentos certos, acção intrincada com mestria e angústia, sempre numa abordagem ficcional o mais aproximada possível à realidade. Para quem gosta de História e ainda não conhece esta mulher de mão cheia, não percam a oportunidade de a descobrir a fundo. Se tiver tanto sucesso de vendas como o volume anterior, suspeito que o próximo volume não demore muito a sair!

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Opinião: Perdida, de Carina Rissi



Perdida
de Carina Rissi
 
Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 352
Editor: Topseller
  
Leiam as primeiras páginas aqui. 


Resumo: E se o amor da sua vida apenas existisse no século XIX?
Perdida é uma história divertida, apaixonante e intensa, que vai querer devorar até à última página.
Sofia é uma jovem de 24 anos que vive numa grande cidade e está habituada à sua vida independente e moderna. Divertida, mas solitária, Sofia não acredita no amor, convencida de que os únicos romances da sua vida são aqueles que os livros lhe proporcionam.
Porém, após comprar um telemóvel novo, algo misterioso acontece e Sofia descobre que está perdida no século XIX, sem saber como ou se poderá voltar para sua casa, para o «seu» século. Enquanto tenta encontrar uma solução, é acolhida pela família Clarke, à qual, à medida que os dias passam, se afeiçoa cada vez mais.
Com a ajuda do prestável e lindo Ian Clarke, Sofia embarca numa busca frenética e acaba por encontrar pistas que talvez a ajudem a regressar à sua vida.
O que ela não sabe é que o seu coração tem outros planos, e que a ideia de deixar o século XIX pode vir a tornar-se angustiante?
Aviso aos leitores: Este romance pode afetar gravemente a sua perceção pessimista da realidade. Provoca gargalhadas e a vontade imparável de mais e mais. Os seus personagens são como os filhos: quanto mais disparates fazem, mais gostamos deles. Cuidado com os corações: podem começar a sentir estranhas vontades incontroláveis. - See more at: http://marcador.com.pt/conteudo/309-a-felicidade-e-um-cha-contigo#sthash.g2jMvJ7t.dpuf
Aviso aos leitores: Este romance pode afetar gravemente a sua perceção pessimista da realidade. Provoca gargalhadas e a vontade imparável de mais e mais. Os seus personagens são como os filhos: quanto mais disparates fazem, mais gostamos deles. Cuidado com os corações: podem começar a sentir estranhas vontades incontroláveis. - See more at: http://marcador.com.pt/conteudo/309-a-felicidade-e-um-cha-contigo#sthash.g2jMvJ7t.dpuf

Rating: 3/5

Comentário: Carina Rissi é uma autora brasileira que se estreia agora em Portugal com "Perdida", pela mão da Topseller. Em primeiro lugar, desde o pequeno vídeo de apresentação do livro à pequena nota introdutória que ela dedicou aos leitores portugueses, tenho de ressalvar a simpatia da autora. Não é todos os dias que nos deparamos com estes pequenos gestos de atenção, mesmo que seja para nos convencer a comprar e ler um livro. Já sobre o exemplar em causa, "Perdida" unia todos os factores para me agarrarem à narrativa e não me enganei, o livro acabou por se tornar um agradável "guilty pleasure".
Adoro narrativas que envolvam viagens no tempo e as mesclas temporais entre passado/presente, e por vezes futuro também. Por esse motivo fiquei empolgada com a premissa que a sinopse nos trazia. A construção para o universo alternativo foi apressada, mas os poucos elementos fornecidos nas primeiras páginas tornaram-se suficientes para compreender a realidade de onde provinha uma personagem como Sofia e compreender melhor a sua estrutura, uma vez que a passagem para outro elemento temporal só sairia mais beneficiada quando avaliadas as transformações de realidade, expectativas e necessidades desta personagem, juntando às alternações de época e elementos caracterizadores disponíveis.
Já a transposição para o mundo alternativo foi entusiasmante,embora parca para mim. A História é um dos meus grandes interesses, e como tal precisava de mais alguns elementos temporais, que não proviessem somente da crónica de costumes. Naturalmente não era objectivo do livro narrar exaustivamente elementos da História do Brasil mas umas referências aqui e ali teriam sido bem-vindas. Não digo que não as haja de todo, mas são muito discretas.
Sofia é uma personagem sem papas na língua, cuja caricatura é pojada de humor (especialmente se atendermos como é tida como recatada numa época e extremamente ousada na outra), embora pudesse ter mais um elemento ou outro que tornasse a sua personalidade mais tridimensional (especialmente por serem realizadas referências sobre a sua vida pessoal que poderiam ou ter sido exploradas, ou expostas na sua personalidade). Já Ian Clarke é o cavaleiro galante, típico destes enredos, mas nem por isso menos enternecedor.
Valem também as personagens secundárias que trazem uma narrativa mais multidimensional, com apontamentos de ironia e humor, para além de uma enorme panóplia de costumes sociais que daria para explorar só por si.
"Perdida" é aquele livro ligeiro, divertido, atrevido mas delicioso de ler num final de dia complicado e um bom remédio para o stress. Foi uma leitura bem agradável e bastante boa dentro do género.
Julgo que poderia ter evitado o excesso de cliché da última parte do livro, em que um excesso de dramatismo retirou o prazer ligeiro que o acompanhou até então, mas encaro-o como um mal menor.
Para os e as fãs do género, este é o primeiro livro de uma trilogia, que eventualmente poderá vir a ser publicada na totalidade em Portugal, pelo que podem ficar descansados/as que a narrativa da Sofia e do Ian não termina por aqui. No entanto, não há propriamente uma necessidade de os continuar, porque o final deste livro nos traz um fecho da narrativa contada. Julgo que para mim a história destes dois personagens termina por aqui, mas não percam a oportunidade de os conhecer.

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projecto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Opinião: Eu, Earl e a tal Miúda, de Jesse Andrews




Eu, o Earl e a tal Miúda
de Jesse Andrews
 
Edição/reimpressão: 2015 
Páginas: 304
Editor: Topseller
  



Resumo: 

O mais divertido livro sobre a morte que os jovens alguma vez vão ler.
Esta é a história criativa e comovente de Greg, um finalista do secundário cujo único objetivo é manter-se completamente anónimo e evitar quaisquer relações profundas.
Para ele, essa é a melhor estratégia de sobrevivência no verdadeiro campo de minas social que é a vida de um adolescente. Juntamente com Earl, Greg faz curtas-metragens parodiando filmes clássicos, o que os torna mais colegas de trabalho do que propriamente amigos.
Tudo corria bem até ao dia em que a mãe de Greg insiste com ele para passar algum tempo com Rachel, uma miúda da sua turma que acabou de ser diagnosticada com cancro. Lentamente, Greg descobre que um pouco de amizade não faz mal a ninguém.
Tão tocante quanto divertido, o livro de estreia de Jesse Andrews inspirou o filme aplaudido pela crítica e duplamente premiado no prestigiado Festival de Cinema de Sundance 2015. Uma história capaz de partir o coração sem roubar uma só gargalhada.

Rating: 2/5

Comentário: Eu, Earl e a Tal Miúda é aquele livro de que todos já ouvimos falar, que despertou mais ou menos interesse, e que a adaptação cinematográfica e um trailer bem conseguido acaba por despertar um enorme interesse sobre si.
Este foi pelo menos o meu percurso com este livro, que me despertou muitas expectativas, embora me tenha acabado por deixar algo desiliudida.
Quando dizem que este não é um livro sobre cancro, não o é mesmo, pelo que se esperam uma abordagem à lá "A Culpa é das Estrelas", talvez não seja uma boa aposta. Foi mesmo pela procura desse cunho original e da abordagem não focada mas que não ignora a doença que me fui aproximando deste livro. Ao fim ao cabo, é também o que a sinopse nos vende. Esta é certamente garantida pelas páginas da obra, embora com até alguma negligência. Rachel tem cancro, mas podia ter hepatite, esperar um transplante de coração ou até mudar-se para o Alasca. O que fica patente em todos os momentos é que esta se encontra a passar por uma fase fragilizada e que o seu desaparecimento do universo ao qual temos acesso acontecerá a qualquer instante. No entanto, ela quase que nunca está efetivamente presente, vivendo de referências de personagens secundárias que a transportam para o assunto principal e que ajudam a construir um puzzle, ainda que tangente, que abarque este lado da narrativa.
Greg e Earl são personagens peculiares também, muito adolescentes mas também caricaturas exageradas (embora não menos reais por isso), mas que infelizmente se esforçam tanto por fugir aos clichês e para serem modernos, que tendem a recair nas abordagens habituais do que é uma visão da adolescência por vezes um pouco rude, numa tentativa vã de se aproximar à realidade de uma forma bonacheirona e/ou diferente.
Ter o Greg como personagem principal trouxe um lado genuíno, onde sobressai o egocentrismo, a auto-depreciação constante e a desilusão com a vida como características típicas da adolescência, mas também uma série de mecanismos de defesa que reforçaram a necessidade constante de indiferença e de proteção com o mundo em geral e com o que pode causar mágoa. As suas diligências e a própria relação tanto com Earl como com Rachel são sinónimos deste comportamento.
No entanto, e na igual medida em que por vezes compreensão e paciência não chegam para lidar com jovens mais intensos, estar na mente deste personagem acabou por se tornar cansativo, aborrecido e irritante em igual medida, não existindo hipótese de fuga para o leitor. Os comentários depreciativos constantes sobre si e sobre o mundo deixam de ter piada após terem sido emitidos pelas quarta ou quinta vez, reforçando só a necessidade de despertar a atenção a este miúdo de que há mundo para lá dele mesmo e que a vida não acaba na escola ou em todas as situações que este considera embaraçosas ou potencialmente esmagadoras do equilíbrio de sobrevivência por si criado. E atendendo que todos os jovens passam por isto, acho que o ponto de discórdia passa pelo facto deste rapaz ter estado constantemente com um discurso demasiado irascível neste aspecto (a título de exemplo, enunciava a torto e a direito querer dar um murro na sua cara - que ele achava totalmente merecedor - por dá cá aquela palha). No meio disto tudo, não deixa de ser uma personagem algo plana e sem todas as nuances que poderiam ter tornado este livro muito bom. Do livro todo, destaco Earl, que poderia ter sido a personagem se melhor limado, com menos placidez no que respeita aos seus diálogos e postura, atendendo a todas as intervenções certeiras que fez.
Por outro lado, julgo que é válido referir que por vezes o simbolismo tem maior impacto e pode ser transformador. Esperava corroborar esta afirmação já perto do fim do livro, atendendo a uma iniciativa conjunta do Earl e do Greg, mas até essa ficou propositadamente distorcida (e embora percebendo a intenção do autor, tanto neste momento como ao longo de todo o livro, não consegui retirar prazer dessa sensação frustrada).
Por fim, julgo ser importante referir que o cunho da originalidade também se demonstrou pela forma de condução da narrativa, com várias nuances onde se incluía a escrita em versão de guião, e o livro em si, como se percebe pelas últimas páginas (embora essa descoberta só tenha tornado a leitura anterior um processo um pouco mais desgastante, irrealista e frustrante).
Embora conseguindo perceber o sucesso que está por detrás do livro, pela junção de vários componentes que até acabam por resultar no conjunto, Eu, Earl e a Tal Miúda acabou por não se revelar como o meu tipo de livros.

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Opiniao: Peregrino, de Terry Hayes



Peregrino
de Tery Hayes

Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 656
Editor: TOPSELLER






Resumo:  Uma corrida vertiginosa contra o tempo e um inimigo implacável.

Uma jovem mulher brutalmente assassinada num hotel barato de Manhattan.
Um pai decapitado em praça pública sob o sol escaldante da Arábia Saudita.
Os olhos de um homem roubados do seu corpo ainda vivo.
Restos humanos ardendo em fogo lento na montanha de uma cordilheira no Afeganistão.
Uma conspiração para levar a cabo um crime terrível contra a Humanidade.
E um único homem para descobrir o ponto preciso onde estas histórias se cruzam: Peregrino.

  
Rating: 2,5/5
Comentário: Nem sei bem como falar deste livro ou o que escrever sobre ele. Há muito tempo que não me sentia tão abanada após uma leitura, sem saber como colocar em palavras os motivos pelo qual ele me encheu as medidas ou não correspondeu às expectativas. Com Peregrino, a leitura trouxe-me ambas percepções, ficando ainda com menos (e mais) para escrever esta opinião. 
Gosto do facto da sinopse não indicar muito e deixar o leitor ansioso pela descoberta. Peregrino prima pelo mistério e pela procura constante por novas respostas e soluções, impondo uma atenção constante ao leitor para não se perder numa trama que acontece cheia de dualidades e questões para desvendar. As frases curtas, dispersas e simples, contam muito mais do enredo do que pareceria à primeira instância. Pode relê-las neste momento, mas vai continuar sem perceber nada, acredite. 
Acho que o enredo começou com o tempo certo, com uma acção chamativa, imediata, bombástica e intensa que nos desperta logo para o que vai acontecer. Se nos dizem que ao quinto capítulo já vamos estar apanhados, eu considero que já o estava ao terceiro. Um crime perfeito e uma personagem mistério, que nos fala mas que não revela nada de si, foram tudo o que precisava para aceitar que iria mergulhar numa corrida vertiginosa. 
No entanto, acabei por ficar um pouco desapontada, porque o autor redirecionou-se para uma estrutura narrativa completamente diferente, especialmente assente na contagem de estórias. Basicamente, somos iniciados numa trama em media-res sendo que acabamos por mergulhar no passado desta personagem, com o relato de excessivos detalhes que apoiam a construção deste homem mistério, mas que não acrescentam nada à acção inicial. Deu por mim muitas vezes a pensar "mas quando é que retornamos ao presente?", até porque considerando que a composição da trama onde o elemento principal é um homem representativo do mundo de espionagem tem por base também o desvendar do mistério, este era desenredado lentamente, com perícia mas muita morosidade, acabando por me aborrecer em determinadas alturas. Não porque não fosse bastante interessante, uma vez que Terry Hayes tem o dom de provocar a dependência no leitor, mas porque não se adequava ao tipo de livro que esperava encontrar. 
Dessa forma, apesar de ir acompanhando com interesse o desenrolar das tramas paralelas e passadas senti que o elemento-chave e surpresa se fosse perdendo. 
A introdução do Sarraceno é brilhante, embora a ideia de que todo o seu percurso é do total conhecimento do Peregrino, quando em quase nenhuma parte da narrativa se refletem essas descobertas, fosse um bocadinho demais. 
Um anti-herói mas brilhante, sofrido mas conquistador de vitórias e de ideias, consegue pela primazia de apresentação até bater o nosso herói principal ao nível do brilhantismo e pelo intelecto. No entanto, e mais uma vez, toda a descrição do seu percurso que ocupa este livro torna-se excessiva em alguns momentos. 
Por esse motivo, é a partir da terceira e quarta parte do livro que o senti voltar à remessa inicial e ao prometido. A acção foi mais rápida, interligada, criando momentos expetantes e impulsionadores da acção em cada página. Nesse sentido, gabo a capacidade de Tery Hayes de reinvenção e de capacidade de recuperar a promessa perdida. Ainda sobre o enredo, no entanto, descobri algumas interligações forçadas e até sem sentido, mesmo que justificadas, que deram por mim perdida e a questionar-me em que direcção quereria o autor levar o livro, antes de o tornar em algo sem sentido. A verdade é que ele conseguiu dar a volta, de forma a deixar pontas soltas para o que muito suspeito ser uma continuação para um futuro livro, mas que neste primeiro exemplar não fez sentido nenhum senão encher páginas e fazer o leitor perder tempo. A ligação entre Nova Iorque e a Turquia, as personagens escorregadias que aparecem só para embelezar um livro que eventualmente beneficiaria mais da sua ausência deixaram-me algo confusa. 
Valeu-me este Peregrino, complexo e premeditado, ausente, ansioso, afectivo e apaixonado para desencadear um interesse inusitado pelo livro. Paradoxalmente e em total contraposição ao que referi anteriormente, as descrições de infância e dos familiares humanizaram esta narrativa, dando-me elementos pelos quais ansiar (ainda que na prática as duas narrativas constituam obras diferentes e que fariam todo o sentido em serapado).
No fundo, o livro até está magistralmente montado, mas falta a emoção secular e avassaladora que um livro deste género promete (e que não me deu de todo). Julgo que no fim o que ganha em toda a obra é o efeito surpresa constante. Pegando novamente no que escrevi no início, de facto toda a sinopse reflete este livro, mas de uma maneira que não é de todo esperada pelo leitor. E a única maneira de justificar esta afirmação é se pegarem no vosso exemplar e percorrerem estas quase 700 páginas.
De qualquer forma, o livro tem tido óptimas opiniões no mundo da blogosfera. Nesse sentido, recomendo-vos que leiam por vocês mesmo e que depois me venham contar o que acharam e (ou não) refutar esta minha opinião.


Cláudia
Sobre a autora:
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projecto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Opinião: Confissões de Catarina de Médicis, de G.W. Gortner


Confissões de Catarina de Médicis
de G.W. Gortner

Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 400
Editor: Topseller





Resumo:  
Pela voz da própria Catarina de Médicis, C. W. Gortner relata-nos a extraordinária viagem de uma das mais amaldiçoadas, incompreendidas, mas também mais poderosas e controversas mulheres da História. Para uns ela foi uma rainha impiedosa que conduziu França através de uma era de violência sangrenta. Para outros foi uma salvadora apaixonada da monarquia francesa.
Última descendente legítima da ilustre linhagem dos Médicis, foi prometida ainda adolescente a Henrique, filho de Francisco I de França, e enviada de Itália para um reino desconhecido, onde foi ofuscada e humilhada pela poderosa amante do marido, Diana de Poitiers. Perseverante, Catarina lutou por criar o seu papel no reino que lhe pertencia por direito, com uma força e determinação inatas que a transformavam numa mulher notável. Além de uma forte personalidade, Catarina possuía ainda, segundo testemunhos, visões premonitórias, as quais, aliadas à orientação do clarividente Nostradamus, a ajudaram a traçar as linhas do seu destino e da sua família. Mas no seu 40.º aniversário, Catarina enviúva e é deixada sozinha, com seis filhos jovens, como regente de um reino dilacerado pela discórdia religiosa entre católicos e huguenotes e as ambições desmedidas de uma família traiçoeira de nobres, os Guise.
Confiando apenas na sua tenacidade, Catarina toma o poder para garantir o trono dos filhos. Mas para salvar França, ela terá de sacrificar os seus ideais, a sua reputação e os segredos mais profundos de um coração agrilhoado.
«Os fãs de Philippa Gregory vão devorar este livro.» - Booklist

Primeiras páginas aqui.
  
Rating: 4/5
Comentário: Catarina de Médicis é uma personalidade histórica que sempre me despertou curiosidade. Primeiro, pelo nome e impacto tão conhecido que a sua herança familiar causou um pouco por toda a Europa. Depois, pela diversas personificações em séries e filmes, que certamente lhe atribuiram uma humanização negada nos preâmbulos da História, mas ainda assim nem sempre muito verídica ou com verosimilhança suficiente para ser encarado como um quadro real e um desfecho digno para esta rainha francesa de origem italiana. 
Foi portanto com curiosidade que peguei no livro "Confissões de Catarina de Médicis", ainda que também com alguma relutância (por já me ter sentido defraudada com livros do género no passado...). 
Confesso que não fiquei nada desiludida! G. W. Gortner tem um estilo criterioso de introdução de elementos históricos e factuais, entrelaçando-os com suspiros ficcionais mas de extrema qualidade, não descurando um universo e outro numa ligeireza que revela práctica e enlevo. De facto, achei que fosse estranhar e até desgostar a apresentação do enredo através da primeira pessoa, num género de livro de memórias. No entanto, a voz de Catarina de Médicis é forte e o elemento principal, centrando em si o romance de tal forma que o leitor se abstém desse pormenor. Sem excesso de emoções, sem encenações recambolescas e com um enorme equilíbrio entre personagens e cenários, este é um livro incrivelmente bem escrito. 
A descrição de Catarina de Médicis foi ainda conseguida ao nível de abordagem, uma vez que visualizamos as suas várias facetas ao longo dos anos, desde a menina insegura à mulher destemida e batalhadora, mas também complexa e cheia de nuances como se espera a qualquer ser humano. Nesse sentido, subentende-se em diversos momentos o porquê de toda a fama que esta personalidade recolheu, assim como o motivo pelo qual ela foi adquirindo várias facetas junto da sociedade e o mundo que a recebeu à época, Porque no fundo, Catarina de Médicis é tudo o que dizem dela, mas também o que não dizem, é-o no todo e parcialmente, e a sua rede intercalada de contactos, tramas, aventuras, perdas e desesperos, filhos amados e traidores, amantes, inimigos e confidentes é enorme, repleta de momentos de descoberta, que cobrem uma recontagem esplêndida da estória e da história de uma mulher grande da História europeia.
Acho que passei a admirá-la e ao seu percurso, e pretendo ler outra informação de não-ficção sobre esta personalidade. 
G.W.Gortner sem dúvida surpreendeu-me com o seu rigor histórico e literário, e é um autor a acompanhar futuramente!





Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projecto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Opinião: A Rapariga no Comboio, de Paula Hawkins


A Rapariga no Comboio
de Paula Hawkins
 
Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 320
Editor: Topseller






Resumo:  
O êxito de vendas mais rápido de sempre. O livro que vai mudar para sempre o modo como vemos a vida dos outros.

Todos os dias, Rachel apanha o comboio...
No caminho para o trabalho, ela observa sempre as mesmas casas durante a sua viagem. Numa das casas ela observa sempre o mesmo casal, ao qual ela atribui nomes e vidas imaginárias. Aos olhos de Rachel, o casal tem uma vida perfeita, quase igual à que ela perdeu recentemente.
Até que um dia...
Rachel assiste a algo errado com o casal... É uma imagem rápida, mas suficiente para a deixar perturbada. Não querendo guardar segredo do que viu, Rachel fala com a polícia. A partir daqui, ela torna-se parte integrante de uma sucessão vertiginosa de acontecimentos, afetando as vidas de todos os envolvidos.
De leitura compulsiva, este é o thriller do momento, absorvente, perturbador e arrepiante. 
A Rapariga no Comboio tornou-se imediatamente um verdadeiro fenómeno mundial, com mais de 2 milhões de livros vendidos em apenas 3 meses e já em processo de adaptação ao cinema pelos estúdios Dreamworks.

Rating: 4/5
Comentário: Já tive oportunidade de dizer anteriormente, mas volto a reforçar, que fico sempre um pouco de pé atrás quando surgem comparações entre livros ou sugestões do género "para fãs de...". 
A "Rapariga do Comboio" tem sido bastante recomendada a quem gostou de "Em Parte Incerta" de Gillian Flynn, livro que não me cativou de todo. De qualquer forma, continuava curiosa com a sinopse apresentada, pelo que não pude deixar de aproveitar a oportunidade criada pela Topseller, que cedeu ao blog um exemplar avançado para leitura e opinião honesta antes do lançamento oficial do livro (gesto pelo qual estamos gratas!).
Terminada a leitura, posso dizer que este livro é de facto para os fãs da Gillian, mas também para os que não gostaram das suas obras. Melhor que isso, "A Rapariga no Comboio" é para os fãs da Paula Hawkins!
Para quem realiza diariamente viagens mundanas de comboio, é perceptível o fascínio com este modo de transporte e para a certa nuance mágica que lhe surge associada. Foi também esse embalo inicial que criou uma ligação de empatia com Rachel, a personagem que me acompanhou ao longo de mais de 300 páginas. 
Esta personagem é bastante peculiar, pelo grau de complexidade que lhe é atribuído mas também pela facilidade de acesso às diversas camadas que a compõem, e que vão sendo reveladas em diversos momentos da obra, intercalados de forma engenhosa para inebriar o leitor e deixá-lo com várias suspeitas e muito poucas certezas. 
Perdida, com instintos acertados, vários questionamentos justificados e uma série de momentos que até poderiam ser considerados hilariantes, não fosse uma clara análise individual e social da sua condição, esta Rapariga que viaja diariamente de Comboio foi uma surpresa constante e pela qual dei por mim a torcer, mesmo nos momentos em que ela não merecia. Aliás, estava tão concentrada nela nas primeiras páginas que só ao fim de quatro capitulos me apercebi que o livro é contado sob dois pontos de vista, pelas mãos de Rachel e Megan (obrigando-me a recomeçar para me posicionar correctamente). 
Parecendo uma enorme distração da minha parte, a verdade é que as histórias diferenciadas sobrepõem postos de construção. As duas personagens confluem na sua essência em algumas coisas, pelo que criam uma voz comum entre ambas, sem lhes negar uma personalidade forte e vincada. As duas estão condoídas com preâmbulos da vida, fragilizadas, marcadas por arrependimentos e cenários mais cinzentos, e procuram qualquer coisa, mesmo que não saibam que o fazem ou o que pretendem de facto. São muito vívidas, destacando-se pela forma transformadora como se envolvem com as restantes personagens secundárias e que criam uma rede de tensões, suspeita, suspense e mistério que agarra qualquer leitor até à última página. 
A acção está enquadrada de uma forma engenhosa, apoiando-se num estilo de escrita bastante lúcido, que se entranha, e que nos faz querer avançar para a próxima página, descobrindo as consequências de cada passo dado pelas personagens (de forma acertada ou não) ao longo de um jogo de incerteza e porque não, de sobrevivência.
Rachel e Megan levam-nos para uma viagem constante entre o presente o passado, pelo constraste do mundo idealizado e das transformações aparentes que podem acontecer com um piscar de olhos (ou com um comboio parado ao pé de um sinal por breves minutos). A análise que estas mulheres proporcionam ao leitor está sempre em mutação, seja pela apresentação de detalhes singulares, por uma frase dita aparentemente sem significado, por uma revelação inesperada ou pela necessidade constante de o colocar a tentar adivinhar os seus próximos passos.
É essencialmente um jogo intelectual, à altura de um thriller de mão cheia, que se entranha na mente de quem o lê até que todas peças encaixem e façam sentido novamente. E embora não componha um cenário tão perturbador como o prometido, numa lógica de constrastes visuais, "A Rapariga no Comboio" faz-nos certamente pensar se a parte mais arrepiante das nossas vidas não será o facto de nunca conseguirmos conhecer/prever realmente o comportamento de alguém. Nem o do vizinho do lado, nem das pessoas com quem partilhamos laços afectivos, nem de quem nos vê do outro lado do espelho.

Não percam a oportunidade de lançar a mão a este livro, que será editado em Portugal a 8 de Junho pela Topseller (edição: o lanlçamento foi adiantado para 5 de junho)!
 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

domingo, 1 de março de 2015

Novidade: A Rapariga no Comboio, de Paula Hawkins

THE GIRL ON THE TRAIN – Paula Hawkins
Título mais vendido nos EUA e em Inglaterra chega a Portugal, em Junho.

 Publicado em janeiro, o livro de estreia da autora britânica Paula Hawkings, The Girl On The Train, saltou de imediato para o primeiro lugar dos livros mais vendidos nos EUA (Hardcover) e, cinco semanas depois, mantém-se o livro mais apetecível em Terras do Tio Sam (Publisher’s Weekly).

The Girl On The Train lidera, também, a lista dos mais vendidos na Amazon.com, seguido de Sniper Americano, o livro que inspirou Clint Eastwood e que foi editado em Portugal pela Vogais, chancela de Não-Ficção do Grupo 20I20 Editora.

O thriller psicológico A Rapariga no Comboio, elogiado pela crítica e aplaudido pelos leitores, chega às livrarias portuguesas em junho, editado pela Topseller. Cobiçado um pouco por todo o mundo, o título já foi vendido para mais de 25 países, desde o Brasil à China.

Paula Hawkins foi jornalista, na área financeira, durante 15 anos. Hoje dedica-se apenas à escrita de ficção. O estúdio americano da DreamWorks já adquiriu os direitos de adaptação ao cinema. A Penguin Random House disponibiliza um pequeno Q&A de Paula Hawkins, aqui. Para mais informações, visite o site da autora, paulahawkinsbooks.com.

SINOPSE
Rachel apanha o mesmo comboio todas as manhãs. Todos os dias balança ao longo da linha, vislumbra uma extensão de casas suburbanas acolhedoras, e para no sinal que diariamente lhe permite observar o mesmo casal a tomar o pequeno-almoço no seu alpendre. Chega a ter a sensação de conhecê-los. “Jess e Jason”, é como lhes chama. A vida deles — aos seus olhos — é perfeita. Não muito diferente da vida que perdeu recentemente.

É então que vê algo perturbador. Apenas durante um minuto até o comboio voltar a andar, mas o suficiente. Já nada está como antes. Incapaz de guardar para si, Rachel vai à polícia contar o que sabe, e torna-se parte indissociável do que acontece a seguir e das vidas de todos os envolvidos. Terá ela feito mais mal do que bem?

De leitura compulsiva, A Rapariga no Comboio é uma estreia eletrizante e emocionalmente imersa num thriller Hitchcockiano.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Novidade: A Linguagem das Irmãs, Amy Hatvany


SINOPSE 
Há dez anos, Nicole Hunter tomou a difícil decisão de abandonar o seu lar problemático em Seattle. Deixou para trás a sua querida irmã Jenny, possuidora de um distúrbio neurológico que a colocara dependente de uma cadeira de rodas e lhe retirara a capacidade da fala. Após uma década em São Francisco, Nicole tenta convencer-se de que tudo está bem, mas nem a sua vida sentimental nem a profissional são as que ambicionava. 
Quando um violento e trágico acontecimento envolve a sua irmã, Nicole é forçada a regressar à casa de infância onde deixou memórias impossíveis de resolver e perdoar. Ali acabará por tomar a decisão mais acertada da sua vida: cuidar da irmã e resolver os conflitos com a mãe e as memórias dolorosas deixadas pelo pai. Só assim conseguirá redimir-se da culpa que a acompanha e tornar-se a irmã que gostaria de ter sido. Uma história tocante, autêntica e libertadora, sobre as escolhas que é necessário fazer na vida, sobre o poder da amizade e sobre a importância dos laços familiares.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Novidades: TopSeller


SINOPSE de A Cada Dia 
(A Topseller disponibiliza os primeiros capítulos para leitura imediata, aqui

«A cada dia um novo corpo. A cada dia uma nova vida. A cada dia o mesmo amor pela mesma rapariga. A cada dia, A acorda no corpo de uma pessoa diferente. Nunca sabe quem será nem onde estará. A já se conformou com a sua sorte e criou regras para a sua vida: Nunca se apegar muito. Evitar ser notado. Não interferir. Tudo corre bem até que A acorda no corpo de Justin e conhece Rhiannon, a namorada de Justin. A partir desse momento, as regras de vida de A não mais se aplicam. Porque, finalmente, A encontrou alguém com quem quer estar a cada dia, todos os dias.»

Sobre David Levithan
 David Levithan é autor e editor. Conta no seu currículo com muitas obras em nome próprio e várias parcerias como Will & Will, com John Green, ou Nick and Norah’s Infinit Playlist, com Rachel Cohn. A Cada Dia é um dos seus trabalhos mais aclamados e finalista dos seguintes prémios: YALSA Teens' Top Ten (2013), Abraham Lincoln Award (2014), Andre Norton Award (2012), Cybils Awards for Fantasy & Science Fiction (Young Adult) (2012), YALSA Best Fiction for Young Adults Top Ten (2013). Mais sobre o autor em davidlevithan.com


Vou amar-te para sempre de Monica Murphy
SINOPSE 
 «Perder. Tudo na minha vida se resume a esta palavra doentia. O meu treinador culpa-me por termos perdido os jogos decisivos da temporada. E o resto da equipa também. Passei os últimos dois meses completamente perdido e fechado sobre o meu desespero, como um autêntico fracassado. E perdi a minha namorada — Fable, a única rapariga que alguma vez mexeu comigo — por não me achar suficientemente bom para ela e por não querer magoá-la. Agora sei que deixá-la foi um erro e, ao ser cobarde, fui eu quem mais perdeu. Mas, mesmo que ela finja que está tudo bem e que seguiu com a sua vida, sei que ainda pensa em mim. Conheço-a demasiado bem. Raios… Ela é tão frágil que tudo o que eu mais quero é estar por perto para protegê-la… para abraçá-la… para amá-la. Só preciso que ela me dê mais uma oportunidade. Estamos perdidos, um sem o outro, mas eu sei que juntos podemos viver um amor incomparável, para sempre.»

sábado, 25 de outubro de 2014

Opinião: Um Caso Perdido, de Colleeen Hoover


Um Caso Perdido
de Colleen Hoover 

Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 352
Editora: TopSeller 





Resumo: Preferia saber a verdade, ainda que isso fizesse de si um caso perdido, ou continuar a viver uma mentira?
Quando Sky conhece Dean Holder no liceu, um rapaz com uma reputação tão duvidosa quanto a dela, sente-se aterrorizada, mas também cativada. Há algo naquela figura que lhe traz memórias do seu passado mais profundo e perturbador. Um passado que ela tentou por tudo enterrar dentro da sua mente.
Ainda que Sky esteja determinada a afastar-se de Holder, a perseguição cerrada que ele lhe dedica, bem como o seu sorriso enigmático, fazem-na baixar as defesas, e a intensidade da relação entre os dois cresce a cada dia. Mas o misterioso Holder também guarda os seus segredos, e, quando os revela a Sky, ela vê-se confrontada com uma verdade tão terrível que pode mudá-la para sempre. Será Sky quem ela pensa que é? E será que os dois conseguirão sarar as suas feridas emocionais e encontrar um modo de viver e amar sem limites?
Um Caso Perdido (Hopeless) é um romance intenso que o irá comover e arrebatar, ao mesmo tempo que o fará recordar o seu primeiro amor.

CRÍTICAS
«Colleen Hoover é uma das vozes mais vigorosas da ficção para jovens adultos.» - Kirkus Reviews
«De vez em quando aparece um livro assim, que nos corta a respiração.» - USA Today



Rating: 3,75/5 

Opinião: Esta é capaz de ser uma das opiniões sobre as quais mais reflecti antes de escrevê-la, e há que elogiar a autora, porque qualquer criativo que nos coloque a pensar no resultado do seu trabalho deve saber que cumpriu com parte do seu proposto: não ser indiferente e deixar marca.
Começo esta opinião por dizer que Colleen Hoover é das autoras mais inteligentes que conheço, e já vos explicarei em diante porquê. Quando comecei a ler este livro senti-me logo inebriada por ele, o que no que respeita a livros, é sempre bom sinal quando nos sentimos agarrados às páginas desde a primeira linha. A autora deixou-me com o nariz arrebitado com o prólogo, e a pensar que se calhar uma sinopse com alguns clichés que estava disposta a ver desafiados numa narrativa e uma capa bonita me tinham levado ao engano.
Mas ao iniciarmos o primeiro capítulo, o enredo soube envolver logo ao início, despertando a atenção para a complexidade da trama que se aproximava e rapidamente nos fazendo esquecer das estranhas páginas iniciais.
Sky é uma rapariga desconectada com o mundo real e que sobrevive numa deliberada marginalização que a molda segundo parâmetros, ideais e definições diferentes dos comuns mortais tidos por adolescentes na sua área de residência. É a perspectiva e a efectivação de uma mudança desejada que darão início à trama, tendo como definição serem a causa e consequência de tudo o que se passará em diante.
É a partir do momento em que a personagem se depara com Holder que toda a estrutura se modifica. Inicialmente não gostei nem da sua personagem nem das interações criadas entre os dois jovens. Soava-me a demasia e por momentos cheguei a pensar que me iriam deparar com uma relação tóxica e até doentia, que me fez torcer-lhe o nariz muitas vezes. Com o avançar do enredo fui-me apercebendo de certas nuances e ainda que não o desculpando, acabei por me afeiçoar a uma faceta dele que julgo ser a "verdadeira" em detrimento do cenário pintado inicialmente, até porque a continuação da estória em nada indica que a sua personalidade estava moldada dessa forma.
Acho que a autora soube criar a empatia certa e uma fórmula correcta, densa e intensa (tal como ela classifica o seu personagem principal), que deixa o leitor fixado no livro e sem capacidade de o pousar.
Por esse mesmo motivo até me soube bem que por questões profissionais tivesse de ler (e digerir) a segunda metade do livro às prestações. E esse ritmo mais regrado deu-me uma nova perspectiva sobre o mesmo. Colleen criou mesmo um enredo intenso, é uma natural manipuladora de emoções e fá-lo bem. A disposição de apresentação de personagens, tramas, momentos altos e climax são conduzidos de forma perfeita para que a atenção se desvie de algumas falhas de construção narrativa, da ausência de conteúdo fora casal principal e das histórias de vida que os assistem e da inevitável pouca exploração da construção do mundo envolvente. Mas a forma como o faz é tão cuidada e reforçada ao pormenor que só um olhar mais externo detecta esses pormenores e que no fim, acabam por nem fazer falta ao desenrolar da acção.

Gostava de ter visto mais sobre a Sky singular, sem conexão com qualquer outra personagem, assim como sobre a vida escolar ou sobre os seus dois amigos. Gostava também que a relação com a mãe tivesse tido maior destaque que não nos momentos finais, de forma a compreender uma série de pormenores que deixarei por debater com quem já tiver lido o livro e tiver interesse em debatê-lo.

Gostava também de compreender melhor a dinâmica familiar do Holder (mas pelo que sei existe um livro escrito sobre a sua óptica, o que poderá ser a resposta para estas questões pendentes) e de reconhecer mais o intermédio entre o passado distante analisado e o presente.

Ainda assim, a autora faz-nos gostar do livro, torcer pelas suas personagens e levá-lo connosco na mente durante toda a sua leitura. Gostei muito, foi uma experiência interessante apesar de tudo e a verdade é que mesmo dissecando o livro racionalmente, a interpretação emocional prevaleceu.

Boa Colleen!!

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Novidade: Ao Encontro do Destino, de Amy Hatvany

Depois de O Jardim das Memórias, Amy Hatvany regressa com um novo e comovente romance, Ao Encontro do Destino (Topseller), um extraordinário olhar sobre a dor de três mulheres e a esperança que persiste quando se sobrevive ao inimaginável.

A TOPSELLER disponibiliza os primeiros capítulos para leitura imediata, aqui.

Hannah perde a filha de 12 anos num acidente. Através da doação do fígado da filha, Hannah consegue salvar a vida de uma adolescente um pouco mais velha, Maddie. Saída da redoma de proteção em que vivia por causa da doença, Maddie ganha uma nova esperança de vida para enfrentar, por fim, o desafio do mundo real.
Olivia, a sua mãe, é vítima da violência do marido, mas planeia um dia fugir de casa com Maddie sem que isso implique perder a custódia da filha.

Numa história arrebatadora e profundamente comovente, os caminhos destas três mulheres vão cruzar-se e as suas vidas irão alterar-se para sempre.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Novidade: Ama-me de J. Kenner


Depois de Deseja-me, o segundo volume da Trilogia Stark, ter vencido o Prémio RITA para Melhor Romance Erótico, atribuído pela Associação Americana de Escritores de Romance, já chegou às livrarias Ama-me, o terceiro volume da famosa trilogia que conta a tórrida história de amor entre Damien Stark e Nikki Fairchild.

«Belo, forte e poderoso, o Damien Stark preenche um vazio em mim como nenhum outro homem alguma vez preencheu. Os seus desejos impetuosos levam-nos para lá do mais doce êxtase e libertam uma paixão selvagem que nos consome a ambos.» Este é o desfecho por que todas as fãs anseiam. O capítulo final da história de uma paixão arrebatadora que já conquistou o coração e a fantasia de milhões de leitores em todo o mundo.


Novidade: Um Caso Perdido, de Colleen Hoover


Preferia saber a verdade, ainda que isso fizesse de si um caso perdido, ou continuar a viver uma mentira?

Quando Sky conhece Dean Holder no liceu, um rapaz com uma reputação tão duvidosa quanto a dela, sente-se aterrorizada, mas também cativada. Há algo naquela figura que lhe traz memórias do seu passado mais profundo e perturbador. Um passado que ela tentou por tudo enterrar dentro da sua mente.

Ainda que Sky esteja determinada a afastar-se de Holder, a perseguição cerrada que ele lhe dedica, bem como o seu sorriso enigmático, fazem-na baixar as defesas, e a intensidade da relação entre os dois cresce a cada dia. Mas o misterioso Holder também guarda os seus segredos, e, quando os revela a Sky, ela vê-se confrontada com uma verdade tão terrível que pode mudá-la para sempre. Será Sky quem ela pensa que é? E será que os dois conseguirão sarar as suas feridas emocionais e encontrar um modo de viver e amar sem limites?


segunda-feira, 26 de maio de 2014

Novidade: O Marciano, de Andy Weir

 
O Marciano, uma fantástica obra de Andy Weir, já à venda em todo o país, levou o realizador Ridley Scott novamente para o Espaço! Depois de Alien e Prometheus, o curioso enredo de O Marciano (Editora Topseller) convenceu Ridley Scott. O argumento foi adaptado por Drew Goddard, e Matt Damon assumirá o papel principal num filme projectado pela 20th Century Fox.



SINOPSE



Uma Missão a Marte. Um acidente aparatoso. A luta de um homem pela sobrevivência.



Há exactamente seis dias, o astronauta Mark Watney tornou-se uma das primeiras pessoas a caminhar em Marte. Agora, ele tem a certeza de que vai ser a primeira pessoa a morrer ali. Depois de uma tempestade de areia ter obrigado a sua tripulação a evacuar o planeta, e de esta o ter deixado para trás por julgá-lo morto, Mark encontra-se preso em Marte, completamente sozinho, sem perspectivas de conseguir comunicar com a Terra para dizer que está vivo.



E mesmo que o conseguisse fazer, os seus mantimentos esgotar-se-iam muito antes de uma equipa de salvamento o encontrar. De qualquer modo, Mark não terá tempo para morrer de fome. A maquinaria danificada, o meio ambiente implacável e o simples «erro humano» irão, muito provavelmente, matá-lo primeiro.



Apoiando-se nas suas enormes capacidades técnicas, no domínio da engenharia e na determinada recusa em desistir — e num surpreendente sentido de humor a que vai buscar a força para sobreviver —, ele embarca numa missão obstinada para se manter vivo. Será que a sua mestria vai ser suficiente para superar todas as adversidades impossíveis que se erguem contra si?



Fundamentado com referências científicas actualizadas e impulsionado por uma trama engenhosa e brilhante que agarra o leitor desde a primeira à última página, O Marciano é um romance verdadeiramente notável, que se lê como uma história de sobrevivência da vida real.



A Topseller disponibiliza os primeiros capítulos para leitura imediata, aqui.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Opinião: O Ano Em Que Me Apaixonei por Todas, de Use Lahoz





O Ano em que me Apaixonei por Todas
 de Use Lahoz

Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 304 (as primeiras 30 podem ser consultadas aqui)
Editora: Top Seller 

Resumo:
Uma homenagem à vida, ao amor e à amizade.
Sylvain, um jovem parisiense que está a caminho dos trinta, sofre de um caso grave de síndrome de Peter Pan: recusa-se a entrar na idade adulta. Embora possua inúmeras virtudes - é perspicaz, simpático, inteligente e versado em várias línguas - tem também muitos defeitos: é incapaz de seguir em frente quando se trata de amor.
A ideia de crescer assusta-o de morte, o que o leva a aceitar um trabalho mal remunerado em Madrid, para estar mais perto de Heike, a antiga namorada que ele não consegue esquecer. Sylvain traz consigo um plano para reconquistar Heike, mas, entre tantas outras pessoas incríveis com quem se cruza, alguém muito especial irá levá-lo a fazer uma escolha.
E quando descobre acidentalmente um manuscrito que contém toda a saga da família do seu vizinho Metodio Fournier, revela-se diante dos seus olhos uma história maravilhosa e excitante, cheia de estranhas coincidências, que muda para sempre a sua visão do amor e do mundo. No final desse ano inesquecível em Madrid, Sylvain regressará a casa, onde abraçará o seu destino.
Uma história sobre as atribulações e os desafios das relações.
Uma ode à beleza da vida, ao amor e à amizade.

 Rating: 3,5/5 

Opinião: Não sei se têm muito contacto com a cultura espanhola contemporânea (através de filmes, séries, programas de TV ou até mesmo da literatura) mas à semelhança daquelas nuances que notamos em produções britânicas ou francesas e que são facilmente identificáveis, este livro tem uma essência espanhola muito plena que é sentida desde a primeira página.
Começo esta opinião com esta reflexão porque acho que alguns leitores podem estranhar as primeiras páginas, quando não habituados ao estilo de narrativa, mas principalmente à presença do autor no livro, que talvez erradamente (porque esta é a minha estreia com ele, pelo que não tenho elemento comparativo) me parece ser muito presente. Por esse mesmo motivo, as primeiras páginas não me prenderam imediatamente. De facto, numa primeira análise, o meu objectivo era lê-lo e terminá-lo rapidamente porque Sylvain não tinha sido capaz de cativar a minha atenção. Até que se fez o clique, e terminei o livro numa única noite (e a perda de horas de sono não veio certamente por obrigação).
É verdade que a apresentação da narrativa por Sylvain transforma-a em algo morno, desconectado da realidade, com alusões que pouco dizem ao leitor, mas muito provavelmente por causa do seu sindroma de Peter Pan, como enunciado na sinopse. Os primeiros acontecimentos são algo desconexos, e vamo-nos apercebendo deles com as mudanças de cenário, com as alterações de personagens, sempre intercalados com pensamentos e reflexões de maior teor sobre as lembranças de momentos mais felizes e da fugidia Heike. Acompanham-me até aqui? Então continuem porque é a partir deste momento que o livro realmente passa a valer a pena (e merece ser lido só por isso!).
O encontro do manuscrito de Metodio traz a dinâmica em falta, o enlevo que nos embala e faz querer saber mais sobre aquelas personagens, e foi o que realmente me entusiasmou. Este encontro inusitado e não autorizado com a intimidade de alguém dotou de particulariedades a narrativa, especialmente ao abranger tantas personagens, ainda que fosse uma versão isolada de uma única personagem, devastando as suas memórias e carregando-as para o presente. Aliás, confesso que quando li as últimas frases desses excertos intercalados com a restante narrativa dei por mim a folhear rapidamente o livro à procura de mais. E se eu fiquei absorta por esta passagem dos anos por detrás do balcão de uma pastelaria por onde passaram várias gerações, também Sylvain se enternece e passa a reflectir de outra forma sobre si próprio, tornando até a sua vivência pessoal mais dinâmica, mais nítida aos nossos olhos e concreta também. A infância surge contada com clareza, a relação com a sua mãe é exposta e finalmente começamos a conhecer todas as personagens que o rodeiam, inclusive Heike (e não a versão saudosista que a personagem guarda para si). Para além disso, a relação com os vizinhos desperta outros segmentos do enredo que a tornaram tão mais interessante que a partir desse momento não fui capaz de largar o livro até o terminar. As personagens tornaram-se reais, as relações entre si desenvolveram-se em cadeia e acima de tudo, continuou a sentir-se a essência madrilena (com a descrição de lugares, de ofertas culturais, de tendências modernistas) que vincaram a diferença deste livro relativamente a tantos outros. Desta forma, percebe-se porque é que o livro já foi alvo de premiações: a estória é de facto banal, mas a sua composição narrativa é original e fora do comum.
O final é enternecedor e preenche-nos: ficou o gosto de querer mais, ainda que com a sensação que chegou no momento certo. E se não era muito fã do nome deste livro, aquele parágrafo final com um efeito de quebra-barreiras e de preconceitos calou-me. Foi sem dúvida interessante, surpreendeu-me e hei-de voltar a ele um dia certamente.

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.