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segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Opinião: O Dia em que Perdemos a Cabeça, de Javier Castillo




O Dia em Que Perdemos a Cabeça
Javier Castillo
 
Edição/reimpressão: 2019
Páginas: 456
Editor: Suma de Letras Portugal





Sinopse: Atreva-se a descobrir o mistério do ano sem perder a cabeça. 275000 exemplares vendidos

«São doze horas da manhã de 24 de Dezembro, falta um dia para o Natal. Caminho pela rua tranquilo, com o olhar perdido, e tudo parece estar em câmara lenta. Olho para cima e vejo erguerem-se quatro balões brancos que se afastam em direcção ao Sol. Enquanto ando, ouço gritos de mulheres e percebo como as pessoas, ao longe, não param de me observar. Para dizer a verdade, parece-me normal que olhem para mim e gritem, ao fim e ao cabo estou nu, coberto de sangue, e transporto uma cabeça entre as mãos.»

Centro de Boston, 24 de Dezembro, um homem caminha nu, trazendo nas mãos a cabeça decapitada de uma jovem mulher.
O Dr. Jenkins, director do centro psiquiátrico da cidade, e Stella Hyden, agente do FBI, vão entrar numa investigação que colocará em risco as suas vidas e a sua concepção de sanidade. Que acontecimentos fortuitos ocorreram na misteriosa Salt Lake City há dezassete anos? E por que estão todos a perder a cabeça agora?

Rating: 3/5
Comentário: Como sabem, os thrillers não brilham frequentemente nas minhas estantes. No entanto, de tempos a tempos gosto de pegar num que pareça reunir todos os ingredientes que gosto: mistério e suspense, poucas descrições demasiado gráficas, ação continua e personagens que me intriguem.
"O Dia em que Perdemos a Cabeça" de Javier Castillo tem todos estes elementos e mais alguns.
A trama está tão bem montada que cheguei à página 200 e pouco sem conseguir prever o que ia acontecer e, muitas vezes, sem perceber sequer o que estava a acontecer. Embora seja fornecidos ao leitor alguns elementos que permitem que este vá fazendo ligações entre contextos e vários elementos da história, falta-nos sempre o mais importante: o porquê. E sem respostas às nossas inquirições, a leitura acaba por se tornar mais viciante e simultaneamente temerosa, porque sabemos que a solução estará numa próxima página.
Neste aspecto o autor saiu-se brilhantemente e conseguiu convencer-me. O meu ritmo de leitura não é muito acelerado e Javier Castillo conseguiu pôr-me a ler 200 páginas em 2 dias, um feito ímpar!
No que toca ao encadeamento da narrativa, as vertentes vão-se encaixando a ritmos díspares, ou lentamente e com poucos elementos fornecidos (despertando a veia de dectetive de cada um), ou disparando-nos com vários elementos numa cadeia vertiginosa e imparável e que nos deixa sem fôlego.
O motivo porque não me senti totalmente rendida à narrativa prende-se com a razão principal que o autor atribuiu a vários acontecimentos do livro, e que a partir desse momento se torna justificativa para toda e qualquer incongruência de lógica que possa surgir. Não é o inverossímil que me colocou de pé atrás com o enredo (porque até esse, desde que logicamente fundamentado, traz robustez a uma narrativa), mas a bengala fácil que serviu de cola para vários ramos da rede complexa que o autor criou. Independentemente disso, reconheço que não foi deixada uma ponta solta (só aquele final, ai aquele final...!!!) e que na lógica de construção narrativa, Javier Castillo conseguiu levar os leitores onde queria.
Um dos elementos que achei mais interessantes neste thriller para pela construção da condição humana e no constante teste aos limites pelos quais passamos, mesmo quando não nos apercebemos.
Não existe uma personagem linear, e vários momentos de modelação de personalidade são abertos precisamente para explorarem a área cinzenta em que o Ser Humano geralmente opera.
Essa ausência do certo e do errado como lineares, e da capacidade tanto de regeneração como de perda e desconstrução por parte das pessoas reforça o nosso papel arbitrário na tomada de decisões e na análise dos nossos valores e moral como comando vital dos rumos tomados na nossa vida. Mas é também um elemento que serve de contraponto à subjugação do Determinismo, que é também constante na narrativa, desafiando o leitor a decidir por si o que é que está realmente em causa.
Este livro foi um bom pontapé de saída para 2019, e mesmo não tendo preenchido as minhas medidas por completo, estou curiosa com a continuação. Leiam também e venham cá comentá-lo em baixo. 



Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Opinião: Maze Runner - A Cura Mortal, de James Dashner

Maze Runner - A Cura Mortal
de James Dashner
Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 344
Editor: Editorial Presença
Resumo:
Thomas atravessou o Labirinto; sobreviveu à Terra Queimada. A CRUEL roubou-lhe a vida, as memórias, e até mesmo os amigos. Mas agora as Experiências acabaram, e a CRUEL planeia devolver as memórias aos sobreviventes e completar assim a cura para o Fulgor. Só que Thomas recuperou ao longo do tempo muito mais memórias do que os membros da CRUEL julgam, o suficiente para saber que não pode confiar numa única palavra do que dizem. Conseguirá ele sobreviver à cura?

Rating: 4/5

Comentário:
Preparem-se para muitos spoilers e emoções. Esta não é uma crítica que vão querer ler ANTES de ler o livro.

Bem vindos à minha crítica daquele que era suposto ser o último livro da saga Maze Runner mas já não o é! *levantaopunhoemchoro* Pois é, além da prequela que James Dashner escreveu para a série já há outro livro a caminho e outro no forno, o que significa que a trilogia é agora uma sextologia? Uma trilogia com uma pré-trilogia? Nem tenho bem a certeza como classificar esta situação caricata. Chamemos-lhe Saga!
A Cura Mortal vem encerrar a "trilogia Thomas" iniciada com Correr ou Morrer e, infelizmente, acaba por não encerrar muitas das questões postas no primeiro livro. Em Correr ou Morrer conhecemos Thomas, os seus amigos, o labirinto e a CRUEL. Tudo é um misto de emoções fortes e de dúvidas, o que é a CRUEL, porque é que eles estão ali dentro, porque é que Teresa é a única rapariga.
Tal como nós Thomas não sabe o que se passa e como o seguimos acabamos como ele por, tal como ele, ir criando a nossa visão deste mundo. No entanto à medida que a história avança a necessidade de encontrar resposta torna-se maior, principalmente após o segundo livro e a descoberta do grupo de Brenda e de que a experiência do labirinto tinha sido feita a dobrar.
Quando Thomas parece finalmente "colaborar" com a CRUEL pensei que finalmente iríamos descobrir o porquê dele ter colaborado com a CRUEL. Pensei que o veríamos a ter as suas memórias de volta e pensei que ele fosse finalmente entender a Teresa. E se por um lado fiquei extremamente frustrada com a teimosia de Thomas em não querer as suas memórias de volta, principalmente quando todos os seus amigos estavam dispostos a fazê-lo, por outro lado consegui perceber os medos que o levaram a optar por não fazer a operação. Afinal pelo pouco que Thomas descobre ele foi uma pessoa que fez más escolhas e que acabou por ajudar na criação de uma experiência que matou muitos dos rapazes que se tornaram seus amigos. Quem, podendo apagar todo um passado de "más escolhas", não o faria? Além do mais não revelando neste livro o que Thomas fez o autor reserva para si mesmo a oportunidade de o contar agora na pré-trilogia (apesar de não saber se é esse o caminho que ele vai seguir).
Pode não ter sido visível pelas minhas críticas anteriores mas gostei muito da Teresa e tive pena que ela não tenha tido mais tempo para nos dar a ver o seu lado da história. Com a sua fé inabalável na CRUEL e depois de ter sido jogada por tudo e por todos acho que podemos dizer que a Teresa foi uma personagem muito maltratada.
Tenho lido várias teorias na net (quem nos segue sabe que gosto de ler metas bem construídas) e todas falam de como esta história, tal como Os Jogos da Fome, não é uma história de amor. Na realidade toda a vida amorosa (e em geral) de Thomas e Teresa é manipulada pela CRUEL, logo apesar de haver faísca entre os dois temos que manter em mente que foi a CRUEL é que acendeu o rastilho e que brincou com esta relação conforme quis.
Foi também a CRUEL que destruiu tudo ao fazer Teresa escolher entre trair o Thomas e salvar-lhe a vida ou ficar com ele e vê-lo morrer às mãos da CRUEL. Dói-me imenso o fim que a Teresa teve porque acredito que mesmo no fim, mesmo após tudo e ela ter provado mais uma vez a sua lealdade para com os seus sentimentos em relação ao Thomas, ele não a compreendeu e não percebeu que para ela o "bem do mundo" e o amor que ela sentia por ele, era mais importante que a vida dela. Também me doí que o autor a tenha descartado tão depressa e tenha feito o Thomas "apagar" as emoções que tinha pela Teresa e substituí-la pela Brenda, tornando-a aos olhos de Thomas a tal quando a Brenda também foi jogada por todos os lados para criar a empatia que levou aos "sentimentos" entre eles. Além do mais confesso que não consegui gostar da Brenda porque senti o livro todo, mesmo no fim, que ela jogou tanto com as personagens quanto jogaram com ela e que planeou as coisas mais do que deixou todos acreditarem. (O que o epílogo acaba por confirmar! *punhonoarIKNEWIT*).
Outra personagem que me surpreendeu foi o Gally e a sua aliança com os revolucionários. O grande problema desta saga de Dashner é que nunca podemos ter a certeza do que as personagens são, visto que a CRUEL vai revelando informações conforme acha oportuno e a fé das personagens é constantemente abalada e testada até elas se reinventarem. Acho que o Thomas que chegou ao fim desta saga é muito mais "cruel" que o Thomas que a iniciou.
Como nos outros livros da saga podem contar com cenas rápidas, acção, traições, mortes e até drama. Toda a história de Newt e do que ele fez pelos amigos é digna de ser lida e dá uma profundidade a estes rapazes que deixaram tudo para "achar uma cura" que não nos pode deixar indiferentes. (O Consultor Literário ainda berra quando se fala do Newt).
Apesar de deixar mais questões que repostas acho que A Cura Mortal é um livro que está ao nível dos outros da saga. Acredito que Dashner aproveite a sua trilogia prequela para nos dar mais informações e expandir o universo de Maze Runner. Por estes lados o Consultor Literário não se conteve e já leu em inglês The Kill Order, onde várias informações sobre a praga são reveladas e onde a origem de Thomas nos é apresentada.

 «Estas e outras novidades no site da Editorial Presença aqui»

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Opinião: O Voo das Águias, de Ken Follet



O Voo das Águias
 de Ken Follet

Edição/reimpressão: 2013
Páginas:488
Editor: Editorial Presença 


Resumo: O Voo das Águias é um thriller soberbo, baseado numa história verídica que se passou no contexto da revolução iraniana liderada por Khomeini para derrubar o regime ditatorial do Xá Reza Pahlevi. Em Dezembro de 1978, dois executivos da sucursal iraniana da EDS são detidos numa prisão de alta-segurança de Teerão. Quando Ross Perot, o fundador e presidente da empresa em Dallas, sabe do que se passa, decide salvar as vidas dos seus dois colaboradores a qualquer custo. Uma missão heróica, extremamente delicada e perigosa, e o desenlace, imprevisível. Uma história extraordinária onde a aventura, o suspense e o desespero são absolutamente reais.

 Rating: 3,8/5 

Opinião: Quem nos segue há algum tempo, sabe que eu gosto do Ken Follet. O autor foi uma descoberta nos últimos anos, para mim, e até hoje tem sabido surpreender-me. É acima de tudo um contador de histórias nato, que sabe encaixar enredos complicados em tramas mais simples, mas nem por isso lineares.
O Voo das Águias é uma reedição agora apresentada em Portugal pela Editorial Presença, que retrata uma situação real, contada agora pelas mãos de um autor que chega a muitos leitores.

Se lerem as páginas iniciais, saberão que Ken Follet foi contactado por Ross Perot para recontar um momento vivido no final dos anos 70 por membros da sua empresa, e que partindo do particular para o geral, nos traz uma representação realista do complicado quadro político que se viveu no Irão, com a revolução de Khomeini e as crises petrolíferas da década em questão. O autor fez ainda questão de indicar que apesar de ter efectuado algum trabalho em alguns discursos, os mesmos foram bastante fiéis à realidade, pelo menos na óptica dos seus intervenientes, que foram tendo a possibilidade de acompanhar o processo de construção do livro e de rectificar algumas questões menos claras ou correctas.


Sendo um livro diferente dos que habitualmente nos traz, o discurso adoptado pelo autor ronda várias vezes as nuances de documentário, sendo bastante original neste sentido, e fazendo-nos acompanhar os diferentes procedimentos a par e passo.


Confesso que gostei bastante deste livro. Tive aulas de história no secundário, as quais adorava, pelo que a construção da narrativa me interessou bastante. De facto, apesar do enredo principal se centrar na EDS, vamos recebendo elementos do espaço exterior em quantidade quanto baste para que possamos gerir a narrativa à luz da diplomacia internacional, das caracterizações sociais e dos movimentos políticos de libertação. Fiquei bastante satisfeita, atendo que não era um livro de história, não era um livro sobre as revoluções iranianas e nem sequer uma análise de tramas políticos.

Como pontos menos bons, vou referir se calhar o início. O número de personagens que interage neste livro é bastante extenso, e muitas têm nomes parecidos. Durante as primeiras 100 páginas tive de recorrer com frequência à página inicial, onde se listam as várias personagens, dado que é impossível conseguir encaixá-las a todas na narrativa de repente (especialmente as que têm nomes ou apelidos algo similares). O segundo ponto passa pela introdução dessas mesmas personagens na narrativa. Dou por exemplo o caso da equipa dos Doze (terão de ler para saber quem são), que nos apresenta um elemento de cada vez, com descrições da vida pessoal. Outro exemplo passa pelas ponderações do mesmo grupo quando lhes fazem uma proposta. Preferia ter uma pequena biografia de todos num capítulo documental no fim do que uma descrição extensa que se tornou por vezes maçuda e despropositada, ao cortar a linha narrativa.

De resto, Ken Follet é um autor inteligente, que sabe aproveitar os seus trunfos em seu favor, e fazer-nos ficar pegados às páginas. Quem gostar de acção, mas assim de tudo de jogos políticos e diplomáticos vai gostar deste livro. E se faltar algo mais para que o considerem fidedigno à verdade, passem a vê-lo como uma narrativa ficcional. Para mim, resultou de ambas as formas.


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Opinião: Maze Runner - Provas de Fogo [Maze Runner 2], de James Dashner

Maze Runner - Provas de Fogo [Maze Runner 2]
de James Dashner
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 368
Editor: Editorial Presença
Resumo:
 Atravessar o Labirinto devia ter sido o fim. 
Acabar-se-iam os enigmas, as variáveis e a fuga desesperada. Thomas tinha a certeza de que, se conseguissem fugir, ele e os Clareirenses teriam as suas vidas de volta. Mas ninguém sabia realmente para que tipo de vida iriam regressar... 
O segundo volume da série Maze Runner ameaça tornar-se um clássico moderno para os fãs de títulos como Os Jogos da Fome.
Rating: 4,5/5

Opinião da Ki:
(Se ainda não leram a nossa opinião ao primeiro volume podem fazê-lo aqui)
 Meu Deus, que viagem! É impossível não amar um livro que nos fez perder a cabeça ao ponto de o atirarmos contra a parede. Depois do epílogo do primeiro volume que nos deixou a chorar por mais agora é a vez do segundo volume nos fazer "sofrer".
Thomas e os Clareirenses estavam convencidos que atravessar o labirinto se revelaria o fim das suas turbações. No entanto, nada podia estar mais longe da verdade e o porto seguro onde pensavam estar, rapidamente se transforma noutra casa de partida para o jogo de CRUEL.
Segredos, traições e momentos inesperados aguardam-nos em cada canto deste livro. Os seus mais de cinquenta capítulos passam a voar e deixam-nos com vontade de ler mais e descobrir mais sobre o que efectivamente se está a passar com Thomas e os seus amigos.
Quanto à escrita e evolução da história podemos encontrar a mesma voz a que James Dashner nos habitou no primeiro volume. Thomas está numa luta constante entre a sua mente e as evidências em frente aos seus olhos. Porque trabalhou para a CRUEL? Qual é a sua missão? Qual é o papel de Teresa em tudo o que se está a passar?
Uma das coisas que mais gosto na personagem de Thomas é a sua capacidade de raciocínio. Apesar de Tom ser um adolescente e sentir as emoções com a violência típica de um, ele também tem cabeça e obriga-se a parar de tempos a tempos para tentar fazer sentido do que está a viver. Mas como podemos fazer sentido de uma vida que está sempre a ser vigiada por cientista malucos?
Maze Runner é uma das melhores distopias que já li, temos todos os factores que nos levam numa aventura contra tudo e contra todos e temos um herói que apesar de perdido se sente confiante de que está a fazer a coisa certa. Além do mais, Tom é um negociador nato e apesar de não ter necessariamente um dom especial com as palavras, sabe quando chega a altura de abrir o jogo e dizer as verdades.
O que achei deste livro? Que foi um filme de acção que se desenrolou na minha cabeça e me fez berrar, ficar nervosa e desejar saber cada vez mais sobre o que se está a passar nesta trilogia. Porque se o primeiro volume nos trouxe perguntas, o segundo apenas nos trouxe algumas respostas e mais perguntas ainda. O que é efectivamente a CRUEL? Porque é que Thomas e os Clareirenses foram os escolhidos para este projecto? Qual é a doença que está a matar a humanidade? E quais são os seus efeitos?
Uma sequela que sem dúvida não desaponta e que abre caminho para o último volume da trilogia.

Opinião da Cláudia: 
Se tivemos opiniões divergentes realtivamente ao primeiro volume, "Maze Runner - Provas de Fogo" cala qualquer dúvida que eu pudesse ter relativamente a esta saga. E só para começar, digo-vos que a expressão "leitura de tirar o fôlego" ganha um significado bem realista com este segundo volume! Acho que até estou sem palavras suficientes para descrever a leitura arrebatadora, dinâmica, cheia de acção, intriga e mistério que James Dashner nos trouxe!!
Como bem diz o subtítulo da continuação desta trilogia, o Labirinto foi apenas o início. E se em Maze Runner - Correr ou Morrer, nem sempre percebíamos o que estávamos a ler, então este segundo volume tira-nos completamente os pés do chão: os twists são engendrados de forma que nos deparamos com eles à medida que as próprias personagens os vivenciam, as suas dúvidas são as nossas e o aparecimento de novos obstáculos deixa-nos tão sem forças como às personagens.
Estou prestes a dizer que o autor é brilhante. Em primeiro lugar, não é fácil criar um enredo de young adult segundo a temática dos mundos distópicos que realmente nos surpreenda na actualidade (e atenção que eu disse surpreenda, não que não gostemos de outros livros do género). A capacidade de construção de um mundo discuncional, pré-apocalíptico (e vou utilizar este termo porque não existe forma melhor de contextualizar a caracterização do mundo tal como a mesma nos é apresentada), onde o ser humano luta pela sobrevivência e apenas se quer ver livre do Fulgor (quem quiser saber o que é, terá de ler o livro) mostra-nos uma série de dimensões inesperadas. Esqueçam-se do Labirinto, esse foi mesmo o início. E se as regras do jogo mudaram, também a realidade onde se inserem. O exterior é diferente do que eles esperavam (a dada altura, julguei muitas vezes que aquele cenário não fosse o verdadeiro exterior). Muitas coisas não batem certo, mas nem temos tempo de questioná-las porque logo em seguida acontece algo igualmente surpreendente.
Tal como as personagens, quando achamos que já nada nos pode causar espanto, surge outro novo desafio, outro novo mistério e uma série de pistas que se interligam entre si, e para a qual a falta de memória de Thomas nos deixa (mas deixa-o principalmente a ele) fora de juízo. Cada rasgo de conhecimento é uma tentativa de perceber como vencer este desafio que ele e os Clareirenses enfrentam numa conjungação doentia de cobaias num ensaio científico (para o qual supostamente não acordaram entrar...mas quem sabe?).
Esta nova realidade traz também novos companheiros de viagem. Contrariamente a Thomas, desta vez terei de ficar do lado de Minho, e enunciar que uma ou outra me levantaram dúvidas. As quais vi em parte confirmadas, mas por outro lado, também não vi. Confuso? Talvez só lendo se entenda a real dimensão desta trilogia.
O autor foi bastante inteligente na construção deste enredo. Se por vezes senti algum vazio na ausência de explicações, de caracterizações de personagens (e até uma certa infantilidade de Thomas, provinda da necessidade de elevar o ego ao mostrar-se corajoso de forma pateta por vezes) no primeiro volume, este é denso, enriquecido de narrativas, descrições espectaculares que me fizeram viver a aventura ao mesmo nível que os seus executantes.
Por outro lado, foi revigorante (para variar) ter como personagens principais um grupo de rapazes. Adoro livros com personagens femininas fortes, mas Thomas, Minho, Newt e os restantes Clareirenses são seres espectaculares. São rapazes adolescentes com o desejo de vencerem, que não negam as suas emoções e o medo constante que sentem pelo preço a pagar pela sobrevivência.
Estou completamente rendida, e quero comprar toda a trilogia.

  • Este livro faz parte de uma trilogia, da qual já comentamos o primeiro volume;
  • Esta trilogia já foi toda publicada em inglês sendo o título do último volume The Death Cure;
  • Em 2012 o autor publicou uma prequela chamada "The Kill Order" (e que me parece ser bastante spoiler da série);
  • A 20 de Fevereiro de 2014 deverá estrear o primeiro filme.

domingo, 5 de maio de 2013

Rubrica: Darkness Take My Hand, de Dennis Lehane

Darkness, Take My Hand [Kenzie and Gennaro, #2 ]
de Dennis Lehane
Edição: 2006
Paginas: 512
Editora: Batman Books
Resumo:
A mais recente cliente dos detectives Patrick Kenzie e Angela Gennaro é uma proeminente psiquiatra de Boston receando uma aparente ameaça de membros vingativos da máfia irlandesa. Os detetives particulares sabem algo sobre a retribuição a sangue frio, tendo sido nascidos e criados nas ruas de Dorchester, ambos assistiram à escuridão que vive nos corações dos mais infelizes.
Mas algo extremamente perverso, para o qual mesmo eles não estão preparados, está prestes a atacar, assim como segredos há muito adormecidos estão prestes a entrar em erupção, desencadeando uma série de assassinatos violentos que irá manchar tudo - incluindo a verdade.

Rating: 5/5
 
Comentário:
Este livro é já o segundo que leio deste autor e quero começar desde já por salientar o quão brilhante é a escrita de Dennis Lehane.
Não são todos os autores que conseguem tão facilmente fazer com que o leitor consiga transpor as suas palavras para um filme mental, sendo que, a leitura de Darkness, Take My Hand não é excepção à regra, conseguindo excepcionalmente assemelhar-se verdadeiramente a ver um filme numa grande tela, capaz de levar o leitor a ficar preso à história rapidamente.
Os protagonistas, investigadores particulares Patrick Kenzie e Angela Gennaro, estão de volta com mais um caso em mãos, em que desafiam as suas próprias vidas e onde mais uma vez estão perante os actos horroríficos daquilo que o ser humano é capaz.
Como já referido, além da escrita fácil e expressiva, Lehane sabe perfeitamente como agarrar o leitor e levá-lo por uma onda de emoções, onde tudo ao início parece calmo, para depois se tornar num turbilhão de sensações e descobertas à medida que é atingido o clímax da história. Assim, algo que começa por parecer bastante inofensivo, acaba por se revelar um dos casos mais perigosos em que Kenzie e Gennaro alguma vez estiveram envolvidos. À medida que a investigação se desenrola, uma simples “ameaça” acaba por se revelar muito mais que isso, resultando em mortes extremamente violentas e actos de tortura desumanos, onde o principal sujeito é alguém que está preso há mais de vinte anos.
Cheio de suspense, mistério e acontecimentos extasiantes, o caso vai se tornando cada vez mais pessoal, remetendo para assuntos inacabados do passado, à medida que é traçado um jogo psicológico e perverso entre o gato e o rato, onde quem está a apanhar quem, toma um outro novo sentido.
O melhor deste livro é sem dúvida o quão empolgante a sua leitura se torna, esperando ser surpreendido a qualquer momento, e obviamente todo o percurso que leva a um final algo intenso. Patrick e Angela são também personagens que facilmente cativam o leitor, demonstrando uma química intensa entre ambos e proporcionando por vezes certos momentos cómicos que aliviam a pressão.
Sem querer revelar mais pormenores e detalhes mais fundos (caso contrário estragaria a mística deste tipo de livros), espero que as minhas palavras incitem o leitor a decifrar por ele próprio o que este livro tem para contar.
Acrescento apenas que para amantes de thriller psicológico Lehane é, sem dúvida, um dos peritos actuais na matéria e, Darkness, Take My Hand, o melhor livro seu que li até agora. Prometendo emoções ao rubro, é garantida uma incessante vontade de o devorar de uma só vez.


Soffs
Sobre a nossa convidada:

Sofs, sonhadora compulsiva, gosta de viajar por mundos novos através dos livros. Aspirante jornalista. Tem o estranho gosto pelo cheiro das páginas de um livro. Não sai de casa sem as suas leituras na mala.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Opinião: Trash Os Rapazes do Lixo, de Andy Mulligan



Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 232
Resumo:
Nunca saberás o que vais encontrar...
 Raphael, Gardo e Ratazana vivem em Behala, uma lixeira de proporções inimagináveis num país do Terceiro Mundo. Todos os dias, a sua vida resume-se a passar a pente fino os detritos provenientes da cidade na esperança de encontrarem algo que possa ser vendido. Um dia, descobrem uma pequena mala de cabedal que contém dinheiro e alguns documentos pessoais. Mas a polícia também está interessada em ficar com a mala, e os três rapazes dão por si a ser perseguidos à medida que tentam desvendar um caso de corrupção que envolve as mais altas esferas da sociedade.
(Para verem o livro no site da editora cliquem no título do mesmo ou aqui, para lerem um excerto no site da editora cliquem aqui)

Rating: 3/5

Comentário: 
Quem nos segue habitualmente é capaz de já ter notado que temos uma tag especial para a colecção Noites Claras da Editorial Presença. Criámo-la quando descobrimos que já tínhamos lido muitos dos livros desta colecção e mais, quando nos apercebemos o quanto gostamos deles e o quanto eles nos mantêm a pé a noite toda fazendo jus ao nome da colecção!
Trash é um livro diferente do que esperava inicialmente: a narrativa é contada principalmente na primeira pessoa pelos três rapazes que trabalham na Lixeira - Gardo, Raphael e Ratazana - assim como por outros intervenientes que explicam as partes a que os rapazes não tiveram acesso. De um modo estranho, estas personagens surgem, garantindo estar a relatar os espisódios que testemunharam a pedido dos rapazes. No entanto, tendo em conta o decorrer do livro, não fica esclarecido de que forma tal era possível (mas isto são detalhes irrelevantes para a história).
O resumo do livro é claro e directo. O livro não dá muito mais voltas e reviravoltas, sendo uma narrativa  simples, directa e carregada de acção (ao fim ao cabo...são rapazes!). Deste modo, não esperem frases confusas e/ou profundas, reflexões, palavreado caro...Trash está escrito como uma representação da história e vida de três rapazes, e são as suas palavras que a transformam em realidade (revelando um dos talentos de Andy Mulligan ao consegui-lo).
Quando ao enquadramento, temos um cenário de pobreza imensa. Estas crianças trabalham há quase uma década na lixeira e que têm apenas treze anos, o que facilita a aproximação entre o leitor e elas, que não consegue evitar uma sensação de ligação e empatia por eles.
No geral, devo dizer que achei o livro interessante. Considero no entanto que falta um pouco de realismo no meio da ficção, soando por vezes demasiado "sortudo". Conhecem aquela sensação que temos quando os personagens começam a ter sorte a mais? Essa impressão acompanhou-me um bocado durante este livro, e por vezes esperei que a história ganhasse um contorno ligeiramente diferente. Geralmente sou muito tolerante a este tipo de situações, principalmente nos mundos de fantasia (porque num mundo em que dragões voam pelos céus uma pessoa até consegue acreditar que se venda sorte engarrafada), mas quando se tenta criar uma base real, quando a história se passa no nosso mundo, parece-me algo caricato.
Ainda assim, é um livro essencialmente orientado para um público mais jovem (talvez pré adolescentes e adolescentes) que gostem e procurem um livro ao jeito de filmes de domingo - cheios de acção com polícias, políticos corruptos e rapazes que sobrevivem a toda e qualquer complicação que lhes surja, como elemento de esperança para dias melhores. É pequeno (pelo menos para quem acha que 250 páginas é um tamanho razoável), que se lê facilmente, e que por esse motivo pode ser incentivador para promover a leitura entre os mais novos. Saí daqui com três estrelas.
  • Podem ver todos os livros que já comentamos da colecção Noites Claras clicando aqui;
  •  Apesar de nunca ser referido o país em que se passa a acção, vários leitores das Filipinas conseguiram situar a acção no seu país (onde há uma lixeira com o mesmo nome e um shopping com uma história parecida à do livro).

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Opinião: Colecção Leviatã, de Scott Westerfeld

Leviatã
Leviatã
de Scott Westerfeld
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 336
Editor: Vogais
Resumo:
É o início da I Guerra Mundial, mas num mundo alternativo de que nunca ouviste falar. Os Germânicos lutam com máquinas de ferro a vapor carregadas de armas. Os Britânicos lutam com bestas darwinistas resultantes do cruzamento de vários animais. Alek é um príncipe germânico em fuga. A única máquina de guerra que possui é um Marchador, com uma tripulação que lhe é leal. Deryn é do povo, uma britânica disfarçada de rapaz que se alista para lutar pela sua causa - enquanto tem de proteger o seu segredo a todo o custo. No decorrer da guerra, os caminhos de Alek e Deryn acabam por se cruzar a bordo do Leviatã, uma baleia-dirigível e o animal mais imponente das forças britânicas. São inimigos com tudo a perder, mas na verdade estão destinados a viver juntos uma aventura que vai mudar a vida de ambos para sempre



Leviatã 2: BestaLeviatã 2: Besta
de Scott Westerfeld
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 352
Editor: Vogais
Resumo:
Behemoth é a besta mais feroz da Marinha britânica. Os Darwinistas precisam dele mais do que nunca, agora que estão em guerra declarada com os Clankers.
Alek e Deryn estão juntos a bordo do Leviatã, e esperam conseguir levar a guerra a um impasse. Mas, quando a sua missão de paz falha, percebem que estão sós em território inimigo e que estão a ser perseguidos

 Leviatã 3: GoliasLeviatã 3: Golias
de Scott Westerfeld

Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 352
Editor: Vogais
Resumo:
O Leviatã é forçado a desviar-se do seu percurso para resgatar Nicola Tesla, o inventor do Golias, uma máquina capaz de destruir cidades, e que ele usa como trunfo para impor a paz. Quando é descoberto um plano secreto alemão para sabotar a máquina, este ameaça disparála. Este é o espetacular final da trilogia! Batalhas aéreas emocionantes numa viagem à volta do mundo echeada de perigos e... beijos ousados!

Rating: 4/5 (de toda a colecção)



Em Leviatã, Scott Westerfeld conseguiu redimir-se e conquistar-se finalmente. Desde que conheci as obras dele, temos tido uma relação algo complicada. Para mim, tem sido um autor que tem prometido uma enorme inovação, através da apresentação de mundos bastante apelativos que nos fazem querer conhecer mais sobre os mesmos, mas que no fim se revelam uma desilusão. Sempre senti faltava algo nas suas obras, talvez um certo condimento, uma estrutura que justificasse em igual medida a construção de um enredo rico e repleto.
Leviatã , sem sombra de dúvida, cortou com essa tendência. Em primeiro lugar, poderão consultar o trailer em cima, dado que está bastante bem concretizado e com uma animação que ou muito me engano ou é baseada no trabalho do ilustrador Keith Thompson, e que por sinal fez um óptimo trabalho ao longo do livro. Essa é uma das novidades: esta trilogia é acompanhada por uma série de ilustrações que retractam todos os momentos explosivos da narrativa, e que são tão realistas quanto bem executados, sendo um óptimo complemento para a narrativa. Por outro lado, eesta trilogia insere-se no género do streampunk, do qual já aqui falámos anteriormente. E se leram o nosso artigo certamente percebem ao ver este trailer o quanto a trama se insere no conceito, aproximando-se até às definições originais que o caracterizarem.

Mas continuemos. Afinal, qual é a temática destes três fantásticos livros? Bem, aconselho-os para quem gosta de História, mas não é um impedimento para quem não a aprecia assim tanto. O mundo de Deryn e Alek é uma realidade alternativa ao nosso e decorre na altura da I Guerra Mundial. Oriundos de países tradicionalmente propostos à inimizade (embora esta só seja declarada muito posteriormente ao iniciar da trama): um adepto da filosofia clanker (ligada à sabedoria das máquinas, do vapor, da mecânica rude) e outro defensor dos darwinistas (resultantes de jogos genéticos com animais e forma a desenvolver criaturas adaptáveis às necessidades humanas, numa aparição enquanto mecanismos vivos, mas que no fundo nem são uma coisa nem outra). É destas duas filosofias que vive o mundo, sendo que algumas nações aprenderam a tirar vantagem e ambas. É o caso dos Estados Unidos da América, por exemplo.

A piada de gostar de História resulta então do facto a apresentação de momentos históricos poder desviar-se para uma realidade alternativa por algo tão simples como um momento disparatado destas duas cabeças aluadas e de bom coração.

Os dois jovens irão ver-se envolvidos numa série de peripécias e precalços que os levarão em aventuras inimagináveis e os farão repensar sobre a sua pequena posição enquanto peões de um dilema mundial, na tomada de decisões acertadas que coloquem todos a salvo.

Deryn é uma rapariga que quer ser mais que um fantoche de saias. Adora voar e sente essa âmbição como parte da herança que o seu pai deixou. Mal sorte a sua que a entrada de mulheres para a força aérea é interdita e pode resultar em qualquer coisa muito má como a morte. Pelo menos é o que ela acha. Mas a rapariga tem uma mente sagaz e uma perspicácia que vence muitos, o que a ajudará sempre nas empreitadas em que se meter. É corajosa, forte e sensível, como todas as mulheres a sério são.

Já Alek é uma personagen que vem crescendo ao longo dos três livros. Começa por ser um rapaz um pouco inconsequente e algo irresponsável, muito concentrado no seu umbigo e que precisa de crescer. As situações porque passa, a responsabilidade que recai sobre as consequências das suas acções tornam-no mais ponderado. Ainda assim, e no meio os seus objectivos utópicos, procura o melhor para si e para os seus, querendo acima de tudo a paz.

É uma trilogia repleta de aventura, acção, descobertas e até algumas nuances de romance. Permite enveredarmos num universo que conhecemos mas que simultâneamente é totalmente diferente do nosso, com realidades que tanto nos aproximam como nos afastam. Deryn, Alek e todos os que os acompanham tornam esta narrativa divertida, fluída, espontânea e completa.


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Opinião: Unwind, de Neal Shusterman

Unwind
de Neal Shusterman
Edição/reimpressão: 2008
Páginas: 352
Editor: SIMON & SCHUSTER, LTD
Resumo:
Connor, Risa, e Lev estão a fugir para se salvarem.

Nos EUA a Segunda Guerra Civil nasceu do desacordo das facções pró-vida e pró-escolha sobre o Direito à Vida. A solução arrepiante? A vida humana é inviolável desde o momento da sua concepção até aos treze anos de idade. Entre os treze e os dezoito anos no entanto, os pais de uma criança podem decidir "desmonta-la" (unwind), e todos os seus órgãos são transplantados para outras pessoas respeitando assim os desejos das famílias pró-vida, pois todas as partes da criança continuam a viver, e respeitando os desejos das família pró-escolha, pois os pais podem abortar a criança retroactivamente.

Connor é demasiado "selvagem" e os seus pais não o conseguem controlar. Risa, uma orfã ao cuidado do Estado, não vale o suficiente para este a manter viva. E Lev é um tithe, uma criança que foi concebida para ser "desmontada". Sozinhos não conseguirão escapar mas juntos tem a pequena hipótese de não só o conseguir mas como ainda de sobreviver.  



Rating: 5/5

Comentário:
Sou sincera livros com as palavras "brutal", "cru", "verdadeiro" estampadas nas capas são hoje em dia algo habitual e, se as tivesse visto na capa de Unwind não o acharia fora do comum. O que acho fora do comum é que o livro o seja e as palavras não estejam lá.
Quando a Stacey, uma crítica de YA britânica, me recomendou Unwind referiu que este tinha sido o melhor livro YA distópico que tinha lido este ano. Tendo em conta que ela gosta tanto de distopias como eu pensei que este livro estivesse ao nível de livros como Maze Runner, Crónicas de uma Serva e Os Jogos da Fome, mas não, Unwind vai mais longe.
Com uma acção quase continua, com um ou outro momento para recuperar o fôlego, Connor, Risa e Lev estão a fugir para se preservarem "montados", visto que a opção de continuarem vivos mas "desmontados" não lhes parece de todo apelativa. O desespero e a necessidade vão ligar estes três jovens e fazer nascer entre eles uma confiança que noutras situações não se afirmaria tão depressa.
A história acaba deste modo por desenvolver temas interessantes, apesar de uma maneira subjacente, como o "pensar antes de agir", "confiança", "amizade" e "direitos humanos". Este é o género de livro que gosto, porque além de termos uma história fantástica, temos uma história que nos faz pensar, que nos questiona e que nos deixa mais ricos por a lermos.
Um dos meus momentos favoritos envolve Connor a falar com um grupo de três rapazes no qual eles discutem o que é "ser desmontado", "se a alma existe" e as suas vidas. O autor tinha, dado a situação em que se encontravam, a possibilidade de fazer o mesmo com Risa, a personagem feminina, e talvez essa fosse uma escolha mais seguras porque as raparigas costumam ser mais propensas a falar. No entanto, o autor escolheu Connor, um risco que lhe valeu um momento diferente e uma prova de desenvolvimento psicológico da personagem.
Este é um livro que nos fala de uma sociedade onde todos se viraram contra nós, até mesmo a nossa família, uma sociedade que quer todas as partes do nosso corpo e que está disposta a tudo para as conseguir. É um verdadeiro thriller de "contra tudo e todos" que nos mantém colados desde a primeira página, onde conhecemos Connor, até à última.
Este foi também, até hoje, o único livro que me deu, fisicamente, vómitos. Perto do fim tive de parar várias vezes entre parágrafos e respirar fundo, distrair-me antes de continuar a ler, porque eu queria continuar a ler e simplesmente não conseguia porque me sentia doente.
Creio que o horror que se apoderou de mim se deve dever ao facto de que, por uma vez numa distopia, não é o governo que exige aos pais que "desmontem" os seus filhos, são os próprios pais que o decidem fazer, o governo apenas lhes dá essa opção. Depois de muitas distopias nas quais o governo impera e as pessoas estão subjugadas à sua vontade. Foi assustador achar uma sociedade onde por um lado temos pais que se esforçam para comprar órgãos para os seus filhos e por outro temos pais que assim que os filhos fazem treze anos os mandam "desmontar".
Unwind é um livro profundo que deixa muitas questões no ar: Será que a alma existe? Será que efectivamente os "desmontados" continuam vivos? O que acontece à alma dos "desmontados"? O que acontece às pessoas que recebem partes de outras? Será o "desmontamento" uma alternativa 'viável' ao aborto?
Um livro para pensar, uma das melhor distopias que já li e que recomendo vivamente para todos os amantes de distopias e livros de acção.  Este saí com o selo do Encruzilhadas.


  • Este livro ainda não está disponível em português;
  • Unwind é o primeiro de uma trilogia mas pode ler-se separado;
  • O segundo volume chama-se UnWolly e saiu este ano assim como a novella UnStrung.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Opinião: [Maximum Ride N.º 1] O Resgate de Angel, de James Patterson

O Resgate de Angel (Maximum Ride N.º 1)
de James Patterson
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 384
Editor: TopSeller
Resumo:
ALERTA! Um grupo de seis jovens com poderes extraordinários está em FUGA. O seu líder é Maximum Ride, ou Max. Retirados dos seus pais à nascença, os seis estavam presos num laboratório secreto, onde foram alterados geneticamente para se tornarem 98% humanos e 2% pássaros. Agora eles conseguem voar e escaparam da sua prisão. Mas desconhecem as razões para tudo o que lhes foi feito, e não sabem quanto tempo de vida lhes resta. No seu encalce estão os Erasers, seres diabólicos criados no mesmo laboratório, que apanham Angel, a miúda mais nova e especial do grupo de Max.
Conseguirá Max resgatar Angel e descobrir a verdade sobre si e os seus amigos? PREPARA-TE: Este livro é o início da mais fantástica e emocionante aventura da tua vida.
[Primeiro de uma colecção com oito volumes.]

Rating: 4/5

Comentário:
Desta vez quero começar pela capa. Porquê? Porque é linda, é brilhante e porque esta é uma daquelas capas que comemos com os olhos. Sei que não devemos julgar um livro pela capa, mas por vezes existem capas que nos fazem querer ler as histórias que estão lá dentro. Para mim esta foi sem dúvida uma delas. Tem um brilho que pela imagem não se nota mas que chama a atenção, tem a águia e tem a Max pronta a levantar voo. Uma capa sem dúvida bem conseguida.
Apesar do começo ser um pouco confuso e Max ser um pouco convencida demais para o meu gosto, a verdade é que à medida que a história se desenlaça começamos a perceber o que faz deste bando uma família. Creio que outro dos motivos pelos quais choquei com Max é o facto de sermos ambas irmãs mais velhas e termos a mania que somos espertas. Talvez sejamos demasiado parecidas em certos pontos e por isso chocamos.
Foi muito refrescante para mim ler sobre uma irmã mais velha. Apesar de Max não ser, biologicamente, irmã de ninguém no bando. Todos se tratam como família e ela faz muitas vezes da mamã que o bando não tem, principalmente com a personagem mais nova, Angel. Por isso foi interessante segui-la e descobrir como funciona a sua relação com as demais crianças.
Os capítulos curtos fazem com que este livro se leia rapidamente e seja óptimo para crianças e jovens que sejam mais "difíceis de convencer a ler". Para quem está habituado a ler no entanto, pode ser um pouco frustrante no inicio, mas se nos mentalizarmos que o livro é uma espécie de diário de Max, e que a nossa heroína tem catorze anos também percebemos que temos de nos adaptar à sua escrita e rapidamente entramos no ritmo de leitura.
Apesar das várias coincidências que vão ajudando o bando ao longo do livro e que me irritaram profundamente, perto do fim há dúvidas que são criadas que nos deixam a pensar. Quão longo é o alcance da Escola? Será que foram mesmo coincidências? Terá o bando conseguido mesmo escapar às garras da escola? Qual é a sua missão?
É um daqueles livros que infelizmente assim que começa a ficar bom acaba e que nos deixa a querer mais e mais. Para minha sorte, ou azar, a colecção conta com oito volumes sendo este o primeiro deles. Assim sendo espero ainda ler muito sobre as aventuras de Max e o seu bando.
Antes de terminar gostaria também de dizer que esta foi a minha primeira experiência como leitora de James Patterson um dos actuais escritores bestsellers a nível mundial e que não fiquei de todo desapontada. Espero  que ao continuar a ler as aventuras de Max me torne uma fã intencionável deste autor.

Book Trailer:

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Opinião: Percy Jackson e a Batalha do Labirinto, de Rick Riordan

Percy Jackson e a Batalha do Labirinto
de Rick Riordan
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 376
Editor: Casa das Letras
Resumo:
 Percy está prestes a começar o ano lectivo numa escola nova. Ele já não esperava que essa experiência fosse muito agradável, mas quando teve de enfrentar um esquadrão de líderes de claque tão esfomeadas quanto demoníacas, imediatamente se apercebeu que tudo podia ficar muito pior.
Nesse quarto volume da série Percy Jackson, o tempo está a esgotar-se e a batalha entre os Deuses do Olimpo e Cronos, o Senhor dos Titãs, está cada vez mais próxima. Mesmo o acampamento dos meio-sangues, o porto seguro dos heróis, torna-se vulnerável à medida que os exércitos de Cronos se preparam para atacar as suas fronteiras, até então impenetráveis. Para detê-los, Percy e seus amigos semideuses partirão numa jornada pelo Labirinto — um interminável universo subterrâneo que, a cada curva, revela as mais temíveis surpresas.

Rating: 4/5

Comentário: 
Este comentário poderá conter informações dos livros anteriores!

Gostaria de começar esta crítica dizendo que este é sem dúvida um dos melhores livros da série. Após o aparecimento do Minotauro no primeiro livro, Percy enfrenta agora o Labirinto que encerrava o mesmo. Creio que foi o Labirinto me cativou neste livro, assim um pouco como no livro Maze Runner, pois tenho um certo fascínio pelos mesmos. Mas tenho a dizer também que a maneira como Rick Riordan trabalhou toda a ideia do Labirinto foi sem dúvida genial.
A verdade é que toda a ideia de trazer a mitologia grega para os nossos dias é fantástica, Riordan pode não ser o primeiro a fazê-lo mas apreciei bastante a maneira como ele o fez, pois conseguiu trazer um mundo inteiro de mitos para o continente americano.
Neste livro a trama adensa-se à medida que Cronos está cada vez mais próximo do momento em que se vai erguer. Infelizmente, para Percy isto significa também que o seu décimo sexto aniversário está cada vez mais próximo e o pouco que este sabe da profecia não anuncia um final muito feliz.
Se isto tudo não chegasse, a Rachel, a mortal que encontrou no livro anterior, re-aparece na sua vida e a cada fala sua, Annabeth tem respostas que estão a deixar Percy louco pois não tem nada a ver com a Annabeth que este conhece. Há medida que se aproxima do seu aniversário, Percy apercebe-se que a vida no Campo nunca mais será a mesma, assim como a maneira como olha para as suas amigas raparigas.
Devo confessar que tinha um certo receio da maneira como Riordan ia escrever o romance nesta saga. Isto porque normalmente não leio "romance" no masculino mas sendo Percy uma série maioritariamente de acção, o autor conseguiu inserir momentos ternos ao logo dos vários livros dando asas a um romance muito bonito. (Quem me segue no GR de certeza que ouviu os meus muitos berros de shipper, desde já as minhas desculpas, mas é provável que o volte a fazer.)
Creio que toda a saga conseguiu seguir uma boa linha de trama e o climax, assim como as dificuldades, cresceram de livro para livro, fazendo com que os leitores procurassem sempre saber mais. Há que recordar os leitores, no entanto, que esta saga é uma saga juvenil, ou YA (como se diz em inglês), e que portanto terá o seu q.b. de problemas adolescentes e uma escrita própria do género.
Tal como livros anteriores os leitores podem contar com batalhas e monstros saídos directamente da mitologia. Quem como eu, gosta de mitologia grega, sem dúvida que vai gostar deste re-inventar da mesma, tentando adivinhar a maneira como Riordan vê as personagens que nos deveriam ser familiares.
Esperamos agora pelo quinto e último volume da saga que sem dúvida acabara com um confronto final digno de memória.

  • A saga de Percy Jackson  é composta por cinco volumes;
  • Já comentamos o primeiro, segundo e terceiro volumes;
  • De momento os quatro primeiros volumes já estão editados pela  Casa das Letras;
  • A saga de Percy Jackson é seguida pela saga Heróis do Olimpo de  momento apenas disponível em inglês.


Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre livros e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Opinião: Maze Runner: Correr ou Morrer, de James Dashner

Resumo:
Quando desperta, não sabe onde se encontra. Sons metálicos, a trepidação, um frio intenso. Sabe que o seu nome é Thomas, mas é tudo. Quando a caixa onde está para bruscamente e uma luz surge do teto que se abre, Thomas percebe que está num elevador e chegou a uma superfície desconhecida. Caras e vozes de rapazes, jovens adolescentes como ele, rodeiam-no, falando entre si. Puxam-no para fora e dão-lhe as boas vindas à Clareira. Mas no fim do seu primeiro dia naquele lugar, acontece algo inesperado - a chegada da primeira e única rapariga, Teresa. E ela traz uma mensagem que mudará todas as regras do jogo. (Podem ler um excerto aqui no site da editora, para verem o livro no site da Editora podem clicar na capa ou aqui.)

Rating: 5/5

Comentário:
Sou uma aficionada da ficção-cientifica e por isso quando a moda das distopias pegou tive de me controlar para não berrar de alegria. É um género completamente fascinante para mim pois acho incrível aquilo que os escritores conseguem fazer com estes mundos distópicos. Depois de distopias como Os Jogos da Fome, União, Delirium e Divergente confesso que não sabia ao certo o que esperar de novo, no entanto as críticas à saga Maze Runner tinham sido bastante positivas, o que me deixou curiosa.
Quando finalmente peguei no livro para ler fui imediatamente transportada para o meio da acção. Tal como o resumo diz, Thomas acorda num elevador e não se recorda de nada - é nesse exacto ponto que começa a nossa narrativa.
As perguntas assaltam-nos portanto logo nos primeiros parágrafos: O que se passou para Thomas ir parar ao elevador? Quem é Thomas? Porque não se lembra de nada? Quando o elevador finalmente pára e abre as suas portas em vez de respostas encontramos mais perguntas: O que é a Clareira? Quem são estes rapazes? O que se está a passar?
Depois de distopias nas quais vamos conhecendo a realidade lentamente a partir de um herói que já a habita há muito, é interessante encontrar um herói que simplesmente está tão perdido quanto nós. Thomas está a ver tudo na Clareira pela primeira vez ao mesmo tempo que nos deparamos com ela, tudo o que o surpreende nos surpreende também e o que ele não percebe, para nós é tão ou mais confuso. O truque acaba por ser fazer-nos sentir tão irritados e perdidos quanto o Thomas e cativar-nos a tentar descobrir mais, visto que a informação vai sendo lentamente libertada.
Isto contribui para um crescendo fantástico de interesse por parte do leitor na história. O próprio tema do labirinto e de solucionar o labirinto invoca algo místico dentro de cada um de nós. Lembro-me de ser pequena e ir ao Monsanto e correr para o labirinto no meio do parque para "achar a saída". Porque os labirintos serem para isso mesmo, para uma pessoa "achar a saída", creio que acabam por ser uma metáfora para a própria busca humana de algo que não sabe o que é para além de uma saída.
E a saída é que os rapazes da clareira procuram, é a saída que Thomas procura e o próprio leitor dá por si também em busca da saída do labirinto. Que labirinto é esse? Só lendo é que o descobrirão!
Quanto à personagem de Thomas posso dizer que é um rapaz normal e esperto e que calça o 45. Facto a que achei imensa piada pois calça o mesmo número que o meu irmão, algo cada vez mais comum mas raramente referido.  Posso também dizer que gostei da instintividade de Thomas e da maneira como ele lidou com algumas das situações que lhe foram apresentadas.
O facto de estarmos a descobrir este novo mundo ao mesmo tempo que ele ajuda a criar uma certa cumplicidade com a personagem. Thomas acaba por se tornar nosso amigo enquanto descobrimos o mundo de Maze Runner.
Este é um livro que fala também de quebra cabeças, amizades e de como as pessoas se adaptam à realidade que as rodeia. Um autêntico contemporâneo da saga Os Jogos da Fome.
Com batalhas sangrentas e reviravoltas inesperadas Maze Runner: Correr ou Morrer acabou de entrar na minha lista de distopias favoritas e é uma saga que tenho o maior interesse em seguir.

  • Este livro faz parte de uma trilogia;
  • Esta trilogia já foi toda publicada em inglês sendo os títulos dos seguintes volumes The Scorch Trials e The Death Cure;
  • Este ano o autor publicou uma prequela chamada "The Kill Order" (e que me parece ser bastante spoiler da série);
  • O IMDB acusa que sairá um filme do livro algures em 2013 mas não dá muitos detalhes em relação ao mesmo.



Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre livros e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Percy Jackson e a Maldição do Titã, de Rick Riordan

Percy Jackson e a Maldição do Titã
de Rick Riordan
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 336
Editor: Casa das Letras
Resumo:
Uma chamada urgente e aflita do amigo Grover é o sinal para Percy Jackson da iminência de mais uma batalha memorável. É também hora de convocar todos os seus poderosos aliados semideuses, de pegar na sua confiável espada de bronze e ter a ajuda de sua mãe. Os semideuses correm imediatamente em seu auxílio e descobrem que Grover fez um importante achado: dois poderosos meio-sangues, Bianca e Nico di Angelo, cujo parentesco é desconhecido. Mas não é só isso que os espera. O titã Cronos criou a sua mais traiçoeira estratégia, e os jovens heróis caíram como presas indefesas. Mas não são os únicos em perigo. Um antigo monstro que dizem ser tão poderoso que poderia destruir o Olimpo ressurgiu e Artemis, a única deusa que parece saber como combatê-lo, está desaparecida. Percy e os seus amigos juntam-se aos Caçadores de Artemis e têm apenas uma semana para encontrar a deusa desaparecida e desvendar o mistério sobre este terrível monstro. Pelo caminho eles enfrentarão o seu mais perigoso desafio: a petrificante profecia da maldição do titã.»

Rating: 3,5/5

Comentário:  
Este comentário tem informações sobre os livros anteriores!

E apesar de não ser na sua escola, Percy começa esta nova aventura novamente numa escola. Acho sempre uma tremenda piada a este facto, pois Percy está sempre a começar as suas aventuras nas férias de verão, lembro-me sempre da Cláudia e da sua frase "posso parar quando estiver morta!". Parece-me que o Rick Riordan partilha da mesma opinião, pois ainda está para vir o verão em que Percy fica na praia a apanhar banho de sol.
Voltando à história, desta feita Percy parte em busca de dois meio-sangues com a ajuda de Annabeth e Tália. Informados por Grover, que está a cumprir a sua missão de sátiro na procura de descendência dos deuses, da aparição misteriosa de Bianca e Nico di Angelo, dois irmãos e poderosos meio-sangue a equipa de Percy não perde tempo e segue para o terreno.
Ainda atordoado pela transformação de Tália de pinheiro para humana, Percy está a aprender a lidar com o facto de provavelmente já não ser o melhor amigo de Annabeth e com o desespero face à inocência da amiga que continua a acreditar na bondade de Luke.
No meio desta confusão toda, Percy junta-se às Caçadoras de Artemis numa busca pela deusa desaparecida e pelo seu novo lugar no trio "Tália-Annabeth-Luke", os três amigos que sobreviveram juntos durante um ano antes de chegarem ao Acampamento. Apesar de Luke se considerar fora da equação as duas amigas continuam unidas como sempre e Percy sente-se um pouco perdido.
No meio da aventura claro as coisas acabam sempre por se revelar mais complicadas do que são, além do mais as parecenças de personalidade de Percy e Tália provocam choques constantes pela liderança do grupo. E se tudo isto não bastasse à maldição do titã e a terrível profecia do oráculo que os parece perseguir a cada passo.
Creio que este livro se revelou o ponto de viragem de saga. Foi neste livro que Percy descobriu que as coisas nem sempre acabam bem e que nem sempre a vitória vem sem um preço. Ás vezes o preço é leve, outras pesado mas está lá. Creio que Percy cresceu como personagem e que as suas "missões" fora do acampamento o estão a ajudar a formar-se como homem e semi-deus.
Repleto de elementos de lendas gregas, como o é aliás toda a série, este livro revela-se um bom livro "do meio" cheio de mistérios, aventura e terror.

  •  A saga de Percy Jackson  é composta por cinco volumes;
  • Já comentamos o primeiro volume aqui e o segundo volume aqui;
  • De momento os quatro primeiros volumes já estão editados pela  Casa das Letras;


Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre livros e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Percy Jackson e o Mar dos Monstros, de Rick Riordan

Percy Jackson e o Mar dos Monstros
de Rick Riordan
Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 254
Editor: Casa das Letras
Resumo:
O ano de Percy Jackson foi surpreendentemente calmo. Nenhum monstro se atreveu a colocar os pés no campus da sua escola em Nova Iorque. Mas quando um inocente jogo do mata entre Percy e seus colegas se transforma numa disputa mortal contra um grupo de gigantes canibais, as coisas ficam... digamos, complicadas. E a inesperada chegada da sua amiga Annabeth traz mais más noticias: as fronteiras mágicas que protegem a Colónia dos Mestiços foram envenenadas por um inimigo misterioso e, a menos que encontrem uma cura, o único porto seguro dos semideuses tem os seus dias contados.

Nesta emocionante e divertida continuação da série iniciada com Os Ladrões do Olimpo, Percy e seus amigos precisam se aventurar no mar dos Monstros para salvar a Colónia dos Mestiços. Antes, porém, o nosso herói descobrirá um chocante mistério sobre sua família — algo que o fará questionar se ser filho de Posídon é uma honra ou simplesmente uma piada de mau gosto.

Rating: 3,5/5

Comentário: 
Atenção! Este comentário poderá fazer referências a situações passadas no primeiro volume da saga.
Uma das coisas que mais gosto na saga Percy Jackson é a certa ironia e resignação face à sua má sorte que o seu herói tem. Há algo de querido e ao mesmo tempo divertido na maneira em que Percy sabe que as coisas não pode ser assim tão boas e ao mesmo tempo continua a acreditar que talvez desta vez ele possa ter um ano lectivo fantástico. 
Mais uma vez Percy acabou o ano em grande num jogo do mata que bem se poderia revelar a sua morte não fosse o seu rápido pensamento e acção. E mais uma vez Percy vê-se expulso da escola, mantendo o seu recorde de andar numa escola diferente todos os anos.
Neste livro repleto de  descobertas fantásticas Percy descobre que o Mar dos Monstros mudou de lugar (como aliás todos os lugares míticos gregos à medida que o poder se deslocou mais para ocidente) e pior que o vai ter de visitar em busca de algo para salvar a Colónia dos Mestiços. Acompanhado por Annabeth, Percy embarca numa viagem única e que poderá não ter retorno e que nos levará a um universo bastante parecido ao de Ulisses.
Quem como eu, leu a Odisseia na escola, que aliás se não me engano se chamava Ulisseia e era um livrinho de capa azul com um rectângulo cor de pele no meio e título a rosa, deve-se lembrar da aventura de Ulisses contra o Ciclopse e das outras ilhas que o mítico herói grego visitou. Neste livro de Percy Jackson voltamos a navegar este mar por onde Ulisses andou e descobrimos que apesar de poderem já não existir novas epopeias, os monstros continuam lá e estão todos sedentos de vingança contra os descendentes dos deuses.
Creio que esta é a melhor maneira de descrever este livro sem entrar em detalhes que possam estragar a sua leitura. É um livro sobre amizade e aceitação, é um livro que sem dúvida vai moldar todo o destino e aventuras de Percy daqui em diante. É um livro de escolhas e da coragem que encontramos face ao perigo iminente. É um livro sobre a amizade e sobre reconhecermos os nossos defeitos.
Na minha opinião é um bom segundo livro que explora e abana as estruturas construídas no primeiro de modo a testar a força das mesmas. E é também um livro de preparação para o terceiro volume, quando a ameaça que Percy enfrenta começa finalmente a tomar forma.
  •  A saga de Percy Jackson  é composta por cinco volumes;
  • Já comentamos o primeiro volume aqui;
  • De momento os quatro primeiros volumes já estão editados em português pela  Casa das Letras;
  • Este livro sairá para os cinemas a 16 de Agosto de 2013.

Booktrailer:



Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre livros e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

sábado, 26 de maio de 2012

Opinião: A Cidade dos Anjos Caídos, Cassandra Clare

A Cidade dos Anjos Caídos
de Cassandra Clare
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 312
Editor: Editorial Planeta
Resumo:
A Guerra Mortal acabou e Clary Fray está de regresso a casa, em Nova Iorque, entusiasmada com o que o futuro lhe reserva. Está em treino para se tornar uma Caçadora de Sombras e saber usar o seu poder único e a mãe casar-se com o amor da sua vida.
Os Habitantes-do-Mundo-à-Parte e os Caçadores de Sombras estão, finalmente, em paz. E, acima de tudo, Clary já pode chamar «namorado» a Jace.
Mas tudo tem um preço.
Anda alguém a assassinar os Caçadores de Sombras que pertenciam ao círculo de Valentine, provocando tensões entre os Habitantes-do-Mundo-à-Parte e os Caçadores de Sombras, o que pode levar a uma segunda guerra sangrenta. O melhor amigo de Clary, Simon, não pode ajudá-la. Descubra o porquê. 

Rating: 3/5


Comentário: Dando continuidade às críticas feitas à saga dos Caçadores de Sombras, de Cassandra Clare, chega a vez da Cidade dos Anjos Caídos, quarto volume da mesma.
Confesso que fiquei bastante satisfeita como o final pré-estabelecido no final da Cidade de Vidro e, como tal, algo apreensiva com o que me aguardava depois. A história estava completa, os enlaces que se tinham prolongado ao longo de livros inicialmente concebidos para serem uma trilogia estavam completos e, sendo assim, não sabia muito bem o que esperar do desenvolvimento a partir de então.
A sinopse deste volume por si só não é muito atractiva, pois pareceu-me mais do mesmo e um repisar de acontecimentos há muito finalizados e sem ponta por onde se pegar. Desta forma, não me senti surpreendida com o que Cassandra Clare nos decidiu contar ao longo destas 300 páginas.
Clary, pensando ver resolvidos todos os seus problemas, vê-se novamente a braços com contratempos na sua relação com Jace, que por sua vez e volta e meia retorna aos comportamentos algo bipolares que já o vêm a caracterizar. Se ao longo dos livros anteriores me fui compadecendo e torcendo pelos dois, confesso que ao fim de tanta insistência, a temática revela-se algo cansativa. Por outro lado, o treino para dotá-la de competências que todos os Caçadores de Sombras aprendem desde a mais tenra infância acaba por ser posto um pouco em segundo plano, o que considero uma pena já que um dos pontos mais fortes desta saga é exactamente a construção e composição do universo onde as personagens se movem.
Simon, por sua vez, vê-se a cargos com duas relações amorosas complicadas e alguns deslizes de personalidade que não lhe são nada característicos. O choque da transformação vampírica era necessário mas veio tarde e fora de contexto, parecendo algo despropositado. Quanto às suas "namoradas", Maya e Isabelle são sem dúvidas pessoas com personalidades diferentes e uma força de carácter incrível. Gostei de ver a amizade delas crescer e o balanço entre o conhecido girls power e momentos de maior fragilidade. Se a primeira aprende o que é a dádiva do perdão, a segunda mostra-nos que para lá de uma barreira de coragem e audácia existe uma feminidade fragilizada pelos acontecimentos recentes e uma necessidade enorme de amor.
A meu ver, a autora voltou a focar-se em demasia nas relações amorosas, e prevejo uma novela mexicana no futuro se ela não encontrar um ponto de contenção. Tirando isso, até achei piada à dinâmica entre o Magnus e o Alec até certo ponto, já que é das poucas vezes que os vemos efectivamente a discutir a relação. E um bocadinho de ciúmes não faz mal, desde que não ultrapasse os limites aceitáveis.
Outra coisa interessante é a introdução de novas personagens, umas já conhecidas da sua outra trilogia, como a vampira Camille (e algumas referências a Will), outras já referidas anteriormente mas que só agora têm uma cara: caso do ex-namorado de Maya.
O desenlace final era algo esperado e a meu ver um pouco aborrecido pela previsibilidade mas ainda assim vou continuar a ler a saga. Adoro o universo criado por Cassandra Clare e as suas personagens, mesmo quando ela não as estima em condições.

  • Não se esqueçam de ler o nosso comentário aos primeiros três livros desta saga! Podem fazê-lo clicando neste link!

terça-feira, 22 de maio de 2012

O Portão de Ptolomeu de Jonathan Stroud

O Portão de Ptolomeu
A Trilogia Bartimaeus - Livro 3
de Jonathan Stroud

Edição/reimpressão: 2006
Páginas: 420
Editor: Editorial Presença

Resumo:
Já considerada um clássico de literatura fantástica, a trilogia Bartimaeus fica agora completa para agrado dos leitores que iniciaram a leitura dos primeiros volumes. Repleta de referências históricas e míticas, intercalado com notas de humor e sarcasmo, este derradeiro episódio leva-nos uma vez mais até Londres do século XXI. Agora Nathaniel, com dezassete anos foi promovido a Ministro da Informação e vai unir esforços para derrotar uma rede de conspiração que tem como objectivo um golpe de estado. Bartimaeus, um dos djinnis mais temíveis continua fiel ao jovem mago, e nesta história são finalmente revelados alguns segredos sobre o seu passado que irão deixar o leitor verdadeiramente fascinado.

Rating: 4/5

Comentário: 
Nathaniel tem dezassete anos, cinco anos passaram desde conhecemos o jovem mago pela primeira vez e podemos ver o quanto ele mudou. Agora numa posição de relativo poder, apesar de continuar sobe ameaça, Nathaniel está nas suas "sete quintas" mas perto de se tornar tão cruel como o mago que enfrentou no primeiro livro.
Uma coisa que gosto particularmente nos livros de Jonathan Stroud é o desenvolvimento que este dá às personagens. Não só vemos Nathaniel crescer como pessoa como vemos a maneira como a sua relação com Bartimaeus se desenvolve. De "Mestre e Lacaio", a uma amizade que apesar de não ser das mais comuns está lá. Por muito duro e frio que Nathaniel tente ser Bartiameus é o seu ponto fraco, além de ser o seu único seu amigo, é quem esteve com ele desde o inicio.
Pessoalmente considero esta uma das sagas mais menosprezadas de todos os tempos, não é um livro conhecido mas que sem dúvida o deveria ser! A história tem todos os elementos necessários para nos cativar do inicio ao fim e Bartimaeus oferece o elemento de comédia constante com um humor bastante refinado.
O Portão de Ptolomeu encerra a trilogia Bartimaeus mas acalmem-se os fãs porque o autor já lançou um quarto volume e não nega a possibilidade de quinto para a saga! Para os fãs mais curiosos fica a informação que quarto volume desta série saiu em 2010 em inglês e chama-se "O Anel do Rei Salomão" e conta as desventuras de Bartimaeus quando trabalhou para o Rei, algo que ele faz questão de nos lembrar repetidamente quando é obrigado a fazer tarefas que considera menores.
É sem dúvida uma história que merece ser lida como complemento à trilogia mas que pode ser lida perfeitamente sem conhecimento prévio da mesma.
Esta é uma saga que saí sem dúvida como selo de recomendação do Encruzilhadas!
 
  • Não se esqueçam de ler os comentários ao primeiro e segundo volume desta trilogia.