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sábado, 16 de fevereiro de 2013

Opinião: Liesl And Po, de Lauren Oliver

Liesl And Po
de Lauren Oliver, ilustrado por Kei Acedera
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 320
Editor: Hodder e Stoughton General Division
Resumo:
Liesl lives in a tiny attic bedroom, locked away by her cruel stepmother. Her only friends are the shadows and the mice—until one night a ghost appears from the darkness. It is Po, who comes from the Other Side. Both Liesl and Po are lonely, but together they are less alone. 
That same night, an alchemist’s apprentice, Will, bungles an important delivery. He accidentally switches a box containing the most powerful magic in the world with one containing something decidedly less remarkable. 
 Will’s mistake has tremendous consequences for Liesl and Po, and it draws the three of them together on an extraordinary journey.
Podem ler uns capítulos aqui no site da editora.

Rating: 4/5

Comentário:
Na mesma linha infantil de The Girl Who Circumnavigated Fairyland in a Ship of Her Own Making, comento este mês outra história infantil, que embora mais leve contêm também uma temática séria. Saída das mãos da escritora Lauren Oliver que já nos presenteou com livros como Delirium e Antes de Vos Deixar, chega-nos agora o seu primeiro livro infantil que aborda novamente o tema da perda.
Em Delirium perdeu-se o amor, em Antes de Vos Deixar , a protagonista perdeu-se a ela mesma, em Liesl and Po, Liesl perdeu o pai e é esta perda que vai despoletar a aventura da sua vida, da vida de Will e da morte de Po. Juntos pelo acaso do destino, estes três amigos com visões tão diferentes da vida, embarcam juntos com uma missão simples que enfrentará vários obstáculos (e mais não digo que é spoiler).
Este livro volta a comprovar a qualidade de Lauren Oliver como escritora, os fãs da série Delirium sabem que a autora nos habituou a um certo tipo de escrita e esta mantém-se em Liesl and Po que é, no fundo, uma despedida da autora ao seu falecido melhor amigo.
Através da viagem de Liesl, que a autora admite ser a sua também, algumas questões são levantadas, nem todas recebem resposta, mas muitas sim.
Esta é uma história fantástica onde o sonho e a realidade andam de mãos dadas, um mundo onde o sol desapareceu e a terra está lentamente a morrer ao ponto de praticamente já nem existirem cores e tudo ser cinzento. E cinzenta é a cor de Po que foi, a seguir a Will, a minha personagem favorita. De Will não vou falar muito porque a verdade é que me compadeço de todos os aprendizes esforçados, talvez por eu já ter sido uma também (e ainda o ser) e por isso compreender tão bem os seus medos e hesitações. Will tem bom coração, só gostava de poder comer e dormir, principalmente dormir, um pouco mais mas o Alquimista não o deixa e como se isso não bastasse passa a vida a insultá-lo.
Já Po, o fantasma, está livre de tudo o isso, não tem fome, não tem sono, nem sequer tem sexo visto não se lembrar se era rapaz ou rapariga antes de morrer. É Po e os seus pensamentos sobre o Outro Lado e os humanos que tornam este livro curioso. Po tem pensamentos muito profundos sobre a união universal, o que é verdadeiramente importante e a essência das coisas. Apesar de não partilhar com Liesl ou Will estes pensamentos, nós na qualidade de leitores somos privilegiados e temos acesso aos mesmos. Estes são pensamentos que brincarão na mente das crianças e criarão uma nova visão do mundo, o que para mim é o essencial da literatura infantil. Acredito que este género de literatura deve maravilhar e questionar os limites do mundo que as crianças conhecem, pois uma mente acostumada a perguntas é sem dúvida uma mente que procurará respostas. Sei que qualquer livro que estimule um leitor, seja criança ou não, a pensar é um bom livro.

As ilustrações de Kei Acedera são lindíssimas, olhem para o Will na primeira imagem, alguém dúvida que ele é um aprendiz com um casaco demasiado grande para ele e noites mal dormidas? Adoro o pormenor do cabelo dele todo em pé, dá-lhe um ar alerta como se estivesse à espera que o Alquimista o chamasse a qualquer momento.
Como se trata de um livro infantil mas a caminhar para o juvenil, as ilustrações são mais ou menos frequentes e por vezes estão isoladas em páginas, por vezes ao lado do texto e por vezes a rodear a página. São ilustrações surpresa que aparecem quando menos esperamos e que dão outra vida ao texto. Acredito que o livro não teria o mesmo impacto sem as belíssimas ilustrações de Kei Acedera.

Com uma classificação de 4 em 5 estrelas, este livro saí daqui como um dos melhores livros infanto-juvenis que li este ano.

  • Lauren Oliver é autora também de outro livro infantil chamado The Spindlers que tem sido tão bem recebido como Liesl and Po;
  • Para verem todos os nossos comentários aos livros de Lauren Oliver cliquem aqui.

Book trailer:

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Opinião: The Girl Who Circumnavigated Fairyland In A Ship Of Her Own Making, de Catherynne M. Valente

The Girl Who Circumnavigated Fairyland In A Ship Of Her Own Making
de Catherynne M. Valente
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 336
Editor: Constable and Robinson
Resumo:
September is a twelve-year-old girl, Somewhat Grown and Somewhat Heartless, and she longs for adventure. So when a Green Wind and a Leopard of Little Breezes invite her to Fairyland - well, of course, she accepts (mightn't you?). When she gets there, she finds a land in crisis - she soon discovers that she alone holds the key to restoring order.

Rating: 5/5

Comentário: 
Quando eu era mais nova, os livros que eu lia tinham a mesma apresentação que este. Imagens no início dos capítulos e títulos de capítulo que contam mas não contam o que vai acontecer, p.e. Capítulo I - A Fuga - Como finalmente encontrei a chave de casa para sair e jurei nunca mais voltar até ter fome. O próprio livro invoca-me estas memórias e Catherynne Valente apresenta-se como uma narradora participante que se mete com os leitores, como se estivesse na contar o conto oralmente e não a escrevê-lo.


As ilustrações são bonitas, apesar de por vezes me parecerem estranhas, mas isso deve-se ao facto desta Fairyland ser um pouco um País das Maravilhas, e as coisas nem sempre serem o que parecem. September, a nossa heroína de doze anos, é uma criança comum com uma existência abalada pelo súbito envio do pai para a guerra e pela requisição da mãe nas fábricas o que a deixa sozinha em casa sem muito para fazer além de lavar chávenas de chá, algo que odeia veementemente.
Mas surgindo a oportunidade de uma aventura, e nas palavras da narradora "quem resistiria a tal?", September abraça-a com todas as suas forças e parte para a fantástica Fairyland que não é, nem um pouco, como ela a imaginava. Com uma imaginação fantástica e criatura sarcásticas, irónicas e nunca antes vistas, Valente cria uma terra de fantasia que espelha os problemas e injustiças do nosso mundo na sua forma mais pura levando September numa viagem de crescimento e descoberta.
A nossa querida September é quase, quase uma adolescente típica que se acha dona de todo o saber mas que ainda tem um coração que se compadece, que se sente insegura e que sente a necessidade de ser amada. Claro que o objectivo da viagem é provar a September que ela é muito mais forte do que imagina e mostrar-lhe o quão pouco ela sabe, mas como pode vir a saber muito.
A escrita da autora remonta aos livros antigos de contos de fadas mas mantém uma linguagem actual e é por isso fácil de seguir. Existem alguns momentos cómicos e alguns momentos sérios, intercalados com frases filosóficas e momentos de aventura.
Feitas as contas é um livro infantil a puxar para o juvenil repleto de saudade e magia que vai encantar os fãs deste género literário. Saí daqui com selo de aprovação e recomendação para que o leiam.


  • Este livro faz parte de uma saga;
  • O segundo volume, editado em Outubro de 2012, tem como nome "The Girl Who Fell Beneath Fairyland And Led The Revels There";
  • Em 2011 foi publicada uma pequena prequela que pode ser lida aqui.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Opinião: Colecção Leviatã, de Scott Westerfeld

Leviatã
Leviatã
de Scott Westerfeld
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 336
Editor: Vogais
Resumo:
É o início da I Guerra Mundial, mas num mundo alternativo de que nunca ouviste falar. Os Germânicos lutam com máquinas de ferro a vapor carregadas de armas. Os Britânicos lutam com bestas darwinistas resultantes do cruzamento de vários animais. Alek é um príncipe germânico em fuga. A única máquina de guerra que possui é um Marchador, com uma tripulação que lhe é leal. Deryn é do povo, uma britânica disfarçada de rapaz que se alista para lutar pela sua causa - enquanto tem de proteger o seu segredo a todo o custo. No decorrer da guerra, os caminhos de Alek e Deryn acabam por se cruzar a bordo do Leviatã, uma baleia-dirigível e o animal mais imponente das forças britânicas. São inimigos com tudo a perder, mas na verdade estão destinados a viver juntos uma aventura que vai mudar a vida de ambos para sempre



Leviatã 2: BestaLeviatã 2: Besta
de Scott Westerfeld
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 352
Editor: Vogais
Resumo:
Behemoth é a besta mais feroz da Marinha britânica. Os Darwinistas precisam dele mais do que nunca, agora que estão em guerra declarada com os Clankers.
Alek e Deryn estão juntos a bordo do Leviatã, e esperam conseguir levar a guerra a um impasse. Mas, quando a sua missão de paz falha, percebem que estão sós em território inimigo e que estão a ser perseguidos

 Leviatã 3: GoliasLeviatã 3: Golias
de Scott Westerfeld

Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 352
Editor: Vogais
Resumo:
O Leviatã é forçado a desviar-se do seu percurso para resgatar Nicola Tesla, o inventor do Golias, uma máquina capaz de destruir cidades, e que ele usa como trunfo para impor a paz. Quando é descoberto um plano secreto alemão para sabotar a máquina, este ameaça disparála. Este é o espetacular final da trilogia! Batalhas aéreas emocionantes numa viagem à volta do mundo echeada de perigos e... beijos ousados!

Rating: 4/5 (de toda a colecção)



Em Leviatã, Scott Westerfeld conseguiu redimir-se e conquistar-se finalmente. Desde que conheci as obras dele, temos tido uma relação algo complicada. Para mim, tem sido um autor que tem prometido uma enorme inovação, através da apresentação de mundos bastante apelativos que nos fazem querer conhecer mais sobre os mesmos, mas que no fim se revelam uma desilusão. Sempre senti faltava algo nas suas obras, talvez um certo condimento, uma estrutura que justificasse em igual medida a construção de um enredo rico e repleto.
Leviatã , sem sombra de dúvida, cortou com essa tendência. Em primeiro lugar, poderão consultar o trailer em cima, dado que está bastante bem concretizado e com uma animação que ou muito me engano ou é baseada no trabalho do ilustrador Keith Thompson, e que por sinal fez um óptimo trabalho ao longo do livro. Essa é uma das novidades: esta trilogia é acompanhada por uma série de ilustrações que retractam todos os momentos explosivos da narrativa, e que são tão realistas quanto bem executados, sendo um óptimo complemento para a narrativa. Por outro lado, eesta trilogia insere-se no género do streampunk, do qual já aqui falámos anteriormente. E se leram o nosso artigo certamente percebem ao ver este trailer o quanto a trama se insere no conceito, aproximando-se até às definições originais que o caracterizarem.

Mas continuemos. Afinal, qual é a temática destes três fantásticos livros? Bem, aconselho-os para quem gosta de História, mas não é um impedimento para quem não a aprecia assim tanto. O mundo de Deryn e Alek é uma realidade alternativa ao nosso e decorre na altura da I Guerra Mundial. Oriundos de países tradicionalmente propostos à inimizade (embora esta só seja declarada muito posteriormente ao iniciar da trama): um adepto da filosofia clanker (ligada à sabedoria das máquinas, do vapor, da mecânica rude) e outro defensor dos darwinistas (resultantes de jogos genéticos com animais e forma a desenvolver criaturas adaptáveis às necessidades humanas, numa aparição enquanto mecanismos vivos, mas que no fundo nem são uma coisa nem outra). É destas duas filosofias que vive o mundo, sendo que algumas nações aprenderam a tirar vantagem e ambas. É o caso dos Estados Unidos da América, por exemplo.

A piada de gostar de História resulta então do facto a apresentação de momentos históricos poder desviar-se para uma realidade alternativa por algo tão simples como um momento disparatado destas duas cabeças aluadas e de bom coração.

Os dois jovens irão ver-se envolvidos numa série de peripécias e precalços que os levarão em aventuras inimagináveis e os farão repensar sobre a sua pequena posição enquanto peões de um dilema mundial, na tomada de decisões acertadas que coloquem todos a salvo.

Deryn é uma rapariga que quer ser mais que um fantoche de saias. Adora voar e sente essa âmbição como parte da herança que o seu pai deixou. Mal sorte a sua que a entrada de mulheres para a força aérea é interdita e pode resultar em qualquer coisa muito má como a morte. Pelo menos é o que ela acha. Mas a rapariga tem uma mente sagaz e uma perspicácia que vence muitos, o que a ajudará sempre nas empreitadas em que se meter. É corajosa, forte e sensível, como todas as mulheres a sério são.

Já Alek é uma personagen que vem crescendo ao longo dos três livros. Começa por ser um rapaz um pouco inconsequente e algo irresponsável, muito concentrado no seu umbigo e que precisa de crescer. As situações porque passa, a responsabilidade que recai sobre as consequências das suas acções tornam-no mais ponderado. Ainda assim, e no meio os seus objectivos utópicos, procura o melhor para si e para os seus, querendo acima de tudo a paz.

É uma trilogia repleta de aventura, acção, descobertas e até algumas nuances de romance. Permite enveredarmos num universo que conhecemos mas que simultâneamente é totalmente diferente do nosso, com realidades que tanto nos aproximam como nos afastam. Deryn, Alek e todos os que os acompanham tornam esta narrativa divertida, fluída, espontânea e completa.


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Opinião: Kiki Strike na Cidade das Sombras, de Kirsten Miller

Kiki Strike na Cidade das Sombras
de Kirsten Miller
Edição/reimpressão: 2007
Páginas: 368
Editor: Edições Asa
Resumo:
A vida de Ananka Fishbein nunca mais foi a mesma desde que ela decidiu explorar um enorme buraco nas proximidades do seu apartamento, em Nova Iorque. Descendo por uma imunda escada de corda até às profundezas da cidade, Ananka descobre um misterioso compartimento subterrâneo e apercebe-se imediatamente que está perante um grande segredo - mas nem ela podia imaginar as verdadeiras dimensões desse segredo nem, muito menos, as implicações de o ter descoberto!
Na verdade, Ananka não só descobre a lendária Cidade das Sombras sob as agitadas ruas de Manhattan, como acaba por conhecer a misteriosa Kiki Strike, uma rapariga que veste de negro e anda de Vespa e que parece aparecer e desaparecer como por magia.
Milhões de ratazanas, um grupo de raparigas destemidas e dispostas a tudo, esqueletos, tesouros escondidos e uma cidade secreta mesmo por baixo das ruas de Manhattan, eis os ingredientes desta arrebatadora aventura repleta de acção e suspense, que deixará o leitor verdadeiramente "preso" até ao fim, sem nunca saber quem são de facto os malfeitores e aqueles que se batem pela justiça!

Rating: 3,5/5

Comentário:
(Gosto de contar como os livros chegaram às minhas mãos, isso no entanto não é relevante para a crítica, caso não o queiram ler sigam para o paragrafo que começa com "»" para lerem a dita crítica.)
Cada vez que entrava na biblioteca itinerante e me dirigia à secção infanto-juvenil a Kiki olhava para mim sorrindo. Este livro de capa larga e azul clara parecia brincar comigo, convidava-me a levá-lo, mas as frases atrás do livro dos críticos que diziam que Harry Potter teria "uma paixão assolapada" pela Kiki não me ajudavam a ganhar coragem e arriscar-me a lê-lo.
No inicio deste ano no entanto houve uma reserva que fiz de cinco livros que não chegou à biblioteca pelo que, a não ser que achasse algo para ler nas estantes, teria de voltar de mãos a abanar para casa. E, sendo uma livrólica, isso não era obviamente uma opção. Assim sendo, deixei os meus dedos percorrem as lombadas dos livros nas estantes até que subitamente o meu indicador parou na lombada da Kiki. "Ahah!", parecia ela dizer, "que desculpa vais dar hoje?" e como ela ela tinha razão decidi arriscar e levá-la.
»» O começo do livro é assombroso, Ananka, a nossa narradora, fala no passado e diz-nos que olhando para trás tem completa noção que só enveredou nesta aventura com Kiki porque estava terrivelmente aborrecida, uma frase que sem dúvida fará eco com qualquer adolescente. E isto é algo interessante pois normalmente os livros para adolescentes não são escritos no passado, porque ao serem escritos no passado dão ao leitor uma ideia de segurança, afinal seja o que for que aí venha, a personagem consegue sobreviver mas o facto de Ananka se referir sempre a Kiki no passado deixa uma dúvida no ar: Ananka está viva mas e Kiki? Será que a nossa heroína está viva?
O meu maior momento de ligação a Kiki deu-se na primeira vez que ela aparece na história quando, ao ser questionado pela professora sobre o que quer ela ser quando for grande, Kiki responder "Perigosa.". Não contava com tal resposta e lembro-me de ter erguido o sobrolho e ter pensando para mim que sem dúvida esta era a melhor resposta que já tinha ouvido para esta pergunta. No entanto, daí para a frente, a Kiki acabou por se esbater para mim, talvez tenha sido a sua atitude de mandona ou a aura de mistério que acabou por se esbater, a verdade é que consegui ligar-me muito mais a Ananka, a nossa narradora, aos seus pais ausentes, o seu rato de estimação debaixo do lava-loiça e as suas paredes cheias de livros.
Gostei bastante da narrativa e tenho de admitir que me surpreendeu por vezes. A maneira como as raparigas interagem e se completam, cada uma tendo conhecimentos que as outras não tem, acaba por tornar a história um pouco realista no meio de toda a fantasia. Porém é uma escrita para jovens, ou seja, a determinada altura o livro começou a aborrecer, não por estar mal escrito mas por eu não ser da faixa etária a que está destinado. Mesmo assim consegui lê-lo até ao fim sem me sentir necessariamente forçada ou obrigada, se se levar o livro como o que é, até é bastante divertido e muito bom para o género em questão.
Uma das poucas coisas que comecei por gostar no livro mas depois me fartei são as pausas que Ananka faz para fazer listas e dar conselhos. Na verdade, a narrativa está montada de modo a que o livro que temos nas mãos passe por um diário de Ananka onde ela decide partilhar as suas aventuras com Kiki. Assim sendo, Ananka gosta de por curiosidades e conselhos no fim (ou a meio) dos capítulos, o que no inicio é engraçado mas a partir de certa altura me começou a saturar.
O que me manteve presa a este livro foi mesmo a ideia da existência de uma "cidade das sombras", um mundo completamente subterrâneo por baixo das ruas de Manhattan, repleto de salões de baile, quartos, bares, enfim, um mundo completo a 20 metros debaixo do solo mas com tectos altos e pinturas elegantes.
No acerto de contas posso dizer que achei que a Kiki era uma boa aposta, infelizmente encontrei-a tarde demais, senão sem dúvida que me teria divertido muito mais com ela. Mesmo assim, para os rapazes e raparigas em busca de uma boa aventura num mundo subterrâneo este é o livro ideal.

  • Livro recomendado para os 7º, 8º e 9º anos de escolaridade;
  • Este livro faz parte de uma saga;
  • De momento existem dois livros publicados e o terceiro volume será lançado em 2013 (versões originais);
  • Em português este é o único volume disponível.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Livros de Rapariga para Rapazes

Lembram-se que aqui há uns tempos fizemos um post sobre rapazes "apanhados" a lerem livros de rapariga? Decidida a tornar a ideia real a autora Shannon Hale decidiu elaborar uma lista de livros em que o papel principal pertence a uma heroína mas onde o romance e os "problemas" femininos não ocupam o primeiro lugar.
Criando duas listas, uma para mais novos (ensino básico) e uma lista para mais velhos (ensino secundário) a autora revela alguns livros que sabe que preenchem estes parâmetros e brinca dizendo que é uma sem vergonha pois acrescentou livros seus à lista.
Confesso que desta lista tenho alguns livros lidos, livros que quero ler e livros que nem sequer sabia que existiam mas que me abriram o apetite. Se estão interessadas em aconselhar a um rapaz um livro diferente onde uma rapariga salve o dia no papel principal sigam-nos nesta lista!


Livros com heroínas para rapazes!
Os livros estão ordenados aleatoriamente. 
Livros assinalados com * são os primeiros volumes de sagas.
Livros assinalados com # já foram lidos por nós mas ainda não foram comentados.

Ensino Básico

* Academia de Princesas por Shannon Hale
* Fablehaven por Brandon Mull
Kiki Strike por Kirsten Miller
*# Howl's Moving Castle (O Castelo Andante) por Diana Wynne Jones
*# Leviathan por Scott Westerfeld
*# A Wrinkle in Time por Madeleine L'Engle
*# The Circle of Magic por Tamora Pierce
*# Dragonflight por Anne McCaffrey
*# Inkheart por Cornelia Funke
When You Reach Me por Rebecca Stead
Keeping Score por Linda Sue Park
Icefall por Matthew Kirby
Rapunzel's Revenge por Shannon e Dean Hale, ilustrado por Nathan Hale
Dealing with Dragons por Patricia Wrede
Star Girl por Jerry Spinelli
Walk Two Moons por Sharon Creech
* Protector of the Small por Tamora Pierce
The Cabinet of Earths por Anne Nesbit
Kat Incorrigible por Stephanie Burgis
Project Mulberry por Linda Sue Park
Where the Mountain Meets the Moon por Grace Lin
* The Wee Free Men por Terry Pratchett
Palace Beautiful por Sarah DeFord Williams
The True Meaning of Smekday por Adam Rex
Mockingbird por Kathryn Erskine
* The Sisters Grimm por Michael Buckley
The True Confessions of Charlotte Doyle por Avi
Little House on the Prairie por Laura Ingalls Wilder
Hero and the Crown por Robin McKinley
The Blue Sword por Robin McKinley
Zita the Space Girl por Ben Hatke

Ensino Secundário

* Os Jogos da Fome por Suzanne Collins
* Heist Society por Ally Carter
* Gallagher Girls por Ally Carter
* Across the Universe por Beth Revis
* Graceling: O Dom de Katsa por Kristin Cashore 
*# Sabriel por Garth Nix
*# The Goose Girl por Shannon Hale
*# Uglies por Scott Westerfeld
Liar por Justine Larbalestier
Claudette Colvin: Twice Toward Justice por Phillip Hoose
Prophecy por Ellen Oh
Legend por Marie Lu
The Adoration of Jenna Fox por Mary Pearson
Blackbringer por Laini Taylor
The Last Dragonslayer por Jasper Fforde
Unraveling por Elizabeth Norris
The Books of Pellinor por Alison Croggon
The Nation por Terry Pratchett
Cold Fury por T.M. Goeglein

Pelas minhas mãos gostaria de acrescentar à lista de Hale os seguintes livros:
*# Dragonskin Slippers de Jessica Day George
* Estrada Vermelha, Estrada de Sangue de Moira Young
e * Divergente de Veronica Roth

Acham que nos esquecemos de algum? Se acham que sim deixem o título e autor nos nossos comentários!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Opinião: [The Giver Nº1] O Dador de Memórias, Lois Lowry

O Dador de Memórias [The Giver Nº1]
de Lois Lowry
Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 240
Editor: Everest Editora
Resumo: 
A sociedade em que vive Jonas é a perfeita descrição do mundo perfeito. Tudo está sob controlo: não há cores, não há música, não há guerras nem possibilidades de eleição. Cada pessoa ajusta-se às Normas da sua Comunidade. Quando Jonas atinge os 12 anos e deve ser-lhe atribuída uma profissão, é eleito para uma função muito especial e única na sua comunidade. Na sua formação descobrirá as verdades subjacentes à frágil perfeição do seu mundo. 
Considerado um dos 100 melhores livros da história da literatura juvenil, aborda temas tão importantes como a liberdade, o controlo da informação, o medo, os sentimentos, a amizade...
 
Rating: 4/5
 
Comentário: 
Como disse a determinado ponto da minha leitura no GR, o que me fascina nos mundos distópicos é ver até que ponto as pessoas estão dispostas a ir para negarem as suas emoções. Como estamos dispostos a sacrificar o que nos torna humanos para sermos todos iguais e sermos livres da "dor" e do "mal".
Este é um livro que me é bastante difícil comentar devido às emoções que me provoca. Estas emoções de raiva, dor e alegria que me consomem, que me consumiram, ao ler a história de Jonas devem-se principalmente a uma certa empatia que criei com ele. Porque a criei? Nem sei explicar ao certo, só sei que Jonas me cativou com a sua história e com a sua maneira inocente de ver e compreender o mundo sem no entanto perder a capacidade de o "julgar".
O Dador de Memórias é um livro directo que trata a questão do que nos faz sentir seguros sem rodeios. A sociedade de Jonas foi aperfeiçoada ao ponto em que tudo é escolhido para nós, até os nossos filhos, que na realidade não são nossos, são de mulheres que foram escolhidas para conceber crianças que são posteriormente distribuídas pelas famílias. Uma sociedade que restringe as crianças a apenas terem "um objecto de conforto" (peluche) e que as obriga a livrarem-se dele aos 10 anos de idade.
Esta sociedade que esquematiza a vida para que as pessoas não encontrem nada fora do normal, para que não haja surpresas é completamente aterradora mas ao mesmo tempo completamente possível. Quantas pessoas não conhecem que se queixam de tudo e mais alguma coisa? E se prometessem a essas pessoas uma vida calma e serena onde elas não teriam necessidades porque a sociedade trata de tudo?
A sociedade trata que todos tenham casas, comida e empregos. A sociedade trata da nossa saúde, trata das nossas emoções (retirando-as) e trata até das nossas memórias embelezando tudo ao ponto de a vida ser quase plastificada.
Apesar de ser um livro infantil achei que estava nas mãos com um livro bastante cru e duro. Creio que a autora faz passar perfeitamente o seu ponto ao longo de toda a história. Quem somos nós sem lembranças? Quem somos nós sem emoções? Será que uma sociedade completamente organizada é a solução para sermos mais felizes? Será que há algo que possamos fazer para o mudar?
Jonas, o nosso herói é apenas um rapaz de doze anos, um Doze como é chamado, e é escolhido para uma função fora do normal devido às suas capacidades fora do normal . Tirando isso é uma criança como as outras que foi educada da mesma maneira e que sempre viu a vida como os seus amigos viram. É por isso que principio Jonas sente receio da sua nova missão, do nosso trabalho que tem em mãos mas estes receios são rapidamente superados quando ele se apercebe do que está errado na sua sociedade. As conversas que vai tendo com o Dador de Memórias abrem feriadas profundas numa sociedade que se esforça por esquecer o que não é bonito e Jonas começa a sofrer por se saber incompreendido pelas pessoas que ama.
Um livro fascinante que recomendo a todos os que gostam de distopias e de pensar sobre elas pois este é também um livro que nos fala muito de memórias e cores e de como elas moldam todo o nosso mundo. Achei-o bonito, poético e directo ao ponto, uma das melhores distopias que já li com um final que nos deixa a pensar.

  • Este livro faz parte de um quarteto;
  • O segundo volume "Em Busca do Azul" e o terceiro volume "O Mensageiro" já foram publicados em português pela Everest Editora;
  • O quarto volume "Son" ainda não se encontra disponível em português. (12/12/12)

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Opinião: O Deserto de Gelo [A Guerra das Bruxas - Livro 2], de Maite Carranza

O Deserto de Gelo [A Guerra das Bruxas - Livro 2] 
de Maite Carranza 
Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 332 
Editor: Editorial Presença
Resumo:
Neste segundo volume da trilogia A Guerra da Bruxas, a antiga profecia cumpriu-se finalmente e Anaíd, a eleita dos cabelos de fogo, possui agora o ceptro do poder. As bruxas Omar esperam que ela acabe com as sanguinárias Odish, o clã que desde sempre as combateu. Mas Anaíd, tem apenas quinze anos e terá de partir com a mãe, numa fuga desesperada para norte, que será também a sua viagem de iniciação, que lhe revelará todos os mistérios e lendas que rodeiam as suas origens e o seu próprio nascimento. E a verdade não poderia ser mais aterradora... (Vejam o livro no site da Editora clicando aqui e leiam um excerto clicando aqui)

Rating: 4/5

Comentário:

No segundo volume desta saga ficamos a conhecer a história da mãe de Anaíd, Selene. Depois do seu desaparecimento no primeiro livro e todas as dúvidas das suas amigas face à sua situação, percebemos agora que comportamentos de Selene no passado validaram as dúvidas das outras bruxas Omar no presente.
Curiosa com a sua origem, a própria Anaíd aproveita a viagem que está a empreender com a mãe para devorar todas as aventuras da adolescência da mesma. É aqui que se nos é revelado todo um novo mundo, a rebeldia de Selene vai testar os limites do mundo das Omar e provocar as Odish. Vai alterar o destino dos que a rodeiam e vai marcar a sua vida para sempre.
Este livro revelou-se uma viagem, tal como Selene empreende uma viagem ao longo do livro, empreendemos com ela uma viagem que nos vai levar ao deserto de gelo e na fuga de Selene pela Europa acabamos por nos perder também nas paisagens, locais e povos que ela conhece.
Em termos de história pareceu-me mais interessante que o primeiro volume, pois não andamos perdidos, se com Anaíd começamos uma história a meio, da qual vamos descobrindo partes, com Selene somos remetidos para o início, para a adolescência da mãe da nossa heroína e conhecemos a sua história.
A história tem um ritmo quase constante (com uma ou outra quebra que não são muito significativas) e não se prende com muitos detalhes pois tenta passar a ideia de que está a ser transmitida oralmente. Ouvimos a história de Selene como se fossemos Anaíd e estivéssemos sentados ao seu lado enquanto ela conduz e nos releva os segredos que ficaram suspensos no primeiro livro.
Gostei bastante desta continuação da Guerra das Bruxas e espero impaciente pelo terceiro volume, onde a guerra finalmente será decidida e descobriremos de que lado lutará Anaíd. Neste volume descobrimos também quem é a verdadeira antagonista de Anaíd, o que apenas ajuda a aguçar a nossa curiosidade.
Por piada gostaria de dizer que mais uma vez alguém teima em comprar a história de Anaíd com a de Harry Potter, mas em versão feminina. Gostaria apenas de dizer uma coisa a essas pessoas "Leiam o livro outra vez", aliás "Leiam os livros outra vez!". Mesmo pensando profundamente no caso, não consigo perceber a comparação. Pois, tal como disse no comentário ao primeiro livro, as bruxas da Guerra das Bruxas usam atames e tem varas que usam para fortalecer a sua magia, consigo realizar magia sem as mesmas. Não voam em vassouras, não vão à escola e apesar de se dividirem em clãs que tem animais como totems isso não é relevante o suficiente para a comparação com as casas de Hogwarts.
Por isso, torno a dizer que se vão ler esta saga em busca de uma escola mágica não a vão achar. Acharão magia sim, mas vê-la-ão com outros olhos. Uma saga que sem dúvida vale a pena descobrir.
  • Já leram a nossa opinião ao primeiro volume desta saga: O Clã da Loba?
  • De momento o terceiro volume desta saga ainda não está disponível. (02/01/13)

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Opinião: O Clã da Loba [A Guerra das Bruxas - Livro 1], de Maite Carranza

Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 328
Resumo:
 Desde que há memória, dois clãs de bruxas, as Omar e as Odish, vivem em permanente conflito, incapazes de conciliar as suas diferenças ancestrais. Apenas uma velha profecia deixa entrever alguma esperança de no futuro a eleita conseguir unir ambas as tribos. E agora todos os sinais confirmam que a chegada dessa eleita está próxima. Quando Anaíd, uma jovem de catorze anos, acorda uma manhã e verifica que a mãe desapareceu, pensa que lhe poderá ter acontecido todo o tipo de coisas, menos que a sua mãe é uma bruxa Omar e considerada por todas aquela de que a profecia fala…
(Podem ler um excerto aqui e consultar o livro no site da editora aqui)

Rating: 3,5/5

Comentário: 
Aqui há uns tempo falei de livros que não nos sabem a nada e de livros que prometem e não cumprem. Volto a falar disso, porque quando peguei neste livro, ele tinha uma frase do estilo "O novo Harry Potter" impressa na capa. Obviamente que a Editorial Presença não manda no Financial Times, nem decide o que os críticos devem ou não dizer mas, aviso que quem for no entanto atrás de um mundo mágico do estilo Potteriano vai ficar desapontado. Não vale a pena perderem o vosso tempo com este livro. No entanto, se procurarem um mundo com magia e com uma visão mais wiccana da mesma, façam o favor de lhe pegar, este é um bom livro para isso.
Com uma visão mais tradicional da magia, dos covens e da idade de transição de "menina para mulher". O Clã da Loba é certamente uma alternativa mais fiel à ideia de bruxas tradicionais (pelo menos à ideia que eu tenho) e que surpreende pela história da origem das bruxas e pelo amor ao feminino.
Esta é uma história de magia, profecia e misticismo onde os homens não tem lugar. A magia é das mulheres, sempre lhes pertenceu e continuará a pertencer. Creio que, e devido à história da origem da magia do inicio, aparecerão alguns feiticeiros mas por enquanto nem vê-los.
Apesar de Anaíd ser um pouco chata como personagem ao início temos de nos lembrar que ela apenas tem catorze anos e que a sua mãe desapareceu do nada. Creio que há medida que cresço que vou tendo um pouco menos de paciência para personagens mais novas e tenho de me re-lembrar que já fui adolescente e que eu também já tive medos e incertas (E a quem minto? Ainda tenho!) e que estas são coisas normais da idade e portanto normais em personagens com esta idade. O caso de Anaíd foi mais complicado porque, maior parte do tempo, ela parece ser mais velha do que aquilo que é e por isso quando uma "birra" surge é sempre um pouco inesperada.
De resto, as personagens que acompanham Anaíd são variadas e temos umas mais divertidas e outras mais misteriosas que contribuem à sua maneira para a criação deste mundo mágico, onde vários clãs de bruxas habitam e esperam a realização de uma profecia que irá decidir se serão as Omar ou as Odish a sobreviverem no nosso mundo.
Quanto a termos da trama em si não foi sempre original mas foi bem desenvolvida com uma ou outra reviravolta curiosa mas, infelizmente, a grande reviravolta não foi de todo inesperada o que também me chateou a meio da leitura, pois a determinada altura já me questionava quando é que finalmente todas as personagens se aperceberiam do mesmo que eu.
No entanto como este é um género que leio muito pode ter sido completamente óbvio para mim mas não tanto para outros leitores. Mesmo assim achei que a história tinha a sua graça e fiquei com um mínimo de curiosidade para acabar a trilogia. Este é um livro que na minha opinião leva umas sólidas 3,5 estrelas.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Opinião: Estrada Vermelha, Estrada de Sangue, de Moira Young

Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 336
Resumo:
Estrada Vermelha, Estrada de Sangue é um thriller futurista, uma aventura épica que se passa num período pós-apocalíptico e extremamente violento. Saba, a protagonista, é uma jovem que viveu sempre em Silverlake, numa zona remota, inóspita e quase deserta, até ao dia em que uma tempestade de areia traz consigo um bando de terríveis criminosos que lhe matam o pai e levam consigo Lugh, o irmão gémeo que ela adora. Sozinha com Emmi, a irmã mais nova, Saba vai investir toda a sua coragem e o seu espírito combativo na busca do irmão, numa demanda perigosíssima e empolgante, através de intermináveis extensões desérticas e violentas intempéries, que culminará numa apoteose de pura adrenalina.
(Podem ler um excerto no site da Editora clicando aqui. Para verem o livro no site da editora cliquem no título ou aqui)
 
Rating: 3,5/5

Comentário: 
Assim que comecei a ler Estrada Vermelha, Estrada de Sangue arrependi-me da minha decisão. O texto tinha uma pontuação esquisita e parecia repleto de erros gramaticais e de tradução. Ao fim de dez página senti-me desesperar e pousei o livro sem saber o que fazer ao certo. Era impossível um livro ter saído com tanto erro da editora, por isso, decidi fazer uma pequena pesquisa sobre o livro. Afinal estávamos a falar de um livro que vencera um prémio, ainda para mais, o Costa Children's Book Award.
Depois de uma pequena pesquisa descobri que a Stacey, a review britânica da qual já vos falei, tinha lido o livro e lhe tinha dado 4 estrelas. Como os nossos gostos são parecidos, questionei-me sobre o que se estaria a passar. Quando li a review dela todo o problema da gramática desapareceu, apesar de talvez ser perceptível para maior parte dos leitores, eu não me apercebi que a personagem principal falava com sotaque e que o livro é uma transcrição fiel de tudo aquilo que ela pensa e diz. Quase como se um processador de texto se tivesse ligado por magia ao cérebro da heroína e registasse tudo o que esta pensa.
Quando tornei a pegar no livro, já com isto em mente, descobri que me conseguia adaptar facilmente ao texto e as coisas ao início que me pareciam abomináveis tornaram-se divertidas. Por exemplo, alguém me sabe dizer o que é um "safado auto-convencido"? Apenas mais um regionalismo da personagem creio, como toda uma vasta gama de palavreado que ela usa ao longo da história e que contribuem para uma autenticidade do ambiente.
Apesar de ser classificado como uma leitura distópica, a verdade é que Estrada Vermelha, Estrada de Sangue não segue a imagem da típica distopia controlada pelo governo, e sim algo mais vago, uma simples sociedade futurista onde o caos, mais que um poder regente, impera. Tal como o resumo diz, Saba vive uma vida "feliz" no deserto com a sua família até que um dia tudo muda.
Esta é uma história sobre a amizade e o amor entre irmãos e até onde estamos dispostos a ir para os salvar. Este amor platónico que temos aos nossos irmãos, e que partilhamos com Saba, dá-nos força para fazermos coisas que antes acharíamos impossíveis. Apesar de não ter um irmão gémeo, tenho irmãos mais novos, o que tornou a minha relação com Saba difícil, principalmente devido à maneira como ela trata Emi, a sua irmã mais nova.
Se no início tinha um pouco de receio de encontrar uma relação do estilo Katniss-Prim fiquei destroçada ao ver a maneira horrorosa como a nossa heroína tratava a irmã mais nova. Infelizmente, para mim, em termos de contextualização da história a relação tem os seus motivos de ser e eu tive que aprender a ver Saba da maneira que ela era. Afinal nenhuma personagem é perfeita, tal como as pessoas, e todas tem os seus defeitos e qualidades que as torna únicas.
Apesar de ser um livro cru e frio, não creio que seja muito mais violento que Os Jogos da Fome, poderia mesmo dizer que estão ao mesmo nível. Com uma ou outra situação mais sangrenta mas que continuam a não enojar o leitor. É um livro com muita acção sem dúvida e que, também ao contrário do habitual, não tem capítulos (o que ajuda a formar a ideia de uma acção continua), possui pequenos espaçamentos entre as cenas e está dividido em sete partes, uma para cada zona que Saba visita. Começamos em Silverlake, casa de Saba, e vamos por esse mundo fora.
Na minha opinião este livro é um bom companheiro das horas vagas e um fantástico romance de estreia de Moira Young, que este ano já lançou o segundo volume desta saga (Dust Lands) que espero que seja continuada pela Editorial Presença. Um livro que leva um sólido 3,5 na minha escala.

  • Para verem mais livros distópicos que comentamos cliquem aqui.



Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre livros e gostas de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e diz que é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Opinião: Rubrica: Cidades de Papel, de John Green

Cidades de Papel
de John Green
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 320
Editor: Editorial Presença
Resumo:
Quentin Jacobsen e Margo Roth Spiegelman são vizinhos e amigos de infância, mas há vários anos que não convivem de perto. Agora que se reencontraram, as velhas cumplicidades são reavivadas, e Margot consegue convencer Quentin a segui-la num engenhoso esquema de vingança. Mas Margot, sempre misteriosa, desaparece inesperadamente, deixando a Quentin uma série de elaboradas pistas que ele terá de descodificar se quiser alguma vez voltar a vê-la. Mas quanto mais perto Quentin está de a encontrar, mais se apercebe de que desconhece quem é verdadeiramente a enigmática Margot. Um romance entusiasmante, sobre a liberdade, o amor e o fim da adolescência.

Rating: 4/5

Comentário:
(Review da versão inglesa pois a 1/12/2012 ainda não existia em português)
Paper Towns foi o terceiro livro que li de John Green. Depois de ter lido A Culpa é das Estrelas e À Procura de Alaska, não podia deixar de ler todo o reportório deste autor fantástico.
Quando vi que a história rodava de novo à volta de um rapaz que se apaixona pela rapariga, percebi que Green não foge muitos ao tema nos seus livros. No entanto pelo título fiquei bastante curiosa para saber o que eram ao certo estas “paper towns”.
A personagem mais forte e a minha preferida deste livro é sem dúvida a rapariga, a enigmática Margo Roth Spiegelmen (apesar de a sua personalidade ser parecida em alguns aspectos com Alaska para quem já leu À Procura de Alaska), com o seu carácter aventuroso, despreocupado e carismático, que tem sempre algo em mente que não conseguimos bem compreender. Ela é o amor de Quentin Jacobsen, um rapaz simples e pouco popular, que Margo ignora desde os seus momentos de infância.
A parte que me fez gostar mais deste livro é o início, quando Margo entra pela janela do quarto do surpreendido Quentin, e o leva numa aventura genial pela noite dentro, feita de partidas hilariantes, com o objectivo de vingança aos seus “melhores” amigos.
A nossa curiosidade começa a crescer quando no dia seguinte Margo desaparece sem aparente rasto, deixando Quentin desesperado por encontrá-la.
O resto do livro vai centra-se numa “road trip”, em busca de Margo, com base numa série de pistas que Quentin acredita terem-lhe sido deixadas pela sua amada. Sempre na companhia dos seus dois melhores amigos, Ben e Radar, a viagem toma um caminho divertido, sempre com piadas cómicas por parte de Ben, outra das minhas personagens favoritas. À medida que se aproximam de Margo o conceito de “paper towns” vai tomando o seu sentido e faz-nos até refletir sobre a nossa vida real.
No entanto, na minha opinião esta viagem começa muito bem, mas acaba por se tornar um pouco aborrecida, quando parece que poucos avanços se passam e a busca de Margo não passa apena das lamúrias de Q, sobre o facto de achar que nunca mais vai encontrá-la.
No geral gostei do livro, especialmente por toda a criatividade que Green mete no conceito de “paper towns”, mas confesso que, sendo um livro deste autor, estava à espera de mais, especialmente o final, que sem revelar o que acontece, soube-me a pouco.


Soffs
Sobre a nossa convidada:

Sofs, sonhadora compulsiva, gosta de viajar por mundos novos através dos livros. Aspirante jornalista. Tem o estranho gosto pelo cheiro das páginas de um livro. Não sai de casa sem as suas leituras na mala.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

An Abundance of Katherines por John Green

An Abundance of Katherines
de John Green
Edição/reimpressão: 2008
Páginas: 229
Editor: Speak 
Resumo:
No que diz respeito a relações amorosas Colin Singleton tem uma queda por raparigas chamadas Katherine. E no que diz respeito a raparigas chamadas Katherine, o Colin está sempre a ser deixado. E das 19 vezes que namorou com Katherines foi abandonado por elas 19 vezes.
De coração partido Colin decide iniciar uma viagem sem destino para recuperar de mais uma relação falhada. E é assim que esta criança prodígio, viciada em anagramas, se apanha na estrada com dez mil dólares no seu bolso, um javali sangrento atrás de si, e um obeso melhor amigo, viciado no programa de tv "Judge Judy", mas sem uma única Katherine à vista. 
Colin está decidido a provar que o Theorem of Underlying Katherine Predictability, no qual se propõem a conseguir prever toda e qualquer relação, funciona e espera que deste modo ele o permita finalmente ganhar a rapariga dos seus sonhos... 

Rating: 3,5/5

Comentário: 
Este livro foi uma prenda muito querida da minha boa amiga Cláudia que odeia que eu escreva agradecimentos nos meus comentário mas neste vai deixar porque é muito querida.

Estava curiosa em relação a John Green há já algum tempo e este livro, por ter o meu nome em inglês, tinha-me chamado particularmente a atenção. Afinal, gosto bastante de ler livros em que as personagens tem o mesmo nome que eu e imagino que não seja a única.
A história é simples, Colin tem uma particularidade em relação às raparigas com quem namora, todas se chamam Katherine. Tal como há homens que preferem morenas, Colin prefere Katherines e atenção que tem de ser com "K" senão nada feito. Todas estas Katherines acabam, infelizmente, por o deixar, e quando a décima nona Katherine o deixa, o coração de Colin não aguenta mais e este decide usar o dinheiro que ganhou em concursos para génios para fugir da sua vida.
Além da sua obsessão por Katherines, Colin é obcecado por anagramas (facto que estará presente várias vezes ao longo do livro) e por tentar encontrar lógica no mundo e nas pessoas. Decidido a provar que mais que sobre dotado, é um génio, Colin decide criar um teorema matemático que permita antecipar se uma relação amorosa vai ou não fracassar usando todas as Katherines com quem já namorou como cobaias.
É através deste teorema que vamos conhecendo as 19 namoradas de Colin e conhecemos as suas histórias. É também através destas que percebemos como Colin foi magoado e espezinhado e como nunca lutou por si. Tendo a história momentos de acção e momento mais parados que se vão contrabalançando entre o presente e as memórias de Colin em relação às suas antigas namoradas.
A escrita de Green revelou-se um pouco diferente do que aquilo que eu espera. Um pouco mais pesada que o normal em livros young adult mas ainda a bater nos limites do aceitável. Descobri também que este não é dos livros mais amados dele mas como não tenho outro livro para comparar não posso dizer se o acho melhor ou pior que os outros.
Apesar de ter gostado da história, a escrita de Green não me deixou apreciá-la na totalidade e eu fiz mesmo um enorme esforço para gostar do livro. O problema a meu ver nem está na história, e sim na maneira como por vezes é contada. A ideia com que fiquei é que Green utiliza sensações verdadeiramente americanas nos seus livros, neste temos concursos, rodtrips e caçadas. Temos pequenas terras à beira das autoestradas e corações partidos que tem de ser quebrados.
Apesar de não ser um livro que recomende vivamente não deixa de ser um livro que apreciei ler e que tenho a certeza que fará as delícias dos seus leitores.
  • Este livro ainda não está disponível em português (30/11/2012)

domingo, 18 de novembro de 2012

Atravessar os EUA a ler YA

Hoje enquanto passeava pela nossa amiga internet encontrei um post genial de uma blogger que, como eu, é viciada em literatura YA (young adult). Este ano enquanto lia os seus livros de YA apercebeu-se que os mesmos se passavam em estados diferentes ao invés de se concentrarem nas áreas mais conhecidas como Nova Iorque ou Los Angeles e por curiosidade perguntou num fórum se alguém a podia ajudar a encontrar outros livros que se passassem noutros Estados dos EUA.
O fórum encheu-se de respostas e rapidamente ela conseguiu uma lista de 50 livros que se passam nos 50 estados. Por diversão acabou por fazer um mapa onde colocou as capas dos livros e convidou os seus seguidores a percorrem os Estados Unidos com ela através da leitura.
Aqui no Encruzilhadas já andamos por alguns destes Estados mas não tantos quanto gostaríamos. Segundo esta lista já visitamos Georgia, Illinois, Kansas, Maine, Ohio, Oregon, Pennsylvania e North Carolina. Ah! E não li o livro de Maryland mas vi o filme, isso conta?
Estes são apenas 9 dos 50 estados. O que significa que ainda temos 41 estados para percorrer. Verdade seja dita que existem alguns livros aqui que me interessam bastante, por isso algo me diz que irei voltar aos EUA muito em breve para recomeçar esta viagem.
Vejam o mapa e confiram os livros que pertencem a cada Estado clicando na imagem. Digam-nos quantos já leram/visitaram!
 

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Opinião: [Maximum Ride N.º 1] O Resgate de Angel, de James Patterson

O Resgate de Angel (Maximum Ride N.º 1)
de James Patterson
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 384
Editor: TopSeller
Resumo:
ALERTA! Um grupo de seis jovens com poderes extraordinários está em FUGA. O seu líder é Maximum Ride, ou Max. Retirados dos seus pais à nascença, os seis estavam presos num laboratório secreto, onde foram alterados geneticamente para se tornarem 98% humanos e 2% pássaros. Agora eles conseguem voar e escaparam da sua prisão. Mas desconhecem as razões para tudo o que lhes foi feito, e não sabem quanto tempo de vida lhes resta. No seu encalce estão os Erasers, seres diabólicos criados no mesmo laboratório, que apanham Angel, a miúda mais nova e especial do grupo de Max.
Conseguirá Max resgatar Angel e descobrir a verdade sobre si e os seus amigos? PREPARA-TE: Este livro é o início da mais fantástica e emocionante aventura da tua vida.
[Primeiro de uma colecção com oito volumes.]

Rating: 4/5

Comentário:
Desta vez quero começar pela capa. Porquê? Porque é linda, é brilhante e porque esta é uma daquelas capas que comemos com os olhos. Sei que não devemos julgar um livro pela capa, mas por vezes existem capas que nos fazem querer ler as histórias que estão lá dentro. Para mim esta foi sem dúvida uma delas. Tem um brilho que pela imagem não se nota mas que chama a atenção, tem a águia e tem a Max pronta a levantar voo. Uma capa sem dúvida bem conseguida.
Apesar do começo ser um pouco confuso e Max ser um pouco convencida demais para o meu gosto, a verdade é que à medida que a história se desenlaça começamos a perceber o que faz deste bando uma família. Creio que outro dos motivos pelos quais choquei com Max é o facto de sermos ambas irmãs mais velhas e termos a mania que somos espertas. Talvez sejamos demasiado parecidas em certos pontos e por isso chocamos.
Foi muito refrescante para mim ler sobre uma irmã mais velha. Apesar de Max não ser, biologicamente, irmã de ninguém no bando. Todos se tratam como família e ela faz muitas vezes da mamã que o bando não tem, principalmente com a personagem mais nova, Angel. Por isso foi interessante segui-la e descobrir como funciona a sua relação com as demais crianças.
Os capítulos curtos fazem com que este livro se leia rapidamente e seja óptimo para crianças e jovens que sejam mais "difíceis de convencer a ler". Para quem está habituado a ler no entanto, pode ser um pouco frustrante no inicio, mas se nos mentalizarmos que o livro é uma espécie de diário de Max, e que a nossa heroína tem catorze anos também percebemos que temos de nos adaptar à sua escrita e rapidamente entramos no ritmo de leitura.
Apesar das várias coincidências que vão ajudando o bando ao longo do livro e que me irritaram profundamente, perto do fim há dúvidas que são criadas que nos deixam a pensar. Quão longo é o alcance da Escola? Será que foram mesmo coincidências? Terá o bando conseguido mesmo escapar às garras da escola? Qual é a sua missão?
É um daqueles livros que infelizmente assim que começa a ficar bom acaba e que nos deixa a querer mais e mais. Para minha sorte, ou azar, a colecção conta com oito volumes sendo este o primeiro deles. Assim sendo espero ainda ler muito sobre as aventuras de Max e o seu bando.
Antes de terminar gostaria também de dizer que esta foi a minha primeira experiência como leitora de James Patterson um dos actuais escritores bestsellers a nível mundial e que não fiquei de todo desapontada. Espero  que ao continuar a ler as aventuras de Max me torne uma fã intencionável deste autor.

Book Trailer:

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Opinião: Graceling: O Dom de Katsa, de Kristin Cashore

Graceling
O Dom de Katsa
de Kristin Cashore
Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 220
Editor: Alfaguara
Resumo:
No universo dos Sete Reinos. Katsa é uma Graceling, um ser raro com um Dom extraordinário: desde os oito anos que é capaz de matar sem recurso a qualquer arma. O rei de Middluns, tio de Katsa, força a sobrinha órfã a usar o dom ao seu serviço, encarregando-a de matar todos os que lhe criem obstáculos.Temida pela corte e rejeitada pelos jovens da sua idade, Katsa sente que o seu dom obscuro lhe ensombra a vida.Quando o pai do rei de Lienídia é raptado, Katsa não resiste a investigar o mistério de quem quereria matar o velho homem. 
Rating: 5/5
Comentário: 
Comecei este livro esperando apenas mais um livro de aventuras. Na realidade quando nos comentários li algo como "o herdeiro dos fãs de Twilight" até torci o nariz e pensei que tinha desperdiçado uma requisição da biblioteca mas Graceling provou ser um dos melhores livros que li este ano.
Com um escrita de fácil leitura e uma personagem principal intrigante Graceling puxa-nos rapidamente para dentro do mundo dos 7 Reinos. Katsa, a nossa personagem principal é misteriosa, um diamante em bruto, uma graceling cujo dom é matar e que o faz desde os 8 anos a mando do tio. É por isso normal que seja um pouco fria, distante e desligada das pessoas, sendo a única excepção o seu primo, Ranfii, que ama do fundo do coração e o seu amigo, Oll.
Durante a narrativa testemunhamos o amadurecimento de Katsa para o mundo e para as pessoas que fazem parte deste. Vemo-la crescer e abrir o coração a outras pessoas e a outras situações. A nossa personagem que começa por ser quase uma "gata selvagem" torna-se humana, compreensiva e carinhosa sem no entanto perder a sua força e independência.
Foi uma história que me surpreendeu pela positiva por demais, não esperava as voltas que apanhei no enredo, nem o desenvolvimento de personagens. Pensei, um pouco antes de ter lido um terço da história, que este era apenas mais um romance de fantasia e no entanto fui alegremente contrariada. Por um lado, a história não saiu muito dos moldes do romance de fantasia, mas por outro também não se cingiu a elas e cresceu numa direcção muito própria.
Gostava de falar mais deste enredo e das situações que me espantaram mas isso seria entrar por spoilers a dentro e não gosto de o fazer. Posso contudo dizer que Katsa entrou para o top das minhas personagens favoritas e ocupa um lugar especial ao pé da Yelena Zaltana, pelos mesmos motivos que esta. São ambas personagens femininas com passados um pouco escuros e com problemas de confiança que aprenderam a confiar e a acreditar num futuro melhor. São lagartas que se transformaram em borboletas devido ao amor e à amizade, devido ao seu crescimento pessoal e à sua lealdade perante a sua narrativa.
Apesar de Katsa ajudar Po nesta história e talvez até um pouco ficar com a sua missão, a verdade é que também o faz por ela e pelo mundo onde vive. Fá-lo pelo Conselho (do qual gostaria de saber mais) e fá-lo por ser o que está certo.
Este livro tem uma sequela, que na realidade é uma prequela pois passa-se antes do primeiro volume, que infelizmente para mim, ainda não está disponível na biblioteca mas que me desperta um certo interesse pois mais uma vez teremos uma personagem feminina no comando das acções da história.
Um livro fantástico que sem dúvida recomendo para todos os amantes da fantasia.

Fan Book Trailer
(este book trailer não é oficial, foi criado por fãs mas eu achei que estava engraçado na mesma e minimamente fiel ao enredo.)

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Opinião: Antes do Futuro de Jay Asher e Carolyn Mackler

Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 320
Editor: Editorial Presença
Resumo:
Estamos em 1996. Quando Josh instala um CD-ROM que dá acesso a cem horas de internet gratuitas no computador de Emma, sua vizinha e melhor amiga, são ambos transportados para uma estranha página chamada Facebook onde veem versões de si mesmos quinze anos mais velhos. As suas relações, amigos, filhos, carreiras, férias... todas essas informações estão na internet e alteram-se consoante as decisões que eles tomam no dia a dia. À medida que tomam consciência do que a vida lhes reserva no futuro, Josh e Emma são obrigados a confrontar-se com o que estão a fazer certo e errado no presente...
(Para lerem um excerto do livro cliquem aqui para o verem no site da editora cliquem aqui ou na capa)

Comentários

Catarina: Rating: 3,5/5

Um livro que faz jus ao título da colecção (Noites Claras) visto que passei uma noite em claro por causa dele.
Estamos em 1996, eu tinha dez anos na altura (por curiosidade), e Emma e Josh acabaram de deitar mãos a uma arma única e desconhecida chamada Facebook. Conseguem imaginar-se a navegar esse site sem perceberem bem o que se passa e apanharam actualizações de estado esquisitas sobre a vossa vida? Porque isso foi o que aconteceu aos nossos protagonistas. Não basta os problemas que tem presentemente, Emma e Josh vêem-se de braços dados com os seus problemas de adultos.
Fascinada por este site Emma encontra um update de status que a deixa preocupada com o seu futuro. Quem não ficaria? Todos sabemos as frases por vezes dúbias que deixamos no Facebook, os pedaços de letras de músicas, as citações, será que o nosso eu de 16 anos conseguiria compreender um nosso eu 15 anos mais velho? As pessoas mudam e as nossas experiências moldam-nos quer queiramos quer não, uma frase que expresse alegria hoje pode ser nostálgica daqui a uns anos.
O que gostei neste livro foi a temática recorrente do "viver no presente". Quando se apercebem que pequenas mudanças no presente causam ondas que mudam para sempre o futuro, Emma e Josh assustam-se e enquanto um tenta mudar tudo, o outro começa a andar com pézinhos de lã.
Pensemos se o nosso futuro fosse bom, não teríamos medo de o estragar? Mas não moldamos nós o nosso futuro com cada escolha que fazemos? Gostei bastante das perguntas lançadas por este livro mas creio que ele poderia ter ido mais longe.
Tal como no livro Treze Razões (de Jay Asher) parece-me que o autor tem um certo medo do confronto e deixa as suas histórias correrem numa certa zona de segurança, onde sabe que todos ficaram felizes com os resultados finais. Confesso que esperava um certo final que mais ou menos consegui mas o livro ficou aquém do que eu acho que teria sido possível.
Por outro lado, creio que a escrita de Carolyn Macklen ajudou a equilibrar a balança e a trazer uma certa novidade e movimento à história, que sem dúvida seria mais pacata nas mãos de Asher.
No geral trata-se de um livro divertido que coloca umas questões curiosas sobre o nosso futuro, o nosso presente e as decisões que fazemos diariamente. Sem dúvida algo que qualquer jovem que goste do Facebook vai gostar de ler. Uma boa aposta da Editorial Presença para o mercado mais jovem como aliás,são todos os livros desta colecção.


Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre livros e gostas de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

Cláudia: Rating: 3,75/5

Ao debater-me sobre como começar a opinião a este livro, tive a ideia para mais um artigo, que sairá em breve. E digo-o aqui para que fique registado e não me esqueça. Hoje em dia, a panóplia de livros que integram o segmento juvenil podem tomar um leitor menos atento a fazer julgamentos comparativos. Há realmente livros tão diversos dentro da classificação deste segmento, que comentários que equiparem uns  uns e outros tornam-se algo redutores das obras em causa. Mas como disse, isso fica para outro artigo!
Porque é que o introduzo aqui? Porque ultimamente têm saído para o mercado português uma série de livros, trilogias e sagas que se enquadram na literatura juvenil, e que vêm cheios de uma pujança, de elementos demarcadores dos restantes, que por vezes tornam a opinião de livros como "Antes do Futuro" influenciada por esses, podendo ser descuidada por um leitor menos atento, dada a simplicidade e inocência da estória.
Em "Antes do Futuro" debatemo-nos com o inimaginável. Quantos de nós já não se perguntaram a dada altura como é que seriam dali a 3, 5 ou 10 anos? Emma e Josh deparam-se com uma versão sua 15 anos mais velha. Se isso não fosse já suficientemente difícil de entender, 2011 traz-lhes um futuro mais complicado que o esperado. Ao fim ao cabo, o que é um facebook?, porque é que as pessoas revelam a sua vida toda lá?, porque é que as pessoas são totalmente diferentes do esperado? E mais ainda: porque é que a mais pequena onda de acontecimentos pode danificar seriamente o futuro?
Pessoalmente, não teria qualquer interesse em saber o meu futuro. Já para Emma, o seu tem um significado especial, e não muito agradável pelo que lhe reserva, o que a dirige a uma série de peripécias que a levam a pensar e colocar em causa as relações presentes que mantém, e de que forma elas se afirmarão no futuro. Josh segue-a nesta aventura e tenta perceber que consequências isso trará também para si, numa mescla de incredulidade e fascínio.
No meio de tudo, é um livro de adolescentes, onde não pode faltar a abordagem ao amor, às desavenças criadas por coisas tidas mais tarde como insignificantes, pelas conquistas (escolares e pessoais) e pelos constantes fracassos, pelos amigos de sempre, e pelo desespero de crescer mais depressa.
Contrariamente à opinião da Catarina, não acho que houvesse necessidade de explorar mais a temática ou ir a fundo em algumas questões mais filosóficas. O objectivo deste livro é claramente entreter e fazer-nos passar um bom bocado, estando adequado à faixa etária para que dirige. Estamos a falar de personagens de 15 anos com problemas tipicamente de adolescentes e cuja principal preocupação é simplesmente crescer. E não saberem exactamente como fazê-lo.

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Opinião: A Resistência, de Gemma Malley

Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 320
Editor: Editorial Presença
Resumo:
A Resistência é a obra que vem dar continuidade a O Pacto - o Crime de Ter Nascido, que a Presença publicou também nesta coleção. Continuamos no ano de 2140. A imortalidade foi alcançada, mas à custa de renunciar à descendência, através de um compromisso, o Pacto. Peter e Anna são dois Excedentes, duas crianças que não deviam ter nascido. Peter recebe a missão de desvendar o que se passa no programa secreto de Longevidade e é então que descobre uma verdade aterradora que o fará questionar tudo aquilo em que sempre acreditou. (Podem ler um excerto do livro aqui e podem ver o livro no site da editora clicando no nome do mesmo)
Rating: 4/5
Comentário: 
(Spoilers do primeiro volume)
Depois da aventura mirabolante na qual Peter e Anna conquistaram o seu direito a viver de uma maneira bastante dolorosa, o jovem casal casal enfrenta agora os olhares de um mundo que está envelhecido e que teme tudo o que é novo.
Encarregados de educar e criar o irmão mais novo de Anna, Peter decide enfrentar o seu avó, criador dos produtos de Longevidade e tentar descobrir o que se passa ao certo dentro do programa enquanto ganha dinheiro para os sustentar. Já Anna tem de lidar com uma escolha que até aí lhe parecia completamente impensável.
No mesmo tom de voz cruel e esperançoso com o qual escreveu O Pacto, Gemma Malley traz-nos agora A Resistência, um livro que vai abordar o grupo de resistentes que não tomam os comprimidos de Longevidade e que está contra o mesmos. Este é um livro também que falará de resistência pessoal e do que fazemos quando a tentação nos bate à porta. Afinal, quem não gostaria de viver para sempre? E para mais, livre de doença? Tudo só por assinar um papel a dizer que jamais se teria filhos.
Mas a teoria é muita bonita quando não há uma verdadeira opção, enquanto estavam presos, Anna e Peter sabiam o que queriam mas agora que a opção é verdadeira, que eles podem mesmo escolher será que esta se mantém? Além do mais, o jovem casal vai enfrentar vários problemas e até re-encontrar antigas personagens assim como novas. Diferentes pontos de vista lutam para chegar a um equilíbrio neste livro e a verdade, é que a vida de Anna e Peter nunca mais será a mesma.
Tal como o primeiro livro, este livro é uma leitura compulsiva, sendo quase impossível de pousar (mais uma vez fazendo jus ao nome da colecção) e à medida que as peças se vão encaixando o leitor quer saber o final desta história e como todo o problema se irá resolver.
Creio que esta saga é, como maior parte das distopias, uma óptima saga para obrigar as pessoas a pensar, discutir e partilhar ideias. Afinal, quem não gostaria de ser imortal? Mas será que isso está correcto? Impedir novas gerações de nascer e matar lentamente o planeta? Até que ponto seria a população sustentável? Será que passado uns anos, até os Imortais teriam de começar a desaparecer por já não haver comida e aquecimento?
O planeta Terra é limitado, não durará eternamente mas todos podemos fazer um esforço para tentar mantê-lo o máximo possível. No Pacto descobrimos através de Anna que até mesmo os Imortais estão sujeitos a senhas de racionamento para comida, gás, combustível, etc. O mundo está a acabar mas terá a Longevidade a ver com isso? Apesar de viverem para sempre, estes Imortais não são novos para sempre, muitos já não podem trabalhar, as poucas pessoas que podem trabalhar são jovens, filhos de altos cargos do governo, que ainda estão autorizados a ter filhos. Estes jovens não conseguirão sozinhos, manter o planeta ou manter os Imortais, parte destes jovens, são Peter, Anna, os resistentes e os excedentes.
Assustador, real e genial, A Resistência acaba por ser melhor que o primeiro volume, onde o enredo era previsível, e cresce um pouco mais dando pequenas twists no enredo e tornando as coisas menos preto e branca e mais cinzentas. Para completar esta trilogia temos o livro The Legacy, que ainda não saiu em Portugal e que, espero eu, nos mostre as consequências desastrosas da Longevidade.
Um livro que sem dúvida recomendo aos amantes de distopias.

  • Desta trilogia lemos o volume um : O Pacto - o Crime de Ter Nascido ;
  • De momento o terceiro e último volume ainda não foi publicado(22/10/2012) ;
  • Da colecção "Noites Claras" já lemos os seguintes volumes.