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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Opinião: Virus Mortal, de James Dashner





Virus Mortal
de James Dashner
 
Edição/reimpressão: 2015 
Páginas: 126
Editor: Editorial Presença 
  



Resumo:
Antes de a CRUEL existir, de a Clareira ser construída e de Thomas ter entrado no Labirinto, os fulgores do Sol atingiram a Terra, arrasando o planeta e dizimando grande parte da humanidade.

Mark e Trina estão entre os sobreviventes que agora lutam por uma existência em condições precárias nas pequenas comunidades que se formaram nas montanhas. Mas se eles achavam que a situação em que se encontravam não podia piorar, estavam enganados. Um inimigo surge, infetando a população com um vírus altamente contagioso e mortal. Ninguém parece ser imune. Porém, Mark e Trina estão convencidos de que existe uma maneira de travar a pandemia e estão determinados a encontrá-la. O futuro dos sobreviventes pode estar nas suas mãos…

Vírus Mortal é a prequela de Maze Runner e um livro indispensável para todos os fãs da série.

Rating: 3/5

Comentário: Quem lê uma trilogia de que goste muito, invariavelmente não quer sair dela. E por isso sempre que nos surgem prequelas, novelas e estórias adicionais, qualquer fã lhes salta em cima. Foi o que aconteceu com "Vírus Mortal", de James Dashner. Tendo ficado rendida à trilogia Maze Runner devido ao segundo livro da mesma, tinha muita curiosidade com este volume, especialmente tratando-se de uma narrativa de antecede em vários anos os acontecimentos que nos são apresentados no primeiro volume da trilogia. Após uma leitura frenética e bastante rápida (uma vez que a escrita do autor continua fluída, corrente e intuitiva como sempre), tenho a dizer-vos que pode ser necessário reajustar as expectativas perante este volume.
A verdade é que toda a estrutura se aproxima mais de uma novela do que de um livro no sentido apropriado, pelo que a abordagem das temáticas é por vezes breve e superficial, assim como a estrutura não é a mais eficaz e complexa. Por esse motivo, este é um livro extremamente focado nas suas personagens principais, dando-lhes nuances mas nunca aprofundando como esperado, através das quais experimentamos o mundo envolvente (sendo esse o único ponto de contacto com a contextualização criada). Existem alguns momentos que, embora perceptíveis para o leitor sobre o que poderá ter acontecido, ficam de certa forma em aberto, o que num livro com uma construção ditada para tal, não aconteceria também.
Neste cerco, gostava de ter obtido uma visão mais clara do mundo de Mark e Trina, uma vez que fica claro que mesmo antes dos Fulgores e de tudo o que aconteceu, a realidade base não é semelhante à do nosso mundo atual, faltando uma contextualização que o justifique e/ou pelo menos explique de forma mais fundamentada.
Ainda assim, as passagens em prolepse foram bastante pertinentes para o enquadramento desde o aparecimento dos Fulgores até ao momento corrente corrente da narrativa, criando um bom complemento.
Não obstante, é um livro que constitui uma narrativa interessante à luz do que já conhecemos como respeitante à trilogia, e que obriga o leitor a todo o instante a procurar os tais elementos de ligação que justiquem/ enquadrem as conexões já existentes ou que possam vir a existir entre esta prequela e o universo da trilogia.
Quanto às persoangens, Mark e Trina são dois adolescentes que já passaram por muito. As sua interligação, a forma como interagem com outros semelhantes e que passaram pelas mesmas situações ou outras parecidas é bem interligada. Demonstram preocupações de quem já passou por muito e que encara a realidade simultaneamente como um milagre mas possivelmente uma maldição, atendendo à falta de respostas, motivações e razões para que um mar de desgraças constantes os tenha levado a reagir nos últimos tempos. Os poucos elementos do acampamento que também acabamos por conhecer assim o demonstram, não esquecendo no entanto que continuam a ser adolescentes e que, como tal, a maturidade emocional e a inteligência por vezes a esta associada possa não ser das mais desenvolvidas. No entanto, são estas dúvidas da adolescência que de alguma forma apoiam a necessidade de estabelecer a normalidade no caos, que os torna mais humanos e capazes, e que atribui a esperança de um futuro mais risonho.
No fundo, Virus Mortal é um bom livro de entretenimento quando visto segundo a perspetiva atrás indicada. Não considero que seja preponderante ou necessário para a leitura da trilogia, mas os seus fãs poderão querer dar-lhe uma vista de olhos.

«Estas e outras novidades no site da Editorial Presença aqui»

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Passatempo: Virus Mortal, de James Dashner (Editorial Presença)



Boa noite Encruzilhad@s!


Há muito tempo que não vos trazíamos um passatempo e por isso hoje estamos muito contentes com esta surpresa. A Editorial Presença mais uma vez alia-se ao Encruzilhadas Literárias e traz-vos uma óptima novidade deste outono!

Virus Mortal é a prequela da trilogia Maze Runner (com o segundo filme agora nos cinemas não têm desculpa para não ler!!) e um dos livros muito esperados pelos fãs do autor. Com 4,1 estrelas na Amazon, viu os seus direitos vendidos para cerca de 43 países.

Habilitem-se a este livro espectacular e preenchar o formulário que se segue (sem esquecer o cumprimento das "regras")!


Resumo: Antes de a CRUEL existir, de a Clareira ser construída e de Thomas ter entrado no Labirinto, os fulgores do Sol atingiram a Terra, arrasando o planeta e dizimando grande parte da humanidade. Mark e Trina estão entre os sobreviventes que agora lutam por uma existência em condições precárias nas pequenas comunidades que se formaram nas montanhas. Mas se eles achavam que a situação em que se encontravam não podia piorar, estavam enganados. Um inimigo surge, infetando a população com um vírus altamente contagioso e mortal…

James Dashner nasceu no estado norte-americano da Georgia, em 1972. Concluiu a licenciatura na Brigham Young University e em 2003 publicou o seu primeiro livro, A Door in the Woods. É também autor, entre outros títulos, da série The 13th Reality e da aclamada série Maze Runner que é bestseller do New York Times e que se encontra publicada em mais de 40 países. Os dois primeiros volumes da série foram adaptados ao grande ecrã. Vírus Mortal é a prequela que os fãs da série aguardavam.

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Regras do passatempo
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 18 de outubro de 2015.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só serão aceites uma participação por pessoa e morada, em todo o território português (Portugal Continental e Ilhas).
4) O/A vencedor/a será sorteado de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail.
5) O Encruzilhadas Literárias e/ou a Editora não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT nas encomendas enviadas.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Opinião: Maze Runner - A Cura Mortal, de James Dashner

Maze Runner - A Cura Mortal
de James Dashner
Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 344
Editor: Editorial Presença
Resumo:
Thomas atravessou o Labirinto; sobreviveu à Terra Queimada. A CRUEL roubou-lhe a vida, as memórias, e até mesmo os amigos. Mas agora as Experiências acabaram, e a CRUEL planeia devolver as memórias aos sobreviventes e completar assim a cura para o Fulgor. Só que Thomas recuperou ao longo do tempo muito mais memórias do que os membros da CRUEL julgam, o suficiente para saber que não pode confiar numa única palavra do que dizem. Conseguirá ele sobreviver à cura?

Rating: 4/5

Comentário:
Preparem-se para muitos spoilers e emoções. Esta não é uma crítica que vão querer ler ANTES de ler o livro.

Bem vindos à minha crítica daquele que era suposto ser o último livro da saga Maze Runner mas já não o é! *levantaopunhoemchoro* Pois é, além da prequela que James Dashner escreveu para a série já há outro livro a caminho e outro no forno, o que significa que a trilogia é agora uma sextologia? Uma trilogia com uma pré-trilogia? Nem tenho bem a certeza como classificar esta situação caricata. Chamemos-lhe Saga!
A Cura Mortal vem encerrar a "trilogia Thomas" iniciada com Correr ou Morrer e, infelizmente, acaba por não encerrar muitas das questões postas no primeiro livro. Em Correr ou Morrer conhecemos Thomas, os seus amigos, o labirinto e a CRUEL. Tudo é um misto de emoções fortes e de dúvidas, o que é a CRUEL, porque é que eles estão ali dentro, porque é que Teresa é a única rapariga.
Tal como nós Thomas não sabe o que se passa e como o seguimos acabamos como ele por, tal como ele, ir criando a nossa visão deste mundo. No entanto à medida que a história avança a necessidade de encontrar resposta torna-se maior, principalmente após o segundo livro e a descoberta do grupo de Brenda e de que a experiência do labirinto tinha sido feita a dobrar.
Quando Thomas parece finalmente "colaborar" com a CRUEL pensei que finalmente iríamos descobrir o porquê dele ter colaborado com a CRUEL. Pensei que o veríamos a ter as suas memórias de volta e pensei que ele fosse finalmente entender a Teresa. E se por um lado fiquei extremamente frustrada com a teimosia de Thomas em não querer as suas memórias de volta, principalmente quando todos os seus amigos estavam dispostos a fazê-lo, por outro lado consegui perceber os medos que o levaram a optar por não fazer a operação. Afinal pelo pouco que Thomas descobre ele foi uma pessoa que fez más escolhas e que acabou por ajudar na criação de uma experiência que matou muitos dos rapazes que se tornaram seus amigos. Quem, podendo apagar todo um passado de "más escolhas", não o faria? Além do mais não revelando neste livro o que Thomas fez o autor reserva para si mesmo a oportunidade de o contar agora na pré-trilogia (apesar de não saber se é esse o caminho que ele vai seguir).
Pode não ter sido visível pelas minhas críticas anteriores mas gostei muito da Teresa e tive pena que ela não tenha tido mais tempo para nos dar a ver o seu lado da história. Com a sua fé inabalável na CRUEL e depois de ter sido jogada por tudo e por todos acho que podemos dizer que a Teresa foi uma personagem muito maltratada.
Tenho lido várias teorias na net (quem nos segue sabe que gosto de ler metas bem construídas) e todas falam de como esta história, tal como Os Jogos da Fome, não é uma história de amor. Na realidade toda a vida amorosa (e em geral) de Thomas e Teresa é manipulada pela CRUEL, logo apesar de haver faísca entre os dois temos que manter em mente que foi a CRUEL é que acendeu o rastilho e que brincou com esta relação conforme quis.
Foi também a CRUEL que destruiu tudo ao fazer Teresa escolher entre trair o Thomas e salvar-lhe a vida ou ficar com ele e vê-lo morrer às mãos da CRUEL. Dói-me imenso o fim que a Teresa teve porque acredito que mesmo no fim, mesmo após tudo e ela ter provado mais uma vez a sua lealdade para com os seus sentimentos em relação ao Thomas, ele não a compreendeu e não percebeu que para ela o "bem do mundo" e o amor que ela sentia por ele, era mais importante que a vida dela. Também me doí que o autor a tenha descartado tão depressa e tenha feito o Thomas "apagar" as emoções que tinha pela Teresa e substituí-la pela Brenda, tornando-a aos olhos de Thomas a tal quando a Brenda também foi jogada por todos os lados para criar a empatia que levou aos "sentimentos" entre eles. Além do mais confesso que não consegui gostar da Brenda porque senti o livro todo, mesmo no fim, que ela jogou tanto com as personagens quanto jogaram com ela e que planeou as coisas mais do que deixou todos acreditarem. (O que o epílogo acaba por confirmar! *punhonoarIKNEWIT*).
Outra personagem que me surpreendeu foi o Gally e a sua aliança com os revolucionários. O grande problema desta saga de Dashner é que nunca podemos ter a certeza do que as personagens são, visto que a CRUEL vai revelando informações conforme acha oportuno e a fé das personagens é constantemente abalada e testada até elas se reinventarem. Acho que o Thomas que chegou ao fim desta saga é muito mais "cruel" que o Thomas que a iniciou.
Como nos outros livros da saga podem contar com cenas rápidas, acção, traições, mortes e até drama. Toda a história de Newt e do que ele fez pelos amigos é digna de ser lida e dá uma profundidade a estes rapazes que deixaram tudo para "achar uma cura" que não nos pode deixar indiferentes. (O Consultor Literário ainda berra quando se fala do Newt).
Apesar de deixar mais questões que repostas acho que A Cura Mortal é um livro que está ao nível dos outros da saga. Acredito que Dashner aproveite a sua trilogia prequela para nos dar mais informações e expandir o universo de Maze Runner. Por estes lados o Consultor Literário não se conteve e já leu em inglês The Kill Order, onde várias informações sobre a praga são reveladas e onde a origem de Thomas nos é apresentada.

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domingo, 16 de março de 2014

Opinião: Legend, de Marie Lu

Legend
de Marie Lu
Tradução: Raquel Dutra Lopes
Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 296
Editor: Edições Asa
Resumo:
Outrora conhecida como a costa ocidental dos Estados Unidos, a República é agora uma nação em guerra permanente com as vizinhas, as Colónias. Nascida numa família de elite num dos distritos mais abastados da República, June, aos quinze anos, é um prodígio militar. Obediente, entusiasmada e dedicada ao seu país, está a ser aperfeiçoada para fazer parte dos círculos mais elevados da República. Nascido num dos bairros de lata do Setor Lake da República, Day, também com quinze anos, é o criminoso mais procurado da República. Mas talvez os seus motivos não sejam tão maliciosos quanto parecem. Pertencendo a mundos muito diferentes, não há motivo algum para que os caminhos de June e Day se cruzem - até ao dia em que o irmão de June, Metias, é assassinado, e Day se torna o principal suspeito. Agora, apanhado no derradeiro jogo do gato e do rato, Day corre pela sobrevivência da sua família, enquanto June tenta desesperadamente vingar a morte do irmão. Contudo, numa reviravolta chocante, os dois descobrem a verdade daquilo que verdadeiramente os levou a encontrarem-se, e a que ponto a nação de ambos está disposta a chegar para manter os seus segredos.
Repleto de ação imparável, suspense e romance, o fascinante primeiro romance de Marie Lu irá certamente comover e arrebatar os leitores.

Comentários

Catarina: 3,5/5
Para mim uma das melhores sensações do mundo é aquela que temos quando finalmente pegamos num livro que há muito queríamos ler. Apesar de ver imensos comentários ao Legend, na sua maioria positivos, nem sempre podemos largar tudo o que temos em mãos para ler para ler outro livro.
Por isso, aproveitei a do livro pelas Edições ASA (1001 Mundos), para me dar uma desculpa para "largar o que tinha em mãos" e finalmente ler Legend.
Por onde começar? Quem nos segue sabe da minha paixão assolapada por universos distópicos que aliás, não é nada difícil de perceber clicando na nossa tag "leitura distópica". Recomendado para os fãs de Os Jogos da Fome, Legend é o primeiro volume de uma trilogia que, apesar de não me ter parecido tão emocionante, não deixa de ser fascinante e curiosa.
Um dos defeitos a apontar, que imagino que seja remediado nos próximos livros, é a falta de explicação sobre como os Estados Unidos acabaram da maneira que estão. Marie Lu concentrou, neste primeiro livro, toda a sua atenção nas personagens e nos círculos em que as mesmas estavam fechadas. Apesar de gostar da maneira como as personagens foram criadas e da atenção que lhes é dada, adoro toda a experiência do factor humano, creio que em algumas situações um pouco de contexto teria sido melhor.
Quantos às nossas personagens propriamente ditas tenho a dizer que adorei tanto June como Day. Ele pela sua maneira de ser e de falar, um rapaz que me lembra um pouco o conceito do Robin Hood e do qual é fácil gostar-se. Quanto a June, uma personagem que começou rebelde mas que cresceu e aprendeu com os seus erros, é sem dúvida senhora da sua história e gostei de como acabou por cruzar o seu caminho com o de Day.
Sou a favor de heroínas e sou a favor de mulheres que sabem o que querem e vão atrás dos seus sonhos. June é uma rapariga do exército, controlada e fria quando é preciso e irmã mais nova traquina nos tempos livres, é no fundo uma jovem de quinze anos com a vida toda pela frente e com um carinho imenso ao irmão. Como Day é uma personagem de que é fácil gostar-se e com a qual me consegui relacionar.
A escrita de Marie Lu é fluída e apesar de termos dois narradores na primeira pessoa parece-me que ela soube dar uma voz individual a cada um. June é mais correcta, tem frases mais complexas e uma visão mais restrita enquanto Day tem uma voz mais alegre e num tom mais informal que chega a tocar o "maroto".
Concluindo, gostei de Legend é uma distopia leve e, parece-me, é muito mais em torno de pessoas, personalidades e decisões do que a sociedade em que está inserida. Isto poderá mudar nos livros seguintes mas é, sem dúvida, uma saga que gostava de concluir.

Cláudia: 3,75/5

Com tantas distopias, novos livros de acção e revolução young adult, o meu interesse pelo estilo começa a esmorecer. No que toca a Legend, já o conhecia, já tinha passeado pela sua sinopse uma série de vezes e até parado uns dois segundos a olhar para a capa (que já agora, no original, é horrível) e nunca me seduziu por aí além. Tive a sorte de ver este livro editado em Portugal pela Edições ASA (1001 Mundos), em conjugação com uma Catarina ansiosa por o ler. Como ela só vinha a Portugal uns dias mais tarde, ainda fiquei com ele em minha posse uma semana e meia, e foi o suficiente para a curiosidade me vencer (aquela capa chamativa também não ajudou nada a deixá-lo de parte) e o abrir numa curta viagem de fim-de-semana. Escusado será dizer que li metade do livro no espaço de uma hora, e só não o terminei nesse dia porque tive outros afazeres.
Marie Lu tem uma escrita muito fluída e intuitiva que facilita a entrada no enredo. As personagens são-nos apresentadas de chofre, sem grandes descrições, mas com todas as componentes necessárias para nos chamar a atenção, prender a curiosidade e ressalvar a ânsia de descobrir mais. Day e June têm vozes muito próprias, que facilmente se distinguem, independentemente da estrutura adoptada no livro. Contadas na primeira pessoa, as narrativas soam mais vivas e cheias de entrelaces e acabamos por querer saber mais e passar mais tempo com cada um. Tive imensa pena da morte de Metias (facto descrito na sinopse), porque adorei a relação dele e da irmã. Só tive com ele numas meras páginas, e senti tanto a sua falta como June ao longo da narrativa. Era rapaz, mas um irmão presente e galinha que protegia uma irmã dura (pelo menos diante de terceiros) das desgraças do mundo, não porque ela necessitasse, mas porque ele precisasse de o fazer.
O contexto envolvente é de facto deixado um pouco de lado. Compreendemos o meio em que as duas personagens circulam, o que representam os Patriotas e as Colónias ou os JumboTrons mas não existem realmente grandes elos de ligação entre si ou que descrevam a forma de funcionamento da sociedade, mas principalmente, as raízes históricas da construção temática que explicasse a existência de alguns comportamentos, ou o real conhecimento dos elementos principais quanto à sociedade onde viviam.. Propositado ou não, deixa algo a desejar, especialmente quando elaboradas as teorias finais, e que obrigam o leitor a ter uma visão mais abrangente.
Ainda assim, mantém-nos atentos, com vontade de o ler e saber de que forma se irão safar as personagens. Por outro lado, e da minha percepção, existe uma reviravolta mais ou menos a meio do livro que foi pouco conseguida, e cujo desenrolar dos acontecimentos a partir desse momento me parecem mais fantasiosos do que o devido e reduziram em parte o meu interesse por este livro. Continuei a lê-lo, porque como vos disse, as páginas quase que se viram sozinhas de tão fácil que é ler este livro, independente do certo elemento de desilusão com a condução da estória. De qualquer forma. nada está perdido, e quero ler a continuação desta aventura. Considero que pode ser um livre interessante para leitores pouco assíduos, que se queiram entreter e recuperar o entusiasmo pela leitura. Nunca é maçudo, ou complexo ou sem acção suficiente para respirarmos fundo durante muito tempo. E sem sombra de dúvida, divertiu-me por umas horas!

quarta-feira, 12 de março de 2014

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Opinião: Allegiant, de Veronica Roth




Allegiant
 de Veronica Roth

Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 526
Editora: HarperCollins Children's Book's 

Resumo:
The faction-based society that Tris Prior once believed in is shattered—fractured by violence and power struggles and scarred by loss and betrayal. So when offered a chance to explore the world past the limits she’s known, Tris is ready. Perhaps beyond the fence, she and Tobias will find a simple new life together, free from complicated lies, tangled loyalties, and painful memories.

But Tris’s new reality is even more alarming than the one she left behind. Old discoveries are quickly rendered meaningless. Explosive new truths change the hearts of those she loves. And once again, Tris must battle to comprehend the complexities of human nature—and of herself—while facing impossible choices about courage, allegiance, sacrifice, and love.

Told from a riveting dual perspective, Allegiant, by #1 New York Times best-selling author Veronica Roth, brings the Divergent series to a powerful conclusion while revealing the secrets of the dystopian world that has captivated millions of readers in Divergent and Insurgent.



 Rating: 4,25/5 

 
Opinião: Apesar de ainda não estar editado em Portugal, já existe a confirmação que Allegiant será lançado ainda este ano. Para os que aguardam ansiosamente saber o que está reservado para Tris, Tobias, Christina ou Caleb, acreditem que vale a pena estarem atentos e roer as unhas todas!

Nota de 12 de Março: Foi finalmente revelada a data de lançamento pela Porto Editora. Sai ainda este mês, dia 21, com o nome "Convergente!"



Após o fim tão apoteótico mas simultaneamente anti-climax (parece contraditório e assim o é) de Insurgente, confesso que estava com muito receio do seguimento da narrativa, especialmente depois da desconstrução de uma série de estruturas que descobrirmos ser diferentes ao esperado. Para além disso, a fasquia estava de tal forma elevada que contorná-la poderia ser um erro, mas vincá-la também não traria nada de novo que pudesse justificar o encerrar dos acontecimentos. Deste modo, acho que a autora não só se saiu lindamente como foi bastante inteligente na narrativa. Veronica Roth soube fugir das fragilidades da trilogia que compôs, evitar explorar caminhos que sabia não conseguir resolver e centrou-se em dar destaque às duas personagens mais atractivas para o público, sem esquecer as mudanças do envolvente.
A nova realidade é surpreendente e é inevitável que, tal como os personagens, nos vejamos a questionar sistematicamente o que é que mudará em seguida porque não há coração que aguente! Vamos questionar se sabemos tudo o que realmente se passa, e a verdade é que conseguimos ir apanhando todas as explicações. Fica apenas a falta a correcção de uma série de pontas soltas no fim do livro, mas podem sempre fazer uma lista e bombardear a autora com elas! Esse é talvez o único ponto que não me permite atribuir-lhe mais do que 4,25.
A dualidade de narrativas entre Tris e Tobias deixou-me plenamente feliz. De facto, embora estar na cabeça desta miúda teimosa e decidida que começa a crescer ao longo de Insurgente seja interessante, sempre senti perder muito do que se passava na cabeça do famoso Quatro, que sempre teve tendências para a introspecção. Desta forma, consegui compreendê-lo e conhecer um pouco mais sobre os seus dilemas pessoais, o que veio a confirmar que dentro do género, o Tobias é das minhas personagens masculinas preferidas. Sente, ama, tem medo, receia a humanidade e respeita o próximo. E é dotado de uma panóplia de valores que o tornam muito humano (e não uma representação filtrada pela cabeça de uma miúda).
Existe um grande spoiler que naturalmente não vou divulgar. No entanto, soube dele muito mais cedo porque infelizmente a Internet não se coibe tanto como eu de estragar as surpresas aos leitores, mesmo quando não andamos à procura de respostas. E se muitas pessoas desgotaram do encaminhamento que a autora fez, eu posso dizer que ainda que não concordando totalmente (acho que o resultado em questão até poderia ter acontecido, se as causas fossem diferentes. Assim foram meramente estúpidas porque soam a inevitáveis, o que explica em parte a revolta dos fãs) percebi o que ela quis dizer com essa narrativa. A verdade é que sendo um livro de young adult, por vezes é colocada em causa a capacidade de não criar apenas histórias bonitas ou com fins mais felizes. No entanto,Veronica deu-nos desde a primeira página de Divergente uma dose de "realidade" crua, onde as pessoas sentem, sofrem, evoluem, são traídas, descobrem novos horizontes e tentam reinventar-se para serem felizes. Nessa perspectiva, negar os acontecimentos do último livro soa-me a uma negação do mundo que nos é apresentado. Querendo ou não, esta é uma distopia, e como tal, não se espera um final plenamente feliz e cor de rosa. E com isto já disse muito!
Para finalizar, tenho de dizer que esta será certamente uma das minhas trilogias preferidas dentro do género e vou certamente relê-la no futuro!

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Opinião: O Silo, de Hugh Howey



O Silo
 de Hugh Howey

Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 528

Resumo:

Num mundo pós-apocalíptico, encontramos uma comunidade que tenta sobreviver num gigantesco silo subterrâneo com centenas de níveis, onde milhares de pessoas vivem numa sociedade completamente estratificada e rígida, e onde falar do mundo exterior constitui crime. As únicas imagens do que existe lá fora são captadas de forma difusa por câmaras de vigilância que deixam passar um pouco de luz natural para o interior do silo. Contudo há sempre aqueles que se questionam... Esses são enviados para o exterior com a missão de limpar as câmaras. O único problema é que os engenheiros ainda não encontraram maneira de garantir que essas pessoas regressem vivas. Ou, pelo menos, assim se julga...


 Rating: 4/5 

Opinião: Ora bem, ainda antes de começar a opinião em si vou já falar do ponto negativo deste livro, contrariamente ao que é habitual, e que passa por ter descoberto, já a meio do livro (e a gostar dele) que me enfiei em mais uma saga por percalço, e tenho mais 7 livros de continuação pela frente (espero que a Editorial Presença os edite nos próximos anos, quem sabe ainda a termine antes dos 30..)!! E qualquer leitor regular sabe a praga que as trilogias e sagas se tornaram nos últimos anos, até porque eu já nem faço ideia de quantas estórias tenho a meio (e sobre as quais sempre se almejo o fim). Em diante.

Editado: Acabei de descobrir que afinal fui enganada pelo Goodreads. O autor auto-publicou este livro em 5 partes, pelo que o que surge como cinco livros corresponde ao primeiro editado pela Editorial Presença. No fundo, e em discussão com outras meninas por lá, cheguei à conclusão que será mais uma trilogia.

Raramente gosto das comparações a outras grandes obras. Na contracapa de "O Silo", o Daily Express descreve-o como «Emocionante, provocador e inesquecível... uma obra-prima de ficção distópica comparável a 1984, de George Orwell, e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley.» É realmente isso tudo, excepto no que diz respeito a essa ligação aos dois clássicos, um que por acaso ainda não li senão excertos e outro não me deixou muito fã. Na minha opinião, e para além do óbvio que levou a esta equiparação, tanto 1984 como Admirável Mundo Novo centram-se principalmente no impacto das vivências colectivas nos indíviduos, criando experiências intensamente sensoriais. Já O Silo é uma grande obra de ficção, focada no entanto na aventura, na acção, na sucessão de factos que de forma infalível nos levaram na direcção de um final inesperado.
A introdução ao mundo em questão é feita de forma muito sublime, sem se tornar voraz em pormenores, e que nos cativa e prende a atenção. Colocando-nos numa situação in media res que nos capta logo o interesse, sem nos fazer sentir perdidos, vamos acompanhando as consequências da tomada de decisão de uma personagem. E ainda que o desfecho dessas não seja o esperado, parte dela irá acompanhar-nos ao longo do livro.
Somos espicaçados nos momentos certos. Este livro faz-nos questionar a situação que nos é apresentada assim como a sua contextualização. Queremos saber mais, compreender o funcionamento do Silo, tanto a nível de estruturas como do ponto de vista legislativo e populacional. Queremos saber mais sobre os sorteios de procriação e sobre as formas de subsistência, assim como da capacidade de gestão de electricidade. Queremos conhecer melhor as personagens, conviver mais tempo com elas, embora o constante subir e descer dos pisos intermináveis nem sempre nos possibilite. E ainda que queiramos isso tudo, não nos sentimos defraudados, ou com falta de informação suficiente que permita a compreensão do enredo de forma alargada.
E por falar em personagens, o grupo que nos é apresentado está totalmente à altura do acontecimento. São diversas, interessantes, cativantes e bem construídas, mesmo quando só temos acesso a pequenas nuances suas, e que dificilmente servem para descrever uma personagem por completo. Não nos sentimos enganados, conseguimos relacionar-nos com o que estamos a ler e queremos sempre saber mais e ir mais longe. A sensação de continuidade e paralelismo da acção é bem conseguida, e fará ainda mais sentido a partir do meio da narrativa, quando existirem mais pormenores sobre o contexto envolvente. A sensação de que estamos perante uma estrutura complexa vai aumentando ao longo da narrativa, especialmente quando a verdade deixa de o ser e a mentira passa a ser esperada. A visão descritiva é muito global, ainda que se foque em perspectivas individuais, dando-nos o melhor de dois mundos.
O que é que ficou a faltar? Um verdadeiro inimigo, uma força contrária mais eficaz ou que, pelo menos, nos fizesse sentir a sua presença mais imediata. Porque apesar de estarmos ao corrente de qual o elemento causador de todos os momentos climax, a sua presença ainda é muito distante e pouco controladora (o que seria de esperar numa obra deste género, até pela composição que nos é apresentada).
Ainda assim, sendo o livro introdutório, fica a pairar a reflexão de que este é só um esboço, um rascunho ainda mal composto de toda a acção que por aí vem. Nesse sentido, estou plenamente satisfeita, quero mesmo continuar a seguir esta saga e completá-la, e fico ansiosamente à espera do próximo.

«Estas e outras novidades da Editorial Presença aqui»


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Opinião: Maze Runner - Provas de Fogo [Maze Runner 2], de James Dashner

Maze Runner - Provas de Fogo [Maze Runner 2]
de James Dashner
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 368
Editor: Editorial Presença
Resumo:
 Atravessar o Labirinto devia ter sido o fim. 
Acabar-se-iam os enigmas, as variáveis e a fuga desesperada. Thomas tinha a certeza de que, se conseguissem fugir, ele e os Clareirenses teriam as suas vidas de volta. Mas ninguém sabia realmente para que tipo de vida iriam regressar... 
O segundo volume da série Maze Runner ameaça tornar-se um clássico moderno para os fãs de títulos como Os Jogos da Fome.
Rating: 4,5/5

Opinião da Ki:
(Se ainda não leram a nossa opinião ao primeiro volume podem fazê-lo aqui)
 Meu Deus, que viagem! É impossível não amar um livro que nos fez perder a cabeça ao ponto de o atirarmos contra a parede. Depois do epílogo do primeiro volume que nos deixou a chorar por mais agora é a vez do segundo volume nos fazer "sofrer".
Thomas e os Clareirenses estavam convencidos que atravessar o labirinto se revelaria o fim das suas turbações. No entanto, nada podia estar mais longe da verdade e o porto seguro onde pensavam estar, rapidamente se transforma noutra casa de partida para o jogo de CRUEL.
Segredos, traições e momentos inesperados aguardam-nos em cada canto deste livro. Os seus mais de cinquenta capítulos passam a voar e deixam-nos com vontade de ler mais e descobrir mais sobre o que efectivamente se está a passar com Thomas e os seus amigos.
Quanto à escrita e evolução da história podemos encontrar a mesma voz a que James Dashner nos habitou no primeiro volume. Thomas está numa luta constante entre a sua mente e as evidências em frente aos seus olhos. Porque trabalhou para a CRUEL? Qual é a sua missão? Qual é o papel de Teresa em tudo o que se está a passar?
Uma das coisas que mais gosto na personagem de Thomas é a sua capacidade de raciocínio. Apesar de Tom ser um adolescente e sentir as emoções com a violência típica de um, ele também tem cabeça e obriga-se a parar de tempos a tempos para tentar fazer sentido do que está a viver. Mas como podemos fazer sentido de uma vida que está sempre a ser vigiada por cientista malucos?
Maze Runner é uma das melhores distopias que já li, temos todos os factores que nos levam numa aventura contra tudo e contra todos e temos um herói que apesar de perdido se sente confiante de que está a fazer a coisa certa. Além do mais, Tom é um negociador nato e apesar de não ter necessariamente um dom especial com as palavras, sabe quando chega a altura de abrir o jogo e dizer as verdades.
O que achei deste livro? Que foi um filme de acção que se desenrolou na minha cabeça e me fez berrar, ficar nervosa e desejar saber cada vez mais sobre o que se está a passar nesta trilogia. Porque se o primeiro volume nos trouxe perguntas, o segundo apenas nos trouxe algumas respostas e mais perguntas ainda. O que é efectivamente a CRUEL? Porque é que Thomas e os Clareirenses foram os escolhidos para este projecto? Qual é a doença que está a matar a humanidade? E quais são os seus efeitos?
Uma sequela que sem dúvida não desaponta e que abre caminho para o último volume da trilogia.

Opinião da Cláudia: 
Se tivemos opiniões divergentes realtivamente ao primeiro volume, "Maze Runner - Provas de Fogo" cala qualquer dúvida que eu pudesse ter relativamente a esta saga. E só para começar, digo-vos que a expressão "leitura de tirar o fôlego" ganha um significado bem realista com este segundo volume! Acho que até estou sem palavras suficientes para descrever a leitura arrebatadora, dinâmica, cheia de acção, intriga e mistério que James Dashner nos trouxe!!
Como bem diz o subtítulo da continuação desta trilogia, o Labirinto foi apenas o início. E se em Maze Runner - Correr ou Morrer, nem sempre percebíamos o que estávamos a ler, então este segundo volume tira-nos completamente os pés do chão: os twists são engendrados de forma que nos deparamos com eles à medida que as próprias personagens os vivenciam, as suas dúvidas são as nossas e o aparecimento de novos obstáculos deixa-nos tão sem forças como às personagens.
Estou prestes a dizer que o autor é brilhante. Em primeiro lugar, não é fácil criar um enredo de young adult segundo a temática dos mundos distópicos que realmente nos surpreenda na actualidade (e atenção que eu disse surpreenda, não que não gostemos de outros livros do género). A capacidade de construção de um mundo discuncional, pré-apocalíptico (e vou utilizar este termo porque não existe forma melhor de contextualizar a caracterização do mundo tal como a mesma nos é apresentada), onde o ser humano luta pela sobrevivência e apenas se quer ver livre do Fulgor (quem quiser saber o que é, terá de ler o livro) mostra-nos uma série de dimensões inesperadas. Esqueçam-se do Labirinto, esse foi mesmo o início. E se as regras do jogo mudaram, também a realidade onde se inserem. O exterior é diferente do que eles esperavam (a dada altura, julguei muitas vezes que aquele cenário não fosse o verdadeiro exterior). Muitas coisas não batem certo, mas nem temos tempo de questioná-las porque logo em seguida acontece algo igualmente surpreendente.
Tal como as personagens, quando achamos que já nada nos pode causar espanto, surge outro novo desafio, outro novo mistério e uma série de pistas que se interligam entre si, e para a qual a falta de memória de Thomas nos deixa (mas deixa-o principalmente a ele) fora de juízo. Cada rasgo de conhecimento é uma tentativa de perceber como vencer este desafio que ele e os Clareirenses enfrentam numa conjungação doentia de cobaias num ensaio científico (para o qual supostamente não acordaram entrar...mas quem sabe?).
Esta nova realidade traz também novos companheiros de viagem. Contrariamente a Thomas, desta vez terei de ficar do lado de Minho, e enunciar que uma ou outra me levantaram dúvidas. As quais vi em parte confirmadas, mas por outro lado, também não vi. Confuso? Talvez só lendo se entenda a real dimensão desta trilogia.
O autor foi bastante inteligente na construção deste enredo. Se por vezes senti algum vazio na ausência de explicações, de caracterizações de personagens (e até uma certa infantilidade de Thomas, provinda da necessidade de elevar o ego ao mostrar-se corajoso de forma pateta por vezes) no primeiro volume, este é denso, enriquecido de narrativas, descrições espectaculares que me fizeram viver a aventura ao mesmo nível que os seus executantes.
Por outro lado, foi revigorante (para variar) ter como personagens principais um grupo de rapazes. Adoro livros com personagens femininas fortes, mas Thomas, Minho, Newt e os restantes Clareirenses são seres espectaculares. São rapazes adolescentes com o desejo de vencerem, que não negam as suas emoções e o medo constante que sentem pelo preço a pagar pela sobrevivência.
Estou completamente rendida, e quero comprar toda a trilogia.

  • Este livro faz parte de uma trilogia, da qual já comentamos o primeiro volume;
  • Esta trilogia já foi toda publicada em inglês sendo o título do último volume The Death Cure;
  • Em 2012 o autor publicou uma prequela chamada "The Kill Order" (e que me parece ser bastante spoiler da série);
  • A 20 de Fevereiro de 2014 deverá estrear o primeiro filme.

domingo, 23 de junho de 2013

Opinião: Requiem, de Lauren Oliver

    

Requiem

de Lauren Oliver
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 352
Editor: Hodder & Stoughton General Division

Resumo: 
 The final instalment in the internationally bestselling Delirium trilogy. It is the rule of the Wilds You must be bigger, and stronger, and tougher. A coldness radiates through me, a solid wall that is growing, piece by piece, in my chest. He doesn't love me. He never loved me. It was all a lie.
'The old Lena is dead', I say, and then push past him. Each step is more difficult than the last; the heaviness fills me and turns my limbs to stone. You must hurt, or be hurt.
Lena can build the walls, but what if there's no one left to take them down? The powerful, heartbreaking conclusion to one of the most eagerly awaited, talked-about series is here.
 

Rating: 4/5 

Comentário: Requiem é o desfecho da trilogia Delirium, de Lauren Oliver. Para quem ainda não se apercebeu, comentámos no Blog tanto o primeiro como o segundo livro, para além de algumas short-stories criadas pela autora, para nos fornecer mais informações sobre personagens que de outra forma não teríamos conhecido tão bem. Como também devem ter reparado, esta trilogia ainda não foi editada em Portugal. No entanto, continuamos com esperança que venha a surgir no mercado nacional no futuro. Relembramos que foi gravado um episódio piloto bom base nestes livros, encomendada pela Fox, mas que acabou por definir que não seria emitido devido a uma temática demasiado juvenil para o canal. Para nós, tratar o amor como uma doença, num mundo distópico, é tão intergeracional como actual.

Podem estar descansados, não vou colocar spoilers, até porque a Catarina está a ler o livro de momento, e não quero estragar o fim a ninguém. Em Requiem, Lauren Oliver traz-nos um pouco da essência que me atraiu em Delirium, primeiro livro da trilogia. Já tenho dito, e não me canso de repetir, que a escritora é uma pessoa de personagens. É elas que sabe construir melhor, que consegue explorar (muitas vezes a fundo) e que nos envolve nas tramas pessoais, e que no universo a ter em conta, dizem respeito a mais do que motivações ideológicas, condicionam a capacidade de uma pessoa sobreviver.
Neste livro voltamos a ter presentes personagens que conhecemos anteriormente, e que vemos exploradas de forma diferente. Surgem também umas novas, para criar unidade à acção, e atribuir uma nova dinâmica ao que se irá passar. Tenho pena que o livro não tenha tido mais páginas. Acho que algumas destas pessoas ficaram com enfoque aquém do esperado, e existem uma série de pontas soltas que gostava de ter visto resolvidas, mais do que isso, não gosto de acabar uma história com perguntas para as quais não existe resposta (e nada tem a ver com o fim - só quem ler é que perceberá o que quero dizer com isto). Ainda assim, a voz de Lena enquanto personagem é agora mais una do que alguma vez foi; talvez porque já não é um elemento do Antes nem do Depois de ser "infectada" pela Deliria Nervosa. É ambas, e como tal, a sua maturidade dá-lhe o poder da reflexão, da análise, do crescimento contínuo, sem deixar de ser no entanto uma miúda, pouco habituada ainda a explorar sentimentos e a viver com as emoções à flor da pele.
Noutro patamar, uma das personagens do primeiro livro ganhará enorme destaque em Requiem. As suas acções não devem nem podem ser menosprezadas, e após uma composição, a forma como ela é conduzida ao final foi um pouco anticlimax. Ainda assim, a trama desenvolvida em sua volta demonstra mais uma vez a capacidade multidisplinar de um ser humano, e a necessidade de se adaptar às situações mais inoportunas.
Acima de tudo, Requiem é um livro onde os adolescentes, mais do que qualquer pessoa, têm o dom da palavra. Onde são missionários de uma série de ideologias que os adultos preferem ignorar na ausência da sua capacidade de as controlar, de assumir que o incerto pode ser estimado e que o mundo é, sem qualquer dúvida, um lugar muito mais bonito quando explorado em conjunto.
Este 4 atribuído vem um pouco em função de toda a trilogia, pela narrativa, pelas suas imperfeições, que não deixaram de me atrair na sua direcção. Um pouco como o amor, ou não fosse ele inexplicável.  


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Passatempo Editorial Presença: Maze Runner #2 - Provas de Fogo, de James Dashner

Ora boa noite!

A Cláudia faz anos amanhã, mas as prendas são para vocês!

Em colaboração com a Editorial Presença, trazemo-vos mais um passatempo. Aqui no Blog já lemos e oferecemos o primeiro exemplar de "Maze Runner - Correr ou Morrer", assim como comentámos o início desta aventura. Já na Feira do Livro de Lisboa, como muitos já viram pelo Facebook, fomos citadas a propósito desse livro.


Como já perceberam, ficámos fãs do início desta trilogia, e é por esse motivo que podem dar pulinhos de alegria porque, de 18 a 25 de Junho de 2013, vamos ter em sorteio um exemplar de Maze Runner #2 - Provas de Fogo! Basta responderem às perguntas do formulário em baixo, e esperarem ansiosamente pelos resultados.

«Para poderem responder às perguntas, consultem a página do livro no site da Editorial Presença aqui». 

«Se procuram novidades editoriais ou promoções, naveguem no site da Editorial Presença aqui


Regras do Passatempo: 
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 25 de Junho de 2013.

2) Todos os dados solicitados devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só serão aceites uma participação por pessoa e morada, em todo o território português (Portugal continental e ilhas).
4) O/A vencedor/a será sorteado de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail.
5) O Encruzilhadas Literárias e/ou a Editora não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT no exemplar enviado.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Opinião: [Livro I] O Perraultimato, de Filipe Faria

O Perraultimato - Livro I
de Filipe Faria
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 264
Editor: Editorial Presença
Resumo:
As estórias são conhecidas de todos: sapatinhos de cristal, maçãs envenenadas, príncipes encantados e lobos maus; e todos sabem que, no fim, os que mereciam viveram felizes para sempre. Então porque é que isso não aconteceu? Porque é que o mundo parece virado do avesso? E porque é que toda a gente age como se nada fosse? 
São essas as perguntas que atormentam Borralheiro, um dos poucos que sentem que algo de profundamente errado se passou, e o único que se predispõe a ir em busca de respostas. Respostas essas que lhe chegam às mãos na forma dos versos crípticos do misterioso Perraultimato, que o lança numa demanda em busca da verdadeira essência das estórias. 
Acompanhado por quatro outras figuras do imaginário popular europeu — a imprevisível Capuchinho, o misterioso Aprendiz, a atormentada Vasilisa e o perigoso Burra — Borralheiro embarca numa inesquecível aventura neste primeiro volume da distopia folclórica «Felizes Viveram Uma Vez». (Vejam o livro no site da Editora aqui e leiam as primeiras páginas, cortesia da editora, aqui.)

Rating: 2/5


Comentário:
É sempre complicado explicar porque não se gosta de um livro. Eu pelo menos tenho tendência a achar que a culpa é minha, que eu não  percebi a mensagem que o autor queria transmitir, ou que não tive paciência, ou porque o livro não era o meu género. Mas sinceramente as nossas opiniões são feitas disso mesmo, eu achar que um livro não me agrada não o faz um mau livro.
E esse é o caso de O Perraultimato: simplesmente não me consegui conectar com o livro, e quem nos segue sabe bem que leituras distópicas e contos de fadas são das coisas que eu mais leio e mais gosto de ler. De qualquer forma, houve algo nas personagens que não me prendeu.
O livro começa bem com um prólogo de um conto infantil conhecido - O Capuchinho Vermelho- e apesar de ser um pouco longo para o que é, aliás todos os capítulos são extremamente longos na minha opinião, até está curioso e tem um twist final inesperado. Mas é já no prólogo que aparece o que para mim foi outro grande problema: a linguagem.
Talvez a ideia do autor tenta sido usar uma linguagem cuidada, por vezes a puxar para o arcaico parece-me, para nos dar a entender que a histórias são antigas. Talvez o autor se tenha forçado a usar essa linguagem no texto - a mim foi o que me pareceu. Contudo, seja qual for o motivo, a verdade é que essa linguagem cria quebras no texto. Não me considero uma pessoal culta ou inculta, considero-me uma leitora normal e confesso que tive de parar várias vezes e ficar a olhar para palavras cujo significado desconhecia. Todo o processo de ler com um dicionário ao lado é cansativo e moroso, acabando por tirar parte da alegria de ler.
Para meio, deu-me a sensação que a linguagem foi ficando mais acessível mas como nunca fui de ler com dicionário ao lado (nem quando me aventurei nos livros em inglês), não posso dizer se "terei consultado o dicionário" mais ou menos vezes. Creio que o meu cérebro inventou palavras para por no lugar das que não conhecia ou simplesmente li como se as frases tivessem espaços em branco.
Assim sendo, acabei por perder muito do livro e sinto que apesar de não ter gostado do mesmo, talvez o tivesse apreciado melhor se pelo menos o tivesse conseguido ler sem quebras no texto.
Quanto às ilustrações do livro, da autoria de Pedro Potier, estão bem conseguidas e ilustram bem aquilo que eu tinha imaginado. A própria apresentação do livro está bem feita, gosto bastante desta nova capa com a qual a Editorial Presença relançou o livro e creio que conseguirão chegar a uma audiência maior através dela.
Não sou fã do título, O Perraultimato, penso que seja uma junção do nome de [Charles] Perrault, escritor considerado o pai dos Contos de Fadas, com a palavra ultimato, visto que todos os contos de fadas estão a acabar mal e algo tem de ser feito para garantir o seu final feliz. Se a ideia era esta é bastante engraçada e original mas torna o nome do livro praticamente impronunciável e põe um leitor logo pé atrás com a história.
Um livro que não apreciei particularmente mas que seguirá para casa da Cláudia para que ela o possa ler e avaliar e quem sabe, conquistar. De mim leva apenas duas estrelas.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Opinião: Pandemonium, de Lauren Oliver

Pandemonium [Delirium 2]
de Lauren Oliver
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 336 
Editor: Hodder & Stoughton General Division
Resumo:
I'm pushing aside the memory of my nightmare, pushing aside thoughts of Alex, pushing aside thoughts of Hana and my old school, push, push, push, like Raven taught me to do.
The old life is dead. But the old Lena is dead too. I buried her. I left her beyond a fence, behind a wall of smoke and flame.

Rating: 4/5

Comentário: 
(Atenção este comentário conterá spoilers do primeiro volume!)

Depois da Cláudia ter comentado o primeiro volume desta saga, Delirium, é agora a minha vez de comentar a sua continuação, com Pandemonium. Da primeira vez que comecei a ler esta sequela tive de parar porque o livro não me fazia sentido. Tinha acabado de ler o Delirium há pouco tempo e a mudança brusca na narrativa deu-me um "nó no cérebro" e não me deixava entrar no rumo da história.
Tive por isso de esperar alguns meses antes de poder voltar a pegá-lo a sério e dar continuação a esta saga. Sou da mesma opinião da Cláudia, que diz que Oliver é genial a construir personagens e as suas relações. Há algo de verdade, de real, na Lena e em todos os que a rodeiam; existem alturas na história em que quase os podemos tocar.
No primeiro livro, à medida que seguimos Lena ao longo da sua aventura, é fácil relacionarmos-nos com ela e percebermos as suas dúvidas e incertezas. Sim, porque Lena é uma personagem que acredita cegamente no regime onde foi educada, um regime que dita que o amor é uma doença mortal e que todos se devem submeter a uma operação que retira a capacidade de amar. Lena acredita nisto e conta os dias para a sua operação, que a salvará desta doença, como maior parte dos adolescentes contam os dias que faltam para um concerto ou lançamento de um livro.
E assim, ao longo do primeiro livro vemos a Lena soltar-se das suas amarras e a aprender a "voar" como ela diz.
No segundo livro, no entanto, encontramos duas Lenas: a Lena do "Now" e a Lena do "Then"; e elas tem objectivos diferentes, maneiras de ver a vida diferentes e medos diferentes. Ao dividir o seu segundo livro em duas linhas de tempo, Lauren puxou o tapete aos seus fãs e deixou-nos perdidos durante quase dois capítulos até percebermos ao certo o que se estava a passar.
Deixem-me tentar explicar-vos o que se passa quando começamos a ler este livro: o primeiro capítulo é "Now" e creio que todos esperávamos uma continuação quase imediata ao fim explosivo de Delirium, mas aquilo que encontramos é Lena sentada calmamente numa sala de aulas. O leitor começa a erguer curioso uma sobrancelha, e quando o capítulo acaba nem sabemos bem o que se vai passar. Entramos então num capítulo "Then" (os únicos dois nomes que todos os capítulos terão para percebermos os saltos no tempo) e subitamente voltamos ao exacto momento em que Delirium terminou.
Quer isto dizer que a linha "Now" passa-se alguns meses após o fim de Delirium enquanto a linha "Then" se passa imediatamente a seguir. Para quem acabou de ler o primeiro livro apenas com uma linha de tempo compreende-se a dificuldade em entrar neste segundo livro. Mas após o choque inicial e percebendo a maneira como o livro se processa torna-se fácil entrar na história e tornar a acompanhar Lena nas suas aventuras.
Depois do fim suspenso de Delirium reencontramos, como dizia há pouco, duas Lenas. A Lena do "Then" que é a Lena que deixamos, ainda bastante insegura e sem saber se tomou a decisão certa, sem saber ao certo o seu lugar no mundo e acabada de chegar ao munso dos Wilds; e a Lena do "Now": uma Lena que já passou frio, fome, doença e já ponderou a sua vida de ângulos que nunca achou possíveis, uma Lena que sabe o que é perda mas que aprendeu a erguer a cabeça.
Pandemonium fala-nos das decisões que tomamos e das experiências que nos moldaram e nos levam a tomar essas decisões. É um livro intenso sobre aquilo que acreditamos ser a verdade e sobre as incertezas dos jovens que querem fazer o que está certo mas que nem sempre sabem como. Lena é a imagem de uma rapariga normal que perdeu um amor e está a tentar recuperar, é a imagem de uma jovem perdida dentro das suas inseguranças mas que se levanta todos os dias, é a imagem de uma jovem que volta a aprender a viver num mundo que a quer ver morrer.
Este é um livro sobre amor, esperança, luta e sobrevivência. É a história de um grupo de pessoas que se farta do que é confortável e vai em busca do que acha ser verdade, custe isso o que custar. Dizer mais é entrar em detalhes da história, o que me recuso a fazer para não estragar a surpresa.
Apesar de ter uma abordagem diferente de Delirium não acredito que Pandemonium lhe fique atrás e só não leva cinco estrelas por cair infelizmente num grande cliché do qual eu e a Cláudia já estamos um pouquinho fartas, e que é cada vez mais comum nos livros adolescentes (mas que não revelaremos para não estragar a leitura).
Uma leitura que recomendo, mas não imediatamente a seguir ao Delirium.
Creio que talvez seja mais produtivo para os leitores lerem entre os volumes um e dois, as short-stories Hana e Annabel ( não a Raven, pois contêm spoilers do segundo volume!).

  • Para verem tudo o que já comentamos de Lauren Oliver cliquem aqui.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Opinião: [The Giver Nº1] O Dador de Memórias, Lois Lowry

O Dador de Memórias [The Giver Nº1]
de Lois Lowry
Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 240
Editor: Everest Editora
Resumo: 
A sociedade em que vive Jonas é a perfeita descrição do mundo perfeito. Tudo está sob controlo: não há cores, não há música, não há guerras nem possibilidades de eleição. Cada pessoa ajusta-se às Normas da sua Comunidade. Quando Jonas atinge os 12 anos e deve ser-lhe atribuída uma profissão, é eleito para uma função muito especial e única na sua comunidade. Na sua formação descobrirá as verdades subjacentes à frágil perfeição do seu mundo. 
Considerado um dos 100 melhores livros da história da literatura juvenil, aborda temas tão importantes como a liberdade, o controlo da informação, o medo, os sentimentos, a amizade...
 
Rating: 4/5
 
Comentário: 
Como disse a determinado ponto da minha leitura no GR, o que me fascina nos mundos distópicos é ver até que ponto as pessoas estão dispostas a ir para negarem as suas emoções. Como estamos dispostos a sacrificar o que nos torna humanos para sermos todos iguais e sermos livres da "dor" e do "mal".
Este é um livro que me é bastante difícil comentar devido às emoções que me provoca. Estas emoções de raiva, dor e alegria que me consomem, que me consumiram, ao ler a história de Jonas devem-se principalmente a uma certa empatia que criei com ele. Porque a criei? Nem sei explicar ao certo, só sei que Jonas me cativou com a sua história e com a sua maneira inocente de ver e compreender o mundo sem no entanto perder a capacidade de o "julgar".
O Dador de Memórias é um livro directo que trata a questão do que nos faz sentir seguros sem rodeios. A sociedade de Jonas foi aperfeiçoada ao ponto em que tudo é escolhido para nós, até os nossos filhos, que na realidade não são nossos, são de mulheres que foram escolhidas para conceber crianças que são posteriormente distribuídas pelas famílias. Uma sociedade que restringe as crianças a apenas terem "um objecto de conforto" (peluche) e que as obriga a livrarem-se dele aos 10 anos de idade.
Esta sociedade que esquematiza a vida para que as pessoas não encontrem nada fora do normal, para que não haja surpresas é completamente aterradora mas ao mesmo tempo completamente possível. Quantas pessoas não conhecem que se queixam de tudo e mais alguma coisa? E se prometessem a essas pessoas uma vida calma e serena onde elas não teriam necessidades porque a sociedade trata de tudo?
A sociedade trata que todos tenham casas, comida e empregos. A sociedade trata da nossa saúde, trata das nossas emoções (retirando-as) e trata até das nossas memórias embelezando tudo ao ponto de a vida ser quase plastificada.
Apesar de ser um livro infantil achei que estava nas mãos com um livro bastante cru e duro. Creio que a autora faz passar perfeitamente o seu ponto ao longo de toda a história. Quem somos nós sem lembranças? Quem somos nós sem emoções? Será que uma sociedade completamente organizada é a solução para sermos mais felizes? Será que há algo que possamos fazer para o mudar?
Jonas, o nosso herói é apenas um rapaz de doze anos, um Doze como é chamado, e é escolhido para uma função fora do normal devido às suas capacidades fora do normal . Tirando isso é uma criança como as outras que foi educada da mesma maneira e que sempre viu a vida como os seus amigos viram. É por isso que principio Jonas sente receio da sua nova missão, do nosso trabalho que tem em mãos mas estes receios são rapidamente superados quando ele se apercebe do que está errado na sua sociedade. As conversas que vai tendo com o Dador de Memórias abrem feriadas profundas numa sociedade que se esforça por esquecer o que não é bonito e Jonas começa a sofrer por se saber incompreendido pelas pessoas que ama.
Um livro fascinante que recomendo a todos os que gostam de distopias e de pensar sobre elas pois este é também um livro que nos fala muito de memórias e cores e de como elas moldam todo o nosso mundo. Achei-o bonito, poético e directo ao ponto, uma das melhores distopias que já li com um final que nos deixa a pensar.

  • Este livro faz parte de um quarteto;
  • O segundo volume "Em Busca do Azul" e o terceiro volume "O Mensageiro" já foram publicados em português pela Everest Editora;
  • O quarto volume "Son" ainda não se encontra disponível em português. (12/12/12)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Opinião: Estrada Vermelha, Estrada de Sangue, de Moira Young

Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 336
Resumo:
Estrada Vermelha, Estrada de Sangue é um thriller futurista, uma aventura épica que se passa num período pós-apocalíptico e extremamente violento. Saba, a protagonista, é uma jovem que viveu sempre em Silverlake, numa zona remota, inóspita e quase deserta, até ao dia em que uma tempestade de areia traz consigo um bando de terríveis criminosos que lhe matam o pai e levam consigo Lugh, o irmão gémeo que ela adora. Sozinha com Emmi, a irmã mais nova, Saba vai investir toda a sua coragem e o seu espírito combativo na busca do irmão, numa demanda perigosíssima e empolgante, através de intermináveis extensões desérticas e violentas intempéries, que culminará numa apoteose de pura adrenalina.
(Podem ler um excerto no site da Editora clicando aqui. Para verem o livro no site da editora cliquem no título ou aqui)
 
Rating: 3,5/5

Comentário: 
Assim que comecei a ler Estrada Vermelha, Estrada de Sangue arrependi-me da minha decisão. O texto tinha uma pontuação esquisita e parecia repleto de erros gramaticais e de tradução. Ao fim de dez página senti-me desesperar e pousei o livro sem saber o que fazer ao certo. Era impossível um livro ter saído com tanto erro da editora, por isso, decidi fazer uma pequena pesquisa sobre o livro. Afinal estávamos a falar de um livro que vencera um prémio, ainda para mais, o Costa Children's Book Award.
Depois de uma pequena pesquisa descobri que a Stacey, a review britânica da qual já vos falei, tinha lido o livro e lhe tinha dado 4 estrelas. Como os nossos gostos são parecidos, questionei-me sobre o que se estaria a passar. Quando li a review dela todo o problema da gramática desapareceu, apesar de talvez ser perceptível para maior parte dos leitores, eu não me apercebi que a personagem principal falava com sotaque e que o livro é uma transcrição fiel de tudo aquilo que ela pensa e diz. Quase como se um processador de texto se tivesse ligado por magia ao cérebro da heroína e registasse tudo o que esta pensa.
Quando tornei a pegar no livro, já com isto em mente, descobri que me conseguia adaptar facilmente ao texto e as coisas ao início que me pareciam abomináveis tornaram-se divertidas. Por exemplo, alguém me sabe dizer o que é um "safado auto-convencido"? Apenas mais um regionalismo da personagem creio, como toda uma vasta gama de palavreado que ela usa ao longo da história e que contribuem para uma autenticidade do ambiente.
Apesar de ser classificado como uma leitura distópica, a verdade é que Estrada Vermelha, Estrada de Sangue não segue a imagem da típica distopia controlada pelo governo, e sim algo mais vago, uma simples sociedade futurista onde o caos, mais que um poder regente, impera. Tal como o resumo diz, Saba vive uma vida "feliz" no deserto com a sua família até que um dia tudo muda.
Esta é uma história sobre a amizade e o amor entre irmãos e até onde estamos dispostos a ir para os salvar. Este amor platónico que temos aos nossos irmãos, e que partilhamos com Saba, dá-nos força para fazermos coisas que antes acharíamos impossíveis. Apesar de não ter um irmão gémeo, tenho irmãos mais novos, o que tornou a minha relação com Saba difícil, principalmente devido à maneira como ela trata Emi, a sua irmã mais nova.
Se no início tinha um pouco de receio de encontrar uma relação do estilo Katniss-Prim fiquei destroçada ao ver a maneira horrorosa como a nossa heroína tratava a irmã mais nova. Infelizmente, para mim, em termos de contextualização da história a relação tem os seus motivos de ser e eu tive que aprender a ver Saba da maneira que ela era. Afinal nenhuma personagem é perfeita, tal como as pessoas, e todas tem os seus defeitos e qualidades que as torna únicas.
Apesar de ser um livro cru e frio, não creio que seja muito mais violento que Os Jogos da Fome, poderia mesmo dizer que estão ao mesmo nível. Com uma ou outra situação mais sangrenta mas que continuam a não enojar o leitor. É um livro com muita acção sem dúvida e que, também ao contrário do habitual, não tem capítulos (o que ajuda a formar a ideia de uma acção continua), possui pequenos espaçamentos entre as cenas e está dividido em sete partes, uma para cada zona que Saba visita. Começamos em Silverlake, casa de Saba, e vamos por esse mundo fora.
Na minha opinião este livro é um bom companheiro das horas vagas e um fantástico romance de estreia de Moira Young, que este ano já lançou o segundo volume desta saga (Dust Lands) que espero que seja continuada pela Editorial Presença. Um livro que leva um sólido 3,5 na minha escala.

  • Para verem mais livros distópicos que comentamos cliquem aqui.



Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre livros e gostas de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e diz que é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Opinião: Unwind, de Neal Shusterman

Unwind
de Neal Shusterman
Edição/reimpressão: 2008
Páginas: 352
Editor: SIMON & SCHUSTER, LTD
Resumo:
Connor, Risa, e Lev estão a fugir para se salvarem.

Nos EUA a Segunda Guerra Civil nasceu do desacordo das facções pró-vida e pró-escolha sobre o Direito à Vida. A solução arrepiante? A vida humana é inviolável desde o momento da sua concepção até aos treze anos de idade. Entre os treze e os dezoito anos no entanto, os pais de uma criança podem decidir "desmonta-la" (unwind), e todos os seus órgãos são transplantados para outras pessoas respeitando assim os desejos das famílias pró-vida, pois todas as partes da criança continuam a viver, e respeitando os desejos das família pró-escolha, pois os pais podem abortar a criança retroactivamente.

Connor é demasiado "selvagem" e os seus pais não o conseguem controlar. Risa, uma orfã ao cuidado do Estado, não vale o suficiente para este a manter viva. E Lev é um tithe, uma criança que foi concebida para ser "desmontada". Sozinhos não conseguirão escapar mas juntos tem a pequena hipótese de não só o conseguir mas como ainda de sobreviver.  



Rating: 5/5

Comentário:
Sou sincera livros com as palavras "brutal", "cru", "verdadeiro" estampadas nas capas são hoje em dia algo habitual e, se as tivesse visto na capa de Unwind não o acharia fora do comum. O que acho fora do comum é que o livro o seja e as palavras não estejam lá.
Quando a Stacey, uma crítica de YA britânica, me recomendou Unwind referiu que este tinha sido o melhor livro YA distópico que tinha lido este ano. Tendo em conta que ela gosta tanto de distopias como eu pensei que este livro estivesse ao nível de livros como Maze Runner, Crónicas de uma Serva e Os Jogos da Fome, mas não, Unwind vai mais longe.
Com uma acção quase continua, com um ou outro momento para recuperar o fôlego, Connor, Risa e Lev estão a fugir para se preservarem "montados", visto que a opção de continuarem vivos mas "desmontados" não lhes parece de todo apelativa. O desespero e a necessidade vão ligar estes três jovens e fazer nascer entre eles uma confiança que noutras situações não se afirmaria tão depressa.
A história acaba deste modo por desenvolver temas interessantes, apesar de uma maneira subjacente, como o "pensar antes de agir", "confiança", "amizade" e "direitos humanos". Este é o género de livro que gosto, porque além de termos uma história fantástica, temos uma história que nos faz pensar, que nos questiona e que nos deixa mais ricos por a lermos.
Um dos meus momentos favoritos envolve Connor a falar com um grupo de três rapazes no qual eles discutem o que é "ser desmontado", "se a alma existe" e as suas vidas. O autor tinha, dado a situação em que se encontravam, a possibilidade de fazer o mesmo com Risa, a personagem feminina, e talvez essa fosse uma escolha mais seguras porque as raparigas costumam ser mais propensas a falar. No entanto, o autor escolheu Connor, um risco que lhe valeu um momento diferente e uma prova de desenvolvimento psicológico da personagem.
Este é um livro que nos fala de uma sociedade onde todos se viraram contra nós, até mesmo a nossa família, uma sociedade que quer todas as partes do nosso corpo e que está disposta a tudo para as conseguir. É um verdadeiro thriller de "contra tudo e todos" que nos mantém colados desde a primeira página, onde conhecemos Connor, até à última.
Este foi também, até hoje, o único livro que me deu, fisicamente, vómitos. Perto do fim tive de parar várias vezes entre parágrafos e respirar fundo, distrair-me antes de continuar a ler, porque eu queria continuar a ler e simplesmente não conseguia porque me sentia doente.
Creio que o horror que se apoderou de mim se deve dever ao facto de que, por uma vez numa distopia, não é o governo que exige aos pais que "desmontem" os seus filhos, são os próprios pais que o decidem fazer, o governo apenas lhes dá essa opção. Depois de muitas distopias nas quais o governo impera e as pessoas estão subjugadas à sua vontade. Foi assustador achar uma sociedade onde por um lado temos pais que se esforçam para comprar órgãos para os seus filhos e por outro temos pais que assim que os filhos fazem treze anos os mandam "desmontar".
Unwind é um livro profundo que deixa muitas questões no ar: Será que a alma existe? Será que efectivamente os "desmontados" continuam vivos? O que acontece à alma dos "desmontados"? O que acontece às pessoas que recebem partes de outras? Será o "desmontamento" uma alternativa 'viável' ao aborto?
Um livro para pensar, uma das melhor distopias que já li e que recomendo vivamente para todos os amantes de distopias e livros de acção.  Este saí com o selo do Encruzilhadas.


  • Este livro ainda não está disponível em português;
  • Unwind é o primeiro de uma trilogia mas pode ler-se separado;
  • O segundo volume chama-se UnWolly e saiu este ano assim como a novella UnStrung.