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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Opinião: Anna e o Beijo Francês, de Stephanie Perkins

 
Anna e o Beijo Francês
de Stephanie Perkins
 
Edição/reimpressão: 2013
Páginas:288
Editora: Quinta Essência




Resumo:

Anna Oliphant tem grandes planos para o seu último ano em Atlanta: sair com a melhor amiga, Bridgette, e namoriscar com um colega no cinema onde trabalha. Por conseguinte, não fica muito contente quando o pai a envia para um colégio interno em Paris. As coisas começam a melhorar quando ela conhece Étienne St. Clair, um rapaz deslumbrante - que tem namorada. Ele e Anna tornam-se grandes amigos e as coisas ficam infinitamente mais complicadas. Irá Anna conseguir um beijo francês? Ou algumas coisas não estão destinadas a acontecer?

Opinião da Cláudia:
Ranting - 4,5/ 5

Há livros que demoram a despertarem-nos a atenção, e Anna e o Beijo Francês foi um deles (talvez por causa do nome). Já o conhecia, mas nunca me tinha interessado, até ter saído a edição portuguesa da Quinta Essência e ter ido ler melhor a sinopse. É caso para dizer que o terminei em menos de 24 horas.
Na segunda passada, os precalços dos serviços públicos portugueses obrigaram-me a uma espera inesperada de duas horas por Lisboa até à finalização de um serviço. Valeu-me este miminho estar dentro da mala, já que só metade do mesmo foi lido sôfregamente.
Acho que existia um receio inicial de que o discurso fosse demasiado juvenil. Não quer dizer que não leia livros dessa natureza, mas talvez exactamente por já ter lido tantos, pretendia algo diferente. E foi o que este livro se revelou.
Antes de entrar na narrativa em si, há que descrever os cenários exteriores. Estive em Paris há mais de 10 anos, pelo que Stephanie Perkins levou-me a revisitar vários lugares pelos quais me encantei e que gostava de voltar a ver. Desde os passeios largos cheios de vida artística junto ao Sena, à Catedral de Notre Dame, ao Ponto Zero de Paris, onde tantas vezes Anna e Étienne pedirão os seus desejos (e também eu pedi os meus).
Sem querer assoberbar-nos de pormenores e história, a autora faz-nos sentir em Paris, provando a gastronomia local, assimilando as texturas visuais, marcando com as sonoridades da língua francesa, num quadro conjunto que nos leva a viajar sem sair do lugar.

                                 in http://viverparis.blogspot.pt/2009/01/ponto-zero-de-paris.html

Quanto à temática principal, esta história começa quando Anna se vê literalmente arrastada pelos pais para ir viver em Paris, num colégio interno. Não sei porque é que as personagens nas histórias se mostram sempre tão contra estes estabelecimentos, porque ao longos dos anos vim a apaixonar-me por eles e acho que ainda hoje fico com pena de não ter estudado num (estranho, eu sei). No entanto, o colégio não é nada do que ela esperava. Para além de uma menor dimensão, de uma fácil ligação entre professores e alunos, de um serviço que por pouco não se assemelha a um hotel (pelo menos segundo a sua visão, habituada aos padrões das escolas públicas americanas), este revela-se um mundo de descobertas, onde não só as suas capacidades estarão sempre a ser desafiadas (e é quando saímos da zona de conforto que acabamos por crescer e evoluir) como Anna terá a oportunidade de aprender que é muito mais do que julgava. 
Naturalmente com medos e receios adequados a uma mudança drástica, Anna ver-se-á facilmente acolhida por um grupo de amigos que a farão sentir em casa em qualquer lugar, e ver que no fundo, o coração tem espaço para as novas e as velhas amizades. É uma menina doce a precisar de crescer e alargar os seus horizontes, e irá encontrar meios para fazê-lo nesta nova realidade. 
Claramente, uma experiência tão rica nunca nos deixa igual ao ponto de partida, pelo que não será apenas Anna a adaptar-se, como também os que a rodeiam ou com quem ela tem relações mais próximas. E são esses novos extractos de relações passadas e presentes que mais contribuem para o sucesso desta história.
Para ser sincera, e sem revelar demasiado, histórias de amor são o que não faltam no mercado. O ponto de viragem neste livro é que nos faz também a nós regressar à primeira vez que nos apaixonámos: a explorar os sintomas, a rever acontecimentos, a sorrir com lembranças que hoje são doces mas que anteriormente nos colocaram o coração às tiras. A sensação de antecipação de um momento esperado, da necessidade de validar um amor como correspondido, da possibilidade de vencer a barreira dos constrangimentos, do desejo reprimido e acima de tudo, da paixão a florescer, são os factores fortes que a autora nos traz. 
Este livro é como reabrir um baú de memórias, e relembrar a doçura que antecede o primeiro amor, o primeiro beijo, e mais do que isso, a concretização de um sonho há muito guardado dentro de nós.
É um miminho que derreterá corações, e que aconselho a qualquer pessoa que goste de romance (mesmo as que não se pelam por exageros - já que eu também não gosto).

Opinião da Ki: 
Rating - 4/5
Escrito na primeira pessoa, seguimos Anna, uma jovem americana que vai estudar para Paris.
Como também estudei no estrangeiro, consegui identificar-me rapidamente com os sentimentos de saudade e ao mesmo tempo de curiosidade que invadem uma pessoa quando tomamos consciência que vamos ter de viver numa cidade diferente.
A história andou a bom passo e acho que a Anna é uma personagem bem construída e uma das principais causas disso é a sua obsessão por limpezas e o facto de ambientes sujos a fazerem sentir mal. É algo que não é comum as personagens terem mas que é bastante real, eu tenho uma conhecida assim que consegue ser ainda pior que a Anna visto que arruma na casa dela e fora da casa dela. De qualquer modo, os medos de Anna e as suas peculiaridades tornam-na humana e criam uma personagem com a qual é fácil criar empatia.
O mesmo se pode dizer dos novos colegas de Anna. St. Clair é um rapaz divertido mas prestável, Merth é a artista e a simpática vizinha, o casal de namorados, Ramish e Josh, discutem por vezes mas acabam sempre por fazer as pazes. Apesar de Anna estar num colégio e se sentir um pouco dessa atmosfera, não deixa de estar no secundário e há emoções a fervilhar por todo o lado quer nos corredores da escola, quer nas ruas de Paris.
Ultimamente tenho apanhado muitas críticas sobre personagens odiáveis e compreendo perfeitamente que se um personagem não está bem construído ou mesmo estando se não conseguimos criar empatia com ele é extremamente difícil conseguir apreciar a história. No caso de Anna no entanto, creio que qualidades e defeitos foram generosamente balançados e é possível apreciar a trama da história,
A trama em si poderá não ser nada de novo, mas já alguém dizia há uns tempos que já não existem histórias originais, apenas bons contadores de histórias e Stephanie Perkins revela-se como sendo uma fantástica contadora de histórias.
Além de Anna e o Beijo Francês, é também autora do livro Lola and the boy next door, traduzido à letra por Lola e o rapaz da porta ao lado, um livro que se passa no mesmo universo de Anna apesar de não ser focado nas mesmas personagens e já tem agendado um terceiro livro, também do universo de Anna, chamado Isla and the happily ever after, traduzido por Isla e o Felizes para sempre.
Anna e o Beijo Francês é o livro que andou de boca em boca e tem tirado críticas de cinco estrelas da boca de maior parte dos jovens, chegando a ter no GoodReads uma classificação de 4,28 estrelas com quase 25mil votos, o que sem dúvida quer dizer algo.

BookTrailer:

domingo, 18 de novembro de 2012

Opinião: Noite de Reis, de Trisha Ashley



 

Noite de Reis
de Trisha Ashley

Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 472
Editor: Quinta Essência

Resumo:
O Natal sempre foi uma época triste para a jovem viúva Holly Brown, por isso, quando lhe pedem para cuidar de uma casa remota nas charnecas do Lancashire, a oportunidade de se esconder é irresistível - a desculpa perfeita para esquecer as festividades.
Escultor, Jude Martland, decidiu que este ano não haverá Natal depois de o irmão ter fugido com a sua noiva, e faz questão de evitar a casa da família. No entanto, terá de voltar na Noite de Reis, quando a aldeia de Little Mumming celebra as suas festividades e toda a família é obrigada a comparecer.
Enquanto isso, Holly começa a descobrir que, se quer evitar a Natal, veio para o local errado. Quando Jude regressa inesperadamente na véspera de Natal não fica nada contente ao constatar que Holly parece estar a organizar a festa de família que ele esperava evitar.
De repente, uma tempestade de neve surge do nada e toda a aldeia fica isolada. Sem fuga possível, Holly e Jude encontram muito mais do que esperavam - parece que a quadra natalícia vai ser bastante interessante!
(Se estão curiosos e procuram ler um pequeno excerto, cliquem no link.)

Rating: 4/5

Comentário:
O Natal chegou mais cedo e eu não poderia estar mais feliz! Quem me conhece, sabe que sou uma apaixonada por esta altura do ano e abraço o espírito natalício, doa a quem doer (ou isto não entra bem na quadra?). Noite de Reis, de Trisha Ashley inaugurou a abertura oficial da época para mim! E para quem diz que é demasiado cedo, então não queiram saber o que é que estou a ouvir no exacto momento em que escrevo esta opinião. Ou queiram. É uma boa banda sonora enquanto lêem este livro: "Christmas", de Michael Bublé, editado em 2011. Deixo-vos um resumo em baixo para abrir o apetite para o que vem em seguida:



E porque é falo em apetite? Primeiro, porque estou com fome, e depois, porque é impossível não o ficar através deste livro. Holly, como é apresentado no resumo, é cozinheira, e por isso mesmo não sabe não falar sobre comida página sim-página sim (todas apetitosas e de nos pôr a salivar). Todos sabemos o quanto o Natal é propício a alguns deslizes gastronómicos e a autora faz questão de nos deixar o tempo todo a pensar no que estamos a perder por antecipação.
E se a comida e as tentações gulosas fazem parte da caracterização do período de Festas, as famílias excêntricas, os tempos passados a jogar ou a cantar, as crises existenciais, os pânicos de convidados de última hora e a expectativa de um Natal diferente (do qual sentimos muita falta mas ao mesmo tempo já não suportamos mais) são sem dúvida parte integrante deste puzzle enorme e cobrem todos os momentos deliciosos de a Noite de Reis. E aqui até temos direito a neve...

A capa é linda. E se na imagem não parece tão interessante, corram para procurar a vossa numa livraria: tem brilhos a imitar neve e não há nada mais invernoso e simultaneamente aconchegante! Tudo chama pelo Natal, e quem o nega, explique-me porquê porque nem assim fico convencida!
Holly não é uma personagem muito aprazível ao início. Se vive dentro de um bloco de gelo, como a sua grande amiga lhe diz, também o passa para o leitor. É dotada de simpatia e agradável mas não cria empatia e deixa em evidência uma barreira algo intransponível. Mais do que isso, é algo insípida e apenas bidimensional quando se espera alguma profundidade (especialmente atendendo a que acaba de lhe morrer a avó que a criou). Ainda assim, quem sou eu para críticar como cada qual lida com a dor?
Acima de tudo, o livro começa por ser linear e com abordagens pouco exploratórias, o que me fez ficar algo reticente já que tinha algumas expectativas. Acho que de alguma forma, o mesmo se deu com outras perspectivas do enredo: a reprodução de conversas telefónicas com a amiga, por exemplo, ao principio eram algo forçadas. De qualquer forma, pude confirmar em diante não estar enganada quanto ao inicialmente expectado.

Claro que não seria uma estória de quadra se não se desse uma mudança repentina para o melhor, e uma redescoberta de si mesma. Little Mumming irá surtir um efeito especialmente avassalador sobre Holly e sobre as suas crenças, e torná-la adepta de receber o que a vida lhe traz. Isto deve-se à vila mas também a todas as pessoas fantásticas e acolhedoras que vivem por lá. Desde os habitantes locais que vê esporadicamente nas excursões à vila, aos que rodeiam e privam com Holly mais constantemente, especialmente os tios e a sobrinha de Jude que habitam na casa do guarda da propriedade. Mas há que não esquecer toda uma série de personagens, como a proprietária do Pub, a antiga ama de família que insistentemente a confunde como um membro da família, o antigo vigário, uma família de agricultores locais e uma série de convidados inesperados....

Holly é sem dúvida uma boa samaritana, mas também muito confusa. A determinada altura apetecia-me abaná-la, dado que se oferecia para fazer as coisas com boa vontade, mas posteriormente barafustava por estar atulhada com trabalhos que não lhe interessavam assumir. E sendo uma questão de boa vontade, ser comandada por terceiros parecia-me já uma certa falta de personalidade. Felizmente, quando já me preparava para desesperar, esta rapariga complicada respondeu-me e passou a agir de acordo com a postura que eu esperava desde início. Era algo esperado, mas não deixa de ser incrivelmente divertido ver o quanto uma pessoa anti-natal acaba por ser o ponto de união entre uma família um tanto ou quanto dispersa, e proporcionar-lhes o melhor Natal de sempre.

Quando ao casal mágico, a relação de desprezo/ódio foi algo despropositada e forçada numa primeira fase, que felizmente a autora decidiu superar. Cada um deles ganhou um dinamismo ao longo da narrativa e a sua aproximação não surgiu forçada. Jude, apesar da sua resmunguice, é sem dúvida um coração mole e bem intencionado, que até sabe perdoar rapidamente, mesmo que ninguém espere que ele o faça (eu não esperava). Adora a família e faria tudo por ela, até participar nas festividades locais, que são tão secretas que terão de ler o livro para as descobrir!

As dinâmicas da família foram sem dúvida os meus pontos preferidos. Gosto de pessoas e de como a complexidade ou simplicidade das suas vidas compõem um puzzle colorido. E todos eles fazem falta, desde os animais de estimação, à noiva mimada de alguém, ao bondoso e óptimo contador de estórias Noel, à resmunguice de Henry, à amabilidade e pragmatismo da tia de Jude, à veia casamenteira de Jess, ao desejo guloso de todos pelos petiscos de Holly que cozinha sem parar...

Este livro é sem dúvida uma história de famílias, para famílias, temperada com a dose certa de humor e ternura. É impossível não sorrir, rir nos momentos certos e sentimos-nos aconchegados o tempo todo. Nada mais adequado para a época, não acham? Provavelmente irei relê-lo para o ano nesta altura. Quem sabe e não se torna numa tradição?

Noite de Reis é sem dúvida um miminho de fim de noite, para ler ao som de uma boa banda sonora, e ficar a sonhar acordada, com uma perspectiva de estação invernosa quente, feliz e completa.

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Opinião: O Tempo dos Milagres, de Karen Thompson Walker

O Tempo dos Milagres
O Tempo dos Milagres
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 256
Editor: Civilização Editora

Resumo:
Nunca é aquilo que receamos que acaba por acontecer. As verdadeiras catástrofes são sempre diferentes - inimagináveis, inesperadas, desconhecidas…
E se o nosso dia de 24 horas se tornasse mais longo, primeiro em minutos, depois em horas, até o dia se tornar noite e a noite se tornar dia? Que efeito teria este abrandamento no mundo? Nas aves do céu, nas baleias do mar, nos astronautas do espaço e numa rapariga de onze anos, a braços com as mudanças emocionais da sua própria vida?
Uma manhã, Julia e os pais acordam na sua casa nos subúrbios da Califórnia e descobrem, juntamente com o resto do mundo, que o movimento de rotação da Terra está a abrandar visivelmente. A enormidade deste facto está quase para além da compreensão. E, no entanto, ainda que o mundo esteja, na realidade, a aproximar-se do fim, como afirmam alguns, a vida do dia a dia tem de continuar. Julia, que enfrenta a solidão e o desespero de uma adolescência difícil, testemunha o impacto deste fenómeno no mundo, na comunidade, em si própria e na sua família.

Rating: 3,5/5

O Tempo dos Milagres despertou-me logo o interesse pelo enredo. Desde pequena que me fascinam as séries, os filmes, os livros sobre o Planeta Terra, especialmente quando acontece algo que coloca em cheque a nossa tão amada casa gigante. Talvez seja a alma de geógrafa, ou de curiosa pelo funcionamento do mundo, mas a verdade é que é impossível afastar-me de algo que peça por uma temática tão apelativa.
Neste caso, Karen Walker apresenta-nos uma realidade em que é colocado em causa o que aconteceria caso o movimento de rotação da Terra abrandasse. Que consequências teria para as espécies, para a organização das cidades, para a vida do ser humano, para a capacidade de adaptação e coexistência com o desconhecido. No fundo, de que forma seria possível continuar a viver, a partir do momento em que tudo o que tomamos como se certo se torna apenas confuso e caótico?
Começamos esta narrativa com a descoberta de um fenómeno que todos achavam improvável de ocorrer, e que gera um pânico atroz mundo fora. Embora o ache bastante credível, a meu ver anunciar o abrandamento da rotação da Terra numa fase inicial não geraria o caos demonstrado pela autora, simplesmente porque a percepção das consequências daí derivadas não seriam tão explícitas como no caso de um meteoro se dirigir de encontro ao nosso Planeta. Fora isso, todas as reacções representam o que esperamos que aconteça, mas também aquilo em que nunca pensámos. Ao fim ao cabo, as relações interpessoais mudam: amigos separam-se, ex-casais retornam,  pessoas calmas tornam-se agitadas e as que já o eram em radicalistas, não crentes dirigem-se a Deus e crentes perdem a fé....
A religião é de resto abordada neste livro de uma forma que me parece realista, embora, e porque a autora preferiu dar um foque considerável à questão, eu gostasse que ela tivesse abordado mais certas religiões, já que decidiu explorar uma ou duas de forma mais cuidada.
O que torna tudo mais interessante é a própria personagem condutora da acção, uma menina de 11 anos que tem de lidar com as mudanças que se apresentam em casa e na escola devido a este fenómeno. É de resto a expressão da inocência, da incompreensão e da tentativa de ultrapassá-la que acompanham Julia na maioria do tempo. Não concordo e confesso que não achei grande piada com a atribuição de certos comportamentos tipicamente de adolescentes mais velhos (caso de conotações sexuais e uso de drogas) que foram imiscuídos nesta realidade. Não sou ingénua ao pensar que não existem comportamentos precoces, mas atendendo à imagem que a autora quis criar, preferia que isso não tivesse passado como uma generalidade assumida.
As consequências posteriores, desde as mudanças do campo magnético da terra, da alteração das marés, da desestabilização da vida animal são bem descritas e muito completas, passando-as para o leitor de uma forma simples, atendendo que são transmitidas pela perspectiva de Julia.
Depois disso, torna-se interessante ver a exploração dos que se seguem pelos diversos sistemas criados e das reacções do ser humano, que por vezes nega a existência de quem não se comporta inteiramente como igual.
Julia vê várias partes da sua vida e das suas relações alteradas: desde a melhor amiga que parte inesperadamente, aos professores que deixam de aparecer, ao avô que desesperadamente lhe força a adquirir as suas relíquias, ao pai e à mãe que se comportam como dois ímans (e que tanto se atraem como repelem), às aulas que ocorrem em noite cerrada e às noites de sol em ponta... Vê-se obrigada a lidar com tudo e a crescer inesperadamente depressa, porque para variar, são os outros a precisar de si e não ela a querer ser socorrida.
Fiquei um bocadinho desiludida com o final, mas ao longo da obra sempre me fui perguntando como é que a autora seria capaz de o fazer, e também não tenho uma melhor sugestão a dar.
Confesso que não me encontro muito com o título do livro, e não o acho o mais adequado, apesar de ser a tradução literal do original. De qualquer forma, percebo a sua intenção: é o tempo dos milagres, porque é de um milagre que todos esperam para que possam retornar à normalidade e esquecer o enorme pesadelo a ser vivido.
O Tempo dos Milagres não é um livro de acção. É sim de reflexão e de descoberta, de reconhecimento da fragilidade das estruturas, e das necessidades de adaptação do ser humano. Uma boa leitura de fim de semana.

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Opinião: Maze Runner: Correr ou Morrer, de James Dashner

Resumo:
Quando desperta, não sabe onde se encontra. Sons metálicos, a trepidação, um frio intenso. Sabe que o seu nome é Thomas, mas é tudo. Quando a caixa onde está para bruscamente e uma luz surge do teto que se abre, Thomas percebe que está num elevador e chegou a uma superfície desconhecida. Caras e vozes de rapazes, jovens adolescentes como ele, rodeiam-no, falando entre si. Puxam-no para fora e dão-lhe as boas vindas à Clareira. Mas no fim do seu primeiro dia naquele lugar, acontece algo inesperado - a chegada da primeira e única rapariga, Teresa. E ela traz uma mensagem que mudará todas as regras do jogo. (Podem ler um excerto aqui no site da editora, para verem o livro no site da Editora podem clicar na capa ou aqui.)

Rating: 5/5

Comentário:
Sou uma aficionada da ficção-cientifica e por isso quando a moda das distopias pegou tive de me controlar para não berrar de alegria. É um género completamente fascinante para mim pois acho incrível aquilo que os escritores conseguem fazer com estes mundos distópicos. Depois de distopias como Os Jogos da Fome, União, Delirium e Divergente confesso que não sabia ao certo o que esperar de novo, no entanto as críticas à saga Maze Runner tinham sido bastante positivas, o que me deixou curiosa.
Quando finalmente peguei no livro para ler fui imediatamente transportada para o meio da acção. Tal como o resumo diz, Thomas acorda num elevador e não se recorda de nada - é nesse exacto ponto que começa a nossa narrativa.
As perguntas assaltam-nos portanto logo nos primeiros parágrafos: O que se passou para Thomas ir parar ao elevador? Quem é Thomas? Porque não se lembra de nada? Quando o elevador finalmente pára e abre as suas portas em vez de respostas encontramos mais perguntas: O que é a Clareira? Quem são estes rapazes? O que se está a passar?
Depois de distopias nas quais vamos conhecendo a realidade lentamente a partir de um herói que já a habita há muito, é interessante encontrar um herói que simplesmente está tão perdido quanto nós. Thomas está a ver tudo na Clareira pela primeira vez ao mesmo tempo que nos deparamos com ela, tudo o que o surpreende nos surpreende também e o que ele não percebe, para nós é tão ou mais confuso. O truque acaba por ser fazer-nos sentir tão irritados e perdidos quanto o Thomas e cativar-nos a tentar descobrir mais, visto que a informação vai sendo lentamente libertada.
Isto contribui para um crescendo fantástico de interesse por parte do leitor na história. O próprio tema do labirinto e de solucionar o labirinto invoca algo místico dentro de cada um de nós. Lembro-me de ser pequena e ir ao Monsanto e correr para o labirinto no meio do parque para "achar a saída". Porque os labirintos serem para isso mesmo, para uma pessoa "achar a saída", creio que acabam por ser uma metáfora para a própria busca humana de algo que não sabe o que é para além de uma saída.
E a saída é que os rapazes da clareira procuram, é a saída que Thomas procura e o próprio leitor dá por si também em busca da saída do labirinto. Que labirinto é esse? Só lendo é que o descobrirão!
Quanto à personagem de Thomas posso dizer que é um rapaz normal e esperto e que calça o 45. Facto a que achei imensa piada pois calça o mesmo número que o meu irmão, algo cada vez mais comum mas raramente referido.  Posso também dizer que gostei da instintividade de Thomas e da maneira como ele lidou com algumas das situações que lhe foram apresentadas.
O facto de estarmos a descobrir este novo mundo ao mesmo tempo que ele ajuda a criar uma certa cumplicidade com a personagem. Thomas acaba por se tornar nosso amigo enquanto descobrimos o mundo de Maze Runner.
Este é um livro que fala também de quebra cabeças, amizades e de como as pessoas se adaptam à realidade que as rodeia. Um autêntico contemporâneo da saga Os Jogos da Fome.
Com batalhas sangrentas e reviravoltas inesperadas Maze Runner: Correr ou Morrer acabou de entrar na minha lista de distopias favoritas e é uma saga que tenho o maior interesse em seguir.

  • Este livro faz parte de uma trilogia;
  • Esta trilogia já foi toda publicada em inglês sendo os títulos dos seguintes volumes The Scorch Trials e The Death Cure;
  • Este ano o autor publicou uma prequela chamada "The Kill Order" (e que me parece ser bastante spoiler da série);
  • O IMDB acusa que sairá um filme do livro algures em 2013 mas não dá muitos detalhes em relação ao mesmo.



Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre livros e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Rubrica: Irmã, de Rosamund Lupton

Irmã
de Rosamund Lupton
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 370
Editor: Livraria Civilização Editora
Resumo:
Desapareceste. Vou à tua procura...
Quando Beatrice recebe um telefonema frenético a meio do almoço de domingo e lhe dizem que a sua irmã mais nova, Tess, desapareceu, apanha o primeiro avião de regresso a Londres. Mas quando conhece as circunstâncias que rodeiam o desaparecimento da irmã, apercebe-se, com surpresa, do pouco que sabe sobre a vida de Tess - e de que não está preparada para a terrível verdade que terá de enfrentar. A Polícia, o noivo de Beatrice e até a própria mãe aceitam ter perdido Tess, mas Beatrice recusa-se a desistir e embarca numa perigosa viagem para descobrir a verdade, a qualquer custo.
Rating: 4/5
Comentário:
 Irmã é um daqueles livros que não conseguimos parar de ler.
Para quem tem irmãos, como eu, é um livro que nos toca especialmente, visto que a autora consegue captar as emoções e passar para as letras o sentimento de desespero que qualquer pessoa sentira com o desaparecimento de um irmão.
Este livro não só é um policial como é também um livro sobre esperança. Beatrice, a irmã mais velha, é uma personagem captivante e com imensa força o que torna a leitura do livro muito fácil.
Apesar do seu sofrimento com o desaparcimento da irmã Beatrice não desiste e vai à procura desta. Certa de que a conseguirá encontrar. Uma daquelas personagens femininas fortes e raras que dá gosto de encontrar.
E ao longo do livro além de conhecermos Beatrice conseguimos, apartir dela, conhecer Tess, a irmã desaparecida. É através dos olhos de Beatrice,  a partir dos seus olhos de irmã que acabamos por descorbir tudo o que ela descobre durante a sua investigação e vivemos este livro tão singular com um final surpreendente.
Resumindo este é um livro que não vai deixar de surpreender ninguém, do inicio ao fim.


Gaby
Sobre a autora:

Companheira de aventuras de Hércules e conselheira da Taylor Swift, a Gaby divide o seu tempo entre ver filmes e ouvir música. De vez em quando lá pega num livro para ler, não porque não gosta mas porque finalmente achou algo que lhe interesse. É uma verdadeira groumet literária. Caso queiram saber mais sobre ela podem ver o seu tumblr aqui.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Milagre de Amor de Eloisa James

Milagre de Amor
de Eloisa James

Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 372
Editor: Quinta Essência
Resumo:
 Uma nova versão de A Bela e o Monstro
Miss Linnet Berry Thrynne é Bela … Naturalmente, está noiva de um Monstro.
Piers Yelverton, conde de Marchant, vive num castelo no País de Gales, onde, corre o boato, o seu mau humor arrasa todas as pessoas com quem se cruza. E também consta que uma lesão deixou o conde imune aos encantos de qualquer mulher.
Só que Linnet não é qualquer mulher.
Ela é mais do que simplesmente formosa: o seu espírito e encanto forçaram um príncipe a ajoelhar-se. E calcula que um conde se apaixonará loucamente por ela… em apenas duas semanas.
No entanto, Linnet não tem ideia do perigo a que o seu coração é exposto por um homem que poderá nunca devolver-lhe o seu amor.
Se ela decidir ser realmente muito perversa … que preço pagará por domar o coração selvagem desse homem?
Rating: 3/5

Comentário:
Mais uma novidade da chancela Quinta Essência, desta feita quase a chegar às livrarias! Devo confessar que nunca tinha lido nada escrito pelas mãos de Eloisa James e fiquei bastante satisfeita por a escrita desta ser bastante agradável. Isto é, uma escrita fluída e acompanhada de momentos de boa disposição.
Tratando-se de um recontar da história da "Bela e o Monstro", não podemos dizer que a autora tenha sido cem por cento original mas creio que conseguiu fazer um bom trabalho. Como costuma dizer uma grande amiga minha, um bom contador de história torna qualquer história conhecida numa história que dá prazer tornar a ouvir. E com o sucesso de vendas que Eloisa James tem sido, esta frase não podia, sem dúvida, estar mais correcta.
A história tem um inicio rápido e mexido, entramos logo para dentro do escândalo! Será que aconteceu algo mais entre Linnet e o Príncipe, sem ser o beijo apaixonante que foram apanhados a trocar? Que vestido enorme era aquele que Linnet levava senão o ideal para esconder a sua barriga de grávida? Linnet está desesperada, desonrada e não sabe o que fazer. Mesmo assim apresenta-se como uma personagem séria e segura de si, criado imediatamente uma empatia com as leitoras.
Já Piers, o "monstro", está maldisposto, solitário e bastante feliz por assim o estar. Com uma dor crónica na perna e quatro imbecis como estagiários no seu "hospital", a última coisa que Piers precisa é de uma rapariga, especialmente uma tão bela como Linnet, a passear pela sua casa. Além do mais ele jurou jamais casar, logo as tentativas de Linnet nunca passarão de tentativas. Piers revela-se portanto um herói, que tal como na história original, mais parece um antagonista.  No entanto, devido à personalidade de Piers e à sua bengala, tive alguma dificuldade em vê-lo como outra personagem que não fosse o Dr. House, neste caso o actor Hugh Laurie, personagem na qual a autora admite ter-se baseado para a personagem de Piers.
Gostei da maneira como a relação entre as duas personagens evoluiu com as poucas palavras trocadas entre o casal mas que se revelavam cheias de tenção e ironia. A determinada altura a história acelerou mas isso é normal devido ao espaço de tempo em que ocorre.
O meu queixume em relação ao livro é o facto da tia de Linnet ser tão rapidamente descartada. Os dois parentes da nossa personagem principal, pai e tia, faziam uma boa dupla que tanto era exasperante como divertida. Pensei por momentos que talvez a tia de Linnet a acompanhasse e posso imaginar a cena que o encontro desta com Piers daria, infelizmente para mim a autora não decidiu seguir esse caminho, o que, verdade seja dita, também vai de encontro à personalidade da personagem e portanto é perfeitamente desculpável.  
Na minha opinião Milagre de Amor é um livro com o qual se podem passar algumas tardes agradáveis, se forem leitores mais lentos ou que gostem de estender a leitura ou, se forem como eu, leitores rápidos, é óptimo para levar para as filas de espera. Eu levei o meu comigo quando tive de esperar por 40m que me chamassem para tratar de uns papeis e dei-lhe um bom avanço de quase 100 páginas. Ajudou o tempo a passar rápido e ainda devo ter soltado uns sorrisos tolos pelo meio. Uma leitura bastante agradável para ler à sombra este verão.
  •  Podem ler as primeiras páginas aqui;
  • Este livro faz parte de um conjunto de novas versões de contos de fadas, tendo já sido publicada pela Quinta Essência, o recontar da Cinderella, chamado "O Beijo Encantado".
 

Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre coisas e gostas de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Antes de Vos Deixar de Lauren Oliver

Antes de Vos Deixar
de Lauren Oliver
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 376
Editor: Editorial Presença

Resumo:
O que farias se tivesses apenas um dia para viver? Até onde irias para salvar a tua própria vida? Samantha tem tudo: um namorado e três inseparáveis melhores amigas. 6ªfeira, dia 12 de Fevereiro, devia ser por isso mais um dia bom na sua vida. Nada faria suspeitar que iria ser o último… Ao viajarem no Range Rover de Lindsay, no meio de cigarros, i-pods, conversas sobre rapazes e ausência de cintos de segurança, o grupo de amigas sofre um brutal acidente, onde Sam encontra morte imediata. Nesse instante, passa-lhe pelos olhos um episódio de crueldade infantil que ela escondera bem no fundo do seu subconsciente. Tarde demais para remediar a situação: Sam sentiu o choque, a dor excruciante, a escuridão a envolvê-la e o mergulho num nada profundo. É, pois, com grande espanto que, na manhã seguinte, Sam acorda na sua cama, perfeitamente viva. Então percebe que teve uma segunda oportunidade. Sete oportunidades, na realidade, e durante sete dias repetidos. 

Rating: 4/5

Comentário:
Este é o terceiro livro de Lauren Oliver que leio e que, sem dúvida, confirma a qualidade de escrita da autora. Além de uma narrativa cativante, Lauren cria personagens que são reais, que tem os seus defeitos, qualidades e que nunca nos deixam de surpreender.
Confesso que algo que me surpreendeu neste livro foi seguirmos uma rapariga popular. Normalmente acabamos sempre por seguir a "zé-ninguém" que sofre uma make-over ou que é super inteligente, ou então a rapariga mais odiada da escola ou a que acabou de se mudar para a mesma, pelo menos falo pelos livros e resumos que apanho. Só seguimos a rapariga popular se ela estiver prestes a morrer, e Lauren aqui não foge a essa regra.
No entanto, acabo por não me sentir aldrabada como de costume, pois Sam gosta efectivamente das suas amigas e está disposta a lutar por elas. Temos uma rapariga popular que apesar de não ser nenhuma santa, tem os seus valores e rege-se por eles. Não digo que seja algo 100% original mas acaba por ter o seu je ne sais quoi de originalidade.
A história é cativante e à medida que seguimos Sam ao longo dos sete dias, experiênciamos os mesmos de maneiras diferentes. Na realidade há medida que os dias passam a autora tomou a liberdade de os encurtar em certas partes para nos revelar outras dando uma nova dinâmica ao texto. Afinal por muito que Sam corra está presa no mesmo dia, 12 de Fevereiro até que algo aconteça.
Gostaria de continuar a discutir o livro mas creio que é bastante complicado sem entrar em detalhes que revelem o enredo. Para mim é dos mais bem escritos de Lauren Oliver apesar de também ter apreciado bastante o Hana.

domingo, 20 de maio de 2012

How To Be A Woman de Caitlin Moran

How To Be A Woman
de Caitlin Moran
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 320
Editor: Ebury Press
Resumo:
1913 - Uma mulher que lutava pelo sufrágio feminino atira-se para debaixo do cavalo do Rei.
1969 - Feministas invadem a competição Miss Mundo.
Agora - Caitlin Moran re-escreve "The Female Eunuch" num banco de bar e exige saber porque é que as cuecas estão cada vez mais pequenas. 

Nunca houve uma melhor altura para se ser mulher: temos o poder de voto, a pílula e não somos queimadas como bruxas desde 1727. No entanto, algumas perguntas aborrecidas continuam por ser feitas... 
Porque é que é suposto fazermos depilações totais? Devemos pôr Botox? Será que os homens nos odeiam secretamente? O que devemos chamar à nossa vagina? Porque é o teu soutien te magoa? E porque é que todos te perguntam quando vais ter um bebé? 
Parte memória autobiográfica, parte artigo de opinião, Caitlin Moran responde a estas questões e muitas mais no seu livro "How To Be A Woman" - começando no seu horroroso décimo terceiro aniversário passando pela adolescência, local de trabalho, clubes de strip, amor, gordura, aborto, TopShop, maternidade e muito mais.

Rating: 4/5
 
Comentário:
Como sabem e escrevi há uns posts atrás resolvi experimentar ler algo diferente. Devo confessar que nunca antes tinha lido um livro escrito por uma feminista. Isto porque, infelizmente como Caitlin Moran diz, tinha uma noção errada do que era ser-se feminista e achava que este género de livro jamais me iria interessar.
Devido à minha curiosidade e vontade de sair de uma zona de conforto de leitura acabei por dar com Caitlin Moran e algumas das suas amigas feministas e devo dizer que estou muito contente com a minha descoberta.
Entrei no livro um pouco a medo porque não gosto de biografias mas Caitlin surpreendeu-me. Trata-se de um livro sem tabus e no qual ela mistura a experiência pessoal com as descobertas e pensamentos que uma vida inteira de feminismo ajudou a moldar.
Recomendo este livro para todas as mulheres assumidamente feministas e para aquelas que não tem medo de serem obrigadas a pensar sobre a sexualidade e tudo o que está em volta da mesma. Gostava de ter mais palavras para descrever quanto já ri e me questionei com este livro mas simplesmente não as consigo encontrar. Tenho mostrado vários excertos a amigas minhas e falado de alguns dos temas que Caitlin discute no livro e isto tem dado aso a situações bastante divertidas.
Traduzido à letra pelo título "Como ser uma mulher", este livro vai abordar o caminho que vai desde o fim da infância até a idade adulta e de como uma mulher se cria. Como aprendemos a ser mulheres.
  •  Infelizmente, de momento ainda não há previsão para este livro sair em português.

 Vídeo:
Encontrei este vídeo no youtube e embora não seja um book trailer, acaba por falar de algumas das questão que a autora trata no livro. Infelizmente não encontrei uma versão legendada mas creio que o inglês dela é compreensível.
 

sábado, 28 de abril de 2012

Por Treze Razões de Jay Asher

Por Treze Razões 
de Jay Asher
Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 308
Editor: Editorial Presença
Resumo:
Naquele dia quando Clay regressou da escola, encontrou à porta de casa uma estranha encomenda com o seu nome escrito, mas sem remetente. Ao abri-la descobre que, dentro de uma caixa de sapatos, alguém colocara sete cassetes áudio, com os lados numerados de um a treze. Graças a um velho leitor de cassetes Clay prepara-se para ouvi-las quando é sobressaltado pela voz de Hannah Baker de dezasseis anos, que se suicidara recentemente e por quem ele estivera apaixonado. Na gravação, Hannah explica os seus treze motivos para pôr fim à vida, que a cada um deles correspondia uma pessoa e que todas elas iriam descobrir na gravação o seu contributo pessoal para aquele trágico desfecho.

Rating: 3,5/5

Comentário:
Apanhei este livro por acaso no GR e achei que talvez fosse interessante ler e comentá-lo tendo em conta que os últimos dois livros que comentamos tinham como tema a morte. Assim sendo mantemos uma linha de tema que espero que quebremos por uns tempos, pegando em livros um pouco mais alegres.
"Por treze razões" tocam-nos de várias maneiras, fala-nos das nossas inseguranças, fala-nos de bullying, fala-nos de um desespero total e de como pequenas acções nos podem quebrar ao ponto de não deixarmos que ninguém nos conserte. É um livro que beneficiaria imensamente de vir com as "K-7" actualmente na versão cd ou mp3 para download no site, porque ouvir a voz de Hannah Baker e ler o livro seria uma experiência 'assombrante' que ficaria sem dúvida com o leitor muito tempo após o mesmo ter lido o livro.
Mesmo assim devo dizer que para o fim me chateei com a Hannah e concordo com o Clay quando ele diz que ela já só estava à procura de tornar o mundo dela ainda mais escuro, ter mais uma razão para se matar. Não digo que o que ela não tenha podido controlar seja culpa dela, óbvio que não foi, há coisas que ela fez sem saber que também não foram culpa dela, apenas se tornaram fardos imensamente pesados que ela podia ter aprendido a carregar, mas perto do fim a Hannah escolheu isolar-se e deixar-se a afogar, ela deixou de lutar.
Não sei se era essa a intenção de Jay Asher, se ele queria mostrar que a determinada altura quando as pessoas desistem delas mesmas não há nada que possamos fazer, mas foi o que conseguiu. A determinada altura o jogo podia ter virado na vida de Hannah e ela poderia ter ganho o seu quinhão de felicidade se arriscasse, no entanto, é difícil arriscar quando já se teve o coração partido uma e outra vez, por namorados, amigos e colegas de turma. Quando todo o mundo se vira contra nós e uma única pessoa nos estende a mão temos tendência a duvidar da sua sinceridade, é normal, é compreensível.
Creio que esta faceta do livro acaba por dar veracidade à personagem de Hannah, ouvimos-la e entendemos o seu sofrimento, ouvimos-la e perguntamos "se fosse eu, teria coragem de continuar?". Mesmo assim, isso afastou-me um pouco da Hannah, porque sou uma pessoa naturalmente esperançosa, que vê sol em dias de chuva, e apesar de não ser bonito 'dizer mal dos mortos', tomo o partido de Clay que muitas vezes ao longo do livro se chateia com Hannah e com as decisões que ela tomou. Mas a escolha de Hannah estava feita e ela acabou por se matar.
Os adultos parecem concordar com a frase que diz que todos os adolescentes se acham imortais, que há uma certa idade na qual é impossível morrer, uma idade na qual ninguém acredita nisso e depois as pessoas crescem, envelhecem e apercebem-se que não é bem assim. Ás vezes, nem é preciso crescer, basta um acidente na escola para os adolescentes se lembrarem de como a vida é frágil e de como eles não tem uma película de protecção. Livros como este tocam esta película e fazem pensar.
Tenho a dizer que gosto bastante desta colecção da Editorial Presença chamada Noites Claras e acho que o livro se enquadra perfeitamente na mesma, ao lado de "Se Eu Ficar" e "O Outro Lado". Tenho pena, no entanto, que o livro "Antes de Vos Deixar" de Lauren Oliver, em breve a ser comentado aqui no Encruzilhadas, não tenha sido incluído nesta colecção, creio que tem um tema semelhante e que se enquadra no estilo da colecção.
Apesar de não fazer parte do PNL, como "Se Eu Ficar", este livro não deixa de ser uma 'chamada de atenção' que nos obriga a repensar as nossas acções. Penso que seria interessante ser integrado no PNL pois trata directamente de um tema que poderia ser discutido com os alunos/filhos/sobrinhos/netos se estes estivessem dispostos a isso com um adulto que os poderia ajudar.
Se ainda não leram "Por Treze Razões" aconselho a que o façam, mas atenção, não é um livro para os fracos de espíritos, apesar de já ter lido histórias mais pesadas, creio que esta faz um pouco de ressonância em qualquer pessoa que frequenta ou frequentou o ensino secundário e se sentiu, minimamente, isolada e à beira do abismo.

domingo, 18 de março de 2012

A Profecia Romanov, de Steve Berry


Edição/reimpressão: 2006
Páginas: 428
Editor: Dom Quixote

Sinopse
No dia 16 de Julho de 1918 o czar Nicolau II e toda a sua família são executados a sangue-frio, mas quando em 1991 se exumam os seus restos mortais descobre-se que faltam os cadáveres de dois dos seus filhos. Hoje, após a queda do comunismo, o povo russo decide democraticamente regressar à monarquia. E o novo czar será escolhido entre os parentes afastados do antigo Nicolau II.
Quando o advogado americano Miles Lord é contratado para investigar um dos candidatos vê-se envolvido numa trama para descobrir um dos grandes enigmas da História: o que realmente aconteceu à família imperial.
A sua única pista é uma críptica mensagem nos escritos de Rasputine que anuncia que aquele cruel capítulo não será o único na lenda dos Romanov. As consequências desta profecia serão devastadoras para o futuro do czar e para a mãe Rússia, mas também para o próprio Miles.
in wook.pt


Confesso que a história de Anastasia sempre me atraiu, desde pequena, muito em parte devido à versão fantasiada que deu origem a um filme de animação aqui há uns anos. Depois disso fui vendo vários documentários e reportagens sobre ela e os Romanov, assim como sobre Rasputine. Por isso, quando deitei mãos a este livro, tive de o trazer comigo.

A narrativa é fluída e as acções sucedem-se com uma grande rapidez. Existe um equilíbrio bastante agradável entre factos passados e presentes, com bons elementos de conexão e passagem entre ambos, o que por vezes não se sucede em livros deste género. A possibilidade da existência de descendentes vivos da família Romanov nunca foi realmente desacreditada, nem mesmo por alguns historiadores, colocando-a no imaginário de muita gente. Essa possibilidade, à luz de uma suposta profecia de Raputine (criada apenas para o livro em causa) alegra toda a narrativa, levada a cabo por Miles, uma personagem que muitos julgariam insípida ao início mas que se foi revelando à altura dos acontecimentos, e contribuiu para uns momentos de acção bem passados.

Por outro lado, denoto aqui uma certa previsibilidade, não fiquei surpreendida pelo desfecho e até o consegui antever muito antes de lá chegarmos, o que se revelou algo cansativo por vezes. O esquema seguido é muito semelhante aos livros da actualidade deste género (exemplo d`"O Código da Vinci), faltando-lhe o elemento surpresa, já que tínhamos o herói que nunca tinha pensado em sê-lo, a mulher bonita que influencia o seguimento da narrativa, a sociedade secreta que os apoia e a que os repudia e tenta matar, etc etc etc.

Algumas das personagens foram inseridas na narrativa com um intuito e posteriormente deixadas para trás, sem qualquer nexo, e ficamo-nos a perguntar qual o seu papel aqui e o porquê de determinada inclusão, mas tirando isso é um óptimo livro para quem gosta de acção, policiais e thriller.