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terça-feira, 30 de abril de 2019

Opinião: Porque Dormimos?, de Matthew Walker



Porque dormimos?

de Matthew Walker

 
Edição/reimpressão: 2019
Páginas: 416
Editor: Desassossego





Sinopse: O que nos diz a ciência sobre o sono e os sonhos.
Sabia que dormir pode salvar a sua vida?
O sono é um dos aspetos mais importantes da nossa vida, mas também um dos mais incompreendidos. Questões tão essenciais como por que razão dormimos ou por que motivo as consequências para a saúde são tão devastadoras quando não dormimos só recentemente foram compreendidas.
Apresentando descobertas científicas revolucionárias e sintetizando décadas de investigação e prática clínica, Matthew Walker, um dos maiores especialistas mundiais sobre o sono, demonstra-nos que o sono está na base de tudo o que somos física e psicologicamente:

* Melhora a nossa capacidade para aprender, memorizar e tomar decisões lógicas
* Harmoniza as emoções
* Recarrega o sistema imunitário
* Regula o metabolismo e o apetite
* Cria espaço no cérebro para a criatividade
* Melhora o humor e os níveis de energia
* Previne o cancro, a doença de Alzheimer e a diabetes
* Abranda os efeitos do envelhecimento e aumenta a longevidade

Fascinante e acessível, Porque dormimos? é um livro fundamental, esclarecedor e extremamente acessível para nos compreendermos melhor à luz da ciência mais avançada.

Rating: 4/5
Comentário: Sendo uma das milhentas pessoas pelo mundo fora que trata os problemas de sono por tu, Matthew Walker não poderia ter falado mais comigo. De facto, o autor apresenta-nos uma compilação suscinta, mas bastante completa, sobre todo o fantástico processo que é dormir.
Quem já não terá pensado um dia na quantidade de horas que passará a dormir ao longo de uma vida, e do quão esse montante de minutos e segundos se assemelha a uma perda de tempo. A verdade é que, e tal como a sinopse já enuncia, dormir é muito mais do que estar deitado em relaxamento. É dar a oportunidade do nosso organismo se regenerar e trazer uma dose de saúde física e psicológica elementar para o nosso bem-estar, não só a curto mas principalmente a longo prazo.
 O autor organizou o livro de uma forma muito sapiente. Estruturado por temáticas, é possível enveredar pela leitura numa descoberta do que é o sono e o acto de dormir, no verdadeiro sentido da palavra. Posteriormente, sobrepõe-se a necessidade de analisar os benefícios de dormir (assim como vários métodos adoptados na actualidade para colmatar falhas nos ciclos de sono) e finalmente, disserta-nos uma explanação que trata o sonho como objecto, desde a necessidade reparadora à criatividade do mundo onírico.
Com um discurso simples, adequado, e reflector da temática em análise, o autor valida a sua informação com recurso a gráficos/esquemas e fontes bibliográficas, reforçando o valor do seu discurso, segundo um formato que revela tratar-se de um livro com o intuito efectivo de esclarecer e não somente de entreter/informar casualmente o leitor.
Com recurso a noções de biologia, várias referências e a metáforas que facilitam o visionamento do leitor, Walker conseguiu trazer um livro completo e completamente esclarecedor, intuitivo e com a profundidade adequada para que leigos na matéria tenham uma leitura instrutiva acompanhada de uma vertente lúdica.
Debrucei-me especialmente sobre os capítulos que relatam a importância do sono e a análise do processo de sonhar. Para além de interessantes e esclarecedores, foram muitíssimo instrutivos e sinto que aprendi imenso. Recomendo especialmente a leitura destas secções e, naturalmente, do livro no seu todo.

Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Opinião: Mortina, Uma História de Morrer a Rir, de Barbara Cantini




Mortina, Uma História de Morrer a Rir
Barbara Cantini
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas: 48
Editor: Bertrand Editora





Sinopse: A Mortina é uma menina, mas não é uma menina como as outras: é uma menina morta-viva.
Vive no Casarão Decadente, com a tia Falecida, e o seu único amigo é um galgo albino, chamado Tristonho, que anda sempre com ela.
A Mortina gostava de ter amigos da sua idade para brincar, mas está proibida de se mostrar às pessoas, não fossem elas apanhar um susto de morte.

Mas um dia surge a sua grande oportunidade: a festa do Halloween!
A Mortina nem sequer precisa de arranjar uma fantasia…

Mas o que acontecerá quando as outras crianças descobrirem que ela não está mascarada?

Rating: 4/5
Comentário: Este livro é uma delícia! Já há algum tempo que não lia um livro infantil e me divertia tanto. Mortina é uma morta-viva muito castiça e traquinas, como se adequa à idade. A sua enorme imaginação é potenciada pela sua existência um tanto ou quanto peculiar, assim como de uma tutora muito protectora. É através das escassas páginas deste livro que vamos descobrindo como é que uma miúda espevitada e uma idosa saudosista conseguem lidar com a diferença de idade. Mas é também o encontro de uma criança com o seu desejo mais profundo.
As ilustrações são extremamente completas e bastante adequadas à temática (mesmo as que fazem rir!), e os pequenos comentários encontrados perdidos pelas páginas (alguns muito discretos, é preciso muita experiência a procurar Wally's para não os perder de vista!) fazem as delícias de qualquer leitor.
Achei imensa piada às personagens e ao enquadramento que a autora deu, especialmente à forma desempoeirada de Mortina viver a diferença, querendo algo tão simples como brincar, mesmo morta-viva. Morta-viva sim, e depois? ;) 





Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Opinião: Guerra - E se fosse aqui?, de Janne Teller



Guerra - E se fosse aqui?
de Janne Teller
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas 64
Editor: Bertrand
  





Sinopse: 
Janne Teller faz uma experiência provocadora: vira do avesso a atual crise de migrantes e faz de nós os refugiados. Faz-nos ver como se sente alguém que é obrigado a fugir do seu país, a ser exilado e a lutar pela sobrevivência num país estrangeiro.

Neste conto, a Europa desintegrou-se devido à guerra e o único ponto do globo que está em paz e é acessível é o Médio Oriente. Seguimos a fuga de uma família comum e vemos a sua vida de refugiados através do seu filho de 14 anos.

Rating: 3/5
Comentário: No passado dia 11 tive a oportunidade de conhecer a autora Janne Teller, numa iniciativa conjunta com a Bertrand Editora (aos mais atentos, sorteámos a oportunidade de se juntarem a nós e de ganharem um exemplo assinado pelas mãos da própria autora).
Não há como falar de "Guerra" sem enunciar a vida e as experiências profissionais da autora. Jane é uma assaz activista pelos Direitos Humanos e conta com passagens pelas Nações Unidas e a União Europeia, Moçambique, Tânzania e Bangladesh, sempre relacionada com a questão da resolução de conflitos.
O contacto com populações em fuga, com necessidades de protecção, as faltas de meios suficientes, o desenraizamento forçado e a dor presencial facetada em todos os momentos terão tido certamente preponderância na redacção deste livro.
A premissa é interessante (e mais ainda, importante): pretende criar empatia para a questão dos refugiados ao abordar a história de um jovem de 14 anos nessa situação. A forma de chamar a atenção? Personificando a narrativa para cada país. Neste caso, o jovem visado é português e lida com uma guerra na Europa que de alguma forma o puxa de na direcção do norte de África à procura da tão almejada paz.
O livro tem frases curtas, directas, descritivas, factuais. Pretende obedecer mesmo a uma lógica de relato curto e seco sobre o que seria viver num Portugal devastado pela guerra. Enuncia ainda as milícias, as dificuldades de sobrevivência, o mal estar físico e colectivo, a falta de esperança.
E tudo escrito num livro com menos de 100 páginas, editado segundo a forma de um passaporte, com ilustrações apropriadas e que se encaixam na esquemática seleccionada. É ainda necessário acrescentar que até a capa tem pequenas variâncias, consoante o país, provavelmente numa tentativa gráfica de expressar o mais aproximado possível a concretização de um passaporte nas nossas mãos.
Como disse, falar deste livro implica referir a autora.
Ao longo da nossa conversa, Jane Teller confidencionou-nos de que todos os seus livros são escritos como forma de dar resposta às suas questões e dúvidas internas. E que mesmo essas nunca ficam respondidas na totalidade até ao contacto com o público, cujas sensibilidades e realidades acabam por traduzir em diferentes percepções da obra.
Este livro, que inicialmente era um pequeno ensaio publicado há uns anos numa revista, tem tido diferentes recepções. Se na Dinamarca, um político proeminente evidenciou que nunca se passaria nada semelhante no seu país, na Hungria foi encarado como uma provocação. A intenção nunca foi nem uma coisa nem outra, mas simplesmente colocar este assunto na ordem do dia, porque assuntos tabu não são discutidos e como tal, não são procuradas soluções para lidar com os desafios do dia a dia.
Perguntei-lhe se já tinha tido algum tipo de retorno por parte de refugiados, ao que ela nos indicou que sim, muitos deles sentindo-se gratos por finalmente terem um testemunho tão aproximado da realidade sobre as suas experiências, o que poderia ajudar amigos e conhecidos a compreender melhor o que é ser refugiado (muitos sentindo-se também bastante espantados por se depararem com uma mulher caucasiana como a autora desta obra).
Resta-me acrescentar que embora o grupo presente não tenha chegado a acordo, encaro esta obra como um livro para ser lido por todos, especialmente por jovens adultos, já que o mesmo pode ser um óptimo ponto de partida para discutir um dos grandes temas do século XXI. A vaga de refugiados que já está, e irá continuar a alterar o nosso modo de estar e ver o mundo, assim como o da sociedade europeia. Recomendo por isso a todos, sendo uma leitura com um carácter especialmente educativo.



Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Opinião: Ginástica Facial, de Sónia dos Santos



Ginástica Facial
de Sónia dos Santos
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas: 192
Editor: Manuscrito
  



Sinopse: 
O aspeto da pele do rosto, as rugas de expressão, os sinais de flacidez e envelhecimento, com os efeitos do sol e da poluição diária, são algumas das preocupações que temos com o nosso rosto. O primeiro impulso é comprar cremes, caros e pouco indicados para a nossa pele, que não surtem o efeito desejado. 

E se lhe dissermos que bastam dez minutos por dia para ginasticar o seu rosto e trabalhar todos os músculos da face de forma a conseguir uma pele mais luminosa, elástica e jovem?

Em Ginástica facial, Sónia dos Santos, especialista em estética avançada, traz-lhe 31 exercícios de ginástica facial que vão transformar o seu rosto. Exercícios simples e rápidos, para fazer em casa, sem gastar dinheiro e com efeitos visíveis em pouco tempo. Inclui ainda receitas de máscaras faciais naturais, massagens para o rosto e conselhos de nutrição para alimentar bem a sua pele.


Rating: 4/5
Comentário: Quanto a vocês não sei, mas desde que passei a fasquia dos 25 que passei a ouvir a os célebres comentários a propósito da pele. De como ela vai encontrar-se com o poder da gravidade no futuro, de como os hormonas irão alterar a sua flexibilidade e capacidade de regeneração, que deveria começar a aplicar alguns cremes anti-idade adequados à minha faixa etária para atenuar rugas ou traços de expressão, que inevitavelmente iriam surgir.
Nestas coisas, acho que a experiência alheia é boa conselheira, e aconselhei-me junto de quem sabe para que no futuro não ficasse a chorar sobre o leite derramado. Mas sentia sempre falta de uma intervenção mais activa, que os cremes não mostram e não aparentam, especialmente quando me deparava com a zona das bochechas e do pescoço. Por essas e por outras, quando vi o lançamento da Manuscrito em Junho passado, cheguei à conclusão que era mesmo de um guia destes de que andava à procura.
Se exercitamos o cérebro, os músculos das pernas, coxas e barriga, porque não os da face? Este é o mote da Sónia Santos para nos demonstrar que com pouco esforço mas persistência podemos cuidar de nós e de um dos órgãos mais importantes que temos: a pele.
Se dizem que os olhos são o espelho da alma, a pele é sem dúvida o espelho do nosso organismo muitas vezes. Se não acreditam, não bebam água suficiente durante uns dias e durmam poucas horas por noite, encham-se de açúcar e fiquem em salas de fumo e vejam o que ela vos conta no dia seguinte!
Em "Ginástica Facial", a autora apresenta um guia cuidado, sucinto, esclarecedor e fácil de acompanhar. Era inevitável começar um livro deste género e não abordar questões relacionadas com  a pele em si. Recorrendo a esquemas e explicações breves, a autora explica a estrutura e o funcionamento da pele, a influência de várias fases da nossa vida sobre o orgão e o que podemos fazer para proteger a pele o melhor que pudermos.
Achei este capítulo inicial importante e pertinente, não só numa lógica de transmissão de conhecimento, mas também de identificação das nossas mazelas e potenciais causas. Acima de tudo, permitiu também aproveitar os exercícios mais indicados para a situação que queria corrigir.
A explicação dos exercícios está feita de uma forma bastante intuitiva, e sai facilitada pela divisão dos mesmos por faixas etárias, representações esquemáticas que evidenciam os movimentos a adoptar e o uso de fotografias da própria autora a executá-las.
Estive a experimentar alguns exercícios nos últimos meses e posso dizer que: a) fazer caretas ganha toda uma nova dimensão; b) se algumas "expressões"/exercícios acabam por ser algo desconfortáveis pelo tempo solicitado para os executar, à semelhança dos glúteos, tudo se trabalha e acaba por se tornar mais fácil, c) aliado a uma correcta hidratação e tratamento da pele, sinto que este plano de exercícios tem aumentado a sua elasticidade.
Finalmente, a pergunta que todos querem saber: se irá ajudar a atenuar o aparecimento de rugas? A autora, formada e especialista em pele, diz que sim e é essa a intenção. Mas naturalmente não as fará desaparecer ou não aparecer de todo. De qualquer forma, ofereço-me para regressar daqui a 10 anos com comentários mais pertinentes sobre esta ginástica facial!

Aproveito também para partilhar uma entrevista da autora sobre o assunto aqui.
 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Opinião: A minha avó pede desculpa, de Fredrik Backman



A Minha Avó Pede Desculpa
de Fredrik Backman
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas: 336
Editor: Porto Editora
  


Sinopse: 
Elsa tem sete anos de idade, quase oito, e é diferente. Para já, tem como melhor - e única - amiga a avó de setenta e sete anos de idade, que é doida: não levemente taralhoca, mas doida varrida a sério, capaz de se pôr à varanda a tentar atingir pessoas que querem falar sobre Jesus com uma arma de paintball, ou assaltar um jardim zoológico porque a neta está triste. Todas as noites, Elsa refugia-se nas histórias da Avozinha, cujo cenário é o reino de Miamas, na Terra-de-Quase-Acordar, um reino mágico onde o normal é ser diferente.

Quando a Avozinha morre de repente e deixa uma série de cartas a pedir desculpa às pessoas que prejudicou, tem início a maior aventura de Elsa. As cartas levam-na a descobrir o que se esconde por detrás das vidas de cada um dos estranhíssimos moradores de um prédio muito especial, mas também à verdade sobre contos de fadas, reinos encantados e a forma como as escolhas do passado de uma mulher ímpar criam raízes no futuro dos que a conheceram.

A minha avó pede desculpa é uma belíssima história, contada com o mesmo sentido de humor e a mesma emoção que o romance de estreia de Fredrik Backman, o bestseller internacional Um homem chamado Ove.

Rating: 4,5/5
Comentário: Há livros que nos conquistam com as suas narrativas. Este foi um deles.
Elsa é uma miúda cheia de sorte. Porque teve uma avozinha como a sua. E a Avozinha teve o maior dos tesouros, por poder partilhar um mundo de magia e aprendizagens com a sua neta, a pessoa que mais amou em todo o Mundo.
É precisamente através desta menina, cheia de genica e garra, que apesar de vítima de bullying não baixa os braços e se estende à derrota, e encontra formas de resposta (mesmo que estas não correspondam ao por si esperado) que nos vamos ligando e derretendo perante o seu olhar narrativo, já que é através dela que conhecemos toda a história. E também por isso é necessário, mesmo com uma escrita bastante fluída e leve, ler com atenção os relatos desta criança, para quem não passem despercebidos os ciúmes e inseguranças com o irmão mais novo, o medo de rejeição do padrasto quando o novo irmão nascer, o não ter nunca mais uma parceira de brincadeiras, agora que a avó se foi...
Existe uma ternura inalienável nas relações de avós e netos, especialmente naquelas que são dotadas de uma série de códigos especiais, rituais de convivência e amor, segredos que nem se partilham entre pais e filhos  e toda uma mescla de movimentos identificativos que tornam estas relações tão especiais. A desta avó e neta ainda ganha um destaque maior pelo imaginário e universo criado para esta neta, pautado por histórias que compõem toda uma realidade alternativa, e que de uma forma que Elsa nem imagina, irá condicionar toda a narrativa. Porque estas histórias serão a chave para a condução da narrativa, cujo desfecho e enlace será traduzido com mestria, delicadeza e uma enorme sensibilidade.
Outro ponto muito forte nos livros de Fredrik Backman, já sentido com "Um Homem Chamado Ove" é a importância do espírito de comunidade, da partilha de vivências entre vizinhos e das necessidades de não nos isolarmos. A teia que une estas personagens, que surge na edificação de um prédio onde todos habitam, traz mais nas suas estruturas do que seria inicialmente esperado.
A forma como estas personagens se interligam, com as mais diversas e complicadas personalidades, tendo como fio condutor esta miúda destemida, é uma delícia de descobrir. 
Com muitas mensagens especiais sobre a vivência e a condição humana, que são apresentadas com delicadeza e de forma subtil, o autor traz-nos uma belíssima narrativa, uma história familiar, e a noção importante que os laços, quando fortes, perduram para lá da morte.

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Uma Mulher Desnecessária, de Rabih Alameddine



Uma Mulher Desnecessária
de  Rabih Alameddine
 
Edição/reimpressão: 2017
Páginas: 264
Editor: Porto Editora
  


Sinopse: 
Aaliya Saleh vive sozinha no seu apartamento em Beirute, rodeada por pilhas e pilhas de livros. Sem Deus, sem pai, sem filhos e divorciada, Aaliya é o «apêndice desnecessário» da sua família. Todos os anos, ela traduz um novo livro para árabe, e depois guarda-o. Os trinta e sete livros que Aaliya já traduziu nunca foram lidos por ninguém. Depois de ouvir as vizinhas, as três «bruxas», a criticar a extrema brancura do seu cabelo, Aaliya tinge-o… de azul.

Neste assombroso retrato da crise de idade de uma mulher solitária, os leitores seguem a mente errante de Aaliya, à medida que ela vagueia pelas visões do passado e do presente da capital do Líbano: reflexões coloridas sobre literatura, filosofia e arte são invadidas por memórias da guerra civil libanesa e do próprio passado volátil de Aaliya. Ao tentar superar o envelhecimento do corpo e as inoportunas explosões emocionais que o acompanham, Aaliya é confrontada com um desastre impensável que ameaça estilhaçar a quietude da vida que ela escolheu para si mesma.

Rating: 4/5
Comentário: Reconheço que este possa não ser um livro para qualquer leitor ou leitora, mas foi dos mais bonitos que li ultimamente. Rabih Alameddine traz-nos a história de uma mulher que à luz da sociedade que a acolhe é precisamente aquilo que o título enuncia: uma mulher desnecessária. Uma mulher que não cumpre os preceitos societais através da sua vida pessoal nem constribui activamente com uma actividade profissional que seja compreendida e aceite pela população em geral. Para além disso, e mesmo que seja de desconhecimento geral, o seu passatempo de tradução acaba por se assemelhar a uma pequena ocupação inglória, atendendo a que o resultado dessa tradução acaba arrumado em caixas espalhadas pela sua casa. Ou será que a sua produção vale pela acção e tempo investido, independentemente do resultado? Até que ponto os nossos interesses são válidos só porque nos dão prazer?
Esta é uma das questões que fica latente ao longo da narrativa e a qual vai sendo abordada e desvendada ponto por ponto, especialmente com reflexões mais aprofundadas e acutilantes sobre a arte da tradução e todos os preceitos que a cobrem.
Simultâneamente, os singelos acontecimentos da vida quotidiana são elucidações e pontes de transposição para outras partes da vida passada desta mulher, que não fossem esses momentos e quase que validações da sua presença e existência, teria passado a vida em branco.
São também os pequenos acontecimentos do presente que lhe atribuem uma certa dimensão corpórea, que desfaz a ilusão de que Aaliya só vive no passado e não tem existência no mundo actual. E esses pequenos momentos, tão caricatos, são também aqueles que reforçam um carácter mais ligeiro a um livro carregado de melancolia, despreendimento e alguma dose de luto pelo mundo já vivido, pelas personagens que passaram pela sua vida e já não estão presentes e por aquilo que Aaliya foi e/ou poderia ter sido.
"Uma Mulher Desnecessária" é também uma ode à arte, com inúmeras reflexões filosóficas e abordagens artísticas, desde a música clássica à, naturalmente, literatura. São mencionados vários autores e autoras, com muitas citações e até desconstruções sobre o que foi por estes/as referenciado. E em variados momentos mais corriqueiros, talvez porque estes/as sejam os companheiros e companheiras que mais a acompanham (mesmo que no campo metafórico) ao longo de toda a sua vida, as análises por estes/as produzida quase que justificam ou valorizam os seus pensamentos.
Não tenho a certeza de tratar-se de liberdade de tradução, mas a referência constante à obra de Fernando Pessoa pareceu-me a determinada altura como excessiva. Percebo a necessidade de aproximar a leitura à realidade do leitor, mas sem que esta deturpe o original quanto ao seu enquadramento geográfico.
No geral, este é um livro muito especial e cheio de nuances, com uma abordagem sensível e sublime ao que é ser mulher na Líbia, sem tomar as dores e as percepções de todo um género mas recriando uma história que facilmente se enquadra na temática. É um enredo que conjuga subtileza, estética, filosofia e poesia, assim como representações multiculturais que não podem nem devem ser desmerecidas.
É um óptimo livro, com um ritmo lânguido que pede para ser lido com prazer e calma. Recomendo.


 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Resultado do Passatempo: Limões na Madrugada

A Cultura Editora começou a sua actividade no ano passado, e desde então não pára de mandar cartas. Desde uma série de escritores e escritoras de mão cheia até livros com imensa qualidade! É por isso um prazer seguir de perto o seu trabalho, e estejam atentos ao que poderá vir no futuro, porque a lista de novos autores só pode vir a crescer (já agora, quem é que anda de olhos no novo livro do Nuno Nepomuceno, "Pecados Santos"? ;)). 

Mas é para falar da Carla M. Soares que aqui estamos. Acompanho o trabalho da autora desde o início e estes últimos trabalhos em particular têm um gosto especial porque pude acompanhar o seu processo de concretização de perto. Nesse seguimento, por um enorme prazer conseguir trazer-vos um passatempo com o mais recente livro da autora, "Limões na Madrugada". O passatempo teve imensas participações, o que só demonstra que este livro é uma aposta ganha. Aos não vencedores, não deixem de o procurar numa livraria perto de vocês! 

Mas sem mais conversa, porque o que querem é descobrir quem é o vencedor, aqui fica o resultado: parabéns Mazé Moura, o livro segue para Ermesinde muito em breve! Aos restantes, obrigada por se manterem desse lado nos últimos 8 anos, e espero que continuemos a partilhar opiniões e novas leituras em conjunto durante muito mais tempo! 


quinta-feira, 27 de julho de 2017

Opinião: O Grito do Corvo, de Sandra Carvalho



 
O Grito do Corvo
de Sandra Carvalho
 
Edição/reimpressão: 2017
Páginas: 256
Editor: Editorial Presença
  




Sinopse: 
Os piratas do Rouxinol veem-se cada vez mais longe de saquear o ouro da galé castelhana Niña del Mar devido aos estragos causados pela violenta tempestade que se abateu sobre o barinel. A descoberta da identidade de Leonor faz com que Corvo queira regressar de imediato aos Açores, para entregá-la à guarda do pai. Porém, a tripulação discorda e o caos instala-se a bordo. O que Leonor mais deseja é lutar ao lado dos companheiros e recuperar a confiança de Corvo. No entanto, Tomás Rebelo continua a precisar dela para alcançar o propósito funesto que o levou a assenhorear-se de Águas Santas. Conseguirá Leonor chegar incólume à misteriosa ilha das Flores, conhecer o Açor e abraçar a irmã, ou acabará abandonada por Corvo, à mercê dos caprichos do abominável Tomás Rebelo?

Rating: 4/5
Comentário: Fiquei super contente quando soube que o volume final da trilogia "Crónicas da Terra e do Mar" seria publicado em plena época da Feira do Livro de Lisboa. O segundo volume tinha saído em Abril e despertado a curiosidade dos leitores e leitoras para o desfecho que se avizinhava. De facto, as últimas páginas do volume anterior deixaram uma série de sequências narrativas em aberto e com a promessa de ser exploradas, e foram estas as que mais captaram a minha atenção desde as primeiras páginas.
Desvendo o segredo que as encobertou durante grande parte da narrativa Leo e Guida vêem-se expostas a novos desafios e aventuras, junto aos companheiros de sempre, mas com outra visão sobre o seu posicionamento a bordo. A promessa de aventura não foi esquecida e a autora contemplou os leitores com mais cenas agitadas e perfeitamente enquadradas no enquadramento prévio. Guida mostra-se preocupada com a amiga, Leo mostra-se continuadamente guerreira e corajosa (em todas as frentes) e o mundo místico ganha força novamente e debruça-se sobre vários acontecimentos mais ou menos improváveis.
Não posso dizer que tenha ficado excepcionalmente surpreendida com este último volume (com a excepção de um ou outro momento), mas correspondeu totalmente às minhas expectativas e ao desfecho quem julgo, muitos leitores também esperavam.
Tendo esta trilogia sido a minha estreia com a autora, não tenho como pautar notas comparativas perante os os seus outros trabalhos, mas posso confessar-me agradavemente surpreendida. Com uma linguagem corrente, mas o mais adequada possível ao tempo histórico mas também ao público-alvo, Sandra Carvalho traz-nos diálogos vívidos, cenas descritas com classe e pormenor quando este é necessário, uma teia de enredos perfeitamente encadeados e todos com o seu desfecho merecido.
Confesso que esperava algo mais quanto à questão do Tomás Rebelo, que me pareceu facilmente resolvida perante tamanhas patranhas já por si executadas. Ainda assim, a forma como esse momento foi desenvolvido foi também credível, permitindo dar continuidade à história onde esta ainda tinha o que explorar.
Os Açores, finalmente alcançados, trouxeram a paisagem verde e o rebuliço de uma comunidade local próspera e capaz, conduzida por prescritos e piratas que a tornaram no paraíso almejado por muitos. As descrições, ainda que breves, permitiram que mesmo os que nunca pisaram terrenos vulcânicos e areias sedimentares pudessem sentir-se próximos das paisagens já vistas em postais e fotografias.
Por outro lado, a evolução das personagens perfez uma condução suave que permitiu o desenvencilhar de vários nós e a colocação de sementinhas para novas aventuras. A verdade é que, não sabendo se outra história neste universo pode ou não estar a caminho, a intenção da autora não passou certamente despercebida aos seus mais fiéis fãs, que estão tão ou mais curiosos do que eu.
O que também não passou despercebido foi a mensagem preliminar de cada uma das capas, assim como dos títulos selecionados, todos com muita intenção, e bastará que percam alguns segundos a analisá-las, que depois de terminarem a história concordarão comigo!
Foi um livro que me deu imenso prazer ler, tanto que o terminei em dois dias. É leitura perfeita para o verão: fresca, leve, desconstraída e enredo envolvente, totalmente apropriada para a praia ou jardim.
Fiquei agradavelmente surpreendida com o trabalho da autora, e vou estar atenta aos próximos trabalhos da mesma.
Resta-me somente agradecer à Sandra Carvalho e à Editorial Presença o carinho com que este volume foi enviado e esperar que o mesmo chegue a muitos leitores e leitoras este Verão!

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Opinião: Um Jantar a Mais, de Ismail Kadaré

 
Um Jantar a Mais
de Ismail Kadaré


Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 1
72
Editor: Quetzal




Resumo:
Gjirokastër —a cidade de pedra no sul da Albânia—vê desfilar as tropas alemãs que regressam da Grécia ocupada. Quem as comanda é um coronel nazi que em tempos fora colega de um dos dignitários da cidade—o Dr. Gurameto —na Alemanha. O reencontro do coronel von Schwabe com o seu antigo condiscípulo é efusivo e este convidao para jantar.
Mas eis que os resistentes abrem fogo sobre a frente de blindados alemães, e, como represália, os nazis capturam reféns entre os habitantes da cidade.
Sob pena de passar por traidor aos olhos da população, durante o jantar com o estado-maior alemão, o Dr. Gurameto, tenta persuadir o coronel de os libertar —de entre eles, um farmacêutico judeu. E ganha a causa.
Após o fim da guerra, e depois de instaurado o comunismo, este caso volta à discussão. E no momento em que no bloco comunista a paranoia estalinista atinge o seu apogeu, a libertação do farmacêutico judeu pelo coronel nazi transforma Girokäster no centro do complot planetário para a decapitação dos países socialistas…


Rating: 4/5

Comentário: "Um Jantar a Mais" é a escolha de Março do projecto World Book Tour, onde o grupo viajou até à Albânia através das páginas. Tido por muitos como um dos autores que há muito já deveria ter sido consagrado com um Nobel da Literatura, Ismail Kadaré traz-nos uma obra que vinca pelos seus ideais e posições reflexivas, sob um olhar escrutinador perante a História da Europa e as repercussões tidas na Albânia, o seu país natal.
Este livro é uma parábola, tragico-cómica e alegórica que compreende um período da História do séc. XX de completa transformação na Europa. As transformações ideológicas e as suas influências sociais surgem caricaturadas na pequena aldeia de Girokäster, cujos acontecimentos singulares ganham proporções desenxabidas mas bastante claras e perfeitamente honestas sobre as vicissitudes, diferenças e complementaridades de dois regimes ditatoriais, que embora em extremos opostos de um espectro ideológico, se aproximam por diversas vezes nos métodos utilizados para o controlo da população e para a prestação de uma lealdade cega aos líderes que as compõem.
O discurso ligeiro, mas poético, comprometido mas levianamente expondo as construções da acção com perícia e uma deliciosa índole narrativa, tornaram esta pequena leitura num prazer imenso. É ainda assim uma leitura que, ainda que bastante fácil, apela a um olhar perscrutador  por parte dos leitores, na medida em que nada é deixado ao acaso e todos os encadeamentos e reflexões são propositadamente colocadas e com intentos claros. Auxiliará também os leitores terem alguma cultura geral e conhecimento sobre os períodos de ocupação Nazi assim como da Guerra Fria para esta composição lida nas entrelinhas que, ao fim ao cabo, é a missão do livro na sua plenitude. Ainda assim, não é descabido que quem se sinta pouco confortável com estas temáticas não subentenda a mensagem, mesmo para além do plano principal da narrativa. Ismail Kadaré foi sem dúvida uma óptima surpresa trazida pelo projecto doWorld Book Tour e irei certamente enveredar por mais leituras de obras do autor.

Sobre o autor: "Ismaïl Kadaré nasceu em 1936, em Gjirokastra, no Sul da Albânia. Estudou em Tirana e em Moscovo no Instituto Gorky. Após a ruptura do seu país com a União Soviética, em 1960, iniciou uma actividade jornalística e publicou os seus primeiros poemas. Entre 1970 e 1982 foi deputado da Assembleia Popular de Tirana, tendo em Outubro de 1990 obtido asilo político em França. É o mais conhecido escritor albanês e as suas obras estão traduzidas em diversas línguas. De entre as seus livros mais importantes, destacam-se, os romances: O General do Exército Morto (1963), Crónica da Cidade de Pedra (1971), Os Tambores da Chuva (1972), O Concerto (1988), e já editados pelas Publicações Dom Quixote, Abril Despedaçado (1978), adaptado ao cinema pelo realizador brasileiro Walter Salles, autor do filme Central do Brazil, O Palácio dos Sonhos (1981), A Pirâmide (1992), e selecção de textos Três Contos Fúnebres pelo Kosovo (1998). Em Junho de 2005, Kadaré foi galardoado com o primeiro Man Booker International Prize pela sua carreira literária." Fonte: WOOK                            


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Opinião: O Rouxinol, de Kristin Hannah

 
O Rouxinol, de Kristin Hannah

Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 504
Editor: Bertrand Editora







Resumo: Na tranquila vila de Carriveau, Vianne despede-se do marido, Antoine, que parte para a frente da batalha. Ela não acredita que os nazis vão invadir a França… mas é isso mesmo que fazem, em batalhões de soldados em marcha, em caravanas de camiões e tanques, em aviões que enchem os céus e largam as suas bombas por cima dos inocentes. Quando um capitão alemão reclama a casa de Vianne, ela e a filha passam a ter de viver com o inimigo, sob risco de virem a perder tudo o que têm. Sem comida, dinheiro ou esperança, e à medida que a escalada de perigo as cerca cada vez mais, é obrigada a tomar decisões impossíveis, uma atrás da outra, de forma a manter a família viva. Isabelle, a irmã de Vianne, é uma rebelde de dezoito anos, que procura um objetivo de vida com toda a paixão e ousadia da juventude.

Enquanto milhares de parisienses marcham para os horrores desconhecidos da guerra, ela conhece Gäetan, um partisan convicto de que a França é capaz de derrotar os nazis a partir do interior. Isabelle apaixona-se como só acontece aos jovens… perdidamente. Mas quando ele a trai, ela junta-se à Resistência e nunca olha para trás, arriscando vezes sem conta a própria vida para salvar a dos outros. Com coragem, graça e uma grande humanidade, a autora best-seller Kristin Hannah capta na perfeição o panorama épico da Segunda Guerra Mundial e faz incidir o seu foco numa parte íntima da história que raramente é vista: a guerra das mulheres.

O Rouxinol narra a história de duas irmãs separadas pelos anos e pela experiência, pelos ideais, pela paixão e pelas circunstâncias, cada uma seguindo o seu próprio caminho arriscado em busca da sobrevivência, do amor e da liberdade numa França ocupada pelos alemães e arrasada pela guerra. Um romance muito belo e comovente que celebra a resistência do espírito humano e em particular no feminino. Um romance de uma vida, para todos.

Rating: 5/5

Comentário: Foram precisos alguns dias para conseguir consertar e discernir uma opinião coerente e que expressasse correctamente o quanto este livro me tocou. Atrevo-me a dizer que é dos melhores, senão o melhor que li nos últimos dois anos, composto por uma narrativa extremamente bonita e melódica, mas não menos crua ou despejada de potência. "O Rouxinol" pode ser uma versão fantasiada pela imaginação, sustentando-se em factos históricos e elementos e datas precisas para construir uma narrativa. Mas é também um murro no estômago, uma lembrança constante que por mais que exploremos, por mais que nos informemos e procuremos nunca esquecer o período tão negro, obscuro, dilacerante a que correspondeu a II Guerra Mundial, ele existiu e tem de ser falado e explorado até mais não, para que não se repita, para que não possamos fechar os olhos às evidências do passado e para nunca mais negar que o ser humano tanto pode ser belo e generoso como cruel, monstruoso, e paradoxalmente inumano. Este livro foi uma memória constante sobre o que sabemos e o que ainda desconhecemos - e que provavelmente nunca chegaremos a saber - sobre este período: resultante da vergonha e de memórias escondidas, do ressentimento, da necessidade das testemunhas de primeira mão esquecerem muito do que vivenciaram e que vai bem além do Holocausto e da perseguição aos judeus. Neste livro de Kristin Hannah, é a visão de um país ocupado que nos inunda a mente ao longo de 500 páginas, mostrando-nos o que foi viver sob o jugo nazi, denunciar a derrota, e ainda ter de lidar com os simpatizantes do regime, que se mostraram anti-patriotas e pouco defensores do seu país, muitas vezes entusiastas das oportunidades perfeitas a agarrar, ou simplesmente com o sofrimento e a degradação alheia.
A componente temporal  dá-nos uma perspectiva vasta e complementar sobre o período de ocupação em França, desde a descida das tropas alemãs pelo país, até o momento final de libertação. No centro desse período, são registadas as transformações sociais, físicas, psicológicas e de morais sofridas pela população ocupada, que vê em cada cruz suástica um inimigo (ou uma oportunidade), camuflado numa massa de colunas humanas que vão devastando com a sua presença cada canto de França.
Kristin Hannah traz-nos duas personagens femininas fortes, mesmo nas suas inseguranças e fragilidades, e procura, pelo olhar de cada uma, trazer-nos as várias facetas deste país ocupado. Desde as senhas de racionamento, ao movimento de Resistência, às rotas de evacuação de pilotos perdidos, à ocupação forçada das propriedades francesas, deixando mulheres e crianças a lidar à sua maneira com um inimigo confrontado nas frentes pelos maridos, irmãos e filhos há muito deslocados para fora do país (e posteriormente presos em campos de concentração), este é um registo completo, que nos conta uma história vasta da devassidão que uma guerra pode trazer. É complementar, tem várias personagens fortes, complexas, singulares, que atribuem uma voz múltipla e testemunhos diversos a um livro único.
Não quero desvendar o enredo, nem a direcção que toma a narrativa, mas só posso dizer-vos que surpreende, agarra e arranca páginas umas atrás das outras para se colarem à vossa retina e reterem-se na vossa mente. Um livro a juntar à lista dos preferidos certamente!

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Opinião: A Rapariga no Comboio, de Paula Hawkins


A Rapariga no Comboio
de Paula Hawkins
 
Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 320
Editor: Topseller






Resumo:  
O êxito de vendas mais rápido de sempre. O livro que vai mudar para sempre o modo como vemos a vida dos outros.

Todos os dias, Rachel apanha o comboio...
No caminho para o trabalho, ela observa sempre as mesmas casas durante a sua viagem. Numa das casas ela observa sempre o mesmo casal, ao qual ela atribui nomes e vidas imaginárias. Aos olhos de Rachel, o casal tem uma vida perfeita, quase igual à que ela perdeu recentemente.
Até que um dia...
Rachel assiste a algo errado com o casal... É uma imagem rápida, mas suficiente para a deixar perturbada. Não querendo guardar segredo do que viu, Rachel fala com a polícia. A partir daqui, ela torna-se parte integrante de uma sucessão vertiginosa de acontecimentos, afetando as vidas de todos os envolvidos.
De leitura compulsiva, este é o thriller do momento, absorvente, perturbador e arrepiante. 
A Rapariga no Comboio tornou-se imediatamente um verdadeiro fenómeno mundial, com mais de 2 milhões de livros vendidos em apenas 3 meses e já em processo de adaptação ao cinema pelos estúdios Dreamworks.

Rating: 4/5
Comentário: Já tive oportunidade de dizer anteriormente, mas volto a reforçar, que fico sempre um pouco de pé atrás quando surgem comparações entre livros ou sugestões do género "para fãs de...". 
A "Rapariga do Comboio" tem sido bastante recomendada a quem gostou de "Em Parte Incerta" de Gillian Flynn, livro que não me cativou de todo. De qualquer forma, continuava curiosa com a sinopse apresentada, pelo que não pude deixar de aproveitar a oportunidade criada pela Topseller, que cedeu ao blog um exemplar avançado para leitura e opinião honesta antes do lançamento oficial do livro (gesto pelo qual estamos gratas!).
Terminada a leitura, posso dizer que este livro é de facto para os fãs da Gillian, mas também para os que não gostaram das suas obras. Melhor que isso, "A Rapariga no Comboio" é para os fãs da Paula Hawkins!
Para quem realiza diariamente viagens mundanas de comboio, é perceptível o fascínio com este modo de transporte e para a certa nuance mágica que lhe surge associada. Foi também esse embalo inicial que criou uma ligação de empatia com Rachel, a personagem que me acompanhou ao longo de mais de 300 páginas. 
Esta personagem é bastante peculiar, pelo grau de complexidade que lhe é atribuído mas também pela facilidade de acesso às diversas camadas que a compõem, e que vão sendo reveladas em diversos momentos da obra, intercalados de forma engenhosa para inebriar o leitor e deixá-lo com várias suspeitas e muito poucas certezas. 
Perdida, com instintos acertados, vários questionamentos justificados e uma série de momentos que até poderiam ser considerados hilariantes, não fosse uma clara análise individual e social da sua condição, esta Rapariga que viaja diariamente de Comboio foi uma surpresa constante e pela qual dei por mim a torcer, mesmo nos momentos em que ela não merecia. Aliás, estava tão concentrada nela nas primeiras páginas que só ao fim de quatro capitulos me apercebi que o livro é contado sob dois pontos de vista, pelas mãos de Rachel e Megan (obrigando-me a recomeçar para me posicionar correctamente). 
Parecendo uma enorme distração da minha parte, a verdade é que as histórias diferenciadas sobrepõem postos de construção. As duas personagens confluem na sua essência em algumas coisas, pelo que criam uma voz comum entre ambas, sem lhes negar uma personalidade forte e vincada. As duas estão condoídas com preâmbulos da vida, fragilizadas, marcadas por arrependimentos e cenários mais cinzentos, e procuram qualquer coisa, mesmo que não saibam que o fazem ou o que pretendem de facto. São muito vívidas, destacando-se pela forma transformadora como se envolvem com as restantes personagens secundárias e que criam uma rede de tensões, suspeita, suspense e mistério que agarra qualquer leitor até à última página. 
A acção está enquadrada de uma forma engenhosa, apoiando-se num estilo de escrita bastante lúcido, que se entranha, e que nos faz querer avançar para a próxima página, descobrindo as consequências de cada passo dado pelas personagens (de forma acertada ou não) ao longo de um jogo de incerteza e porque não, de sobrevivência.
Rachel e Megan levam-nos para uma viagem constante entre o presente o passado, pelo constraste do mundo idealizado e das transformações aparentes que podem acontecer com um piscar de olhos (ou com um comboio parado ao pé de um sinal por breves minutos). A análise que estas mulheres proporcionam ao leitor está sempre em mutação, seja pela apresentação de detalhes singulares, por uma frase dita aparentemente sem significado, por uma revelação inesperada ou pela necessidade constante de o colocar a tentar adivinhar os seus próximos passos.
É essencialmente um jogo intelectual, à altura de um thriller de mão cheia, que se entranha na mente de quem o lê até que todas peças encaixem e façam sentido novamente. E embora não componha um cenário tão perturbador como o prometido, numa lógica de constrastes visuais, "A Rapariga no Comboio" faz-nos certamente pensar se a parte mais arrepiante das nossas vidas não será o facto de nunca conseguirmos conhecer/prever realmente o comportamento de alguém. Nem o do vizinho do lado, nem das pessoas com quem partilhamos laços afectivos, nem de quem nos vê do outro lado do espelho.

Não percam a oportunidade de lançar a mão a este livro, que será editado em Portugal a 8 de Junho pela Topseller (edição: o lanlçamento foi adiantado para 5 de junho)!
 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Opinião: Uma Fortuna Perigosa, de Ken Follett


Uma Fortuna Perigosa
de Ken Follett
 
Edição/reimpressão: 2015 
Páginas: 568 
Editor: Editorial Presença 
  





Resumo:
Inglaterra, 1866. O verão anuncia-se quente e, numa tarde de maio, um jovem morre afogado numa pedreira inundada de água. O incidente ocorre em Windfield School, uma escola frequentada por rapazes oriundos de classes abastadas, permanece encoberto em mistério conduzindo a uma trágica saga de amor, poder e vingança que envolve sucessivas gerações de uma família de banqueiros.

A história decorre entre a riqueza e a decadência de uma Inglaterra vitoriana, entre a City londrina e colónias distantes. O leitor acompanha a família Pilaster durante o período áureo do império britânico. Ken Follett inspirou-se num caso real de bancarrota ocorrido no século XIX para escrever este romance extraordinário.
Críticas de imprensa
«Um livro fascinante que prende o leitor da primeira à última página... pleno de emoção… grande rigor histórico... suspense permanente.»
Los Angeles Times

«Intrigas políticas e amorosas, assassínios a sangue-frio e crises financeiras… entretenimento genuíno!»
San Francisco Chronicle

«Um livro que deixa o leitor sem fôlego... verdadeiramente cativante.»
The New York Times

Rating: 4/5
Comentário: Há muito que Ken Follett se tornou um dos escritores da minha eleição. Com enredos de encher as medidas e encantar, o autor consegue transportar-nos para os mundos que recria com genialidade, atenção ao pormenor, capacidade de envolvência do leitor e acima de tudo, imaginação pura e com o toque de realismo que atribui aos momentos agridoce das suas estórias a essência da vida. E da ausência de contos de fadas plenos.
Em meses de tremenda ocupação profissional, o tempo e disponibilidade mental para ler andam em baixo. A aproximação a uma dita "ressaca literária" revelava-se a olhos vistos até que "Uma Fortuna Perigosa" me passou pela mão. Afinal, Ken Follett tem o dom de pegar no leitor mais letárgico e de fazê-lo envolver-se nas páginas de um mundo intricado de personagens sedutoras, enredos atrativos e sonhos, muitos sonhos refletidos em rostos e em estórias familiares a desvendar. Um dos grandes pontos fortes de Ken Follett é sem dúvida a sua capacidade de criar personagens com fundamento real, com aspirações e desejos, ambições e crueza, vontade de mudança e paixões, numa constante mistura acre e sedutora, que reforça a natureza cinzenta que alberga o bem e o mal, e que não caracteriza na totalidade ninguém.
Em "Uma Fortuna Perigos", deparei-me com um enredo espectacular, rico, cheio de intriga e de malhas de actuação, com esquemas e romance, crime e suspeita, ganância e poder misturados num único cenário digno de avaliar.
As personagens são como sempre o ponto forte deste livro. Acompanhando as várias gerações de uma família sem se perder pelos caminhos intricados dos saltos temporais, Ken Follet traz-nos uma coexistência de carácteres e vontades que decorrem ao longo de mais de 20 anos, sem que estes se tornem enfadonhos no livro. As diversas passagens temporais também foram assinaladas com classe, de forma que a progressão temporal ainda que registada, não é vista como um momento retorcido. Foram realizados os apanhados necessários para contextualizar o enredo sem repetir elementos temporais, fazendo com o que o avanço de várias décadas ao longo de 500 páginas fizesse sentido e não soasse apressado.
Ao nível do universo de composição, o autor traz-nos dois verdadeiros vilões como já não encontrava há muito! Não porque o seu nível de maldade ultrapasse o que poderia ser considerado minimamente aceitável, mas porque só o olhar atento e pouco pretensioso do leitor ou de uma personagem demasiado perspicaz para sua previdência são capazes de denotar.
Galanteadores, envolventes, dinamizadores e criadores de pólos de atração, estes lobos vestidos de cordeiro trouxeram um elemento-chave ao enredo capaz de manter o leitor agarrado a cada página com um certo fascínio, questionando-se quanto mais tempo uma certa dose de sorte se iria prolongar, querendo simultaneamente vê-los triunfar e falhar.
As restantes personagens secundárias são um doce. Lutadoras, destemidas, com coragem para enfrentar parentes e ambições possivelmente difíceis de alcançar, com a dose certa de força, charme e de ausência do que perder, vemo-las percorrer caminhos íngremes, frágeis, por vezes momentâneos em que só a preserverança e o apego aos valores morais com que foram educadas as tornam mais resilientes às peripécias da vida.
Adorei Hugh, até nos momentos em que algumas construções da sua personagem me pareceram algo forçadas só para atingir os momentos de exaltação certos. Ainda assim, foi uma daquelas personagens facilmente gostáveis, com humor e carisma, e pelas quais torcemos até ao fim. A sua evolução ao longo do livro, acompanhando o decorrer dos tempos e o crescimento do menino franzino e tranquina para um homem adulto de família é deliciosa de ler. As personagens femininas que o acompanham, desde a mãe continuadamente viúva à irmã dócil e fácil de agradar, passando por uma mulher interesseira e por um amor de adolescência são pontos fortes de contrabalanço num livro onde a presença masculina é dominante, ainda que não dominadora.
É um livro que cativa e prende a atenção exactamente pela essência extraordinária que cada uma das personagens transmite. É uma estória bem contada, envolvente e capaz de nos levar pelas mágicas mãos de Ken Follet ao Reino Unido do séc. XIX. Gostei muito e recomendo a leitura!
 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Review: All Fall Down [Embassy Row #1], Ally Carter

All Fall Down [Embassy Row #1]
by Ally Carter
Edition: 2015
Pages: 320
Editor: Hachette Children's Books
Summary: 
Grace is absolutely certain of three things: ´
1. She isn't crazy. 
2. Her mother was murdered. 
3. Someday she's going to find the man with the scar, and then she is going to make him pay. 
As certain as Grace is about these facts, nobody else believes her – so there’s no one she can completely trust. Not her grandfather, a powerful ambassador. Not her new friends, who all live on Embassy Row. Not Alexei, the Russian boy next door who is keeping an eye on Grace for reasons she neither likes nor understands. 
Everybody wants Grace to put on a pretty dress and a pretty smile, blocking out all her un-pretty thoughts. But they can’t control Grace – no more than Grace can control what she knows or what she needs to do. Her past has come back to hunt her . . . and if she doesn't stop it, Grace isn't the only one who will get hurt. Because on Embassy Row, the countries of the world all stand like dominoes, and one wrong move can make them all fall down.

Rating: 4/5

Review:
This ARC edition was sent to me in exchange for an honest review. You can read the first chapter for free here.
As a fan of Ally Carter I would like to say that I wasn't sure about what to expect of her new book. Don't get me wrong I loved Heist Society and the Gallagher Girls and was excited that a new series was on it's way but at the same time I was sad that Ally's new book wasn't Heist Society #4 (which should totally have been by the way!). However Ally didn't fail to impress and now I can't wait for the next book in this new series.
Now Grace might be absolutely certain of three things but so are we as readers, The first is that Ally continues to use her first person point of view that she also used in Heist Society and the Gallagher Girls, so fans of the old series won't fell as much of a clash going in the new one. Second Grace, a bit like Cammie, has suffered a traumatic event and has experiences PTSD, and contrary to romanticizing this condition Ally does show us how it can affect day to day life, this also makes Grace a very unreliable narrator because sometimes the action is paused as she has her attacks which means that we lose bits of information or don't get to see a scene coming to an end. Third everyone would love to live on Embassy Row and by that I mean here's my passport, here are my bags, let's go.
Ally kept true to herself in this book, friendship is still the main theme, family is important, love takes time and makes funny puns when it's possible. Even so I have to say that this book seemed a little bit more darker than her previous ones, it also seemed aimed at slightly older audiences (for instants I would recommend Gallagher Girls for a 12 year old, not so sure about Embassy Row) I believes this is so because of Grace's PTSD which is explored through out the book. Now we know by flashes that Grace has been to psychologists and that she had therapy, we also know that she is trying to fight it on her own because she doesn't want her pills anymore. Grace's struggle is easily relatable to anyone who has gone through any of these things and might shed a light to people who haven't and make young people more aware that having PTSD or any other conditions don't stop you from being a hero.
Embassy Row is an amazing setting because, and let's be honest, it's a giant chess board. All this embassies side by side with walls that may or may not touch (looking at America and Russia!) are connected and one little inside might be reason for world war III to break out. Everyone is on their toes except, even the children of the ambassadors that have lived there all their lives know their places and how to act. Grace of course is our wild card, someone who has a vague idea of what's going on but still can't see the whole puzzle.
Although I fell Ally has a set of characters that she tends to re-create, like the funny one, the hurt friend, and so on, I like who she keeps exploring them and giving them new insights, Grace's group is a mixture of nationalities, ages and sexes which is something that Ally likes to do and creates a more diverse reading (also there's always someone who speaks Portuguese so kudos for that!).
All in all I recommend All Fall Down for fans of the previous works of the author because they will immediately recognize Ally's writing style and fell welcome one but I would also recommend the book for new fans as I believe this is one of Ally most interesting plots and very unexpected endings. I give it 4 starts and wait impatiently for volume two!
To finish I would like to say that I actually ended up buying the book and got free mascara with it. So that was a two in one Ala Gallagher Girls and Heist Society, looking fabulous while taking over the world.

 Cat / Ki
Known bookaholic and writer on free weekends. Cat loves books and everything that's related to them. Sometimes she has feelings and opinions about books and the world and she writes about them in her blog Encruzilhadas Literárias. She also has a personal GoodReads account and she believes the world is a better place for it (AKA no more repeated books from relatives as gifts). She lives in the UK and can often be found either in Waterstones or the Charity Shops.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Review: Thief's Magic by Trudi Canavan

Thief's Magic [Millennium's Rule #1]
by Trudi Canavan
Format: Hardback / Paperback / E-book
Nr of Pages: 560
Publisher: Little Brown Book Group 
Synopsis: 
In a world where an industrial revolution is powered by magic, Tyen, a student of archaeology, unearths a sentient book called Vella. Once a young sorcerer-bookbinder, Vella was transformed into a useful tool by one of the greatest sorcerers of history. Since then she has been collecting information, including a vital clue to the disaster Tyen's world faces.
Elsewhere, in a land ruled by the priests, Rielle the dyer's daughter has been taught that to use magic is to steal from the Angels. Yet she knows she has a talent for it, and that there is a corrupter in the city willing to teach her how to use it - should she dare to risk the Angels' wrath.
But not everything is as Tyen and Rielle have been raised to believe. Not the nature of magic, nor the laws of their lands.
Not even the people they trust.

Rating: 4/5

Review:
Warning: This is going to be a LONG review so I am putting it under a read more. Please bear with me. I have a lot of feelings.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Review: Doll Bones, by Holly Black

Doll Bones
by Holly Black 
Edição/reimpressão: 2014 
Páginas: 256 
Editor: Random House Children's Publishers UK
Burble:
My name is Eleanor Kerchner. You can call me the Queen. I died in 1895. Now it's time to play.
Zach, Alice, and Poppy, friends from a Pennsylvania middle school who have long enjoyed acting out imaginary adventures with dolls and action figures, embark on a real-life quest to Ohio to bury a doll made from the ashes of a dead girl.
[It's depressing how I can't seem to be able to find a good resume of this book!]

Rating: 4/5

Review:
I received this ebook from NetGalley in exchange for an honest review.

For years my sister Gaby has been asking me to read the Spiderwick Chronicles by Holly Black. She has begged, pleaded and blackmailed me into reading them without success several times. It’s not that I wasn’t curious about Holly Black’s writing it was just that her books seemed to be for a young audience and although I do love children’s fiction I just never felt the pull towards them. This changed when I read about Doll Bones and got curious about the story.
Holly Black has weaved an amazing web where history, change and growing up all mingle together in a quest that will leave you wondering. Our reluctant heroes have been friends for years and they have grown together but now they are without noticing slowly growing apart. The game they have been playing forever where they are pirates and thieves and all other sorts of wonder characters in their world of make belief  is suddenly taken by heartache and their friendship is almost shatter until a ghost of a girl asks for their help.
I have to admit that I like this type of books, the ones that mixture reality and supernatural but that always leave you to wondering. Was it all make believe? Was it really a ghost? I liked the way Holly Black just left the question hanging and even our heroes weren't sure of the truth.
I also liked how our heroes were all different and came from different types of households. (YEY For Diversity in YA) The make believe world of Alice and her friends was amazing and now I am craving the opportunity to read more of the adventures of Will and everyone else on board of the Neptune’s Pearl.
I believed that Holly Black made a fantastic description of what it is to play the game of make believe, I used to play with my siblings and like our heroes I played it until I was 12/13. The mind of a child is a wonderful place where worlds are born and collide; it is the true never ending source of entertainment.
Although some people found the book creepy I would say that it was spooky at times but not necessarily creepy also children tend to live on spooky and creepy things it’s us the adults that tend to forget how much of it it’s actually part of a child’s live.

To finish I would like to say that I am now headed to the bookstore to get my hardcover version of this book because it’s truly amazing and my future children will forever thank me for the opportunity of reading it. A solid 4 starts and a reading that I would recommend. 

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Review: The Disreputable History of Frankie Landau-Banks by E. Lockhart

The Disreputable History of Frankie Landau-Banks
by E. Lockhart 
Edição/reimpressão: 2009 
Páginas: 345 
Editor: Disney-Hyperion
Burble:
Frankie Landau-Banks at age 14: Debate Club. Her father's "bunny rabbit." A mildly geeky girl attending a highly competitive boarding school.
Frankie Landau-Banks at age 15: A knockout figure. A sharp tongue. A chip on her shoulder. And a gorgeous new senior boyfriend: the supremely goofy, word-obsessed Matthew Livingston. Frankie Landau-Banks. No longer the kind of girl to take "no" for an answer.
Especially when "no" means she's excluded from her boyfriend's all-male secret society. Not when her ex-boyfriend shows up in the strangest of places. Not when she knows she's smarter than any of them. When she knows Matthew's lying to her. And when there are so many, many pranks to be done.
Frankie Landau-Banks, at age 16: Possibly a criminal mastermind. This is the story of how she got that way.

Rating: 4/5

Review:
Once in a while I get my hands on a book that I read in one go. It’s became rarer and rarer that I do so because books are becoming bigger and some plot lines are becoming quite predictable making me bored quite easily. I picked up Frankie because her book was recommended by GoodReads in the “if you read and loved that you will love this” section. So I added Frankie to the list and eventually bought the book at a Charity Shop.
Last Friday I was all alone at the office and didn’t have much to do so when I finished my work load I picked up the book so I would look busy. It was definitively a bad move since I couldn’t put it down. I read it all the way home in the bus and continued to read as I had my tea. I finished it around 7pm and knew my world would never be the same.
I really can’t explain what it was that Frankie did to me. There was just something new and refreshing in the narrator’s voice, and something completely unexpected in the storyline. Mainly I think because the book starts off as a typical high school romance and suddenly it’s not. Out of the blue this secret society appears as well as   Frankie’s feminist older sister, Zara, along with some pranks, e-mails and a very intelligent girl who won’t take a chauvinist “no” for an answer.
Nothing is what it seems in this book, at a point I was fairly certain we would get a love triangle but that was completely dismissed two pages after. Frankie’s adventures and her own growth as she explores this new world that opened up for her but at the same time closes her off are the same adventures most girls have when they grow and suddenly start getting attention from boys.
Another thing that makes Frankie’s adventure so interesting is how a nice girl ends up becoming an evil genius and although one might argue that Frankie was always a genius and that she didn’t become an Evil Overlord it’s interesting to see her journey through her teenage years, and how she finds herself half pushed into, half embracing the situations that destiny (and the boys) puts in front of her.

An unique and interesting coming of age book that I recommend for intelligent girls that won’t take a “no” for an answer.