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domingo, 6 de maio de 2012

O Amuleto de Samarcanda de Jonathan Stroud

O Amuleto de Samarcanda
de Jonathan Stroud

Edição/reimpressão: 2004
Páginas: 378
Editor: Editorial Presença

Resumo:
O primeiro volume d’ A Trilogia de Bartimaeus é um thriller hilariante, repleto de referências históricas e míticas, que tem como cenário uma Londres do século XXI, envolta em destruição e governada por magos poderosos que se servem de criaturas sobrenaturais para perpetuarem o seu poder. Nathaniel é um jovem aprendiz de mago extremamente talentoso que, com apenas doze anos, consegue o feito prodigioso de invocar um dos djinnis mais temíveis. Quando um aprendiz de feiticeiro invoca um djinni ordena-lhe que realize caprichos próprios da idade, mas Nathaniel está dominado pelo desejo de algo infinitamente mais perigoso – a vingança cega! Porém, desafiar a ira de um mago ambicioso pode desencadear actos de rebelião e assassínio impossíveis de parar... a menos que Nathaniel e djinni se unam contra um mal que ameaça todos!
 
Rating: 4/5
Comentário:
Atenção! Este livro sofre de um sentido de humor muito peculiar, encontrado maioritariamente em pessoas que, como eu, amaram os livros de Terry Prachette. Agora que esclarecemos este ponto, continuemos com o comentário.
Talvez fale só por mim, mas livros como Harry Potter e as Crónicas de Narnia, deixam-nos um vazio na alma quando acabam, provavelmente isto deve-se ao facto de acompanharmos todo um mundo novo que aprendemos a amar e personagens que acabam por se tornar nossas amigas. Foi por isso que quando me recomendaram A Trilogia Bartimaues torci um pouco o nariz.
Primeiro porque não gosto de livros com vampiros e demónios, segundo pela capa que não me inspirou nenhuma confiança. Apesar de depois de ter lido o livro ter apercebido que a mesma não é tão afastada da realidade do livro quanto isso, creio que uma imagem mais "limpa" podia ter ajudado a divulgar mais o livro. Resolvi arriscar ler o livro pois os comentários que achei na internet eram bastante positivos e os fãs da trilogia diziam que a mesma não recebia a devida atenção.
Curiosa peguei no livro e deixei-me envolver. Bem-vindos a Londres, estamos em pleno século XXI e as pessoas não só sabem que os magos existem como são eles que controlam o governo britânico. Londres é também a capital da magia e um pólo de atracção para tudo o que é mágico. O livro é contado do ponto de vista de Nathaniel e do djinni que este invoca para executar a sua vingança, Bartiameus. Não há um número certo de capítulos para cada um e é raro as cenas se sobreporem no entanto, a formula funciona na perfeição.
De um lado seguimos a história do ponto de vista de Nathaniel, um rapaz de 11 anos que foi escolhido como aprendiz de um feiticeiro que é bastante mais fraco que Nathaniel. Isto deixa-o revoltado, zangado e com vontade de se provar perante o seu mestre. O ponto de vista de Nathaniel permite-nos também perceber melhor o mundo em que a acção se passa.
Do outro lado temos Bartimaeus, um demónio, aliás, um djinni milenar que já sobreviveu a muitos mestres e tem uma visão muito própria da humanidade. O elemento cómico vem dele, e da maneira como ele analisa os seus antigos mestres e as situações onde se encontra.
A história tem também partes sérias, onde Stroud mostra como funciona o governo liderado por mágicos e a hierarquia dos mesmos. O que torna a história muito mais real, na realidade como se passa em pleno século XXI, com uma ou outra omissão de tecnologias, é muito fácil entrar neste mundo onde os feiticeiros não vivem escondidos como no mundo de Harry Potter mas sim ao lado das pessoas normais.
Ri-me imenso com esta dupla e com as situações em que estes se encontraram. O livro é bastante divertido e apesar de se poder ler sem se ter obrigatoriamente de ler os restantes, acaba por deixar uma saudade no ar e uma certa curiosidade que nos fazem pegar no segundo e terceiro volumes.
 
Este sai com o selo de recomendação do Encruzilhadas!

Fiquem atentos pois vamos comentar os volumes seguintes desta trilogia!

segunda-feira, 30 de abril de 2012

O Pacto de Gemma Malley

O Pacto
O crime de ter nascido 
de Gemma Malley
Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 288
Editor: Editorial Presença
Resumo:
Planeta Terra, ano 2140. A ciência oferece aos humanos a possibilidade de se tornarem imortais, mas, dada a escassez de recursos, a imortalidade só é garantida à custa da renúncia à descendência. O Pacto é o compromisso que sela tal decisão. Quebrá-lo é ir contra as leis da Natureza, e as consequências são aterradoras. Anna conhece-as demasiado bem. É uma Excedente, uma criança que não deveria ter nascido. Desde bebé que está em Grange Hall, a instituição que prepara todos os Excedentes para o terrível destino que os espera no mundo exterior. Mas um dia recebe a visita de Peter, um jovem Excedente que vem revolucionar para sempre a sua visão de si própria e do mundo…

Rating: 4/5

Resumo:
O Pacto de Gemma Malley parte de uma grande premissa que, na minha opinião, é o que o mantêm interessante do inicio ao fim. A história não é particularmente original tendo apenas uma ou outra reviravolta, mas a ideia de um mundo como este é cativante e puxa as pessoas. Creio que puxa exactamente porque deixa uma pergunta no ar: Se eu pudesse escolher entre a imortalidade e ter filhos, o que escolheria?
Talvez para maior parte das pessoas a dúvida não seja imediata. Talvez maior parte escolhesse a Imortalidade, mas esta não é fácil e vem com alguns inconvenientes. Como a ciência ainda não evoluiu ao ponto de restaurar os órgãos, a pele das pessoas estica e tem de ser rpesa por pinças para parecer que ainda está direita. Há senhas que ajudam no racionamento de luz e comida, porque ter um planeta cheio de pessoas que não morrem significa que os recursos naturais se irão eventualmente esgotar. Daí ter aparecido o pacto, o pacto no qual as pessoas abdicam de ter descendência para poderem viver para sempre.
Mas valerá a eternidade o suficiente para uma pessoa viver de senhas, toda a vida? Uma vida eterna mas sofrida, carregada de compridos e maquinetas para as pessoas parecerem eternamente jovens, quando não o são?
Anna foi formatada pelo poder instaurado, os seus pais assinaram o pacto mas tiveram-na na mesma. Ela aprendeu que esta atitude é considerada egoísta e que penalizada com a perda destes da custódia de Anna que foi parar a um "orfanato" de Excedentes. A vida no orfanato não podia ser pior, todas as crianças que lá se encontram não deveriam sequer ter nascido e são todas tratadas como peças extras de uma sociedade que já funciona bem com as peças que tem.
O livro acompanha a luta de Anna para aprender a ver-se de outra maneira e que só porque algo nos foi dito ser correcto, não significa que assim o seja. É aqui que Peter entra, ele vem por em causa tudo aquilo em que Anna acredita, virando para sempre o mundo desta de pernas para o ar.
A escrita de Gemma Malley é fluída e a história segue-se rapidamente. Apesar de me ter dado alguns nervos ao inicio por estar excessivamente formatada, acabei por aprender a gostar da Anna e segui a sua história com muito interesse. Sem dúvida um dos primeiros livros distópicos a chegar a Portugal e um dos meus favoritos por obrigar o leitor a pensar.
O Pacto é o primeiro livro de uma trilogia, chamada "The Declaration", é seguido pelo livro a A Resistência, editado também pela Editorial Presença e pelo livro O Legado, de momento ainda não disponível em português.

domingo, 22 de abril de 2012

O Outro Lado de Gabrielle Zevin

O Outro Lado 
Uma Vida ao Contrário 
de Gabrielle Zevin
Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 312
Editor: Editorial Presença
Resumo:
 Liz acorda no camarote de um navio, que partilha com Thandi, uma adolescente da sua idade que lhe é completamente desconhecida. Aliás, como tudo o que a rodeia, à excepção de Owen, o vocalista da sua banda de rock preferida. Ao fim de algum tempo Liz descobre que morreu e se encontra agora em O Outro Lado, um lugar de sublime beleza, muito semelhante à Terra e, no entanto, completamente diferente. Mas Liz tem demasiadas saudades da sua vida na Terra.

Rating: 4,5/5

Comentário:
Há livros que nos marcam e ficam connosco para sempre. Para mim, "O Outro Lado" de Gabrielle Zevin é um desses livros. Devo confessar que o li em inglês um ano ou dois depois do mesmo ter sido lançado e apaixonei-me por ele à medida que as páginas viravam e eu me encontravam cada vez mais ligada a Liz e compreendia cada vez como ela se sentia e como o outro lado funcionava.
Liz estava a andar de bicicleta quando é atropelada e ao ser lançada pelo ar nem tem tempo para se aperceber do grave erro que foi não ter usado o seu capacete. Liz no entanto não se lembra disto quando acorda dentro do Paquete Nilo, acha apenas estranho estar num barco e não sabe como ali chegou. Tudo é estranho menos Owen, o vocalista da sua banda favorita e Liz demora algum tempo a juntar as peças e ainda mais tempo a aceitar o que aconteceu.
O Outro Lado é um livro tocante sobre uma adolescente que partiu cedo demais e tem de "viver" com as consequências das suas escolhas. Porque tal como a Terra, o Outro Lado tem regras e polícia e Liz terá de arranjar uma "ocupação" para se entreter e mais terá de lidar com sentimentos que nunca antes tinha sentido.
Infelizmente este livro acaba por ser complicado de comentar sem revelar parte do enredo e apesar de não tomar uma vertente católica ou judaica, ou de qualquer outra religião, poderá não ser aconselhado a pessoas com convicções religiosas muito fortes.
Este Outro Lado acaba por nos dar uma perspectiva única do que poderá ser a vida após a morte e de como as pessoas que partiram antes de nós, poderão estar a passar o seu tempo. A obra é cativante e fomenta uma imagem única do que estará para além desta vida.
Com um tema sério mas que é tratado com a magia própria dos livros infanto-juvenis "O Outro Lado" é sem dúvida um livro para ler e pensar no que poderemos deixar por fazer se subitamente a nossa estadia neste belo planeta for encurtada.

sábado, 14 de abril de 2012

O Livro dos Mil Dias por Shannon Hale

O Livro dos Mil Dias 
por Shannon Hale

Edição/reimpressão: 2008
Páginas: 260
Editor: Gradiva Publicações
Resumo:
Quando Lady Saren se recusa a aceitar casar com um homem que despreza, é encerrada numa torre durante sete anos com Dashti, a sua aia, e as duas preparam-se para uma longa e sombria pena.
Apesar de a comida começar a escassear e os dias passarem de um calor insuportável a um frio de gelo, Dashti faz todos os possíveis por as manter alimentadas e confortáveis. Então, com a chegada dos pretendentes de Saren à torre — um deles desejado, o outro muito pelo contrário —, as jovens vivem momentos de grande esperança e enorme perigo, e Dasthi terá de fazer escolhas importantes, descobrindo que a sua vida vale muito mais do que imaginava.
 
Rating: 4/5


Comentário: 
Aviso: São 260 páginas que se lêem com uma rapidez estonteante!
Quem frequenta o Encruzilhadas deve estar a começar a reparar nos nossos padrões de leitura. O meu e do Cláudia apesar de baterem por vezes são na sua essência por vezes bastante distintos. Eu tenho um amor muito grande a livros infantis e juvenis e o género de Shannon Hale que é um infantil-juvenil cai-me sempre que nem ginjas.
Comprei O Livro dos Mil Dias por me lembrar um pouco da Rapunzel e porque na altura estava a ler vários recontares de contos de fadas e acho sempre interessante ler autores diferentes dentro do mesmo género. Hale não me desiludiu. Num estilo novo e fascinante, tira-nos da tradiconal europa medieval e leva-nos para um país inexistente que se parece bastante com a Mongólia devido às roupas e costumes/crenças religiosas. (O livro vem acompanhado de "desenhos" da sua autora, Dashti que ajudam a visualizar melhor esta situação.)
Dashti é uma rapariga que sabe o seu valor e as suas capacidades porque foi educada para o saber, infelizmente nasceu pobre e foi abandonada cedo pelos irmãos que a deixaram com a sua mãe. Dashti que só quer sobreviver descobre cedo que a única maneira de o fazer é sendo criada de alguém, é cuidado de alguém que não seja ela mesma e por um golpe de sorte e inteligência consegue o cargo de criada pessoal de Lady Saren, infelizmente, mal sabe ela que Lady Saren está prestes a ser fechada numa torre por sete anos e que terá de ser fechada com ela.
Repleto de momentos de adversidade, esperança e amizade, este é um livro que nos ensina que somos mais do que aquilo que nascemos para ser. Somos aquilo que nos permitimos ser. Com Dashti fazemos uma viagem na qual ela descobre isso mesmo, que só porque aprendeu a dar a vida pelos outros e que os outros são mais importantes isso não o torna necessariamente verdade.
Contando de uma maneira simples, este livro é ideal para raparigas na casa dos 9-14 anos que gostem bastante de ler e de histórias que relembrem o "Era uma vez..."

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Trilogia "Os Jogos da Fome" por Suzanne Collins

Na semana em que nos Estados Unidos, por cada dólar gasto em livros, Suzanne Collins arrecadou quatro cêntimos (algo como três cêntimos por cada euro), o Encruzilhadas resolveu comentar a trilogia d'Os Jogos da Fome.
Tanto eu, Ki, como a Cláudia já lemos a trilogia completa. De momento a Cláudia está a acabar de coleccioná-la pois ainda não tem o terceiro volume, já eu já cá tenho a minha trilogia completa e com umas capas todas giraças. Assim sendo vamos fazer um comentário da trilogia no geral, fazendo pequenas chamadas de atenção para alguns pontos em certos livros.
Sigam-nos nesta aventura então Tributos, enquanto eu e a Cláudia descortinamos este mundo fantástico que é o dos Jogos da Fome.
Resumos (retirados do site da Presença):
Os Jogos da Fome
Num futuro pós-apocalíptico, surge das cinzas do que foi a América do Norte, Panem, uma nova nação governada por um regime totalitário que a partir da megalópole, Capitol, governa os doze Distritos com mão de ferro. Todos os Distritos estão obrigados a enviar anualmente dois adolescentes para participar nos Jogos da Fome - um espetáculo sangrento de combates mortais cujo lema é «matar ou morrer». No final, apenas um destes jovens escapará com vida… Katniss Everdeen é uma adolescente de dezasseis anos que se oferece para substituir a irmã mais nova nos Jogos, um ato de extrema coragem… Conseguirá Katniss conservar a sua vida e a sua humanidade?
ATENÇÃO DAQUI PARA A FRENTE OS RESTANTES RESUMOS TERÃO SPOILERS
Em Chamas
Pela primeira vez na história dos Jogos da Fome dois tributos conseguiram sair da arena com vida. Mas o que para Katniss e Peeta não passou de uma estratégia desesperada para não terem de escolher entre matar ou morrer, para os espectadores de todos os distritos foi um acto de desafio ao poder opressivo do Capitólio. Agora, Katniss e Peeta tornaram-se os rostos de uma rebelião que nunca esteve nos seus planos. E o Capitólio não olhará a meios para se vingar… 

A Revolta
Katniss Everdeen não devia estar viva. Mas, apesar dos planos do Capitólio, a rapariga em chamas sobreviveu e está agora junto de Gale, da mãe e da irmã no Distrito 13. Recuperando pouco a pouco dos ferimentos que sofreu na arena, Katniss procura adaptar-se à nova realidade: Peeta foi capturado pelo Capitólio, o Distrito 12 já não existe e a revolução está prestes a começar. Agora estão todos a contar com Katniss para continuar a desempenhar o seu papel, assumir a responsabilidade por inúmeras vidas e mudar para sempre o destino de Panem - independentemente de tudo aquilo que terá de sacrificar…

Classificação: 4/5 Estrelas
Comentários:
Ki :
Recebi o primeiro volume da trilogia d'Os Jogos da Fome pelos meus anos em 2010, a pessoa que mo ofereceu perguntou-me três vezes se eu tinha a certeza que queria o livro pois não era nada a minha cara. No entanto o livro estava a fazer furor no GR e estava na minha wishlist há já algum tempo e por isso decidi arriscar. Acabou por se revelar uma excelente decisão.
Gosto de livros que falem de irmãs mais velhas porque sou uma e como irmã mais velha sinto-me maltratada em praticamente tudo o que são histórias. Sou sempre retratada como má, ausente, descrente, egoísta e senhora de mim mesma. Isso irrita-me porque eu não sou assim, nem me identifico com estas irmãs mais velhas que sem dúvida acabam apenas por ser um espelho das irmãs más da Cinderela e de todas as outras irmãs más dos contos de fadas.
Foi aqui que a Katniss me cativou. Irmã mais velha, meia-rebelde, independente mas ligada à família e que se preocupa verdadeiramente com a sua irmã mais nova, Prim.  No mundo de Katniss todos os jovens entre os 12 e os 18 anos estão em perigo de vida, um perigo chamado de Jogos da Fome, um jogo cruel de luta até à morte onde os jovens são obrigados pelo Estado a entrar.
O único desejo de Katniss é que a irmã esteja segura e esse desejo é esmagado quando a irmã é sorteada para os jogos, num acto de estrema coragem ela oferece-se para ir no lugar da irmã. Ao longo da trilogia esta decisão de Katniss vai segui-la pois vai moldar toda a sua vida de formas que ela jamais imaginaria, nunca vemos Katniss arrependida da sua decisão pois como irmã mais velha, ela sente que fez o que o coração lhe ditava, proteger a sua irmã.
A trilogia é crua, dura e mostra o quão indiferentes as pessoas se podem tornar aos reality shows. O Capitólio, a parte directamente ligada ao Estado, vê estes jovens matarem-se e aplaude. Para eles tudo não passa verdadeiramente de um jogo enquanto dentro da Arena, os jovens lutam para manter a sua vida, a sua sanidade e a sua humanidade. Muitos deles são crianças que apenas querem voltar para casa e para a segurança de uma vida que apesar de não ser perfeita é a única que conhecem.
Não será efectivamente uma novidade que Katniss sobrevive a estes jogos, pois os livros são contados na primeira pessoa sendo ela a narradora. A maneira como testemunhamos a sua evolução, porém, é por vezes devastadora. Ver uma rapariga tão nova e que até era feliz, dentro do que podia, ser quebrada uma e outra vez e a reconstruir-se de todas as vezes mostra-nos uma força interior que nos deve inspirar a ir mais além, a nos superarmos a nós mesmos e não nos deixarmos cair na posição de vítima.
A minha única crítica vai para o fim da série que me pareceu romantizado demais e explicado de menos e para o último livro, onde Katniss anda um pouco perdida e se torna um pouco complicado perceber o que ela está verdadeiramente a pensar e o porquê que ela age da maneira que age. Parece-me assim um pouco desconjuntado da série e lembro-me que demorei muito mais tempo a ler A Revolta do que Os Jogos da Fome e o Em Chamas.
Os Jogos da Fome são uma série de acção com um pouco de romance e muito suspense. Uma leitura sem dúvida unisexo e que pode ser aconselhada a jovens, não muito impressionáveis, pois chama a atenção para alguns problemas da nossa sociedade como a indiferença e a precariedade. Uma leitura sem dúvida recomendada!

Cláudia: Eu vim a reboque da opinião da Catarina, já que ela me falava tanto dos livros que me vi a comprar o primeiro volume sem saber ao certo o que estava a trazer para casa e porquê. E ainda bem que o fiz. É difícil descortinar o que é que uma história que envolve revolta, revolução, luta pelos Direitos Humanos consegue fazer para chegar até junto de tantas pessoas que têm adorado esta trilogia. Contrariamente ao que muitos dizem por aí, não é só pelo romance e pseudo-triângulo criado pelo meio (embora não deixe de ser uma parte importante). Diz respeito ao sentido humano que existe em cada um de nós e à força de vontade e capacidade de nos superarmos perante as adversidades, diz respeito ao amor pelo próximo e ao sacrifício pelo bem comum, diz respeito à luta contra a tirania, o preconceito e o poder desmedido. Tudo isto através de uma juventude atenta e pró-activa.
A trilogia dos Jogos da Fome foi sem dúvida uma surpresa, condensada num número bastante ínfimo de páginas encontramos uma intensidade brutal que nos agarra do início ao fim e nos deixa o coração aos saltos.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Divergent, Veronica Roth

Divergent
de Veronica Roth

Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 352
Editor: Porto Editora

Resumo:
Na Chicago distópica de Beatrice Prior, a sociedade está dividida em cinco fações, cada uma delas destinada a cultivar uma virtude específica: Cândidos (a sinceridade), Abnegados (o altruísmo), Intrépidos (a coragem), Cordiais (a amizade) e Eruditos (a inteligência). Numa cerimónia anual, todos os jovens de 16 anos devem decidir a fação a que irão pertencer para o resto das suas vidas. Para Beatrice, a escolha é entre ficar com a sua família... e ser quem realmente é. A sua decisão irá surpreender todos, inclusive a própria jovem.
Durante o competitivo processo de iniciação que se segue, Beatrice decide mudar o nome para Tris e procura descobrir quem são os seus verdadeiros amigos, ao mesmo tempo que se enamora por um rapaz misterioso, que umas vezes a fascina e outras a enfurece. No entanto, Tris também tem um segredo, que nunca contou a ninguém porque poderia colocar a sua vida em perigo. Quando descobre um conflito que ameaça devastar a aparentemente perfeita sociedade em que vive, percebe que o seu segredo pode ser a chave para salvar aqueles que ama... ou acabar por destruí-la.

Rating: 4/5 estrelas

Opinião:
O Divergente chamou a minha atenção pela capa! Eu sei que não devemos julgar um livro pela capa mas olhem para a capa deste! É um mimo! Devo confessar que além da capa, o Divergente foi votado como o segundo livro mais famoso no Goodreads em 2011, se a capa não fosse o suficiente, isso sem dúvida que captou a minha atenção.
Após ter lido alguns livros passados em sociedades pós apocalípticas (p.e. O Pacto, União, Delirium, Os Jogos da Fome) confesso que estava um pouco reticente do que ia encontrar. O livro União ficou um pouco aquém daquilo que eu esperava e tinha bastante medo que Divergete acabasse por se revelar uma experiência semelhante.
Felizmente Divergente foi de encontro a tudo aquilo que eu esperava. A história é cativante e Tris é uma personagem com a qual é fácil uma pessoa identificar-se e mais, uma personagem que conseguimos perceber. Sei que o facto do livro ser contado na primeira pessoa ajuda a que percebamos as acções de Tris mas nem sempre é assim tão fácil. Lembro-me que n'Os Jogos da Fome, Katniss tem uma fluidez mental difícil de acompanhar no segundo e terceiro livro. Não só pelo que ela viu e viveu mas também por causa da maneira como foi criada.
Tris tem a sorte de ter ambos os pais apesar de não concordar muitas vezes com o que eles fazem ou dizem, ou até mesmo de se sentir distante deles, ela sabe que eles estão lá. Ela tem também um irmão, Caleb, que apesar de também não a perceber a 100% está lá para ela. Tudo isto aliado ao facto de Tris ter tempo para pensar, visto estar segura a nível de alimentação e habitação, ajuda a que os pensamentos dela sejam coerentes e coesos. Uma pessoa não só percebe o que ela está a fazer, como o porquê dela o estar a fazer.
Divergente surpreendeu-me pela positiva, pela facilidade com a qual nos agarramos às personagens. Os adolescentes estão bem descritos e a sociedade em si é conflituosa e pacifica relembrando um pouco a nossa. Como Tris, há mais personagens que estão a passar pelo que ela está pela primeira vez, isso deixa-nos ver diferentes perspectivas de uma mesma realidade.
A história é rápida e evolvente. As simulações deixam-nos a pensar no que nós veríamos e a pergunta inicial persegue-nos o livro todo. Quando uma decisão pode afectar a nossa vida para sempre não há respostas fáceis. Entre ficar com a nossa família ou deixá-los para trás para sempre para podermos abraçar quem verdadeiramente somos, o que escolher?
Sem dúvida um livro a não perder! Com o selo de aprovação e recomendação do Encruzilhadas!

  • Divergente vai ser editado em Portugal pela Porto Editora a 10 de Maio de 2012. (Podem ler o primeiro capítulo aqui, cortesia da editora!)
  • Sairá, em inglês, a 1 de Maio de 2012, a sequela chamada Insurgent.
  • Recomendado para os fãs d'Os Jogos da Fome.
     

sexta-feira, 9 de março de 2012

Heist Society, Ally Carter

Heis Society por Ally Carter

Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 352
Editor: HACHETTE CHILDREN'S BOOKS


Resumo:

Quando Katarina Bishop fez três anos os pais dela levaram-na ao Louvre para tomarem nota do sistema de defesa do mesmo! Aos sete anos o seu Tio Eddie levou-a à Áustria, para roubarem as jóias da coroa! Katarina não cresceu numa família normal e não sendo uma pessoa normal decide aos quinze anos organizar o maior golpe da sua vida. Aliás o maior golpe que alguém na sua família alguma vez cometeu, ela decide roubar uma vida diferente para ela mesma.
Mas não é fácil sair do negócio da família, principalmente quando o nosso pai é acusado de roubar quadros que não roubou a um mafioso italiano que está disposto a matar para os ter de volta.
Decidida a salvar o pai, Katarina regressa à vida que tanto quis deixar e começa um novo golpe também nunca antes imaginado...

Rating: 4 stars

Review:
Tenho que confessar que estou a apaixonar-me pela escrita da Ally Carter, gosto das personagens femininas dela e gosto da maneira como ela lida com as relações românticas e familiares. Há uma simplicidade e ao mesmo tempo uma profundidade na escrita dela que aprecio bastante.
A Katarina é uma personagem da qual é fácil gostar pois tem as suas qualidades e defeitos muito expostos, tornando-a bastante humana. Ao contrário da série GG que é contada na primeira pessoa, aqui Carter decidiu voltar ao narrador na terceira pessoa o que neste caso é perfeito! Uma pessoa não pode apreciar uma história tipo Leverage se estiver dentro da cabeça da pessoa que está a arquitectar o plano, é muito mais interessante ver tudo de fora.
O Hale, o companheiro da Katarina, é fantástico e eles tem uma química inegável que reconhecem ao mesmo tempo que fingem de conta não reparar ter. A "família" é divertida e Katarina e Hale funcionam como os "pais" para os ladrões mais novos (o que eles dizem é lei!) enquanto ao mesmo tempo tem o Tio Eddie e o pai de Katarina como os líderes a quem pedem a "benção" antes de fazer qualquer trabalho.
De uma maneira geral apreciei bastante a Heist Society é um livro giro, principalmente para quem gosta de histórias de ladrões ou da série Leverage ou filmes do Ocean's 11. Tal como a série das GG (Gallager Girls) não existe versão em português deste livro, podem lê-lo em inglês no Scrible aqui.
Este livro já tem uma sequela chama-se Uncommon Criminals.


Book trailer:

domingo, 4 de março de 2012

Review: Only the Good Spy Young


Only the Good Spy Young
Only the Good Spy Young by Ally Carter

My rating: 4 of 5 stars

Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 304
Editor: HACHETTE CHILDREN'S BOOKS

4,5 stars

I just finish reading this book and I'm not sure my life will ever be the same. Ally Carter you sneaky writer you had this planned all along! Argh! I could kill you for being this good! I was shocked I tell you SHOCKED! beyond everything I have ever been! And Zach, argh! Woman you just give me too much to handle!
I really wish I could write something more review like but my emotions are taking the best of me so I'll stop! Can't wait for the 5th one! I have to say the 2nd was the most "weak" in the series but needed so everything could fall into place, I see that now. Even so, only 9 days until "Out of sight, out of time"...



View all my reviews

sábado, 3 de março de 2012

Review: Catarina de Aragão - A Princesa Determinada


Catarina de Aragão - A Princesa Determinada
Catarina de Aragão - A Princesa Determinada by Philippa Gregory

My rating: 5 of 5 stars

Em Portugal:

Edição/reimpressão: 2006
Páginas: 452
Editor: Livraria Civilização Editora

This was my first Phillipa Gregory book and I have to admit I bought because this princess and I share the same name. Normally I don't like this kind of book but Gregory enchanted me, I felt in love with this princess and since I didn't knew her history at all I felt her pain and I suffered with her trough out the book.
The Constant Princess is no doubt a master piece and let's a very beautiful insight in a princess that was completely forgotten or otherwise seen as a steeping stone for Anne. Now Gregory doesn't say Catherine loved Henry, no, far from that, but she shows Catherine as a woman of her word and a woman who loved too much.
Until now one of my personal favourites by Phillipa Gregory.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Se Disser que Te Amo, Vou Ter de Te Matar, por Ally Carter

Se Disser que Te Amo, Vou Ter de Te Matar
por Ally Carter

Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 304
Editor: Booksmile

O Colégio Gallagher (para Raparigas Excecionais) parece à primeira  vista uma escola típica, onde as adolescentes se  preocupam em combinar a cor da mala com o top que vão  usar, e suspiram quando um professor giro lhes sorri.
Isso até é verdade, mas o que o comum dos mortais desconhece é que nas suas malas levam câmaras ocultas e o tal professor giro dá aulas de Preparação para Missões Secretas. O Colégio garante que forma os maiores génios do país? mas na realidade é a melhor e mais conceituada escola de espias e agentes secretas. 
Cammie Morgan (ou Camaleão, como gostam de lhe chamar) é uma das miúdas de Gallagher. Passou para o segundo ano do curso e pode dizer-se que é uma ótima aluna: é fluente em catorze línguas e capaz de matar um inimigo de sete maneiras diferentes (uma das quais apenas com esparguete cru).
Mas ela é também uma adolescente. E no momento em que conhece um rapaz da cidade, que nunca poderá saber quem ela é na realidade, percebe que há questões para as quais o   Colégio não a preparou. 
Cammie está prestes a enfrentar a missão mais perigosa de sempre: apaixonar-se! Será que está preparada?


4.5 stars 

Opinião:
Os livros das Gallagher Girls são livros divertidos e cheios de acção. Cammie Morgan treina desde pequena para seguir os passos dos pais, dois antigos espiões da CIA, desde que aos dois anos e sem querer descodificou códigos da NASA que o pai trouxe para casa após uma missão. A Academia Gallagher acolhe pessoas como Cammie e dá-lhes todo o treino necessário para que se tornem as espias do dia de amanhã. 
Juntamente com as suas melhores amigas e irmãs de sangue, a britânica e calmeirona Bex e a pequena e estudiosa Liz, não há missão que Cammie ache impossível de realizar. Isto até durante uma aula prática de CoverOps onde por acaso capta a atenção de um rapaz. Um rapaz normal que acha, como toda a gente, que a Academia Gallagher é para meninas ricas e mimadas. Espantada pois é conhecida por ser uma camaleoa, Cammie dá por si a apaixonar-se por um rapaz que não deve e a começar a maior CoverOp da sua vida. O fingir que é uma rapariga completamente normal, o que não seria difícil não fosse ela e as amigas poderem aceder aos e-mails, conversas telefónicas e tudo o mais que quisessem da vida do rapaz em questão...
As Gallagher Girls são raparigas e creio que isto acaba por ser o tema central da história e que efectivamente faz uma pessoa rir. De que vale conseguir desactivar bombas ou deitar abaixo qualquer pessoa em dois golpes se não se consegue parar de tremer enquanto se fala com um rapaz? E já agora perceber o que eles dizem porque eles falam uma língua totalmente diferente do português, (a Lizz está a criar um tradutor para as ajudar nesse campo).
A autora tem uma escrita leve e bastante divertida e as próprias amigas da Cammie, Bez e Lizz são também bastante cómicas, quando Macey se junta ao grupo e se torna a tradutora de rapazes oficial, as conversas e relatórios de operações tornam-se para lá do cómico. Ri-me imenso com este livro e já devorei os segundo e terceiro volumes em inglês.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Sorrisos de Bombaim, de Jaume Sanllorente

 



Edição/reimpressão: 2010 
Páginas: 168
Editor: Sextante Editora,Lda
 
 
"Depois de conhecer um pequeno orfanato que se prepara para fechar as suas portas colocando quarenta crianças na rua e nos prostíbulos da cidade de Bombaim, Jaume Sanllorente toma a decisão que mudará o resto da sua vida. E, em consequência disso, mudará as vidas de muitas outras pessoas. O seu destino está agora inscrito nas paredes de Bombaim. Uma lição de amor, entrega, sacrifício e esperança que nos convida a percorrer o caminho para um mundo melhor."



Enganem-se os que lêem a sinopse deste livro. É tudo o que está lá escrito mas é muito mais e muito mais apaixonante. Mas primeiro, o porquê da sua escolha. Aqui há um mês, em conversa sobre projectos de voluntariado e de intervenção social, falaram-me deste livro. Quando começaram a referir a obra do seu autor, lembrei-me que já o conhecia, e mais!, já conhecia o seu trabalho. Tive a oportunidade de assistir a uma intervenção nas Conferências Anuais de Voluntariado da Galiza em Novembro e lembro-me que durante uma hora fiquei arrebatada a ouvir Jaume contar o seu projecto. A sua presença em palco e optimismo, a paixão e o arrebatamento que a sua apresentação causava fez-me desligar os phones de tradução e ouvi-lo falar na sua língua-mãe, no catalão, já que metade da sua mensagem perdia-se pela voz do tradutor.

Foi então com expectativa que comecei este livro e fiquei apaixonada. Não o julguem pelo tamanho diminuto ou por uma narrativa que pode soar ligeira ao inicio porque todo o seu seguimento marca, faz-nos parar e pensar, faz-nos meditar e avaliar o que afinal sabemos nós sobre uma realidade tão adversa como a Índia. E o que sabemos nós sobre dedicação ao próximo sem o fazer por caridade mas por inspiração, por missão.

Ao longo de cada página, Jaume tenta captar o leitor para a realidade e fazer-se passar invisível, mas felizmente para quem o lê, a sua humildade e amor à causa não passam despercebidos e ainda bem. Porque o que ele relata, todo o fantástico projecto dos Sorrisos de Bombaim a si se deve.

A índia não é fácil, pelo menos a que fica para lá dos postais turísticos, e ainda que ele a traga viva para os nossos olhos, fá-lo sempre com uma lição maior que ele e nós. Dei por mim muitas vezes a imaginar este homem com vinte e poucos anos a deparar-se com estas realidades adversas, com histórias de vida difíceis; e a compará-lo com a pessoa que vi comunicar há uns meses, questionando-me como é que era possível que aquela energia e optimismo se suplantassem a nove anos de uma índia burocrática e geralmente nada solidária. É um feito pessoal imenso, ao qual se juntam capacidades de um jornalista perspicaz, que nos leva numa direcção sem ser paternalista, discriminatório ou ofensivo, mas que obriga à reflexão interna de cada um.

Li-o numa tarde mas aconselho que o façam com mais tempo, já que a força da sua narrativa apela a uma leitura cuidada e a momentos de reflexão.

Adorei, e se pudesse o que sei hoje sobre todo o processo que ele desencadeou, acreditam que o meu entusiasmo com a sua presença na Corunha não poderia ser menor.