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segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Opinião: O Silêncio da Chuva de Verão, de Dinah Jefferies



O Silêncio da Chuva de Verão
Dinah Jefferies
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas 352
Editor: Topseller
  




 
Sinopse: 
Rajputana, Índia, 1930. Desde a morte do marido que a jovem inglesa Eliza vive para a fotografia. Determinada a estabelecer o seu nome, ela aceita um convite do governo britânico para retratar a vida da família real indiana no Estado de Juraipore, de forma a enaltecer a influência da Coroa Britânica.
No palácio real, Eliza conhece Jayant, irmão mais novo do marajá, que a leva a conhecer uma terra marcada por contrastes: de um lado, paisagens de beleza incomparável e uma cultura rica e vibrante, e do outro, a mais devastadora das misérias.
Durante a viagem, Eliza desperta Jayant para a pobreza do povo indiano, ao mesmo tempo que ele lhe mostra a face negra do domínio britânico na Índia. Até que, numa revelação quase kármica, os dois descobrem que estão profundamente ligados e apaixonam-se.
Mas com a família real e os britânicos a oporem-se à sua relação, conseguirão Eliza e Jayant libertar-se das obrigações e cumprir o seu destino?
Uma história sobre um amor genuíno que enfrentará o peso dos costumes e da tradição no coração da Índia colonial.
Primeiras páginas aqui.

Rating: 3.5/5
Comentário: Sempre tive uma paixão enorme pela História e pelo Mundo em geral e dou por mim muitas vezes a ler ficção e relatos que abordem as vivências dos países colonizados e das contradições e contrastes entre ocupantes e ocupados. As sensibilidades culturais, as nuances narrativas e as ópticas de abordagem aos mesmos problemas, assim como a capacidade de envolvimento de pessoas de diferentes realidades mas com os mesmos valores e emoções é sempre uma descoberta e uma aprendizagem imensa. É especialmente por gostar de História que também tenho ciente que muitas vezes só surge uma compreensão de momentos e factos quando todas as versões são analisadas, porque as versões que perduram no tempo são sempre as dos vencedores ou dos mais hábeis a comunicar.
Estes foram alguns dos factores que me fizeram escolher "O Silêncio da Chuva de Verão". Já conhecia a autora desde "A Mulher do Plantador de Chá", e embora tenha sentido falta de um maior relato da vivência local do país onde passava a narrativa (naquele caso, o Ceilão) quis dar uma nova oportunidade à autora.
De facto, neste livro a Índia é também uma personagem por si, e ganha o destaque devido, onde não lhe falham as crenças e as idiossincrasias de um país que quer crescer mas também se vê subjugado a uma potência imperial que se julga e actua como superior. É um relato com cheiros, cor, magia e sons, misticismo e debates político-sociais, com apresentações dos dois lados da mesma moeda e das diferenças que uma coexistência forçada podem trazer.
Quanto ao enredo principal, não há como negar que se trata de um romance feito para deliciar e entreter os leitores, com toques certeiros entre mistério e paixão, descrições e momentos intensos, e que trazem uma história completa que balança obrigações familiares com vontades pessoais, necessidade de auto crescimento com obstáculos estruturais, tentativas de superação e compreensão do papel do Ser Humano no ecossistema global que gere as ligações entre Homem, Natureza, País e Crença.
Dinah traz-nos personagens interessantes, com profundidade q.b., que se completam através do meio em que vivem e no qual interagem, que as incorporam de maior significado.
Ainda assim, há espaço para o seu desenvolvimento de forma a que não representem só modelos societais, mas que se governem por personalidades individualizadas. Faltou espaço de crescimento de algumas, especialmente num ambiente rico como o do palácio, o qual não foi explorado devidamente. Mesmo a Índia, que se assume quase como um ser de vontade e força maior, é descrita e enunciada frequentemente, embora só seja explorada de forma ligeira com pequenas explorações pontuais por parte das personagens.
Um dos momentos mais idílicos que consta neste romance é precisamente o período da Monção, para o qual é despertado constantemente o interesse do leitor e das personagens e quando chega em pleno, ocupa espaço de narrativa que lhe é adequado. Faltava uma maior força das descrições para que a sua punjança fosse mais certeira, mas permitiu uma conjugação enternecedora e de desfecho.
Dinah Jefferies gosta de viajar pela Ásia e de abordar vários países que lhe falem ao coração. Sinto que a autor nos quer colocar a suspirar por aquele canto do Globo e que mesmo com algumas falácias pelo meio, vai conseguindo cativar o leitor para as paisagens, a vivência e os olhares que, não sendo seus, passam a brilhar também no seu imaginário.



Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Opinião: A Ilha dos Segredos, Nadia Marks



A Ilha dos Segredos
Nadia Marks
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas 304
Editor: Clube do Autor (Noites Brancas)
  




Sinopse: 
Muitas vezes, a vida corre ao contrário do planeado. Anna sabe-o melhor do que ninguém. Por isso, a viagem até à ilha onde estão as suas raízes promete dar-lhe a força de que tanto precisa. Na Grécia, Anna irá enfrentar a história desconhecida da sua família e descobrir mistérios enterrados há mais de cinquenta anos.
Nessa ilha paradisíaca do mar Egeu e à sombra dos limoeiros da casa de família, Anna irá confrontar-se com segredos dolorosos, histórias antigas e sensações adormecidas.
A Ilha dos Segredos é um romance sobre como o passado, o afeto pelos outros e a liberdade podem curar as feridas mais profundas.
«O grego antigo tem quatro palavras distintas para amor: agápe, eros, philía e storgé. Poderá afinal existir uma?»

Rating: 2.5/5
Comentário: Este ano estive com um apetite imenso por livros de verão, e a capa da "Ilha dos Segredos" chamou por mim desde que a vi. Acabei por ler as primeiras páginas e achei que poderia ser uma leitura muito interessante.
Ia iniciar a minha leitura no momento em que se deu a tragédia dos incêndios florestais na Grécia, e senti-me inibida de aproveitar estas paisagens por prazer, sabendo a dor e a dificuldade que estavam a viver os gregos ao momento.
Nesse sentido, optei por esperar mais umas semanas até pegar nele. Infelizmente, as minhas esperanças saíram algo defraudadas, porque contrariamente ao esperado, este livro não se enquadra nada nos clichés (que geralmente pedem-se para ser evitados, mas que curiosamente os procurava desta vez).
Ao iniciar-se num de tom de reconto do passado, esperamos por uma redenção das personagens ao descobrirem novos caminhos e desafios para além dos que a vida já premeditou. Esperamos também que esse tom seja circunscrito à contextualização do inicio da história e permita espaço para as personagens crescerem. Infelizmente, Nadia Marks não o concretizou da melhor forma. Uma narrativa cheia de potencial ficou balizada por uma escrita que me pareceu quase infantil e mais facilmente encontrada no reconto das histórias e das lendas do que num romance que pretende intuir profundidade e criar empatia com o leitor. As histórias das personagens foram sobejamente tratadas com leviandade, até as que exigiam uma maior preocupação e análise por parte do leitor. Não consegui, por isso, entregar-me à narrativa em nenhum momento nem torcer ou sentir as dores de nenhuma delas.
Não obstante, dou pontos à autora ao tentar incutir uma lógica narrativa diferenciada, por querer trazer conteúdo e não validar o enredo somente como uma história de amor. E julgo que teria sido muito bem conseguida se esta a tivesse trabalho de melhor forma. Não o tendo feito, e por tratar e levar a história toda pela rama, senti que mais valeria manter-se no registo tradicional dos romances femininos e levar à conclusão de uma história envolvente e emocionante. Infelizmente, "A Ilha dos Segredos" não me encheu as medidas.



Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Resultado do Passatempo: Limões na Madrugada

A Cultura Editora começou a sua actividade no ano passado, e desde então não pára de mandar cartas. Desde uma série de escritores e escritoras de mão cheia até livros com imensa qualidade! É por isso um prazer seguir de perto o seu trabalho, e estejam atentos ao que poderá vir no futuro, porque a lista de novos autores só pode vir a crescer (já agora, quem é que anda de olhos no novo livro do Nuno Nepomuceno, "Pecados Santos"? ;)). 

Mas é para falar da Carla M. Soares que aqui estamos. Acompanho o trabalho da autora desde o início e estes últimos trabalhos em particular têm um gosto especial porque pude acompanhar o seu processo de concretização de perto. Nesse seguimento, por um enorme prazer conseguir trazer-vos um passatempo com o mais recente livro da autora, "Limões na Madrugada". O passatempo teve imensas participações, o que só demonstra que este livro é uma aposta ganha. Aos não vencedores, não deixem de o procurar numa livraria perto de vocês! 

Mas sem mais conversa, porque o que querem é descobrir quem é o vencedor, aqui fica o resultado: parabéns Mazé Moura, o livro segue para Ermesinde muito em breve! Aos restantes, obrigada por se manterem desse lado nos últimos 8 anos, e espero que continuemos a partilhar opiniões e novas leituras em conjunto durante muito mais tempo! 


sábado, 8 de outubro de 2016

Opinião: O Projecto Rosie, de Graeme Simsion



O Projecto Rosie, de Graeme Simsion

Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 272
Editor: Editorial Presença






Resumo: Don Tillman decide que está na hora de casar. Só falta escolher a mulher perfeita.
Don é um professor de Genética brilhante mas, por ser pouco sociável, considera que a forma mais simples de encontrar uma companheira consiste em elaborar um questionário. Cria o algoritmo perfeito que permite excluir as candidatas inapropriadas e, assim, evitar incidentes como os que viveu no passado.
Rosie Jarman, apesar de bonita e inteligente, tem todas as características que Don desaprova e é desqualificada de imediato. No entanto, Rosie procura Don por outros motivos e este aceita ajudá-la.
Divertido e comovente, O Projeto Rosie demonstra que o amor desafia toda a racionalidade.
O Projeto Rosie é um bestseller do New York Times, que vai ser adaptado para o cinema. Uma história de amor como não há igual!

Rating: 4/5

Comentário:  Estava há muito tempo tentada com este livro (anteriormente editado pela Divina Comédia Editores, e presentemente pela Editorial Presença) e como está na altura de começar a acabar com livros por ler cá por casa, achei que era o momento ideal. O enredo é exactamente o que esperava e diverti-me imenso numa leitura animadora e casual, mas repleta de momentos singulares que a tornaram mais minuciosa do que parecia inicialmente.
Don é a personagem que assume o papel de narrador, o que torna tudo mais desafiante. De um momento para o outro, passamos a ver o mundo através de um olhar masculino, objectivo e incapacitada de ler sentimentos. É factual, objectivo mas também curioso, constante e acutilante. A parte mais interessante do exercício do leitor passa mesmo por ver além do que nos é inicialmente fornecido, de saber além das ilações desta personagem particular e construir o cenário mais vasto que lhe escapa ao olhar. Adorei fazer esta transposição constante, tanto aquando da sua análise enquanto individuo como derivada das confusões e mal entendidos do contacto com terceiros.
É esta objectividade que o leva na demanda de procurar uma mulher, num processo tão escrutino e opressivo para o sexo feminino (embora naturalmente lhe passe despercebido) que naturalmente lhe trará diversas peripécias. São depois as suas interpretações do processo, assim como dos conselhos dos amigos que os encaminham numa avalanche de hilariantes situações, muitas delas sucedâneas e com consequências imprevisíveis.
Já Rosie é exactamente o oposto: mais rebelde e disruptiva ao seu olhar (de Don, leia-se) do que realmente é, com um coração doce mas assertiva e destemida, acaba por furar uma certa carapaça à incompreensão social que sempre o assistiu. É portanto um prazer ver o florescer desta relação, muito longe de qualquer objectivo romântico, e a compreensão de que o amor nunca é o esperado e nem nos apaixonamos por quem queremos, mas por quem apela ao melhor de nós.
E é a junção destas duas personagens com uma série de outras, que acabam por se assumir como impulsos constantes para bem da narrativa principal, que tornam toda a construção mais fluída, mas inconstante, a pulular de pequenas novas ideias e com uma enorme capacidade de criar um enredo mais denso e apropriado a uma leitura que não se quer somente unidimensional. 
É uma narrativa com vários momentos caricatos, desafios constantes conduzidos pela mente acutilante desta personagem maravilhosa e uma leitura que se torna doce, sem ser melosa, romântica sem clichés, divertida sem exagero e com um toque muito especial de originalidade.


                                         

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Opinião: Cartas por um Sonho, de Ángeles Donate


 Cartas por um Sonho, de Ángeles Donate

Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 376
Editor: Suma de Letras

Resumo: O Inverno chega a Porvenir e traz com ele uma má notícia: a estação de correios vai fechar e o pessoal vai ser transferido para a cidade. Quem precisa de um carteiro num mundo onde já não se escrevem cartas?
Cartas Por Um Sonho é um livro comovente, encantador e cheio de ternura, onde, através da corrente de cartas, vão desfilando personagens do nosso quotidiano, todas elas com os seus sonhos, a sua história, mais ou menos triste, as suas frustrações.





Rating: 3/5

Comentário: Este livro é uma pequena delícia. Adoro cartas, recebê-las, escrevê-las, lê-las e encontrá-las no correio. Nos dias mais cinzentos, chegar a casa e encontrar um pedaço de alguém que agora também é nosso transposto para o papel pode fazer milagres. É uma delicadeza especial, que valoriza o tempo gasto por quem a escreveu e a atenção em fazê-lo de uma forma memorável. Aposto que não se lembram do que dizia um email escrito ontem, mas a carta recebida no mês passado ainda está presente nas vossas mentes!
É precisamente este amor à escrita epistolar que fundamente este pequeno livro, que se passa na pequena aldeia de Porvenir.
Num processo continuado e ao qual já nos habituámos, Porvenir é uma memória de outros tempos, abandonada pelos mais novos e aventureiros à procura de uma vida melhor já não encontrada nas profundezas de uma terreola simpática mas sem oportunidades, com registos do tempo nas paredes antigas, nas ruas empredredadas e na memória dos que ficaram para trás, por opção (muito poucos) ou porque a vida se encaminha para um fim recostado, onde não existe melhor lugar para descansar que o espaço da infância e das memórias embaladas.
Ao grupo dos teimosos (ou persistentes) junta-se Sara, a carteira local que vê a sua resiliência ameaçada pela necessidade de fechar o posto de correios locais e deslocar o seu posto de trabalho para uma das cidades na envolvência.
É então que uma iniciativa levada a cabo por uma aldeã promove uma cadeia de cartas peculiar e anónima, que gera uma ligação entre vários membros da aldeia (e visitantes ocasionais) numa cadeia  ternurenta, cuidada, com intenção de surpreender e também libertadora.
Reunindo pessoas tão diferentes nesta experiência inesquecível, as razões que levam a que cada um se junte ao processo, muito mais do que o lado solidário que a motiva, são bocadinhos a descobrir. Sentimentos de pertença, solidão, desejos de comunicar, necessidade de desabafar e criar ligações (mesmo que efémeras) são algumas das motivações de cada elemento desta série. E que ainda se tornam mais especiais ao longo de todo o livro, onde não só a sua carta é demarcada, como é possível ter acesso a mais elementos da vida de cada personagem e que tornam o processo escrito ainda mais especial.
Paralelamente, a vida na aldeia continua e algumas personagens tornam-se mais visíveis, assim como as suas interações com os restantes que por lá habitam, criando uma mescla de situações típicas de uma localidade pequena, mas sempre num espírito de entreajuda, companheirismo e procura da felicidade nos mais pequenos pormenores.
Angeles Donate traz-nos um livro pequenino e enternecedor, cheio de momentos de embalo que nos colocam um sorriso no rosto e nos lembram de que ainda há pureza nas pessoas e que esta merece ser protegida das desavenças e da maldade alheia. Gostei bastante!

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Opinião: A Livraria dos Finais Felizes, de Katarina Bivald



A Livraria dos Finais Felizes,               de Katarina Bivald

Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 528
Editor: Suma de Letras
  





Resumo: Se a vida fosse um romance, o da Sara certamente não seria um livro de aventuras. Em vinte e oito anos nunca saiu da Suécia e nenhum encontro do destino desarrumou a sua existência. Tímida e insegura, só se sente à vontade na companhia de um bom livro e os seus melhores amigos são as personagens criadas pela imaginação dos escritores, que a fazem viver sonhos, viagens e paixões. Mas tudo muda no dia em que recebe uma carta de uma pequena cidade perdida no meio do Iowa e com um nome estranho: Broken Wheel. A remetente é uma tal Amy, uma americana de 65 anos que lhe envia um livro. E assim começa entre as duas uma correspondência afetuosa e sincera. Depois de uma intensa troca de cartas e livros, Sara consegue juntar o dinheiro para atravessar o oceano e encontrar a sua querida amiga. No entanto, Amy não está à sua espera, o seu final, infelizmente, veio mais cedo do que o esperado. E enquanto os excêntricos habitantes, de quem Amy tanto lhe tinha falado, tomam conta da assustada turista (a primeira na história de Broken Wheel), Sara decide retribuir a bondade iniciando-os no prazer da leitura. Porque rapidamente percebe que Broken Wheel precisa de um pouco de aventura, uma dose de auto-ajuda e, talvez, um pouco de romance. Em suma, esta é uma cidade que precisa de uma livraria. E Sara, que sempre preferiu os livros às pessoas, naquela aldeia de poucas gente, mas de grande coração, encontrará amizade, amor e emoções para viver. E finalmente será a verdadeira protagonista da sua vida.




Rating: 3/5

Comentário: Este livro deixou-me curiosa. A capa era engraçada, a sinopse prometia uma narrativa divertida, sobre livros e pessoas, e a descoberta do mundo através das páginas e além delas.
Pareceu-me uma óptima leitura de verão e para desanuviar a cabeça de stresses e preocupações.
De todas as opiniões que li sobre ele, após término da leitura, há algo que é comum a todas: o facto de que existe uma espécie de divisória narrativa, que cria duas abordagens diferencias ao enredo.
Sarah é a condutora de ambas e permite definir uma imagem mais complementar sobre si, ainda que para isso se descure dos restantes em algumas situações que mereciam um detalhe mais atento. Mesmo que tratando-se de um livro para enternecer, a partir do momento em que se colocam elementos correspondentes a narrativas secundárias com alguma necessidade de profundidade, deixá-las ao abandono não é de todo uma boa solução.
A primeira parte do livro centra-se nesta estranha amizade interrompida, entre Sarah e Amy, cujas cartas colocadas no início de capítulo deram uma nuance muito pessoal e aconchegante, Quem nunca, enquanto leitor, vibrou com a possibilidade de discutir e sugerir livros, mesmo que com alguém que só conhecemos à distância? É esse o ponto de partida de uma deliciosa aventura, à qual Sarah se propõe não sem hesitar e com receio.
Embora perceba a construção da narrativa em volta desta personagem ao início, assim como o seu isolamento e refúgio algo exacerbado nos livros, confesso que em parte me irritou, porque me senti por vezes mais na presença de uma caricatura do que é um leitor do que o resto. Tudo o que é demais enjoa, assim também se aprende ao longo destas páginas, mas para alguém que adora livros como eu (ou não tivesse criado um blogue literário), a ideia de que eles dominem completamente a nossa vida, em que percamos a nossa identidade em detrimento de personagens e  aventuras, parece-me exagerado e pouco saudável. E até certas situações, que eu como leitura também vivo, apresentadas pelos olhos completamente (vidrados e) literários da Sarah me pareceram ridículos. Mais uma vez, não se trata da análise de amor e paixão por um hobby, mas que esse amor e paixão nos torne num ser uni dimensional.
Depois, esse amor por livros leva-a muitas vezes a fazer referências a outros - muitos clássicos - mas revelando-nos o enredo, e acabando por estragar a leitura a muitas pessoas que ainda não os leram. O facto de estarem publicados há dezenas ou centenas de anos não justifica ainda assim a enxurrada de spoilers por si trazidos.
Em continuidade, a segunda parte da narrativa revelou-se para mim mais interessante. Em primeiro lugar, porque finalmente temos acesso privilegiado a uma série de personagens secundárias diferentes que contribuem para a caricatura local e tornam o livro extremamente bem-disposto e divertido. Em segundo, porque ocorrem maiores interacções entre personagens, e porque vemos uma cidade florescer aos olhos de uma narrativa cómica e bem-disposta, onde tudo não é o que parece, mas que no seu conjunto folclórico, irrealista e até por vezes disparatado, vemos surgir um conjunto de pequenas histórias que se interligam mais ou menos, mas que demonstram que naquela cidadezinha decrepita, ignorada pelos seus pares, existem abelhinhas solitárias que divagam sobre sonhos e futuros, e que reafirmam que ainda que com um ar meio abandonado, Broken Wheel não está assim tão danificada que não fervilhe de vida, mesmo que seja sob a superfície.
Claro que o romance que se lhe juntou foi rápido, incoerente e irrealista, mas também não tenta ser outra coisa e sendo esse o objectivo deste livro, está extremamente bem conseguido, No fundo, é o famoso filme de domingo à tarde em versão literária, que contribui para colocar um sorriso no rosto e para fugir de uma realidade por vezes pouco luminosa.
Para finalizar, há que regressar à temática dos livros, uma vez que Katarina Bivald volta a uma teoria que acho mais do que interessante, uma das que apoio com certeza: o facto de que nem todos têm de gostar de ler, mas que muitos não gostam porque não acharam o seu nicho literário ainda. E que esse nicho não tem género ou idade, desde que nos satisfaça a curiosidade e desperte prazer. Foi portanto especial ver vários elementos da comunidade a descobrirem os seus livros, os seus géneros, e a quebrar barreiras e preconceitos sobre o que é que devemos ou não ler. Em última instância, um livro sobre livros nunca poderia ser mau!



Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Opinião: Perdida, de Carina Rissi



Perdida
de Carina Rissi
 
Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 352
Editor: Topseller
  
Leiam as primeiras páginas aqui. 


Resumo: E se o amor da sua vida apenas existisse no século XIX?
Perdida é uma história divertida, apaixonante e intensa, que vai querer devorar até à última página.
Sofia é uma jovem de 24 anos que vive numa grande cidade e está habituada à sua vida independente e moderna. Divertida, mas solitária, Sofia não acredita no amor, convencida de que os únicos romances da sua vida são aqueles que os livros lhe proporcionam.
Porém, após comprar um telemóvel novo, algo misterioso acontece e Sofia descobre que está perdida no século XIX, sem saber como ou se poderá voltar para sua casa, para o «seu» século. Enquanto tenta encontrar uma solução, é acolhida pela família Clarke, à qual, à medida que os dias passam, se afeiçoa cada vez mais.
Com a ajuda do prestável e lindo Ian Clarke, Sofia embarca numa busca frenética e acaba por encontrar pistas que talvez a ajudem a regressar à sua vida.
O que ela não sabe é que o seu coração tem outros planos, e que a ideia de deixar o século XIX pode vir a tornar-se angustiante?
Aviso aos leitores: Este romance pode afetar gravemente a sua perceção pessimista da realidade. Provoca gargalhadas e a vontade imparável de mais e mais. Os seus personagens são como os filhos: quanto mais disparates fazem, mais gostamos deles. Cuidado com os corações: podem começar a sentir estranhas vontades incontroláveis. - See more at: http://marcador.com.pt/conteudo/309-a-felicidade-e-um-cha-contigo#sthash.g2jMvJ7t.dpuf
Aviso aos leitores: Este romance pode afetar gravemente a sua perceção pessimista da realidade. Provoca gargalhadas e a vontade imparável de mais e mais. Os seus personagens são como os filhos: quanto mais disparates fazem, mais gostamos deles. Cuidado com os corações: podem começar a sentir estranhas vontades incontroláveis. - See more at: http://marcador.com.pt/conteudo/309-a-felicidade-e-um-cha-contigo#sthash.g2jMvJ7t.dpuf

Rating: 3/5

Comentário: Carina Rissi é uma autora brasileira que se estreia agora em Portugal com "Perdida", pela mão da Topseller. Em primeiro lugar, desde o pequeno vídeo de apresentação do livro à pequena nota introdutória que ela dedicou aos leitores portugueses, tenho de ressalvar a simpatia da autora. Não é todos os dias que nos deparamos com estes pequenos gestos de atenção, mesmo que seja para nos convencer a comprar e ler um livro. Já sobre o exemplar em causa, "Perdida" unia todos os factores para me agarrarem à narrativa e não me enganei, o livro acabou por se tornar um agradável "guilty pleasure".
Adoro narrativas que envolvam viagens no tempo e as mesclas temporais entre passado/presente, e por vezes futuro também. Por esse motivo fiquei empolgada com a premissa que a sinopse nos trazia. A construção para o universo alternativo foi apressada, mas os poucos elementos fornecidos nas primeiras páginas tornaram-se suficientes para compreender a realidade de onde provinha uma personagem como Sofia e compreender melhor a sua estrutura, uma vez que a passagem para outro elemento temporal só sairia mais beneficiada quando avaliadas as transformações de realidade, expectativas e necessidades desta personagem, juntando às alternações de época e elementos caracterizadores disponíveis.
Já a transposição para o mundo alternativo foi entusiasmante,embora parca para mim. A História é um dos meus grandes interesses, e como tal precisava de mais alguns elementos temporais, que não proviessem somente da crónica de costumes. Naturalmente não era objectivo do livro narrar exaustivamente elementos da História do Brasil mas umas referências aqui e ali teriam sido bem-vindas. Não digo que não as haja de todo, mas são muito discretas.
Sofia é uma personagem sem papas na língua, cuja caricatura é pojada de humor (especialmente se atendermos como é tida como recatada numa época e extremamente ousada na outra), embora pudesse ter mais um elemento ou outro que tornasse a sua personalidade mais tridimensional (especialmente por serem realizadas referências sobre a sua vida pessoal que poderiam ou ter sido exploradas, ou expostas na sua personalidade). Já Ian Clarke é o cavaleiro galante, típico destes enredos, mas nem por isso menos enternecedor.
Valem também as personagens secundárias que trazem uma narrativa mais multidimensional, com apontamentos de ironia e humor, para além de uma enorme panóplia de costumes sociais que daria para explorar só por si.
"Perdida" é aquele livro ligeiro, divertido, atrevido mas delicioso de ler num final de dia complicado e um bom remédio para o stress. Foi uma leitura bem agradável e bastante boa dentro do género.
Julgo que poderia ter evitado o excesso de cliché da última parte do livro, em que um excesso de dramatismo retirou o prazer ligeiro que o acompanhou até então, mas encaro-o como um mal menor.
Para os e as fãs do género, este é o primeiro livro de uma trilogia, que eventualmente poderá vir a ser publicada na totalidade em Portugal, pelo que podem ficar descansados/as que a narrativa da Sofia e do Ian não termina por aqui. No entanto, não há propriamente uma necessidade de os continuar, porque o final deste livro nos traz um fecho da narrativa contada. Julgo que para mim a história destes dois personagens termina por aqui, mas não percam a oportunidade de os conhecer.

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projecto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Opinião: A Felicidade é um Chá Contigo, de Mamen Sánchez



A Felicidade é um Chá Contigo
de Mamen Sánchez
 
Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 284
Editor: Marcador
  




Resumo: Este romance pode afetar gravemente a sua perceção pessimista da realidade. Provoca gargalhadas e a vontade imparável de mais e mais. Os seus personagens são como os filhos: quanto mais disparates fazem, mais gostamos deles. Cuidado com os corações: podem começar a sentir estranhas vontades incontroláveis.

Cinco mulheres desesperadas, um inglês desparecido, um inspector muito pouco seguro e muito chá, são apenas alguns dos ingredientes deste livro delicioso.
Em A Felicidade é Um Chá Contigo o inexplicável desaparecimento de Atticus Craftsman é o mote para uma intricada história de contornos dúbios e quase inenarráveis, com bruxedos, revistas literárias e muitas tapas.
O inspector Manchego está encarregue de desenredar esta trama na qual a comédia romântica se entrelaça com o drama mais ternurento, e a intriga policial dá lugar ao maior achado literário de todos os tempos. Aquilo que parece difícil acaba por ser tornar fácil e todos os problemas se afogam num mar de lágrimas… de tanto rir. Tudo isto para chegar à conclusão de que, aconteça o que acontecer, o amor consegue explicar tudo.
Aviso aos leitores: Este romance pode afetar gravemente a sua perceção pessimista da realidade. Provoca gargalhadas e a vontade imparável de mais e mais. Os seus personagens são como os filhos: quanto mais disparates fazem, mais gostamos deles. Cuidado com os corações: podem começar a sentir estranhas vontades incontroláveis. - See more at: http://marcador.com.pt/conteudo/309-a-felicidade-e-um-cha-contigo#sthash.g2jMvJ7t.dpuf

Aviso aos leitores: Este romance pode afetar gravemente a sua perceção pessimista da realidade. Provoca gargalhadas e a vontade imparável de mais e mais. Os seus personagens são como os filhos: quanto mais disparates fazem, mais gostamos deles. Cuidado com os corações: podem começar a sentir estranhas vontades incontroláveis. - See more at: http://marcador.com.pt/conteudo/309-a-felicidade-e-um-cha-contigo#sthash.g2jMvJ7t.dpuf


Aviso aos leitores: Este romance pode afetar gravemente a sua perceção pessimista da realidade. Provoca gargalhadas e a vontade imparável de mais e mais. Os seus personagens são como os filhos: quanto mais disparates fazem, mais gostamos deles. Cuidado com os corações: podem começar a sentir estranhas vontades incontroláveis. - See more at: http://marcador.com.pt/conteudo/309-a-felicidade-e-um-cha-contigo#sthash.g2jMvJ7t.dpuf
Aviso aos leitores: Este romance pode afetar gravemente a sua perceção pessimista da realidade. Provoca gargalhadas e a vontade imparável de mais e mais. Os seus personagens são como os filhos: quanto mais disparates fazem, mais gostamos deles. Cuidado com os corações: podem começar a sentir estranhas vontades incontroláveis. - See more at: http://marcador.com.pt/conteudo/309-a-felicidade-e-um-cha-contigo#sthash.g2jMvJ7t.dpuf
Rating: 4/5

Comentário: Há muito tempo que não lia um livro tão bem-disposto como "A Felicidade é um Chá Contigo"! Não sou de me emocionar ou rir facilmente enquanto leio, mas o sentido de humor satírico e incoerente, pateta e atrevido neste livro foi de tirar o chapéu.
Confesso que o que me chamou inicialmente a atenção foi a capa (sim, não deveremos deixar-nos somente levar pelas capas, mas eu também gosto de capas bonitas!), seguida do aviso bem destacado de que este livro afectaria a tal visão pessimista da realidade. Algo que contrarie as precaridades mais cinzentas do quotidiano para mim será sempre bem-vindo e portanto fiquei a ansiar que chegasse cá a casa. E se juntarmos ao leque o facto de o enredo se centrar no mercado editorial, parecia-me uma aposta ganha. E não me enganei!
Mamen Sánchez traz-nos mais do que a promessa do livro divertido e da lufada de ar fresco, com uma nuance de paródia, construção caricata e enorme sentido de humor. Mas o que se inicia como uma mostra de pequenos clichês - ainda que muito bem encaixados - acaba por sobrelevar-se e transformar-se num romance que se supera a si mesmo, cheio de particularidades que nos agarram a cada linha e que tornam toda a leitura especialmente deliciosa.
Apesar de ser escrito por uma autora espanhola, senti um certo enraizamento de tendências provenientes de todos os romances escritos por autoras da América Latina que me acompanharam na adolescência. Por esse motivo aconselho-o a quem se deixa enaltecer pelas linhas redigidas por Isabel Allende ou Laura Esquivel. Não porque sejam iguais, mas porque se denota uma inspiração em algumas das suas linhas mais tradicionais, como o misticismo feminino (e a forma como a vida conspira contra ou a favor de mulheres diferenciais mas pujantes para uma narrativa emotiva, de força e uma certa conspiração), as sociedades matriarcais (mesmos nos ambientes onde se prevê a presença de um sexismo inegável) que tecem as respostas que às vezes o destino nega, uma certa sensualidade erótica insinuada em curvas e essências sem se tornar demasiado impositiva e um sentido expressivo e lírico, mesmo que no discurso coloquial de uma narrativa ligeira.
Mas é muito mais do que um romance feminino, embora seja o género que dita a narrativa. É divertido, insinuante, numa cadeia sucessiva de ações e consequências hilariantes e com personagens tão bonacheironas, insanas e tridimensionais (contrariando a primeira imagem criada) que não quis perder pitada até à última página.
Foi um bombom de Páscoa desembrulhado em dois dias e o livro que mais me satisfez nos últimos meses! A sério, procurem-no nas prateleiras das livrarias porque vale bem a pena!

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Opinião: Um Desejo por uma Estrela, Trisha Ashley



Um Desejo por uma Estrela
de Trisha Ashley
 
Edição/reimpressão: 2015 
Páginas: 468
Editor: Quinta Essência
  




Resumo: 
A vida de Cally, mãe solteira, gira em torno da filha Stella. Já se conformou com o facto de que o único romance que vai viver é o das comédias românticas a que assiste. Com o trabalho que a mantém bastante ocupada, e com a filha, não tem tempo para sequer pensar sobre o amor. Mas a vida torna-se bastante difícil quando Stella adoece. Tentar conciliar o seu trabalho como escritora de receitas com o ter cuidar de Stella é muito desgastante e, quando Cally conhece o belo pasteleiro Jago, a última coisa que quer é apaixonar-se, especialmente depois de ter ficado bastante escaldada com um Príncipe Encantado do seu passado. Conseguirá o descontraído e charmoso Jago abrir o coração gelado de Cally e ajudá-la a encontrar o verdadeiro amor?
Rating: 3/5

Comentário: A primeira vez que Trisha Ashley me passou pelas mãos, também foi na altura do Natal. "Noite de Reis" é dos livros de época natalícia mais enternecedores que já li até hoje e transpira o espírito da quadra por todas as páginas. Foi nessa busca por um momento de descontração aconchegante, festivo, docinho e bem recheado de momentos quentinhos que procurei por "Um Desejo por uma Estrela".
Este livro começa precisamente na quadra natalícia e julguei que fosse continuar nesse registo mas, e desculpem-me o pequeno spoiler,  foi e veio com tanta rapidez que quase que nem dei por ela. Fiquei um bocadinho contrita mas decidi dar-lhe uma oportunidade. Cally e Jago são sem dúvidas personagens simpáticas, daquelas a quem desejamos o melhor - não só porque a vida possa estar a ser ingrata com algum mas porque pessoas boas merecem coisas boas. A forma como estes se entrecruzam também tem a sua piada e construção da sua relação faz-se de forma natural e sem preâmbulos de paixões assolapadas, ganhando aqui pela originalidade. Faltava no entanto um desenvolvimento de personagens menos arrastado, porque algumas situações tornaram-se inverosímeis e até totalmente despropositadas, fazendo que a relação perdesse credibilidade durante a leitura e que o seu desfecho se tornasse desinteressante. Os clichês e as coincidências excessivas também trouxeram algum cansaço, pelo que poderiam ter sido melhor lapidados.
Outro dos pontos fortes de Trisha são as personagens secundárias, sempre múltiplas, sempre com acrescentos únicos para o enredo principal, numa colorida manta de retalhos que traz magia e (bem dito truque) distrai os/as leitores/as das falhas da narrativa principal. Há personagens deliciosas, desde o responsável religioso local, à senhora de idade que vive na casa de repouso. Todos são únicos e os rasgos de história e das suas estórias que acabam por brilham vários pontos da narrativa trazem um novo alento.
No entanto, o livro foi pautado por diálogos por vezes desenxabidos e forçados, que nada atribuíam ao enredo. A repetição constante também me começou a maçar a determinada altura. Já não podia mais ouvir falar de macarrons, e crouquembouches, que página sim página não eram referidos umas quatro ou cinco vezes.
Relativamente à gastronomia, ela está presente, mas não brilha nada apesar de ser constantemente falada. Parece um paradoxo mas não é. Os romances que geralmente abordam estas temáticas não devem tornar-se livros de culinária mas é importante que o amor pelos alimentos acabe por passar para o/a leitor/a e não sinto que tenha sido conseguido neste caso.
Ainda assim, a vila onde se localiza maioritariamente o enredo é deliciosa e cheia de peculiaridades, a Stella uma miúda amorosa (com muitas respostas e diálogos que nunca seriam atribuídos a uma miúda de 3 anos, mas ainda assim um doce) e todo o envolvimento da aldeia um doce para ser servido de bandeja no Natal.
E o Natal regressa à localidade!: aí sim, finalmente, vive-se o espírito de convívio, paz e união necessários para esta quadra. Feliz Natal a todos e a todas!

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Opinião: Os Muitos Nomes do Amor, de Dorothy Koomson



Os Muitos Nomes do Amor

de Dorothy Koomson

Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 472
Editor: Porto Editora



Resumo:  
Clemency Smittson foi adotada em bebé, e a única ligação à mãe biológica é um berço de cartão com borboletas pintadas à mão. Agora adulta, e em constante conflito com sentimentos de perda e rejeição, decide mudar drasticamente de vida e voltar a Brighton, a cidade onde nasceu.
Mas Clem não sonha que é lá que vai encontrar alguém que sabe tudo sobre a sua caixa das borboletas e a verdadeira história dos seus pais biológicos.
E quando percebe que nem tudo é o que parece, e que talvez tenha sido injusta com aqueles que mais a amam, haverá tempo para recuperar o que foi perdido?

  
Rating: 4/5
Comentário: Dorothy Koomson já nos habituou repetidas vezes com enredos ricos no universo feminino. Mas apesar de contemplar sempre mulheres como personagens principais, a autora não se restringe a uma análise banal e atribui-lhes histórias ricas, complexas e cheias do mínimo detalhe, criando uma composição única e que de banal não tem nada.
De volta ao Reino Unido, desta vez pela mão de Clemency, a autora aborda no novo livro todas as constantes e contrastes do amor nas suas variadas vertentes, desde o respeito pelo próximo e a dor da perda, passando pelos laços da amizade, pela cumplicidade de anos de encontros e partilhas, pelo abdicar de decisões de benefício próprio em prol do outro.
De todos os livros da autora que já li, julgo que "Os Muitos Nomes do Amor" tem um cunho mais introspectivo e de espelho reflectivo para o leitor. De facto, e fugindo aos clichés habituais, Dorothy Koomson explora neste livro as relações humanas em todos os seus níveis trazendo surpresas e fazendo-nos reflectir não só sobre se tomaríamos o mesmo tipo de decisões que Clemency leva em diante em alguns momentos-chave, mas também sobre todas as pessoas da nossa vida que de alguma forma se poderiam associar por características comportamentais a algumas das personagens apresentadas. 
Senti também tratar-se de um livro muito mais íntimo, de análise das repercussões das decisões tomadas em momentos de necessidade, mas com uma abordagem delicada e muito humana. 
Clemency é uma mulher de quarenta anos assombrada pelo sabor da rejeição, nunca ultrapassado nem pela adopção numa família maioritariamente acolhedora nem pela aproximação dos que de lhe têm respeito e carinho. Algumas decisões menos ortodoxas de quem a rodeia, os olhares enviesados por parte de estranhos perante a apresentação da sua filiação, assim como a abordagem indelicada perante o assunto da adopção tornaram-na num patinho deslocado, esperando (pelo menos interiormente) que ou se esqueçam da sua presença ou que o processo de transformação num cisne ocorra depressa. 
Apesar de nem sempre matura ou com comportamentos ditos adequados para a sua idade, Clemency representa ao longo das várias páginas todas as avaliações menos delicadas que lhe fizeram ao longo dos anos, assegurando que por vezes, pequenos momentos têm repercussões imensas e variadas na definição do carácter de cada um. 
Achei bastante interessante a relação que a personagem tinha com a mãe (que sendo única e especial, representava também a necessidade extenuante de corresponder a expectativas, de saber lidar com um amor muito pessoal e por vezes possessivo - especialmente devido ao medo da perda - mas que em última instância expressava sacrifico e falhas de comunicação), que variadas vezes representou a relação entre várias mães e filhas representadas em muitas páginas de livros e ecrans de cinema, sendo certamente fundamentadas por momentos pitorescos da vida real.
A relação com o marido também foi digna de nota, especialmente por ter seguido um percurso diferente do habitualmente definido pela autora nos livros dela, mas também por abordar com um tacto especial o deslevo da mentira ou da traição, que nem sempre é o que parece, mesmo não deixando de o ser. 
Senti que o encontro com a família biológica foi muito inicial e abrupto, sem existir ainda uma condução real para o desenlace, que mas esse atropelo temporal foi propositado, de forma a que a cada página fosse lançado um novo pedaço de uma construção para o climax de uma emancipação planeada, desejada e necessária para o transformar do enredo. 
A um outro nível, em vários momentos do livro são introduzidos alguns emails, sempre do mesmo remetente para o mesmo receptor, que ainda que querendo introduzir outro ponto de vista no enredo, não me forneceram assim tantos detalhes que não pudessem ter seguido o percurso do restante livro. Apesar de não os achar particularmente inúteis, o facto de ser um contacto unilateral, mesmo quando nos apercebemos que existe um certo tipo de resposta da voz ausente, acaba por não fazer muito sentido na minha opinião, quebrando até por vezes o ritmo da história. 
Tirando esse pormenor, é mais um livro cheio, repleto de maneirismos típicos da autora que já marcam o seu registo, mas ainda assim como condão que incutir alguma originalidade na narrativa. 
Em última instância, "Os Muitos Nomes do Amor" é um livro de redenção, em que os afectos falam mesmo mais alto, mesmo quando não compreendidos, quando explorados por alguém indevido ou quando na sua posse, não existe domínio próprio que indique o que fazer com eles. Desde o mesmo da dádiva, à exploração do desconhecido e à compaixão pelo próximo, Dorothy Koomson traz-nos todas as cores do perdão, da redenção, do amor desmedido e da força dos laços, que familiares ou não, biológicos ou não, definem os próximos passos da vida de cada um de nós.

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projecto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

domingo, 5 de julho de 2015

Novidade Editorial Presença: Conversas com a Minha Gata, Eduardo Jauregui




GATA FALANTE EM ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Sibila não é uma gata vulgar. Possui uma característica que a distingue dos restantes da sua espécie: é uma gata falante que entra através de uma janela na vida de Sara, uma mulher à beira da depressão.

  • 5 estrelas na amazon.com
  • 4 estrelas no Goodreads
  • Direitos vendidos para Itália, Brasil, Alemanha e França

Em vésperas do seu 40.º aniversário, Sara Léon, uma espanhola emigrante em Londres, dá-se conta de que não é uma mulher feliz. O trabalho na empresa já não a entusiasma. A relação com Joáquin está próxima do fim. Em Espanha, a crise económica afeta de forma irreversível a sua família. E como se isto não bastasse eis que entra na sua vida, através de uma janela, Sibila, uma elegante e misteriosa gata abissínia falante que prova conhecer mais sobre a vida de Sara do que a própria. De olhar penetrante, um sentido de humor peculiar e uma sabedoria milenar, Sibila dispõe-se a ajudar Sara a enfrentar os desafios e a acreditar novamente nos seus sonhos. Contudo, há um problema: Sara receia que Sibila não seja mais do que um sintoma precoce de perturbação mental. Desde quando é que os gatos falam? Há muitos caminhos para chegar à felicidade, mas os gatos conhecem todos os atalhos.

Eduardo Jáuregui nasceu em 1971, em Oxford, e passou uma infância feliz entre esta cidade, Madrid e Los Angeles. Psicólogo formado pela London School of Economics, doutorado em Ciências Políticas e Sociais pelo Istituto Universitario Europeo di Firenzi e especializado na área do Humor e Psicologia Positiva, é professor na Saint Louis University, em Madrid. É também cofundador da consultora Humor Positivo. Tem vários livros publicados e escreve para vários jornais e revistas.

Mais sobre o autor:

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Review: The Restoration of Otto Laird, by Nigel Packer


The Restoration of Otto Laird
by Nigel Packer 


Edition: 2014
Pages: 352
Editor: Sphere 


Summary: 
Elderly architect Otto Laird lives a peaceful existence in Switzerland. Once renowned for his radical and controversial designs he now spends his days communing with nature and writing eccentric (and unposted) letters to old friends. But his charmed life is rudely interrupted when he learns that one of his most significant buildings, Marlowe House, a 1960s tower block in south London is to be demolished.

Otto is outraged and wants to do everything in his power to save the building. So, he reluctantly agrees to take part in a television documentary that will mean returning to London for the first time in twenty-five years to live for a week in Marlowe House. As he becomes reacquainted with the city he called home for most of his life, his memories start to come alive. And as he explores his past, ponders his present and considers the future -- for himself and his building -- he embarks on a most remarkable journey.

Rating: 3/5

Review: 
I will start this review by saying that I received an online copy of this book through Netgalley in exchange of a honest review.

Sometimes writers have beautiful stories to be told. Sometimes they don't even know they are doing it. This stories about moments and characters just appear in the pages of amazingly well written books and push us inside of narratives that can completely distract us from the world we live in. Reading "The Restoration of Otto Laird" was like being inside the mind of an old man, with so much to tell but at the same time so lost in his memories and disgraces and so afraid of the world. Otto is an interesting man, trapped on a time where he was ahead of his peers and prepared to be an avant-garde personality in the British (and European) architecture world.
The first pages show the reader how far away from this reality Otto is in the beginning of the story, living haunted by past decisions and indecisions, the mixed feelings of the desire of activating the dream once more and the need to let it go and stay in the past.
 The book is constructed as if we were inside of the mind of this scared and inconsequential and inconvenient man that is only trying to finish his own story and make peace with the past. It's not only the words and what is being said that make the reader feel that way, but the fact that all speech is paused, rhythmical and long. This makes this book sometimes difficult to read as if you are looking for something quick to read because it keeps going on ramblings - sometimes beautifully connected, sometimes just mixed about everything, from family to work, from colleagues to diseases, from dreams to anchievements. 
Marlowe House and its foundations creates a parallelism between an human being and a building dealing with the same issues and involving the reader in all the conclusions and reflections that appear in every page. 
The unposted letters are manifests from a free mind willing to break strings with conventions and social rules that doesn't make us more happy but only unfaithful to who we are. They are also a enlightenment about the different moods that Otto is experiencing during all these confronts with his past, that appear through an young face that reminds a love from the past, a worn road which used to be the one of more dynamics and used decades ago, some forgotten articles in newspapers that rekindle untreated wounds (but still with possible repair.
"The Restoration of Otto Laird" is a great book that I enjoyed to read without any doubt, but you should take time to enjoy it and not rush through it. It was a beautiful trip to a past on a previous London, where a man still looking for himself finds a way to discover the true about what moved him and created the privileged opportunity to follow him on this marvelous crossroad. 
 
Cláudia
About the author:
 
Addicted to the library Claudia loves to read on the move and we can usualy find her sitting in a train or bus reading while commuting to and from work. But don't be fooled she is also keeping an eye on the landscape and all around her. She is an avid defender of sustainability and volunteering and it's as easy to find her starting a new project as it is to find her chatting with her friends. She is a dreamer and loves good stories so she keeps looking for them in her personal life.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Resultado do Passatempo: Louca por Compras Espera Bebé, de Sophie Kinsella

Boa noite Encruzilhados,

Demorámos um bocadinho a revelar os resultados do passatempo "Louca por Compras Espera Um Bebé" de Sophie Kinsella devido a compromissos profissionais que nos têm ausentado do blog nos últimos tempos. Mais uma vez, obrigada à Quinta Essência por uma nova colaboração e por fazer mais uma leitora do Encruzilhadas Literárias feliz. Ainda assim e sem mais demoras, ficamos muito contentes por enviar um exemplar deste livro divertido para:

Inês Lázaro, de Corroios

Muitos parabéns e boas leituras! Aos restantes, relembramos que estão mais dois passatempos a decorrer no blog até 28 de Fevereiro (Contagem Decrescente) e 7 de Março (Pack RLeite). Não percam a oportunidade de participar!

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Opinião: A Todos os Rapazes que Amei, de Jenny Han

 

A todos os Rapazes que Amei
de Jenny Han 

Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 272
Editora: TopSeller 




 Resumo: 
«Guardo as minhas cartas numa caixa de chapéu verde-azulada que a minha mãe me trouxe de uma loja de antiguidades da Baixa. Não são cartas de amor que alguém me enviou. Não tenho dessas. São cartas que eu escrevi. Há uma por cada rapaz que amei — cinco, ao todo.
Quando escrevo, não escondo nada. Escrevo como se ele nunca a fosse ler. Porque na verdade não vai. Exponho nessa carta todos os meus pensamentos secretos, todas as observações cautelosas, tudo o que guardei dentro de mim. Quando acabo de a escrever, fecho-a, endereço-a e depois guardo-a na minha caixa de chapéu verde-azulada.
Não são cartas de amor no sentido estrito da palavra. As minhas cartas são para quando já não quero estar apaixonada. São para despedidas. Porque, depois de escrever a minha carta, já não sou consumida por esse amor devorador. Se o amor é como uma possessão, talvez as minhas cartas sejam o meu exorcismo. As minhas cartas libertam-me. Ou pelo menos era para isso que deveriam servir.»
Críticas de imprensa
«Lara Jean, a personagem principal, dá a esta história comovente um toque de originalidade e um charme muito próprio.»
Publishers Weekly

«Uma interpretação emocionante do crescimento e do amor jovem.»
Kirkus Reviews

Rating: 4/5
Opinião:"A Todos os Rapazes que Amei" fez um enorme furor por esta Internet fora quando surgiu. O título era sugestivo, a capa simpática - atrativa na sua simplicidade - e era um YA que falava de romance. Estavam portanto montadas todas as peças para que se tornasse num sucesso. Foi um livro que quis muito ler, e tive oportunidade de deitar-lhe a mão numa altura em que procurava uma leitura leve e descontraída. Lara Jean faz uma boa entrada neste livro ao não ser a típica personagem principal e ao constar no que se pode hoje chamar a iniciativa de livros pela diversidade. Com mãe de origem asiática e pai norte-americano, ficam resquícios culturais dos dois lados, colaborando para um livro mais completo e que aborda com naturalidade as aculturações e trocas existentes entre famílias constituídas por membros de vários contextos socioculturais.
É também uma menina doce, fácil de gostar, com os desafios inerentes à idade e com uma perspetiva da vida ainda um tanto imatura, por mais que seja melhor desenvolvida que a maioria de jovens da sua idade. O envolvimento com as personagens que a rodeia é delicioso e também o principal motivo pelo qual este livro é tão banal, mas fica guardado connosco e deixa um sorriso após o seu término.
Voltando à premissa, que na sinopse portuguesa pode não ser exactamente clara, Lara Jean vê a sua tradição de endereçar cartas (que nunca deverão ser recebidas) aos rapazes de quem gostou rompida pela intervenção de alguém que as envia aos destinatários. A partir daí, perante o terror de se ver exposta a todos os que rapazes de quem gostou (especialmente ao que gosta e não pode ter) e as necessidades de lidar com o quotidiano de uma irmã mais nova mais dependente de si, um pai distraído e uma irmã mais velha acabada de se mudar para a Escócia, Lara Jean acaba por enfrentar desafios inesperados e que a colocam em confronto com os seus medos, ideais e sonhos.
Com leveza e curiosidade, vemos desvendada a sua realidade familiar e escolar (sendo que este universo poderia ter sido ainda mais explorado, atendo a que ela é uma estudante de ensino secundário e vários momentos decorrem dentro do espaço escolar), mas também o universo das amizades.
Gostei especialmente da forma como se encararam as relações humanas, num livro feito para sonhar mas com um certo nível de realismo. De facto, abordam-se as noções de perdão, de descoberta, de solidão, de amizade e amor, da força dos laços fraternais e do poder de cura que um abraço pode ter. Mas também se evidencia que por vezes o que almejamos alcançar nos ultrapassa, ou até nem é certo para nós, e que exige portanto capacidade de nos reinventarmos e lidar com os problemas com frontalidade e realismo.
No fundo, as estórias paralelas, como a da sua irmã e John, também contribui para esse aspecto, demonstrando que nem sempre as relações terminam por algo terrível, e que nem tudo é preto no branco, pelo que as amizades pode perdurar para além do imaginário.
É um livro doce, com humor, muito romance, mas acima de tudo, a exaltação de relações positivas e de amizades contínuas.


 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.