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quarta-feira, 22 de maio de 2019

Review: I am Thunder, by Muhammad Khan


I am Thunder
by Muhammad Khan

Edition: 2018
Pages: 306 
Publisher: Macmillan Children's Books





Summary:
Fifteen-year-old Muzna Saleem, who dreams of being a writer, struggles with controlling parents who only care about her studying to be a doctor. Forced to move to a new school in South London after her best friend is shamed in a scandal, Muzna realizes that the bullies will follow her wherever she goes. But deciding to stand and face them instead of fighting her instinct to disappear is harder than it looks when there's prejudice everywhere you turn. Until the gorgeous and confident Arif shows an interest in her, encouraging Muzna to explore her freedom.

But Arif is hiding his own secrets and, along with his brother Jameel, he begins to influence Muzna with their extreme view of the world. As her new freedom starts to disappear, Muzna is forced to question everything around her and make a terrible choice - keep quiet and betray herself, or speak out and betray her heart?

A stunning new YA voice which questions how far you'll go to protect what you believe in.

Rating: 4/5

Review: 
I received an online copy of this book through NetGalley in exchange of a honest review.

It's not easy to find me reading an YA book nowadays, but even I can't resist to a good premiss and surprise. 
Muhammad Khan is a Maths teacher in UK and he have decided to write "Thunder" following his own perceptions of what is happening around him and in conscience of how is important to discuss sensible matters in our society, because ignorance is the real danger.
I'm most interested to know how this book will behave on selling, but specially how it will be perceived by critics and youngsters, teachers and social workers.
It's even more easy today to get caught on the trap of making labels to everybody and in any kind of situation. The problem is when we can't perceive anything behind that frontpage and consider everybody who belongs to a community (social, religious, cultural or political one) the very same person.

In Thunter, Muhammad Khan show us how easy can be to young people be influenced by their surroundings, with all that costs. It means a young girl can start behaving differently due to being in love, a guy can obbey blindly a family member, since he is his major support; or even, a teenager can simply change ideias sharing thoughts and discussions with their friends.

All extremist and radicalisms are dangereous and should be identified and avoided as soon as possible. The obstacle starts when the changing is so suble that when visible, it's already too late.

The authors made his characters face huge moral challenges and had them discuss subjects that real matter to how present society, since unployed poor masses to religious rituals (or the absence of them as non mandatory to be a spiritual person).

Khan created a chess card, where everybody moves very fast and more than often, in the shadows. Muzna definietly has her own voice - even when clouded - and her definition as main character brought the reader the opportunity to accompany her journey to freedom. Or towards the thunder.






Cláudia
About the author:
 
Addicted to the library Claudia loves to read on the move and we can usualy find her sitting in a train or bus reading while commuting to and from work. But don't be fooled she is also keeping an eye on the landscape and all around her. She is an avid defender of sustainability and volunteering and it's as easy to find her starting a new project as it is to find her chatting with her friends. She is a dreamer and loves good stories so she keeps looking for them in her personal life.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Os Altos e Baixos do Meu Coração, de Becky Albertalli




Os Altos e Baixos do Meu Coração
de Becky Albertalli
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas: 288
Editor: Porto Editora
  


 

Sinopse: 
Aos 17 anos, Molly sabe tudo o que há para saber sobre o amor não correspondido. É que a jovem já se apaixonou 27 vezes, mas sempre em segredo. E por mais que a irmã gémea, Cassie, lhe diga para ter juízo, Molly tem sempre cuidado. É melhor ter cuidado do que sofrer.
Quando Cassie se apaixona, a sua nova relação traz um novo círculo de amigos. Dele faz parte Will, que é engraçado, namoradeiro e um excelente candidato a primeiro namorado da Molly.
Mas há um problema: o colega de Molly, Reid, um cromo e fã incondicional de Tolkien, por quem ela jamais se apaixonaria… certo?
Uma história divertida e comovente sobre primeiros amores e a importância de sermos fiéis a nós mesmos.


Rating: 4/5
Comentário: Becky Albertalli, quem me dera que tivesses escrito estes livros quando eu era adolescente. Porque acredita, teriam feito toda a diferença.
Estou a escrever-vos esta opinião com a companhia dos Florence and The Machine, aproveitem para os ouvir quando lerem este livro, porque é decididamente a sua banda sonora (vão descobrir porquê).
Li "Os Altos e Baixos do Meu Coração" num ápice, durante a tarde de hoje, porque precisava de uma leitura descontraída depois de umas semanas algo tumultuosas. Quando o acabei, fiquei cheia de vontade de partilhar convosco o porquê de não poderem perderem este livro (no caso de serem fãs de YA), e podem crer que me deito com o coração quentinho.
Julgo que nem a sinopse original nem esta fazem jus ao enredo. Porque sim, é sobre a Molly e sobre o seu coração palpitante; mas é muito mais do que isso. Porque todos os livros desta autora se debruçam essencialmente sobre uma necessidade primária de todos: a aceitação e a inclusão, seja ela resultante de que factor estiver em causa.
Não me vou debruçar sobre o conceito inclusivo, porque tal como a autora não lhe dá evidência (porque é uma coisa banal, é suposto ser uma coisa banal, estamos em pleno século XXI para os mais distraídos), também não o vou fazer. Um casal de mães, filhos por procriação assistida ou famílias judias e interraciais? São coisas que deveriam estar assentes nos nos alicerces societais. Por isso todos estes elementos são contextualizações para quem são a Cassie e a Molly, mas não os assuntos em destaque.
Então o que é que discute aqui? A aceitação. A auto-induzida e a vinda do mundo exterior, que muitas vezes é o principal factor a deixar-nos desconfortáveis na nossa pele, mesmo quando achamos que estamos bem e não precisamos de "arranjos".  A idade encarrega-se de nos ensinar estas coisas, mas a adolescência é um período especialmente difícil e todos os factores que nos fazem sentir desconectados, pertencentes a uma outra realidade, incapazes de assentar e fazer parte da maioria levam o ser humano mais confiante a colocar-se em causa.
Molly aborda muitas destas questões na forma como se sente: não descontente com o seu corpo, mas com o que os outros esperam dela por causa disso, não descontente com quem é, mas com medo que isso não chegue para não ser rejeitada pelos alvos do seu afecto, feliz pelo sucesso da irmã, mas incapaz de lidar com o seu pouco à-vontade nas situações onde ela é rainha (e na verdade não é, sendo tão frágil e sensível como a sua gémea), não descontente com os seus talentos, mas que lhe parecem tão banais ao pé de tantos jovens mais artísticos, destemidos, desenvolvidos e com objectivos claros.
Há vários assuntos que esta autora aborda, e que nunca vi abordados desta forma em nenhum livro YA que tenha lido até ao momento. Dou-vos como exemplo as dúvidas que podem assolar os adolescentes quando se vêem alvo de afecto, mas também inspirando-se no afecto que vêm no outro que não encaixa no dito padrão que a sociedade aceita. Para além do risco de abrir o coração e de ter a hipótese de o quebrar, se alguém escolhe como alvo de afecto "um falhado", um "elemento fora da caixa", o que é que isso diz de si? Serão também "falhados"?
Não se tratando de uma questão certa ou errada, o que a autora faz é relembrar-nos da fragilidade e exposição que a adolescência nos deixou/ deixa a todos e o quanto o mundo envolvente pode ser cruel (mesmo quando é bem intencionado) ao ditar-nos padrões aos quais não podemos ou não devemos escapar. E que para além disso, mesmo quando não queremos ou não somos os mais indicados para os seguir, nos perseguem precisamente por evidenciarmos a diferença.
E se existem jovens a ler este texto, vou deixar clara a mensagem da Becky: não há nada errado convosco. Se o mundo não vos aceita, o problema é dele, não vosso. Hão-de encontrar as pessoas certas que vos respeitem tal e qual já são, porque elas também já andam à vossa procura.
Não me revi nesta adolescente, mas sim em muitos dos seus pensamentos quando tinha a sua idade. É uma das características da Becky Albertalli: lembrar-nos que também um dia já fomos adolescentes (ou no caso dos leitores ainda o serem, de que há por aí outros iguais). Molly é intensa, e com um coração enorme, amada e capaz de reagir nos momentos indicados aos problemas que lhe assistem, mas também nervosa, insegura, ciumenta, engraçada, melhor amiga, irmã, filha, namorada. Mas é essencialmente a Molly.
Claro que não posso descurar ou passar em branco o romance. A autora sabe sempre tocar-nos no ponto fraco e trazer histórias ternurentas e cheias de palpitações, sonhos, agitação e desejo. Desejo que seja desta que a personagem tenha o seu final feliz, que dê tudo certo, que a vulnerabilidade dê recompensa. Que prevaleça a coragem, o amor, a amizade e o respeito mútuo. Que os adolescentes aprendam com bons exemplos. Que se revejam nos seus pares. E a Molly, no seu percurso lento, estudado, arriscado, e sempre sonhador, traz-nos todas as boas sensações sobre o que é estar apaixonado e ser-se correspondido, mesmo que o seu coração ande aos altos e baixos. Só me apetece relê-lo de novo. Como já disse ao início, deito-me de coração cheio.

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Opinião: A Ilha das Quatro Estações, de Marta Coelho



A Ilha das Quatro Estações
de  Marta Coelho
 
Edição/reimpressão: 2017
Páginas: 424
Editor: Clube do Autor
  




Sinopse: 
Aqui não são permitidos telemóveis, computadores nem tablets. Só te resta viver. Onde todos os sonhos são possíveis.
Este é o livro com que todos os jovens se conseguem identificar, uma história atual e relevante sobre os receios, as paixões, as fragilidades e a força de quatro jovens à procura de um novo rumo.
Cat sentia-se sem rumo e não queria ver ninguém.
Tiago só desejava poder voltar a viver como antes.
Misha isolara-se do mundo à sua volta.
Rute precisava de vencer uma batalha muito dolorosa.
Os seus caminhos cruzam-se na ilha e, juntos, preparam-se para enfrentar os seus demónios pessoais. Mas há quem tenha outros planos para eles… Será que a tua vida pode mudar quando tudo parece correr mal?


Rating: 2,75/5
Comentário: "A Ilha das Quatro Estações" foi lido durante o verão, em plena época de praia e calor, como a capa do livro aludia. Esta sinopse prometia, especialmente porque criava uma aura de mistério, um livro de acção, descoberta, e muitos segredos para ser desvendados.
O que me seduziu foi o contexto e ambiente do livro. A ilha isolada, como "centro de recolha" de adolescentes com vidas ou passados problemáticos, a proibição de contacto com o mundo exterior, o desafio de serem colocados à prova perante os seus temores individuais... Passada a leitura, esta ilha continua a parecer-me interessante, mas muito pouco explorada. O facto de turistas circularem pelo mesmo espaço dos jovens e de não se aprofundar o funcionamento do programa e a assimilação da presença de dois públicos separados (para além de uma explicação relativamente às tarefas diárias dos participantes) soou-me a pouco.
As personagens são engraçadas, e apreciei o facto de serem abordados temas tão diferentes como a perda, a violência doméstica, a depressão e o stress pós-traumático. Ainda assim, acho que qualquer uma destas valências merecia um maior destaque em detrimento do romance, que acabou por ocupar um espaço excessivo no enredo, pelo menos ao nível da sua representação.
Algumas das relações com as personagens secundárias pareceram-me um pouco inverosímeis, e apesar das interacções daí resultantes contribuírem para o desfecho (que de alguma forma, já esperava mas fiquei satisfeita por ver acontecer) senti-as um pouco montadas sem grande estrutura.
Este grupo de adolescente ganha por não funcionar segundo uma tipologia padrão, com espaço para definirem características individuais e crescerem à medida que as páginas vão avançando, e espera-se que o próximo livro lhes fala jus e ajude a delimitar ainda mais a sua individualidade.
Por fim, não deixa de ser um livro leve e que se lê rapidamente, com potencial de entretenimento. Infelizmente não me senti rendida a 100%, porque procurava algo diferente (isso ou cada vez mais não me encaixo neste discurso adolescente). Ainda assim, julgo que Marta Coelho venha a gastar espaço no género Young-Adult em Portugal e vejo-a a encaixar-se num registo que siga a minha linha da Maria Teresa Maia Gonzalez, embora com uma abordagem mais leve.



 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Opinião: O Grito do Corvo, de Sandra Carvalho



 
O Grito do Corvo
de Sandra Carvalho
 
Edição/reimpressão: 2017
Páginas: 256
Editor: Editorial Presença
  




Sinopse: 
Os piratas do Rouxinol veem-se cada vez mais longe de saquear o ouro da galé castelhana Niña del Mar devido aos estragos causados pela violenta tempestade que se abateu sobre o barinel. A descoberta da identidade de Leonor faz com que Corvo queira regressar de imediato aos Açores, para entregá-la à guarda do pai. Porém, a tripulação discorda e o caos instala-se a bordo. O que Leonor mais deseja é lutar ao lado dos companheiros e recuperar a confiança de Corvo. No entanto, Tomás Rebelo continua a precisar dela para alcançar o propósito funesto que o levou a assenhorear-se de Águas Santas. Conseguirá Leonor chegar incólume à misteriosa ilha das Flores, conhecer o Açor e abraçar a irmã, ou acabará abandonada por Corvo, à mercê dos caprichos do abominável Tomás Rebelo?

Rating: 4/5
Comentário: Fiquei super contente quando soube que o volume final da trilogia "Crónicas da Terra e do Mar" seria publicado em plena época da Feira do Livro de Lisboa. O segundo volume tinha saído em Abril e despertado a curiosidade dos leitores e leitoras para o desfecho que se avizinhava. De facto, as últimas páginas do volume anterior deixaram uma série de sequências narrativas em aberto e com a promessa de ser exploradas, e foram estas as que mais captaram a minha atenção desde as primeiras páginas.
Desvendo o segredo que as encobertou durante grande parte da narrativa Leo e Guida vêem-se expostas a novos desafios e aventuras, junto aos companheiros de sempre, mas com outra visão sobre o seu posicionamento a bordo. A promessa de aventura não foi esquecida e a autora contemplou os leitores com mais cenas agitadas e perfeitamente enquadradas no enquadramento prévio. Guida mostra-se preocupada com a amiga, Leo mostra-se continuadamente guerreira e corajosa (em todas as frentes) e o mundo místico ganha força novamente e debruça-se sobre vários acontecimentos mais ou menos improváveis.
Não posso dizer que tenha ficado excepcionalmente surpreendida com este último volume (com a excepção de um ou outro momento), mas correspondeu totalmente às minhas expectativas e ao desfecho quem julgo, muitos leitores também esperavam.
Tendo esta trilogia sido a minha estreia com a autora, não tenho como pautar notas comparativas perante os os seus outros trabalhos, mas posso confessar-me agradavemente surpreendida. Com uma linguagem corrente, mas o mais adequada possível ao tempo histórico mas também ao público-alvo, Sandra Carvalho traz-nos diálogos vívidos, cenas descritas com classe e pormenor quando este é necessário, uma teia de enredos perfeitamente encadeados e todos com o seu desfecho merecido.
Confesso que esperava algo mais quanto à questão do Tomás Rebelo, que me pareceu facilmente resolvida perante tamanhas patranhas já por si executadas. Ainda assim, a forma como esse momento foi desenvolvido foi também credível, permitindo dar continuidade à história onde esta ainda tinha o que explorar.
Os Açores, finalmente alcançados, trouxeram a paisagem verde e o rebuliço de uma comunidade local próspera e capaz, conduzida por prescritos e piratas que a tornaram no paraíso almejado por muitos. As descrições, ainda que breves, permitiram que mesmo os que nunca pisaram terrenos vulcânicos e areias sedimentares pudessem sentir-se próximos das paisagens já vistas em postais e fotografias.
Por outro lado, a evolução das personagens perfez uma condução suave que permitiu o desenvencilhar de vários nós e a colocação de sementinhas para novas aventuras. A verdade é que, não sabendo se outra história neste universo pode ou não estar a caminho, a intenção da autora não passou certamente despercebida aos seus mais fiéis fãs, que estão tão ou mais curiosos do que eu.
O que também não passou despercebido foi a mensagem preliminar de cada uma das capas, assim como dos títulos selecionados, todos com muita intenção, e bastará que percam alguns segundos a analisá-las, que depois de terminarem a história concordarão comigo!
Foi um livro que me deu imenso prazer ler, tanto que o terminei em dois dias. É leitura perfeita para o verão: fresca, leve, desconstraída e enredo envolvente, totalmente apropriada para a praia ou jardim.
Fiquei agradavelmente surpreendida com o trabalho da autora, e vou estar atenta aos próximos trabalhos da mesma.
Resta-me somente agradecer à Sandra Carvalho e à Editorial Presença o carinho com que este volume foi enviado e esperar que o mesmo chegue a muitos leitores e leitoras este Verão!

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

sábado, 22 de abril de 2017

Opinião: O Coração de Simon contra o Mundo, de Becky Albertalli


O coração de Simon contra o Mundo
de Becky Albertalli
 
Edição/reimpressão: 2017
Páginas: 248
Editor: Porto Editora
  





Sinopse: 
Simon Spier tem 16 anos e os únicos momentos em que se sente ele próprio são vividos atrás do computador.
Quando Simon se esquece de desligar a sessão no computador da escola e os seus emails pessoais ficam expostos a um dos colegas, este ameaça revelar os seus segredos diante de toda a escola.
Simon vê-se, assim, obrigado a enfrentar as suas emoções e a assumir quem verdadeiramente é perante o mundo inteiro. 

Rating: 4/5
Comentário: Na contracapa deste livro, Nuno Pinto (Presidente da Direcção da ILGA Portugal) diz que "A história de Simon podia ser a de muitos de nós". E é uma plena verdade, mais não seja porque todos fomos adolescentes um dia e sabemos o quão difícil pode ser aceitar-nos na nossa própria pele, sermos o que o nosso âmago nos instiga a ser sem medos e com propriedade, e enfrentar a (falta de) tolerância do mundo exterior (quer respeitante às nossas escolhas, ao nosso aspecto ou à nossa orientação sexual).
Simon é, por isso mesmo, um verdadeiro adolescente como já fomos muitos de nós, mas que representa principalmente os vários desafios porque passam jovens da comunidade LGBT  quando estão em processo de crescimento e aceitação.
Ao acabar este livro, não pude deixar de recordar um rapaz cujo blogue eu lia há muitos anos, quando também eu era uma adolescente, em que o mesmo utilizava a internet e a sua página pessoal para expurgar a pouca compreensão que recebia no seu universo escolar, onde era o único gay assumido. E ao pensar naquele rapaz, só desejei que livros como "O Coração de Simon contra o Mundo" tivessem chegado mais cedo e que, diante tantos jovens que ainda se encontram em debates internos perante o preconceito e a necessidade da aceitação, estes pudessem confrontar-se com exemplos como este, incutindo-lhes esperança, (ou pelo menos) uma versão mais positiva à qual se agarrar.
Confesso que me custou a entrar um pouco na narrativa e explico porquê: o cinismo mesclado de insegurança de Simon, assim como as suas expressões e maneira de estar desta personagem, pareceram-me saídas de um amigo de escola. E durante as primeiras páginas, foi-me bastante difícil dissociar a imagem deste rapaz do outro que conheço na vida real, que tirando o seu pretendo desinteresse, nada tinham em comum.
Passado este elemento de estranheza, fui-me entranhando na narrativa e relembrando o que é ser um adolescente de primeira viagem, entrando na cabeça deste rapaz que tem tanto de adorável como irritante. Sabendo de antemão a importância que os seus emails pessoais representavam para a narrativa, achei-os inicialmente um pouco insípidos ou banais. Claro está que rapidamente me recordei que isto de ser adolescente tem o que se lhe diga, e que nem sempre lavamos a alma da forma mais clara, embora esses gestos não percam o significado por isso.
O crescimento da personagem do Simon assinala-se especialmente a partir das primeiras 100 páginas, especialmente porque é nesse momento que a incursão no mundo exterior também ganha nova forma e destaque. Este foi sem dúvida um dos pontos fortes do livro para mim. Aquilo que o Simon não nos diz, as pessoas do seu círculo familiar e das amizades próximas enunciam-nos, trazendo uma imagem mais completa deste rapaz de coração enorme, mas simultaneamente cheio de incertezas. As irmãs (que são chatas ou ausentes), os pais (preocupados e metediços), os amigos (que procuram atenção mas a quem seria estranho falar de sentimentos e coisas do género) são algumas das preocupações deste rapaz. Mas ao mesmo tempo que nos absorvemos pelas suas divagações, temos também acesso a pormenores que compõem o cenário mais geral e que nos permitem ver a narrativa para além do seu olhar e do que este nos conta. E todas elas são  bastante vívidas e corpóreas, valendo a sua existência só por si (mesmo que só tenhamos acesso a alguns relampejos da sua existência) e não somente para justificar aquilo que Simon é enquanto pessoa.
É um livro positivo e cheio de esperança, que lida mais com questões do foro interior do que coma  falta de tolerância. É também repleto de bons e fortes exemplos - dos amigos, da família, da professora furiosa que não admite qualquer caso de bullying ou discriminação perante a sua presença - e que relembra os jovens leitores que pegarem nesta narrativa de que pessoas assim não perduram somente na ficção. Existem na vida real também, e muitos deles, mesmo que ainda não se tenham manifestado, já existem nas suas vidas.
Por fim, não poderia deixar de falar do romance em si. Transparente e sem pretensionismo, com todas as indicações da insegurança de dar os primeiros passos, das dúvidas sobre como lidar com o novo e o desconhecido, do poder que é reencontrar outro igual com quem partilhar a imagem do que se é sem medos, sem esquecer a atracção física e o desejo do encontro. A evolução desta história foi conduzida com muita transparência e doçura, e ainda que não fosse mais segredo para o leitor quem seria o Blue muito antes do Simon descobrir, o corte dos estereótipos e a apresentação desta relação como deveria ser - como tantas outras iguais - só lhe atribui um imenso mérito.
Finalizando, gostava de pegar no título original - "Simon vs the Homo Sapiens Agenda" - que ao fim ao cabo é a essência deste livro e que faz tanto sentido: em vez de termos de estar contra o mundo e lutar para que este nos aceite, porque é que não somos aceites só porque sim? Porque é que é exigida uma necessidade (por vezes defendida de forma sectorial) de afirmação? Somos todos Homo Sapiens, isso deveria ser resposta suficiente. O Simon descobriu-o, e nós não nos podemos esquecer.

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Opinião: O Universo nos Teus Olhos, de Jennifer Niven

 
O Universo nos Teus Olhos
de Jennifer Niven
 
Edição/reimpressão: 2017
Páginas: 408
Editor: Nuvem de Tinta
  





Sinopse: 
 Libby Strout, outrora a rapariga mais gorda da América, conseguiu finalmente ultrapassar o desgosto causado pela morte da mãe e está pronta para voltar a viver. Transformou-se e o que mais deseja é ser a rapariga que consegue ser tudo o que quer. No entanto, o resto do liceu não parece partilhar deste entusiasmo de Libby.Jack Masselin é o típico rapaz popular do liceu: bonito, sempre com o comentário certo na hora certa. No entanto, o gosto que tem em perceber a mecânica dos objetos, em reconstruir e transformar tudo o que encontra, não lhe serve de muito na sua incapacidade para reconhecer caras. Jack tem prosopagnosia e à sua volta, familiares e amigos incluídos, parecem-lhe desconhecidos e são, para ele, um autêntico quebra-cabeças.Quando o destino junta Libby e Jack, a solidão que cada um sente dá lugar a sentimentos muito diferentes… Uma história de superação e de um amor verdadeiro e invulgar que nos devolve a esperança no mundo, em nós e no outro.

Rating: 3,5/5
Comentário: Sei que muitos dos leitores de Jennifer Niven contavam com outro romance emocionalmente avassalador (e algo destrutivo) como foi o "Falam-me de um dia Perfeito" (opinião aqui). Mas por vezes também é necessário incutir um pouco de esperança junto da nossa juventude e a ideia de "tu és amado, alguém te quer" é tão importante como a lição de superar os nossos obstáculos e ter coragem de pedir ajuda, patente no livro anterior.
"O Universo nos Teus Olhos" é um livro-resposta que Jenifer Niven esccreveu como presente para os milhares de fãs que continuaram a contactá-la após a publicação do seu romance predecessor, esperando desta forma não só apoiar como recordar a importância de sermos ouvidos e acarinhados pelo que somos, e como somos. É um livro de aceitação, de aprendizagem, de superação também, mas especialmente de auto-aceitação.
Libby é uma personagem cheia de força, cujo processo de desenvolvimento pessoal já decorre de forma avançada quando travamos conhecimento com a personagem, e como tal, nem sempre as suas dúvidas ou receios ficam tão visíveis como o inicialmente esperado, mas ainda assim é muito humana e a esperança e fé incondicional em si e no mundo, assim como o desejo de não ser retractada como a rapariga gorda, mas como a miúda que é, com a altura e o peso que tem, mas tem com a sua cor de olhos, as sardas, os sonhos, os hobbies e os gostos pessoais. Gostei que, para variar, um livro para adolescentes com uma personagem com excesso de peso não se centrasse na perda de peso em si (embora esse factor nunca seja ignorado, não por questões estéticas mas de saúde) mas sim nos motivos pelo qual uma situação descontrolada chegou até este ponto. Bem sei que existe ainda uma certa incompreensão pela temática mas por vezes o excesso de peso não se prende com a quantidade de vezes que alguém abre a boca para comer per si, mas com comportamentos compulsivos associados a insegurança, problemas de foro emocional e ansiedade, que se poderão desenvolver em patologias se não forem diagnosticadas e tratadas a tempo. O ponto forte aqui demarcado é precisamente a elevação desta diferença, expressa pelo mundo exterior versus os que a conhecem mais de perto. É uma personagem corajosa, e gostei do brilho de luz que esta trouxe para as páginas deste livro, embora de facto, mesmo que percebendo o ponto de decalque que a autora queria assinalar (e indo contra o que acabei de expressar em cima), a questão da alimentação pudesse ter tido um enfoque mais em determinadas alturas, porque mesmo não sendo o factor-chave ou o gatilho que causa as suas fragilidades anteriores, era através deste que ela se tinha expressado no passado e que seria motivo de luta constante para a sua regulação.
Já Jack tem prosopagnosia, a incapacidade de reconhecer rostos, mesmo que perante conhecidos, familiares e amigos. Não tendo ninguém próximo que sofra desta patologia, mesmo que ela não me fosse desconhecida, não consigo precisar se o tratamento da mesma foi feita com verosimilhança ou não. A autora inspirou-se num caso familiar e pelos agradecimentos sabemos que era procurou acompanhamento especializado na revisão da temática médica. No entanto, também já li vários comentários no Goodreads de quem passa pelo mesmo que a personagem principal e que o assinala como algo exagerado e não muito verosimilhante. No meu entender, a autora preserva-se destas críticas em dois sentidos: primeiramente, quando a temática é abordada, elucida-se logo sobre a necessidade de considerar que existem vários níveis para a doença. Em seguida, porque o que julgo que ela pretende evidenciar são as características da doença. Naturalmente, se o jovem vivia numa família só com irmãos, mesmo não reconhecendo a cara da mãe, saberia ser ela a entrar no seu quarto ou nas várias divisões da casa (até porque mesmo não a reconhecendo, conseguiria identificá-la pela voz, pelo som dos seus passos, etc.). Ainda assim, o que a autora pretende é demonstrar pelos olhos de um adolescente como é que se processa a doença. Parece-me um pouco inverosímil também que ninguém soubesse do seu estado ou que pelo menos desconfiasse do mesmo, mas compreendo o impacto que essa acção tem para o enredo principal.
A relação dos dois como seu leque de amigos pretende demonstrar, mesmo por contraste, a importância de valorizarmos quem somos e de não termos receio de mostrar quem somos, mas também a necessidade de nos sabermos rodear das pessoas certas e que nos estimem, e eliminar as que possam contribuir para as nossas fragilidades.
Ainda assim, apesar de ter gostado de Jack e Libby enquanto personagens, senti que o contexto enredo demonstrava algum vazio de conteúdo.
A relação de Libby com o pai era bonita mas sabendo-os tão unidos, pareceu-me pouco desenvolvida. Já o contexto familiar de Jack também se moveu segundo um modelo periférico, ainda que compreenda o egocentrismo da narrativa.
Não obstante, sinto que a mensagem principal - a recuperação da auto-estima e a aceitação de que somos importantes, à nossa maneira, para pelo menos para uma pessoa neste mundo - foi bem transmitida e fez com que tenha acabado o romance satisfeita.
 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Passatempo: Filhos do Vento e do Mar, de Sandra Carvalho (Editorial Presença)

Estavam com saudades da Sandra Carvalho?


A autora portuguesa já conhecida pela "Saga das Pedras Mágicas" (Editorial Presença) e que acompanhou muitos jovens adultos nos últimos anos. "Filhos do Vento e do Mar" é a continuação da trilogia "Crónicas da Terra e do Mar", que se aventura pela descoberta dos Açores. História, magia e acção, num único livro!

Habilitem-se a ganhar um exemplar deste livro e preencham o formulário que se segue.


 Resumo: Forçadas a fugir de Águas Santas para escapar à fúria de Tomás Rebelo, Leonor e Guida chegam ao porto de Lisboa e confrontam-se com Corvo, o famoso pirata sobre o qual se contam tantas lendas. Horrorizada com a descoberta de que é filha de Diogo, o Açor, Leonor decide disfarçar-se de rapaz quando Corvo a obriga a embarcar no seu navio, protegendo-se assim dos impulsos masculinos. Inconformada com o seu destino, Leonor resolve fazer tudo para escapar aos piratas. Porém, com o passar do tempo, sente a herança do Açor a despertar dentro dela. O segredo que ensombra o passado de Corvo começa a inflamar a sua curiosidade, enquanto estabelece amizade com os homens que tanto temia. Conseguirá ela regressar a Águas Santas e desmascarar a perversidade de Tomás Rebelo, ou o apelo da liberdade e da aventura, conjugado com a vontade de conhecer o seu verdadeiro pai, tornar-se-á irresistível?
Sandra Carvalho é uma das autoras portuguesas mais conceituadas do romance fantástico. A Saga das
Pedras Mágicas, que a Presença publicou também na coleção «Via Láctea», e que é constituída pelos títulos A Última Feiticeira, O Guerreiro Lobo, Lágrimas do Sol e da Lua, O Círculo do Medo, Os Três Reinos, A
Sacerdotisa dos Penhascos, O Filho do Dragão e Sombras da Noite Branca, conquistou um vasto número de fãs entre os apreciadores do género. Depois de O Olhar do Açor, Filhos do Vento e do Mar é o segundo volume das Crónicas da Terra e do Mar, ao qual se seguirá o terceiro e último volume.

«Estas e outras novidades no site da Editorial Presença aqui» 

Regras do passatempo
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 26 de março de 2017.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só será aceite uma participação por pessoa.
4) O passatempo funciona para todo o território português (Portugal Continental e Ilhas).
5) O/A vencedor/a será sorteado de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail.
6) O Encruzilhadas Literárias e/ou a Editora não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT nas encomendas enviadas.

terça-feira, 14 de março de 2017

Review: The Sun is Also a Star, by Nicola Yoon


The Sun is Also a Star
by Nicola Yoon

Edition: 2016
Pages: 384
Publisher: Penguin Random House UK Children's




Summary: Natasha: I’m a girl who believes in science and facts. Not fate. Not destiny. Or dreams that will never come true. I’m definitely not the kind of girl who meets a cute boy on a crowded New York City street and falls in love with him. Not when my family is twelve hours away from being deported to Jamaica. Falling in love with him won’t be my story.

Daniel: I’ve always been the good son, the good student, living up to my parents’ high expectations. Never the poet. Or the dreamer. But when I see her, I forget about all that. Something about Natasha makes me think that fate has something much more extraordinary in store—for both of us.

The Universe: Every moment in our lives has brought us to this single moment. A million futures lie before us. Which one will come true?


Rating: 3/5

Review: 
I will start by saying that I received an online copy of this book through NetGalley in exchange of a honest review.

A mixed junction of fate, love, desires and teenage dreams!

Wow. I haven't read much lately and due to many factors I find myself leaning on young adult books to overcome this reading slump with lighter reads. Which is kind of odd and even a bit funny, since I almost stopped reading young adult books a long time because I can't find myself enjoying them as much as I did in the past. Nevertheless, I'm still keen of a good story and "The Sun is Also a Star" had all the right ingredients to get my attention. Starting by the author's nationality.
Ever since I started thinking and preparing the project of the World Book Tour (now in partnership with my friends Cata and Jojo ) I started to look out not only for books representing diverse public segments but also different authors, with different experiences and a wider spectrum of analysis. And this book had it all: a Jamaican author, Jamaican characters, Korean characters, and a bit of youthful, confrontation between a magical fate and logic and some scents of the historical paths that brought two different branches of immigration to the United States of America.
It's also a test to life in general, calling the readers to decide where is the line that divides a predisposed destiny and the cadence of small happenings which, in the end, transform who we are and what are our next steps.
Firstly I considered a bit annoying all the parallel stories to which I couldn't find a reason for them to appear constantly, since they interrupted the main plot quite often and line of the story I was designing on my mind. Therefore, I understood near the end their purpose and I could even understand the little magic created from them. It's amazing to conceal how small moments and differences can change someone's life! Nevertheless, they weren't my favourite part of the story for sure.
Natasha and Daniel couldn't be more different from each other. That's why it's so lovely to find them in love, surpassing the inconveniences of family's expectations, emotional baggage, a timeline they can't avoid and their personal insights about how life should be or shouldn't be lived.
 It's a love story, but it's also a bit more than that, fruitfully resulting from the dimensions created by their family stories. In the middle of all the unbelievable situations and actions during that 24 hours, that elements added new memories and moments for both of them to cherish. This book also adds a dimension of real life, when discussing that being a teenage is not always so easy as it seams, since many of the major decisions responsible for defining our future are taken so early.
Because of that, I felt there was a realm of reality claiming to make the readers think about what they are expecting to build on their paths (or what they did in the past) and what it means at the present moment. It's also a lucky charm against blue days, because I doubt that someone isn't going to fall for Daniel, he has that spirituous and free mind we all would like to keep on us (even just a little) every time we see ourselves on the mirror, besides he is a dearest and it's impossible not to smile at his blind faith in the world.
Finally, I enjoyed the last chapter, it felt realistic and honest and as sincere as it could get. Until the author decided to add that small plot twist at the very last. Even if I still understand why she did it, I find it a bit pushed. I just hope her choice was done due the need to create a more enjoyable ending for her readers and not because she thought her readers couldn't handle a bit of factual happenings and life in general. Because every young person conscious about the world knows life isn't perfect and many times isn't fair either. But it always teach us something and leave marks to never be forgotten. If not by memory, at least by heart.


Cláudia
About the author:
 
Addicted to the library Claudia loves to read on the move and we can usually find her sitting in a train or bus reading while commuting to and from work. But don't be fooled she is also keeping an eye on the landscape and all around her. She is an avid defender of sustainability and volunteering and it's as easy to find her starting a new project as it is to find her chatting with her friends. She is a dreamer and loves good stories so she keeps looking for them in her personal life.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Opinião: Fangirl, de Rainbow Rowell

Fangirl
de Rainbow Rowell
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 433
Editor: St. Martin's Press 
Resumo:
A coming-of-age tale of fan fiction, family and first love.
Cath is a Simon Snow fan.
Okay, the whole world is a Simon Snow fan . . .
But for Cath, being a fan is her life — and she’s really good at it. She and her twin sister, Wren, ensconced themselves in the Simon Snow series when they were just kids; it’s what got them through their mother leaving.
Reading. Rereading. Hanging out in Simon Snow forums, writing Simon Snow fan fiction, dressing up like the characters for every movie premiere.
Cath’s sister has mostly grown away from fandom, but Cath can’t let go. She doesn’t want to.
Now that they’re going to college, Wren has told Cath she doesn’t want to be roommates. Cath is on her own, completely outside of her comfort zone. She’s got a surly roommate with a charming, always-around boyfriend, a fiction-writing professor who thinks fan fiction is the end of the civilized world, a handsome classmate who only wants to talk about words . . . And she can’t stop worrying about her dad, who’s loving and fragile and has never really been alone.
For Cath, the question is: Can she do this?
Can she make it without Wren holding her hand? Is she ready to start living her own life? Writing her own stories?
And does she even want to move on if it means leaving Simon Snow behind?

Rating: 3/5

Comentário: 
Confesso que depois de ter lido Eleanor & Park de Rainbow Rowell não estava muito curiosa em relação aos seus outros livros. O meu problema inicial não foi a escrita ou enredo, foi efectivamente ter achado o livro por si pesado e me ter obrigado a acabar o mesmo. Contudo quando o acabei achei que faltava alguma coisa, não achei que Rowell tivesse resolvido bem o conflito que era o centro da históroia. Quando vi que a autora tinha outro livro chamado Attachements soube imediatamente que este não iria para a minha lista do "a ler".
No entanto, quando encontrei o Fangirl pela primeira vez no GoodReads apercebi-me que o mesmo tinha uma premissa interessante e após, a conselho da Cláudia, me ter posto a seguir o Book Club do Tumblr (que decidiu que este seria o primeiro livro a ler e me bombardeou o dash com posts sobre ele)  tive de me dar por derrotada e ir em busca do mesmo para ler.
Citando um pouco a Stacey, a responsável do blogue Prettybooks, este é um livro "para a internet" e sobre a internet. Este é um livro que fala de pessoas que passam tanto tempo on-line que para elas não há diferença entre amigos virtuais e amigos reais, pessoas que são parte de fandoms e as abraçam ao máximo, através de fanfics, fanmixs e fanart.
E este é o motivo pelo qual me foi tão fácil identificar com a Cath. Além de partilharmos o nome, partilhamos também a nossa paixão pela fandom e por fazer parte da mesma. Apesar de ter escrito fanfiction aqui há uns anos atrás, tenho a dizer que nunca fui tão popular como a Cath. Mas mesmo assim, tendo feito parte do fanfiction.net compreendo perfeitamente a paixão dela por escrever e por "postar" as suas histórias on-line.
Este é também um livro que nos fala sobre a primeira vez que nos afastamos da nossa família, da ida para a faculdade e das pessoas que lá conhecemos. Uma vez li que as pessoas que conhecemos na faculdade se tornam nossas amigas para a vida, que são elas que efectivamente passam quatro anos cruciais da nossa vida connosco e que, como trabalharão na nossa área, são aquelas com as quais teremos mais em comum.
Cath, a nossa personagem principal, sempre foi muito fechada mas como tinha a gémea, Wren, para lhe fazer companhia nunca sentiu a solidão. Mas agora a Wren não quer ser mais gémea, quer ser uma rapariga independente e seguir com a sua vida e Cath sente-se traída.
Creio que Rowell conseguiu captar a vida universitária com os seus altos e baixos, as novas amizades, as amizades mais antigas e o distanciamento da família para que possamos crescer e nos encontrar. Gostei da maneira como a Cath se foi expandindo e das pessoas que ela encontrou.
O enredo foi interessante mas achei as partes sobre a fandom (que se nota bem foi baseada em Harry Potter e no ship Harry x Draco) muito mais interessantes e por isso achei bastante engraçado que a autora tenha decidido publicar a fic de Cath (Carry On) como um livro independente.
Para concluir gostaria de dizer que apesar de Fangirl ser um livro interessante ainda não me conseguiu converter como fã desta autora.


Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre coisas e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

domingo, 30 de outubro de 2016

Review: The Bear and The Nightingale by Katherine Arden

The Bear and The Nightingale 
by Katherine Arden
Edition: 2017
Pages: 480
Publisher: Random House UK, Ebury Publishing
Summary:
A young woman's family is threatened by forces both real and fantastical in this debut novel inspired by Russian fairy tales.
In a village at the edge of the wilderness of northern Russia, where the winds blow cold and the snow falls many months of the year, a stranger with piercing blue eyes presents a new father with a gift - a precious jewel on a delicate chain,intended for his young daughter. Uncertain of its meaning, the father hides the gift away and his daughter, Vasya, grows up a wild, willfull girl, to the chagrin of her family. But when mysterious forces threaten the happiness of their village, Vasya discovers that, armed only with the necklace, she may be the only one who can keep the darkness at bay. Atmospheric and enchanting, with an engrossing adventure at its core, 
The Bear and the Nightingale is perfect for readers of Naomi Novik's Uprooted, Erin Morgenstern's The Night Circus, and Neil Gaiman.

Rating: 4/5 stars

Review:
I received this ARC from Netgalley in exchange for a honest review.

If you only read a YA fantasy book in 2017 make it The Bear and the Nightingale. Why? Because this book has it all; for a start it’s a fairytale retelling (which gives it bonus points), it’s a Russian fairytale, it involves a “war” between church and pagan beliefs (triple points) and it’s whimsicaly written. 
So if this has captivated you already I am sure you will like Vasya’s story. A brief on-line search will tell you that the fairytale in question is commonly known as Vasilia the brave (or beautiful it depends) and that Catherynne M.Valente has already re-told it in her book Deathless (which is in my to-read pile). So when I first requested it I was unsure if I had made the right decision, I have read Valente’s work before and though that it might have been a better idea to just read her retelling. However I also wanted to try new authors and had read very good reviews of The Bear and the Nightingale so I though it was worth the risk. 
 I have to say that I was lucky and this book was so worth the risk. Wonderfully written and full of promise this is one of the few books I have ever read that lives up to expectation. As we follow Vasya from her birth to her adventurous teenage years we create a very close relationship with her that keeps the readers engaged in the story. Even though sometimes it seems like a slow burn I think the long look at Vasya’s formative years actually helps us understand better where she comes from and why she does/ reacts the way she does. 
 As I had never read the original fairytale I had no idea where the story was going or who the characters were. The author also choose to leave Russian words for the entities and places which helps set the mood and it was easy to find myself in the northern Russian forest. I think it also helped that I started to the read the book as the seasons where changing and autumn weather was becoming winter weather as the chill that was felt really help set the mood. 
 I used to read the book before going to bed but after part 3 I had to stop doing it as I was getting scared. The book takes a turn and becomes slightly darker with things roaming in the night and whispering in the shadows. Strange knocks on doors and blood splattered in the white snow. I have to admit I was not ready for it but it kept me engaged (even if with all my lights on). 
 The Bear and the Nightingale leaves the blog with a five star review and the certainty that it was one of the bets books I read in 2016.
 Cat / Ki
Known bookaholic and writer at weekends. Cat loves books and everything that's related to them. From time to time she has very strong feelings and opinions about books and the world and she likes writes about them (mostly in her blog Encruzilhadas Literárias). She also has a personal GoodReads account and she believes the world is a better place for it (AKA no more repeated books from relatives as gifts). She lives in the UK and can often be found either in Waterstones or the Charity Shops.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Review: Pretending to Be Erica by Michelle Painchaud

Pretending to Be Erica
by Michelle Painchaud
Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 272
Editor: Viking Books for Young Readers
Resumo:
We Were Liars meets Heist Society in a riveting debut!

Seventeen-year-old Violet’s entire life has revolved around one thing: becoming Erica Silverman, an heiress kidnapped at age five and never seen again.
Violet’s father, the best con man in Las Vegas, has a plan, chilling in its very specific precision. Violet shares a blood type with Erica; soon, thanks to surgery and blackmail, she has the same face, body, and DNA. She knows every detail of the Silvermans’ lives, as well as the PTSD she will have to fake around them. And then, when the time is right, she “reappears”—Erica Silverman, brought home by some kind of miracle. 
But she is also Violet, and she has a job: Stay long enough to steal the Silverman Painting, an Old Master legendary in the Vegas crime world. Walking a razor’s edge, calculating every decision, not sure sometimes who she is or what she is doing it for, Violet is an unforgettable heroine, and Pretending to be Erica is a killer debut.

Rating: 3.5/5

Review:
I will start by confessing that it was the comparison with Heist Society that drew me to this book, that and the fact that I like a good con books. (It's not by change that Leverage is one of my favorite TV shows ever!)
I read a lot of bad reviews about this book but I have to say that I enjoyed it and loved the way that the author keep Erica "present" throughout the book. I do understand why some people were disappointed as this isn't much of a con book as it could be but I think it was an interesting dive into the mind of a young con artist and what goes through a person's mind when she has to pretend to be someone she is not to everyone else; and how though that can be when you encounter people you truly connect with, people you never though you would ever meet. 
I loved the way the author kept giving you insights about how Violet was struggling with being Erica even though she had been trained her whole life to do so. After all Violet had been trained with very little and almost completely off the grid, so she had a very basic phone and almost no access to the internet or social media. So she is discovering herself as teenager not only as Violet but also as Erica.
Violet is a very interesting character and her relationships are also interesting as she tries to keep Erica group of friends but also finds a group of friends of her own.
For me this was a very interesting and sometimes intense book and the ending was unexpected and made the book linger which is always a plus. If the con bit had been better it would have reached easily the 4 star mark.

You can get a copy of this book here..

 Cat / Ki

Known bookaholic and writer at weekends. Cat loves books and everything that's related to them. From time to time she has very strong feelings and opinions about books and the world and she likes writes about them (mostly in her blog Encruzilhadas Literárias). She also has a personal GoodReads account and she believes the world is a better place for it (AKA no more repeated books from relatives as gifts). She lives in the UK and can often be found either in Waterstones or the Charity Shops.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Review: The Unfortunate Decisions of Dahlia Moss, by Max Wirestone


The Unfortunate Decisions of Dahlia Moss
by Max Wirestone

Edition: 2015
Pages: 320
Publisher: Redhook Books





Summary: Veronica Mars meets the World of Warcraft in The Unfortunate Decisions of Dahlia Moss, a mystery romp with a most unexpected heroine. 

If it were up to me this book would be called Hilarious Things That Happened That Were Not At All Dahlia's Fault -- or HTTHTWNAADF, for short.

OK, I probably shouldn't have taken money from a mysterious eccentric to solve a theft, given that I'm not a detective, and that I am sometimes outwitted by puzzles in children's video games. I probably shouldn't have stolen bags of trash from a potential murder suspect. Arguably-- just arguably, mind you-- it may have been unwise to cos-play at an event where I was likely to be shot at.

But sometimes you just have to take some chances, right? And maybe things do get a little unfortunate. What of it? If you ask me, an unfortunate decision here or there can change your life. In a positive way, just so long you don't killed in the process. Admittedly, that's the tricky bit.

Rating: 2/5

Review: 
I will start this review by saying that I received an online copy of this book through Netgalley in exchange of a honest review.

Sometimes the exercise of writing about a book it's not easy at all. Specially when you are not totally sure about what you think about the book besides the fact that you didn't enjoyed it that much,
The synopsis was intriguing and seemed quite fun! I was never a major fan of Veronica Mars but I had quite good times watching the TV show. Also, I like the nerd and geek world and  the connection between this two realities could only create something cool. And it did! At least the structural idea was there.
We met Dahlia when she is facing some challenges in her private life: she has recently broken up with her boyfriend, she is unemployed and sofa-surfing at a friend's house since she can't pay her share of the house rent, we get a full image of a reality that is common to our generation. We find a girl who is lost, tired of sending continuous CV everywhere without ever getting an answer, and who can't seem to see a solution at the end of the tunnel. We find a girl that has locked herself out of her social life, with the objective of not facing the reality, which is that others continue with their lives and get to go on new adventures that aren't always compatible with her. And for me that was the best part of Dahlia and one of the reasons I could get along with this book from the start: her voice. Even though there were moments where I got tired of how she told us what was happening.
If we consider the Veronica Mars flow, we got partly what we were looking for. A crime that needed a solution as fast as possible, however the character that died wasn't fully explored, and had such a quick appearance on the story that at some point I didn't care anymore if he was killed and why. And besides, the creation of a mystery atmosphere got lost with so many aspects coming by at the same time. In the end, the mixture didn't work for me. I like to read works that are multidimensional but this book tried to be funny, dorky, smart, comical and mysterious at the same time. With so much going on, something got lost and disperse, loosing a conducting sense to it and it didn't made the readers hooked to the plot.
Involving the gaming world on the plot was a great idea, specially because the world build of the game was well developed and we could get the fully idea of how it was played, the different characters that every played could choose as an avatar and so on. The relation between the game and the real world was always present, even on the crime related scenes, giving a nice touch to it.
To be honest, the book only started to be fully interesting to me when I was already past 1/3 of it, so I read the first part with much effort, only focused on finishing it. But then I started having more fun where the other characters gained a better feature on the scene. Her crazy friends, the situations they got her into and what she did in result were great comic relief and I just wish we had more from them from the start.
The crime became totally secondary for me but the way that everybody interacted because of it was funny and engaging. And by everyone I refer to the smart ass new friends Dahlia got during the discovering process she did about herself.
Long story short, I think the main ideas that the synopsis promised were there, we got a vibe from World of Warcraft and Veronica Mars but the fitting and the execution of all wasn't so well done as I would enjoy.



Cláudia
About the author:
 
Addicted to the library Claudia loves to read on the move and we can usualy find her sitting in a train or bus reading while commuting to and from work. But don't be fooled she is also keeping an eye on the landscape and all around her. She is an avid defender of sustainability and volunteering and it's as easy to find her starting a new project as it is to find her chatting with her friends. She is a dreamer and loves good stories so she keeps looking for them in her personal life.

domingo, 7 de agosto de 2016

Desafio: Pokémon Go Book Tag


O Pokémon Go chegou e não planeia partir tão cedo, ou pelo menos é isso que a blogger de Read At Midnight pensa visto ter decidido criar a Pokémon Go Book Tag.

Apesar de não sermos muito de desafios decidi fazer esta tag porque a achei engraçada e porque, me confesso, jogo o jogo. (Já apanhei 50!)


 Os livros que mais li e reli quando era nova foram a colecção das Gémeas no Colégio de Santa Clara e o Colégio das 4 Torres de Enid Blyton. Aliás, a minha mãe tinha uma série de livros da Enid Blyton de quando era nova que me deu para ler. O cheiro a livros velhos e as letras "batidas à máquina" cativaram o meu interesse. Também me lembro de gostar dos livros Rosa, minha irmã Rosa e Lote 12, 2º Frente de Alice Veira.
Provavelmente os livros de Harry Potter. Sou bastante fã de livros infanto-juvenis e clássicos como Milly-Molly-Mandy e Xuxu Invejosa estarão sempre entre os meus favoritos.

Crónica de uma serva de Margaret Atwood. Tive pesadelos durante semanas,

Não tenho um OTP que valorise acima dos outros. Normalmente o meu OTP é o do livro que estou a ler no momento. Mas o Ron e a Hermione tem um lugar muito especial no meu coração.

Poison Study de Maria V. Snyder. Qualquer livro dela é fast-paced!

Até Curced Child ter saído diria a série de Harry Potter. Sem ser essa não sei que outra série escolher.

A Study in Charlotte de Brittany Cavallaro.

Robin Stevens, autora da série A Murder Most Unladylike.

A Court of Thorns and Roses e Throne of Glass de Sarah J. Maas. 

Aerie de Maria Dahvana Headley e o quarto volume da série Abarat!

A série Percy Jackson foi uma óptima surpesa porque achei que seria parecido com Harry Potter mas acabou por se revelar algo completamente diferente.

Todos os clássicos infantis em capa dura! Como por exemplo a colecção da Folio Society.


A saga Instrumentos Mortais, porque nunca mais acaba!


 Não me lembro de nenhum em expecifico mas YA tem tendência a repetir tropes, e é dos meus géneros favoritos.

Os livros de Patrick Rothfuss.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Opinião: Illuminae, de Anie Kaufman e Jay Kristoff



Illuminae - Os ficheiros Illuminae_01
de Amie Kaufman e Jay Kristoff
 
Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 608
Editor: Nuvem de Tinta
  





Resumo:
Illuminae é diferente de todos os livros que alguma vez leste. Através de documentos pirateados, emails, mapas, arquivos militares, transcrições de interrogatórios e mensagens, vais descobrir que o pior dia da vida de Kadie é apenas o início da história mais trepidante e arrebatadora de sempre.





Rating: 4/5

Comentário: Não costumo gostar de livros que se passem ou lidem com a temática do espaço. Sempre achei a astronomia aliciante e apelativa mas toda a ficção em sua volta me desarmavam e aborreciam (sim, não aprecio Star Trek nem Star Wars...). Livros com o enredo descrito através de cartas ou emails nunca resultam para mim. Então porque é que esta foi uma das minhas melhores leituras do ano (subentendendo-se que foi das que mais apreciei)? Porque Amie e Jay pegaram em dois elementos que teriam tudo para não dar certo para mim e convenceram-me do contrário!
Confesso que estive sempre de pé atrás com Illuminae quando o vi sair no mundo literário internacional, independentemente das muitas e boas análises positivas com que me deparei, porque as minhas experiências com temáticas semelhantes não tinham sido muito felizes. Mas a sinopse em português valida que este é um livro diferente de todos os lidos até então e está coberta de razão.
Este livro é apresentado como um relatório compilado que foi requerido a alguém, que procurava respostas sobre determinados acontecimentos que se procederam no planeta natal dos nossos protagonistas e que tiveram repercussões durante os meses que se seguiram a bordo de algumas naves de salvamento. Essa compilação é variada, decorrendo de relatórios dos próprios técnicos encarregues desta compilação, da recolha de emails, registos informáticos do sistema interno destas naves, conversas em chatrooms, registos de câmaras de vigilância, entre outros elementos. Existem também diversas cenas de acção, que não sendo descritas ao pormenor, estão representadas por vários elementos gráficos. Todos estes elementos, anexos numa lógica de equilíbrio e enquadramento da estória, fizeram todo o sentido.
Na verdade, e para perceberem melhor aquilo que pretendo abordar, aqui ficam alguns exemplos:






Ao nível dos planos de acção, estes são diferenciados e devem ser todos referidos. Por um lado temos este relatório compilado, onde são colocados comentários de alguém externo, provavelmente o responsável pelo processo, e que nos vai relembrando que, embrenhados no enredo que vamos acompanhando, há muito mais para ser explorado do que temos visível.
Por outro lado, o drama destes dois adolescentes, ex-namorados mas ainda apaixonados, que se encontram separados por duas naves e vão comunicando entre uma e outra para dar alguma luz sobre o que se passa no outro lado. Este acabou por ser o elemento que menos apreciei, embora seja natural e quase que mandatório para quem escreve livros YA na actualidade. Não necessariamente por ter um romance, mas pela forma como o romance era de algum modo imposto em determinados momentos. Estando em perigo, é normal que os dois adolescentes de alguma coisa se apegassem ao que os unia e manifestassem saudades, ou até carinho mútuo. O que era totalmente inverosímil eram os constantes gracejos em momentos inoportunos, e aquele egocentrismo tipicamente adolescente que, ainda que não deixasse de existir porque sim, eles eram miúdos, com tanta desgraça a ocorrer-lhes e à sua volta, o desenvolvimento forçado de maturidade era um bocado  que necessário e nem sempre o presenciei. Claro que alguns destes momentos são justificados posteriormente, mas não o suficiente para garantir cobertura a todos eles.
Tanto um como outro tiveram ainda alguma exploração de personagem, felizmente, que lhes atribuiu novas camadas e mistérios para desvendar e resolver. 
Depois, temos ainda o plano da perseguição, do inimigo invisível mas conhecido, que os procura com o intuito de eliminar provas para um massacre profundamente planeado, e que tem como objectivo o contorno deste obstáculo em 3 naves excessivamente povoadas, danificadas pelo confronto anterior, e sem capacidade para corresponder a todas as necessidades, a não ser com recrutamentos forçados e muita displicina militar, entre outras.
Por fim, o agente patogénico mistério, que criou um ambiente que de alguma forma me relembrou Residence Evil em alguns momentos, perigoso, assassino, não contido e imprevisível e com uma enorme capacidade de criar suspense, acção e adrenalina constante.
De resto, este factor foi simultâneo a todos, menos ao plano de Observação: a acção desencadeia-se depressa, cada página acrescenta algo novo à narrativa, o leitor está constantemente ansioso por descobrir uma novidade, uma nova solução, e quando esta parece surgir ao fundo do túnel, deparamo-nos com um novo obstáculo. É impossível não ficarmos rendidos com as diferentes camadas que contribuem para este ritmo acelerado, letal, mutável e em constante movimento.
Por fim, o tipo de leitura segundo todos os meios que já vos mostrei acabou por criar uma experiência alucinante, completamente inovadora e de imersão quase que total que me valeu numa das leituras que mais prazer de meu este ano.
Sem revelar muito do enredo, não há muito mais que vos possa acrescentar senão: mas que final foi aquele????? O momento de tensão é garantido e a reviravolta (uma delas, porque a outra me era previsível) vai-me fazer ficar a ansiar pelo próximo livro da trilogia durante os próximos meses. Fica uma sugestão para este verão, divirtam-se com ela!



Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.