quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Crónicas da Sala de Espera


Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 160
Editor: Difel

"Pedro Beça Múrias, tem 47 anos e é jornalista. Em Dezembro de 2008 foi-lhe diagnosticado um cancro no recto. E logo se lhe colocaram no horizonte tratamentos de quimioterapia e radioterapia, antecipando uma operação para remover o tumor. Essa operação aconteceu a 27 de Abril de 2009. Motivado pelos colegas do programa Janela Aberta, emitido todas as tardes no Rádio Clube Português, passou a assinar umas crónicas diárias - "Crónicas da Sala de Espera" - nas quais contava o seu dia-a-dia como jornalista, e como doente de cancro, nos hospitais onde fez os tratamentos. Chegou mesmo a fazer alguns directos da sala de tratamentos de Quimioterapia, usando o braço que tinha livre para falar ao telefone.
Quando, na Gala do Rádio Clube, realizada em 2009, foi aplaudido de pé por dois mil ouvintes, durante vários minutos, sentiu que todo o seu esforço, pois disso se tratou, estava a valer a pena.
Estava a chegar às pessoas.
Enquanto isso, não parou de receber e-mails de ouvintes, ora a agradecer-lhe por existir uma voz mediática com quem se podiam identificar, alguém que estava a passar e a sentir o mesmo que eles, ora a incentivá-lo a continuar.
Mesmo depois da operação, fez mais alguns directos deitado na cama do hospital. E no dia em que teve alta, entrou em directo no programa Janela Aberta, tendo passado pelos estúdios antes até de ir para casa, após dois meses e meio de internamento.
Hoje, passado um ano desde o início da sua luta contra a doença, pode dizer-se que a levou de vencida, apesar de alguns sobressaltos ocorridos no pós-operatório.
Quanto ao futuro, se o Cancro voltar, "cá estarei de novo para lhe dar luta! "…



O livro "Crónicas da Sala de Espera" foi adquirido para oferta, embora confesse que o fiz contra vontade. As expectativas centravam-se em "Avó, é apenas mais um livro para chorar". Contudo, revelou-se uma verdadeira lição de vida.

Deixa-nos a pensar como o nosso tempo de vida é tão fugaz e incerto...que com ele voam todos os momentos bons e permanece tanto do que queríamos fazer. A verdade é que nunca iremos conseguir fazer tudo. Mas, nestes momentos, como o retratado no livro, o nosso cérebro invade-nos com a palavra "aproveita" e aí surgem tantas frases, pessoas, pensamentos, interrogações...um verdadeiro torbulhão de emoções. Este jornalista encara a sua doença com um sorriso, tudo culmina num sorriso nos lábios e num aperto no peito. Medo e Coragem. Força e Fraqueza. A vida é o Tudo e o Nada. Mas ele ensina a não desistir. Não vou contar como termina o livro, para deixar a curiosidade a pairar no ar, mas a verdade é que, seja qual for o seu fim, deixa-nos com um nó na garganta e com a certeza de que somos frágeis mas também somos capazes de alcançar emoções que mais nenhum Ser consegue. E o mundo grita-nos "Vive"!

sábado, 27 de março de 2010

Coração do Mar, de Nora Roberts


 Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 288
Editor: Edições Chá das Cinco
 
"Darcy Gallagher sempre acreditou na importância da fé, na força da tradição... e no poder do dinheiro. Sonha em encontrar um homem rico que a apresente a um mundo repleto de glamour e aventura, que acredita ser o seu destino. Trevor Magee, um homem de negócios com antepassados irlandeses, chega a Ardmore com a intenção de construir um teatro... e descobrir os segredos dos seus antepassados. Há muito que não acredita no amor, mas Darcy Gallagher tenta-o como nenhuma mulher alguma vez fez. Ela é maravilhosa, inteligente, sabe o que quer... e ele está mais do que disposto a dar-lho. Mas quando a sua atracção mútua se transforma em paixão, olham para os seus corações e descobrem que numa terra antiga como a Irlanda, o amor tem raízes na própria magia. "



Já por várias vezes me vi em livrarias com livros de Nora Roberts nas mãos, pelas capas sempre apelativas que eles costumam ter. No entanto, a sinopse sempre me deixa muito a desejar, pela componente um tanto ou quanto parecida com a da escrita literária de Nicholas Sparks e que não é, de todo, das da minha preferência. Decidi mesmo assim ler "Coração do Mar" porque fui atraída para o cenário proposto para contar a história. E devo dizer que no decorrer das páginas, esse é definitivamente o ponto forte do livro: a vivência de uma família irlandesa proprietária de um pub numa pequena aldeia junto ao mar, as noites passadas ao som de música e do tilintar de inúmeras canecas de cerveja, o espírito endiabrado e impulsivo de irlandeses cabeça de fogo, mas no fundo no fundo, simples demonstrações de afecto e carinho uns pelos outros. Toda a componente retractada pela composição secundária do livro é aquilo que poderíamos esperar de uma obra decorrente neste sentido. Confesso no entanto que fiquei ligeiramente desiludida com a composição que a autora atribuiu à componente fantasista e lendária das tradições celtas. Por outro lado, e tendo em conta a acção principal, é difícil de negar que infelizmente acertei no que me esperava e a previsibilidade da mesma, até certo ponto, fez-me saltar numa frustração imensa umas dezenas de páginas, deixando de sentir prazer em lê-las. De qualquer forma, é um livro ligeiro, de leitura fácil e com capacidade de entretenhimento para amantes de Nora Roberts.

quinta-feira, 18 de março de 2010

O Dilema de Shakespeare por Harry Turtledove

O Dilema de Shakespeare
por Harry Turtledove

Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 480
Editor: Saída de Emergência
  
Ser livre ou não ser livre... Eis a questão!

Em 1588, a invencível armada de Filipe, rei de Espanha e Portugal, zarpou de Lisboa para conquistar Inglaterra. Mas uma série de tormentas e o génio de Francis Drake desbarataram-na, salvando assim Inglaterra. O que aconteceria se essas tormentas nunca tivessem acontecido e Francis Drake não tivesse a sorte do seu lado? É isso que descobrimos neste fabuloso romance de Harry Turtledove. Onde dez anos depois do desembarque dos espanhóis, os ingleses vivem subjugados pela inquisição que atira os heréticos para a fogueira. E com a rainha Isabel encarcerada na torre de Londres, os ingleses não têm qualquer símbolo que os una contra os invasores. William Shakespeare é apenas mais uma vítima. Não tendo qualquer interesse na política, a sua paixão é escrever para o teatro onde as suas palavras provocam gargalhadas e lágrimas na população oprimida. Mas agora é dada a Shakespeare a oportunidade de escrever a sua maior obra... Um drama que incite os ingleses a levantarem-se contra os opressores e a mudar o curso da história.
Rating: 3,5/5

Comentário:
Nunca fui fã de literatura histórica. Mas o facto desta Inglaterra nunca ter existido cativou-me, como aqueles "ses" que brincam na parte de trás da nossa mente. Se isto tivesse acontecido, se aquilo não se tivesse passado. Como me ofereceram o livro pouco tempo depois, fiquei curiosa e quis começar a ler, como sempre a vida pôs-se pelo meio, e só agora tive tempo para o fazer.
Adorei o livro, segui Shakespeare em cada passo da sua revolução, suspirei com ele e suei com ele. Fui cúmplice, devo admitir desta revolta. Por isso aconselho-o vivamente a todos!

sábado, 13 de março de 2010

Pela China Dentro



Edição/reimpressão: 2004
Páginas: 302
Editor: Dom Quixote

Recentemente interessei-me pela Literatura de Viagens. E deixem-me dizer que nem sempre é fácil achar livros sobre o assunto nas Bibliotecas Municipais, minhas principais fornecedoras nestes últimos tempos. De qualquer forma, ainda se conseguem encontrar algumas obras bastante interessantes lá para o meio. É o caso de "Pela China Dentro - Uma Viagem de 12 anos" de António Caeiro.
"António Caeiro viveu, entre 1991 e 2003, uma experiência única: a partir do lugar privilegiado de correspondente da Agência Lusa em Pequim, pôde observar as tremendas mutações por que passou e continua a passar o país mais populoso do mundo. (...) Sobre essa experiência, António Caeiro escreveu um livro onde mistura toda a sua oficina e talento de jornalista com os dons do diarista e do cronista. [...] Para os que se sentem apaixonados pelo que se passa na China, os que procuram entender o que é difícil explicar - designadamente uma forma de viver e uma cultura radicalmente diferentes das ocidentais -, o livro de António Caeiro é precioso, pois casa o olhar experiente do jornalista com a capacidade de se surpreender do curioso insaciável e tem, por fim, algo do aroma inconfundível dos bons livros de viagens. "

Este livro de António Caeiro, sendo um relato pessoal e vivido dos pressupostos de uma nova China, abalada por uma enchente de transformações nos últimos anos, capta de forma bastante fidedigna e observadora acontecimentos que talvez não estivessem tão despidos de entendimento para um olho menos treinado. Vale-lhe a experiência profissional, que não põe em causa em algum momento a sua opinião pessoal. Mais que um livro de descrição ou de vivência pessoal, é uma amálgama dos dois, de onde sobressaem estórias pessoais de pessoas que de outra forma não as veriam contadas; e que reproduzem a vida de tantas outras para sempre incógnitas.

Um grito de amor desde o centro do mundo


Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 200
Editor: ALFAGUARA

Ganhei recentemente um passatempo levado a cabo pelo blog Páginas Desfolhadas , que me galardoou com este mimo de Kyoichi Katayama.
“Sakutarô e Aki conhecem-se na escola. Ele é um jovem engenhoso e sarcástico. Ela é uma rapariga bonita e popular. O que de início é uma amizade cúmplice torna-se numa paixão arrebatadora. Um acontecimento trágico vem pôr à prova a força do amor que os une. Este é o romance japonês mais lido de todos os tempos no Japão, com mais de três milhões de exemplares vendidos.”

Uma simples sinopse não faz jus à obra que nos é apresentada. Num estilo literário bastante ligeiro, “Um grito de amor desde o centro do mundo” revela-se uma história doce, como deveriam ser todas as paixões adolescentes. De forma muito subtil, mas incutida, pequenos aspectos da cultura japonesa e das suas tradições sociais vão sendo demonstradas ao longo do enredo. Por outro lado, nota-se uma tentativa de não incidir de forma agressiva sobre um tema sério como as doenças terminais, concentrando-se a história numa directriz de opiniões e filosofias sobre o que é o verdadeiro amor e até onde se pode lutar por ele. É de realçar a originalidade do autor ao colocar como narrador uma personagem masculina, quebrando a barreira de que o que é sensível tem apenas de ser relatado por mulheres. É emotivo, simples e uma leitura simpática, que nos coloca um sorriso no rosto em vários momentos. No entanto, e porque é considerado um dos livros mais lidos de sempre no Japão, depreendo que parte da mágica que o caracteriza tenha ficado perdida na tradução.