segunda-feira, 30 de abril de 2012

O Pacto de Gemma Malley

O Pacto
O crime de ter nascido 
de Gemma Malley
Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 288
Editor: Editorial Presença
Resumo:
Planeta Terra, ano 2140. A ciência oferece aos humanos a possibilidade de se tornarem imortais, mas, dada a escassez de recursos, a imortalidade só é garantida à custa da renúncia à descendência. O Pacto é o compromisso que sela tal decisão. Quebrá-lo é ir contra as leis da Natureza, e as consequências são aterradoras. Anna conhece-as demasiado bem. É uma Excedente, uma criança que não deveria ter nascido. Desde bebé que está em Grange Hall, a instituição que prepara todos os Excedentes para o terrível destino que os espera no mundo exterior. Mas um dia recebe a visita de Peter, um jovem Excedente que vem revolucionar para sempre a sua visão de si própria e do mundo…

Rating: 4/5

Resumo:
O Pacto de Gemma Malley parte de uma grande premissa que, na minha opinião, é o que o mantêm interessante do inicio ao fim. A história não é particularmente original tendo apenas uma ou outra reviravolta, mas a ideia de um mundo como este é cativante e puxa as pessoas. Creio que puxa exactamente porque deixa uma pergunta no ar: Se eu pudesse escolher entre a imortalidade e ter filhos, o que escolheria?
Talvez para maior parte das pessoas a dúvida não seja imediata. Talvez maior parte escolhesse a Imortalidade, mas esta não é fácil e vem com alguns inconvenientes. Como a ciência ainda não evoluiu ao ponto de restaurar os órgãos, a pele das pessoas estica e tem de ser rpesa por pinças para parecer que ainda está direita. Há senhas que ajudam no racionamento de luz e comida, porque ter um planeta cheio de pessoas que não morrem significa que os recursos naturais se irão eventualmente esgotar. Daí ter aparecido o pacto, o pacto no qual as pessoas abdicam de ter descendência para poderem viver para sempre.
Mas valerá a eternidade o suficiente para uma pessoa viver de senhas, toda a vida? Uma vida eterna mas sofrida, carregada de compridos e maquinetas para as pessoas parecerem eternamente jovens, quando não o são?
Anna foi formatada pelo poder instaurado, os seus pais assinaram o pacto mas tiveram-na na mesma. Ela aprendeu que esta atitude é considerada egoísta e que penalizada com a perda destes da custódia de Anna que foi parar a um "orfanato" de Excedentes. A vida no orfanato não podia ser pior, todas as crianças que lá se encontram não deveriam sequer ter nascido e são todas tratadas como peças extras de uma sociedade que já funciona bem com as peças que tem.
O livro acompanha a luta de Anna para aprender a ver-se de outra maneira e que só porque algo nos foi dito ser correcto, não significa que assim o seja. É aqui que Peter entra, ele vem por em causa tudo aquilo em que Anna acredita, virando para sempre o mundo desta de pernas para o ar.
A escrita de Gemma Malley é fluída e a história segue-se rapidamente. Apesar de me ter dado alguns nervos ao inicio por estar excessivamente formatada, acabei por aprender a gostar da Anna e segui a sua história com muito interesse. Sem dúvida um dos primeiros livros distópicos a chegar a Portugal e um dos meus favoritos por obrigar o leitor a pensar.
O Pacto é o primeiro livro de uma trilogia, chamada "The Declaration", é seguido pelo livro a A Resistência, editado também pela Editorial Presença e pelo livro O Legado, de momento ainda não disponível em português.

domingo, 29 de abril de 2012

Livros fantásticos!

Uma rapariga a voar levada por livros. Uma biblioteca perdida. Um homem sem cor que descobre todo um novo mundo nas páginas dos livros...
Este pode ser um pequeno resumo sobre a pequena metragem que em 2011 foi levada aos Óscares.
Com o nome Os fantásticos livros voadores do Sr. Morris Lessmore esta é uma curta animação a não perder para todos aqueles que como nós amam ler e amam livros.

sábado, 28 de abril de 2012

Por Treze Razões de Jay Asher

Por Treze Razões 
de Jay Asher
Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 308
Editor: Editorial Presença
Resumo:
Naquele dia quando Clay regressou da escola, encontrou à porta de casa uma estranha encomenda com o seu nome escrito, mas sem remetente. Ao abri-la descobre que, dentro de uma caixa de sapatos, alguém colocara sete cassetes áudio, com os lados numerados de um a treze. Graças a um velho leitor de cassetes Clay prepara-se para ouvi-las quando é sobressaltado pela voz de Hannah Baker de dezasseis anos, que se suicidara recentemente e por quem ele estivera apaixonado. Na gravação, Hannah explica os seus treze motivos para pôr fim à vida, que a cada um deles correspondia uma pessoa e que todas elas iriam descobrir na gravação o seu contributo pessoal para aquele trágico desfecho.

Rating: 3,5/5

Comentário:
Apanhei este livro por acaso no GR e achei que talvez fosse interessante ler e comentá-lo tendo em conta que os últimos dois livros que comentamos tinham como tema a morte. Assim sendo mantemos uma linha de tema que espero que quebremos por uns tempos, pegando em livros um pouco mais alegres.
"Por treze razões" tocam-nos de várias maneiras, fala-nos das nossas inseguranças, fala-nos de bullying, fala-nos de um desespero total e de como pequenas acções nos podem quebrar ao ponto de não deixarmos que ninguém nos conserte. É um livro que beneficiaria imensamente de vir com as "K-7" actualmente na versão cd ou mp3 para download no site, porque ouvir a voz de Hannah Baker e ler o livro seria uma experiência 'assombrante' que ficaria sem dúvida com o leitor muito tempo após o mesmo ter lido o livro.
Mesmo assim devo dizer que para o fim me chateei com a Hannah e concordo com o Clay quando ele diz que ela já só estava à procura de tornar o mundo dela ainda mais escuro, ter mais uma razão para se matar. Não digo que o que ela não tenha podido controlar seja culpa dela, óbvio que não foi, há coisas que ela fez sem saber que também não foram culpa dela, apenas se tornaram fardos imensamente pesados que ela podia ter aprendido a carregar, mas perto do fim a Hannah escolheu isolar-se e deixar-se a afogar, ela deixou de lutar.
Não sei se era essa a intenção de Jay Asher, se ele queria mostrar que a determinada altura quando as pessoas desistem delas mesmas não há nada que possamos fazer, mas foi o que conseguiu. A determinada altura o jogo podia ter virado na vida de Hannah e ela poderia ter ganho o seu quinhão de felicidade se arriscasse, no entanto, é difícil arriscar quando já se teve o coração partido uma e outra vez, por namorados, amigos e colegas de turma. Quando todo o mundo se vira contra nós e uma única pessoa nos estende a mão temos tendência a duvidar da sua sinceridade, é normal, é compreensível.
Creio que esta faceta do livro acaba por dar veracidade à personagem de Hannah, ouvimos-la e entendemos o seu sofrimento, ouvimos-la e perguntamos "se fosse eu, teria coragem de continuar?". Mesmo assim, isso afastou-me um pouco da Hannah, porque sou uma pessoa naturalmente esperançosa, que vê sol em dias de chuva, e apesar de não ser bonito 'dizer mal dos mortos', tomo o partido de Clay que muitas vezes ao longo do livro se chateia com Hannah e com as decisões que ela tomou. Mas a escolha de Hannah estava feita e ela acabou por se matar.
Os adultos parecem concordar com a frase que diz que todos os adolescentes se acham imortais, que há uma certa idade na qual é impossível morrer, uma idade na qual ninguém acredita nisso e depois as pessoas crescem, envelhecem e apercebem-se que não é bem assim. Ás vezes, nem é preciso crescer, basta um acidente na escola para os adolescentes se lembrarem de como a vida é frágil e de como eles não tem uma película de protecção. Livros como este tocam esta película e fazem pensar.
Tenho a dizer que gosto bastante desta colecção da Editorial Presença chamada Noites Claras e acho que o livro se enquadra perfeitamente na mesma, ao lado de "Se Eu Ficar" e "O Outro Lado". Tenho pena, no entanto, que o livro "Antes de Vos Deixar" de Lauren Oliver, em breve a ser comentado aqui no Encruzilhadas, não tenha sido incluído nesta colecção, creio que tem um tema semelhante e que se enquadra no estilo da colecção.
Apesar de não fazer parte do PNL, como "Se Eu Ficar", este livro não deixa de ser uma 'chamada de atenção' que nos obriga a repensar as nossas acções. Penso que seria interessante ser integrado no PNL pois trata directamente de um tema que poderia ser discutido com os alunos/filhos/sobrinhos/netos se estes estivessem dispostos a isso com um adulto que os poderia ajudar.
Se ainda não leram "Por Treze Razões" aconselho a que o façam, mas atenção, não é um livro para os fracos de espíritos, apesar de já ter lido histórias mais pesadas, creio que esta faz um pouco de ressonância em qualquer pessoa que frequenta ou frequentou o ensino secundário e se sentiu, minimamente, isolada e à beira do abismo.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Como aprendi a gostar de ler

O artigo de hoje foi retirado deste site e não tomamos qualquer crédito por ele. Simplesmente achámos-lo deveras interessante e relevante para todos os pais que querem pôr os filhos a ler.

Como aprendi a gostar de ler com 11 atitudes simples de meus pais
por Alessandro Martins
Uma professora de português, na pós-graduação em Literatura Brasileira que faço na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), disse que é comum que mães questionem os livros indicados aos filhos, considerando-os muito complicados.
Pensei que uma boa idéia seria perguntar delicadamente a essa mãe que outros livros ela teria indicado durante todo aquele tempo antes de ele chegar às aulas de Literatura.
Os pais têm papel fundamental na formação dos novos leitores. A responsabilidade não pode ser jogada apenas nas costas dos professores na hora de ensinar a gostar de ler.
Eis algumas coisas que meus pais fizeram para que eu me tornasse amigo dos livros. Se você for pai ou mãe, espero que isso ajude.
  1. Presenteavam-me com livros – Quase toda semana eu ganhava um livro novo. Nas datas festivas, além de um brinquedo, eu ganhava um livro.
  2. Levavam-me às livrarias – Nada mais divertido e que chame mais a atenção de uma criança que a colorida seção de livros infantis. Ainda que ela seja pequena e desorganizada, como costumam ser as de ultimamente, para a criança tudo é grande, vasto e divertido.
  3. Levavam-me à biblioteca - Nem todo mundo tem dinheiro para comprar livros toda semana. Mas uma biblioteca tem uma quantidade enorme de livros à disposição. De graça. Lembro como ontem o dia em que meu pai me acompanhou quando fiz a minha carteirinha. Emprestei uma edição do Príncipe Valente.
  4. Associavam esses passeios a coisas divertidas – Uma ida à livraria ou à biblioteca era acompanhada sempre de um sorvete, uma passada na pastelaria ou um passeio no zoológico. Não precisa ser nada muito complicado. A leitura deve estar ligada a atividades prazerosas já que também é uma.
  5. Não tinham preconceito quanto a gibis - As histórias em quadrinhos são ótimas maneiras de iniciar a criança à leitura. Embora sejam uma forma de arte diferenciada, habituam à palavra escrita.
  6. Liam histórias para mim – Minha avó também lia histórias para mim. Sempre que o fazia colocava seus óculos. Como eu ainda não sabia ler, um dia roubei os seus óculos imaginando que aquilo me ajudaria a entender aquelas letrinhas todas.
  7. Contavam histórias para mim – Quem gosta de ouvir histórias, gosta também de lê-las e de contá-las. Eles também me mantinham em contato com as pessoas mais velhas da família que, por natureza, são contadores de histórias. Quando criança, lembro de aos domingos, bem cedo, ir para cama de minha bisavó, onde ela me contava as suas aventuras da juventude.
  8. Davam livre acesso aos livros adultos – Eles nunca temeram que eu estragasse os livros da biblioteca, os livros “sem figura”. De fato, estraguei alguns, mas a minha transição dos chamados livros infantis para os adultos foi gradual e sem pressões, no meu ritmo. O primeiro que li foi Tubarão, aquele do filme.
  9. Meu pai me levava ao cinema – O cinema é uma das portas de entrada para a literatura. Foi ao ver Mogli, dos estúdios Disney, que me interessei em ler o Livro da Selva, de Rudyard Kipling.
  10. Eles liam – Meu pai, sobretudo, lia muito. Para uma criança, o cara mais legal do mundo é o pai. E, quando você é criança, tudo o que você quer é ser como o cara mais legal do mundo. E o mais importante:
  11. Eles NUNCA me obrigaram a ler – Tudo que é feito por obrigação é um saco. Coisas feitas contra a vontade causam trauma. E, depois de um trauma, mesmo que seja a mais prazerosa das atividades, mais tarde você vai associá-la com sentimentos ruins e se recusar a fazê-la. Para entender melhor, apenas neste item substitua a palavra leitura pela palavra sexo.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Se Eu Ficar de Gayle Forman

Se Eu Ficar 
de Gayle Forman
Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 216
Editor: Editorial Presença
Resumo:
Naquela manhã de Fevereiro, quando Mia, uma adolescente de dezassete anos, acorda, as suas preocupações giram à volta de decisões normais para uma rapariga da sua idade. É então que ela e a família resolvem ir dar um passeio de carro depois do pequeno-almoço e, numa questão de segundos, um grave acidente rouba-lhe todas as escolhas. Nas vinte e quatro horas que se seguem, Mia, em estado de coma, relembra a sua vida, pesa o que é verdadeiramente importante e, confrontada com o que faz com que valha mesmo a pena viver, tem de tomar a decisão mais difícil de todas.

Este livro faz parte do Plano Nacional de Leitura para 7º, 8º e 9º anos.

Rating: 3/5


Comentário:
Este livro tem um começo fantástico e era uma ideia verdadeiramente genial. A história de uma adolescente que tem tudo e subitamente devido a um acidente perde tudo. A sua luta por vinte e quatro horas enquanto pesa a sua vida e decide "se deve ficar ou não". A descrição até me dava arrepios e namorei-o durante muito tempo, até que finalmente na Feira do Livro de 2011, comprei-o!
Fui alegre e radiante até casa e assim que cheguei procurei um canto e sentei-me a ler. Foi a primeira vez em muito tempo em que não pensei "e se o livro não for do meu grado?". Como não podia ser, ora? A descrição dava-me arrepios! As páginas foram passando, passando e a determinada altura suspirei e pousei o livro. Acabei de o ler pois são raros os livros que não acabo mas infelizmente para mim não me conseguiu conectar com as personagens.
Gostei da família de Mia e continuo a dizer que a ideia em si era genial, sinto no entanto que ficou um pouco além do que verdadeiramente podia ter sido. Talvez tenha sido culpa da minha alta expectativa, não ponho essa hipótese de parte, visto que maior parte das pessoas, em particular adolescentes, consideram o livro uma óptima leitura. Por outro lado isso também acaba por não ser muito revelador da situação, pois existem outros livros que não gostei que foram grandemente acalmados pelo público.
Decidi dar a classificação de 3 estrelas a este livro, e não 2 estrelas como tenho no GoodReads, pois independentemente de tudo o livro primou pela "originalidade" em todos os sentidos. Pela ideia, pela família e pela própria vida de Mia, que tem contornos muito próprios.
No entanto tendo em conta o género, livros sobre "a vida depois da morta" já li livros que me cativaram mais e cuja história me prendeu do inicio ao fim. Talvez tente re-lê-lo daqui a algum tempo e talvez me surpreenda, de momento, apesar de não ter desgostado da escrita de Forman, não é um livro que me tenha deixado boa impressão.


  • O livro tem uma sequela chamada "Were She Went" que ainda não está disponível em português.