segunda-feira, 14 de maio de 2012

O Olho de Golem de Jonathan Stroud

O Olho de Golem
A Triologia Bartimaeus - Livro 2
de Jonathan Stroud

Edição/reimpressão: 2005
Páginas: 462
Editor: Editorial Presença

Resumo:
Dois anos passaram desde os últimos acontecimentos. Nathaniel tem agora catorze anos e é adjunto do Ministro da Administração Interna. O seu dever é desmantelar a Resistência, uma organização de comuns que quer derrubar o poder dos magos. Mas quando um ataque-surpresa de um golem é atribuído erradamente a este grupo, Nathaniel vê-se obrigado a pedir ajuda a Bartimaeus, ainda que com relutância. Entretanto, um jovem membro da Resistência, Kitty Jones, planeia roubar o túmulo sagrado do grande mago Gladstone. É então que, numa noite, os destinos de Nathaniel, Bartimaeus e Kitty se encontram sob os desígnios de algo bem mais poderoso… Alternando a focalização da acção entre Nathaniel e Kitty e com alguns capítulos contados na primeira pessoa por Bartimaeus – que confere a sua nota de sarcasmo e de humor irreverente à sempre crescente tensão – este novo volume guia-nos até Praga, faz-nos perseguir um esqueleto pelas ruas de Londres, testemunhar actos ousado e penetrar no mundo sórdido do governo dos magos. 


Rating: 4/5


Comentário: 
Depois do primeiro livro da trilogia Bartimaeus é impossível não querer pegar no livro seguinte. Agora há mais uma personagem que se junta à história. Kitty Jones, uma cara nossa conhecida do primeiro livro mas que não teve muito importância, volta e entra para o elenco das personagens principais.
Tal como o resumo diz passaram dois anos desde o primeiro livro e Nathaniel cresceu. Tem catorze anos e é o mais novo adjunto de sempre do Ministro da Administração Interna, quem leu o primeiro livro sabe que este é o sonho de Nathaniel tornado realidade, finalmente parte do reconhecimento que ele sempre esperou. É extremamente fascinante ver o crescimento de Nathaniel como personagem, a maneira como ele se move e pronuncia e maneira como Bartimaeus o vê tornam este livro algo de fascinante. 
Este é também o livro em que uma personagem feminina toma um papel mais principal. Para mim, Kitty era o que faltava à dupla. Agora que Nathaniel está mais crescido a história precisava de uma personagem pragmática e idealista para contrabalançar com a sua ambição.
Kitty Jones vem preencher este papel. Neste livro abordamos a sua história e como ela chegou à Resistência e quais são os verdadeiros objectivos desta. Temos também pela primeira vez a visão do mundo pelo lado dos não mágicos e podemos sentir a sua opressão face aqueles que tem magia.
Esta dicotomia, apesar de levemente abordada no primeiro livro, toma uma dimensão maior agora que Nathaniel já tem catorze anos e já percebe coisas que não lhe faziam sentido quando era mais novo.
O crescendo do livro acaba por criar uma ponte para o terceiro volume da trilogia e revela-se como sendo um pedra importante no caminho.Uma saga sem dúvida a não perder!
  • Podem ler o nosso comentário ao primeiro volume da trilogia "O Amuleto de Samarcanda" aqui;

sábado, 12 de maio de 2012

A Sexta Mulher de Suzannah Dunn

A Sexta Mulher 
de Suzannah Dunn 
Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 274
Editor: Quinta Essência
Resumo:  
Amor, paixão e intriga na corte dos Tudor! 
Inteligente e generosa, Katherine Parr, a sexta e última mulher de Henrique VIII, sobreviveu a quatro difíceis anos de casamento. Mas quando o ambicioso e atraente Thomas Seymour conquista o seu coração, poucos meses após a morte do velho e cruel rei, a sua união apressada vai determinar o destino de Kate de uma forma que ninguém esperaria.
Catherine, duquesa de Suffolk, e a melhor amiga de Kate, é a testemunha privilegiada do amor tardio da rainha viúva. Mas, apesar dos seus receios em relação ao novo marido de Kate, a pouco e pouco torna-se óbvio que também ela esconde uma história negra. E se Thomas é capaz de trair a mulher pelo poder, a fria e calculista Cathy é capaz de trair a melhor amiga por amor.
Numa época em que a mínima indiscrição podia significar prisão e, até, a morte, a nova vida de Katherine Parr decorre longe de olhares indiscretos, entre os que mais a amam - mas até que ponto esse amor a poderá proteger da mais cruel das traições? 

Rating: 2/5



Comentário: Como uma amante de história, a possibilidade de conhecer mais sobre os Tudor foi o que inicialmente me seduziu para ler este livro. Tinha uma capa atractiva, parecia mimoso e quando chegou até mim foi inevitável lê-lo. 
Na verdade, muito se ouve falar de Henrique VIII, da primeira mulher Catarina, da Ana Bolena..., mas sobre as outras mulheres parece sempre haver um esquecimento e umas brumas de encobrimento nas quais se perde a importância do momento histórico, provavelmente devido ao facto de terem precedido mulheres com tanta garra e polémica em sua volta.
Por esse mesmo motivo fiquei algo desiludida com o seguimento do livro, dado que a temática é só levemente abordada ao longo de toda a história. Contado sempre na perspectiva de Catherine, amiga de Kate (a sexta mulher) existe um vazio inócuo associado à maioria da narrativa (já que existem muitas interrupções temporais durante as quais nada acontece e pouco se sabe de qualquer uma das personagens); o que por sua vez não me conseguiu prender. É sem dúvida uma obra de romance, mas salvo raras referências, poder-se-ia ter passado na actualidade ou em qualquer outro momento histórico. Nunca chegamos a perceber o que realmente sente Kate, qual foi a sua vida e o motivo pelo qual as coisas nem sempre lhe correram de feição.
Depois, a personagem principal não é fácil. A própria autora admitiu numa entrevista que pode ser consultada no final do livro que a sua personagem principal a irritava e como tal, faço-lhe uma vénia por isso porque é um trabalho bastante exigente por parte de um escritor, mas acho que em parte ela deixou transparecer esse sentimento para quem a lê. Ou a personagem tem uma personalidade mesmo insuportável e tornou difícil que me rendesse ao seu chamamento.
Provavelmente por causa disso, não me senti cativada ou envolvida no enredo e não me afeiçoei a nenhuma das personagens. Espera algo completamente diferente, atendendo à sinopse, e talvez por isso não tenha sido capaz de recebê-lo de melhor forma.

Ainda assim, a escrita é bastante fluída e o livro lê-se rapidamente numa tarde, para quem lhe quiser dar uma hipótese. Se tiverem uma opinião diferente, venham cá contá-la depois!

sexta-feira, 11 de maio de 2012

A política do "tem de acabar primeiro"

Tenho uma grande amiga que tem uma política muito gira em relação a sagas literárias, ela só as lê quando o último livro sair. Ela chama-lhe a política do "tem de acabar primeiro" e ainda tem o descaramento de ir ler o fim primeiro.
Isto são coisas que dão comigo em doida! Não só me irrita piamente que ela leia o fim primeiro, como ainda me entristece que ela perca toda a aventura e desespero de esperar pelo segundo ou terceiro volume daquela saga que nos rouba horas de sono.
Um dia, quando estávamos a tomar café, decidi encostá-la ao balcão e perguntar-lhe o porquê desta política tão grosseira. Com um sorriso triste e de chávena de café na mão respondeu-me que o problema não era dos escritores, era dela e eu tive de piscar os olhos admirada.
Por este pacotes de açúcar e adoçante lá me confessou que o seu grande problema era o apego que ganhava às personagens. Para ela morrer alguém num livro que ela gostasse era como se lhe matassem um familiar. Algo sério e sentido, segundo ela perde imenso tempo a pensar e repensar a situação, chega a ser um desespero.
A internet tornou-se assim a sua melhor amiga, quando descobre um livro que acha interessante senta-se ao computador e pesquisa se a saga já terminou e se sim, as linhas gerais da mesma. Assim sendo, sabe quais personagens não se apegar e pode ler a saga descansada que o seu coração não será importunado.
Além do mais, confessa-me ela também, torna-se muito mais fácil seguir o rumo da história porque se a tem toda fresquinha na cabeça. Ainda a torcer o nariz perguntei-lhe se ela fazia o mesmo com os filmes e as séries de televisão. Descobri que com as séries sim, ela faz o mesmo, espera que a primeira temporada saía e só depois a vai ver, com os filmes é mais liberal porque não tem tanto tempo para se apegar.
Não sei como os meus caros leitores se sentem em relação a isto mas eu não consigo. Se um livro me interessa, não importa que faça parte de uma colecção que ainda não está completa, ou que tenha vinte volumes. Quando tiver tempo, comprá-lo-ei e sentar-me-ei alegre e contente a lê-lo.
Eu faço parte daquelas pessoas que vive e respira a espera pelo livro a seguir! Que se entretêm a ver gráficos e a ler teorias da conspiração, porque para mim, isso acaba tudo por enriquecer a experiência que é ler o livro.
Numa era em que os autores mais jovens interagem bastante com os fãs, quer seja através de blogs como páginas do facebook, há sempre uma short-story para se ir lendo entre livros, há sempre um concurso para se participar e há sempre umas fotos para se ir vendo. Uma pessoa acaba por se envolver mais na saga e por conhecer, ou pelo menos, ver e ler, outros fãs. Isto são experiências que quando nos sentamos com três livros ao lado para ler de enfiada acabam por se perder.
Para mim ler é viver ao máximo a história, peço desculpa, mas efectivamente faço viagens em redor do meu quarto, afinal um livro é todo um novo mundo e as bibliotecas são autênticas agências de viagem "no-cost". Há que aproveitar, não acham?
Mas digam-me caros leitores, também esperam que as séries fiquem completas para as ler? Ou são como eu e vão lendo conforme os livros vão saindo?

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Opinião: Insurgent, de Veronica Roth

Insurgent
de Veronica Roth

Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 288
Editor: HarperCollins Publishers

Resumo:
 (Atenção este livro é o segundo de uma saga, o resumo poderá conter spoilers do volume anterior)
Uma escolha pode transformar-te - ou destruir-te. 
 Mas todas as escolhas tem a suas consequências e à medida que o descontentamento se instaura nas facções que a rodeiam, Tris Prior tem de continuar a tentar salvar a vida daqueles que ama, assim como a sua, enquanto se debate com questões de luto e perdão, identidade e lealdade, política e amor.

O dia da iniciação de Tris devia ter sido marcado com celebração e vitória com a facção da sua escolha, em vez disso, o dia terminou com horrores inexplicáveis. A guerra está no horizonte à medida que os confrontos entre as facções e as suas respectivas ideologias crescem. E em tempos de guerras, partidos serão tomados, segredos virão há superfície e as escolhas tornar-se-ão inegáveis e cada vez mais poderosas. Transformada pelas suas decisões mas também pelo seu luto e culpa, descobertas radicais e relações em mutação, Tris tem de abraçar a sua Divergência mesmo sem saber o que poderá perder ao fazê-lo.  (traduzido 'livremente' do inglês)

Rating: 3,5/5



Comentário: 
Depois de finalmente ter lido o primeiro volume desta série fiquei bastante curiosa para ler a sua continuação. Assim que a mesma foi lançada a 1 de Maio deste ano, fiz questão de deitar a mão a uma cópia do mesmo para pode continuar a seguir as aventuras de Tris. 
O livro começou bastante activo e com bastante informação sobre os Amity e um pouco mais de informação sobre os Divergentes e sobre as facções em geral. A aventura continuou emocionante e foi com grande entusiasmo que segui a Tris para todo o lado e me aborreci várias vezes com ela, por causa das coisas que ela teimava em fazer para saber a "verdade". Este livro inicia-se com uma citação do manifesto dos Candor, no qual eles dizem que "a verdade, tal como um animal enjaulado, quer-se libertar", esta frase é a base do livro e mostra-nos os limites que as pessoas estão dispostas a atingir para manter fechada ou recuperar a verdade.
O caminho para a verdade foi fascinante, houve capítulos intensos e momentos de choro profundo. Aviso que Veronica Roth sabe contar uma guerra e preparem-se para ver muitos caídos. Creio é que depois de tudo o que foi vivido, passado e ultrapassado e quando finalmente chegou a altura do ajuste de contas a verdade foi um pouco insípida. Não era nada que eu não conseguisse imaginar tirando um ou outro pequeno factor.
Acho que mais que desapontada fiquei chateada com a autora.  "O meu problema é ser Divergente", este foi o meu primeiro pensamento ao acabar de ler o segundo volume desta saga, por ter chegado tão perto do que ela tinha imaginado e pelo climax não ter tido correspondência.
Creio que este problema também se deve ao facto de maior parte das pessoas estar louca com o livro e ter dito tão bem do mesmo, creio que estava preparada para algo completamente inesperado! Isto ainda pode acontecer no terceiro volume visto o segundo acabar meio de repente depois da verdade ter vindo ao de cima. 
Assim sendo não perdi a minha esperança nesta autora! O livro tem um passo rápido e a história promete, apesar deste pequeno precalço! Apesar de ainda não ter título o terceiro volume é chamado pelos fãs da série de "Detergente" (uma mistura de Divergente com Insurgent) e a própria autora já entrou na brincadeira mostrando um printsvcreen do seu desktop com um ficheiro com esse nome.
Sem dúvida aconselhado a todos os que gostam de leituras distópicas!