terça-feira, 15 de maio de 2012

Será uma estante?

Prateleiras Barocas Graham & Greene. Mais info aqui.
Aqui há uns dias mostramos-vos na nossa página do facebook umas estantes muito engraçadas em forma de molduras barrocas.
Hoje decidimos expandir o tema de "estantes fora do comum", com este pequeno artigo intitulado "Será uma estante?".
Um segredo que não é segredo é que para qualquer entusiasta de livros não existem prateleiras que cheguem! As estantes enchem-se num instante, caixas também e todos os buracos nos armários são fantásticos para pôr livros. (Sim, os cestos da casa de banho também, apesar de quase ninguém o admitir!)
A não ser que haja espaço para se ter uma biblioteca em casa e se possa encher uma zona só com estantes do tecto ao chão carregadas de livros de cima abaixo, vamo-nos deparar com o problema de onde por os livros.
Normalmente o que as pessoas fazem é comprar mais uma estante. E apesar de já haver estantes diferentes do típico rectângulo de madeira a verdade é que maior parte das pessoas não foge do mesmo. Porquê? Porque é simples e eficaz e dá para por num canto onde não chateei ninguém. Mas um verdadeiro "livrólogo" gosta de ter a sua colecção em exposição, gosta de ouvir os amigos perguntar "Mas tu já leste isto tudo?" e responder com orgulho "Sim, sim! Oh espera, aquele ainda não, é o que vou ler a seguir!", sabendo que em seguida virá uma enchente de perguntas relacionadas com os livros que poderão ir desde a opinião sobre determinado livro a saber se aconselha este ou aquele livro.
Numa tentativa de embelezar as casas e expor os nossos amados livros alguns designers tem trabalho na criação perfeita de estantes que sejam práticas e ao mesmo tempo ajudem a embelezar os cantos à casa. Um bom exemplo são as prateleiras barrocas na imagem acima, levam um número razoável de livros e podem ser postas numa pequena parede com uma mesa e/ou cadeirapor baixo, não roubando portanto a parede por completo.
Após uma busca pela internet encontramos algumas estantes interessantes que queremos partilhar convosco. Não se esqueçam de nos deixar a vossa opinião no fim.


Estante Equilibrium do designer Alejandro Gomez Stubbs da Malagana Design.
Óptima para cantos e para casas com um design mais inovador! Esta estante prima pela originalidade apesar de poder não ser muito pratica para pessoas que gostem de ler livros com bastante páginas.



 Esta é sem dúvida a minha favorita! Perfeita para colocar todos os livros de fantasia que tenho! Há espaço que chegue para pôr os Harry Potter, Narnia e todos os demais livros mágicos!
Esta estante foi criada pelo designer Sebastian Errazuriz.
 

A prateleira dos sonhos criada pelo Dripta Design Studio.
Mais uma maneira inovadora de ter os livros em exposição da sala! Com uma boa escolha de cores de lombada e título creio que esta prateleira tem a possibilidade de se tornar um quadro na sala, fazendo um autêntico dois em um!





E para concluir o nosso artigo, uma estante elegante que ficará bem sem dúvida num escritório sem no entanto se tornar pesada.
Também me parece óptima para colocar em corredores pois leva um número grande livros sem ocupar um grande espaço.
Esta estante é desenhada por Saba Italia.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

A Era das Trocas

 

Porque já há muito falamos de trocas e poupança, principalmente através de contactos com quem nos segue pelas redes sociais, decidimos oficializá-lo aqui no blog do Encruzilhadas Literárias.

Todos sabemos o quão caros pode ser adquirir um livro na actualidade. Geralmente aproveito as feiras dos livros e as promoções, mas fora disso evito gastar para não fugir do orçamento. Na verdade, confesso que os meus hábitos de leitura tiveram de se adaptar às circunstâncias, dado que é impossível acompanhar o ritmo de mudança no mundo editorial. É certo que as próprias livrarias e grupos editoriais já tomaram consciência da descida da procura e, como tal, promoções e constantes marcos de marketing têm vindo a ser realizadas (confirme quem segue online alguns sites como o da Editorial Presença ou da Wook).
Assim como eu, tantos outros leitores viram-se sujeitos a comprar menos, a gastar menos e não digo ler menos porque esse é o factor chave deste artigo.

Com as necessidades de poupar, certos movimentos ou tendências têm vindo a crescer, de forma a continuar a incrementar a leitura e a renovar as estantes lá de casa. Vamos então abordar o que acontece relativamente ao empréstimo e troca de livros, e que outras acções isso tem promovido.

 

Empréstimo - Os empréstimos de livros a amigos são um fenómeno constante. Quem é que não tem um amigo com gostos semelhantes a quem recorre de tempos a tempos para ver as novidades das prateleiras? Na verdade, o que tem crescido é o ânimo e vontade de partilha, assim como momentos e tertúlias sobre os livros que tanto gostamos. Para além disso, e se existe facilidade e confiança, começam a surgir compras a dois ou três, em que o mesmo livro pertence a uma pequena comunidade e anda de mão em mão, visitando estantes diferentes. E quando não se trata do mesmo livro, são packs que satisfazem todos os intervenientes. Esta modalidade dos packs é sem dúvida uma das mudanças mais sentidas, já que começam a ser recorrentes, em diversas livrarias (embora mais nas de grande dimensão, o que se justifica pela possibilidade de cobrir o gasto que nem sempre existe nas pequenas livrarias). Por outro lado, a dimensão que o mundo digital ganhou nas nossas vidas cria novas possibilidades. Falo-lhes por exemplo do Clube BlogRing que descobri através da aplicação do GoodReads. É um clube de empréstimo de livros criado por uma rapariga bibliófila como nós, e que funciona maioritariamente por correio. Uma pessoa tem a oportunidade de se inscrever para um determinado livro, fica em fila de espera, e o livro vai passando de mão em mão até regressar à dona original. A parte boa é sem dúvida a confiança que se estabelece entre as pessoas e a partilha que vai sendo feita, de opiniões, de novidades literárias, até de outros assuntos não directamente relacionados.  Alguns membros começam também a já disponibilizar alguns livros, o que permite criar uma maior dinâmica e agilizar as trocas.
Por outro lado, as bibliotecas municipais são cada vez mais um ponto de encontro entre a procura e a oferta para os leitores e a adesão pela grande maioria aos catálogos digitais facilita o acesso rápido à informação, requisições e renovações a partir de casa, pedidos de novos livros, entre outras modalidades. E os clubes de leitura mensais acabam por criar um novo espaço de interacção. Acho que cada vez mais o acto de ler deixou de ser uma acção solitária e individual. Tem uma série de momentos que só têm incrementado o contacto, a envolvência com pessoas de outros meios e nesse sentido é um factor de inclusão social e de incentivo à leitura.

Troca de Livros - O movimento do bookcrossing chegou a Portugal há alguns anos. Foi criado em 2001 por Ron Hornbacker e hoje chega a mais de 130 países. O objectivo é colocar livros a circular, criando um registo no site com um código e quem o encontrar, num banco de jardim, na paragem do autocarro, pode levá-lo e ficar com ele. O próximo passo é registá-lo no site para que se saiba por onde ele pára e perceber qual o percurso que ele já fez. Por esse motivo, e muitas vezes mais pela dinâmica de troca do que pelo livro em si, o projecto tem tido sucesso. Em Portugal existem 65 crossing zones, curiosamente em bibliotecas municipais muitas vezes (mas também em cafés e universidades) que facilitam o acesso aos livros, numa nova modalidade do conceito. 
Por outro lado, e porque nem sempre as pessoas gostam de ter livros riscados, surgem modalidades semelhantes mas que a troca por troca é feita directamente com os livros disponíveis na estante e não exigem qualquer tipo de controlo. Era o que se sucedia, por exemplo, com os Cafés Magnólia até os mesmos terem fechado. E no Complexo Desportivo do Jamor iniciou-se mais um ponto de troca portanto para as pessoas da área da Grande Lisboa é de aproveitar. O único problema destes últimos é que nem sempre são tão publicitados e portanto acaba por criar uma barreira à troca.
Outro exemplo foi um recentemente implementado na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, mas que por acaso não teve muito sucesso, em parte por responsabilidade dos alunos. A Livrearia é um conceito importado da Alemanha e, à semelhança do anterior, faculta livros através de estantes colocadas em pontos estratégicos. A novidade é que não precisam de fazer uma troca directa. Pode-se levar livros emprestados e devolvê-los depois, fazer trocas, ou simplesmente deixá-los para outros os verem. Foram colocados junto de vários departamentos de formação mas sendo para livros escolares foram todos levados e nenhum retornou à estante original. Neste momento foi adaptado para algo semelhante ao exemplo anterior, de troca por troca.
Para finalizar, são as redes sociais que ganham uma grande dinâmica. Existem grupos de troca, de venda em 2ª mão ou para ambas as finalidades no facebook por exemplo. As trocas são feitas por correio mas muitas vezes em mão também, sendo mais económicas e pessoais.  O Bookmooch estabelece trocas através de pontos. Quanto mais livros estiverem para troca, mais pontos se adquirem e maior possibilidade há de ter acesso àqueles a que tanto querem deitar a mão. O Winking Books é algo bastante semelhante e funciona também por sistema de pontos. 

Sem dúvida que muitas vezes as pessoas que utilizam uma plataforma ou sistema utilizam outra e acabam por criar lados e reconhecerem-se nos mais diversos destinos digitais. O que todas estas oportunidades trazem são hipóteses de poupar mas também de ter acesso fácil a novos livros. Lembro-me que ainda esta semana uma pessoa que conheço dizia já ter poupado quase 500 euros em 5 meses por utilizar estes processos. É qualquer coisa bastante significativa.

 echi (72)

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

O Olho de Golem de Jonathan Stroud

O Olho de Golem
A Triologia Bartimaeus - Livro 2
de Jonathan Stroud

Edição/reimpressão: 2005
Páginas: 462
Editor: Editorial Presença

Resumo:
Dois anos passaram desde os últimos acontecimentos. Nathaniel tem agora catorze anos e é adjunto do Ministro da Administração Interna. O seu dever é desmantelar a Resistência, uma organização de comuns que quer derrubar o poder dos magos. Mas quando um ataque-surpresa de um golem é atribuído erradamente a este grupo, Nathaniel vê-se obrigado a pedir ajuda a Bartimaeus, ainda que com relutância. Entretanto, um jovem membro da Resistência, Kitty Jones, planeia roubar o túmulo sagrado do grande mago Gladstone. É então que, numa noite, os destinos de Nathaniel, Bartimaeus e Kitty se encontram sob os desígnios de algo bem mais poderoso… Alternando a focalização da acção entre Nathaniel e Kitty e com alguns capítulos contados na primeira pessoa por Bartimaeus – que confere a sua nota de sarcasmo e de humor irreverente à sempre crescente tensão – este novo volume guia-nos até Praga, faz-nos perseguir um esqueleto pelas ruas de Londres, testemunhar actos ousado e penetrar no mundo sórdido do governo dos magos. 


Rating: 4/5


Comentário: 
Depois do primeiro livro da trilogia Bartimaeus é impossível não querer pegar no livro seguinte. Agora há mais uma personagem que se junta à história. Kitty Jones, uma cara nossa conhecida do primeiro livro mas que não teve muito importância, volta e entra para o elenco das personagens principais.
Tal como o resumo diz passaram dois anos desde o primeiro livro e Nathaniel cresceu. Tem catorze anos e é o mais novo adjunto de sempre do Ministro da Administração Interna, quem leu o primeiro livro sabe que este é o sonho de Nathaniel tornado realidade, finalmente parte do reconhecimento que ele sempre esperou. É extremamente fascinante ver o crescimento de Nathaniel como personagem, a maneira como ele se move e pronuncia e maneira como Bartimaeus o vê tornam este livro algo de fascinante. 
Este é também o livro em que uma personagem feminina toma um papel mais principal. Para mim, Kitty era o que faltava à dupla. Agora que Nathaniel está mais crescido a história precisava de uma personagem pragmática e idealista para contrabalançar com a sua ambição.
Kitty Jones vem preencher este papel. Neste livro abordamos a sua história e como ela chegou à Resistência e quais são os verdadeiros objectivos desta. Temos também pela primeira vez a visão do mundo pelo lado dos não mágicos e podemos sentir a sua opressão face aqueles que tem magia.
Esta dicotomia, apesar de levemente abordada no primeiro livro, toma uma dimensão maior agora que Nathaniel já tem catorze anos e já percebe coisas que não lhe faziam sentido quando era mais novo.
O crescendo do livro acaba por criar uma ponte para o terceiro volume da trilogia e revela-se como sendo um pedra importante no caminho.Uma saga sem dúvida a não perder!
  • Podem ler o nosso comentário ao primeiro volume da trilogia "O Amuleto de Samarcanda" aqui;

sábado, 12 de maio de 2012

A Sexta Mulher de Suzannah Dunn

A Sexta Mulher 
de Suzannah Dunn 
Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 274
Editor: Quinta Essência
Resumo:  
Amor, paixão e intriga na corte dos Tudor! 
Inteligente e generosa, Katherine Parr, a sexta e última mulher de Henrique VIII, sobreviveu a quatro difíceis anos de casamento. Mas quando o ambicioso e atraente Thomas Seymour conquista o seu coração, poucos meses após a morte do velho e cruel rei, a sua união apressada vai determinar o destino de Kate de uma forma que ninguém esperaria.
Catherine, duquesa de Suffolk, e a melhor amiga de Kate, é a testemunha privilegiada do amor tardio da rainha viúva. Mas, apesar dos seus receios em relação ao novo marido de Kate, a pouco e pouco torna-se óbvio que também ela esconde uma história negra. E se Thomas é capaz de trair a mulher pelo poder, a fria e calculista Cathy é capaz de trair a melhor amiga por amor.
Numa época em que a mínima indiscrição podia significar prisão e, até, a morte, a nova vida de Katherine Parr decorre longe de olhares indiscretos, entre os que mais a amam - mas até que ponto esse amor a poderá proteger da mais cruel das traições? 

Rating: 2/5



Comentário: Como uma amante de história, a possibilidade de conhecer mais sobre os Tudor foi o que inicialmente me seduziu para ler este livro. Tinha uma capa atractiva, parecia mimoso e quando chegou até mim foi inevitável lê-lo. 
Na verdade, muito se ouve falar de Henrique VIII, da primeira mulher Catarina, da Ana Bolena..., mas sobre as outras mulheres parece sempre haver um esquecimento e umas brumas de encobrimento nas quais se perde a importância do momento histórico, provavelmente devido ao facto de terem precedido mulheres com tanta garra e polémica em sua volta.
Por esse mesmo motivo fiquei algo desiludida com o seguimento do livro, dado que a temática é só levemente abordada ao longo de toda a história. Contado sempre na perspectiva de Catherine, amiga de Kate (a sexta mulher) existe um vazio inócuo associado à maioria da narrativa (já que existem muitas interrupções temporais durante as quais nada acontece e pouco se sabe de qualquer uma das personagens); o que por sua vez não me conseguiu prender. É sem dúvida uma obra de romance, mas salvo raras referências, poder-se-ia ter passado na actualidade ou em qualquer outro momento histórico. Nunca chegamos a perceber o que realmente sente Kate, qual foi a sua vida e o motivo pelo qual as coisas nem sempre lhe correram de feição.
Depois, a personagem principal não é fácil. A própria autora admitiu numa entrevista que pode ser consultada no final do livro que a sua personagem principal a irritava e como tal, faço-lhe uma vénia por isso porque é um trabalho bastante exigente por parte de um escritor, mas acho que em parte ela deixou transparecer esse sentimento para quem a lê. Ou a personagem tem uma personalidade mesmo insuportável e tornou difícil que me rendesse ao seu chamamento.
Provavelmente por causa disso, não me senti cativada ou envolvida no enredo e não me afeiçoei a nenhuma das personagens. Espera algo completamente diferente, atendendo à sinopse, e talvez por isso não tenha sido capaz de recebê-lo de melhor forma.

Ainda assim, a escrita é bastante fluída e o livro lê-se rapidamente numa tarde, para quem lhe quiser dar uma hipótese. Se tiverem uma opinião diferente, venham cá contá-la depois!