quarta-feira, 23 de maio de 2012

Hate Read

Após o post da Cláudia no facebook sobre o que dar a alguém que lê muito apercebi-me que sou uma sortuda por ter amigas que efectivamente gostam de ler. Do meu circulo mais próximo, há pessoas que sei que posso telefonar para me ajudarem a esconder "o corpo" como se diz na Anatomia de Grey Tenho pessoas que se não amam ler, pelo menos não se importam nada de receber um livrinho de prenda.
Isto obviamente dá aso a situações muito interessantes como uma que já vos falei da minha amiga que espera que a saga saia toda antes de a ler. Hoje, enquanto navegava na net, encontrei um termo que me lembrou de outra conversa que já tive há algum tempo.
O termo é "Hate Read" que se pode traduzir livremente por "Ler com Ódio". Este termo pode ser explicado por um ódio ao livro, às personagens, à mensagem do mesmo e à impossibilidade de o pousar. O problema de uma Hate Read é que o livro é viciante. Não importa o quão mau ele é, nós continuamos a lê-lo.
Isto lembrou-me da febre de leitura que foi o Twilight e de que uma grande amiga amiga, que entrou nessa febre, teve exactamente este tipo de relação com o livro. Lembro-me dela me ligar quase diariamente, pois estava a passar um período mais complicado, e rematar sempre a conversa com o como estava a odiar piamente o livro. Era um sofrimento, dizia-me ela, pois ela odiava a Bella, não percebia nada do que raio eram aqueles vampiros, que o livro nem a deixava dormir bem mas que estupidamente não o conseguia pousar! Pior, já tinha quem lhe emprestasse o volume a seguir, tal era o vicio em continuar a ler a saga. (Posso-vos dizer que ela acabou por ler a saga completa!)
Lembro-me de ter rido bastante desta situação e ter pensado para mim que coisa mais estranha, até porque eu é raro ler algo que não goste até ao fim. Mesmo assim compreendo a situação, é bastante agradável ter algo para odiar que seja seguro. Um pouco como aquelas pessoas que odeiam o Facebook e odeiam ter a sua vida on-line mas que estão lá quase todos os dias e ilustram tudo com fotografias. É um vício maior que elas, por muito que elas odeiem a situação parece que ao mesmo tempo gostam. É um ódio seguro porque obviamente que o Facebook não lhes faz mal e nem as odeia de volta. É um ódio a modos que saudável. Por vezes precisamos de ter algo que odiamos para nos dar um equilíbrio saudável à nossa vida e a leitura de ódio acaba por preencher saudavelmente este requisito!
Aliás, a leitura de ódio até pode ser bastante prática para descobrirmos a personalidade das pessoas. Sabermos que livros as apanharam desprevenidas e que as fizeram lê-los até ao fim, se são pessoas com algum sentido de humor.
A pergunta fica no ar caros leitores, alguém aqui já leu um livro que odiou mas não conseguiu pousar por nada deste mundo?

terça-feira, 22 de maio de 2012

O Portão de Ptolomeu de Jonathan Stroud

O Portão de Ptolomeu
A Trilogia Bartimaeus - Livro 3
de Jonathan Stroud

Edição/reimpressão: 2006
Páginas: 420
Editor: Editorial Presença

Resumo:
Já considerada um clássico de literatura fantástica, a trilogia Bartimaeus fica agora completa para agrado dos leitores que iniciaram a leitura dos primeiros volumes. Repleta de referências históricas e míticas, intercalado com notas de humor e sarcasmo, este derradeiro episódio leva-nos uma vez mais até Londres do século XXI. Agora Nathaniel, com dezassete anos foi promovido a Ministro da Informação e vai unir esforços para derrotar uma rede de conspiração que tem como objectivo um golpe de estado. Bartimaeus, um dos djinnis mais temíveis continua fiel ao jovem mago, e nesta história são finalmente revelados alguns segredos sobre o seu passado que irão deixar o leitor verdadeiramente fascinado.

Rating: 4/5

Comentário: 
Nathaniel tem dezassete anos, cinco anos passaram desde conhecemos o jovem mago pela primeira vez e podemos ver o quanto ele mudou. Agora numa posição de relativo poder, apesar de continuar sobe ameaça, Nathaniel está nas suas "sete quintas" mas perto de se tornar tão cruel como o mago que enfrentou no primeiro livro.
Uma coisa que gosto particularmente nos livros de Jonathan Stroud é o desenvolvimento que este dá às personagens. Não só vemos Nathaniel crescer como pessoa como vemos a maneira como a sua relação com Bartimaeus se desenvolve. De "Mestre e Lacaio", a uma amizade que apesar de não ser das mais comuns está lá. Por muito duro e frio que Nathaniel tente ser Bartiameus é o seu ponto fraco, além de ser o seu único seu amigo, é quem esteve com ele desde o inicio.
Pessoalmente considero esta uma das sagas mais menosprezadas de todos os tempos, não é um livro conhecido mas que sem dúvida o deveria ser! A história tem todos os elementos necessários para nos cativar do inicio ao fim e Bartimaeus oferece o elemento de comédia constante com um humor bastante refinado.
O Portão de Ptolomeu encerra a trilogia Bartimaeus mas acalmem-se os fãs porque o autor já lançou um quarto volume e não nega a possibilidade de quinto para a saga! Para os fãs mais curiosos fica a informação que quarto volume desta série saiu em 2010 em inglês e chama-se "O Anel do Rei Salomão" e conta as desventuras de Bartimaeus quando trabalhou para o Rei, algo que ele faz questão de nos lembrar repetidamente quando é obrigado a fazer tarefas que considera menores.
É sem dúvida uma história que merece ser lida como complemento à trilogia mas que pode ser lida perfeitamente sem conhecimento prévio da mesma.
Esta é uma saga que saí sem dúvida como selo de recomendação do Encruzilhadas!
 
  • Não se esqueçam de ler os comentários ao primeiro e segundo volume desta trilogia.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Na cama com livros

Já lá diz o ditado "quem lê, nunca se deita sozinho" mas há quem leve este conceito um pouco mais longe.
Não vale a pena esconder que todos temos as nossas mesinhas de cabeceira cheias de livros, é isso que nos torna bibliófilos.
Mas além destas mesinhas de cabeceira há também prateleiras e estantes inteiras de livros. Há alturas mesmo que até o chão nos guarda livros porque já não há espaço onde os pôr.
Houve quem fosse no entanto mais longe e tivesse decidido que a cama era um lugar tão bom como outro qualquer para guardar livros.
Creio que posso afirmar com alguma segurança que senão todos pelo menos alguns de nós tivemos pequenas prateleiras perto da cama. Quer fosse porque a cama era um beliche com armário, quer fosse porque era um modelo antigo com prateleiras em vez de mesinha de cabeceira, ter ali um espacinho com livros era uma alegria.
Era saber que se podia esticar a mão a qualquer instante e pegar num livro novo, entrar numa nova aventura. No entanto há medida que crescemos a nossa cama muda e muda e muda até que nos damos apenas com um ou dois volumes em cima da mesinha de cabeceira, ou se forem doidos como a Cláudia, com cinco ou seis. Isto acaba por não se revelar muito prático.
Assim sendo Brian Tolle acabou por criar uma estrutura em torno de uma cama no qual simulava paletes para que estas pudessem guardar livros. É um efeito muito giro em lego, como podemos ver na foto abaixo. Esta fantástica cama pertence a Richard Avedon, um bibliófilo que queria ter os seus livros bem perto enquanto dormia.


Uma cama que sem dúvida tira horas e horas de sono a qualquer pessoa que goste de ler. Outro bom exemplo de uma cama com livros é o iglo cama que foi desenhado no Japão. Esta cama tem a vantagem de se poder ter os livros mesmo à mão e todos bem perto de nós mas como se pode ver na imagem abaixo, é capaz de acabar por ser uma situação um pouco claustrofóbica. 
 

 Apesar da situação ser bastante prática para todos aqueles que amam ler e especialmente os que amam ler na cama, creio que não será muito prática principalmente na cama iglo. Com tanto livro virado para a cama é normal que haja uma maior concentração de pó no ar, o que é péssimo para as pessoas alérgicas. Além de que, se não foram bem cuidados, os livros podem chamar "bichos da prata" o que não deverá ser nada agradável.
A pergunta fica portanto no ar!
Chega-vos ter um livro ou dois em cima da mesinha de cabeceira? Ou preferiam ter uma estante inteira como nas fotos? Será que dormir com livros é sanitário tendo em conta o pó que acumulam? Digam-nos o que pensam!

domingo, 20 de maio de 2012

How To Be A Woman de Caitlin Moran

How To Be A Woman
de Caitlin Moran
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 320
Editor: Ebury Press
Resumo:
1913 - Uma mulher que lutava pelo sufrágio feminino atira-se para debaixo do cavalo do Rei.
1969 - Feministas invadem a competição Miss Mundo.
Agora - Caitlin Moran re-escreve "The Female Eunuch" num banco de bar e exige saber porque é que as cuecas estão cada vez mais pequenas. 

Nunca houve uma melhor altura para se ser mulher: temos o poder de voto, a pílula e não somos queimadas como bruxas desde 1727. No entanto, algumas perguntas aborrecidas continuam por ser feitas... 
Porque é que é suposto fazermos depilações totais? Devemos pôr Botox? Será que os homens nos odeiam secretamente? O que devemos chamar à nossa vagina? Porque é o teu soutien te magoa? E porque é que todos te perguntam quando vais ter um bebé? 
Parte memória autobiográfica, parte artigo de opinião, Caitlin Moran responde a estas questões e muitas mais no seu livro "How To Be A Woman" - começando no seu horroroso décimo terceiro aniversário passando pela adolescência, local de trabalho, clubes de strip, amor, gordura, aborto, TopShop, maternidade e muito mais.

Rating: 4/5
 
Comentário:
Como sabem e escrevi há uns posts atrás resolvi experimentar ler algo diferente. Devo confessar que nunca antes tinha lido um livro escrito por uma feminista. Isto porque, infelizmente como Caitlin Moran diz, tinha uma noção errada do que era ser-se feminista e achava que este género de livro jamais me iria interessar.
Devido à minha curiosidade e vontade de sair de uma zona de conforto de leitura acabei por dar com Caitlin Moran e algumas das suas amigas feministas e devo dizer que estou muito contente com a minha descoberta.
Entrei no livro um pouco a medo porque não gosto de biografias mas Caitlin surpreendeu-me. Trata-se de um livro sem tabus e no qual ela mistura a experiência pessoal com as descobertas e pensamentos que uma vida inteira de feminismo ajudou a moldar.
Recomendo este livro para todas as mulheres assumidamente feministas e para aquelas que não tem medo de serem obrigadas a pensar sobre a sexualidade e tudo o que está em volta da mesma. Gostava de ter mais palavras para descrever quanto já ri e me questionei com este livro mas simplesmente não as consigo encontrar. Tenho mostrado vários excertos a amigas minhas e falado de alguns dos temas que Caitlin discute no livro e isto tem dado aso a situações bastante divertidas.
Traduzido à letra pelo título "Como ser uma mulher", este livro vai abordar o caminho que vai desde o fim da infância até a idade adulta e de como uma mulher se cria. Como aprendemos a ser mulheres.
  •  Infelizmente, de momento ainda não há previsão para este livro sair em português.

 Vídeo:
Encontrei este vídeo no youtube e embora não seja um book trailer, acaba por falar de algumas das questão que a autora trata no livro. Infelizmente não encontrei uma versão legendada mas creio que o inglês dela é compreensível.
 

sábado, 19 de maio de 2012

Steampunk

Explorer by *Viccolatte on deviantART
Hoje falamos de um sub-género que tem cada vez mais fãs e sagas associadas. Falo do Steampunk, literalmente " vapor punk", um sub-género da ficção-cientifica que não é novo mas que nos revela um mundo muito parecido ao nosso, sendo ao mesmo tempo bastante diferente.
A ideia Steampunk advém da premissa de que algures durante a época vitoriana (1837-1901), devido à paz e prosperidade que se sentiu na Grã-Bretanha a humanidade teria começado a desenvolver mais e mais as máquinas a vapor e que de alguma maneira estas teriam tido preferência face à electricidade e petróleo mudando assim o rumo da evolução da terra.
Temos admitir que são perguntas interessantes: e se a tecnologia a vapor tivesse avançado extraordinariamente? Como seriam máquinas e capacidades tecnológicas incríveis sem o uso dos combustíveis líquidos ou da electricidade?
A terra é a mesma, os continentes mantém-se mas a paisagem muda. Em vez de aviões temos dirigíveis e as pessoas ainda se vestem como na época vitoriana, as senhoras com os seus vestidos e os senhores de casaco e cartola. Mesmo assim é uma época bastante mecanizada e podemos encontrar várias rodas dentadas pelo cenário e mesmo pelas roupas das pessoas.
O Steampunk é traduzido como sendo um saudosismo, um mundo que nasceu de um "e se as coisas tivessem ido por outro caminho?". É no entanto um sub-género literário que se começa a ver cada vez mais nas prateleiras das livrarias e parece que poderá mesmo chegar a tornar-se um género comum.
A grande diferença para a ficção cientifica é que o Steampunk normalmente tem acção no passado em vez de ser no futuro. Assim este sub-género brinca com os "e ses" do passado e do futuro criando um sem número de opções possíveis. Acaba por se tornar um sub-género muito prático que apesar de ser recente nas prateleiras é antigo de criação pois pode-se remeter o seu nascimento para obras de autores como Júlio Verne e Mary Shelley
Algumas obras steampunk conhecidas são as seguintes:
  • Howl's Moving Castle de Diane Wyne Jones que chegou a Portugal versão desenho animado com o nome "O Castelo Andante";
  • 20 Mil Léguas Submarinas de Júlio Verne;
  • O filme Hugo de Martin Scorsese, John Logan, baseado no livro de Brian Selznick; e
  • Caçadores de Sombras - As Origens, por Cassandra Clare.
Para lerem mais sobre o Steampunk podem consultar este artigo.


Steampunk... by ~Belsina on deviantART