segunda-feira, 28 de maio de 2012

Antes de Vos Deixar de Lauren Oliver

Antes de Vos Deixar
de Lauren Oliver
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 376
Editor: Editorial Presença

Resumo:
O que farias se tivesses apenas um dia para viver? Até onde irias para salvar a tua própria vida? Samantha tem tudo: um namorado e três inseparáveis melhores amigas. 6ªfeira, dia 12 de Fevereiro, devia ser por isso mais um dia bom na sua vida. Nada faria suspeitar que iria ser o último… Ao viajarem no Range Rover de Lindsay, no meio de cigarros, i-pods, conversas sobre rapazes e ausência de cintos de segurança, o grupo de amigas sofre um brutal acidente, onde Sam encontra morte imediata. Nesse instante, passa-lhe pelos olhos um episódio de crueldade infantil que ela escondera bem no fundo do seu subconsciente. Tarde demais para remediar a situação: Sam sentiu o choque, a dor excruciante, a escuridão a envolvê-la e o mergulho num nada profundo. É, pois, com grande espanto que, na manhã seguinte, Sam acorda na sua cama, perfeitamente viva. Então percebe que teve uma segunda oportunidade. Sete oportunidades, na realidade, e durante sete dias repetidos. 

Rating: 4/5

Comentário:
Este é o terceiro livro de Lauren Oliver que leio e que, sem dúvida, confirma a qualidade de escrita da autora. Além de uma narrativa cativante, Lauren cria personagens que são reais, que tem os seus defeitos, qualidades e que nunca nos deixam de surpreender.
Confesso que algo que me surpreendeu neste livro foi seguirmos uma rapariga popular. Normalmente acabamos sempre por seguir a "zé-ninguém" que sofre uma make-over ou que é super inteligente, ou então a rapariga mais odiada da escola ou a que acabou de se mudar para a mesma, pelo menos falo pelos livros e resumos que apanho. Só seguimos a rapariga popular se ela estiver prestes a morrer, e Lauren aqui não foge a essa regra.
No entanto, acabo por não me sentir aldrabada como de costume, pois Sam gosta efectivamente das suas amigas e está disposta a lutar por elas. Temos uma rapariga popular que apesar de não ser nenhuma santa, tem os seus valores e rege-se por eles. Não digo que seja algo 100% original mas acaba por ter o seu je ne sais quoi de originalidade.
A história é cativante e à medida que seguimos Sam ao longo dos sete dias, experiênciamos os mesmos de maneiras diferentes. Na realidade há medida que os dias passam a autora tomou a liberdade de os encurtar em certas partes para nos revelar outras dando uma nova dinâmica ao texto. Afinal por muito que Sam corra está presa no mesmo dia, 12 de Fevereiro até que algo aconteça.
Gostaria de continuar a discutir o livro mas creio que é bastante complicado sem entrar em detalhes que revelem o enredo. Para mim é dos mais bem escritos de Lauren Oliver apesar de também ter apreciado bastante o Hana.

domingo, 27 de maio de 2012

Os livros que vão mas não voltam

Todos nos devemos lembrar de andar na escola e de nos faltar uma caneta, ou um afia e prontamente nos virarmos e pedirmos um ao colega de trás, que com um sorriso responde "Toma, mas tem um "V" na ponta, ok? Um v de vai e um v de volta!". É uma frase que demonstra um pouco a confiança posta em nós e que nos lembra que o que levamos é emprestado e que tem de ser devolvido.
Quando somos nós a emprestar a sensação é ainda maior, as coisas vão mas vamos querer que voltem, mesmo que já não as usemos há algum tempo. O mesmo se aplica aos livros.
Verdadeiros bibliófilos gostam de comentar os livros que estão a ler presentemente, especialmente se forem bons, o que acaba por nos deixar um problema. As pessoas tem tendência a pedir-nos os mesmos emprestados. Falando por mim, não sou uma pessoa particularmente egoísta e até nem me importo muito de emprestar os meus livros se conhecer a pessoa minimamente bem. Devo confessar, no entanto, que já passei por várias situações em que um livro foi e não voltou.
Para mim, essas são as situações mais aborrecidas e complicadas pois nunca tenho 100% certeza de como devo lidar com o problema em mãos. Não sei quanto a quem me lê mas eu já cheguei a ter, entre outras situações descabidas, pessoas que me perderam livros e negam que eu lhes tenha emprestado seja o que for. E assim do nada "puff" lá se foi um livro!
Ora como os nossos caros leitores sabem, os livros não são propriamente baratos (Algo que iremos falar num post próximo!) e ter alguém a perder-nos um livro e a nem sequer nos pedir desculpa, visto que a situação ideal para mim, seria comprar um novo para substituir o perdido, acaba por me deixar um pouco entre a espada e a parede. Não gosto de ser "má" mas creio que nesta situações não é malvadez nenhuma dizer que me recuso a emprestar livros a pessoas que me desapareceram ou ficaram eternamente com um.
Confesso que sou esquecida mas tenho uma amiga que tem um livro meu há um ano e sempre que me vê só me diz "HEI! Esqueci-me do teu livro em casa!! Para a próxima trago!", acaba por ser uma situação um pouco constrangedora. Não que eu precise desesperadamente do livro, afinal já o li, mas ela acaba por entrar numa conversa de vítima durante trinta minutos, em como é uma esquecida e de como para a próxima e sem dúvida me traz o livro.
A verdade é que ao longo dos anos fui perdendo livros. Perdi livros quando mudei de casa, perdi livros quando as minhas primas pequenas mos levaram e nunca trouxeram de volta, perdi livros para a amiga que os emprestou a uma outra amiga que por sua vez desapareceu, perdi livros quando a minha irmã se esqueceu deles perto da piscina onde foi, perdi livros quando tropecei e os deixei cair dentro de uma poça numa tarde de sol depois de uma manhã de chuva.
É algo que quem lê não pode controlar, a não ser que só leia em casa e se recuse a emprestar seja que livro for. Todos nós vamos acabar por perder livros, mas há uns que nos chateiam perder mais que outros. Eu sou sincera: quando um livro meu desapareceu por completo de circulação só não comprei outro porque uma amiga, que tinha lido o livro e mo devolvido, fez questão de mo oferecer outra vez nos anos. Se assim não fosse, sei que iria correr a comprar outro. E vocês, caros leitores, há algum livro perdido que ainda vos assombre?

sábado, 26 de maio de 2012

Opinião: A Cidade dos Anjos Caídos, Cassandra Clare

A Cidade dos Anjos Caídos
de Cassandra Clare
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 312
Editor: Editorial Planeta
Resumo:
A Guerra Mortal acabou e Clary Fray está de regresso a casa, em Nova Iorque, entusiasmada com o que o futuro lhe reserva. Está em treino para se tornar uma Caçadora de Sombras e saber usar o seu poder único e a mãe casar-se com o amor da sua vida.
Os Habitantes-do-Mundo-à-Parte e os Caçadores de Sombras estão, finalmente, em paz. E, acima de tudo, Clary já pode chamar «namorado» a Jace.
Mas tudo tem um preço.
Anda alguém a assassinar os Caçadores de Sombras que pertenciam ao círculo de Valentine, provocando tensões entre os Habitantes-do-Mundo-à-Parte e os Caçadores de Sombras, o que pode levar a uma segunda guerra sangrenta. O melhor amigo de Clary, Simon, não pode ajudá-la. Descubra o porquê. 

Rating: 3/5


Comentário: Dando continuidade às críticas feitas à saga dos Caçadores de Sombras, de Cassandra Clare, chega a vez da Cidade dos Anjos Caídos, quarto volume da mesma.
Confesso que fiquei bastante satisfeita como o final pré-estabelecido no final da Cidade de Vidro e, como tal, algo apreensiva com o que me aguardava depois. A história estava completa, os enlaces que se tinham prolongado ao longo de livros inicialmente concebidos para serem uma trilogia estavam completos e, sendo assim, não sabia muito bem o que esperar do desenvolvimento a partir de então.
A sinopse deste volume por si só não é muito atractiva, pois pareceu-me mais do mesmo e um repisar de acontecimentos há muito finalizados e sem ponta por onde se pegar. Desta forma, não me senti surpreendida com o que Cassandra Clare nos decidiu contar ao longo destas 300 páginas.
Clary, pensando ver resolvidos todos os seus problemas, vê-se novamente a braços com contratempos na sua relação com Jace, que por sua vez e volta e meia retorna aos comportamentos algo bipolares que já o vêm a caracterizar. Se ao longo dos livros anteriores me fui compadecendo e torcendo pelos dois, confesso que ao fim de tanta insistência, a temática revela-se algo cansativa. Por outro lado, o treino para dotá-la de competências que todos os Caçadores de Sombras aprendem desde a mais tenra infância acaba por ser posto um pouco em segundo plano, o que considero uma pena já que um dos pontos mais fortes desta saga é exactamente a construção e composição do universo onde as personagens se movem.
Simon, por sua vez, vê-se a cargos com duas relações amorosas complicadas e alguns deslizes de personalidade que não lhe são nada característicos. O choque da transformação vampírica era necessário mas veio tarde e fora de contexto, parecendo algo despropositado. Quanto às suas "namoradas", Maya e Isabelle são sem dúvidas pessoas com personalidades diferentes e uma força de carácter incrível. Gostei de ver a amizade delas crescer e o balanço entre o conhecido girls power e momentos de maior fragilidade. Se a primeira aprende o que é a dádiva do perdão, a segunda mostra-nos que para lá de uma barreira de coragem e audácia existe uma feminidade fragilizada pelos acontecimentos recentes e uma necessidade enorme de amor.
A meu ver, a autora voltou a focar-se em demasia nas relações amorosas, e prevejo uma novela mexicana no futuro se ela não encontrar um ponto de contenção. Tirando isso, até achei piada à dinâmica entre o Magnus e o Alec até certo ponto, já que é das poucas vezes que os vemos efectivamente a discutir a relação. E um bocadinho de ciúmes não faz mal, desde que não ultrapasse os limites aceitáveis.
Outra coisa interessante é a introdução de novas personagens, umas já conhecidas da sua outra trilogia, como a vampira Camille (e algumas referências a Will), outras já referidas anteriormente mas que só agora têm uma cara: caso do ex-namorado de Maya.
O desenlace final era algo esperado e a meu ver um pouco aborrecido pela previsibilidade mas ainda assim vou continuar a ler a saga. Adoro o universo criado por Cassandra Clare e as suas personagens, mesmo quando ela não as estima em condições.

  • Não se esqueçam de ler o nosso comentário aos primeiros três livros desta saga! Podem fazê-lo clicando neste link!

sexta-feira, 25 de maio de 2012

"É o comer que faz a fome."

Aqui há uns tempos atrás, enquanto estava parada na Feira do Livro a ver os alfarrabistas mais concretamente, um amigo meu que caminhava comigo apontou para uma imagem do Eça de Queirós e comentou que "bom, bom devia ser viver naquele tempo". Curiosa perguntei "porquê?" A resposta não se fez tardar, sem internet e televisão um dos maiores hobbies que existia era ler e uma pessoa podia sempre contar com um livro de qualidade pois menos que isso não era editado.
Na altura não pensei muito nisso para além do "Aí meu Deus se um dia me tiram a internet!", devo-me confessar uma viciada neste meio tão prático e universal de comunicação, mas ontem ao passear os olhos por uma prateleira de livraria apercebi-me de algo.
Não só o número de livros editados é cada vez maior, como satisfaz cada vez mais áreas. Pondo isto por outras palavras, se agora me apetecer ler um livro com uma temática especifica no enredo, por exemplo como uma rapariga que passava por mim com um livreiro ao lado dela dizia, "um livro em que o/a protagonista engane a/o namorada/o", eu tenho acesso a isso mesmo.
Se me apetecer ler um livro que tenha gatos, tenho a certeza que qualquer livreiro me poderá aconselhar alguns títulos, se quiser um sobre vampiros, o número será certamente elevado também! A questão surgiu-me de masinho, o que aconteceu para que o número de livros e de temáticas tenha crescido tanto? Como é possível que o número de livros tenham aumentado tanto? E mais, como é possível que se tenham tornado tão específicos?
Sem eu saber, o próprio Eça tinha respondido a esta questão por mim. Numa busca rápida pela internet encontrei uma frase bastante curiosa dele que deu origem ao título deste post: "É o comer que faz a fome.". Se pensarmos bem é uma frase bastante inteligente e que se adequa sem dúvida à presente situação dos livros.
Num espaço de anos, a leitura ficou acessível a todos, aprendemos a ler e apercebemos-nos da grande vantagem que ler é. Correndo o risco de me tornar poética por uns parágrafos, ler realmente abre as portas da imaginação e dá-nos sítios onde ir quando temos de ficar no mesmo lugar. Sabemos que estamos a ler um bom livro quando todos acham que estamos sentados no cadeirão da sala mas nós estamos verdadeiramente numa Londres vitoriana a olhar intrigados para um cadáver juntamente com as forças policiais da época.
A fome que nasce do comer é o que dá origem a livros com temas tão específicos. Há medida que comemos, ou neste caso, lemos, descobrimos do que verdadeiramente gostamos e voltamos para buscar mais. É uma fome incessável que faz com que o mercado cresça para dar resposta a essa fome. Por exemplo, tenho uma amiga que só lê fantasia. Todos os livros de outros géneros que lhe deram estão numa estante com um ou dois capítulos lidos e pouco mais. O que ela gosta mesmo é de magia e romance e hoje em dia ela consegue ter uma secção inteira de livros dedicada a apenas isso. E se ela não gostar de dragões, não há problema, ah e se forem vampiros também não.
Obviamente que esta situação não é particularmente nova e não devo ser a primeira a pensar nisto, mas há algo que me deixa um pouco apreensiva. Se o leitor sabe exactamente o que quer comer isso é bom? Não digo num sentido prático, porque obviamente que é bom sabermos o que gostamos de ler, digo-o mais no sentido de "podermos acabar por comer sempre o mesmo". Falando por mim mesma, chego a ter alturas em que não posso ver nem mais um feitiço à frente, não particularmente porque enjoe de magia mas porque os livros começam a soar-me todos ao mesmo. Acabo por não apreciar verdadeiramente o livro que estou a ler pois estou sempre a compará-lo com o livro anterior.
Assim sendo gosto de dar uma pausa nos géneros, se li comédia salto para ficção cientifica, se li romance passo para fantasia. Esta técnica acaba por me ajudar a não saturar de nenhuma temática e ainda a ser surpreendida por algumas revelações inesperadas.
Como leitura assídua gosto de ter muito por onde escolher e gosto os meus géneros literários bem gerais. Porquê? Porque gosto de ser surpreendida, o meu comer chama apenas fome de mais comida e não de um prato em especial. Sim, por vezes quero ler um género especifico! Por vezes apetece-me mesmo ler um livro na primeira pessoa ou um livro sobre magia, ou um livro soft ou uma biografia mas uma vez não são vezes. Pessoalmente gosto de chegar a um restaurante e provar coisas novas! Afinal se pedirmos um bitoque em todos os restaurante onde vamos, perdemos a oportunidade de encontrar um prato delicioso.
E vocês, caros leitores, que pensam? São pessoas de pedir sempre bitoque ou gostam de variar?

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Passatempo 100 Seguidores

O presente passatempo visa festejar o marco que é chegarmos aos 100 seguidores. Seguindo as tendências que demonstrámos no artigo "A Era das Trocas", decidimos limpar as prateleiras cá de casa e oferecer um mimo aos nossos seguidores. (Claro que, como bibliófilas que somos, eles estão impecáveis e simplesmente a pedir novo/a dono/a.). Temos três livros para oferecer a 3 sortudos seguidores: A Colina das Bruxas, Na Sua Pele e O Elefante e o Maruti. As respostas podem ser encontradas aqui, aqui e aqui, assim como no blog. Boa sorte a todos!

ATENÇÃO:
Regras do Passatempo:
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 8 de Junho.
2) Todos os dados solicitados devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só serão aceites uma participação por pessoa e morada, em todo o território português (Portugal continental e ilhas).
4) Os dados de morada e contacto dos par­ti­ci­pantes são usados apenas para facilitar o envio do(s) exemplar(es) ao vencedor e não serão utilizados para outra finalidade.
5) O/A  vencedor/a  será sorteado  de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail.
6) O Encruzilhadas Literárias não se responsabiliza pelo extravio ou danos causados pelos CTT nos exemplares enviados. Quando pedido, o exemplar ganho poderá ser enviado em correio registado, estando os encargos associados à responsabilidade do vencedor.