quinta-feira, 31 de maio de 2012

O preço da leitura

Quem lê com certeza já reparou que o preço dos livros não pára de aumentar. Foi uma subida discreta mas constante e agora, livros que comprávamos há uns anos por 7 ou 8 euros, custam agora algo entre os 11 e os 12 euros. Pode não ser uma subida vertiginosa mas quando levamos o cesto à caixa faz toda a diferença. Quem é que não se apanhou já a ver a conta subir e a levar uns parcos 2 a 3 livros enquanto pensa "Bom, em inglês/comprando usados/trocando levava uns 4 ou 5!".
Torna-se cada vez mais difícil para um bibliófilo conseguir livros a bons preços. Obviamente que há promoções, vales de desconto e também a Feira do Livro mas isso são situações pontuais que podemos ter ou não, a sorte de apanhar quando nos dirigimos a um estabelecimento para comprar um livro.
Não me quero alongar a falar dos benefícios das trocas e das bibliotecas até porque a Cláudia já falou disso num post aqui há uns tempos. Quero falar sim daquelas pessoas que gostam de comprar livros e livros novos! Até porque sendo sincera, apesar de comprar tanto livros usados como novos, nada me dá mais prazer do que abrir um livro novo, sentir aquele cheirinho que eles emanam e ver que as páginas estão todas direitinhas e que a capa ainda brilha. (Talvez seja um pouco snob mas gosto mesmo de ver os meus livros nessas condições. Claro que à falta de melhor, trabalho muito bem com livros usados, que para mim acabam por ser novos, e leio-os sem problema algum.)
Em fóruns já vi pessoas que aproveitam os packs de 2 livros nos hipermercados, que normalmente tem os livros 5€ a 10€ mais baratos, e os compram a meias, ficando cada pessoa com o livro que quer. Acaba por ser uma óptima maneira não só de conhecer outros bibliófilos como de fazer um bom negócio.
Para quem lê bem em inglês, há uma boa maneira de adquirir os seus livros novos a bom preço. O truque é comprar na internet! A Amazon já é a loja habitual de muitos estrangeiros e desde que começou a oferecer portes grátis para Portugal a compras acima dos 30€, Portugal juntou-se à lista de clientes da empresa.
Para quem não quer gastar 30€ para não pagar os portes de envio há um site um pouco menos conhecido que quero sugerir. O seu nome é Book Depository e é um site com sede no Reino Unido que vende livros novos a preços bastante razoáveis. Tem também a grande vantagem de ter portes de envio gratuitos independentemente do valor em compras realizado. É uma forma diferente e acessível de conseguir livros novos sem pagar muito pelos mesmos. Apenas tem o inconveniente do obstáculo linguístico, para quem não lê em inglês.
Quer sejam comprados on-line, dados nos anos, comprados a meias ou ganhos em concursos, a verdade é que o preço dos livros nos revela o quanto custa ler num país. Passamos de ter um povo que sabe ler e lê, para um povo que apenas sabe ler quando nos começam a pedir valor extremamente elevados por livros novos.
Assim sendo gostaria de perguntar aos leitores que truques tem para comprar livros mais baratos? E qual é o valor máximo que dão por um livro novo?



Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre coisas e gostas de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Errar é Divino de Marie Phillips

Errar é Divino
de Marie Phillips

Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 284
Editor: Editorial Presença

Resumo:
Em pleno século XXI, os deuses do Olimpo estão vivos, mas como os seus poderes já não são como eram, o seu dia-a-dia é muito pouco lisonjeiro. Forçados a coabitar numa casa decrépita em Londres, vêem-se obrigados a dedicar-se a ocupações mundanas: Artémis passeia cães, Dionísio é DJ numa discoteca, Afrodite atende chamadas eróticas e Apolo é apresentador de televisão. E é por uma briga entre Afrodite e Apolo que nada vai voltar a ser como dantes. Para se vingar de Apolo, Afrodite pede a Eros que dispare uma das suas setas contra ele… Apolo acaba por se apaixonar por uma mera mortal e, quando os dois mundos chocam, as consequências são hilariantes.

Rating: 3/5

Comentário:
Não me quero alongar muito nesta crítica até porque acredito que não há muito a dizer. Li este livro numa tarde e foi uma experiência bastante divertida.
O livro é simples mas tem a sua originalidade e para que gosta de mitologia grega vai estar mesmo no ponto! A ideia de que os deuses gregos são reais, ainda estão vivos e tiveram de se adaptar aos novos tempos é giríssima e nem vos conto o quanto me ri por Eros se arrepender de não ter conhecido Jesus, só porque estava ocupado com outras coisas no Monte Olimpo na altura que este andou na terra.
O desenvolvimento da história está bem construído e o livro não promete mais do que dá, ao contrário de outros, em Errar é Divino, a promessa séria de acção, aventura e romance é cumprida.
A escrita de Marie Phillips é leve e simpática e podemos acompanhar a história como um filme na nossa cabeça, o que não só torna tudo muito mais fácil como ajuda a que nos entretenhamos durante o tempo que estamos a ler no livro. Na realidade a história é tão adaptável para o grande ecrã e o título é tão giro que nem sei como é que ainda ninguém tratou disso.
Um livro a ler de preferência talvez na praia para combater um pouco a neblina londrina presente e algumas referências ao frio submundo. Ao pegar em Errar é Divino temos nas mãos um romance com alguma acção e muitas referências mitológicas que acabam por dar um toque interessante à história.

terça-feira, 29 de maio de 2012

E-books invadem Hollywood

Na semana em que 50 Shades of Grey atinge o marco de vendas no valor de 10 milhões, os e-books estão a tornar-se uma fonte de inspiração para Hollywood.
Desde sempre que os livros são uma fonte de inspiração para o centro cinematográfico. Alguns dos melhores filmes que já vimos na grande tela foram inspirados por livros. Agora chegou a vez dos menos conhecidos e-books saltaram para o grande ecrã.
Dispostos a pagar por livros digitais o mesmo que pagam pelos direitos de autor dos livros físicos, Hollywood mantém agora um olhar fixo nas vendas de livros digitais. No passado mês de Abril, a Universal pagou 3 milhões pelos direitos de 50 Shades of Grey, o livro digital que assolou o top de vendas, e espera-se que outros livros como Wool e On the Island venham a sofrer propostas parecidas embora de valor inferior.

Steve Fisher, agente literário que trata da transição de livros para filmes, fala de uma nunca antes vista abertura de mercado em relação a e-books. Hollywood, que sempre torceu o nariz aos mesmos, procura agora nos tops de vendas e-books originais para tornar em filmes.
"A Hollywood o que interessa são as marcas", afirma Fisher, "quer seja um jogo de tabuleiro, de vídeo ou um livro, no entanto, nota-se uma nova abertura face ao mercado digital."
A escolha de títulos envolve o volume de vendas dos livros digitais foram postos à venda directamente para iPads e Kindles, mas que renderam um bom lucro aos seus escritórios. Mesmo assim, nota-se um certo temor face a estes livros pois não passa pelas mãos das editoras e não têm portanto o "rasteio normal de qualidade" que a maior parte dos livros sofre antes de chegar às bancas.
A abertura de Hollywood a este tipo de livro acarreta no entanto novas possibilidades de filmes e uma expansão nunca antes imaginada para este tipo de livros.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Antes de Vos Deixar de Lauren Oliver

Antes de Vos Deixar
de Lauren Oliver
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 376
Editor: Editorial Presença

Resumo:
O que farias se tivesses apenas um dia para viver? Até onde irias para salvar a tua própria vida? Samantha tem tudo: um namorado e três inseparáveis melhores amigas. 6ªfeira, dia 12 de Fevereiro, devia ser por isso mais um dia bom na sua vida. Nada faria suspeitar que iria ser o último… Ao viajarem no Range Rover de Lindsay, no meio de cigarros, i-pods, conversas sobre rapazes e ausência de cintos de segurança, o grupo de amigas sofre um brutal acidente, onde Sam encontra morte imediata. Nesse instante, passa-lhe pelos olhos um episódio de crueldade infantil que ela escondera bem no fundo do seu subconsciente. Tarde demais para remediar a situação: Sam sentiu o choque, a dor excruciante, a escuridão a envolvê-la e o mergulho num nada profundo. É, pois, com grande espanto que, na manhã seguinte, Sam acorda na sua cama, perfeitamente viva. Então percebe que teve uma segunda oportunidade. Sete oportunidades, na realidade, e durante sete dias repetidos. 

Rating: 4/5

Comentário:
Este é o terceiro livro de Lauren Oliver que leio e que, sem dúvida, confirma a qualidade de escrita da autora. Além de uma narrativa cativante, Lauren cria personagens que são reais, que tem os seus defeitos, qualidades e que nunca nos deixam de surpreender.
Confesso que algo que me surpreendeu neste livro foi seguirmos uma rapariga popular. Normalmente acabamos sempre por seguir a "zé-ninguém" que sofre uma make-over ou que é super inteligente, ou então a rapariga mais odiada da escola ou a que acabou de se mudar para a mesma, pelo menos falo pelos livros e resumos que apanho. Só seguimos a rapariga popular se ela estiver prestes a morrer, e Lauren aqui não foge a essa regra.
No entanto, acabo por não me sentir aldrabada como de costume, pois Sam gosta efectivamente das suas amigas e está disposta a lutar por elas. Temos uma rapariga popular que apesar de não ser nenhuma santa, tem os seus valores e rege-se por eles. Não digo que seja algo 100% original mas acaba por ter o seu je ne sais quoi de originalidade.
A história é cativante e à medida que seguimos Sam ao longo dos sete dias, experiênciamos os mesmos de maneiras diferentes. Na realidade há medida que os dias passam a autora tomou a liberdade de os encurtar em certas partes para nos revelar outras dando uma nova dinâmica ao texto. Afinal por muito que Sam corra está presa no mesmo dia, 12 de Fevereiro até que algo aconteça.
Gostaria de continuar a discutir o livro mas creio que é bastante complicado sem entrar em detalhes que revelem o enredo. Para mim é dos mais bem escritos de Lauren Oliver apesar de também ter apreciado bastante o Hana.

domingo, 27 de maio de 2012

Os livros que vão mas não voltam

Todos nos devemos lembrar de andar na escola e de nos faltar uma caneta, ou um afia e prontamente nos virarmos e pedirmos um ao colega de trás, que com um sorriso responde "Toma, mas tem um "V" na ponta, ok? Um v de vai e um v de volta!". É uma frase que demonstra um pouco a confiança posta em nós e que nos lembra que o que levamos é emprestado e que tem de ser devolvido.
Quando somos nós a emprestar a sensação é ainda maior, as coisas vão mas vamos querer que voltem, mesmo que já não as usemos há algum tempo. O mesmo se aplica aos livros.
Verdadeiros bibliófilos gostam de comentar os livros que estão a ler presentemente, especialmente se forem bons, o que acaba por nos deixar um problema. As pessoas tem tendência a pedir-nos os mesmos emprestados. Falando por mim, não sou uma pessoa particularmente egoísta e até nem me importo muito de emprestar os meus livros se conhecer a pessoa minimamente bem. Devo confessar, no entanto, que já passei por várias situações em que um livro foi e não voltou.
Para mim, essas são as situações mais aborrecidas e complicadas pois nunca tenho 100% certeza de como devo lidar com o problema em mãos. Não sei quanto a quem me lê mas eu já cheguei a ter, entre outras situações descabidas, pessoas que me perderam livros e negam que eu lhes tenha emprestado seja o que for. E assim do nada "puff" lá se foi um livro!
Ora como os nossos caros leitores sabem, os livros não são propriamente baratos (Algo que iremos falar num post próximo!) e ter alguém a perder-nos um livro e a nem sequer nos pedir desculpa, visto que a situação ideal para mim, seria comprar um novo para substituir o perdido, acaba por me deixar um pouco entre a espada e a parede. Não gosto de ser "má" mas creio que nesta situações não é malvadez nenhuma dizer que me recuso a emprestar livros a pessoas que me desapareceram ou ficaram eternamente com um.
Confesso que sou esquecida mas tenho uma amiga que tem um livro meu há um ano e sempre que me vê só me diz "HEI! Esqueci-me do teu livro em casa!! Para a próxima trago!", acaba por ser uma situação um pouco constrangedora. Não que eu precise desesperadamente do livro, afinal já o li, mas ela acaba por entrar numa conversa de vítima durante trinta minutos, em como é uma esquecida e de como para a próxima e sem dúvida me traz o livro.
A verdade é que ao longo dos anos fui perdendo livros. Perdi livros quando mudei de casa, perdi livros quando as minhas primas pequenas mos levaram e nunca trouxeram de volta, perdi livros para a amiga que os emprestou a uma outra amiga que por sua vez desapareceu, perdi livros quando a minha irmã se esqueceu deles perto da piscina onde foi, perdi livros quando tropecei e os deixei cair dentro de uma poça numa tarde de sol depois de uma manhã de chuva.
É algo que quem lê não pode controlar, a não ser que só leia em casa e se recuse a emprestar seja que livro for. Todos nós vamos acabar por perder livros, mas há uns que nos chateiam perder mais que outros. Eu sou sincera: quando um livro meu desapareceu por completo de circulação só não comprei outro porque uma amiga, que tinha lido o livro e mo devolvido, fez questão de mo oferecer outra vez nos anos. Se assim não fosse, sei que iria correr a comprar outro. E vocês, caros leitores, há algum livro perdido que ainda vos assombre?